segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Formula 1 em Cartoons - Bruno Mantovani (Itália)

Passado o fim de semana da Formula 1, e ainda por cima numa das Catedrais do Automobilismo, a vitória de Rubens Barrichello em Monza está a ser vista em certos sectores desta maneira. Será? Bom, a culpa nem é do Rubinho, o "morto-vivo" do inicio do ano, que pode acabar como... campeão do Mundo?

Os disparates da Net

Estas estão hoje no meu conterrâneo Voaridase, do blogue Formula 1DP. O primeiro caso mostra o que está no site da GP2 Series, logo, oficial. No anuncio do evento de Portimão, no Algarve, que vai acontecer no próximo fim de semana, a imagem mostra... uma bandeira espanhola em vez da portuguesa. Pelas nossas bandas, era como dizer que São Paulo seria a capital do Paraguay, ou algo do género. Nâo sei se sabem, mas existem imensos ingleses que juram a pés juntos que nós pertencemos a "España". Agora já sabem o que esses "bifes" andaram a fazer nas aulas de Geografia...

Outro disparate do dia que ele descobriu é um pouco mais justificável. Está na Wikipédia, a enciclopédia da Net. Sendo uma página relativamente fácil de ser vandalizada, um engraçadinho decidiu alterar um pouco a história da Ferrari, nomeadamente colcando campeões a mais e tentando alterar o futuro da Formula 1 até 2020 ou algo do género. Lá... Ayrton Senna, Felipe Massa, Sebastien Vettel, Fernando Alonso e Robert Kubica são campeões do Mundo pela marca da Cavalino Rampante. Era bom, não era?


Certamente nestes casos, os erros serão detectados e corrigidos. Por aqui, essa parte foi feita, e espero que as correcções sejam feitas. Mal dos nossos pecados se não acontecer...

domingo, 13 de setembro de 2009

PTCC - Braga II (Corridas)

Em Braga, máquinas e pilotos alinaram para a jornada dupla do PTCC (Portuguese Touring Car Championship) num pelotão onde estavam apenas dez inscritos, espanhados nas quatro categorias existentes. César Campaniço foi o grande ausente desta jornada, dado que disputava nesse fim de semana uma ronda do Campeonato Europeu de GT, no outro lado do país, mais concretamente em Portimão, a bordo de um Audi R8.

A primeira corrida da tarde teve duas largadas. Na primeira, uma carambola envolvendo os Seat Leon de Patrick Cunha e Joffrey Didier, bem como o Peugeot 407 S2000 de João Figueiredo, acabou por motivar a amostragem da bandeira vermelha. Cunha e Didier ficaram com os carros danificados ao ponto de darem por terminado o fim-de-semana, enquanto que Figueiredo teve de rumar à boxe para reparar os danos, acabando por partir da boxe no reinício da prova.


Na segunda largada, o arranque foi mais pacífico. Duarte Felix da Costa assumiu a liderança com José Pedro Fontes a pressionar ao longo de toda a corrida e por várias vezes o piloto do BMW 320i tentou consumar a ultrapassagem. Contudo, o homem do Seat Leon preto defendeu-se bem, conservando o comando até à meta. José Monroy, no Mitsubishi Lancer, completou o pódio.


"Foi bom vencer, aliás, é sempre bom vencer, mas esse sabor é especial quando temos alguém atrás de nós que é mais rápido. O Zé Pedro [Fontes] era mais rápido na maioria do circuito, mas eu tentava ganhar vantagem nas zonas onde sabia que poderia ter um pouco mais de velocidade para me defender nas restantes. A táctica resultou graças a um excelente trabalho da equipa que me deu um carro muito bom," afirmava Felix da Costa no final da corrida.


Já José Pedro Fontes reconhecia que "era mais rápido, mas quando tentei passar o Duarte defendeu-se bem. Não arrisquei nem forcei, vamos ver se ganhamos a segunda corrida", explicava.


Na segunda corrida da tarde, o facto de haver uma grelha invertida para os oito primeiros resultou em algo inédito: o Renailt Clio RS de Fábio Mota, da Categoria 3, era o "poleman", porque devido ao acidente na primeira corrida, somente oito carros participavam. O jovem do Clio reagiu rapidamente ao semáforo verde, mas melhor ainda partiu José Monroy que fez valer o poder do seu Mitsubishi Lancer Evo IX para assumir de imediato a liderança. Daí até ao final o piloto de Cascais estendeu a liderança e controlou o avanço: "Apesar de o carro começar a repetir o problema da primeira corrida. A cinco voltas do final começou a falhar, o que me obrigou a reduzir um pouco o andamento mas sem perigar a posição," afirmou o vencedor.



José Pedro Fontes e Duarte Felix da Costa completaram o pódio nesta segunda corrida, tendo o piloto da BMW conseguido o título na Categoria 1 a uma jornada dupla do final. Fontes expressava assim o seu contentamento no final da corrida:


"O objectivo do fim-de-semana era assegurar já o título e ao mesmo tempo ganhar vantagem ao Duarte Félix da Costa no campeonato absoluto. Nesta corrida o carro acabou por estar pior devido às alterações que fizemos para tentar obter mais velocidade, mas o balanço do fim-de-semana e da corrida são positivos. Estamos contentes por garantir o título da categoria e agora vamos tentar o absoluto," explicou o piloto da Vodafone Team.

Rumor do dia: Briatore sai, Prost entra?

