domingo, 12 de abril de 2015

Formula 1 2015 - Ronda 3, China (Corrida)

Depois dos eventos na Malásia, a China seria a melhor oportunidade para o regresso à normalidade que a Mercedes pretende ter neste momento, que é vencer com folga, e de preferência, com dobradinha. Os eventos de ontem, na qualificação, indicam que eles estão dispostos a fazer o seu melhor para que isso aconteça, embora a Ferrari faça o seu melhor para manter o seu bom momento. E que bom momento! Tanto que Niki Lauda - apesar de ser um dos manda-chuvas da Mercedes - elogiou o bom momento da Scuderia e de Sebastian Vettel... xingando Fernando Alonso. Mas isso merece outra leitura, noutra altura.

Com céu azul e algum calor, no meio do "smog" de Xangai, máquinas e pilotos preparavam-se para a terceira corrida do ano. E parecia que, da mesma forma como tinha acontecido na qualificação, que isto poderia não ter história relevante para ser contada. No final, foi assim mas faltava o elemento de farsa para apimentar este Grande Prémio, que apareceu lá mais para o fim. Mas vamos por partes.

A corrida começa com nada de especial, excepto a má partida de Daniel Ricciardo, que caiu quase para o final do pelotão, mas recuperou algumas posições, tendo passado os McLaren no final da terceira volta. A seguir, andou à briga com o seu companheiro de equipa, Daniil Kvyat, mas com Fernando Alonso a observar. E o mais interessante é que eles eram segundo e terceiro... a contar para o fim. Não se admirem que os energéticos querem abandonar a Formula 1!

Com o passar das voltas, as cosas andavam sem grandes novidades, com a excepção de Nico Hulkenberg, cuja corrida tinha terminado na volta 12 por causa da sua caixa de velocidades. Nessa altura, começava a primeira janela de pneus, sem grandes novidades. Mas é a partir da segunda parte que as coisas ficaram interessantes, com Vettel a andar não só ao mesmo ritmo dos Mercedes, como até a apanhar Rosberg! Os Mercedes começavam a ficar incomodados com isso, na altura em que Daniil Kvyat se tornava na segunda desistência da corrida, quando o seu motor Renault explodiu. E... Red Bull, melhor dedicaram-se ao futebol.

Na volta 30, Vettel e Rosberg abriram a segunda ida às boxes, colocando pneus médios nos seus carros. O piloto da Ferrari ficou mesmo mais perto de Rosberg, mas não conseguiu tentá-lo passar. Entretanto, Hamilton fez voltas de sonho e fazia uma parte bem veloz, antes de ir às boxes, que foi na volta 33. Ao mesmo tempo, Grosjean foi também trocar pneus. 

Na volta seguinte, Pastor Maldonado começou a fazer os seus números habitual. Primeiro, ele falhou a entrada para as boxes e perdeu tempo fazendo marcha atrás, antes de voltar à sua trajetória normal. caiu para a 14ª posição, mas pouco tempo depois, passou um dos McLaren, para ver se tentava chegar aos pontos. Contudo, pouco depois, ele sofreu um pião a alta velocidade, e o britânico passou-o. A partir dali, as coisas passaram a ser uma luta a três pelo... 13º lugar (e tornou-se na luta do momento!) antes de no inicio da volta 49, Jenson Button tocou no venezuelano da Lotus, quando o tentava ultrapassar. Ambos se despistaram e o piloto da Lotus, desta vez, não teve culpa.

Quando tudo isto acontecia, os McLaren iam-se embora dos Ferrari, enquanto que Raikkonen tentava aproximar-se de vettel para o lugar mais baixo do pódio. Parecia, mas... na volta 53, o Toro Rosso de Max Versteppen ficou sem motor e parou no meio da meta, em posição perigosa. Os comissários de pista foram chamados para o tirar dali e decidiram colocar o Safety Car em pista. Talvez o final adequado para a corrida aborrecida, o que nos resta perguntar que poderemos colocar isto no campo da farsa...


Mas no final, é a hierarquia atual: Mercedes em primeiro, com Hamilton a consildar a liderança perante Rosberg e Vettel, enquanto que na Scuderia, Vettel sobe ao pódio pela terceira vez consecutiva, mesmo se hoje não conseguiu fazer funcionar os pneus melhor do que os Mercedes. Mas ficou na frente de Raikkonen pela terceira vez este ano. Massa foi um pálido quinto, na frente de Valtteri Bottas, numa corrida sem qualquer história para os dois. A coisa mais interessante foi para Romain Grosjean, que foi sétimo e deu pontos à Lotus, na frente de Felipe Nasr, que deu mais quatro para a Sauber, antes de Daniel Ricciardo e Marcus Ericsson fecharem o "top ten". E mais interessantemente - pelo menos, em termos estatisticos - é que a sauber consolida-se como a quarta equipa do pelotão. Na frente de Red Bull e McLaren!

