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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Youtube Motorsport Vídeo: Que raio aconteceu a Andrea Moda?

O Josh Revell fez um video sobre a Andrea Moda no primeiro do seu canal, com um sucesso considerável - cerca de 450 mil visualizações das última vez que lá fui ver - e então, ele decidiu fazer um remake desse video, agora que ele tem mais de 118 mil inscritos no seu canal e está a ganhar "incontilhões" com o que anda a fazer. 

E agora que é famoso, decidiu regressar às suas origens para resgatar o video sobre a pior equipa da história da Formula 1: a Andrea Moda, que correu em 1992.  

terça-feira, 30 de maio de 2017

A imagem do dia

Este deve ser um dos piores carros da história da Formula 1, A equipa passou à história como sendo absolutamente desorganizada, e um dos seus pilotos chegou a andar... 24 metros até que o motor simplesmente se apagou. Mas foi por causa de todo este estrago que vimos depois acontecer um dos maiores milagres da história do automobilismo. E tudo devido ao talento do seu piloto.

A Andrea Moda consegue ser, talvez, pior do que a Life ou a Coloni, equipas que passaram à história como sendo das piores da Formula 1 Pior do que isso é que a Andrea Moda... era a sucessora da Coloni, quando Andrea Sassetti comprou a equipa e quis montar o seu negócio. Comprou chassis à Simtek, motores à Judd, e depois de algums preipécias, contratou Roberto Moreno e o britânico Perry McCarthy, que depois alcançou fama por ser o primeiro "the Stig", todo vestido de negro. E os 24 metros? Foi com McCarthy, em Barcelona.

No Mónaco, as coisas foram um pouco diferentes. Não para McCarthy, que não passou, mas para Moreno, que conseguiu fazer com que o carro se qualificasse para a segunda fase, numa altura em que passavam os quatro melhores. Mas poucos pensavam que Moreno não conseguiria mais do que isso, e que o último lugar seria seu. Puro engano.

Moreno sempre conseguiu tempos que permitiam entrar dentro dos 26 qualificados, e a certa altura, chegou até a ter... o vigésimo melhor tempo, a meros cinco segundos do tempo de Nigel Mansell! No final, foi o 26º e último qualificado, mas o feito fez com que todos os mecânicos aplaudissem o feito do piloto brasileiro. O que era incrível, porque... para terem uma ideia, ele excluiu os Brabham de Eric van de Poele e Damon Hill!

Moreno correu apenas onze voltas até que o motor Judd rebentou. Até ali, tinha subido até ao 19º (e último) posto, mas o feito já tinha entrado na história. A partir dali, a Andrea Moda seria noticia por eventos entre o cómico e o fársico, acabando após o GP da Bélgica, com Sassetti preso e a equipa excluída da Formula 1.

sábado, 15 de agosto de 2015

A prisão de Andrea Sassetti

Andrea Sassetti, ainda se lembram? Pois é, o senhor que há 22 anos teve a ideia de fazer uma das piores equipas da Formula 1, a Andrea Moda, está desde o final de maio em detenção domiciliária, devido a um caso de falência fraudulenta, do qual os juizes declararam-no culpado. Sassetti vai cumprir pelo menos seis meses de reclusão.

Nascido em 1960, em Fermo, no Marche italiano, Sassetti tem um passado bem duvidoso. Em 1992, foi o suspeito de ter ateado fogo a uma discoteca que pertencia a si, alegando que uma pessoa o tentou matar. Desenhador de sapatos de formação, antes de criar a Andrea Moda, em 1992 decidiu meter-se na Formula 1, onde adquiriu dois chassis e os bens da Coloni. Com o brasileiro Roberto Moreno e o britânico Perry McCarthy ao volante, somente conseguiu qualificar por uma vez no GP do Mónaco, graças a Moreno, antes de ser expulso da Formula 1 sem apelo nem agravo após o GP da Bélgica.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A foto do dia

Se ontem falei de John Surtees, não me lembrei que ontem também era dia de anos de Roberto Moreno, um piloto que povoa as mentes de muitos que cresceram nos anos 80 e 90, e simbolo - para mim - de um piloto que deu sempre o melhor, em busca do sonho de correr na Formula 1. Aos 56 anos, Moreno goza a reforma, após mais de 25 anos a correr em diversas categorias, desde a Formula Ford à CART, correndo em Indianápolis, por exemplo. E um simbolo de um piloto lutador, com raras vitórias, mas sempre muito populares.

