quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Rumores do Dia: De Vries e Drugovich assediados por equipas da IndyCar


A Andretti, como sabem, é uma equipa que deseja estender os seus tentáculos para além da IndyCar. Tem uma equipa na Formula E, tem intenções de ir para a Formula 1 - montando a sua própria equipa ou então, comprar outra, com a Alpine a ser uma das apontadas - e assim sendo, muitos pilotos estão a ser falados para preencher muitos lugares, quer na IndyCar, quer na Formula E, até na IMSA.

E alguns nomes estão a ser falados. Marshall Pruett, na sua coluna na racer.com, fala de gente que andou na Formula 1, como Nyck de Vries, e pilotos que andam a espreitar por uma vaga, como Felipe Drugovich, como possíveis candidatos para um - ou dois lugares - para a competição americana. Michael Andretti até poderá querer dar um teste a Jake Dennis, que ganhou na semana passada o campeonato de Formula E, assistido pelo próprio em Londres. 

Contudo, Pruett acha que há riscos, ainda por cima, numa equipa que têm garantido gente como Romain Grosjean e Marcus Ericsson, pilotos com passado na Formula 1.

Aliás, Drugovich é falado não só para a Andretti, como também para a Chip Ganassi e Meyer Shank, com De Vries também a ser falado pela mesma equipa. O neerlandês chegou a testar em 2022 por eles e ficaram impressionados com as suas performances. Agora com ele liberto de compromissos na Formula 1, e apesar de ele ser alguém bem visto na Formula E, a competição americana seria uma boa alternativa, especialmente numa equipa que tem dinheiro, mas alinha com dois veteranos, Hélio Castro Neves - 48 anos - e o francês Simon Pagenaud - 39 anos. Ainda por cima, o francês ainda está a recuperar do seu acidente em Road America e nada se sabe se regressará nesta temporada.

A temporada da IndyCar Series termina a 10 de setembro, em Laguna Seca, na California.  

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

A imagem do dia


Ricardo Rosset foi um dos muitos pilotos brasileiros que andaram na Formula 1 nos anos 90, e sempre que se fala dele, é quase um debate curto: foi um mau piloto e pronto. Ao ponto de, quando a tabaqueira BAT impôs o seu nome na Tyrrell - já comprada por eles para se transformar na BAR - Ken Tyrrell, o lenhador, decidiu fechar de vez o seu envolvimento na Formula 1, porque ele pretendia Jos Verstappen - ou Norberto Fontana, depende de quem ouvirem.

Ou seja, desde o primeiro momento da temporada de 1998, Rosset foi "persona non grata" na equipa do Tio Ken. E com alguma razão, porque era o piloto mais lento do pelotão, ao ponto de ficar acima dos temidos 107 por cento. Não se qualificou por cinco vezes, e uma delas, no Monaco, levou a que os mecânicos da sua equipa trocarem as letras do seu nome e o chamarem de "TOSSER", um insulto no calão britânico.

Mas Rosset era assim tão mau? Afinal de contas, tinha sido vice-campeão de Formula 3000, em 1995, pela Super Nova, batido apenas pelo italiano Vicenzo Sospiri.

Nascido a 27 de julho de 1968 em São Paulo e herdeiro de uma firma de roupa interior, começou a correr em monolugares em 1991, pela Formula Opel Euroseries, antes da Formula 3 britânica, em 1993, onde acabou em quinto na temporada de 1994. No final de 1995, já vice-campeão da Formula 3000, tentou a sua sorte na Formula 1, juntando-se a Jos Verstappen na Footwork Arrows.

Contudo, logo no começo, o próprio Rosset disse que a equipa vivia numa fase de transição depois de ter sido comprada por Tom Walkinshaw, e não havia muito dinheiro para peças, e preferiram apostar no neerlandês, muito mais rápido que o brasileiro, que tinha um bom patrocinador e quase nunca teve a chance de batê-lo.

Seguiu-se a Lola Mastercard, que, bem... prometeu muito e foi demasiado horrível para ser verdade. Mais de 11 segundos mais lento que o resto do pelotão, apenas aguentou uma corrida antes de arrumarem as coisas e pararem de brincar às equipas de Formula 1 nas vésperas do GP do Brasil, a segunda corrida do ano. Não correu no resto da temporada, mas no inicio de 1998, estava de volta, para ser o companheiro de "Tora" Takagi.

Nem tudo foi mau. Por exemplo, Rosset consegui ser o oitavo no GP do Canadá, numa corrida marcada pela chuva. Mas, apesar de ter cruzado a meta com uma volta de atraso para o vencedor, apenas conseguiu ter dois pilotos atrás de si, um deles o Sauber de Pedro Paulo Diniz, seu compatriota, e o Williams de Jacques Villeneuve. E acabou por ser o melhor lugar da equipa naquela que viria a ser a sua última temporada na Formula 1. 

Contudo, o mal já estava feito. Chegou-se a pensar ser substituído pelo dinamarquês Tom Kristensen, o futuro "rei" de Le Mans, e chegou a haver um "shootout". Ele e Takagi andaram com tempos idênticos, enquanto Kristensen foi meio segundo mais lento, mas com um motor mais velho. Anos depois, em 2019, Rosset disse que ele andou com o mesmo carro, apenas com alguns ajustes para se adaptar à condução.

