segunda-feira, 12 de abril de 2010

IRL - Helio Castro Neves vence no Alabama

Depois de um inicio onde o australiano Will Power venceu as duas primeiras corridas em São Paulo e St. Petersburg, este Domingo, no Barbers Motorsport Park do Alabama, foi a vez do brasileiro Helio Castro Neves, também em Penske, de vencer pela primeira vez este ano na Indy Racing League. O neozelandês Scott Dixon e o escocês Dario Franchitti completaram o pódio, enquanto que o lider, Will Power, terminou a corrida no quarto posto.

Essencialmente, foi uma corrida estratégica. O segredo da vitória do piloto brasileiro foi ter economizado combustivel o suficidente para fazer menos uma paragem do que os seus principais adversários, Will Power, que partia da pole-position, e de Dario Franchitti. Na volta 12 aconteceu a primeira situação de bandeiras amarelas, quando o japonês Takuma Sato despistou-se, aproveitando Power e Franchitti para fazerem o seu reabastecimento, algo que Castro Neves e Marco Andretti não fizeram. Pouco após o recomeço da corrida, Andretti passou o brasileiro e ficou na frente.

A estratégia de economizar combustivel resultou: Casto neves somente parou na volta 31, duas voltas depois de Andretti. Ambos voltaram à frente do australiano Power, e mais tarde, o brasileiro voltou a fazer a mesma tática, conseguindo reabastecer mais gasolina, aguentando por mais tempo, conseguindo assim ser mais rápido e mais leve no final, vencendo a sua primeira corrida do ano.

Depois dos três primeiros, Will Power e Marco Andretti ficaram nos lugares a seguir, com Tony Kanaan no oitavo posto e Danica Patrick a ser a melhor representante feminina, classificando-se, porém, num modesto 19º posto, a uma volta do vencedor.

A IRL prossegue nas ruas de Long Beach, no próximo Domingo.

Bernardo Sousa no fio da navalha...



A cada rally que passa, vejo o Bernardo Sousa, que ressalve-se, tem a capacidade financeira para comprar um Ford Fiesta S2000, sustentar uma época no SWRC, como ele anda a fazer, e correr no Campeonato Português de Ralies (CPR), como uma das esperanças nacionais para singrar lá fora. Como temos agora o Armindo Araujo, no seu Mitsubishi Lancer Evo X, e o Bruno Magalhães, no seu Peugeot 207 S2000. Ambos foram campeões nacionais: Armindo por quatro vezes, Magalhães por três.

Este fim de semana, no rali Serras de Fafe, venceu pela segunda vez consecutiva um rali do CPR e é o claro favorito ao título de 2010. Mas no alto dos seus 21 anos, ainda tem a impulsividade e rapidez inata, que o coloca no limite entre a genialidade e o acidente. O video que coloco aqui, apesar de ser pequeno, demonstra esse fio da navalha...

domingo, 11 de abril de 2010

Formula 3: Alexander Sims vence, Felix da Costa é oitavo

A corrida desta manhã da Formula 3 Euroseries, em Paul Ricard, deu a vitória ao britânico Alexander Sims, numa corrida onde Antonio Felix da Costa terminou na oitava posição, pois não teve carro suficiente para aguentar as investidas dos seus adversários, já que partia da "pole-position".

"Comecei a andar para trás. Dei o máximo e lutei como pude, mas todo o esforço foi inglório. Nunca encontrámos a melhor afinação ao longo do fim-de-semana, para além de ser a primeira vez que corríamos com motores Volkswagen e também por ser a estreia da equipa neste circuito. Uma série de factores que não permitiu encontrar ao longo do fim-de-semana o 'set-up' ideal. O compromisso a que chegámos foi demasiado agressivo e desgastou os pneus de forma exagerada muito rapidamente", afirmou.

No final da corrida, Felix da Costa chegou ao oitavo posto, com Sims como vencedor, seguido pelo italiano Edoardo Mortara e pelo alemão Marco Wittman. Com a vitória de ontem e o segundo lugar de hoje, Mortara é o lider da competição com 15 pontos, enquanto que Felix da Costa é nono, com apenas um ponto. A próxima jornada terá lugar de 23 a 25 de Abril, em Hockenheim, na Alemanha, um circuito que Felix da Costa espera fazer melhor.

"Este foi o primeiro fim-de-semana logo num circuito que desconhecíamos. Acredito que na próxima prova tudo vai correr melhor. Regressamos a uma pista que conhecemos e estou convicto que vamos todos trabalhar na direcção certa. Apesar deste percalço inicial, os nossos objectivos mantém-se inalteráveis de conseguir lutar, corrida a corrida, pelos lugares da frente", concluiu.

GP Memória - Argentina 1995

Catorze anos depois de Nelson Piquet ter vencido a corrida em Buenos Aires, a Formula 1 estava de volta ao Autódromo Oscar Galvez. Era um designio nacional, e poderia ter acpntecido no ano anterior, mas não foi conseguido. Desta vez, era a valer e Juan Manuel Fangio, apesar de estar vivo, não iria ver a corrida, dada a sua debilidade fisica. E não havia pilotos argentinos com quem torcer, mas isso não impedia que eles fossem aos magotes ao primeiro fim de semana de Formula 1 desde o já distante ano de 1981.

Contudo, no regresso a Buenos Aires, o traçado que foi escolhido para realizar o GP da Argentina era travado, excluindo as longas rectas e as curvas desafiadoras como as 9 e 15. A mentalidade de então exigia kartódrmos tamanho-gigante...

