terça-feira, 22 de setembro de 2009

Eis uma hipótese interessante

Falamos bastante durante o dia de ontem sobre o "Crashgate" e aplaudimos (ou não) a sua sentença. Julgamos que sabemos a razão pela qual Flávio Briatore ordenou uma decisão tão pouco desportiva (para ser mais meigo) sobre Nelson Piquet Jr. e até alguns de nós acham que o ideal seria que todos fossem expulsos para sempre, Renault incluida. Mas hoje li uma hipótese não tão disparatada assim, a julgar pela zona do globo e pelo perfil de Briatore: que isto tudo foi uma combinação... vinda das casas de apostas asiáticas. Quem o defende é Domingos Piedade, actual presidente do Autódromo do Estoril e antigo manager de pilotos.


Falando na edição de hoje do jornal "Público", Domingos Piedade referiu que as duas unicas vitórias da Renault e de Fernando Alonso em 2008 foram em paises asiáticos (Singapura e Japão). Coincidência ou não, o piloto espanhol partiu em posições bem atrás na grelha, logo, uma vitória do espanhol em ambas as corridas seria improvável. A ideia de apostas na China ganha força, por serem lucrativas... e ilegais. Para além de serem combinadas e controladas pelas tríades chinesas, verdadeiros sindicatos do crime organizado. Se é verdadeiro ou não, desconheço. Mas o facto de hoje, a Premier League ter pedido detalhes da sentença da FIA sobre Flávio Briatore, para lançar a sua própria investigação, é sintomático de que podem haver suspeitas sobre um dos actuais proprietários do Queens Park Rangers. A ser provado, pode significar o banimento puro e simples do futebol.

António Vasconcelos Tavares, representante português na FIA, que participou ontem na reunião do Conselho Mundial, admite que a viciação de apostas é um cenário "possível", mas frisa que a investigação por parte da FIA se limitou "ao âmbito desportivo", vincando ainda que a comprovação do cenário da viciação de apostas "exigiria uma investigação judicial" - algo que, até ontem, não foi pedido, nem pela FIA nem pelas restantes equipas que participaram no Mundial de 2008.



Não ficaria nada admirado que este caso tenha mais capítulos, pelo menos no caso do Briatore. O passado dele comprova-o...

Videos do Mantovani - GP da Itália



Com mais de uma semana de atraso, aqui vai o video do Bruno Mantovani relativo ao GP de Itália. Pode-se dizer que os métodos do Rubens Barrichello para ganhar esta corrida são um pouco ortodoxos, mas... lá conseguiu!

GP Memória - Canadá 1969

Com o campeonato mundial já ganho por Jackie Stewart, a quatro provas do fim, máquinas e pilotos preparavam-se para correr na temporada norte-americana, que consistia nas provas do Canadá, Estados Unidos e México. A primeira dessas provas era no traçado de Mosport, na provincia de Ontário. que regressava após um ano corrido no circuito de Mont-Tremblant, no Quebec.


A Lotus e a Matra traziam para o Canadá os seus carros de quatro rodas motrizes, para além dos seus chassis convencionais. No caso da Lotus, era um modelo 63, tripulado por John Miles, que corria ao lado dos convencionais modelos 49 corridos por Jochen Rindt e Graham Hill. Outros dois modelos estavam também nessa corrida, um insctiro pela Rob Walker Racing Team, para Jo Siffert, e um privado, que iria ser corrido pelo americano Pete Lovely. Na Matra, Johnny Servoz-Gavin iria tripular o modelo MS84 de quatro rodas motrizes, ao lado dos convencionais MS80 de Stewart e Jean-Pierre Beltoise.


A McLaren tinha dois carros oficiais, para Bruce McLaren e Dennis Hulme, enquanto que a BRM tinha três oficias, para John Surtees, Jackie Oliver e o local Bill Brack, enquanto que a Brabham tinha dois carros oficiais para Jacky Ickx e Jack Brabham. Outros três carros privados alinhavam nesta corrida canadiana, um para o local John Cordts, outro para o suiço Silvio Moser e o terceiro pelo inglês Piers Courage, carro inscrito por Frank Williams.


A Ferrari tinha uma inscrição solitária, a do mexicano Pedro Rodriguez. Era uma inscrição feita para NART (North American Racing Team), orientada pelo velho amigo de Enzo Ferrari, Luigi Chinetti. E nesta corrida ainda iriam usar o modelo 312. E para finalizar, um velho Eagle com dois anos iria alinhar, por parte de outro piloto local, Al Pease. Já agora, estava inscrito com o numero do momento: o 69.


Na qualificação, o melhor foi Jacky Ickx, que conseguiu ser melhor do que o Matra de Jean-Pierre Beltoise e o Lotus de Jochen Rindt, que iriam partir na primeira fila. Na segunda fila estavam Jackie Stewart e o McLaren de Dennis Hulme, e na terceira ficavam Jack Brabham, o segundo Lotus de Graham Hill e Lotus de Jo Siffert. Para fechar o "top ten", ficaram Bruce McLaren e o Brabham de Piers Courage.


Na partida, Rindt partiu melhor e assegurou a liderança, seguido de Ickx, Beltoise e Stewart, mas pouco depois, o escocês passa o seu companheiro de equipa e em seis voltas, chega à liderança, após passar Ickx e Rindt. Os três primeiros descolavam-se de Beltoise, que depois passou a liderar um pelotão perseguidor.


Ao fim de algum tempo, todos começaram a lidera com uma chicane móvel: Al Pease. De cinco em cinco voltas, o piloto no seu Eagle, era ultrapassado pelos pilotos da frente, e tornava-se um perigo para todos devido à sua lentidão. Tinha até colocado fora o Brabham de Moser na primeira volta, quando este o tentava ultrapassar. Na volta 22, foi Beltoise que se atrasava quando tocou no piloto canadiano. Os comissários de pista, vendo o que se passava na pista, os comissários decidiram desclassificá-lo, por ser... demasiado lento. Uma decisão inédita, sem dúvida.