Na Alemanha, Rosset bateu forte durante os treinos livres, lesionando-se e não podendo participar no resto da sessão. Essa foi a razão da sua não-presença nesse Grande Prémio, ganho por Mika Hakkinen. E foi o primeiro dos seus três acidentes sérios. O segundo foi na Bélgica, quando não conseguiu ver o desastre que estava a acontecer na sua frente - o carro que se atira ao "mosh" de carros é ele - e no Japão, onde outro acidente nos treinos causa uma lesão no pescoço, que o impediu de se qualificar para a corrida. 

No final, Rosset contou que a equipa preferia o Takagi porque queria ganhar os favores da Honda. "Eles queriam que ficasse bem na fotografia... logo, eu não era bem-vindo. Tenho a certeza que ninguém foi atrás de mim", concluiu.

Depois disso, abandonou a competição para se concentrar no negócio de família. Mas dez anos depois, regressou à competição, correndo em Porsches no Brasil e sendo tricampeão da categoria em 2010, 2013 e 2015. E os carros que ele andou, o Footwork e o Tyrrell, tem pelo menos um dos exemplares na sua casa. 

E acerca da sua careira, afirma: "O que as pessoas dizem de mim, não me incomoda muito". 

Rumor do Dia: Haas e Alfa Romeo podem ter feito parceria


A Haas e a Alfa Romeo poderão fazer uma parceria a partir de 2024, quando esta última abandonar a Sauber para que a Audi tome conta dela, apesar de só oficialmente, entrar na Formula 1 em 2026. 

Segundo conta Roberto Chinchero, jornalista do portal Motorsport italiano, foi encontrado um acordo entre a equipa americana e a Alfa Romeo, onde a marca transalpina iria rebaptizar os motores Ferrari que equipam os monolugares da formação de Kannapolis com o seu nome, passando a ser conhecidos como Haas-Alfa Romeo. E isso acontece porque a equipa não quis a oferta inicial, que foi ceder o seu nome e serem chamados de Alfa Romeo, como estava a acontecer até agora com a Sauber.

Contudo, a decisão oficial ainda não é conhecida, mas em declarações à Autosport portuguesa, Jean-Philippe Imparato, o CEO da Alfa Romeo, explicou que “o investimento na Formula 1 é enorme, mas a Formula 1 foi muito útil para nós nestes últimos cinco anos, porque tivemos o melhor retorno do investimento, em todo o paddock, na relação investimento/retorno”.

É que o próprio Imparato afirmou que outras chances estão em cima da mesa, nomeadamente WEC, com o "appeal" de Le Mans, construindo um Hypercar, como fez a Ferrari, com excelentes resultados. 

O próprio Imparato disse na mesma entrevista à Autosport que ambas as categorias são tentadoras e uma decisão acontecerá até ao final do ano. 

“[Precisamos de] mais tempo para decidir, vamos analisar tudo, ponderar, e voltaremos no fim do ano com uma decisão. Vamos ver onde e como. Nós queremos ganhar, a Alfa Romeo competiu na Formula 1 e nos Sport-Protótipos, por isso temos latitude para escolher para onde queremos ir, mas a coisas estão a mudar muito depressa pelo que temos que ser cuidadosos onde pomos o nosso dinheiro. Tenho que ver, o negócio, o retorno do investimento”.

É verdade que isto poderá mostrar uma decisão, mas não quer dizer que a outra tenha sido descartada, bem pelo contrário.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Youtube Automotive Video: As comunicações rádio de Spa-Francochamps

Foi um fim de semana chuvoso, logo, aconteceu muita ação. E eis uma amostra das comunicações por rádio quer nas sessões de treinos livres, nas qualificações, na corrida sprint e na corrida propriamente dita. 

Rumor do Dia: Vettel na Formula E?


A ABT Cupra irá perder um piloto, o neerlandês Robin Frinjs, para a Envison, mas o seu substituto poderá ser surpreendente. É que Thomas Biermaier, o seu diretor desportivo, insinuou que Sebastian Vettel poderia entrar num dos carros da marca em 2024.

Ao microfone da rádio ran.de, em Londres, durante o fim de semana de encerramento da competição elétrica, Biermeier confirmou a partida de Frijns e fechou-se em copas sobre os nomes para o seu substituto, mas falou que seria alguém da Suíça.

"Os seus planos para o futuro não coincidem com os nossos", começou por afirmar Biermaier, explicando a separação: "O Robin era um amigo, é um amigo e será sempre um amigo", continuou. 

E o seu substituto? "Talvez seja da Suíça, há lá pilotos de corridas que estão muito empenhados no ambiente e fazem muito trabalho de sustentabilidade", concluiu.

A conclusão sobre o nome de Vettel tem a ver com o facto de ele viver no cantão de Thurgau e há anos que está fortemente empenhado na proteção do ambiente e na sustentabilidade. Contudo, apesar disso, ele não é grande fã da eletricidade, querendo mais apostar nos combustíveis sintéticos, mas limpos, e isso está a ser visto com os carros que tem andado recentemente - o Williams FW14 de Nigel Mansell e o McLaren MP4/8 de Ayrton Senna - com a campanha pelos combustíveis sintéticos. 