Com esta "tortura" para trás, outra "tortura" temos pela frente, e chama-se Bahrein. A coisa boa é que acontece dentro de uma semana, ou seja, isto passa rápido.

sábado, 11 de abril de 2015

As fotos do dia


Descobri isto hoje, quando mexia os meus arquivos. Começamos já por fazer umas perguntas: vêm diferenças? Acham que foram tirados no mesmo dia, mas de ângulos diferentes? A resposta é não. Até digo isto: foram tirados com um ano de diferença. Pois é, num só ano, nada mudou: Lewis Hamilton conseguiu a pole-position na China, e se a mesma coisa acontecer amanhã o que aconteceu em 2014, mais vale dar agora o troféu de vencedor...

E já agora, qual é o de 2014 e qual é o de deste sábado? É simples: é o primeiro e o segundo.  

As diferenças do ano passado para este ano são poucas. Aliás, deverão ser três: a troca da Williams pela Ferrari no segundo lugar do campeonato, a ascensão da Sauber e o declinio da McLaren. Mas de resto, parece que Hamilton faz tudo certo e as expressões são quase as mesmas, quase instintivas, quase mecânicas. Mas aconteceu, numa coincidência feliz captada pelo fotógrafo da Sutton Images.

CNR: José Pedro Fontes venceu o Rali Cidade de Guimarães

José Pedro Fontes foi o grande vencedor do Rali Cidade de Guimarães, segunda prova do campeonato nacional de ralis. O piloto do Citroen DS3 R5 conseguiu uma vantagem de  segundos sobre o segundo classificado, João Barros, no seu Ford Fiesta R5. Ricardo Moura, o campeão nacional e vencedor no rali de abertura da temporada, o Serras de Fafe, ficou com o lugar mais baixo do pódio desta vez.

Depois de João Barros ter garantido a vitória na especial de abertura do rali, disputado no centro da cidade, máquinas e pilotos tinham pela frente um dia inteiro de classificativas à volta da região, todas em asfalto. E o primeiro a abrir as hostilidades foi José Pedro Fontes, que com o seu Citroen DS3 R5, partiu ao ataque e venceu as duas primeiras especiais da manhã, conseguindo abrir uma vantagem de 7,7 segundos para João Barros, que era o segundo classificado. Ricardo Moura conseguia acompanhar os dois com alguma dificuldade, pois tinha já um atraso de 15,5 segundos para o piloto da Citroen, fazendo com que isto começasse a ser um duelo a dois, pois o quarto classificado, Pedro Meireles, já tinha um atraso de 24 segundos, ao volante do seu Skoda Fabia S2000.

Por esta altura, já havia a primeira desistência de relevo, com o abandono de um dos Porsches, o de Carlos Vieira, que nem chegou a sair de Guimarães a contas com problemas na sua caixa de velocidades. 

No final da manhã, a diferença de Fontes para Barros já era de 19,9 segundos, mas a distância para a restante concorrência era arrasadora: Ricardo Moura perdia 43 segundos para ele, e Pedro Meireles já tinha um atraso de quase um minuto. 59 segundos, para ser mais exato. Carlos Martins, o sexto, tinha um atraso de um minuto e 30 segundos, a bordo de outro Skoda Fabia S2000, ambos a acusarem o desgaste das suas máquinas.

Com um avanço demolidor - tinha ganho todos os troços até então - José Pedro Fontes decidiu descontrair e controlar o avanço para João Barros. E foi altura do piloto do Fiesta brilhar, com vitórias na nona e décima especial, numa altura em que a vantagem tinha sido alargada para quase 30 segundos. Mas Fontes controlava as coisas e nunca permitiu que ele se aproximasse muito. Atrás, Ricardo Moura mantinha a terceira posição, com uma desvantagem a superar em mais de um minuto, mas também a uma boa distância de Pedro Meireles, que se tentava aproximar do lugar mais baixo do pódio.