Os treinos foram sob chuva inclemente. O Outono austral já se fazia sentir naquela região e apesar de um dia extra, pois era um circuito do qual ninguém conhecia, os pilotos tiveram muitas dioficuldades para controlar os seus carros no asfalto molhado. E na qualificação de Sábado, alguns resultados foram absolutamente fora do vulgar para qualquer qualificação feita em moldes normais. Mas nos lugares da frente, estavam os suspeitos do costume, com uma variante agradável: o "poleman" era o jovem David Coulthard, que fazia ali a sua primeira "pole-position" da sua carreira. Ao seu lado estava o seu companheiro Damon Hill.

Na segunda fila estava o Benetton-Renault de Michael Schumacher, que tinha a seu lado o surpreendente Jordan-Peugeot de Eddie Irvine. A seguir estava o McLaren-Mercedes de Mika Hakkinen e o Ferrari de Jean Alesi, e no sétimo posto estava o surpreendente Tyrrell de Mika Salo. Gerhard Berger era o oitavo da grelha e a fechar o "top ten" ficava o Sauber de Heinz-Harald Frentzen e o segundo Jordan de Rubens Barrichello.

O dia da corrida disputava-se sob núvens, mas sem prognóstico de chuva. Dezenas de milhares de espectadores, incluindo do presidente Carlos Menem, acorreram ao Autódromo Oscar Galvez para ver a corrida. A partida é confusa, onde apesar de Coulthard largar bem, Schumacher causa confusão, com alguns pequenos acidentes a acontecerem, especialmente quando o Ferrari de Jean Alesi entra em despiste. O Ligier de Olivier Panis, o Forti de Pedro Diniz, o Minardi de Luca Badoer, o Sauber de Karl Wendlinger, o Pacific de Bertrand Gachot e o Jordan de Rubens Barrichello, entre outros, tinham sido vitimas de acidentes. Os comissários não tiveram outra solução senão mostrar a bandeira vermelha, e nova partida tinha de ser feita.

Quando isso aconteceu, somente Badoer não tinha voltado à pista, enquanto que os outros socorreram-se dos carros de reserva. Na nova partida, Hakkinen é tocado pelo bico de Irvine e fura um pneu, desistindo logo a seguir. O irlandês, com o bico partido, teve de ir de novo às boxes. Wendlinger e o Pacific de Bertrand Gachot também tinham acabado a sua corrida logo na primeira volta.

Na frente, Coulthard distanciou-se de Schumacher, Hill, Salo, Alesi e Frentzen. Mas a liderança não dura muito, pois de repente, o piloto escocês perde rendimento, devido a problemas no sistema electrónico da caixa de velocidades, e é ultrapassado pelo piloto alemão. Pouco depois, Hill faz a mesma manobra, enquanto que Alesi chega ao quarto posto, depois de ultrapassar o finlandês da Tyrrell.

Schumacher liderava, mas tinha de aguentar o assédio dos Williams. Na volta onze, no final da recta da meta, Hill finalmente ultrapassava Schumacher e assumia a liderança. Logo depois, Coulthard tentou fazer o mesmo, mas Schumacher defendia-se bem. Somente na volta 16 é que conseguiu passar o alemão, mas foi alegria de curta duração: na mesma volta, desistiu com o acelerador avariado.

Com Hill na boxe e a perder muito tempo, Schumacher tomava a liderança, mas veio às boxes para o primeiro reabastecimento, cedendo a liderança para Alesi. O francês, que iria parar duas vezes, contra as três da concorrência, cedo foi apanhado por Hill, que passou a liderar na volta 26, depois do francês ir ás boxes. quando voltou, tinha Schumacher atrás dele, e aguentou o segundo posto para o resto da corrida.

Definido o pódio, faltavam o resto dos lugares pontuáveis. Mika Salo fez uma boa corrida até à volta 48, quando teve um acidente e abandonou, cedendo o lugar a Johnny Herbert. Heinz-Harald Frentzen foi o quinto, no seu Sauber e Gerhard Berger foi sexto, a duas voltas do vencedor, depois de aproveitar a desistência do Simtek de Jos Verstappen, devido a problemas na caixa de velocidades. No regresso da Formula 1 à Argentina, a corrida teve a sua emoção.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/1995_Argentine_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr566.html
http://jcspeedway.blogspot.com/2010/04/historia-15-anos-do-grande-premio-da.html

Youtube Rally Classic: "Crazy Rally Jumping on tarmac"



Costumo seguir os videos feitos por um utilizador finlandês que se identifica como "Amjayes", e que mora em Jyäskyla, o local onde parte sempre o Rali da Finlândia. Normalmente, os seus videos tam como unica banda sonora... os motores. É o som mais cru, mas mais verdadeiro de todos, pois nos "transporta" até ao local.

E hoje colocou este video, sobre aqueles que "vão com tudo" antes dos saltos que existem nas classificativas, e que muitas vezes se vêm aflitos para controlar os carros após o salto. Neste video, só se vêm saltos das classificaticas de asfalto nos ralis um pouco por toda a Europa, há cerca de vinte anos.

São praticamente quatro minutos de saltos, muitos deles feitos no limite. Gozem!

sábado, 10 de abril de 2010

Formula 3 Euroseries: Mortara vence em Paul Ricard, Felix da Costa é oitavo

Este fim de semana assinala o começo de mais algumas competições um pouco por toda a Europa. E no mesmo local onde começará a Le Mans Series, também começou a Formula 3 Euroseries, num pelotão diminuido em relação à época anterior: somente 14 carros, num ano em que, por exemplo, as séries mais locais como a alemã ou a inglesa, que têm grelhas a rondar os 22 carros.