Sobre Moreno, há imensas histórias - e sei que está a escrever um livro sobre isso - e o Leandro Verde andou a escrever uma saga - como só ele sabe fazer - sobre a temporada de 1988 de Formula 3000, aquela em que ele conquistou quatro corridas seguidas e tornou-se campeão, depois de ter juntado todo o dinheiro que tinha e comprado um chassis que daria apenas para... quatro corridas. E como as chances eram únicas, aproveitou-a bem, com três vitórias!

A parte da carreira dele que mais gosto é aquele período entre 1990 e 1992, em que de pequeno se tornou grande, depois aproveitou e voltou a ser pequeno, por uma das razões mais ridículas que conheço, mas que foi a primeira manifestação de canalhice de uma certa personagem da Formula 1. E quando foi contratado pela pior equipa da sua história, fez um milagre.

Moreno disse que estava no gabinete de John Barnard, na Grã-Bretanha, quando o chamou para se sentar num Benetton, uma semana antes do GP do Japão. Alessando Nannini tinha tido  seu acidente de helicóptero à porta de casa dos seus pais, em Siena, decepando o seu braço. Era a solução mais à mão, e uma solução mais simpática para Nelson Piquet, seu amigo desde os tempos do "Patinho Feio", na Camber, em Brasilia. A corrida japonesa foi o que foi, com a primeira dupla de sempre da Benetton, em ambos os pilotos a verterem lágrimas de felicidade por um resultado que nem Moreno tinha imaginado nos seus sonhos mais loucos. É que nesse ano, esteve na Eurobrun e apenas se qualificou por duas vezes.

Em 1991, estava a er uma temporada digna, com três coridas na zona dos pontos e uma volta mais rápida. O GP da Bélgica foi praticamente a sua melhor prova do ano, apesar de ter aproveitado alguns dos abandonos que aconteceram na prova. Mas o seu patrão, Flávio Briatore, tinha os olhos numa jovem promessa que tinha aparecido na Jordan, chamada Michael Schumacher. Sem hesitar, livrou-se de Moreno, alegando... insanidade mental, e colocou o alemão. Moreno foi para a Jordan por duas corridas, tentou mostrar que a mexida tinha sido um erro - e quase o conseguiu em Monza, antes de perder o controlo do carro e desistir por despiste - para terminar o ano na Minardi.

Depois disto, ninguém pegava em Moreno, até que a Andrea Moda se lembrou dele, no GP do Brasil. Lá fez das tripas coração, e deu aquele que provavelmente foi um dos maiores milagres da história da Formula 1: a qualificação no GP do Mónaco de 1992. É por estas e por outras que ele merece todo o nosso respeito.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Youtube Formula 1 Classic: O milagre do Mónaco, 1992


Depois daqueles dois posts sobre as qualificações, hoje - à sugestão do Rafael Schelb - apresentou outra filmagem de uma pré-qualificação. E não uma qualquer: é a do GP do Mónaco de 1992, aquela onde Roberto Moreno deve ter conseguido um dos maiores milagres da história da Formula 1: qualificar um péssimo carro como o Andrea Moda, provavelmente a equipa mais pífia que já passou pela categoria máxima do automobilismo.

O Roberto Moreno merece no mínimo uma estátua.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

GP Memória - Belgica 1992

Quinze dias depois do mundo ter visto Nigel Mansell a sagrar-se campeão do mundo em Budapeste, máquinas e pilotos rumavam a Spa-Francochamps para o GP da Belgica, a primeira de cinco provas que ainda tinham de correr para cumprir calendário até ao final daquela época. Nessa altura, tinha havido muitas modificações no pelotão. A primeira novidade tinha sido o desaparecimento da Brabham, afogada em dívidas, ela que tinha alinhado na corrida anterior apenas com Damon Hill.