A revista alemã "Automotor und Sport" afirma hoje que a Renault poderá ter um substituto na calha, caso Flavio Briatore seja irradiado da Formula 1 após a reunião do Conselho Mundial do próximo dia 21 de Setembro. O tetracampeão do mundo Alain Prost, que dirigiu também a sua equipa de Formula 1 entre 1996 e 2001, foi convidado a assumir o lugar.


O francês de 54 anos não confirma nem desmente essas afirmações.


Após a sua carreira de piloto, que aconteceu entre 1980 e 93, com uma interrupção em 92, Alain Prost comprou a Ligier a Tom Walkinshaw, em meados de 1996, e rebaptizou-a de "Prost Grand Prix", querendo torná-la na "Ecurie de France" que tinha sido a Ligier uns tempos antes. Entre 1997 e 2001 teve como pilotos Jean Alesi, Olivier Panis, o japonês Shiniji Nakano, o italiano Jarno Trulli, os alemães Nick Heidfeld e Heinz-Herald Frentzen, o brasileiro Luciano Burti, entre outros, não conseguiu mais do que três pódios e 31 pontos.

GP2 - Ronda 10, Itália (Corrida 2)

Depois de uma corrida louca na tarde de ontem, à chuva, hoje de manhã poderia ser uma etapa decisiva nas aspirações de Nico Hulkenberg na conquista do título da GP2 em 2009, caso conseguisse pontuar e o russo Vitaly Petrov não chegasse ao fim. No final, numa corrida ganha pelo brasileiro Luiz Razia, o primeiro e de um pódio duplamente brasileiro, já que Lucas di Grassi foi o segundo. Nico Hulkenberg foi o terceiro, e com Vitaly Petrov na quinta posição, o piloto alemão conseguiu os pontos suficientes para ser campeão, a duas provas do final do campeonato.

Para Alvaro Parente, os azares e as desilusões não paravam de somar. Depois de um "drive through" na corrida de Sábado, que lhe tirou um pódio certo e o fez cair para o sétimo lugar, o excesso de velocidade nesse "drive through" fez com que os comissários o penalizassem em 25 segundos e o relegassem para a 12ª posição e tirassem a hipótese de largar na primeira fila da grelha. Quem beneficiou disso foi... Razia.

Contudo, a segunda corrida recuperou algumas posições e já era sétimo classificado quando atacava o sexto lugar de Gierdo van der Garde, o último lugar pontuável, quando este se desviou para a esquerda numa travagem. Tentando evitá-lo, foi para a relva, fez um pião e desistiu. Zero pontos para o piloto português, apesar da grande exibição...

Agora, semana que vem é o encerramento do campeonato de 2009, no Autódromo de Portimão, no Algarve, o unico fim de semana que não é realizado em paralelo com a Formula 1. Com o título decidido, o que importa agora é a luta pela vitória!

Formula 1 - Ronda 13, Monza (Corrida)

O automobilismo, como qualquer desporto, funciona um pouco como o teatro: tem um enredo, tem uma história, momentos de suspense, e por vezes, um final inesperado. Todos nós temos ainda na meméria a maneira como o campeonato terminou no Brasil, com um campeão do mundo a ser decidido a 300 metros da meta, em prejuízo dos anfitriões e o vencedor a comemorar uma "vitória de Pirro". Num sitio tão carregado de história como Monza, onde tudo o que acontece fica automáticamente registado na memória das pessoas para ser contados aos filhos, netos e bisnetos, o cenário para o espectáculo desta tarde estava montado para mais um capitulo desta "never ending story".


O último desses capítulos acontecera no ano passado, quando uma carga de água, inédita em 58 anos de história, encharcou Monza e deu a Sebastien Vettel e à Toro Rosso a sua primeira vitória na história da competição, depois de na véspera ter dado uma "pole-position". Este fim de semana existia essa hipótese, mas isso só aconteceu ontem à tarde, na corrida da GP2. Mas hoje, em pista seca, as emoções ficariam um pouco mais contidas, dado que esta é uma pista onde as decisões acontecem essencialmente nas boxes. Com Lewis Hamilton na pole-position e Adrian Sutil a prolongar o estado de graça na Force India, o inglês tinha todas as hipóteses de fazer bonito. Mas os Brawn GP de Jenson Button e Rubens Barrichello, que tinha apanhado um susto ontem à noite devido à sua caixa de velocidades, que esteve para ser trocada (e perderia 5 lugares na grelha, caso acontecesse) após reflectir, arriscou. E resultou!


Barrichello decidiu parar uma unica vez nas boxes, enquanto que Hamilton parou duas e puxou pelo seu carro, a um ritmo alucinante, tentando conservar o primeiro posto. O brasileiro conseguiu superar Button na partida e ficou na terceira posição. Na tal paragem nas boxes, passa Sutil e depois Hamilton quando este parou uma segunda vez e caiu para a terceira posição. E logo a seguir, o brasileiro rumou à vitória e a mais uma dobradinha para a Brawn GP. Com as polaridades trocadas.


Mais atrás, Kimi Raikonnen lutava com Sutil para o quarto posto, uma luta forte e constante enttre mais um elemento da armada Mercedes (definitivamente, o melhor motor do pelotão) e o carro do Cavalino Rampante, o unico a estar nos oito primeiros lugares desta grelha e a lutar constantemente pelos pontos. Se Sutil ficou com a volta mais rápida (mais uma estreia para a Force India), Raikonnen no final levava a melhor. Com mais uma prenda inesperada na última volta.