Mas na Euroseries está a correr nesta temporada de 2010 um piloto que promete muito: o português Antonio Felix da Costa, campeão da Formula Renault 2.0 NEC e terceiro classificado na Euroseries, ambos em 2009. E neste fim de semana onde correr pela primeira vez ao volante de um Formula 3, as coisas começaram mal, mas poderão acabar em bem.

A má noticia aconteceu na sexta-feira, quando a sua equipa, a Motorpark Academy, descobriu problemas de motor e teve de o trocar. Contudo, de acordo com as regras, essa troca equivale a uma queda de dez posições na grelha de partida, logo, a qualificação estava comprometida, fazendo com que partisse do 13º posto.

Mas a corrida desta tarde foi diferente. Partiu bem, e tentou recuperar o maior numero de posições possivel, até alcançar o oitavo posto, numa corrida vencida pelo italiano Edoardo Mortara, e o seu primeiro ponto da carreira nesta competição, que o qualifica automáticamente na pole-position para a corrida de amanhã.

"Nas duas primeiras voltas estive sempre a recuperar lugares até me aproximar dos pilotos em sétimo e sexto lugares. Mas daí em diante os pneus perderam performance e foi impossível ir mais além. Também sabia que mantendo esta posição estaria amanhã na 'pole' e por isso acabei por gerir o andamento até porque o piloto na nona posição estava bastante longe", começou por explicar.

"Estamos efectivamente com problemas de andamento mas também temos de ter em conta que esta é a primeira corrida da Motorpark com motores Volkswagen. Há muito trabalho a fazer. Hoje simplesmente não tinha velocidade. Vamos analisar toda a informação recolhida e trabalhar afincadamente no 'set-up'", continuou.

Contudo, o piloto português não tem muitas ilusões em relação á corrida de amanhã: "Claro que penso na vitória mas se conseguir um lugar no pódio fico extremamente satisfeito.", concluiu. A segunda corrida acontecerá às 9 horas de amanhã.

Extra-Campeonato: A Maldição de Katyn

Há setenta anos, na Primavera de 1940, José Estaline, que poucos meses antes tinha invadido a metade oriental da Polónia, como combinado com a Alemanha nazi no famoso Tratado Germano-Soviético de 25 de Agosto de 1939, decidiu matar toda a elite polaca, que estava em campos de concentração. Oficiais do Exército da Polónia essencialmente, pois temia, na sua mente paranoica, uma revolta entre eles. Ordenou à NKVD, a policia politica, para que tratasse do assunto. Arranjaram uma floresta, nos arredores de Smolensk, para tratar do assunto. Esse local chamava-se Katyn.

Ao longo dessa Primavera, 22 mil pessoas, parte da elite polaca, foram mortas às ordens de Stalin, não só em Katyn, mas também noutros locais da Russia e Bielorrusia, muita dela antigo território polaco conquistado pela União Soviética. O massacre permaneceu secreto, mas o rumo da II Guera Mundial iria dar uma volta de 180 graus quando um ano mais tarde, a 22 de Junho de 1941, a Alemanha Nazi decidiu invadir a União Soviética. E a Russia foi invadida pelas tropas de Adolf Hitler. E ano e meio depois, na Primavera de 1943, os nazis descobriram as campas dos oficiais polacos executados por Estaline, a anunciaram ao mundo.

Na altura, os soviéticos disseram que tudo isso era propaganda. Tinham sido os nazis a executar os oficiais polacos no Verão de 1941 e que aquilo não passava de encenação. E quando os soviéticos tomaram de novo a Russia, a mentira continuou. Até à "Perestroika", de Mikhail Gorbatchov, aquele era o local onde milhares de soldados polacos tinha sido executados em 1941, ás mãos dos nazis. Só com esse degelo do final dos anos 80 é que a verdade histórica foi reposta.

Para a Polónia, aquilo foi uma ferida aberta em relação à Russia, e um grande escolho nas relações entre os dois países, até aos nossos dias. Apesar de Gorbachtov ter pedido desculpas em nome da União Soviética, quando esta se transformou em Russia, a politica foi diferente. Para os russos, isto não é um crime de guerra ou genocidio, e os mortos não são considerados como vitimas do Estalinismo.

Mas se calhar, isso pode mudar dentro em pouco. E a acontecer, teve de ser ao sacrificio de outra elite polaca. Esta manhã, um Tupolev 154 da presidência polaca, que transportava o Presdiente da Polónia, Lech Kazyinsci, e uma série de dignitários, desde cerca de 20 deputados a um antigo presidente no exilio, passado pelo chefe do Exército, o Presidente do Banco Central, até ao presidente do Comité Olimpico local, caiu em Smolensk, depois de quatro tentativas abortadas para aterrar sob denso nevoeiro. Dos 96 ocupantes (numeros contlituantes, já que se fala em 132), ninguém sobreviveu. A causa do acidente foi um erro do piloto, que tentou aterrar por quatro vezes no local, apesar dos avisos dos controladores para que aterrasse em Minsk ou Moscovo.

“É um sítio maldito”, reagiu o antigo Presidente polaco Aleksander Kwasniewski, à TVN24. “Dá-me arrepios na espinha. Primeiro a elite da Segunda República polaca é assassinada na floresta de Smolensk, agora a elite intelectual da Terceira República morre neste acidente trágico quando se aproximavam do aeroporto de Smolensk. Esta é uma ferida que vai ser muito difícil de curar”, afirmou.