No lado dos pilotos, também havia novidades. A March tinha substituido Paul Belmondo pelo italiano Emanuelle Naspetti, enquanto que na Minardi, Christian Fittipaldi estava de regresso, após três corridas de ausência para se recuperar de uma acidente que tinha causado uma fissura na sua coluna vertebral.

Com estas ausências, isso significava que não era necessária uma pré-qualificação, colocando os Andrea Moda no meio do resto do pelotão. Mas isso era uma pequena boa noticia, porque por essa altura, os problemas de Andrea Sassetti eram sobejamente conhecidos e a equipa era mais uma comédia de enganos do que propriamente algo profissional. E a gota de água foi a prisão de Sassetti devido a dividas.

Mas a comédia teve depois elementos de drama, quando na sexta-feira, o Ligier de Eric Comas se despistou violentamente na zona de Blanchimont. O primeiro carro a chegar foi o de Ayrton Senna, que parou e foi a correr para desligar o carro acidentado, salvando a vida do piloto francês. O gesto foi aplaudido por muitos.

Na qualificação propriamente dita, o Williams-Renault de Nigel Mansell foi o melhor, seguido pelo McLaren-Honda de Ayrton Senna, enquanto que na segunda linha estavam o Benetton de Michael Schumacher e o segundo Williams de Riccardo Patrese. Jean Alesi era o quinto, no seu Ferrari, na frente do segundo McLaren-Honda de Gerhard Berger. Thierry Boutsen era o sétimo, no unico Ligier que acabou por participar no fim de semana belga, seguido do Lotus de Mika Hakkinen. A fechar o "top ten" ficou o segundo Benetton de Martin Brundle e o segundo Lotus de Johnny Herbert.

Os quatro que ficaram de fora, para além dos Andrea Moda de Roberto Moreno e Perry McCarthy, ficaram também o Minardi de Christian Fittipaldi e o Ligier do acidentado Eric Comas, pois ele não tinha sido autorizado pelos médicos a alinhar na corrida. Pouco depois dessa qualificação, Bernie Ecclestone e Max Mosley tomaram a decisão de excluir a Andrea Moda do pelotão da Formula 1.

A corrida começou com ameaça de chuva, mas na partida, o piso estava seco. Senna a partir melhor do que Mansell, enquanto que atrás, Berger partia a embraiagem e acabava a corrida nas primeiras centenas de metros. O britânico da Williams deixa Senna liderar por volta e meia antes de o passar na Blanchimont. Contudo, pouco depois, a chuva cai e o piso fica progressivamente molhado, fazendo com que os pilotos trocassem os pneus para chuva. Com isso, Patrese - que tinha passado Senna - ficou com o comando.

Pouco depois, foi a vez de Patrese, com Senna a ficar com o comando. O brasileiro pensava que a chuva iria passar em breve, mas tal não aconteceu. Assim, também teve de ir às boxes, perdendo posições. O comando voltou para Mansell, com Patrese e Schumacher logo a seguir. As coisas ficaram assim até à 30ª volta, altura em que a pista começou a secar. 

Nessa altura, Schumacher sofre um pequeno despiste na zona de Stavelot e decide ir imediatamente para as boxes, colocando pneus para seco. A aposta tinha sido bem sucedida, pois a partir dali, o alemão passou a ganhar tempo em relação aos Williams, que não reagiram de imediato. Quando o fizeram a troca, o alemão passa para a frente da corrida. Mansell carrega para tentar apanhar o alemão, mas tem problemas com o escape do seu carro e abranda o ritmo. Patrese tenta apanhá-los mas o seu carro também sofre alguns problemas e o máximo que faz é apanhar Martin Brundle para o terceiro posto.

No final, Michael Schumacher, aos 23 anos e um ano depois da sua estreia na Formula 1, naquele mesmo local, conseguia a sua primeira vitória na categoria, com Nigel Mansell e Riccardo Patrese a ladearem-no no pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Benetton de Martin Brundle, o McLaren de Ayrton Senna e o Lotus de Mika Hakkinen.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

GP Memória - Canadá 1992

Quinze dias depois das inesperadas - e épicas - voltas finais do GP do Mónaco, onde Ayrton Senna aguentou as investidas de Nigel Mansell, máquinas e pilotos atravessavam o Atlântico para disputar o GP do Canadá, em Montreal, onde se esperava que a Williams pudesse reagir e mostrar que os eventos do Mónaco tinham sido apenas um acaso e que voltaria o dominio da temporada.