Pois é, igual como nos filmes: quando Hamilton tenta uma última chance de chegar a Button e ao segundo lugar, perde o controlo do seu carro na primeira das Lesmos e despista-se, dando de bandeja a "medalha de bronze" ao piloto finlandês, para gáudio dos "tiffosi". Fazia lembrar Ayrton Senna e a sua final de corrida de 1988, mas os paralelismos terminavam ali.


Com Sutil no quarto posto, dando mais cinco pontos à Force India, os restantes lugares pontuáveis tiveram Fernando Alonso no quinto posto, o segundo McLaren de Heiki Kovalainen no sexto lugar, o BMW de Nick Heidfeld no sétimo posto e um Sebastien Vettel a herdar o último ponto que faltava à Red Bull, com Giancarlo Fisichella, agora convertido à "Rossa", colado nos seus escapes.


Quando se olha para o pódio, com uma dobradinha "trocada" da Brawn, e Rubens Barrichello a vencer pela terceira vez na sua carreira na Catedral de Monza, igualando Stirling Moss, Ronnie Peterson, Juan Manuel Fangio e Alain Prost, pela segunda vez este ano no lugar mais alto e tirando dois pontos ao seu companheiro Button, fazendo agora com que sejam 14 os pontos de diferença. Começa-se a desenhar o título de construtores à Brawn GP, mas em termos de pilotos, desenha-se um cenário em que... será possivel? O "patinho feio" dos brasileiros se tornar num inesperado campeão do mundo? Confesso que daria uma grande virada, mais uma daquelas que a Formula 1 foi fértil ao longo da sua história. Em suma: o argumento desta temporada ainda não está fechado!

GP Memória - Itália 1959

Duas semanas depois da Formula 1 ter passado por Lisboa, esta preparava-se para correr nas longas tectas de Monza, um circuito que só tinha três curvas dignas desse nome, as Lesmos e a Parabólica, enquanto que as outras não eram mais do que rectas curvas, pois faziam-se quase sem que os pilotos levantassem o pé.


Sitrling Moss queria ganhar de novo, pois sabia que assim as suas hipóteses de título, no seu Cooper-Climax da Rob Walker Racing aumentariam expoencialmente. Mas o seu maior rival tinha o mesmo chassis, embora da equipa oficial: Jack Brabham. Contudo, os Ferrari, que corriam em casa com os seus modelos 246 de motor dianteiro, apesar de começar a ficar datados perante os Cooper de motor traseiro, ainda eram uma ameaça, dado estarem à vontade neste circuito de alta velocidade. E Tony Brooks era um candidato ao título.



A Ferrari preparou-se para Monza não deixando os créditos por mãos alheias: inscreveu cinco (!) carros para esta ocasião. Para além de Tony Brooks, os americanos Phil Hill e Dan Gurney, os outros dois carros inscritos foram para o belga Olivier Gendebien e o inglês Cliff Allison. A Cooper tinha três carros oficiais para Jack Brabham, o jovem neozelandês Bruce McLaren e o local Guido Scarlati, enquanto que na Rob Walker Racing, para além de Stirling Moss, outro carro estava inscrito para o francês Maurice Trintignant. Havia mais três Cooper inscritos, mas eram da Scuderia Centro-Sud e tinham motor Maserati. Os ingleses Jack Fairman, Ian Burgess e Colin Davies iriam pilotar esses carros.


Na BRM, os três habituais pilotos estavam presentes: o americano Harry Schell, o inglês Ron Flockhart e o sueco Jo Bonnier lá estavam, enquanto que a Aston Martin trazia o americano Carrol Shelby e o inglês Roy Salvadori. Para fechar a lista estavam os Lotus de Innes Ireland e Graham Hill, mais um Maserati 250F tripulado por Guido Cabbianca.


Nos treinos, apesar da velocidade de ponta dos Ferrari, quem levou a melhor foi Stirling Moss, no seu Cooper da Rob Walker Racing, com Tony Brooks no segundo posto, ao volante do seu Ferrari. A fechar a primeira fila ficou Jack Brabham, no Cooper oficial. Na segunda fila estavam dois americanos, nos seus Ferrari. Dan Gurney tinha levado a melhor sobre Phil Hill, enquanto que na terceira fila estavam o Ferrari de Olivier Gendebien, o BRM de Harry Schell e o quarto Ferrari de Cliff Allison. A fechar o "top ten" estavam o Cooper de Bruce McLaren e o Lotus-Climax de Graham Hill.


Na partida, as hipóteses de uma vitória Ferrari foram por água abaixo quando o motor de Brooks cedeu logo nos primeiros metros, colocando-o praticamente fora do título. Moss conservou a liderança, com Phil Hill na segunda posição e Brabham na terceira. Com o passar das voltas, a potência dos Ferrari fez com que Hill e Gurney passassem os Cooper, mas Moss não perdia rasto deles, pois estava a fazer um andamento conservador, no sentido de poupar os pneus para a corrida, dado que o andamento naquele rápido circuito fazia com que estes gastassem rapidamente...


A meio da corrida, os Ferrari tiveram de parar para efectuar as suas trocas de pneus, mas Moss e Brabham decidiram não parar. Esse gesto foi decisivo para o inglês, já que com o seu andamento, poupou os pneus o suficiente para cavalgar rumo à vitória em casa da Ferrari, com o próprio Commendatore a assistir. Phil Hill recuperou o suficiente para apanhar Brabham, mas Moss já estava distante para o conseguir apanhar.