Mas no final da 12ª e última classificativa, Fontes era o vencedor, com uma diferença de 23,7 segundos sobre Barros, dando à Citroen a sua primeira vitória em mais de dez anos, desde que Armindo Araujo venceu com o seu Citroen Saxo Kit Car. Ricardo Moura ficou no lugar mais baixo do pódio, com uma desvantagem de um minuto e 17 segundos, enquanto que Pedro Meireles (que correu em "casa"), ficou a dois minutos e 15 segundos com o seu Skoda Fabia S2000. Carlos Martins foi o quinto, com dois minutos e 51 segundos de desvantagem, enquanto que Adruzilo Lopes foi o sexto, e o melhor da categoria de Produção.

“Na fase em que estamos, sem um conhecimento pleno do carro, aquilo que fazemos é tentar andar o melhor possível! Estamos ainda em período de aprendizagem, mas conscientes de que o trabalho que desenvolvemos na preparação deste rali tinha sido positivo. Findos os testes, era para nós certo que tínhamos condições para vir a Guimarães discutir a vitória no rali,” começou por afirmar o piloto da Citroen.

“Na segunda fase da prova, na tarde de hoje, com a vantagem que tínhamos conseguido, percebemos que, mesmo querendo vencer troços e, assim, somar mais pontos para o Campeonato, podíamos assumir uma postura de expetativa em relação aos nossos rivais, e, desta forma, correr menos riscos. Este foi um resultado excelente! Para nós, vencer o segundo rali que disputámos com o DS 3 é algo de absolutamente notável. Por outro lado, também me agrada a forma consistente como alcançámos os nossos objetivos, que estão, naturalmente, renovados para o rali que temos pela frente já dentro de duas semanas, em Castelo Branco”, concluiu o vencedor.

O Campeonato nacional de ralis não para, pois vai acontecer o Rali de Castelo Branco, no fim de semana de 24 e 25 de abril.

Formula 1 2015 - Ronda 3, China (Qualificação)

Depois de duas semanas onde andamos a remoer o facto de Sebastian Vettel ter dado alguma esperança aos que aspiram a um equilibrio na Formula 1, máquinas e pilotos deslocavam-se a paragens chinesas para a terceira prova do ano, numa Xangai envolta pelo "smog" e onde tudo poderá acontecer, como foi ontem, quando um local decidiu atravessar a pista e foi parar às boxes da Ferrari, perguntando se poderia testar um dos SF15-T ali existentes. Restaria saber se Sebastian Vettel ou Kimi Raikkonen estariam dispostos a ceder-lhe a vontade, E pelos gestos de Kimi na quinta-feira, ele parecia ser o candidato ideal!

Mas brincadeiras à parte, a qualificação chinesa iria ver até que ponto a Mercedes tinha ficado ou não abalada com o que aconteceu em Sepang. Era certo que não eram mais imbatíveis, e que agora, era uma questão de ver como lidariam com os pneus Pirelli que tinham em mãos. se conseguissem safar-se bem, muito provavelmente seria outro passeio, e se calhar, outro monopólio para os Flechas de Prata.

Mas também esta qualificação chinesa tinha outras duas coisas interessantes de saber. A primeira era se os Manor iriam ter os seus dois carros qualificados e se ambos iriam cumprir o critério dos 107 por cento, e o segundo era saber se os McLaren por fim conseguiram evoluir o suficiente para poder passar à Q2 e começar a andar no meio do pelotão, que neste momento é o seu grande objetivo.

Os primeiros minutos dessa qualificação responderam a essas duas perguntas. A primeira foi positiva, e embora Roberto Merhi e Will Stevens tenham sido os últimos na grelha, o atraso para o resto do pelotão anda na casa dos quatro segundos, o que não é mau para um carro modificado, enquanto ainda se espera pelo chassis de 2015. Quanto à segunda pergunta, a resposta foi negativa, embora não se deixe de sentir um pouco a desilusão, especialmente quando nos treinos livres as indicações tinham sido positivas. E aos anti-alonsistas, fica a consolação de Jenson Button ter sido mais rápido do que o Principe das Asturias. Por 4 milésimos de segundo, mas foi. E a contagem está em 2-0 a favor do veterano inglês.

Pelo meio, na Q2, o mais interessante foi ver os Sauber a conseguirem entrar no "top ten", algo surpreendente - ou nem tanto - pois parece que se vê que desta vez, acertaram no chassis, acompanhado pelo bom motor que a Ferrari fez este ano. Pode ser que paguem as contas, não é? Em contraste, os Toro Rosso ficaram pelo caminho, o que demonstra que aqui, os motores Renault irão passar um mau bocado. E Daniil Kvyat também está a passar um mau bocado com a sua dificil adaptação ao carro, já que mesmo na Q1, teve muitas dificuldades em passar para a fase seguinte. Valeu a má prestação de Nico Hulkenberg.