De qualquer forma, caso Vettel aceitasse o desafio, seria um verdadeiro golpe para o campeonato e para a Cupra, a marca de automóveis espanhola que este ano ingressou na Fórmula E, com colaboração com a alemã Abt, e ficou no último lugar da classificação de equipas, com 21 pontos, com o melhor resultado sido um sexto posto em Roma. 

segunda-feira, 31 de julho de 2023

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Em 1978, eram poucas as equipas que inscreviam mais que dois carros nos Grandes Prémios. A McLaren colocava Bruno Giacomelli em algumas corridas para experimentar a Formula 1, porque a Marlboro tinha dinheiro para esse luxo. Aliás, na grelha, o contrário seria mais normal: Wolf, ATS, Copersucar Fittipaldi, Surtees, Ligier, Ensign, Martini e Renault tinham apenas um carro inscrito, e os seus pilotos lá conseguiam correr e pontuar. De vez em quando aparecia outro chassis, mas era aos que tinham dinheiro para tal. A história dos pilotos pagantes é tão antiga quanto o automobilismo, acreditem. 

Em meados dos anos 70, existiam competições - especialmente no Reino Unido, com a Aurora Series - onde os carros de Formula 1 com pelo menos um ano eram entregues aos cuidados de equipas cliente, que davam a outros a possibilidade que experimentarem um carro de Formula 1 para saber qual era a sensação, sem ter de passar pelo crivo de uma qualificação, porque sabiam que contra tubarões, o risco de não-qualificação era bem grande.

Mas, pilotos pagantes ou não, equipa cliente ou não, todos no pelotão desejavam uma coisa: ter um Lotus, para acompanhar os carros de fábrica, que voavam na pista e se mostravam imbatíveis. E contudo, existia um privilegiado que tinha isso tudo. Era o terceiro melhor piloto do pelotão? Depende... se quiser contar a partir do fim. 

A partir de agora, falo de um rapaz, então com 22 anos, chamado Hector Rebaque

Nascido a 5 de fevereiro de 1956, na Cidade do México, cresceu a ouvir e ver os relatos do seu compatriota Pedro Rodriguez na Europa, e muito cedo, aos 16 anos, começou a tentar a sua sorte no automobilismo. Em 1974, com 18 anos, correu nas 24 Horas de Le Mans, num Porsche 911 Carrera RS, numa equipa que tinha construído parcialmente com Memo Rojas Sr. Eles desistiram ao fim de 60 voltas.

No ano seguinte, foi para a Formula Atlantic e a Formula 2, neste último com um Chevron, inscrito pela equipa de Fred Opert, onde conseguiu um quarto lugar em Thruxton. Continuou na Formula Atlantic em 1976, com resultados modestos, ao mesmo tempo que um canadiano chamado Gilles Villeneuve mostrava-se perante o mundo. Mas isso não impediu de comprar um chassis Hesketh, e aos 21 anos, em 1977, lá estava na Formula 1, onde em seis tentativas, só se qualificou no GP da Alemanha.

Em 1978, fez melhor: comprou um Lotus 78. Até houve uma melhoria nos resultados, mas não o "terceiro melhor piloto do pelotão". O carro já era obsoleto para a concorrência, ele não conseguira melhor que um décimo lugar na África do Sul, e cinco não qualificações. Poderás ter bom material, mas se não souberes andar nele, não passa de um brinquedo caro. 

Na Alemanha, Rebaque sujeitou-se a uma pré-qualificação, ao lado de Keke Rosberg, Arturo Merzário, Brett Lunger - que tinha um McLaren M26 adquirido - e René Arnoux. Debaixo de chuva, e com apenas três a passarem, ele foi o terceiro, meio segundo mais rápido que o francês. Sorte a dele. 

E mais sorte teve quando no final da qualificação, conseguiu um digno 18º tempo, dois lugares acima do estreante do dia, um brasileiro chamado Nelson Piquet

A corrida viu os Lotus de fábrica irem embora sem olhar para trás. A concorrência tentava acompanhá-los, mas muitos viam os seus motores esfumarem-se no ar, não aguentando o esforço das longas retas que entravam floresta alemã dentro. Quando a Rebaque, a corrida até teve momentos atribulados, quando se despistou na vota 24, depois da terceira chicane, mas conseguiu regressar à pista. 

No fundo do pelotão, começou a acreditar na sorte para chegar ao fim e conseguir algo com isso. Por incrível que pareça, sobrevive e consegue contra todas as expectativas, um sexto lugar na frente de gente como John Watson, no seu Brabham, e Gilles Villeneuve, piloto da Ferrari, e Riccardo Patrese, que está na Arrows, e tinha um segundo lugar no seu palmarés, conquistado na Suécia.

E foi assim que consegue ser o primeiro mexicano a pontuar em seis anos. E praticamente dos últimos privados a pontuar num Grande Prémio. Dois anos depois, será piloto da Brabham e no final de 1981, ruma à América, pilotando na CART.     

Youtube Automotive Video: Quando um Youtuber se torna piloto

Todos sonhamos em ser pilotos, mas poucos conseguem concretizar esse sonho. E então, entre o pessoal do Donut Media, tenho a certeza que todos gostariam de fazer aquilo que um deles, o Jeremiah Burton, acabou por fazer: entrou num Honda do TCR americano, depois de efetuar os testes necessários para conseguir a licença de competição, que tirou na escola de Skip Barber. 

 

domingo, 30 de julho de 2023

Formula E: Cassidy foi o melhor na última corrida da temporada


O neozelandês Nick Cassidy foi o melhor na última corrida da temporada de 2023 da Formula E, realizada em Londres, neste domingo. A chuva esteve presente durante toda a tarde, levando ao adiamento da corrida por hora e meia, até a organização der bandeira verde, e acontecer uma corrida sem incidentes. Mitch Evans foi o segundo, com Jake Dennis, o campeão de 2023, a ficar com o lugar mais baixo do pódio. 