Sendo assim, no final das 72 voltas ao circuito italiano, Moss era o vencedor, com Hill no segundo posto e Brabham no terceiro. Outros dois Ferrari, o de Dan Gurney e o Cliff Allison, ficaram com os restantes lugares pontuáveis. Com somente um Grande Prémio para acabar, no novo circuito de Sebring, nos Estados Unidos, a diferença entre Moss e Brabham era agora de 5,5 pontos (31 contra 25.5), com Brooks em terceiro, com 23 pontos, mas com uma tarefa muito mais difícil para alcançar os Cooper. Quanto ao título de construtores, já tinha um dono: pertencia à Cooper, o primeiro para um carro com motor traseiro.

sábado, 12 de setembro de 2009

GP2 - Ronda 10, Itália (Corrida 1)

O ano passado tivemos algo inusitado, que foi ver chuva no Autódromo de Monza, no fim de semana do GP de Itália. Em 58 edições desde o inicio do Mundial de Formula 1, em 1950, tirando algumas sessões de treinos, e uma ocasião, em 1981, em que caia chuva fina no inicio da corrida, nunca choveu constantemente ao longo de um fim de semana. Desconheço se tal acontecerá amanhã, mas esta tarde posso dizer que pela segunda vez consecutiva, a GP2 em Monza foi disputada à chuva.

Alvaro Parente e Lucas di Grassi foram dois pilotos prejudicados na qualificação de ontem á tarde, partindo respectivamente de 15º e 17º lugar, apesar de inicialmente, o piloto português da Ocean ter subido um lugar devido a uma penalização. A chuva foi benéfica para ambos, pois não só fez com que esta começasse com os carros todos atrás do Safety Car, como aproveitaram bem para escapar das armadilhas na pista e galgar posições, uma após a outra. Nenhum dos dois andou longe um do outro, e chegaram a brigar pela terceira posição a determinado ponto da corrida.


Contudo, como sabem, a chuva dificultou as coisas, com pilotos a cortarem chicanes e alguns acidentes bem feios. Aliás, tal como começou, foi assim que a corrida terminou: com o Safety Car em pista, devido a um acidente envolvendo o estreante Johnny Ceccoto Jr., o vencedor foi pela terceira vez este ano o holandês Gierdo van der Garde, com o russo Vitaly Petrov na segunda posição e o brasileiro Lucas di Grassi no terceiro posto. O alemão Nico Hulkenberg foi sexto classificado, e a decisão do título na GP2, que poderia acontecer hoje, foi adiado para, em principio, amanhã de manhã.


Quanto a Alvaro Parente e a sua Ocean Racing Tech... acabaram no final na sétima posição, e conseguiram dois pontos, mas se o piloto português não tivesse de cumprir um "drive through" a meio da corrida por ter cortado uma chicane, certamente teria lutado por um pódio. Contudo, o sétimo posto (que também lhe valeu um ponto extra por ter feito a volta mais rápida) vale-lhe que amanhã partirá na primeira fila da grelha de partida, ao lado do Super Nova do espanhol Javier Villa. O outro piloto da ORT, o indiano Karun Chandhok, que esta semana esteve nas bocas do mundo quando Bernie Ecclestone pediu a Vijay Mallya, dono da Force India, para que o colocasse no seu carro (o que mostra o seu total deslocamento da realidade, já que ambos não se dão bem), teve problemas desde o inicio. Parou na terceira volta devido a problemas de aquecimento, e foi mais tarde penalizado devido a ter cortado uma chicane, fez um pião e terminou a corrida na 19ª posição.


No campeonato, Nico Hulkenberg agora tem 86 pontos, Vitaly Petrov é o segundo com 66 e Lucas di Grassi está na terceira posição com 52 pontos. Amanhã temos a Sprint Race, pelas 9:30 da manhã.

Formula 1 - Ronda 13, Monza (Qualificação)

Foi uma sessão que estava prestes a ser surpreendente de novo. Digo isto não por causa do facto de Lewis Hamilton ter conseguido pela terceira vez este ano a pole-position, mas sim o homem que teve de bater para conseguir alcançar este feito: o Force India de Adrian Sutil. Um carro com KERS, como normalmente é o McLaren, teve de usar toda a sua potência para conseguir bater um carro sem ela, que era o do Sutil, que por muito pouco não repetia a gracinha de Spa-Francochamps, com Giancarlo Fisichella. E quando vês o lugar em que ficou o piloto italiano no seu novo bólido (14º na grelha), pergunta-se: será que fez bem em mudar-se? Eu digo que sim, porque fez melhor que poderia ter feito Luca Badoer, e adaptar-se em poucos dias, com as restrições existentes, a um carro com KERS, é um feito apenas ao alcance de muito poucos.

Contudo, o seu substituto, Vitantonio Liuzzi, que esteve ano e meio fora de um carro de Formula 1, foi sétimo, a primeira vez que dois Force India passaram à Q3...



Um coisa interessante ficou nesta qualificação: dos sete primeiros da grelha, seis eram todos Mercedes. A unica excepção foi Kimi Raikonnen que, no seu Ferrari, conseguiu ser o terceiro na grelha de partida. Heikki Kovalainen foi quarto, no seu McLaren, enquanto que Rubens Barrichello e Jenson Button monopolizaram a terceira fila da grelha de partida, com o brasileiro, mais uma vez, a levar a melhor que o britânico, actual lider do campeonato. Os três últimos do "top ten" tinham todos motores Renault: Fernando Alonso e os Red Bull de Sebastien Vettel e Mark Webber.