No final, Lewis Hamilton conseguiu tirar um tempo na casa do 1.35, com Nico Rosberg não muito longe, mas não o suficiente para o deslojar. Sebastian Vettel ficou com o terceiro lugar com o seu Ferrari, que conseguiu superar Valtteri Bottas e Felipe Massa, com Kimi Raikkonen no sexto posto, na frente de Daniel Ricciardo. Para Hamilton, é a 75ª vez que colocou um carro seu na linha da frente de um Grande Prémio, e é mais um monopólio dos Flechas de Prata na primeira fila da grelha.

Em resumo, foi uma qualificação sem história. A hierarquia manteve-se com os Mercedes mais velozes do que a Ferrari, que por sua vez suplantaram os Williams. Os Red Bull lutam por melhores tempos, enquanto que os Sauber parece que estão a melhorar a olhos vistos. Contudo, amanhã é que veremos até que ponto as coisas serão diferentes. Ou se preferirem: até que ponto esta corrida será previsível ou haverá algum truque na manga.

CNR: João Barros é o primeiro líder do Rali Cidade de Guimarães

O rali de Guimarães arrancou na noite desta sexta-feira e João Barros aproveitou bem os 1900 metros da classificativa especial que existia no centro da cidade para fazer o melhor tempo, ao volante de um Ford Fiesta R5. O seu tempo foi 1,2 segundos mais veloz do que o segundo classificado, o outro Ford Fiesta R5 de Ricardo Moura.

José Pedro Fontes, no seu Citroen DS3 R5, foi o terceiro mais veloz, perdendo apenas 1,8 segundos para o líder, e ganhando 0,5 segundos a Pedro Meireles que terminou o primeiro dia no quarto posto, no seu Skoda Fabia S2000. Carlos Martins, noutro Skoda Fabia S2000, andava logo atrás, no quinto posto, a 4,7 segundos.

No final da especial, e depois dos carros recolherem ao parque fechado dentro do Pavilhão Cidade de Guimarães, João Barros comentou: “Não arrisquei, apenas tentei ser o mais eficaz possível e acho que consegui. Toda a gente sabe que na Superespecial se tem mais a perder do que a ganhar. Claro que tentei fazer o meu melhor, mas sempre a pensar em não correr demasiados riscos para não hipotecar as hipóteses de vencer amanhã, que é quando todo o rali se decidirá”.

Já Ricardo Moura reagiu: “Se calhar entrámos um bocadinho mais cautelosos do que é normal para não correr riscos. Mesmo assim, fizemos um segundo tempo, o que é bom. Contudo, acho que não serve de grande barómetro para amanhã, se bem que os 1,2s pode ser pouco mas também pode ser muito, como o ano passado se verificou. O objetivo é manter-me fiel às metas traçadas que é manter-me na luta pelo campeonato”.

Quanto a José Pedro Fontes, declarou: “As Superespeciais não são algo de que goste muito e não fazia isto há muito tempo neste tipo de carros e com estes pneus. Fui a tentar não cometer nenhum erro e acho que correu tudo dentro da normalidade, tendo a noção que fui cauteloso. Ficou a primeira indicação de quem são aqueles que poderão lutar pela vitória, mas amanhã vamos tentar entrar fortes”.

Em termos de produção, o melhor era Adruzilo Lopes, que era o sétimo no seu Subaru Impreza Sti, perdendo apenas seis segundos para a liderança, enquanto que Gil Freitas e Carlos Vieira ficaram logo atrás, nos seus Porsche 997. Gil Antunes fechava o "top ten" com o seu Clio R3.

Amanhã, o Rali Cidade de Guimarães continuará nas estradas à volta desta cidade nortenha.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A foto do dia (II)

Karel Pieter Antoni Jan Hubertus (Carel) Godin de Beaufort. Longo nome, hein? Esta aristocrata holandês foi provavelmente um dos últimos amadores da Formula 1. Homem fiel à Porsche, foi ele a alma da Ecurie Maasbergen, que andava nas pistas com um Porsche laranja, digno da casa de Oranje, a casa real holandesa. Das 28 vezes em que andou na categoria máxima do automobilismo (e conseguiu quatro pontos), em apenas duas vezes andou com outros carros. Da primeira vez, em 1959, foi com um Maserati 250F. Da segunda vez, foi com um Cooper T51.