Prosseguindo a corrida, Ickx nunca perdeu Stewart de vista, e na volta 33, tentou ultrapassá-lo. Contudo, a manobra foi mal calculada e ambos colidiram. O escocês desistiu na hora, enquanto que Ickx conseguiu colocar o carro em pista e continuar. Cedo passou Rindt e alcançou a liderança. Pouco tempo depois, Jack Brabham passou o austriaco e rumaram para uma dobradinha da marca.


Assim, a ordem do pódio foi esta, com o piloto belga a vencer pela segunda vez no ano, o unico piloto que alcançou tal feito, para além de Stewart. Jean-Pierre Beltoise foi o quarto, Bruce McLaren foi o quinto, a três voltas de Ickx, e o francês Johnny Servoz-Gavin ficou com o último lugar pontuável. E com isso entrou para a história, pois tornou-se na uncia vez em que um carro com quatro rodas motrizes conseguiu pontuar numa corrida de Formula 1. E já agora, ele terminou... com seis voltas de atraso em relação ao vencedor. Uma prova que este tipo de carro não era o mais indicado para este tipo de corridas.

GP Memória - Canadá 1974

Quando a Formula 1 entrava na sua penultima prova do ano, no circuito de Mosport, no Canadá, as coisas estavam bem equilibradas nos lugares da frente, com o suiço Clay Regazzoni a liderar o campeonato com 46 pontos, mais um do que Jody Scheckter, o segundo classificado, no seu Tyrrell. O brasileiro Emerson Fittipaldi, no seu McLaren, tinha 43 pontos, e as suas chances de alcançar o bicampeonato estavam intactas, depois daquele segundo lugar na corrida anterior, em Monza. Niki Lauda era o quarto, com 38 pontos, e apesar das desistências, estava matemáticamente na luta, e com 18 pontos em jogo, poderia chegar lá, caso vencesse nas duas últimas provas do ano.

À entrada da prova canadiana, a lista de inscritos tinha duas novas equipas, e mais alguns novos pilotos. A Parnelli e a Penske eram duas equipas americanas que se aventuravam na Formula 1, ambas com um só carro, fabricado por eles próprios, e tinham consigo a elite do automobilismo desta lado do Atlântico. Mario Andretti, com alguma experiência na Formula 1, pela Lotus, March e Ferrari, corria no carro de Parnelli Jones, o VPJ4 com o numero 55, desenhado por Maurice Philippe, enquanto que Roger Penske tinha o numero 66, e o piloto que conduzia o seu carro era outro vencedor de Indianápolis e da Can-Am, e que tinha saído da sua retirada, para ajudar na aventura do seu amigo na formula 1: Mark Donohue.

Chris Amon tinha decidido fechar a sua equipa e aceitou o convite para disputar as duas últimas provas do ano ao serviço da BRM, que tinha apenas dois carros no Canadá, enquanto que na Surtees, Derek Bell era agora acompanhado pelo jovem austriaco Helmut Koenigg. A McLaren tinha agora no terceiro carro o alemão Jochen Mass, que estaria aqui a antecipar a próxima temporada, já que ele já tinha sido contratado para ser o segundo piloto de Fittipaldi e o substituto de Dennis Hulme, que estava agora a correr pela penultima vez na Formula 1.


A Brabham tinha Carlos Reutmann e José Carlos Pace, mas havia mais três carros privados, um para John Watson, outro para Ian Ashley e um terceiro para o local Eppie Wietzes. Sendo assim, estavam 30 carros inscritos, dos quais somente 26 iriam alinhar à partida.


No final das sessões de qualificação, Emerson Fittipaldi levou a melhor, fazendo a sua segunda pole-position do ano. Ao seu lado estava outro rival na conquista do título, Niki Lauda. Na segunda linha estava Jody Scheckter, que tinha Carlos Reutmann a seu lado, e na terceira fila ficavam o Shadow de Jean-Pierre Jarier e o segundo Ferrari de Clay Regazzoni. O sétimo a partir nessa grelha era o segundo Tyrrell de Patrick Depailler, que tinha logo a seguir o jovem James Hunt, no seu Hesketh. Para fechar o "top ten" estavam o segundo Brabham de José Carlos Pace e o Lotus de Ronnie Peterson.


Mario Andretti era o melhor dos estreantes, na 16ª posição, enquanto que Mark Donohue estava no final da grelha, na 24ª posição. Mas ficava imediatamente à frente de Amon, no seu BRM. Contudo, havia quatro azarados que falhavam a grelha: o Ensign de Mike Wilds, o March de Vittorio Brambilla, o Brabham de Ian Ashley, e o Surtees de Derek Bell.


Na partida, Lauda partiu melhor e ficou com a liderança, seguido por Fittipaldi, Regazzoni, Scheckter e Pace. Na terceira volta, o piloto sul-africano trocou de posição com o segundo Ferrari e partiu em perseguição dos dois da frente. Os quatro primeiros do campeonato lutavam entre si para saber quem era o melhor, e assim se manteve durante quase metade da corrida. Caso acabassem nesta ordem, três dos quatro pilotos (Regazzoni, Fittipaldi e Scheckter) iam para Watkins Glen empatados com 49 pontos!


Contudo, essa perspectiva caiu na volta 47, quando Scheckter viu os seus travões falharem e bateu forte à saída de uma curva. Assim Regazzoni subiu para terceiro, e era agora o novo lider (virtual) do campeonato. Na volta 67, outro acidente iria ser decisivo nos planos do título, quando o líder da corrida, Niki Lauda, passou por cima dos destroços de outro piloto que se tinha despistado, e perdeu o controle do seu Ferrari. Não só isso entregava a liderança da corrida para Fittipaldi, com as suas hipóteses de título mundial acabavam ali.


Assim, Fittipaldi só tinha que levar o carro até ao fim e vencer a corrida, que faria avivar ainda mais as suas chances para o bicampeonato, com Regazzoni em segundo e o Lotus de Ronnie Peterson na terceira posição. James Hunt foi o quarto, no seu Hesketh, Patrick Depailler e o segundo McLaren de Dennis Hulme fechavam os lugares pontuáveis.