O resto não era nada que estaria à espera, embora diga que as posições alcançadas pelos BMW Sauber foram mais devidas aos problemas que Nick Heidfeld e Robert Kubica sofreram com os seus bólidos, que lhes impediram de lutar por, por exemplo, de chegar mais adiante na Q3. No final, numa pista onde a velocidade é rei, os mais potentes tiveram o seu dia. E amanhã, caso nada de anormal aconteça, o dia pode ser alemão, na casa da Ferrari. Veremos!

GP Memória - Itália 1999

Quinze dias depois de Spa-Francochamps, o campeonato continuava ao rubro. Mika Hakkinen e Eddie Irvine lutavam pela liderança do campeonato, e tinhamos chegado à altura em que qualquer erro iria sair caro a cada um dos protagonistas desta história. Os "tiffosi" presentes em Monza sabiam (e torciam) que a McLaren tivesse um mau dia para que eles próprios pudessem continuar a sonhar com um título que lhes escapava há vinte anos.

Mas havia outros a espreitar, esperando uma oportunidade. A estrela de David Coulthard tinha se fortalecido, após a sua vitória em Spa, enquanto que na Jordan, Heinz-Herald Frentzen era um piloto regular nos pódios, e quando a oportunidade surgia, como tinha acontecido em França, conseguia vencer. Portanto, à entrada para o fim de semana italiano, e com quatro provas para o fim, toda a gente sabia que um erro poderia sentenciar toda uma época.


Em Monza, contrário ao que se costuma esperar, a McLaren dava-se bem com as rectas do circuito italiano. Logo, Mika Hakkinen fez facilmente a pole-position, enquanto que Heinz-Harald Frentzen ficava a seu lado na primeira fila. Na segunda fila estava o segundo McLaren de David Coulthard e o Williams do surpreendente Alex Zanardi, que fazia a sua melhor qualificação do ano (e da sua carreira). Na terceira fila estava o segundo McLaren de Ralf Schumacher e o melhor Ferrari, o de... Mika Salo. Rubens Barrichello, no seu Stewart-Cosworth, sera sétimo, com Eddie Irvine a seu lado. Para fechar o "top ten" estavam o segundo Jordan de Damon Hill e o Prost-Peugeot de Olivier Panis.



A corrida começa com Hakkinen na liderança, enquanto que Zanardi salta para a segunda posição à saída da primeira chicane. Na mesma volta, Coulthard sai de pista e quando volta tem problemas de direcção que o irão atormentar até ao final da sua corrida. Estas confusões todas favoreceram Hakkinen, que começou a abiri uma liderança enorme, que o acumulou ao longo das voltas ao circuito.

O facto de ter todo o pelotão atrás de si faz com que Zanardi se sentisse pressionado para segurar, e essa pressão o fez cometer um erro, ao passar por cima de um limitador, fazendo desiquilibrar o carro e arrastando-se até ficar fora dos pontos. Assim sendo, o segundo lugar fica com Frentzen, que tem atrás de si um longo pelotão, todos juntos mas sem conseguirem ultrapssar uns aos outros.


E na volta 30... o momento do dia. Mika Hakkinen perde o controlo do seu carro quando trava na primeira chicane e cai na gravilha, desistindo. A equipa fica em choque e a multidão delira, sabendo que o seu adversário tinha ficado de fora. Irado com o seu erro, Hakkinen sai do carro, atira as luvas para mais diante se sentar na relva e chorar desalmadamente, julgando ele que tinha desperdiçado uma oportunidade de ouro para avançar decisivamente nesta decisão.


Frentzen herda a liderança, com Ralf Schumacher e Mika Salo atrás dele: Eddie Irvine não consegue subir mais além do sexto posto, apesar de ter à sua frente o McLaren de Coulthard, que não anda bem desde o inicio da corrida. Não houve nada de especial até à banedira de xadrez, onde Eddie Jordan comemorou a sua terceira vitória da sua carreira, e a segunda do ano. Com Ralf Schumacher e Mika Salo a acompanhá-lo no pódio, Rubens Barrichello, no seu Stewart, David Coulthard e Eddie Irvine completavam os pontos.

Após esta corrida, a disputa pelo título tinha sido alargada, com Hakkinen e Irvine igualados na tabela de pilotos, com 60 pontos cada um, com Frentzen em terceiro, com 50, e David Coulthard a espreitar, com 40. A três provas do final do campeonato, todas as hipóteses eram possiveis, e a emoção e imprevisibilidade era a norma.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A 5ª Coluna desta semana

Já está no ar a minha 5ª coluna desta semana, onde consegui sintetizar o melhor possivel sobre os assuntos da semana que passou, desde a vitória australiana de Mikko Hirvonen "na secretaria", até os mais recentes desenvolvimentos do "Renaultgate" ou "Nelsinhogate", se perferirem.




Mas nesta edição, dei um grande destaque às vitórias portuguesas nos Ralies, com o título mundial de Armindo Araujo na categoria de Produção, e na tal Formula Superleague, onde Alvaro Parente venceu uma das corridas no Estoril, à frente do recém-despedido da Formula 1 Sebastien Bourdais. Para lerem o artigo na integra no site SCN, sigam este link.