Quanto a António Félix da Costa, as consequências do que aconteceu ontem afetaram o seu estado amímico. Apenas 20º na grelha, acabou na 16ª posição. 

Com o campeonato resolvido a favor de Jake Dennis, e a pole nas mãos de Nick Cassidy, a grande novidade para esta tarde é que a pista está parcialmente molhada na parte exterior, apesar dos pneus serem para todas as superfícies e situações. Aliás, é por isso que a partida aconteceu atrás do Safety Car, pelo menos nas duas primeiras voltas.

Contudo, quando a corrida recomeçou, sem o Safety Car, a pista ainda não estava em condições para começar normalmente, porque a chuva continuava a cair de forma ininterrupta. Pouco tempo depois, Scott Elkins, o diretor de corrida, decidiu apresentar a bandeira vermelha, porque queria esperar para que a chuva passasse, julgando que passaria dentro de 10 minutos.

Na realidade... só Às 18:30 locais é que a corrida começou, hora e meia depois da prevista. Cassidy manteve a liderança perante Evans, tentando andar na pista molhada em boa parte da sua extensão, já que aqui temos a parte indoor.

Vandoorme, Bird, Di Grassi, Merhi, Sette Câmara e Félix da Costa foram os primeiros a ir ao Attack Mode logo na primeira volta, tentando ganhar posições. Na volta seguinte, Evans e Nato também iam ao mesmo lugar, com o neozelandês da Jaguar a fazer por seis minutos, mais que a concorrência. Cassidy foi ao Attack Mode na décima volta, e a tendência era de livrar dos Attack Mode o mais cedo possivel, se calhar para se precaverem para alguma interrupção mais adiante.

Cedo os dois primeiros foram-se embora do resto do pelotão, com Dennis em terceiro, e Nato em quarto, os carros aguentavam-se bem no piso molhado, e com os pilotos a portarem-se bem, porque queriam, acima de tudo, correr.

E a partir daqui, foi um duelo à distância entre os dois primeiros, com o maior duelo a acontecer entre os... outros dois pilotos da Jaguar e da Envison, Sebastien Buemi e Sam Bird. O confronto entre eles, que poderia ser importante para as contas do título de Construtores, acabou por resolver a favor do piloto suíço, e claro, da Envision. 

No final, foram adicionadas quatro voltas e o fim da corrida surgiu pouco depois, com o "top five" a ficarem inalterados: Cassidy, Evans, Dennis, o Nissan de Norman Nato e o DS Penske de Stoffel Vandoorne. Buemi e Bird foram sexto e sétimo e a fechar os pontos ficaram Nico Muller, Dan Ticktum e o Porsche de Pascal Wehrlein.

A temporada acaba agora, dentro de seis meses começará uma nova. 

Formula 1 2023 - Ronda 12, Spa-Francochamps (Corrida)


Desde que se soube do tempo no fim de semana de Spa-Francochamps, este era o dia mais suscetível de não chover. E de uma certa maneira, apesar das nuvens terem andado a pairar nos céus belgas ao longo do dia, a chuva não tinha aparecido à hora da corrida. Ou seja, poderíamos ter uma corrida dita "normal". E claro, mais uma vitória da Red Bull a caminho, muito provavelmente. Agora, se era para Max Verstappen ou Sérgio Perez (Checo), essa era a parte mais complicada, porque o neerlandês era o sexto na grelha por causa da penalização, e - mesmo que muitos temessem isso - ele não iria ficar com a liderança no final da reta Kemmel, na primeira volta...

Com duas paragens previstas na corrida, boa parte dos pilotos partiam com médios, mas a primeira fila calçava moles, com Charles Leclrec e Checo Perez, se calhar para ver se escapavam das confusões. Quem sabe... 


Na partida, Leclerc aguentou as investidas de Perez, pelo menos até La Source, enquanto atrás, Carlos Sainz Jr fazia a mesma curva comprimindo o McLaren de Oscar Piastri para o muro, quebrando a suspensão, com o australiano a acabar por desistir. O mexicano esperou para que chegasse à reta Kemmel para passar o monegasco e ficar com a liderança, enquanto Max começava a ganhar posições, rumo ao lugar que mais queria, o primeiro.

Nas voltas seguintes, Alonso, o único com médios, passou o seu compatriota para ficar com o quinto posto, enquanto Max já estava na traseira de Lewis Hamilton para tentar ficar com o terceiro lugar. O tempo aguentava-se e via-se uma boa luta no pelotão, com os energéticos numa classe à parte. Mas não tardavam as primeiras paragens nas boxes, enquanto Sainz Jr também sentia os efeitos da colisão com Piastri, começando a ser engolido pelo pelotão, primeiro por Yuki Tsunoda, seguido por Alexander Albon, George Russell, Lance Stroll e todo o resto. Mais à frente, Max era segundo, depois de passar Leclerc na nona volta, quando ambos os carros chegaram a Les Combes.

Por alturas da décima volta, começaram as primeiras paragens na corrida, pelo menos para os que colocaram moles. Norris foi o primeiro, seguido pelos Red Bull e por Leclerc, mas apenas na volta 12, colocando médios. Gasly e Albon - este, depois de ser passado por Yuki Tsunoda - também foram às boxes para colocaram médios, e claro, regressando no fundo do pelotão, ao mesmo tempo que Tsunoda e Norris sobem lugares atrás de lugares, chegando aos pontos.