E a duas semanas da corrida final, em Watkins Glen, a luta pelo título tinha dois pilotos empatados na liderança: Emerson Fittipaldi e Clay Regazzoni, ambos com 52 pontos. Jody Scheckter era o terceiro, com 45 pontos, e tinha algunmas chances para alcançar o título. Mosport serviu apenas para encerrar as hipóteses de Niki Lauda, mas esta sua temporada de estreia na Ferrari demonstrava que já não era mais do que um promissor piloto. O futuro diria que iria ser um dos nomes mais brilhantes daquela década.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A capa do Autosport desta semana

A capa da edição desta semana do Autosport tem como grande destaque a decisão do "Renaultgate", onde resultou na suspensão da Renault por dois anos (mas com pena suspensa) e a expulsão de Flávio Briatore e de Pat Symmonds. Contudo, a revista lança algumas dúvidas sobre o futuro da Renault na Formula 1 "Renault F1 em risco!" é o título em destaque.


Para além disso, fala-se de dois assuntos que dominaram a semana que passou: o regresso da Lotus e a compra da Sauber por um fundo árabe. "Quem está por detrás do regresso da Lotus à F1" e "BMW salva por petrodólares" são títulos demasiado apetitosos para não serem lidos amanhã...


Depois da Formula 1, fala-se de António Felix da Costa. O piloto português de 18 anos tornou-se campeão NEC da Formula Renault 2.0, conquistando assim o seu primeiro título internacional em monolugares, numa jornada que teve o seu quê de polémico. "Felix da Costa, o seu primeiro título internacional". Que seja o primeiro de muitos, é o que desejo...


E para finalizar, o fim de semana competitivo em Portimão, onde Alvaro Parente foi quarto numa das corridas da GP2, e Miguel Ramos, no seu Maserati de GT, foi terceiro. Até foi um bom fim de semana para as cores portuguesas...

A1GP revela o seu calendário e os planos para o futuro

No mesmo dia em que certa imprensa especializada refere as imensas dúvidas refrerntes ao futuro da modalidade, nomeadamente uma alegada rescisão de contrato de motores por parte da Ferrari, a A1GP revela hoje no seu site oficial um acordo de longo prazo com o grupo IMG, que o ajudará em termos de média e de marketing.

"Este tipo de acordo era a nossa prioridade, e estar associado com uma empresa como esta era o que precisava para estar representado num mercado tão competitivo como este. Os planos que eles têm para nós são inovadores", afirmou o empresário luso-sul-africano Tony Teixeira.


Adam Kelly, director de Marketing da IMG Sports Media, afirmou: "Estamos muito contentes de representar a A1GP no portfólio da IMG Sports Media. Nós esperamos trzaer para o centro da acção os carros, os fãs e espectadores da A1GP Powered by Ferrari cars, um verdadeiro desporto global. Num mundo tão competitivo como este, a IMG vai utilizar a sua experiência neste campo para levar a A1GP para uma audiência que queremos que seja cada vez maior", concluiu.


Para além disso, Tony Teixeira, o patrão da A1GP, justificou os atrasos em relação à divulgação do seu calendário relacionados com a certeza das datas, para não repetir os erros do ano passado, quando algumas das datas inicialmente agendadas no calendário foram mais tarde canceladas. "É muito fácil publicar um calendário com datas que mais tarde serão modificadas," afirmou. "Queria ter a certeza das datas, para que desse uma mensagem aos nossas equipas, fãs e parceiros televisivos, algo realistico." concluiu Teixeira, afirmando que ainda existe a possibilidade de uma nova data neste calendário.


Eis o caldário da A1GP para a temporada 2009/10:


25 Outubro de 2009 - Australia (Surfers Paradise)
15 Novembro de 2009 - China (Zuhai)
06 Dezembro de 2009 - Malasia (Sepang)
28 Fevereiro de 2010 - Africa do Sul (Kyalami)
14 Março de 2010 - Brasil (Interlagos)
21 Março de 2010 - Mexico (Hermanos Rodriguez)
11 Abril de 2010 - Portugal (Portimão)
02 Maio de 2010 - Alemanha
16 Maio de 2010 - Holanda (Assen)



Desconhece-se ainda qual vai ser o circuito que acolherá a A1GP em solo alemão, mas na unica vez que lá foram, em 2005, o escolhido foi o circuito de Lausitzring, no leste do país. Outra das grandes novidades e a não realização de uma corrida na Grã-Bretanha, que foi palco da jornada de encerramento na temporada passada.

A vida de Flávio Briatore, agora banido da Formula 1

No dia em que Flávio Briatore foi banido permanentemente da Formula 1, o jornal português Público decidiu fazer um artigo sobre a vida e a carreira deste vendedor nato, que veio para a Formula 1 pela mão de Luciano Benetton e que construiu uma carreira dentro dela à custa de dois pilotos-maravilha: Michael Schumacher e Fernando Alonso. Nada percebia de carros, mas ficou por lá duarante quase 20 anos, deixando a sua marca na coompetição. E o artigo mostra que o "Renaultgate", que acabou por ser a sua perdição, já teve alguns antecedentes no passado, especificamente em 1994...

O PLAYBOY DA FORMULA 1 CAIU DO PEDESTAL
21.09.2009 - 15:05 Victor Ferreira


Flavio Briatore tem os ingredientes certos para atrair as atenções. Lutas de poder, fama, dinheiro, excentricidades, sexo, ascensão e queda. Hoje a vida do italiano de 59 anos que há quase três décadas entrou de mansinho no restrito círculo da Fórmula 1 (F1), mundo do qual se prepara para sair com estrondo, pode conhecer mais um capítulo. O Briatore sedutor, o empresário que se tornou magnata, que soube vender como ninguém a roupa da Benetton, espectáculos desportivos e a sua própria imagem, pode ter dado a sua última curva quando, na semana passada, se demitiu (ou foi forçado a demitir-se) da Renault F1, por suspeitas de batota.