A foto que meto aqui trata-se da mais famosa das suas estorietas, que aconteceu em 1959, em Avus. A correr num Porsche numa das corridas de suporte do GP da Alemanha desse ano. Têm um pouco de cómico e trágico, pois ele foi bafejado com a sorte quando o seu carro saiu de pista no temivel "banking", mas ele caiu de pé, ou seja, não capotou. Não querendo acreditar na sorte que teve, Beaufort simplesmente ligou o carro de novo e continuou na parte de baixo, regressando à pista! Os comissários decidiram aplicar a bandeira preta e desclassificá-lo, mas depois de se convencerem de que ele não era um fantasma!

No dia seguinte, Beaufort comemorou a sua sorte sentando-se no banking com as suas sapatilhas Converse calçadas. A foto deu polémica, pois se ele comemorava a sua finta contra a morte, isto acontecia no dia seguinte à morte de outro piloto, quase no mesmo local, o francês Jean Behra. 

Se estivesse vivo, Carel de Beaufort faria hoje, 10 de abril, 81 anos. Mas ele não se levava muito a sério. Tanto que ele estava por vezes acima do peso (e chegou a pedir ajuda à lenda do judo holandês Anton Geesink para emagrecer), e por vezes corria descalço no seu modelo 718. Um desses exemplos aconteceu na sua corrida fatal, em Nurburgring, onde chegou a fazer umas voltas... com uma cabeleira dos Beatles! Mas há mais "estorietas" onde ele era protagonista, e a sua propensão para brincadeiras era lendária. 

Uma delas, contada pelo jornalista holandês Rob Widenhoff, afirma que em Rouen, palco do GP de França de 1962, ele encontrou com Beaufort no "lobby" de um hotel local, aliviado por falar em holandês com alguém nesse fim de semana. O jornalista tinha aparecido por lá num enorme Chevrolet, e Beaufort pediu a ele se não podia dar-lhe boleia até ao local onde o seu carro estava a ser reparado pela equipa oficial da Porsche. 

Chegados lá, rebocaram o carro, em troca de uma bela grade de cerveja holandesa, e na volta, iam calmamente a caminho do circuito, quando viram um agente da Gendemarie. Beaufort virou-se para ele e disse "Acelera, não temos nada a ver com essa gente!", ao mesmo tempo que colocava o seu pé em cima no de Widenhoff, que estava sobre o acelerador. Eviraram atropelar o "gendarme" por muito pouco, mas compensou: na corrida, vencida por Dan Gurney, noutro Porsche, Beaufort foi sexto, conseguindo o seu segundo ponto da sua carreira.

No ano seguinte, outra estória noutro circuito francês, em Reims. Durante minutos, nada se sabia da sua presença, temendo que se tivesse despistado e dado cabo do seu carro. Na realidade, estava a passear pela pista com uma bela "madmoiselle" ao seu lado, mostrando a pista e os seus arredores, a uma velocidade de passeio. Claro, os organizadores ficaram zangados...

O fim foi agonizante. Projetado para fora do seu Porsche, sofreu um traumatismo craniano e agonizou por dois dias antes de morrer, num hospital de Colonia. O seu acidente foram duas grandes ironias. primeiro, porque aconteceu em Bergwerk, numa das partes mais sinuosas do circuito, e segundo, De Beaufort tinha a fama de ser um piloto cauteloso. Aliás, o seu apelido no meio era "Veilige Careltje", ou seja, "pequeno e seguro Carel"... 

No seu funeral, o seu caixão passeou por cima de um... Porsche, e entre os que carregavam o seu féretro estavam o Barão Huscke von Hanstein, Graham Hill, Ben Pon e Bob Anderson, entre outros. Na sua tumba, uma frase em francês: "Vertu est un Beaufort". A virtude está em Beaufort.

Youtube Motorsport Trailer: A carreira de Paul Newman... nas corridas

Quase sete anos após a sua morte, e no ano em que faria o seu 90º aniversário, a vida de Paul Newman vai ter um documentário. Não como ator de Hollywood, mas sim como piloto de corridas. De seu nome "Winning: The Racing Life of Paul Newman", é produzido por Adam Carrola, também ator e notório "petrolhead", e o trailer saiu esta semana. A sua estreia em Hollywood acontecerá a 16 de abril, antes do lançamento nas salas de cinema a 22 de maio. 