E no meio disto tudo, os Red Bull juntam-se. Na volta 17, Max está na traseira de Checo e no final da reta Kemmel, ponto de ultrapassagem por referência, ele fica com o comando, para não mais o largar. Duas voltas depois, começa a chover, e todos ficam atentos para saber se a pista fica ou não molhada o suficiente para trocar de compósito. Passado o momento em que a respiração fica presa, descobre-se que não é o suficiente para afetar o desempenho e trocar do tipo de pneus. Ainda por cima, não é em toda a pista.  

Misto, Sainz Jr está no fundo do pelotão, a arrastar-te, antes de encostar às boxes e acabar a sua corrida. Estamos na volta 23. A chuva cai, mas não em toda a pista. Os moles fazem o seu trabalho. E pouco depois, o aguaceiro passa e as nuvens dispersaram-se. Não foram precisos intermédios.

Com o passar das voltas, e de mais uma troca de pneus, onde os pilotos com moles deram muitas lutar pos posição, a hierarquia se manteve: os Red Bull na frente, sem serem incomodados, Hamilton e Leclerc lutando pelo terceiro posto, com o monegasco a manter-se no lugar mais baixo do pódio, e um pelotão intermédio onde as diferenças são muito curtas entre eles.  


Até ao final, não houve história: Max ganhou, quase sem dificuldade, e agora numa dobradinha com Checo, enquanto Leclerc ficava com o lugar mais baixo do pódio. Todos felizes nas boxes dos energéticos - afinal, é o seu tempo de domínio - e o resto, agora, está a ver este mês de férias com alivio. Mas muito provavelmente, com os cálculos a serem feitos, parece que o tri do Max está mais para Suzuka que para Losail...

sábado, 29 de julho de 2023

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Era para ser um dia de festa. Mas acabou em tragédia. E depois, quando se soube das circunstâncias, ela virou indignação. 

Como podem imaginar, não era nascido quando tudo aconteceu. Mas com o tempo, soube de tudo, das circunstâncias. Que estava um belo dia de verão no mar do Norte. que tinham ido 90 mil espectadores à pista para ver a corrida. Que foi uma prova onde os Tyrrell dominaram, com o escocês Jackie Stewart a levar a melhor sobre Francois Cevért e foi o local do primeiro pódio de James Hunt, naquela que foi a sua 26ª vitória, superando o seu compatriota Jim Clark no quesito do piloto mais vitorioso de sempre.

E era o regresso da Formula 1 a Zandvoort, depois de um ano de ausência, onde se gastou mais de um milhão de dólares para remodelações, nomeadamente uma nova capa de asfalto e guard-rails em toda a extensão da pista. 

Mas tudo isso foi esquecido por causa do acidente da volta sete. Se as pessoas achavam que é tudo romântico ter alguém que vive constantemente com o perigo e que a morte está sempre à espreita, ver tudo a acontecer diante dos teus olhos, num sábado à tarde, na tua sala de estar, à frente da tua televisão a cores - ou a preto e branco - acho que todo o teu romantismo se foi, naquele dia.

O que aconteceu ali foi homicídio por negligência. Porque - a comissão de inquérito depois afirmou isso, dois anos depois - que Roger Williamson ainda estava vivo depois do acidente e o começo do incêndio. Aliás, os comissários impediram que David Purley continuasse a tentar levantar o carro porque julgavam que ele tinha morrido no impacto, para além de não estarem equipados com fatos anti-fogo, por exemplo. Não foi. Nem eles se prontificaram a ajudar a levantar o carro e a levá-lo para o centro médico do circuito. E nem falo do diretor ter interrompido a corrida com uma bandeira vermelha. no inquérito, alegou que quando viu Purley a tentar empurrar o carro, pensava que era ele o acidentado e estava a colocar o carro de pé. 

Claro, pode-se afirmar "ah, mas a mentalidade é diferente na altura". Claro que era. O espetáculo tinha de continuar, e não interessava se fosse um "zé ninguém" ou o campeão do mundo. Mas, por incrível que pareça, o acidente de Williamson foi o virar de pagina em termos de mentalidade. Até entre os pilotos. Não foi por acaso que numa das fotos, pode-se ver o BRM de Niki Lauda a passar pelos destroços do March de Williamson. Tempos depois, disse que, se soubesse o que se tinha passado, não teria hesitado em parar e tentar salvá-lo. Bem vistas as coisas, pode agradecer ao sacrifício dele porque foi isso acabou por salvar a sua própria vida, quando três anos e três dias depois, quatro pilotos - Brett Lunger, Guy Edwards, Arturo Merzário e Harald Ertl - o retiraram do seu carro em chamas, no Nurburgring Norschleife. 

Dezenas de milhões de pessoas, um pouco por toda a Europa ocidental e América do Norte, viram, em direto e via satélite, a morte de uma pessoa diante dos seus olhos, e não esqueceram do que viram. E a partir dali, pediram para que agissem de forma mais robusta perante uma situação destas. E foi o que aconteceu, quando a segurança aumentou muito em termos de carros, circuitos, comissários e pilotos. 