O destino de quem chegou a ser apontado como possível sucessor de Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da F1, pode mesmo ser o afastamento do desporto automóvel. O que nunca o deixará desocupado, pois Briatore tem muito com que se entreter: é dono do clube nocturno Billionaire, na Sardenha, de um beach club na Toscânia e de um resort de luxo no Quénia, tem uma marca de roupa desportiva de luxo (Billionaire Italian Couture), um restaurante em Londres (Cipriani) e comprou o Queens Park Rangers (QPR), clube de futebol da segunda divisão inglesa.


Como muitos empresários que chegaram ao topo, Briatore somou vitórias mas também inimigos. Isto ao mesmo ritmo que ia coleccionando namoradas top model. Esta última faceta, bem documentada pelas revistas cor-de-rosa, fez com que não fosse preciso ser adepto da F1 para saber quem é que ele é (ou foi). Quem não o acompanha nas pistas, conhece-o como o bon vivant que escapou a um cancro nos rins em 2006. Ou como o anfitrião de muitas celebridades no seu iate Blue Force (que aluga por 250 mil euros por semana). Ou ainda como aquele playboy que, mesmo sem uma figura apolínea, trazia muitas beldades pelo beicinho (a lista daria para fazer uma passerelle de luxo: Naomi Campbell, Adriana Volpe, Emma Heming e Heidi Klum). Porém, esta espécie de Casanova moderno já se reformou das conquistas amorosas. Ou assim quer fazer crer. Em 2008, casou com Elisabetta Gregoraci, uma modelo 30 anos mais nova e conhecida pelas campanhas da Wonderbra.


Agora que Briatore está para cair do pedestal, por suspeitas de ter encomendado a Nelson Piquet Júnior um acidente no Grande Prémio de Singapura 2008, com o objectivo de beneficiar outro dos seus delfins, Fernando Alonso, os inimigos do ex-chefe de equipa da Renault estarão a bater palmas ou a suspirar de alívio. Para esses, o abandono de Briatore é o fim de um adversário temível que não percebia nada de carros, mas que sabia como ganhar. Frank Williams, o eterno patrão da Williams, resumiu esta característica melhor do que ninguém: “Flavio não é um homem das corridas, mas toma sempre a decisão certa."

Herói ou vilão?


O caso em que está acusado de batota foi descoberto depois de Nelson Piquet, pai de Nelson Piquet Júnior, ter denunciado as instruções que vieram da boxe da Renault para o seu filho. Piquet, que trabalhou com Briatore na Benetton, acaba por ser o seu carrasco, num caso em que “se descobriram as verdades depois de uma zanga entre comadres”, diz ao P2 António Vasconcelos Tavares, membro do órgão que se reúne hoje em Paris com a missão de julgar o caso de alegada batota que envolve o italiano e a equipa francesa. É que antes da denúncia, Piquet Júnior fora afastado da Renault por Briatore.


Apesar de achar “reprovável” o episódio que conduziu à saída de Briatore da Renault, este representante português no Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA) “não usaria a expressão batoteiro” para o definir. “Não se deve avaliar alguém apenas por um aspecto negativo da sua carreira”, sublinha, acrescentando que independentemente do juízo que vier a ser feito sobre o que se passou com a Renault em Singapura, Briatore “foi uma figura importante para uma modalidade que também precisava de ícones”. Mesmo descrevendo-o como “alguém que, a partir de determinada altura, se sentiu um deus”, Tavares não tem dúvidas de que Briatore “vai ser lembrado tanto pelas companhias magníficas que sempre teve, como pelo grande contributo que deu à promoção da Fórmula 1


Pedro Lamy, piloto português que corria pela Lotus no ano em que Briatore conseguiu o seu primeiro título mundial (1994), vê o italiano como “um grande líder”. “É uma figura muito importante na F1, um dos que mandam, um vencedor nato que foi buscar pilotos muito bons, que sabe como vencer”, diz Lamy ao P2, recordando que foi o italiano quem lançou para a ribalta dois campeões: Michael Schumacher e Fernando Alonso. Lamy, que andou pelo paddock nos anos áureos da equipa Benetton orientada por Briatore, recorda também a faceta mais obscura do italiano. “Era excêntrico e controverso. Tinha algumas situações estranhas, como ser manager de pilotos e, ao mesmo tempo, de uma equipa”, situação que lhe dava “um poder imenso” – o de criar (ou destruir) carreiras.


António Vasconcelos Tavares, que conhece Briatore, fala de um homem “temperamental” que “não gosta de perder” e que pode ter-se descontrolado em nome dessa sede de vitórias, com muito dinheiro à mistura. “Era um sedutor, e não apenas com as mulheres”, recorda Tavares. “Conseguia ser charmoso com qualquer pessoa que era do seu interesse, que pudesse ter alguma relevância para a sua vida ou a sua carreira.”



Sucesso made in Benetton



Filho de um casal de professores, Flavio nasceu a 12 de Abril de 1950, em Verzuolo, nos Alpes italianos. Foi apenas um aluno mediano e a sua primeira ocupação foi como instrutor de esqui. Aos 24 anos, era vendedor de seguros e é precisamente nessa década de 1970 que a sua vida começa a mudar, com os primeiros sucessos e também as primeiras controvérsias.


Antes de conhecer Luciano Benetton, o homem que daria a volta ao seu futuro, Briatore trabalhou na Bolsa de Milão. Isto já depois de ter sido assistente de um homem de negócios, Attilio Dutto, assassinado em 1977. Um episódio nunca esclarecido e que alegadamente teria ligações à máfia siciliana.


Após a morte de Dutto, Briatore assumiu o comando dos negócios, mas não por muito tempo. A empresa faliu e ele acabou condenado por fraude a uma pena de prisão que não chegou a cumprir porque fugiu para as Ilhas Virgens. Mais tarde, uma amnistia permitiu-lhe regressar ao país e a Milão, onde se cruza com o patrão da Benetton, que o convida para gerir a marca nos EUA.


