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sexta-feira, 27 de março de 2026

A imagem do dia




Há 45 anos, a Formula 1 rumava para o Rio de Janeiro, porque era o fim de semana do GP do Brasil. E a partir daquele ano, decidiu-se que iriam correr no autódromo de Jacarépaguá, no lugar de Interlagos. A segunda corrida oficial do ano tinha na lista de inscritos um piloto novo, na equipa ensign. E vinha de um lugar exótico: a Colombia. 

E os seus créditos eram, aparentemente, interessantes. Nascido a 8 de agosto de 1949 na cidade de Medellin, Ricardo Londoño Bridge tinha participado em algumas corridas no seu país natal antes de saltar para a América e participar na Can-Am, em 1979, e na Aurora AFX, a Formula 1 britânica, em 1980, num Lotus 78. Em 1981, tinha começado o ano na IMSA, até que reparou que Mo Nunn, o dono da Ensign, colocou um anuncio, afirmando que precisava de duas coisas: dinheiro e um piloto que soubesse andar num carro, sem passar vergonha. 

Londoño apareceu com o dinheiro combinado, e o lugar foi dado. Só que existia mais um obstáculo: para correr, ele precisava de uma Super-Licença, algo que a FISA e a FOCA começou a dar, porque já tinham começado a ficar fartos de amadores, ou "gentleman-drivers" a fazerem de "chicanes móveis" no meio da pista. Apesar de ele não ter a tal Super-Licença, ele foi autorizado a dar algumas voltas na sessão extra de treinos livres, na quinta-feira. 

Londoño até andou relativamente bem, marcando alguns tempos decentes, até ficar no caminho do Fittipaldi de Keke Rosberg. Não se sabe bem se foi um excesso do finlandês, ou foi porque o colombiano não o viu no espelho, mas os dois acabaram na berma, e Rosberg culpou-o pelo incidente. Londoño ficou sem poder correr até ao final do dia, mas o que não sabia é que tinha dado as únicas voltas num Grande Prémio de Formula 1.

No dia seguinte, a FISA disse-lhe que não iria ter a Super-Licença, logo, não iria participar. Uns disseram que a Fittipaldi tinha entrado com um protesto, outros afirmaram que ele tinha sido muito lento para o resto do pelotão, outros disseram que foi o próprio Bernie Ecclestone que o vetou. Independentemente da razão, o fato é que, sem piloto, Nunn foi a correr desesperado para o hotel, à procura de do suíço Marc Surer, que estava no Rio de Janeiro como piloto de reserva. Quando encontrou, ele implorou para que sentasse no carro e fosse correr. Em boa hora encontrou, porque no resto do fim de semana... (depois conto noutro dia)

Quanto a Londoño, voltou para as Américas, correr na IMSA. Tempos depois, quando se retirou, soube-se da verdade: a sua carreira tinha sido financiada por, nada mais, nada menos, que... Pablo Escobar, o senhor da cocaína colombiano, e que, a certa altura dos anos 80, tentou destruir o estado colombiano porque não queria ser extraditado para os Estados Unidos e passar o resto dos seus dias numa SuperMax americana. Para além de ter sido bilionário transportando pó branco para as Americas, ele era um "petrolhead" e chegou a ser o dono de um Porsche 911 Turbo que tinha sido de Emerson Fittipaldi, e que participara numa edição da IROC. 

Londoño, na estrutura do Escobar, era um dos intermediários. Ele comprava os "brinquedos" para Escobar curtir: as lanchas, os automóveis rápidos, as casas, as mobilias... tudo. E claro, com a percentagem que ficava, também tinha alguns bens que chamavam a atenção das autoridades. No final do ano 2000, Londoño, dono de cerca de 10 milhões de dólares, só em imobiliário, foi apanhado pelas autoridades, que em troca de uma pena mais leve, viria a grande maioria das suas propriedades confiscadas. 