PTCC 2009 - Braga II (Antevisão)

Depois de quase mês e meio de paragem, o Campeonato Nacional de Velocidade, mais conhecido pela sigla internacional PTCC, regressa à competição este fim de semana no circuito Vasco Sameiro, em Braga, para a segunda passagem da competição no terceiro circuito permanente em Portugal.

Depois de nos circuitos de Vila Real e Boavista se vir um pelotão de 22 a 25 carros, agora em Braga, o pelotão se vê reduzido a dez viaturas, devido às ausências de pilotos como César Campaniço, que está no outro lado do país, mais concretamente em Portimão, para disputar mais uma ronda do Campeonato Europeu de GT, no seu Audi RS8, na categoria GT3. Assim sendo, os maiores favoritos à vitória são os Seat Leon de Patrick Cunha e Duarte Felix da Costa, embora o actual lider do campeonato, José Pedro Fontes, no seu BMW 320i, tem uma palavra a dizer.

"O objectivo é não perder a actual vantagem pontual e dar um passo significativo rumo ao título da Categoria 1", propôs-se o piloto do BMW 320 si. “Sabemos que estamos em vantagem pontual, mas também sabemos que este circuito não é muito favorável ao BMW e que, aqui, os nossos adversários costumam ser particularmente fortes. Vamos tentar fazer o maior número de pontos possíveis e tentar alargar a margem pontual para os adversários. Caso não seja possível, pelo menos queremos manter estes oito pontos de vantagem”, disse o piloto, confiante num “regresso em força, após este tempo de paragem”.

Dado o pequeno numero de inscritos, só irá haver uma sessão de treinos para os pilotos das quatro categorias existentes neste campeonato. Assim sendo, no Domingo às 8:30 são os Treinos Livres, e pela 11 horas, a sessão de qualificação. Às 14:10 e 16:45 são as partidas para a jornada dupla do PTCC em Braga.

Zangam-se as comadres, dizem-se as verdades (parte II)

Depois de a Autosport inglesa ter revelado na passada quarta-feira que a conversa sobre o acidente proposital de Nelson Piquet Jr. em Singapura existiu, e do piloto ter feito um depoimento escrito à FIA corroborando essas afirmações, as últimas horas viram novos desenvolvimentos sobre o "Renaultgate".

Depois de Nelson Piquet Jr. ter dito num depoimento escrito à FIA que Pat Symmonds e Flávio Briatore terem pedido para que batesse no muro no sentido de ajudar Fernando Alonso a vencer o GP de Singapura, Flávio Briatore reagiu e alega que o assunto foi trazido à baila apenas como forma de chantagem para que aceitasse uma renovação do contrato ao piloto brasileiro com a sua equipa, e que isto teria consequências de ordem judicial.

Numa carta escrita a Nelson Piquet Sr., Briatore vai mais longe, quando afirma que "estou chocado pelas ameaças que fazem, e ultrajado pelo facto de poderem pensar que eu, para não mencionar o seu filho e outras pessoas na equipa Renault, pudessem participar numa estratégia que pode constituir ofensa criminal."


"Sou forçado a considerar que a sua ameaça constitui um caso de chantagem contra a Renault F1 e eu próprio, e embora não pretenda que este assunto ganhe proporções escusadas, estando preparado para o contextualizar numa situação de desapontamento e lamento pelos resultados do Nelsinho na Fórmula 1, que fique claro que se forem dados posteriores passos relativamente a esta chantagem, não terei alternativa que não passe por uma acção legal de difamação e falsas acusações.", concluiu Briatore.


Em consequência, depois de se reunir ontem à noite com Carlos Ghosn na sede da Renault em Paris, Flavio Briatore e a Renault iniciaram esta manhã procedimentos legais na justiça francesa e britânica contra Nelson Piquet Junior e Nelson Piquet Senior, na sequência do que o italiano apelida de 'chantagem'. Este caso não vai acabar no dia 21 na sede da FIA, isso já é uma certeza!


Esta tarde, Max Mosley veio a público afirmando que condena duramente este incidente e que caso isto seja provado, os envolvidos podem ser expulsos da categoria. "Se você olhar para qualquer outro desporto, se alguém faz resultados arranjados, geralmente é algo sério", disse, em declarações captadas pelo site brasileiro Tazio.


"Alterar é uma coisa pior do que enganar. Se você é um ciclista e usa drogas, isso é trapaça. Se você suborna outros ciclistas, ou alguém bate no meio do pelotão para que as bandeiras amarelas sejam acionadas, então isso é mais grave. Isso coloca em risco a vida humana, seja dos espectadores, dos fiscais ou dos controladores. Então é ainda mais grave. No momento em que falamos sobre isso, classificamos a Renault como culpada, mas nós não sabemos. Enquanto eles se defenderem, teremos que assumir que eles são inocentes", prosseguiu.


"Inicialmente, demos a eles até a última segunda-feira para nos trazer todos os documentos e, em seguida, eles pediram mais tempo. Nós então demos a eles até o meio da próxima semana. E não temos nenhuma idéia do que acontecerá. Mas, na natureza das coisas, há sempre dois lados de uma história."


"Bem, se isso for algo muito grande e eles forem culpados, é claro que é realmente muito grave. Mas estamos em uma situação, no momento, em que ouvimos um lado da história e estamos investigando da melhor forma possível. Agora esperamos ouvir o lado da Renault; só quando tivermos ouvido ambos os lados é que poderemos chegar a uma conclusão. Portanto, na maioria dos lugares, você supõe que alguém é inocente até que se prove que ele é culpado. E é essa a nossa situação neste momento.", concluiu.