Instalado em Nova Iorque, Briatore revela uma habilidade ímpar para os negócios. “Era um esperto”, garante Tavares, e conseguiu expandir num ápice a rede Benetton, que, em sete anos, passa de sete para 800 lojas. “Não tínhamos grandes orçamentos para publicitar a marca nos principais meios. Por isso, decidimos fazer qualquer coisa controversa, algo que implicasse os consumidores”, explicou já várias vezes à imprensa o empresário.


Estava lançada a semente das campanhas-choque, receita que colocaria a marca nas bocas do mundo. E foi este sucesso, assente na sua capacidade de gestão, que lhe abriria as portas da F1, um mundo com o qual nunca contactara, com excepção de uma presença como espectador nas bancadas do Grande Prémio da Austrália de 1988, a convite de Luciano Benetton. Três anos antes, a companhia italiana comprara a equipa Toleman, passando de patrocinadora a dona de uma das escuderias. Em 1989, Briatore é nomeado director comercial da Benetton Formula One Ltd.


Luiz Pinto de Freitas, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, recorda o homem que praticamente viu chegar a esse mundo. “Era alguém muito mais tímido e reservado do que a figura que hoje todos conhecemos”, disse ao P2.


As primeiras suspeitas


Sem currículo na F1, Briatore chegou às pistas com a vontade de conduzir pela esquerda quando todos o faziam pela direita. “A minha abordagem foi a de gerir a equipa como se gere qualquer outra empresa. Emocionalmente, aquilo não me dizia nada porque a F1 não era a minha paixão”, explicaria o próprio Briatore, mais tarde.



Dois anos depois, já tinha assumido controlo total, gerindo todos os aspectos da equipa, desde a escolha dos pilotos aos membros das equipas técnicas. Sempre perseguindo a mesma ideia, que muito irritava aquele mundo povoado de engenheiros e ex-pilotos: “Em todas as reuniões, ouço as pessoas falarem de pistões e suspensões, o que é um erro. Ninguém vai ver uma corrida por causa dessas coisas. O público vem ver [Michael] Schumacher correr contra [Ayrton] Senna”, dirá em 1994, ano em que um dos seus delfins lhe dá o primeiro título mundial.


A chave desse sucesso foi a contratação de Michael Schumacher, cujo talento lhe saltou imediatamente aos olhos, mas os indefectíveis da F1 não esquecem eventuais factores externos que teriam contribuído para esse título de pilotos de “Schumi”. Nesse ano houve muitas suspeitas de batota à volta da equipa liderada por Briatore. A começar pela alegada existência de ajudas electrónicas, que na altura estavam proibidas (encontraram software, mas nunca se provou que tivesse sido usado em corridas e, por isso, a Benetton escapou sem castigo). Na mesma época, descobrir-se-ia que a equipa retirara os filtros das mangas de combustível, tentando dessa forma acelerar os abastecimentos durante as corridas. Uma decisão que poderia ter custado a vida ao holandês Jos Verstappen, cujo carro se incendiou no Grande Prémio da Alemanha desse ano.


Na temporada seguinte, Schumacher repete o título de pilotos e, com a ajuda de Johnny Herbert, dá o primeiro e único título de construtores à Benetton. Briatore entrara para ganhar num mundo desconhecido e completava enfim o sonho da vitória. Teve o mérito de se rodear das pessoas certas, mas a saída de Schumacher para a Ferrari viria a marcar o início do fim do primeiro reinado de Briatore e da própria Benetton F1, que acaba por ser absorvida pela Renault.



Em 2000, a casa francesa chama Briatore para gerir a equipa. O italiano não perde tempo com os seus detractores e começa a construir mais um campeão do mundo. Era Fernando Alonso, contratado aos 17 anos, que daria mais dois títulos mundiais a Briatore. O italiano tornava-se assim o único team manager a vencer Mundiais por duas equipas diferentes. Apesar dos seus méritos, Pinto de Freitas não hesita em chamar a Briatore “papagaio de pirata”, expressão brasileira aplicada aos que se limitam a aparecer na fotografia ao ombro dos que realmente conquistam alguma coisa. E acrescenta: “Daqui a seis meses, ninguém se lembrará dele.”


Em sua defesa, Briatore disse na semana passada que tudo o que fez foi para salvar a Renault e que a sua demissão é um “sacrifício”. Acredite-se ou não, ninguém esperava ver o galã Briatore vestido de cordeiro.

A1GP: As duvidas acumulam-se

Apesar de na semana passada, a A1GP ter confirmado algumas equipas no teste de pré-época que vai fazer em Brisbane, a meio de Outubro, as dúvidas quanto à realização de uma nova temporada acumulam-se. A pouco mais de um mês do alegado inicio de mais uma temporada, a 26 de Outubro, no circuito australiano de Surfers Paradise, as dificuldades financeiras continuam a dominar as noticias. E para piorar as coisas, novos rumores surgiram durante este fim de semana.

De acordo com alguns órgãos de comunicação internacionais, a Ferrari, que tem um acordo de fornecimento de motores e chassis até 2014, terá decidido colocar um ponto final no fornecimento de motores à A1GP, que deixará os organizadores em sérias dificuldades para manter a série no activo, pelo menos para o futuro mais próximo. Ainda por cima, o adiamento do anuncio das restantes provas do calendário para a temporada de 2009/10, que só tem duas corridas confirmadas, Surfers Paradise e a de Assen, na Holanda, colocam nuvens cada vez mais negras em relação ao futuro da modalidade dirigida pelo sul-africano Tony Teixeira.

Será que estamos a assistir ao final desta competição?

Noticias: FIA anuncia o calendário para 2010

Na mesma altura em que divulgou a sentença do caso "Renaultgate (Singaporegate ou Nelsinhogate), a FIA revelava também o calendário definitivo da Formula 1 para 2010, onde alarga o calendário para 19 provas, com as inclusões do Canadá (um regresso saudado) e o da Coreia do Sul.