A Andrea Moda, depois do que acontecera no Mónaco, esperava que fosse o começo de um novo ciclo, mas na realidade, foi mais um sol de pouca dura. Quando os carros foram embarcados para Montreal, os seus motores Judd... foram deixados para trás pela British Airways no vôo para o Canadá. Tiveram de usar motores emprestados pela Brabham, e não foram muito longe, pois Roberto Moreno deu apenas quatro voltas antes do carro se avariar e não passar para a qualificação. Perry McCarthy nem sequer teve hipóteses de sair das boxes.

Por estes dias no paddock, os rumores falavam sobre o possivel ingresso de Alain Prost na Williams para a temporada de 1993, algo que parecia colocar Nigel Mansell sobre "stress", pois era uma experiência que não queria voltar a ter, depois dos seus tempos na Ferrari. E se calhar isso, aliado à boa forma dos McLaren, fizeram com que ele não ficasse na pole-position. 

Aliás, o "poleman" tinha sido Ayrton Senna, no seu McLaren, que tinha conseguido a sua primeira pole do ano. Riccardo Patrese era o segundo, no seu Williams, conseguindo superar Mansell, que era apenas o terceiro na grelha de partida. Gerhard Berger era o quarto, enquanto que Michael Schumacher, no seu Benetton, era o quinto. Johnny Herbert era o sexto no bem nascido Lotus 107, enquanto que a quarta fila era ocupada pelo segundo Benetton de Martin Brundle e pelo Ferrari de Jean Alesi. O "top ten" ficava completo com o segundo Ferrari de Ivan Capelli e pelo segundo Lotus de Mika Hakkinen.

A grande surpresa foi a não qualificação de Aguri Suzuki, no seu Footwork - Mugen Honda, que iria acompanhar os Brabham de Damon HillEric Van de Poele e do Fondmetal de Andrea Chiesa.

Debaixo de um céu azul, a corrida começou com Senna na frente, enquanto que Mansell consegue superar Patrese e este aguenta o resto do pelotão, liderado por Berger, Schumacher, Brundle e Herbert. as coisas mantêm-se assim nas primeiras 14 voltas, até que Mansell, perto o suficiente de Senna, fez uma tentativa de ultrapassagem na curva antes da meta, que acabou mal. Ele passou a chicane a direito, saltou a gravilha e aterrou em cima do seu nariz, fazendo um pião no processo e desistindo na hora. Patrese, que vinha atrás, hesitou no momento em que escolhia a melhor trajetória e foi ultrpassado por Berger, fazendo com que a McLaren estivesse nas duas primeiras posições.

Com isto, Senna seguia confortável na frente, com Berger atrás a controlar as coisas. Parecia que tudo estava indicado para a segunda vitória consecutiva para Senna, mas na volta 38, o brasileiro começou a ter problemas com a sua caixa de velocidades e acabou por desistir. Assim, quem herdou o comando foi Berger, com Patrese no segundo lugar, e sob pressão dos Benetton de Schumacher e Brundle. Pouco depois, quando estavam a dobrar pilotos, o britânico aproveitou uma hesitação do jovem alemão para ficar com o terceiro lugar. 

Pouco depois, na volta 42, nova desistência de relevo quando a caixa de velocidades de Patrese cedeu, fazendo com que Brundle ficasse no segundo lugar, mas tal posição acabou por ser sol de pouca dura, pois a sua transmissão cedeu na volta 45, fazendo com que Schumacher herdasse a segunda posição, com Alesi no terceiro lugar e um surpreendente Karl Wendlinger, no seu March-Ilmor no quarto lugar, na frente do Larrousse-Lamborghini de Ukyo Katayama. Contudo, as hipóteses do japonês de marcar os seus primeiros pontos esfumaram-se quando o seu motor explodiu na volta 61. 