Contudo, depois de cumprir a pena, Londoño decidiu abrir um hotel, mas não perdeu as suas ligações mais obscuras com o narcotráfico. E apesar de Escobar ter acabado abatido pela policia, o exército e a DEA americana em dezembro de 1993, outros traficantes ficaram com o lugar, e claro, uns lutam contra os outros para o controlo das rotas do tráfico. A 18 de julho de 2009, Londono, então com 59 anos, estava em San Barnardo del Viento, com mais dois associados, quando caiu numa emboscada do qual não saiu vivo.  

sábado, 20 de setembro de 2025

A imagem do dia





No sábado, 20 de setembro, Juan Pablo Montoya tornou-se "cinquentão". O piloto colombiano, um dos mais velozes e mais excitantes do seu tempo, nas suas passagens pela Williams e McLaren, entre 2001 e 2006 - uma carreira notavelmente curta na Formula 1. Diz-se isso, comparado com a NASCAR e IndyCar, onde ganhou em 1999, empatado em pontos com Dario Franchitti, mas como tinha mais vitórias, ficou com o ceptro. 

Conhecido pela sua condução espetacular, encantando e ganhando muitos fãs, a sua inconsistência e a sua impaciência impediu que alcançasse o título na categoria máxima do automobilismo, especialmente em 2003, quando tinha tudo para poder bater Michael Schumacher na luta por esse título. Mas também foi nesse ano que ganhou nas ruas do Mónaco, ele que ganhou por duas ocasiões nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2000 e 2015 - a maior diferença de anos entre vitórias.

E hoje, falo sobre as 500 Milhas do ano 2000. E como isto levou a Chip Ganassi a trocar de lado.

Quem conhece a história, sabe que desde 1996 que acontecia uma cisão entre CART e a IRL. Se grande parte das equipas estavam na primeira, na segunda, eles tinham a corrida mais importante do ano: a Indy 500. É por causa disso que as grandes equipas de então - Chip Ganassi, Penske, Newman-Haas, entre outros - estavam na CART. 

Mas a Chip Ganassi decidiu tentar a sua sorte na série mais "pequena". Afinal de contas, eles tinham a melhor corrida. Que não diminuía o seu interesse, mesmo sem os principais pilotos. Ainda por cima, eles tinham o campeão de 1999, o colombiano Montoya. 

Ele era mesmo veloz: campeão da Formula 3000 em 1998, no ano seguinte, tinha triunfado na sua primeira temporada, apesar de ter igualado com Dário Franchitti no campeonato, ganhando porque tinha mais vitórias (sete contra três do escocês). 

A entrada da Chip Ganassi na Indy 500 foi bem recebida no pelotão da IRL, apesar de ser um "one-off". Montoya e Jimmy Vasser, campeão da CART em 1996, eram considerados entre os favoritos, numa edição com duas mulheres no pelotão: as americanas Lyn St. James e Sarah Fisher. Contudo, o "poleman" foi Greg Ray, relegando Montoya para o segundo lugar, enquanto Vasser foi sétimo. 

O dia da corrida foi bem comprido. Chovera durante boa parte do dia, e a pista estava molhada na hora em que a corrida deveria começar. Montoya e Vasser tinham estado, 24 horas antes, em Nazareth. para correrem pela CART, numa corrida que tinha sido adiada - deveria ter corrido em abril, mas foi adiada devido à queda de neve naquele final de semana. 

Quando Mari Hulman George deu a famosa ordem "Drivers, Start Your Engines!", eram duas da tarde, e pouco depois, a corrida começou. Ray liderou nas 27 primeiras voltas, com Montoya logo atrás, até ao momento em que ambos chegaram perto de um grupo de pilotos atrasados. Ray hesitou, mas Montoya não, e passou para a frente. Seis voltas depois, ele e Ray pararam nas boxes e a Chip Ganassi conseguiu fazer uma paragem mais rápida, mantendo o colombiano na liderança.

Sem bandeiras amarelas, a liderança aumentou para 21 segundos sobre o segundo, mostrando ter controlo da situação. Apenas na volta 66, quando Ray tocou o carro no muro da curva 2, por causa de um golpe de vento, é que houve as primeiras bandeiras amarelas da corrida.

O recomeço durou pouco tempo: nos primeiros metros, Lyn St. James bateu no muro da curva 1 e leva com ela a outra mulher-piloto, Sarah Fisher. Mas na frente, Montoya mantinha tudo sob controle, ao ponto de, por alturas do meio da corrida, ter cinco segundos de vantagem sobre Vasser. 