Contudo, o regresso do Canadá está dependente do desfecho das negociações com os organizadores do Grande Prémio canadiano com a FIA, apesar de estes terem dito que o regresso já estava mais do que confirmado. A acontecer, será a 13 de Junho.



Quanto à Coreia do Sul, depois da aprovação por parte do Governo local, o calendário aponta para o dia 17 de Outubro daquele ano, quinze dias depois do GP do Japão, e será a antepenultima prova do campeonato, antes de Abu Dhabi e Interlagos, que fechará o campeonato, a 14 de Novembro.

Eis o calendário completo:

14/3 - Bahrein (Shakir)
28/3 - Australia (Melbourne)
04/4 - Malásia (Sepang)
18/4 - China (Shangai)
09/5 - Espanha (Barcelona)
23/5 - Monaco
30/5 - Turquia (Istambul)
13/6 - Canadá (Montreal)*
27/6 - Europa (Valencia)
11/7 - Grã-Bretanha (Silverstone ou Donington Park)
25/7 - Alemanha (Nurburgring)
01/8 - Hungria (Hungaroring)
29/8 - Belgica (Spa-Francochamps)
12/9 - Itália (Monza)
26/9 - Sinpapura
03/10 - Japão (Suzuka)
17/10 - Coreia do Sul
31/10 - Emirados (Abu Dhabi)
14/11 - Brasil (Intergagos)

*Sujeito à aprovação por parte da FIA

Noticias: Renault suspensa, Briatore banido!

A FIA decidiu esta manhã suspender a Renault da Formula 1 por dois anos, mas a sua pena fica em suspenso até 2011. Flávio Briatore foi banido da competição, enquanto que Pat Symmonds será impedido de trabalhar na Formula 1 durante cinco anos, até 2014.

A sentença do "Singaporegate" foi dura, especialmente para Briatore e Symmonds, enquanto que os pilotos Nelson Piquet Jr. e Fernando Alonso sairam ilibados, e os resultados da corrida não foram alterados, dado que já passou o prazo para que tal possa acontecer.

E assim terminou aquilo que foi provavelmente um dos maiores escândalos da Formula 1, onde um piloto foi obrigado a bater para fazer sair o Safety Car, em beneficio de outro piloto, nomeadamente o seu companheiro de equipa, que acabou por vencer o Grande Prémio. E as desconfianças daquele tempo se tornaram realidade no dia em que o piloto que foi obrigado a bater foi despedido da sua equipa. Claro, quando as comadres se zangam, as verdades vêm ao de cima... será que agora Nelson Piquet Jr. terá uma segunda oportunidade na Formula 1? Existem oito vagas em aberto na temporada de 2010, em principio.

Agora resta saber se a Renault vai cumprir integralmente com o Acordo da Concordia. Eventualmente sim, mas será que a mente de Carlos Ghosn, o presidente de Renault/Nissan estará virada para ali? Vejo-o a falar com mais entusiasmo na sua linha de carros electricos do que própriamente do futuro da marca na competição. E o sucessor do agora banido Flávio Briatore, quem será?

O acidente da GP2 em Portimão



O acidente desta manhã na corrida da GP2 em Portimão foi realmente arrepiante, para quem viu. À falta de melhores filmes, por enquanto, pode-se ter uma ideia do acidente entre o romeno Michael Herck e o russo Vitaly Petrov, que ficou parado na grelha de partida e levou em cheio com o carro do piloto romeno. Retirado em maca, encontra-se bem no hospital.





Jà não é a primeira vez que acontece isto na GP2 este ano. O mesmo aconteceu na GP2 Asia Series, na prova nocturna de Losail, no Qatar, quando o holandês Yelmer Buurman, piloto da Ocean Racing Teach, bateu forte no carro do japonês Sakon Yamamoto. Os acidentes na partida podem acontecer, e estes tem maior gravidade pois os pilotos que vem na última fila chegam quase instantaneamente à terceira marcha, cerca de 160/180 quilómetros por hora. E como sabem pela história de Riccardo Paletti, pode ter um desfecto fatal.


Mas hoje, não foi mais do que um grande susto!

domingo, 20 de setembro de 2009

Felix da Costa: O título é dele!

Esta tarde, António Felix da Costa conseguiu vencer o título da Formula Renault 2.0 NEC, ao ser sexto e primeiro classificado classificado nas corridas no circuito alemão de Nurburgring. No final do seu segundo ano de monolugares, o piloto de 18 anos de idade, e irmão mais novo de Duarte Felix da Costa, actual piloto do PTCC, conquistou o seu primeiro título internacional.


A história deste Domingo de corridas começa com a decisão da sua equipa de fazer arrancar o seu pupilo das boxes, devido à proximidade do horário entre a primeira corrida do NEC e a segunda corrida do Europeu, de forma a evitar a habitual confusão na primeira curva de Nurburgring: "Iria partir do terceiro lugar da grelha, onde normalmente existe alguma confusão no arranque, pelo que a equipa optou por essa decisão", começou por contar o piloto português que depois de deixar passar os 18 pilotos, arrancou do pit-lane e foi ganhando posições até chegar num excelente sexto lugar final, posição que lhe permitiu "gerir da melhor forma a segunda corrida e a classificação do campeonato", face a inversão da grelha para a segunda corrida.


Arrancando do terceiro posto, António Félix da Costa não deu hipóteses aos seus adversários e logo na segunda volta era o lider, ganhando a corrida com cerca de 10 segundos de vantagem para o segundo classificado, o britânico Adrian Quaife-Hobbs. Este resultado permitiu ao jovem piloto português, considerado por muitos como um dos mais promissores pilotos da actualidade, arrecadar o tão desejado Título de Campeão Norte Europeu de Fórmula Renault 2.0.