Newmann pode não ter sido Steve McQueen e ter feito Sebring, mas esteve em Le Mans e quase ganhou, num Porsche 935, ao lado do alemão Rolf Stommelen. Começou muito tarde - tinha 43 anos - e venceu as resistências iniciais quer da comunidade cinematográfica e da comunidade automobilistica e acabou por ser respeitado, sendo piloto da Nissan na IMSA e vencer corridas por lá, na década de 80.


Para além disso, fez uma das melhores equipas da CART, ao lado de Carl Haas, a Newman-Haas, e contratou pilotos que foram desde o calibre de Mário Andretti (foi por ele que Newman e Haas se uniram, pois eles não eram os melores dos amigos...), o seu filho Michael Andretti, Nigel Mansell, Christian Fittipaldi e no fim, Sebastien Bourdais.


Já agora, vi isto em primeiro lugar no Flatout! Brasil. 

A foto do dia

Da China, pode-se esperar tudo. Mas este momento fez-me recuar mais de 25 anos no tempo, quando vi uma coisa dessas em Jacarépaguá, momentos antes de Nigel Mansell receber a bandeira de xadrez no GP do Brasil de 1989, logo na sua primeira corrida ao serviço do Cavalino Rampante.

Todos iremos dizer que é irresponsável, mas gostaria de saber o que é que ele tinha na cabeça para fazer uma coisa destas.

Mais um piloto benfiquista

André Rodrigues poderá ser um novato nas andanças dos ralis portugueses, e neste fim de semana irá estrear-se no Rali Cidade de Guimarães aos comandos de um Citroen DS3 R1, integrado no Challenge com a mesma sigla, incentivado pela marca francesa. Mas o que têm André Rodrigues de especial é que. para além de ser navegado por Hugo Magalhães, navegador de Bernardo Sousa, é que é patrocinado pelo Sport Lisboa e Benfica. Sim, o clube de futebol, que também patrocina Bernardo Sousa na sua aventura nos ralis, e apoia Paulo Gonçalves no Dakar.

“O comportamento da viatura é muito bom. Conhecemos o histórico do carro e nas provas em que já participou este ano demonstrou ser fiável. Porém, não podemos esquecer que esta é a minha primeira prova e não posso estar a definir metas sem antes saber o andamento dos outros pilotos. Vamos aproveitar este primeiro rali para sentir melhor o carro na estrada e na próxima prova, quem sabe, prometer a luta pela vitória", referiu o piloto em declarações à Autosport portuguesa.

“Saber que iria contar com o Hugo neste rali veio dar um novo folego ao projeto. A experiência dele é incrível e isso sente-se na estrada, a cada curva. Ele conhece bem o local da prova e a experiência que possui dos ralis internacionais em que participa vai ser importante para a minha estreia”, continuou.

O apoio institucional do Benfica é para o piloto uma grande prova de confiança que tudo fará para retribuir. “A minha ligação ao Benfica é importante e quero retribuir essa confiança na estrada. Espero que os sócios e adeptos do Benfica venham assistir ao rali e tragam os cachecóis, camisolas e bandeiras e contribuam para colorir ainda mais as estradas por onde irá passar esta competição”, concluiu.

É certo que ele não vai lutar pela vitória na geral, mas espera-se que faça boa figura num rali essencialmente disputado em asfalto.

Youtube Motorsport Comedy: A versão polaca do "Fast and Furious"


Isto é tão bom que vou dispensar a versão americana. E já agora, vi isto no Flávio Gomes.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A foto do dia (II)

Há precisamente 15 anos, decorria o GP de San Marino, em Imola. Mas nesse dia, no ano de 2000, Jacques Villeneuve comemorava o seu 29º aniversário natalicio, a bordo de um BAR-Honda. A sua segunda temporada ao volante da equipa anglo-americana, com as cores da Lucky Strike, tinha de ser uma temporada bem melhor do que a anterior, que foi tudo senão um desastre completo.

Essa corrida até correu bem, já que terminou nos pontos, na quinta posição. E para o resto da temporada, ainda iria pontuar por mais cinco ocasiões, terminando no sétimo posto, com 17 pontos. Apesar de não ter subido ao pódio. Ele só voltaria no ano seguinte, com dois terceiros lugares, os dois últimos pódios da sua carreira.