Duas bandeiras amarelas, nas voltas 143 e 158, este último por causa do acidente de Sam Hornish Jr., não intimidaram Montoya que, apesar de uma tentativa por parte de Buddy Lazier, manteve o comando da corrida. Apenas perdeu na volta 174, quando foi às boxes para o reabastecimento final, mas regressou cinco voltas depois, para ir até à meta como vencedor, numa das demonstrações de condução mais dominadoras da história da competição. Apesar de ter ganho com sete segundos de diferença sobre Lazier, ninguém teve dúvidas quem tinha sido o piloto daquela tarde no "Brickyard". 

Para além disso, aquele domínio da Chip Ganassi naquela tarde demonstrou o inicio de uma migração das principais equipas da CART para a IRL. Em 2001, ano em que Montoya se estreava na Formula 1 com algum estrondo, Penske e Green estavam presentes, e em 2004, com a falência da entidade que geria a CART, todos os que podiam, foram para a IRL para poderem correr na maior corrida de automobilismo da América, a par da Datyona 500.

Montoya iria regressar 14 anos depois ao Brickyard... para ganhar em 2015. 

Feliz Aniversário, Juan Pablo Montoya!

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Youtube Car Show Video: Top Gear Australia, episódio 2

Descobri neste final de semana que no outro lado do mundo, o Top Gear ressuscitou. 

Então, expliquemos: enquanto a BBC suspendia indefinidamente a versão original, por causa de um incidente com Freddie Flintoff, um dos apresentadores, em 2022, recentemente, na Austrália, depois de 12 anos de ausência, o Top Gear apareceu em maio com um novo trio de apresentadores, Blair Joscelyne, um dos apresentadores do canal do Youtube Mighty Car Mods - já vi alguns episódios e é fixe -  Beau Ryan, uma antiga estrela do rugby e apresentador do The Amazing Race Australia, e Jonathan LaPaglia, apresentador do Australian Survivor.

Até agora não se sabe muito bem como serão recebidos estes episódios, mas apareceu o segundo, onde os três cangurus foram à Colômbia para buscar café (é isso mesmo, não sejam maldosos) com carros locais: um jipe, um Dodge Dart e um Renault 4.

Parece ser engraçado. Um dos carros pega fogo e tudo!

Irei ver se consigo apanhar algum episódio mais antigo. Até lá, fiquem com este. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Youtube Motorsport Video: Quando Pablo Escobar... foi corredor

Toda a gente conhece-o de modo infame. Mas Pablo Escobar era também "petrolhead", e em meados da década de 70, quando começava o seu... negócio, ele investiu esse dinheiro no automobilismo, correndo algumas provas locais e chegou até a competir com um Porsche 911 ex-IROC.

O Josh Revell colocou hoje um video sobre a sua... carreira. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Rumor do Dia: Um Dakar na costa do Pacifico?

Ainda se arrumam as coisas no Dakar deste ano e já se fala de onde é que poderá acontecer a edição de 2017. Desde há alguns dias se fala que a edição do próximo ano (ou até de 2018) poderá ser um Dakar... pacifico. Não no sentido da "paz" no termos, mas sim porque vai acompanhar o Oceano Pacifico em toda a sua extensão, do sul até ao norte.

A ideia é que o Dakar possa começar em Santiago do Chile para subir a norte, até chegar à sua meta, que poderá ser Cartagena de Indias, na Colombia, com passagens pelo Peru, Bolivia, Equador e Colombia. Resta saber se a Argentina será ou não incluída no percurso, na zona de Salta, para aproveitar a altitude dos Andes e uma maior passagem pelo deserto do Atacama e pelas areias peruanas, antes de se embrenharem na selva, subindo cada vez mais acima na latitude.

Uma coisa é certa: as conversações existem e qualquer conclusão poderá acontecer a meio do ano. E Chile e Peru desejem o regresso da caravana aos seus territórios, depois de terem ficado de fora, alegando os estragos causados pelo "El Niño".