Contudo, não impediu outros acidentes graves, como o de Niki Lauda, ou mortais, como Francois Cevért, Ronnie Peterson ou Gilles Villeneuve, mas ali a segurança melhorou imenso. As corridas são paradas - e até concluídas quando acontecem um acidente. Os circuitos são muito melhores, os comissários são mais ágeis - por vezes, exageram, como no caso das corridas à chuva. Mas a mentalidade "o espetáculo tem de continuar" já não existe mais. 

Aliás, já nem querem mais. O que desejam é um equilíbrio entre um lado e o excesso de cautelas em relação à segurança, especialmente quando o tempo se põe cara feia, como está na Bélgica nesta final de semana. 

Quem conhece a história, sabe como acabou: Williamson acabou por ser um dos maiores talentos desperdiçados do automobilismo, Purley, um antigo soldado de elite e herdeiro do maior fabricante de frigoríficos no Reino Unido, foi condecorado pelo seu ato de coragem, e morreu num acidente aéreo em 1985, oito anos depois de um grave acidente em Silverstone, na qualificação para o GP britânico. 

E hoje passa meio século. Muito provavelmente, quem ver as imagens dessa corrida, não esquecerá mais.    

Formula E: Evans foi o melhor na primeira corrida de Londres


Mitch Evans foi o vencedor da atribulada primeira corrida da Formula E em Londres, que aconteceu neste sábado. O piloto da Jaguar levou a melhor sobre o Andretti de Jake Dennis e o Envison de Sebastien Beumi, Dennis que conseguiu safar-se de todas confusões na pista, conseguiu tornar-se campeão do mundo, graças ao acidente e consequente desistência de Nick Cassidy

Quanto a Félix da Costa, o piloto da Porsche cortou a meta em posição ao pódio depois de ter saído de 17º, numa corrida onde Pascal Wehrlein foi atirado para o muro graças ao toque do McLaren de René Rast. Mas depois de cortar a meta, a organização penalizou-o com três minutos por causa de uma interferência de ordem técnica. 

Com 36 voltas previstas para esta corrida de sábado, e oito minutos de energia que os pilotos poderiam dividir irmãmente ou com seis minutos para um, dois para outro, a corrida tinha pontos de interesse, especialmente a luta pelo título entre Cassidy e Dennis, o mais regular ao longo da temporada.  

No arranque, Cassidy aguentou o primeiro lugar enquanto Buemi passou para o segundo posto, à frente de Dennis que não evitou alguns contactos com outros pilotos. Quanto a Félix da Costa, este fez um excelente arranque e já era 15º no final da primeira volta. Já Evans tentava recuperar lugares e era quinto, com Dan Ticktum a cair do quarto para o sexto posto. Tictkum tratou de recuperar o quinto posto, com Evans a regressar ao sexto lugar.

As passagens pelo Attack Mode começaram cedo, na terceira volta, mas apenas para os homens na segunda metade do pelotão, exceto Stoffel Vandoorne, que era nono no seu DS Penske. Duas voltas depois, dois incidentes separados causa a desistência de Jean-Eric Vergne e Robin Frijns, enquanto Cassidy passava pelo Attack Mode e mantinha -se na frente, imperturbável, seguindo um guião para ver se tinha chances de título.

Contudo, a meio da corrida, o desastre. E pior: causado... pelo seu companheiro de equipa. Na volta 19, depois da primeira entrada do Safety Car, Cassidy é tocado por Sebastien Buemi, que destrói a sua asa frontal e o obriga a ir às boxes e a cair para o fim do pelotão. Acabaria por desistir, furioso com o que tinha acontecido.

Na parte final, o Safety Car entra na pista por causa de dois incidentes separados. O primeiro, quando Sacha Fenestraz não consegue parar na zona do Attack Mode e sobre na traseira do carro de Sergio Sette Câmara, enquanto noutra parte na pista, René Rast empurrou o carro de Pascal Wehrlein para a barreira de proteção, com o alemão a perder posições, ficando de fora dos pontos.

Os carros andavam atrás do Porsche de Bruno Correia, contudo, a quatro voltas do fim, o carro de Sérgio Sette Câmara parou na berma e os organizadores decidiram mostrar a bandeira vermelha, alegando que precisavam de tempo para reparar as barreiras de proteção. Os carros foram recolhidos às boxes, e a corrida recomeçou depois das 18 horas.  

No regresso, René Rast, Max Gunther e Pascal Wehrlein foram para o fundo da grelha, com o piloto português a subir para terceiro. Contudo, os dois primeiros tinham um problema: ainda não tinham ido ao Attack Mode pela segunda ocasião! 

Dennis era quarto, quando a corrida recomeçou, com os dois primeiros a irem ao Attack Mode, com Buemi a cair para quarto, e Evans a ser pressionado por Felix da Costa e Dennis, quando a organização a acrescentar mais uma volta. Mas Buemi é "encaixado" por Norman Nato na entrada do pavilhão, causando um engarrafamento. A uma volta do fim, nova bandeira vermelha. 

A corrida recomeçou alguns minutos depois, com os três primeiros a manterem o ritmo, mesmo com mais uma volta acrescentada pela organização. 

No campeonato, Dennis comemora com 213 pontos, contra os 179 de Mitch Evans e os 171 de Nick Cassidy. A Formula E termina amanhã o campeonato. 