Tenho - e tive sempre - a sensação de que depois de ter conseguido o que queria - vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis e o título na CART, e o título mundial na Formula 1 - ele desleixou-se. Conseguiu os seus objetivos, poderia descontrair-se. Um pouco como James Hunt, se quisermos colocar as coisas dessa forma. 

Não sei se as pessoas respeitam uma pessoa que só quer tocar o céu por uma vez. Num mundo onde queremos que todos sejam perfeitos a todas as horas, todos os minutos, pedimos a eles, que estão num desporto de elite, onde muitos adorariam estar no lugar deles, para que sejam perfeitos a todoas as horas. Que estejam sempre a lutar pelo título, em todas as corridas, que procurem sempre os melhores lugares, que estejam sempre no topo da forma. 

Lembro-me de ver o regresso de Jacques à Formula 1, pela Renault, no final de 2004. Foi penoso, quase risivel, vê-lo numa máquina que daria as chances de vencer, nas mãos de Fernando Alonso. Deu a sensação que se desleixou nesse periodo sabático e no regresso, teve de andar nessas corridas a recuperar o tempo perdido. No final, como sabem, fez mais duas temporadas e saiu pela porta pequena a meio de 2006, substituido por Robert Kubica, que chegou ao pódio... na sua terceira corrida.

Hoje em dia, ele corre de vez em quando. No ano passado, estava no WRX, o Mundial de Rallycross, ao lado de figuras como Tanner Foust, Kem Block ou Petter Solberg. Este ano, já apareceu na prova de abertura da Stock Car brasileira, ao lado do seu companheiro de equipa da BAR desse mesmo ano, Ricardo Zonta. Estava ali para se divertir, uma espécie de cigano do automobilismo. Não se importa de ser rigoroso, só se quer divertir. E se calhar deveriamos ser nós para deixarmos de ser exigentes para os outros e olhar mais para os que estão ali para experimentar coisas novas no automobilismo, divertir-se. Se calhar é essa a ideia do Jacques

A foto do dia

Poderemos ter várias interpretações, mas duas delas vêm-nos à memória: será que está aborrecido ou serão os efeitos do jet-lag?

As forças em presença no Rali Cidade de Guimarães

Nas vésperas da segunda prova do Nacional de Ralis, com o Rali Cidade de Guimarães, a primeira coisa que se tem de dizer é que a lista de inscritos é bem gorda. É que falamos de 77 pilotos inscritos, em várias categorias. E isso, numa prova a contar para o campeonato português de ralis, é um feito.

É certo que falamos de muitas categorias presentes: para além dos pilotos que lutam pelo campeonato nacional, com as inscrições de Ricardo Moura (que por estes dias anunciou que tem verbas para toda uma temporada, com um Fiesta R5 mais evoluido, ex-Kajetan Kajetanovicz), João Barros e Diogo Salvi, também num Fiesta R5, o Citroen DS3 R5 de José Pedro Fontes e os Skodas Fabia S2000 de Pedro Meireles - o piloto da casa e um favorito à vitória - e Carlos Martins. A grande ausência será Miguel Campos, no seu Peugeot 208 Ti16 R5, e que andou bem em Fafe.

Mas para além destes pilotos, outras máquinas aparecerão neste rali feito essencialmente em asfalto. Uma delas será os Porsche 997 de Gil Freitas e Carlos Vieira. No primeiro caso, trata-se da incursão do piloto madeirense ao continente, enquanto que no segundo caso, trata-se de um regresso, onde irá aproveitar o carro que José Pedro Fontes guiou no ano passado.

“A minha prioridade é terminar, para acumular ritmo e experiência. Depois, creio não ser muito irrealista classificar-me no top 10, mas se conseguisse chegar ao top 5 já seria excelente”, começou por dizer Carlos Vieira à Autosport portuguesa.

“Depois de ter disputado um Rali Sprint, fiquei com uma enorme vontade de explorar a disciplina e prontamente acertei tudo com a Sports & You”, conta o piloto de Braga, que vai ter Luis Ramalho como navegador. 

“As notas são claramente a questão mais delicada deste desafio. O entrosamento com o navegador, um sistema eficaz para ambos e a concentração para as ouvir, algo a que nunca estive sujeito anteriormente”, concluiu.

Além dos dois Porsches que andarão por ali, também haverão carros do campeonato FPAK de Ralis do Norte, na sua maioria Mitsubishi Lancer EVO IX, bem como pilotos do Campeonato Nacional de Iniciados, na sua maioria Citroen DS3 R1, com algumas excepções, como o Renault Twingo R2 de Pedro Lago Vieira e David Brites, num Peugeot 206.