Outro antigo Presidente, Lech Walesa, o homem que presidiu à transição da Polónia do comunismo à democracia, na década de 80, enquadrou o acidente nos mesmos termos históricos: “Este é o segundo desastre depois de Katyn”, disse ao mesmo canal de notícias TVN24. “Eles quiseram cortar a nossa cabeça lá, e lá a elite da nossa nação também morreu. Apesar das diferenças, a classe intelectual daqueles que iam no avião era verdadeiramente grande.”

O presidente Lech Katzynscki ficou conhecido por ser um dos mais firmes eurocépticos dos últimos anos, numa nação que pela sua dimensão, e apesar de ter entrado na União Europeia há pouco menos de seis anos, não pode ser menosprezada. As suas simpatias politicas eram de direita, e tentou em tempos fazer uma "caça ás bruxas" às pessoas que colaboraram no tempo do regime comunista, abolido em 1989. Politicamente, não me era muito simpatético, mas como hoje é momento de luto, não quero comentar politiquices. E espero que se abstenham disso também.

Segundo a Constituição polaca, irá haver eleições presidenciais dentro de dois meses, e o presidente do Sejm, o parlamento local, assumirá provisóriamente o cargo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Grand Prix (Primeira entrada)

- Que raio de ano, hein? – perguntou.

A frase saiu assim, espontânea. Perscrutando o vale que tinha à sua frente, com os picos gelados, e sentindo o vento frio na cara, naquele dia cinzento de quase Inverno, Alexandre cobria-se até ao topo com a gola do seu casaco, tentando defender-se do vento cortante que batia na sua cara. Ao seu lado, o homem que em teoria era o seu patrão, mas que a realidade o tinha transformado num amigo, entendia o sentimento que ia na sua alma. Aliás, todos aqueles que tinham vivido aquele ano certamente tinham sentimentos semelhantes aos dele, que tinha conseguido sintetizar numa simples frase, dita como se fosse um desabafo.

- É, foi um ano no mínimo louco, a todos os sentidos – retorquiu Pete. Ganhamos, perdemos, e no final, demos um título a um morto – concluiu.

Um ligeiro sorriso apareceu na boca de Alexandre. Provavelmente o primeiro em algum tempo, mas esse sorriso transformou-se em algo mais aberto. Aproximou-se de Pete e disse:

- Então, vou ser o teu piloto na temporada de 1971?
- Claro que sim. Que tens em mente?
- Quero ser campeão do mundo, ora.
- Mas és muito jovem. Só tens uma temporada completa.
- Eu faço 25 anos em Julho, e então? Só tens de confiar em mim. Aliás, é a altura ideal de ganhar.
- O Fângio ganhou com 46 anos. Para quê tanta pressa?
- Não me vejo a correr… ora vejamos… em 1992? Acho que seria demasiado sonhador ou demasiado velho, e vamos ser honestos: a sorte não me vai proteger para sempre. Prefiro que seja agora do que nunca. Então, quem é que tu vais buscar?
- O “herdeiro”.
- Teddy? Ah… eu sabia que ias gostar dele.
- Deu conta do recado nas paragens americanas.
- E num carro desactualizado…
- … mas continua a ser bom. Temos sorte por ter um bom projectista, não é Alex?
- Eu não desenhei o carro. Limito-me a afiná-lo.
- Claro, claro… onde tinha eu a cabeça? Tu és só o piloto, respondeu Pete, sorrindo e abanando a cabeça de incredulidade.

Depois ficaram em silêncio. Ambos voltaram a olhar para o vale que estava defronte deles, indiferentes ao frio cortante e de um tempo que ameaçava neve. Os sorrisos desapareceram e entraram em reflexão por tudo que tinham passado durante aqueles meses. Pete disse pouco depois:

- Anda, vamos embora. Acho que vai chover e os meus ossos martirizados já não são o que eram.
- Ou nevar, respondeu Alex.

Ambos caminharam para o Porsche 911 azul marinho que estava atrás deles. Entraram, com Pete no lado do condutor e Alex no do passageiro. Este pega no cinto para depois dizer:

- Sabes, Pete, daqui a dez anos farei 34.
- E então?
- Daqui a dez anos estarei morto. É por isso que tenho de ganhar tudo até lá. Estás a olhar para um homem que está a correr contra o tempo, Pete.


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Peter Aaron coloca os óculos escuros para se proteger do sol inclemente de Junho. Sai do carro e olha para a multidão que está diante da Catedral e não quer acreditar no que vê. Debaixo de mais de 30 graus, milhares de pessoas estavam aglomeradas, cotovelo contra cotovelo, para assistir à uma missa de corpo presente. Para ele e para o grupo, nunca tinha visto algo assim nas suas vidas, e tinham ido a muitos funerais de colegas mortos. Sabia que ia ser assim, mas desconhecia o seu alcance. Subiu as escadas olhando para a multidão, e á medida que chegava ao seu topo, reparava que a enorme praça que se mostrava perante os seus olhos tinha pessoas a perder de vista. E pelo que tinham contado por mais do que uma pessoa, deviam estar naquel local cerca de meio milhão de pessoas.

Chegado ao topo da escadaria, entrou dentro do templo. Estava cheio que nem um ovo, de pessoas conhecidas e não tão conhecidas. Todo o pelotão do automobilismo estava lá, e o caixão de Alexandre Moreira estava guardado pela Guarda de Honra dos Cadetes da Academia Militar do Real Exército Sildavo. Sabia-se que a qualquer momento estaria para chegar a Família Real, com Sua Alteza Real, Dom Miguel I à cabeça, e que corria o forte rumor que lhe iria conceder a título póstumo a Ordem de Cavaleiro do Pelicano Negro, a mais alta condecoração do país, somente dado a outros chefes de Estado e ao herdeiro da Coroa, o Duque de Monforte.