No final, Berger conseguia a sua primeira vitória do ano e dar à McLaren a sua segunda vitória consecutiva nessa temporada, mostrando que era o "melhor dos outros", quando os Williams ficavam fora de combate. Michael Schumacher era o segundo, enquanto que Jean Alesi era o terceiro, completando o pódio. No quarto posto ficava Karl Wendlinger, conseguindo os primeiros pontos da sua carreira - e os últimos de um chassis March - no quinto lugar estava o Tyrrell de Andrea de Cesaris e a fechar os pontos, o Ligier de Eric Comas, dando à equipa os primeiros pontos desde... o GP de França de 1989.  

quinta-feira, 31 de maio de 2012

GP Memória - Mónaco 1992

Quando máquinas e pilotos chegaram ao circuito do Mónaco, para a sexta prova do campeonato do mundo de 1992, as coisas no campeonato iam num só sentido: Nigel Mansell e os Williams dominavam a competição, sem que os adversários pudessem se aproximar o suficiente para os contestarem. Era uma questão de tempo até que vencessem ambos os campeonatos. Mas havia quem admitisse que o Mónaco, sendo diferente, poderia trazer alguma surpresa na manga.

De facto, elas aconteceram, mas começaram na qualificação. Roberto Moreno, na sua Andrea Moda, começou a fazer das tripas coração do seu carro, e enquanto que Perry McCarthy não marcava qualquer tempo, este conseguia fazer o terceiro melhor tempo na pré-qualificação e desalojar o Larrousse de Ukyo Katayama. Era a primeira vez naquela temporada que eles entravam na qualificação, mas parecia que as coisas não iriam terminar por ali, pelo menos do lado do Moreno. Os outros pré-qualificados foram o Larrousse de Bertrand Gachot, o Footwork de Michele Alboreto e o Fondmetal de Andrea Chiesa.

Contudo, nessa qualificação própriamente dita, os Williams dominaram. Nigel Mansell fez a pole-position, seguido pelo seu companheiro, Riccardo Patrese. Ayrton Senna era o terceiro, com o Ferrari de Jean Alesi no quarto posto. O outro McLaren-Honda de Gerhard Berger era o quinto, seguido pelos Benetton de Martin Brundle e Michael Schumacher. O segundo Ferrari de Ivan Capelli era o oitavo, enquanto que o "top ten" era fechado pelo Lotus-Ford de Johnny Herbert e o Tyrrell-Ilmor de Andrea de Cesaris.

Esta qualificação representou a segunda parte do milagre para Roberto Moreno, pois com uma Andrea Moda pelos arames, conseguiu um tempo suficiente para poder largar na grelha. Podia ser o 26º e último tempo, mas tinha conseguido colocar de fora os Brabham de Eric van de Poele e Damon Hill, o Fondmetal de Andrea Chiesa e o March-Ilmor de Paul Belmondo.

No dia da corrida, sob céu nublado, mas sem previsão de chuva, o Minardi de Gianni Morbidelli teve problemas de motor na sua volta de lançamento e largou das boxes. Na partida, Mansell largou bem, com Senna a conseguir passar Patrese para a segunda posição. A meio da primeira volta, o Dallara de Pierluigi Martini despistou-se no Mirabeau e ficou-se por lá.

Na frente, as coisas estavam na mesma, enquanto que Roberto Moreno aproveitava as retiradas e algumas ultrapassagens para chegar o mais à frente possivel. Na volta onze, o brasileiro estava na 19ª posição quando o seu motor Judd V10 cedeu, terminando ali a sua corrida. Na votla seguinte, quando discutiam o quinto posto, Schumacher e Alesi colidem, mas continuam a correr. Contudo, os danos sofridos no carro do piloto francês foram tais que acabou por desistir na volta 28, fazendo com que Berger herdasse a posição por pouco tempo, porque na volta 32, a sua caixa de velocidades cedeu.

Mais estranho ainda foi o que aconteceu a Ivan Capelli. Na volta 61, o italiano da Ferrari rolava calmanente na quinta posição quando bate na curva das Piscinas, danificando um braço da suspensão. Para piorar as coisas, na curva seguinte, bate nas barreiras de proteção, deixando o carro a um ângulo de 45 graus, com duas rodas no ar. Era o final anormal, mas frustrante para a marca de Maranello.