Veremos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

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Por estes dias, uma das séries de maior sucesso no Netflix é "Narcos", sobre Pablo Escobar, interpretado pelo brasileiro Wagner Moura. Para quem cresceu no final dos anos 80, como eu, sempre que ouvia algo sobre a Colômbia era que tinha cocaína e Pablo Escobar matava pessoas em catadupa, porque - isso eu não sabia - tinha declarado guerra ao governo local, que queria derrubá-lo para poder transformar o país num narco-estado. 


Escobar, como sabem, enriqueceu biliões com o tráfico de coca, ao ponto de poder comprar o país, caso quisesse. Ou caso não conseguisse comprar a pessoa, enchia-o de chumbo. "Plata o plomo". Mas decidiu também passar a aura de "Robin Hood", roubando aos ricos e dando aos pobres. Quando negociou a sua rendição às autoridades colombianas em 1991, ele acertou os seus termos: prisão domiciliária no seu rancho (chamado La Catedral), que tinha entre outras coisas... um zoo particular! E claro, ficar com todos os bens que tinha conseguido até então. Não ficou muito tempo: um ano depois, o estado queria retirar os seus bens e extraditá-lo para os Estados Unidos, mas ele voltou a fugir. E esteve em fuga até o exercito colombiano o matar, a 2 de dezembro de 1993, um dia depois de fazer 44 anos.

Este homem - que derrubou um avião só porque tinha ouvido que lá ia um candidato presidencial - controlava as suas operações em Medellin, a sua cidade natal e transformou o seu cartel no mais temido do país. Mas ele - chegou a ser senador! - também adorava desporto, mais concretamente a velocidade. Entre financiamentos ao clube local Atletico Nacional - que ganhou a Copa Libertadores de 1989 - também em meados dos anos 80 tinha adquirido alguns Porsches, entre eles um 935 de Grupo 5, e um dos 911 IROC, guiado por Emerson Fittipaldi em 1973. E chegou a participar em algumas corridas, como se pode ver nesta foto. Para amador, até se saiu relativamente bem.

Mas o automobilismo foi mais uma das suas muitas atividades numa vida veloz e curta, acabando como muitos dos seus rivais acabaram. Um final adequado para uma pessoa que enriqueceu, destruindo o seu pais pelo meio. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Extra-Campeonato II: Algumas impressões sobre esta seleção de sub-20


De sábado para domingo, fiquei até às cinco da manhã para ver futebol. Não era um jogo qualquer, era uma final de um Mundial de futebol da categoria sub-20, totalmente falada em português. Portugal vs Brasil. A final foi bem disputada, muito equilibrada (ao contrário de alguns "comentadores" brasucas que julgavam que ganhariam de goleada. Perderam uma oportunidade para estarem calados...) e foi a prolongamento. No final, venceu o Brasil, aproveitando o cansaço dos jogadores portugueses. Mas o contrário poderia ter acontecido e não teria sido injusto. Estou feliz pela trajetória destes sub-20, mas não sinto o orgulho bacoco que já li em alguns lados, porque pelo que vi do jogo, senti que tinhamos o pássaro na mão e deixamos voar.

Mas hoje eu quebro o silêncio sobre futebol para falar sobre o tratamento que eles têm agora e o que tinham antes de começarem esta trajetória, há quase mês e meio. Sendo um leitor diário de jornais deportivos, digo-vos isto: é como se fosse da noite para o dia. No inicio de julho, nenhuma televisão filmava os treinos desta seleção no Jamor e fazia matérias nos seus telejornais. Nem para os canais de noticias existentes... agora, quando chegarem a solo português, terão não só milhares de pessoas a aplaudirem-os no aeroporto, como também terão os canais de noticias a fazerem diretos atrás de diretos, depois de terem aberto telejornais com os seus feitos futebolisticos. Especialmente depois do jogo da meia-final.

Eis um exemplo: orgãos de comunicação social como o jornal "A Bola" seguiram esta equipa nacional desde a concentração - digo isto porque o jornalista que o acompanhou é meu amigo dos tempos da universidade - e em termos de televisão, a Eurosport acompanhou este mundial desde o primeiro jogo. A RTP, que deveria nos dar serviço público de televisão, decidiu acompanhar esta seleção... a partir dos oitavos de final. E passaram do oito ao oitenta: ontem, no jogo da final, tinham dois enviados-especiais, fizeram três diretos na hora do Telejornal e uma emissão especial que começou... duas horas e meia antes do jogo.