Formula 1 2023 - Ronda 12, Spa-Francochamps (Corrida Sprint)


Dia de sábado costuma ser dia de qualificação, mas pela pela primeira vez, a Formula 1 fará uma corrida Sprint em Spa-Francochamps, ainda por cima, num fim de semana onde a chuva fará a sua aparição constante.  Aliás, sábado era mesmo o dia de corrida Sprint, com um Shootout de manhã, com resultados previsíveis... mas não muito. Max Verstappen foi o melhor, mas a seu lado estava o McLaren de Oscar Piastri, mostrando que a evolução do McLaren, nesta altura da temporada, tinha sido bem nascida e dando excelentes resultados, quer em qualificação, quer em corrida.

Parecia ser sorte das sortes: nesta tarde, a pista começou seca, apesar das nuvens intimidantes no céu. Os pilotos saiam com médios, mas mesmo numa corrida pequena, com 15 voltas, os intermédios estavam presentes, prontos para qualquer imprevisto. E os pilotos, sabendo do que estão a encarar, estavam ainda mais nervosos. 

Contudo, quinze minutos antes da corrida, começou a chover na pista e as equipas começaram a colocar intermédios nos carros, torcendo que não chovesse mais. E por causa disso, a corrida começou um pouco mais tarde, primeiro doze minutos depois da hora, e depois, sem altura para regressar, devido à intensidade da chuva. 


E falem de "intenso": Em Eau Rouge, a água jorrava dos ralos de drenagem.

Quando a chuva parou, até o arco-iris apareceu para dar as boas-vindas a toda a gente no circuito belga.  


E claro, a Formula 1, sempre cautelosa, decidiu que todos largariam atrás do Safety Car, com todos calçados com pneus para chuva intensa. A pista já estava a secar, mas previa-se que mais chances de chuva iriam acontecer dali em breve. George Russell avisou que a pista convidava para intermédios, e o radar mostrava que não haveria chuva para os 20 minutos seguintes. Mas o Safety Car continuava.

Contudo, pouco depois, a organização recolheu o carro e a corrida arrancou com Verstappen a ficar na pista com os pneus de chuva, enquanto o pelotão atrás de si ia para as boxes, colocar intermédios. O neerlandês ficou na pista por uma volta, antes de trocar para os intermédios, deixando o comando para Oscar Piastri. 

Max foi atrás dele, mas a perseguição ficou interrompida quando o aniversariante do dia, Fernando Alonso, seguiu em frente em Pouhon e a direção de prova mandou entrar novamente o Safety Car. Alguns pilotos aproveitaram para fazer nova passagem pelas boxes, com novo jogo de intermédios. As coisas ficaram assim por umas quatro voltas, até que o Aston Martin recolheu às boxes e a corrida contiuou, com Max a passar Piastri no Radillon, algumas centenas de metros depois. 

A partir dali, Max foi em embora do pelotão, enquanto atrás, o seu companheiro de equipa começava a ser engolido pelo pelotão, especialmente quando Lewis Hamilton o tocou em Staevelot, causando a penalização ao britânico da Mercedes. Contudo, para piorar as coisas, o mexicano despistou-se e caiu para o fundo do pelotão, acabando por ser a segunda desistência da corrida. 


Na parte final, os Ferrari tentaram apanhar o Alpine de Pierre Gasly, mas ele conseguiu resistir graças a Hamilton, que era quarto na pista, mas tinha a penalização em cima dele e era um obstáculo para os objetivos da Scuderia. Mas na frente, tudo resolvido: Max em mais uma vitória, acompanhado por Oscar Piastri, no seu primeiro pódio de sempre - embora numa corrida Sprint - e Gasly a conseguir o lugar mais baixo do pódio, no seu carro.

Amanhã há mais corrida... e está prevista mais chuva. 

sexta-feira, 28 de julho de 2023

A(s) image(ns) do dia



Todos os anos, Pierre Gasly vai ao Radillon para colocar um ramo de flores no local onde morreu Antoine Hubert, vitima de uma colisão com o carro de Juan Manuel Correa, na prova de Formula 2, em 2018. E este ano não foi excepção, juntando até um grupo de gente para correr uma volta pelo circuito, no meio da chuva que se faz sentir neste final de semana.

Este ano, infelizmente, outro acidente mortal aconteceu debaixo da chuva das Ardenas, matando um jovem neerlandês de 18 anos, Dilano van't Hoff, campeão da Formula 4 espanhola em 2021. Algumas semanas depois do seu acidente mortal, a sua mãe foi ao mesmo local colocar um ramo de flores para homenagear Hubert, e claro, o seu filho, também vítima de uma colisão lateral.

Este fim de semana, como sabem, chove em Spa. E será assim por todo o fim de semana. Esperamos o melhor, tememos o pior. Queremos uma boa corrida, agitada. Até alguns desejam que haja uma confusão enorme, mas creio que todos concordam que, acima de tudo, é que não haja feridos e mortos. Gostamos muito do automobilismo, sabemos que é perigoso, mas também sabemos que a tecnologia avançou para providenciar segurança para os pilotos, e nunca estes carros foram tão seguros como agora. 

Contudo, tendemos a esquecer que a Formula 1 - e o automobilismo em geral - não consegue ser um desporto onde a morte está 100 por cento afastada. Quanto muito mais de 90 por cento. Mas lembrem-se: já vimos um carro a explodir e o piloto a conseguir sair dele pelo seu próprio pé. Acho que diz imensa coisa de uma modalidade como esta. 