Na frente, impertubável, Mansell parecia ir a caminho de mais uma vitória, a sexta consecutiva. E parecia mesmo que as coisas ficariam assim, mas na volta 70, um dos parafusos de uma das rodas cedeu e Mansell teve de ir às boxes para reparar a anomalia. A sua diferença, de quase 30 segundos, evaporou-se e foi ultrapassado por Ayrton Senna.

Mansell aproximou-se rapidamente do brasileiro e tentou por várias vezes ultrapassá-lo, mas o brasileiro, mais esperto, conseguiu manter o carro numa trajetória que o impedisse de passar na pista e foi assim que o brasileiro acabou por ganhar a corrida. Uma vitória que tinha caído do céu, por certo, mas uma vitória.

Depois de Senna e Mansell, Riccardo Patrese fechou o pódio, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficaram os Benetton de Michael Schumacher e Martin Brundle e o Larrousse de Bertrand Gachot.  

terça-feira, 3 de abril de 2012

GP Memória - México 1992

"Três semanas depois do seu começo, na África do Sul, máquinas e pilotos estavam no México para a segunda prova do campeonato. E tal como tinha acontecido da primeira vez, quando correram no planalto sul-africano, a mais de 1500 metros de altitude, a Formula 1 voltava a correr acima do nível do mar, desta vez a mais de dois mil metros, o que daria algum trabalho aos motores, que “respiravam” menos ar do que a nível do mar.

Sem alterações no pelotão, a grande novidade vinha da Andrea Moda, que decidira pagar a multa de cem mil dólares, arranjar um novo chassis na Simtek, mas não conseguiu montar os seus carros a tempo de correr, deixando Alex Caffi e Enrico Bertaggia a curtir o sol mexicano e ver os seus colegas pilotos a treinarem. Seria a última vez que iriam correr na equipa, pois pouco depois, saíram daquela loucura que já se tinha transformado a equipa de Andrea Sassetti. (...)

(...) A corrida começa com os Williams a manterem as duas primeiras posições, com Senna a saltar para o terceiro posto, passando os Benetton, com Brundle a partir melhor do que Schumacher, enquanto que a meio do pelotão, Karl Wendlinger e Ivan Capelli colidiam um com o outro e auto-excluiam-se. Ao mesmo tempo, o motor Yamaha de Gugelmin entregava a alma ao criador, ainda nem tinha completado a primeira volta.

Na terceira volta, Schumacher passa Brundle e fica com o quarto posto, mas os três primeiros mantinham-se imutáveis até à 12ª volta, quando a transmissão do seu McLaren cede e ele é obrigado a abandonar, deixando os Williams cada vez mais solitários, com Michael Schumacher com o terceiro posto e a gerir o avanço para Brundle e Berger. (...)

Há vinte anos, a Formula 1 visitava o México pela última vez, para assistir à segunda etapa do Mundial, e também ao domínio dos Williams-Renault no campeonato. Nessa corrida, assistiu-se também ao primeiro pódio de um jovem alemão, que muitos já consideravam como o futuro do automobilismo: Michael Schumacher. A sua ida ao pódio era a primeira de um alemão desde 1977, quando Hans Stuck e Jochen Mass fizeram o mesmo, ao serviço de, respectivamente, Brabham e McLaren.

E claro, a saga da Andrea Moda tinha chegado à sua segunda etapa, com a equipa a encomendar novos chassis e os pilotos a apanharem sol enquanto os carros eram montados para ver se iriam correr naquele final de semana, algo que Andrea Sassetti decidiu não o fazer. O resultado é que os pilotos se chatearam com o dono e este os despediu. O resto da história pode ser lido no PortalF1.com  

sexta-feira, 30 de março de 2012

Os vinte anos da saga da Andrea Moda, parte dois

Mas foi na corrida a seguir que surgiu um milagre: o Mónaco deu aquilo que todos julgavam impossível, uma qualificação. E o milagreiro foi Roberto Moreno, que primeiro meteu o carro nos 30 primeiros, tirando de fora o Larrousse de Ukyo Katayama, e depois conseguiu ter o carro a funcionar o tempo suficiente para fazer um tempo que o colocava na grelha de partida, superando os Brabham de Eric van de Poele e Damon Hill, o Fondmetal de Andrea Chiesa e o March de Paul Belmondo. Todos comemoraram o feito, não só na Andrea Moda, mas como no próprio "paddock" da Formula 1. 