"Foi um fim-de-semana muito desgastante, onde disputei duas corridas do Europeu e duas do Norte Europeu de Fórmula Renault 2.0. Contudo, julgo que a conquista deste Título, a uma jornada do final do campeonato, foi uma excelente recompensa por todo o trabalho e empenho que a equipa tem dedicado desde o início da temporada. Fiquei muito satisfeito e ainda mais motivado para continuar a lutar pelo Título Europeu. Gostaria de agradecer e dedicar este Título a todos aqueles que me acompanharam ao longo desta época, entre Patrocinadores, a minha equipa, amigos e o meu pai", referiu.

Entretanto, no campeonato europeu, Felix da Costa foi segundo classificado, num fim de semana polémico, devido à desclassificação de ontem uma alegada irregularidade encontrada no sistema de travagem do seu carro, mas no qual a equipa Motorpark Academy decidiu recorrer ao Tribunal de Apelo. Sendo assim, a classificação das duas corridas de Nurburgring e pontuáveis para o Europeu estão neste momento suspensas.


"A decisão do apelo da Motopark sobre estas duas corridas será conhecida nas próximas semanas. Tanto eu como a minha equipa estamos confiantes que a decisão será a nosso favor, recuperando os 27 pontos que aqui estão em jogo. Para já quero saborear este título, para depois me poder concentrar na última prova do Europeu a disputar em Alcaniz", concluiu Felix da Costa.


A ronda final do Campeonato Europeu acontecerá a 24 e 25 de Outubro, no circuito espanhol de Alcainz, enquanto que a última jornada do campeonato NEC será duas semanas antes, a 3 e 4 de Outubro, no circuito belga de Spa-Francochamps.

GP2 - Ronda 11, Portugal (Corrida 2)

Mais de 40 mil pessoas assistiram esta manhã à segunda corrida da GP2, ganha por Luca Filippi, da Supernova, e que foi marcada pelo grave acidente entre o russo Vitaly Petrov e o romeno Michael Herck. No momento da partida, o carro da Barwa Addax ficou parado na grelha, enquanto que ao mesmo tempo, o piloto romeno, que tinha sido desclassificado no dia anterior, mas que foi autorizado a correr na última fila da grelha de partida, bateu em cheio no carro do piloto russo. Bandeiras vermelhas na pista, enquanto que Herck era retirado do carro pelos socorristas, desconhecendo-se ainda a extensão das suas lesões.


A corrida recomeçou atrás do safety car, e pouco depois alguns dos pilotos da frente foram penalizados por terem passado outros concorrentes em situação de bandeiras amarelas, o que os obrigou a um drive trough pelas boxes. Nico Hulkenberg, Pastor Maldonado, Kamui Koboyashi, Lucas di Grassi e Andreas Zuber foram os pilotos penalizados pelos comissários.


Quem beneficiou com isto tudo por Alvaro Parente, que partiu da 16ª posição e aproveitou para fazer mais uma das suas corridas de recuperação. Aproveitando as penalizações, conseguiu também apanhar alguns concorrentes e batê-los em luta directa, como o holandês Gierdo van der Garde. No final, os seus pneus não davam para mais e o piloto português foi quinto, atrás de Dani Clos, mas no grupo do terceiro classificado, o espanhol Javier Villa, também da Supernova. O mexicano Sergio Perez, da Arden, ficou com o segundo posto.


E assim terminou a tamporada de 2009 do campeonato GP2. Com Nico Hulkenberg campeão antecipado (e provavelmente a caminho da Formula 1), Vitaly Petrov é segundo e Lucas di Grassi é terceiro. Alvaro Parente é oitavo na classificação geral, com os mesmos pontos do belga Jerome D'Ambrosio.

Post-Scriptum: Durante a tarde, os comissários de pista decidiram penalizar o mexicano Sérgio Perez em 25 segundos, pelo facto dos comissários terem descoberto que ele ultrapassou sob bandeiras amarelas. Sendo assim, perdeu o segundo posto a favor de Javier Villa, enquanto que Dani Clos subiu ao terceiro posto e Alvaro Parente ao quarto lugar. No campeonato, o piloto português da Ocean continua com o oitavo lugar final, mas com mais um ponto e desempatado com o belga Jerome D'Ambrosio.

O piloto do dia - Stirling Moss (4ª e última parte)

(continuação do capitulo anterior)

A temporada de 1961 era a primeira onde se estreava o novo regulamento dos 1.5 litros, e Moss recebeu o mesmo modelo, mas com o motor novo. Contudo, este era um motor pouco potente em relação aos Ferrari modelo 156 “Squalo”, que iriam dominar aquela temporada. Mas com um carro menos potente, em certas circunstâncias, como o Mónaco, onde o circuito era mais sinuoso e tinha uma melhor maneabilidade do que os Ferrari, Moss demonstrou o seu génio. Primeiro, fez a pole-position e depois na corrida, apesar de ter sido superado inicialmente pelo Ferrari do americano Richie Ginther, na 13ª volta voltou para a liderança e manteve uma condução fenomenal, mantendo-se constante e sem falhas, para terminar a corrida com uma diferença de 3,6 segundos sobre Ginther. Moss, num carro com um ano de idade, tinha feito a melhor corrida da sua carreira.


"A corrida durava então 100 voltas. Tinha conseguido qualificar na pole-position o Lótus 18 inscrito pela Rob Walker, um carro com um ano de idade, e na corrida, perdi a primeira posição para um dos Ferrari, mas recuperei-a ao fim de 12 voltas. Tive que andar ao nível do meu tempo da pole em todas aquelas cem voltas, sob pressão dos Ferrari que estavam atrás de mim, e sabia que tinham um pouco mais de potência do que o meu carro. E no final, venci com 40 segundos de diferença [na realidade, essa foi a diferença para o terceiro classificado, Phil Hill]. Só para ver a dureza que foi fazer aquela corrida.