Contudo, a grande revelação desta declaração é que Mosley garantiu imunidade a Piquet Jr. no "Renaultgate": "Não sei exatamente como foi formulado, mas dissemos a ele que se ele nos dissesse a verdade, então ele não seria perseguido individualmente. É exatamente o mesmo que fizemos com relação a Fernando Alonso [no caso de espionagem envolvendo McLaren e Ferrari, em 2007]", declarou.

Formula 1 - Ronda 13, Monza (Treinos)

Os dois treinos livres de sexta-feira pouco mais são do que adaptações dos pilotos à pista que correm, em busca de uma boa afinação que lhes permita fazer a melhor qualificação possivel no dia seguinte. Pelo menos, é assim que eu os vejo. Feita a devida ressalva, vamos aos factos de hoje.

Os treinos livres da manhã começaram com os McLaren a conseguirem os dois melhores tempos, com Lewis Hamilton e ser melhor do que o seu companheiro Heikki Kovalainen. Ambos estiveram seaparados por 0.396 centésimos de segundo. O terceiro classificado nesta sessão de treinos livres foi o Force India de Adrian Sutil, que ficou a 0.395 segundos de Hamilton, demonstrando que os carros continuam em boa forma. Logo a seguir veio Fernando Alonso, no seu Renault, que vieram para Monza equipados com o sistema KERS, enquanto que Giancarlo Fisichella foi o melhor dos Ferrari, ficando com o oitavo tempo, melhor que Kimi Raikonnen, que acabou com o décimo melhor tempo.
Jenson Button e Bubens Barrichello, os recrutas da Brawn-Mercedes, foram sétimo e 12º nesta sessão de treinos, enquanto que Mark Webber foi o melhor dos Red Bull, na nona posição. Quanto a Vitantonio Liuzzi, o novo recruta da Force India, foi 16º nesta sessão, a um segundo e meio de Hamilton.
Na segunda sessão, que ocorreu um pouco mais tarde, Sutil foi desta vez o melhor, demonstrando que a boa forma dos Force India continua a existir, especialmente em circuitos de alta velocidade e baixa carga aerodinâmica. Logo a seguir vieram os Renault de Romain Grosjean e Fernando Alonso, desta vez os seus carros equipados com o sistema KERS, verificando que este sistema é agora mais eficaz do que no inicio da época.


Esta sessão, que teve uma constante troca de pilotos pelo melhor lugar da tabela, relembrando os bons velhos tempos em que as qualificações eram à Sexta e ao Sábado, mostrou que a BMW continua competitiva, com Robert Kubica e Nick Heidfeld a serem quinto e sétimo, respectivamente, separados por Timo Glock, da Toyota. Kimi Raikkonen foi oitavo, numa sessão em que o seu novo companheiro de equipa, Giancarlo Fisichella, teve problemas com o acerto do seu F60, não passando por isso da última posição. Espero que seja só isso...

Quanto a Lewis Hamilton, que fez o melhor tempo na sessão de manhã, não foi além do 11º tempo, mas apenas a 0.978 segundos de Sutil. Rubens Barrichello esteve pior, fazendo o 16º melhor registo, melhor do que o actual lider do campeonato, Jenson Button, que conseguiu o 19º e penultimo tempo, a 1.500 segundos do alemão da Force India. Já o novo recruta da Force India, Vitantonio Liuzzi, conseguiu a 12ª posição, logo atrás de Hamilton, a 0.997 segundos do seu companheiro de equipa.

Isto tudo, quer dizer alguma coisa? Alguma, mas o que conta amanhã é a qualificação...

GP Memória - Itália 1994

Nas duas semanas após Spa-Francochamps, a desclassificação de Michael Schumacher na Bélgica, bem como as várias irregularidades ocorridas na Benetton fizeram com que a FIA tivesse de tomar uma decisão. Sendo assim, esta decidiu suspender Schumacher por duas corridas, falhando as corridas de Monza e Estoril, regressando apenas em Jerez de la Frontera, para o GP da Europa. Para o seu lugar era chamado J.J. Letho, o terceiro piloto da equipa, que tinha tido um acidente no início da época e que ainda não tinha recuperado a sua competitividade.


Este resultado era uma boa notícia para a Williams e para Damon Hill em particular, que caso vencessem as duas corridas onde o piloto alemão iria estar ausente, poderia reduzir dramaticamente a diferença e relançar o campeonato.


Nas outras equipas, também havia modificações. Depois da experiência Philippe Adams em Spa-Francochamps, a Lótus voltava a ter Alex Zanardi no seu carro, numa altura em que a equipa estava prestes a declarar a falência e a entrar numa concordata que lhe permitia correr até ao final da época e tentar encontrar compradores para salvar a equipa de continuar a correr na Formula 1. Entretanto, a Mugen-Honda fornecia a Johnny Herbert um novo motor, mais leve do que o anterior, no sentido de mostrar algum ar da sua graça, que recordasse os velhos dias da marca fundada por Colin Chapman. A Larrousse fazia a mesma coisa: depois de chamar Phillipe Alliot para correr na Bélgica, em substituição do monegasco Olivier Beretta, contratou outro velho conhecido da equipa, o francês Yannick Dalmas, para o segundo carro.