Bem dizia o comentador do Eurosport que "não apanhamos o comboio a meio". Se isto não é oportunismo, então não sei o que é.

De uma certa forma, é a mentalidade que existe, nos dois lados do Atlântico. Aqui há um respeito pela seleção, quem quer que seja, no Brasil, nem tanto, por causa daquela mentalidade de "o segundo classificado é o primeiro dos últimos". Leio frequentemente comentários de amigos meus em Terras de Vera Cruz que os chamam - não interessa o escalão - de "Selecinha" ou "SeleNike", que curiosamente é a mesma marca que veste a seleção portuguesa. Podemos ser agora vice-campeões do mundo de sub-20, mas não passa pela nossa cabeça chamamos a essa gente de "SeleNike"...

Mas por outro lado, podemos ver que os brasileiros aproveitam muito melhor os seus talentos do que nós. Eles fazem isso para os exportar para a Europa, que graças á famigerada "lei Bosman", abriu as comportas para que o talento puro e duro vindo da América do Sul possa permanecer nos clubes europeus, sem quaisquer restrições. São baratos, estão à mão e já deram provas, ao contrário dos portugueses ou outros europeus. Daí que no nosso caso, a quase esmagadora maioria dos nossos Sub-20 são suplentes nos seus clubes, emprestados na II Divisão ou até "exilados" no estrangeiro. O Danilo, aquele "bisonte" central desta seleção, o Benfica deixou escapar para o Parma, e provavelmente quando voltar a jogar num clube português, será por um clube rival. Quando acontecer - sim, tenho a certeza que vai acontecer - , vou chamar a esses responsáveis de "idiotas" até dizer chega.

Mas enfim, sejamos honestos: neste mês e meio, um pais inteiro descobriu uma equipa. Agora chamam-lhes "geração coragem", especialmente por causa do espirito de grupo e pelos feitos incriveis, especialmente o fato de terem chegado à final sem sofrer qualquer golo. No inicio de julho, só os especialistas, os que seguem atentamente o futebol é que sabiam quem era o Mika, o Danilo, o Sérgio Oliveira e o Nelson Oliveira, e pensavam que o Caetano era o pai, e não o filho, e julgavam que o Nuno Reis era um dos DJ's da Antena 3. Agora, descobrimos esta gente toda e a garantia de que a atual geração tem substitutos à altura. Desde que os clubes os acarinhem e não os exilem para o APOEL de Chipre...

Espero e desejo que a partir de agora, os clubes nacionais comecem a aproveitar os talentos dentro dos seus clubes, dando oportunidades para jogar no plantel principal e não os vão buscar à Colômbia, Argentina ou Brasil. Eu sei que é uma utopia, porque os "burros velhos não aprendem linguas novas", mas às vezes vale a pena sonhar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Vida e morte de Ricardo Londoño-Bridge

Se estivesse vivo, Ricardo Londoño-Bridge faria hoje 61 anos. O primeiro colombiano a tentar a sua sorte na Formula 1, cuja carreira era inversamente proporcional ao dinheiro que tinha em carteira, fora assassinado no mesmo dia do acidente mortal de Henry Surtees, em Brands Hatch. Creio até que eu devo ter sido dos primeiros a dar a noticia por aqui...

A carreira foi aparentemente modesta: começando tarde no estrangeiro, em 1978/79, andou pela Can-Am americana com resultados modestos, e em 1980 andou na Formula Aurora, a vertente britânica da Formula 1, ao volante de um Lotus 78, deu nas vistas por parte de Colin Bennett, que o chamou para ir correr num Ensign, no GP do Brasil de 1981, onde andou nos treinos de quinta-feira, mas a FISA lhe recusou passar uma Super-Licença, aparentemente por tinha colocado fora de pista o Fittipaldi de Keke Rosberg...