Depois disso, foi quarto na Holanda, mas não teve muitas mais oportunidades de brilhar até que a Formula 1 chegou à Alemanha, mais concretamente ao lendário circuito de Nurburgring. Perante mais de 300 mil espectadores, que torciam para uma vitória de Wolfgang von Trips, as condições meteorológicas jogaram a seu favor, principalmente quando o seu manager, Ken Gregory, decidiu colocar pneus moles de chuva, que funcionariam melhor numa pista que tinha recebido uma carga de água nos momentos anteriores à corrida. A chuva tinha parado no momento da partida, e Moss aproveitou para pular na frente. À medida que a corria continuava, a chuva tinha voltado a pista e Moss conseguiu aguentar os Ferrari de Von Trips e Phil Hill, que ficaram logo atrás dele, obtendo a sua 16ª vitória na Formula 1, um recorde britânico.


Em Itália, o seu carro era mais lento do que os Ferrari, e Innes Ireland, o piloto oficial da Lótus, decidiu emprestar o seu carro para que ele pudesse ter alguma hipótese de lutar pelo título, mas isso pouco lhe serviu, pois desistiu na corrida. Colin Chapman não gostou muito deste gesto e decidiu despedir Ireland no final da época, apesar de ele ter-lhe dado a primeira vitória oficial da marca, em Watkins Glen. Aí, Moss não foi longe, pois desistiu com problemas de motor, na volta 58. Seria a sua última corrida oficial na Formula 1, e no final dessa temporada conseguiu 21 pontos e o terceiro lugar no campeonato.


A sua carreira na Formula 1: 67 Grandes Prémios, em dez temporadas (1952-61), 16 vitórias, 24 pódios, 16 pole-positions e 19 voltas mais rápidas, no total de 185,64 pontos.


No início de 1962, Stirling Moss tinha 32 anos e corria há mais de uma década. Tinha tido vários acidentes, dos quais recuperara bem, e muito do seu talento continuava lá. Esperava que essa seria uma boa temporada para si, mas sabia que o pelotão estava a mudar seriamente. Uma nova geração de pilotos estavam aí, entre os quais os seus compatriotas Jim Clark e Graham Hill, bem como outros bons pilotos estavam a caminho, como o campeão das quatro rodas John Surtees. Da geração com quem correu no meio da década passada, poucos restavam, entre mortos e retirados. Moss ainda queria demonstrar a eles todos que ainda era dos melhores, bastava ter o carro ideal para isso. E ia tê-lo: um Ferrari 156 Squalo, mandado por Enzo Ferrari. Iria ser o primeiro piloto não-oficial a tê-lo.


Contudo, no Domingo de Páscoa de 1962, Moss foi disputar o Glover Trophy, no circuito de Goodwood, a bordo do Lótus 18/21 da equipa BRP (British Racing Partnership). O Ferrari não ficara pronto a tempo de competir, e assim correu com o carro antigo. Fez a pole-position, e andou na frente até ter problemas com a caixa de velocidades, no qual perdeu três voltas na box. Quando voltou, continuou a andar rápido até que na volta 30, na curva St. Mary, ele foi de frente e bateu forte na barreira. Nunca se soube muito bem qual foi a causa do acidente, pois não havia nada quebrado em termos mecânicos no Lótus, e quanto a Moss, a sua memória daquele momento foi permanentemente varrida.


Eu me lembro de sair do hotel onde estava hospedado, em Chichester, no meu Lótus Elite, estacionei-o no parque, vi um tipo porreiro chamado Paul Bates, que era paraplégico, e lembro de ter conhecido uma bela sul-africana na noite anterior. Para além disso… nada. A coisa que me lembro a seguir é de acordar no hospital, um mês mais tarde, e ver flores por todo o meu quarto. E disse: 'Caramba, devem ter pensado que ia mesmo morrer'. E não gostei muito de saber que estive perto disso.”


Retirado do carro após meia hora pelos comissários, tivera sérias ferias na cabeça, ombros, joelhos e costelas, e ficou vários meses no hospital em convalescença. Ficou paralisado durante mais de seis meses, até voltar a andar normalmente. Quando assim o fez, no final de 1963, testou num Lótus 19 de Turismo, e fez tempos aceitáveis. Contudo, para ele, os movimentos já não eram aquilo que era, e decidiu retirar-se permanentemente da competição.


Ainda fez umas corridas em 1980 para o campeonato britânico de Turismos, ao volante de um Audi 80, mas para ele foi uma frustração: “Foi um grande erro. Correr com pneus slicks e tracção à frente era novo para mim. Nunca gostei muito”, afirmou anos depois.


Depois de ver passar os seus dias de glória nas corridas, Moss tornou-se com o tempo um dos “Elder Statesmen” da Formula 1, e agora um dos poucos sobreviventes de uma era dita clássica. Participa activamente nas várias corridas históricas um pouco por todo o mundo, e é avidamente procurado para que dê uma opinião sobre o automobilismo actual, geralmente muito crítico em relação à segurança das pistas e dos carros, um movimento que teve inicio com Jackie Stewart, em meados dos anos 60. Mas isso não o impede de participar de vez em quando nos “paddocks” da Formula 1, especialmente no Mónaco e na Grã-Bretanha.


E as honrarias têm aparecido regularmente. Eleito “Personalidade Desportiva do Ano” pela BBC em 1961, e vencedor também do Hawthorn Memorial Trophy nesse ano, entrou no International Motorsports Hall of Fame em 1990, e algum tempo depois, foi nomeado Cavaleiro do Império Britânico, um dos três pilotos ingleses com esse título. Os outros dois são Jack Brabham e Jackie Stewart. E no final do ano passado, a Mercedes baptizou um dos seus modelos Mercedes-Benz-McLaren SLR de “Stirling Moss”, um carro no qual serão construídas apenas 75 unidades, que ao contrário dos outros modelos, não terá nem tecto, nem vidro protector na parte da frente, tal como no modelo que participou nas Mille Miglia, quase 55 anos antes.


Fontes:


Santos, Francisco – Grand Prix – A História da Formula 1, Ed Público, Lisboa, 2003.

http://www.stirlingmoss.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Stirling_Moss
http://www.ddavid.com/formula1/moss_bio.htm
http://www.grandprix.com/gpe/drv-mossir.html
http://jcspeedway.blogspot.com/2009/09/o-campeao-sem-taca.html