Avançou, lenta e hesitantemente em direcção ao féretro do seu amigo. Apesar de ter visto dezenas de caixões, de amigos e concorrentes seus, à medida que se aproximava, não conseguia resistir às lágrimas, mas tentava disfarçar com os óculos escuros, que não tinha tirado desde que tinha entrado na Catedral. O seu único consolo no meio disto tudo foi que ao menos, não tinha acontecido ao volante de um dos seus carros. Mas achava irónico o facto de ele ter morrido, não numa corrida, mas numa simples sessão de testes, algo que ele não era suposto estar lá, mas o seu carácter, sempre voluntarioso, sempre disposto a ajudar a melhorar a máquina que tinha em mãos, o fez estar naquela banal, mas fatídica sessão de testes, no circuito de Paul Ricard.

Chegou ao pé do caixão. Tirou os óculos escuros. Meteu a sua mão direita em cima do seu capacete e as suas lágrimas começaram a correr. Estamos a 24 de Junho de 1980 e desde há quatro dias a esta parte que a Sildávia está em estado de choque pela morte de bi-campeão do Mundo de Formula 1, com 19 vitórias no total, duas das quais nas ruas do Mónaco, duplo vencedor das 24 horas de Le Mans e das 12 Horas de Sebring, vencedor na Targa Florio e dos 1000 km de Spa-Francochamps, Silverstone, Monza, Nurburgring… entre outros feitos de menor importância, numa carreira com mais de 15 anos. Podia ser um rico palmarés, mas no seu país, ele era um herói nacional.

Pete estava sentado no banco da catedral, na fila da frente, entre duas mulheres. Pamela, a sua, e Cláudia, a viúva de Alexandre. Ambos olham para Pete, que ainda estava em transe pela velocidade e quantidade de pensamentos que lhe passavam pela cabeça naquele momento. Parecia fitar o caixão, mas não. Apenas olhava o vazio, que por coincidência estava em linha directa com o caixão fechado, coberto pela bandeira sildava, verde amarela e vermelha, colocada de forma igual que a bandeira francesa, com o escudo da casa real de Orleães e Bragança, e com o seu capacete por cima. Após um instante de silêncio, disse:

- Agora vem tudo à minha cabeça.
- O quê, afirmou a sua mulher.
- Tudo que falei com ele, tudo. E como comecei esta aventura.
- Que dizes?
- Ele disse-me, mas não acreditei muito.
- Como assim?
- Ele disse-me quando é que ia morrer. Pensava que era um delírio…
- Também sabia, disse Cláudia, colocando a sua mão na de Pete.

Pete virou a cabeça:

- E não o impedimos porquê?
- Nunca o conseguiríamos. E eu sabia disso tudo. Pensei até ao último minuto que era mentira, mas…
- Mas o quê?
- Era real. Sabia de tudo isto há anos, e podia ter ido embora, pura e simplesmente. Mas fiquei porque simplesmente o amava demasiado, afirmou, quase sem contar as lágrimas.
- O quê?
- O Alex e eu sabíamos que ele não iria viver muito tempo. Ele sabia quando ia morrer.

Pete voltou a olhar para o caixão. A sua mente, totalmente confusa desde há quatro dias a esta parte, colocou finalmente alguma ordem quando viu por fim o fétetro, de tampa fechada, para não vissem as lesões causadas pelo impacto. Caindo em si, disse num murmúrio quase imperceptível:

- Então, sempre era verdade. Agora entendo todas as nossas estranhas conversas quando morria um dos nossos, o Antti, o Teddy… e especialmente aquela frase: “
Sei quando e como…
- … vou morrer. A única coisa que peço à Morte é que me deixe conquistar aquilo que desejo e seja feliz ao lado de alguém”, completou Cláudia.

Ela deu a mão a Pete, olhou para ele e esboçando um sorriso no meio das lágrimas que não paravam de cair, disse:

- Pois é, Pete. Ajudamos a concretizar o sonho de um moribundo. Foi por isso que fiquei com ele. E quero acreditar que tudo o que aconteceu tenha sido instantâneo. Ele odiava a dor.
- Não suportava um beliscão… completou, sorrindo, enquanto caiam as lágrimas.


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Nova Iorque, Outubro de 1968.

Pete Aaron está na cama do hospital, ainda sedado pela anestesia que tinha levado após a operação que levou para reduzir as fracturas na perna direita que havia sofrido em três sítios, depois de ter sido projectado do seu Yomura de Formula 1, num acidente que muitos tinham classificado de horrível como de miraculoso, pois ao verem o herói americano no chão, muitos temiam o pior. E num ano em que já tinham visto de tudo, desde assassinatos presidenciais até a motins em cidades, ver outro herói morto, ainda por cima em directo numa das cadeias nacionais, poderia ter sido demais. O seu acidente fora visto em directo pela televisão e abrira os telejornais de Domingo e dos dias seguintes, graças a correspondentes locais, com apresentadores como Chet Huntley, David Brinkley ou Walter Cronkite a falarem sobre o acidente em si e sobre os detalhes da complicada operação que tinha sido submetido na perna direita, para reduzir as fraturas que sofrera, evitando uma possivel amputação.

No seu lado direito estava um ramo de flores com o devido cartão de melhoras, e uma bela mulher loira estava sentado à beira da cama. Pamela, a sua mulher, esboçava um sorriso ao ver que o seu marido estava a acordar da operação. Quando a viu, exclamou.

- Querida?
- Sim, Pete?
- Hoje é um belo dia, não é?
- É querido, é sim – declarou, passando a mão pela cara dele.
- Querida?
- Diz.
- Ganhaste. Vou deixar de ser piloto.