Na corrida, a experiência de Moreno foi importante para que ele subisse até à 19ª posição na 11ª volta, quando o seu motor falhou. Acabava ali o melhor fim de semana da equipa até então, e por incrível que pareça, iria ser a melhor de sempre, porque a partir dali iria ser sempre cada vez mais baixo. E cada vez mais bizarro. (...) 

(...)No final de semana da corrida de Magny-Cours, uma greve de camionistas tinha paralisado o país e o camião da Andrea Moda tinha sido uma das azaradas, mas foi a unica que não esteve presente nesse final de semana. E o pelotão pouco importou. Voltou em "força" em Silverstone, mas nessa altura, as coisas iam de mal a pior. Sassetti teve uma das suas discotecas no Leste de Itália a arder, vítima de um incêndio suspeito, e ainda por cima, alguém tinha tentado atirar sobre ele, mas falhou o alvo. Aos poucos, ele via que a Formula 1 era uma aventura demasiado cara para o seu camião... (...)

Hoje coloco no Portal F1.com a segunda parte da saga da Andrea Moda, provavelmente a equipa mais amadora da história da modalidade, onde Roberto Moreno e Perry McCarthy foram seus pilotos. O britânico passou para a história com incidentes como o de Barcelona, onde andou meros... 18 metros, porque o seu carro quebrou o motor, enquanto que Moreno foi o contrário, ao dar o seu unico ponto alto, que foi a qualificação para o GP do Mónaco, a unica vez que a equipa alinhou num Grande Prémio.

Mas houve muitos outros motivos de farsa ao longo daquela temporada, que terminou em Spa-Francochamps, quando a policia local prendeu Andrea Sassetti devido a fraude, e a FIA aproveitou a ocasião para a excluirem do Mundial de Formula 1. Tanto amadorismo era demais para Bernie Ecclestone e Max Mosley.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Os vinte anos da saga da Andrea Moda

(...) no final de 1991, a Coloni estava à venda. A equipa nunca tinha alcançado a qualificação desde meados de 1989, quando teve dois carros e Roberto Moreno como piloto. Tentativas em 1990, com o "boxer" da Subaru e com pilotos como Bertrand Gachot, Pedro Matos Chaves e Naoki Hattori deram em zero e Coloni decidiu vender a sua equipa - menos competitiva que as melhores equipas da Formula 3000 - a preço de desconto a Sassetti.

Andrea Sassetti era um jovem industrial, então com 32 anos, com interesses na industria do calçado, mas que também tinha casas noturnas em Itália. Personalidade algo controversa, achava que a Formula 1 seria o melhor canal para publicitar o seu nome. Com a compra da equipa Coloni, ficou com grande parte do "staff" e o chassis C4, alargando-a para dois carros. Adquiriu motores V10 da Judd e dois pilotos italianos: Alex Caffi e Enrico Bertaggia. (...)

(...) Entretanto, Sassetti mandou os carros para Kyalami, e montou um deles para Alex Caffi porque... não havia peças suficientes para o segundo carro. E mecânicos também. Mas apesar de ter dsado umas voltas na quinta-feira da corrida, a FIA excluiu-os por causa da história dos cem mil. Sassetti, contrariado mas não vencido, pagou. E pediu à Simtek para que encomendasse um novo chassis a Nick Wirth, porque ele sabia que com aquele C4 da Coloni, não ia a lado algum.

Wirth aproveitou o chassis desenhado para o projeto abortado da BMW em 1990 - que depois se batizaria de S921 - e modificou o suficiente para estar conforme os regulamentos de segurança de então. Em pouco tempo, os carros foram feitos e enviados às peças para o México, mas não ficaram prontos a tempo de darem umas voltas no Autódromo Hermanos Rodriguez. Caffi e Bertaggia, que aproveitaram o fim de semana para apanhar sol nas bancadas mexicanas, acharam que aquela brincadeira foi longe demais e foram embora. Mas como Sassetti não queria dar de vencido, afirmou que os tinha despedido. E foi sem testes, "shakedowns" ou pilotos que a equipa foi ao Brasil, a terceira prova do ano. (...)