Para concluir, haverá também seis carros para disputar a Ladies Trophy, um troféu destinado a duplas femininas, com Isabel Ramos a alinhar num Clio R3, sendo eventualmente a favorita à vitória.

O Rali Cidade de Guimarães, organizado pelo Targa Clube, começa nesta sexta-feira à noite com uma Super-Especial de 1900 metros na cidade de Guimarães, com a segunda etapa a decorrer em doze classificativas, com o final a ser na Nossa Senhora da Penha, em Guimarães, no final da tarde de sábado.

Youtube Motorsport Classic: Os ralis de há 50 anos


Estas filmagens de 1965 da British Pathé mostram como eram os ralis naquele tempo, numa altura em que o profissionalismo já existia, mas em muitos aspectos, eram os amadores os grandes protagonistas destas competições. Neste caso em particular, era o RAC Rally, o antecessor do atual Rali da Grã-Bretanha, um dos clássicos do automobilismo.

São quase mio século, mas parecem dois mundos completamente diferentes. Vale a pena ver.

GP Memória - San Marino 2000

Duas semanas depois de terem corrido no Brasil, máquinas e pilotos cruzavam o Atlântico para correrem em Imola, palco do primeiro Grande Prémio em terras europeias. Com Michael Schumacher a vencer nas duas primeiras corridas do ano, era altura da concorrência começar a reagir, especialmente a McLaren, pois caso contrário, o alemão começaria a afastar-se irremediavelmente da luta pelo título mundial e o caso se resolver muito cedo.

Assim sendo, os McLaren começaram a reagir, e a luta entre eles e a "rossa" foi dura, com os quatro primeiros a serem separados por pouco mais de meio segundo. Mas o melhor foi Mika Hakkinen, que conseguiu bater Michael Schumacher por 91 centésimos de segundo. David Coulthard é o terceiro, a três centésimos, seguido por Rubens Barrichello, no segundo Ferrari. Ralf Schumacher era o quinto, no Williams-BMW, seguido pelo Jordan-Mugen Honda de Heinz-Harald Frentzen. Na quarta fila estavam o Jaguar de Eddie Irvine e o segundo Jordan de Jarno Trulli, enquanto que a fechar o "top ten" estavam o BAR-Honda de Jacques Villeneuve e o Sauber-Petronas de Pedro Diniz.

Na partida, Hakkinen larga bem, mas Schumacher não e tenta evitar que o piloto escocês o ultrapassasse. Na Tamburello, Coulthard trava para evitar um choque e isso é aproveitado por Barrichello para chegar ao terceiro posto. Atrás dele, Jacques Villeneuve também faz uma grande partida, e sobe quatro posições, para o quarto lugar.

Com o passar das voltas, Hakkinen e Schumacher começam a afastar-se do resto do pelotão à razão de um segundo por volta. Mas depois, foi a vez do finlandês se afastar de Schumacher, até que a diferença para os dois se situar nos três segundos, por volta da 20ª passagem pela meta. O finlandês parou nas boxes na volta 26, uma volta depois de Coulthard, para manter a liderança, após a paragem de Schumacher, na volta seguinte.

Pouco tempo depois de ter voltado à pista, Hakkinen passou por cima de um destroço de um acidente prévio e a sua direção piorou. As coisas ficaram assim por um tempo, mas quando se livrou, a diferença para Schumacher, que tinha diminuido para cerca de três segundos, aumentou para 5,9. As coisas começam a piorar na volta 39 quando um problema eletrónico afeta o carro de Hakkinen e Schumacher baixa a diferença para dois segundos. O carro volta a ligar-se, com o alemão em cima do finlandês, mas quando o piloto da Ferrari dobrava o Sauber de Diniz, ambos quase colidem e ele perde um segundo.

Na volta 43, Hakkinen para nas boxes e perde a liderança para Schumacher. O alemão para seis voltas depois, mas foi suficientemente veloz para ficar com o comando, e apesar do ataque do finlandês da McLaren, Schumacher resistiu o suficiente para ficar com o comando, e em cosequência, a vitória na corrida, com um avanço de 1,1 segundos. Coulthard foi o terceiro, a mais de 51 segundos, e Barrichello foi o quarto, e o último a ficar na mesma volta do vencedor. A fechar os lugares pontuáveis ficaram o BAR de Jacques Villeneuve e o Sauber-Petronas de Mika Salo.