Pamela aproximou e disse:

- Pronto, querido. Descansa muito que amanhã vem cá o médico para saber como estás a reagir à operação.
- Querida, é de vez.
- Acredito, Pete. Mas tens de dormir agora. Depois falamos, está bem?

Pete sossegou-se por um momento, e depois disse:

- De quem são essas flores?
- É da parte do sr. Yomura.
- Ahhh… foi muito simpático por parte dele.
- Ele vem cá depois, querido.
- Ainda bem. Depois tenho que falar com ele.
- Acredito, querido, acredito. Agora… shhhh. Dorme, tá bem?
- Sim querida.

(continua na semana que vem)

A reabilitação futura de Flávio Briatore

Lentamente, quase fora no nosso alcance visual, cozinha-se uma possivel reabilitação de um homem que há cerca de nove meses, foi banido para o resto da vida de um "paddock" de Formula 1. Aparentemente, Flávio Briatore prepara o seu regresso, depois do Singaporegate de 2008. Contudo, ele não quer voltar como director de uma equipa, mas como alguém nos bastidores. E o mais provável é que ele quer ser o sucessor de Bernie Ecclestone. Não que o Tio Bernie não queira, até o acolhia de braços abertos, devido aos vários negócios que os dois tiveram juntos. É o homem certo para cuidar da nau depois da sua partida.

Nâo sei quando é que isso vai acontecer, mas tal reabilitação estará condicionada a vários factores. Desde saber os resultados do recurso apresentado à FIA sobre a sentença dos tribunais comuns, que reverteu a pena aplicada pelo Tribunal de Apelo, até à ideia de que somente em 2012 é que estaria disponivel para estar nesse cargo. Acho que não é inocente essa data. É o ano de negociações para um novo Acordo da Concórdia.

A ser verdade, vai ser mais um motivo de tempestade no "paddock". A sua ausência não é de todo lamentada, pois toda a gente sabe que era mais um homem de negócios do que própriamente um técnico que percebesse a mecânica e a electrónica dos bólides. Apesar de ser um homem que esteve de lado da FOTA, nas lutas de 2009, creio que muita gente sabia que ele estava ali porque, em caso de ruptura definitiva, alguém teria de ficar à frente dos aspectosa comerciais. Dinheiros das TV's e tudo o mais. E creio que ele é tão ganancioso quanto o Ecclestone, mas tem outra visão.

Não sou futurólogo, mas não ficaria surpreendido se existisse alguma forma de "reabilitação" de Briatore, uma forma de "apagar o passado" por parte da entidade máxima do automobilismo. Mas corre-se o risco de, caso o pior aconteça, a credibilidade de um desporto, que lentamente está a reabilitar-se, depois de algum tempo de agitação politica, com Max Mosley ao leme, atinja novos baixos.

E depois... o que seria a Formula 1? A GP2 foi dirigida por Briatore (indirectamente, pois o conjunto chassis/motor são da Renault) e temo que se transforme em corridas de "Sprint" com uma hora de cada, duas vezes a cada fim de semana. Seria mais uma forma de adulterar este desporto, já de si modificado por causa da entrada dos dinheiros das televisões. Já por aí, mete medo.

O que fez correr Jacques Villeneuve?

Quando era mais jovem e com muito menos juízo do que agora, fazia como os ditos "torcedores de futebol", mas que não são mais do que anti-qualquer clube, que celebram quando o seu "inimigo" perde algum jogo. Nessa altura, torcia por qualquer piloto que fizesse frente ao meu "Nemesis", chamado Michael Schumacher. E Jacques Villeneuve, então, tocou-me em particular.

Filho de Gilles Villeneuve, uma lenda do automobilismo, mais celebrado pela sua garra do que pelas suas conquistas, quando ele começou a sua carreira, todos esperavam que fosse como o pai. E até começou bem: foi para a CART e em 1995 venceu as 500 Milhas de Indianápolis e em consequência, o título, ao volante de um carro com o numero 27.

Quando Frank Williams lhe concedeu um teste e em consequência lhe deu um contrato para correr na Formula 1, teve uma entrada de leão: fez a pole-position e deu nas vistas na Austrália, incluindo uma derrapagem controlada "in extremis" que lhe permitiu segurar a liderança face a Damon Hill, seu companheuro de equipa. Para os que consideravam Jacques como a encarnação de Gilles, foi o delírio.

E lembro-me disso, particularmente quando fez a outra cena marcante daquele ano de 1996: ultrapassar Michael Schumacher - por fora - na Parabólica Ayrton Senna, no Autódromo do Estoril, na última vez em que a Formula 1 esteve entre nós. Achei que Jacques tinha dado mostras de que tinha estofo para ser campeão, a bordo de um carro desenhado para tal, mas que não podia conquistar, pois em primeiro lugar, estava Damon Hill.

Na altura, dava-me bem com um rapaz que era torcedor de Michael Schumacher. Numa disputa saudável (nunca nos zangamos por causa disso), eu afirmei-me como lider da "facção villeneuvista", pois achava que, tal como era Schumacher, o canadiano era outro predestinado. E aquela temporada de 1997 foi ardua e forte, com os dois no auge das suas capacidades.