Faz agora vinte anos que surgiu aquela que é, provavelmente, a pior equipa da história da Formula 1. Quem cresceu nessa altura certamente conhece as histórias da Onyx, Coloni, Eurobrun ou Life. Mas nenhuma destas equipas, por mais má que seja a sua história, consegue bater nos pontos a história da Andrea Moda, um projeto liderado por um excêntrico italiano, Andrea Sassetti, que quis aproveitar a Formula 1 como montra para se mostrar ao resto do mundo.

E de facto mostrou: a sua falta de profissionalismo, bem como os desempenhos pífios dos seus carros, do qual os pilotos tentavam fazer milagres atrás do volante, como fez Roberto Moreno no Mónaco, deram nas vistas no "paddock". E as coisas foram assim durante mais de meia época, até ao GP da Belgica, altura em que Sassetti foi preso por fraude fiscal, e a FIA excluiu de vez a equipa na Formula, 1, pois segundo eles, tinha manchado a reputação da mesma. A partir de hoje, no Portal F1, conto em duas partes a história da pior equipa da história da categoria máxima do automobilismo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

GP Memória - Africa do Sul 1992


"Quatro meses após o final da temporada, em paragens australianas, a Formula 1 fazia um regresso esperado a uma velha paisagem, mas num novo ambiente: a África do Sul. Após sete anos de ausência, devido às sanções desportivas ao regime do “apartheid”, o pelotão regressa a um pais em transformação, com um regime a desmoronar e uma agitada transição para uma democracia multipartidária, que iria resultar nas eleições livres que iriam acontecer dali a dois anos, em Abril de 1994.

Mas quando a Formula 1 chega a Kyalami, é um circuito diferente que os espera. Parte dela, que continham as boxes, a reta da meta e curvas como a Crawthorne, tinham desaparecido para darem lugar a um complexo habitacional, e os organizadores aproveitaram parte do circuito para construir uma nova secção, de média velocidade. E isso tiraria alguma vantagem aos oito dos 32 pilotos presentes que iriam repetir a passagem por aquelas paragens. (...)

(...) Chegados a Kyalami e feita a adaptação ao novo circuito, a qualificação mostrou até que ponto a máquina melhorada da Williams era superior à concorrência, com Mansell a ser mais veloz que Ayrton Senna, no seu McLaren. Gerhard Berger era o terceiro da grelha, seguido por Riccardo Patrese, enquanto que o quinto era o Ferrari de Jean Alesi, seguido pelo Benetton de Michael Schumacher. Karl Wendlinger era um surpreendente sétimo num March-Ilmor, seguido pelo segundo Benetton de Martin Brundle. Ivan Capelli era o nono e a fechar o “top ten” estava o Tyrrell do veterano Andrea de Cesaris.

A qualificação foi um desastre para os Andrea Moda, com Andrea Sassetti a recusar pagar a multa de cem mil dólares imposta pela FIA, e em consequência, os carros foram excluídos. (...)

(...) Na partida, Patrese foi suficientemente rápido para conseguir passar os McLaren e ficar com o segundo lugar, atrás de Mansell. Atrás, Senna era o terceiro, mas Berger teve uma má partida e fora superado por Alesi e Schumacher. Martin Brundle, no segundo Benetton, seria a primeira desistência do ano, encostando-se na segunda volta com a embraiagem quebrada. (...)

E assim começava a temporada de 1992 da Formula 1: um regresso a um velho local, totalmente modificado, com um pelotão onde se esperava algum equilibrio na luta pelo título, mas no final, acabou por ser o dominio de uma equipa, com Nigel Mansell a liderar de "fio a pavio". Sabia-se que o Williams FW14B era um bom carro, mas o que as pessoas estavam a ver era apenas o principio de uma temporada dominadora por parte de uma marca, que iria establecer toda uma época. É isso muito mais que conto hoje no site portalf1.com.