Youtube Formula 1 Video: A "ridícula" saga de De Vries

Claro que a Red Bull e Helmut Marko não são pessoas muito amadas por causa da fama - especialmente dele - de correr com pilotos da academia caso não consigam determinados resultados em muito pouco tempo. Contudo, despedir Nyck de Vries após... 10 corridas na Alpha Tauri, parece ser algo muito drástico, mesmo para a Red Bull.

E é sobre isso que o Josh Revell fala no seu mais recente video, especialmente depois de ter feito dois, no ano passado, a louvar os seus feitos na Formula E e no que fez na Williams, em 2022.  

Formula 1 2023 - Ronda 12, Spa-Francochamps (Qualificação)


Normalmente, a corrida belga é no final de agosto. Mas este ano, a Formula 1 foi a Spa-Francochamps um mês antes, se calhar para tentar escapar do mau tempo nas Ardenas. Contudo, o tempo é algo do qual não controlamos, e por excelentes intenções que os organizadores e a FIA tinham ao colocar esta corrida no final de julho, não se pode escapar do tempo. Até parece que a chuva é permanente por ali... não é, isso sabemos, mas ficamos com essa impressão.  

E o tempo será isso mesmo durante o fim de semana: húmido, com chuva quase constante. Só se espera que não interfira muito com a corrida. 

Entretanto, nesta sexta-feira se soube que Max Verstappen iria ter componentes trocados na sua caixa de velocidades, e como atingiram o quinto, isso significaria que teria penalização de cinco lugares na grelha de partida. E claro, o lugar de pole-position, mesmo que fizesse - afinal, ele é o favorito, não? - não seria dele.   


Perto da hora, a chuva tinha parado e parecia aparecer algum azul entre as nuvens. E - não sei se foi por isso ou por outra coisa - que a qualificação começava com um atraso de 10 minutos. E quando se deu a luz verde, o céu abriu-se e um sol de verão iluminou a pista belga, ainda molhada. Logo, os pilotos entraram nela com os intermédios.

Com o passar dos minutos, alguns já marcaram tempos, mas todos na casa dos dois minutos. O melhor tinha sido Carlos Sainz Jr com 2.00,536, com Max logo a seguir, a 19 milésimos. O tempo ajudava a secar a pista, mas não o suficiente para largarem os intermédios. E pelo meio, gente como Lando Norris caía nas armadilhas, exagerando e indo pela gravilha, mas regressando à pista sem danos de maior.

No final da Q1, Lewis Hamilton acabou por ficar com o primeiro posto, já abaixo dos dois minutos (1.58,841) 91 milésimos na frente de Max, 214 de Oscar Piastri e 783 centésimos de George Russell. No outro lado da moeda, os eliminados acabaram por ser Nico Hulkenberg - que teve um problema nas boxes, ao querer sair delas, e isso estragou-lhe a chance que queria aproveitar - Daniel Ricciardo - cuja melhor volta foi apagada por ter excedido os limites - o Alfa Romeo de Guanyou Zhou e os Williams de Logan Sargent e Alexander Albon.

Pouco depois, começou a Q2, com avisos de que o bom tempo iria continuar. E claro, os tempos começam a baixar, com Kevin Magnussen a conseguir 1.57,413, antes de Sérgio Perez detonar e obter 1.55,982. Verstappen melhora, com 1.55,535, mas claro, a pista seca cada vez mais e se calhar, os slicks começam a ser tentadores...


E foi isso que fez Lando Norris, ao colocar moles, algo que o resto do pelotão começou a fazer quase a seguir, quando faltava cerca de cinco minutos para acabar a Q2. Mas as condições ainda não eram totalmente seguras, porque Esteban Ocon bateu na curva 9, e danificou a sua asa da frente, acabando por levar o seu carro até às boxes. 

No final, os tempos baixaram bastante, com Oscar Piastri a ser o mais veloz, e essa velocidade foi tal, ao ponto de Max ter quase saído fora da Q3, conseguindo um 10º posto, três lugares abaixo de Sergio Perez, e pior: perdia quase 1.2 segundos por causa do facto dos pilotos terem conseguido ser mais velozes. Ele queixou-se, mas das boes lhe disseram o porquê: não tinha carga na bateria. 

Entre os que ficaram de fora estavam o Alpha Tauri de Yuki Tsunoda, os Alpine de Pierre Gasly e Esteban Ocon, o Haas de Kevin Magnussen e o Alfa Romeo de Valtteri Bottas

O Q3 começou pouco depois, com o tempo a manter-se seco, com uma linha já definida no asfalto e os pilotos a colocarem os seus jogos de pneus para irem fazer os seus melhores tempos. E entre os primeiros a marcar um tempo foram os Ferrari, até com Charles Leclerc a ser o melhor, com Sainz Jr a ser o terceiro. 

A parte final foi a confusão do costume, tentando ter a pista limpa antes da sua última volta rápida. E no final, Leclerc acabou com 1.46,988, com o seu companheiro logo a seguir. Mas Max conseguiu aniquilar a concorrência, arrancando um tempo de 1.46,198, com Perez a ser terceiro. Hamilton é quarto, na frente de Sainz Jr e Piastri. mas na realidade, a primeira fila é Leclerc-Perez, com Max em sexto, ou seja, será um baralhar e voltar a dar, apesar do neerlandês ter mostrado que para além de ter o melhor carro, consegue sacar uma volta bem potente.


Amanhã é a corrida de sprint, mas fica o aviso: as chuvas farão a sua presença ao longo do fim de semana belga. Tudo está em cima da mesa.