E depois veio Jerez, a última prova do ano. Ver aquele carro vermelho à frente do azul era um motivo de ansiedade, pois sabia-se que o alemão poderia fazer qualquer manobra para alcançar o título, seja ela legal ou não. Quando Jacques Villeneuve tenta aquela manobra no final da recta Dry Sac, e Schumacher defendeu-se, tentando abalroá-lo, tive um momento de frustração, para logo a seguir aparecer outro de euforia, quando vi o alemão parar na gravilha. E nas voltas finais, pedir aos Céus e aos Deuses para que os estragos do carro de Jacques não fossem impeditivos de cruzar a meta. Foi "in extremis", mas conseguiu e conquistou aquilo que o pai Gilles não conseguiu fazer na Ferrari: ser campeão do mundo.

Passaram-se doze anos desde esse dia de Novembro. Cresci, ganhei juizo e reconheci a capacidade de Michael Schumacher, vendo a Formula 1 pelo seu todo e nunca por piloto x ou y. Quanto a Jacques Villeneuve, após estes anos todos, dou por mim a pensar se não foi o espírito do pai, qual alma penada e frustrado por não ter ganho o título, ter incarnado no filho e dado o seu melhor para poder conquistar em nome da familia Villeneuve e descansar em paz. Porque nos anos que seguiram, fiquei com a sensação que não era mais do que um bom piloto, primeiro na BAR, depois na Renault, Sauber e BMW, especialmente nesse último ano.

Em 2006, fiquei com a sensação de que ele era um empecilho na BMW, pois aparentemente, libertá-lo do seu contrato custaria muito mais dinheiro do que aquele que a equipa estaria disposto a pagar. Não sei se estava cansado da Formula 1, se fazia aquilo gozando na cara dos novos proprietários, e não se aplicando verdadeiramente para conseguir bons resultados. Quando vi ele sair da Formula 1 pela porta pequena, após o GP da Alemanha, senti que aqueles anos todos, após o título de 1997, foram um desperdício. Ou não.

Depois disso, vi-o a correr um numero variado de carros, em várias categorias automobilisticas. Desde os NASCAR americanos até à Le Mans Series, pela Peugeot. Acreditei que iria ganhar as 24 Horas de Le Mans, para conseguir a "Tripla Coroa", algo que só Graham Hill, pai de Damon conseguiu. Mas achei que fazia aquilo tudo de forma desleixada, como que a não importar-se com o seu estatuto como piloto e as suas obrigações inerentes. Mas no final, acho que é o seu estilo.

Este ano, fiquei surpreendido por ouvir que ele queria regressar à categoria máxima do automobilismo. Aos 38 anos. Queria seguir o exemplo de Michael Schumacher, e preparou-se especialmente para isso. Curiosamente, tinha ido embora na mesma altura do que ele, e pensei o que fazia mexer ali. Ele afirmou que tinha sido por causa dos filhos. Será mesmo isso? A paternidade incutiu-lhe juízo? Não sei o que dizer.

No final, acho que foi um bom naquilo que fez, apesar das expectativas que tinha para que fizesse muito mais. Mas pronto... hoje em dia, vejo as coisas porque gosto de apreciá-las e não porque "torço contra y". Talvez seja a lição que a vida me deu: apreciar as coisas por si mesmas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Formula 1 em Cartoons - Pilotoons do Mantovani (Malásia)

A Formula 1 em Cartoons não é a mesma sem mostrar o desenho feito pelo Bruno Mantovani acerca da corrida malaia. E ele escolheu como caricatura a manobra de Lewis Hamilton sobre Vitaly Petrov, em que ele se defendeu por mais de uma vez às tentativas de ultrapassagem por pate do piloto russo, levando a que muitos pedissem por uma penalização ao piloto da McLaren, mas que os comissários, liderado pelo ex-piloto Johnny Herbert, apenas decidiram por dar uma advertência.

Parece costurado, não parece?

Sobre a candidatura da Durango à Formula 1

Avisaram-me tarde da noite, mas ainda fui a tempo de ler a noticia. Achei estranho a Durango dizer que vai tentar a sua sorte para a vaga de 13ª equipa para 2011, num anos em que abdicou do seu lugar na GP2, e ter passado para a AutoGP, a nova encarnação da Formula 3000 Euroseries, que corre com antigos chassis da extinta A1GP.

Interessante foi saber, via Leandro Verde, que a Durango, uma equipa italiana com trinta anos de existência, já tentou a sua sorte a meio da década de 90, através de um projecto de Enrique Scabaloni, mas que ficou pelo papel devido à falta de financiamento. Mas parece que em 2010, as coisas são diferentes. Ivone Pinton, o seu director, explica o porquê: tem o apoio de dois grupos financeiros.

"Mesmo que mantenhamos os pés no chão, quero considerar que após muitos anos a colocar jovens pilotos na ribalta e a tornarem-se futuros campeões, agora é tempo da Durango dar o salto para a categoria máxima do automobilismo".

Eu aceito o principio de que toda a gente pode candidatar-se à Formula 1. Toda. Mas que deve haver critérios técnicos e um "background" para que os melhores "garagistas" tenham a hipótese de ficar na categoria máxima do automobilismo por muitos e bons anos. E que não passem "vergonhas" na grelha de partida, como já houve no passado. Em suma, não podem ser só construtoras que devem entrar na Formula 1. Uma estrutura bem organizada e com resultados nas outras categorias, como por exemplo a Prodrive, deveria ser escolhida para participar.

As inscrições fecham no próximo dia 15 de Abril e o anuncio oficial será feito em meados de Julho. Mas espero e desejo que os critérios desta vez sejam mais técnicos do que politicos. Ou seja: nada de imposições em termos de tecto salarial, embora tenha de haver bom senso em relação a gastos, e que não imponham motores, como aconteceu no caso das inscrições para 2010, em que era "Cosworth ou nada". E temos este resultado: das quatro equipas que foram escolhidas, uma foi nado-morta, a outra está sobre arames e a que está em melhor condição foi a que entrou mais tarde.