O circo da Formula 1 via em Monza o regresso de uma cara conhecida: Karl Wendlinger. Depois de ter tido um bom começo de temporada, e do horrível acidente na chicane do Porto, no Mónaco, a recuperação tinha sido firme, e o piloto austriaco estava apto a correr de novo na Formula 1. Peter Sauber tinha-lhe prometido na altura que quando estivesse apto para correr, o carro estaria à sua espera. Em princípio, Wendlinger regressaria para as duas últimas corridas do ano, significando que dentro em breve era o fim da linha para o seu substituto, Andrea de Cesaris.


A grelha de partida tinha nomes surpreendentes nas filas da frente. A Ferrari, dona de um potente motor V12 e a jogar em casa, colocou Jean Alesi na “pole-position”, levando os tiffosi ao delírio. Após 81 corridas e cinco temporadas na categoria máxima do automobilismo, o mais italiano dos pilotos franceses conseguia ficar no primeiro lugar da grelha, a primeira vez que um Ferrari ficava nessa posição desde Mário Andretti, em 1982. Ao seu lado, para completar o ramalhete, estava o seu companheiro de equipa Gerhard Berger. Na segunda fila estavam Damon Hill, no seu Williams-Renault, e Johnny Herbert, no seu Lótus-Mugen Honda. Por fim, o novo motor compensava o esforço, e era uma boa notícia, na mesma semana que a equipa tinha feito uma concordata para tentar salvar a equipa da falência. A terceira fila tinha David Coulthard, no segundo Williams-Renault, e Olivier Panis, no Ligier-Renault. O sétimo a partir era o McLaren-Peugeot de Mika Hakkinen e o Sauber-Mercedes de Andrea de Cesaris e a fechar o “top ten“ estava o Jordan de Eddie Irvine e o Benetton de Jos Verstappen.


Na “warm up” de domingo, um incidente ia estragando a festa da Ferrari quando Gerhard Berger teve uma violenta saída de pista e teve de passar pela enfermaria do hospital. Felizmente não tinha nada, e os médicos autorizaram-no a alinhar na prova, apesar das dores no pescoço.


Na partida, os dois Ferrari largaram bem, com Herbert e Hill a disputarem a terceira posição. Contudo, na primeira chicane, Irvine exagera na travagem e bate na traseira de Herbert, caindo na gravilha e levando consigo Panis, Coulthard, Herbert e o seu companheiro Zanardi, o Arrows de Gianni Morbidelli e o Benetton de Verstappen. Estes três últimos abandonaram na hora, enquanto que a corrida era interrompida. O incidente na primeira chicane, e subsequente estrago no carro de Herbert foi recebido com um misto de fúria e de uma enorme tristeza na boxe da Lótus, que via esfumar a sua última hipótese de se mostrar naquela temporada. Peter Collins, o director-desportivo da marca fundada por Colin Chapman, largou um comentário sarcástico: “O cérebro de Irvine foi removido e já é altura da FIA fazer o mesmo com a sua Superlicença”. Apenas mais um no paddock a dizer o que pensava do louco irlandês… no final da corrida, a FIA iria suspender Irvine para o GP de Portugal, mas a pena ficava suspensa por três corridas.


Na segunda partida, os Ferrari mantiveram os seus postos, apesar de Alesi ter forçado a embraiagem. O francês disparou na liderança e planeava parar por duas vezes, enquanto que Berger aguentava Hill e Coulthard, seguido do Tyrrell de Ukyo Katayama e o McLaren de Mika Hakkinen. Na volta 15, Alesi fez a sua primeira paragem programada, mas quando quis engatar a primeira… a embraiagem cedeu, deixando-o na mão. Saiu do carro, chorou que nem uma madalena, e pelo que se consta, voltou no final daquela tarde para Avignon à mesma velocidade que corria em Monza…


Entretanto, a corrida continuava, com Berger a aguentar os Williams, mas apenas até à volta 23, altura em que uma série de pilotos passaram por lá, desde Hill a Coulthard, passando por Hakkinen, até que na volta 28, Hill ficou definitivamente com a liderança, depois da boxe ter avisado Coulthard para que este cedesse o primeiro lugar a Hill, pois havia um título em jogo. O britânico passou para a frente e não a largou até ao final da corrida. Atrás dele ficava o seu fiel companheiro Coulthard e de Berger, que tivera a sua paragem nas boxes prejudicada pelo facto do Ligier de Panis ter ficado parado à sua frente, perdendo preciosos segundos.


Na última volta, um drama: Coulthard tinha a meta à vista e nova subida ao pódio, quando de repente fica em pane seca e perde o segundo lugar certo a favor de Berger. Nem tudo foi perdido, pois o escocês ainda conseguiu um ponto, por ter percorrido a distância suficiente para se classificar na sexta posição. Mika Hakkinen foi o terceiro, enquanto que Rubens Barrichello terminou no quarto posto e Martin Brundle conseguiu mais dois pontos para a McLaren, antes de Coulthard fechar os pontos. Assim, Hill conseguia cumprir a primeira parte do plano de recuperação para Schumacher. Restava saber se dentro de 15 dias, no Autódromo do Estoril, iria conseguir cumprir a segunda parte.


Fontes:

Santos, Francisco – Formula 1 1994/95, Ed. Talento, Lisboa, 1994


http://en.wikipedia.org/wiki/1994_Italian_Grand_Prix