Caso o pior aconteça a alguma das três equipas, a vaga que se abriu agora pode se alargar num futuro próximo... e a FIA sabe disso.

La Isla Presidencial - Episódio dois



Na terça-feira saiu no Youtube o segundo episódio da série cómica La Isla Presidencial, uma versão animada do "Lost" com os presidentes latino-americanos, mais o Lula da Silva, o Rei Juan Carlos e o Zapatero. Nesse episódio, só vemos o Hugo Chavez a falar até á exaustão (há até peixes a fazerem hara-kiri...), como costuma fazer nos seus "Alô Presidente" que começa a rivalizar com os discursos de Fidel Castro...

Quanto ao final, é tipico do "Lost": surpreendente!

5ª Coluna: Ilusões e Confusões

Passaram-se três corridas e viu-se que o equilibio prometido cumpriu-se: três vencedores diferentes, em corridas que foram emocionantes o suficiente para levantar da cadeira. Apesar de alguns receios relativamente à modorra que foi a primeira corrida no tilkódromo barenita, as duas seguintes, na Austrália e na Malásia, as coisas foram diferentes para melhor. E nesta corrida, o facto de Sebastien Vettel ter levado o seu Red Bull para o primeiro posto quase sem oposição poderá ter sido um sinal de que os problemas de juventude que o seu carro tinha poderão estar resolvidos, e ele passar a ser agora o candidato numero um ao título mundial.

Michael Schumacher: quem tinha expectativas?

Deparei esta semana com uma matéria de duas páginas num jornal de grande tiragem, onde se falava sobre a "indisfarçável desilusão de Michael Schumacher". As pessoas tinham altas expectativas sobre o heptacampeão alemão, que após tr~es anos de ausências das pistas, voltaria em forma e iria discutir mais um vez o título de campeão mundial, mesmo apesar dos seus 41 anos de idade, a bordo de um Mercedes GP.

Vou ser honesto: não estou desiludido com Michael Schumacher. E porquê? Por uma razão simples. Não tinha quaisquer expectativa em relação ao seu regresso. É preciso ser um pouco especialista para justificar as razões pelos quais eu não tinha alimentado tal coisa. E não estou a falar só da idade e da forma fisica que tinha de ganhar para poder estar de igual para igual face a uma concorrência que no caso extremo de Jaime Alguersuari, tem dezanove anos de diferença para ele.

Estou a falar de um carro que não está feito para o seu estilo de condução. O Mercedes W01, projectado por Ross Brawn, não é um carro que, em primeiro lugar, possa dar muita luta perante o Ferrari F10 ou o McLaren MP/4 25. E segundo, o carro é subvirador, ou seja, sai demasiado de frente, e ele é optimo para o estilo de condução do seu companheiro, Nico Rosberg. O facto de ele ser copiosamente batido pelo seu jovem compatriota demonstra a sua adaptabilidade ao carro, algo que Schumacher não tem.

Mas ele não tem passado propriamente por vergonhas. Para alguém com 41 anos e a adaptar-se a três anos de ausência, não tem falhado a entrada na Q3, algo que por exemplo, a ferrari e a McLaren já sofreram, e o melhor que conseguiu foi um sexto lugar. as por esta altura, já Rosberg conseguiu o primeiro pódio da Mercedes em 55 anos e está nos lugares da frente. E a cada corrida que passa, a diferença entre ambos tende a aumentar. O que vai deixar um problema na cabeça de Ross Brawn: deixa o carro como está e favorece Rosberg, ou aposta num carro mais apto a Schumacher e deixa "apeado" o filho de Keke?

HRT: O que nasce torto...

...tarde ou nunca se endireita. É verdade que o carro está a ganhar quilómetros em pista, nos fins de semana de corridas, mas este é um carro que está dois segundos mais lento que, por exemplo, os Lotus-Cosworth. E se os carros da marca fundada por Colin Chapman são quatro segundos mais lento do que a concorrência... acho que fala um bocado. Mas mais interessante é ver na pista que Karun Chandhok começa a ser mais rápido que Bruno Senna, pelo menos na Malásia. Pode não ser nada, pois o piloto brasileiro se vêm queixando de que está a guiar com um tipo de carro à frente e outro atrás, e o indiano simplesmente se adaptou melhor ao carro.

Mas o mais interessante, pelo menos o que se verificou este fim de semana, é que dentro da equipa que é liderada por Colin Kolles, começam a surgir atritos entre a equipa e a Dallara, fabricante do chassis. Fala-se de problemas financeiros, devido á falta de pagamentos por parte de Jose Ramon Carabante, e agora há outro forte rumor de que existe dinheiro somente até ao GP do Mónaco, e caso não entrem novo fluxo de dinheiro, a aventura da Hispania pode nem chegar ao final do ano.

Caso aconteça o pior, será a melhor forma de dizer que esta escolha, a par da malfadada USF1, foi mais resultado das loucas politicas de Max Mosley, cujos critérios eram no minino discutíveis. E agora a Formula 1 paga de uma certa forma o preço dessas escolhas.

Mas enfim, por agora fico por aqui. Na semana que vem tem mais para contar. Até lá!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Formula 1 em Cartoons - Marcos Antônio (Malásia)

Mais uma charge, desta vez tem a ver com Michael Schumacher e o seu abandono na Malásia. Foi a primeira do ano e teve a ver com problemas numa porca da roda, que o impediu de continuar. E como a ocasião é rara, os comissários de pista lá tiraram umas imagens.

E claro, para Schumacher, o cuplado por este azar é outro...