Mas houve males por bem, pois foram buscar Marc Surer, que tinha guiado o carro em Long Beach, e simplesmente fez a corrida da sua vida e da equipa, ao acabar em quarto lugar e fazer... a melhor volta da corrida.

E quanto a Londoño... nunca mais teve uma oportunidade destas e correu até 1985 em categorias como a Formula 2 europeia.

Contudo, este post não se trata tanto sobre a carreira de um homem com um apelido estranho, pois devidamente traduzido, chamar-se-ia "Ricardo Ponte de Londres", mas sim para falar sobre um artigo que li por alturas da sua morte, escrita por Mike Dodson no site Grand Prix. Casado com uma colombiana, Dodson veio a conhecer bem Londoño nos seus tempos da Formula Aurora, e um dia, algures em 2008, recebera uma chamada de alguém que de nada sabia desde há muito. E é o inicio de uma história tão fabulosa como assustadora...

"No ano passado, recebi um telefonema 'fora deste mundo'. Do outro lado da linha, falando da Colômbia, estava Ricardo Londono, um piloto de corridas com quem tinha feito amizade no início dos anos oitenta, num momento em que ele estava tentando obter uma posição na Formula 1. Eu tinha perdido o contato com Ricardo há muito tempo, mas da maneira como a conversa fluiu, parecia que nossa relação não tinha perdido absolutamente nada desde a última vez que nós tinhamos encontrado, em 1982.

Ele tinha obtido o meu número de telefone, por acaso, depois de conhecer o meu cunhado no aeródromo da cidade de Medellín, a segunda cidade da Colômbia, onde ele mantém o seu avião monomotor, e ele ficou muito feliz em saber que agora eu estava casado com uma mulher colombiana. Como ele me lembrou mais uma vez, este tinha sido o seu conselho para mim durante todos esses anos. Ele insistiu que da próxima vez que a morena e eu fossemos à Colômbia, ele seria o nosso anfitrião.

Então, na semana passada, a minha sogra diz-me que Ricardo Londono estava morto e que os pormenores do seu brutal assassinato tinham sido noticia em todas as TV's e jornais locais. Tinha sido uma história horrível. Estava a gozar um almoço com a sua familia e amigos num restaurante á beira da prara. Quando preparava-se para sair, um grupo de homens armados apareceu de repente e não pouparam mas balas. O tiroteio durou cinco minutos e Ricardo levou 12 balas no corpo, três delas na cabeça. Dois outros homens, que se acredito serem os seus guarda-costas, acararam também por morrer. A polícia local disse aos media que este assassinato fazia parte de um acerto de contas no seio do narcotráfico. Num país que ainda anda atormentado pela maldição das drogas, ninguém duvida que esse seja o motivo por detrás.

Para evitar quaisquer mal-entendido, vou colocar aqui alguns dados pessoais. Visitei a Colômbia três vezes, duas em negócios relacionados com o automobilismo e uma terceira vez em 2001, para conhecer a família da minha esposa, seis meses depois do meu casamento em Inglaterra. Coincidentemente, um dos meus melhores amigos que conheci através do automobilismo na Inglaterra (e que foi instrumental na apresentação à senhora Hack há dez anos) é uma figura proeminente na Colômbia, que tem ligações políticas a dois presidentes no seu país e atualmente atua como diplomata. Também acontece que tem uma relação familiar com Ricardo Londono.

Vamos chamar esse meu amigo de Bill. Nem ele, nem eu, nem ninguém em nossa família imediata, já esteve envolvido na venda de narcóticos. Nós deploramos o uso de drogas ilícitas. Na verdade eu nem fico particularmente feliz quando Bill acende um de seus amados charutos cubanos...

Isso não significa que nunca tivemos contatos com pessoas envolvidas no negócio da droga. A Colômbia é um país conturbado, mas democrático, onde vivem 30 milhões de pessoas, e cuja economia é distorcida pela exportação de cocaina, avaliada em muitos bilhões de dólares. No entanto, mesmo um estrangeiro como eu rapidamente adquire por ali um ar de um mafioso. Não vai cheirar particularmente mal, mas o povo topa à distânia esse tipo de pessoas, especialmente a falta de traquejo social e muitas vezes o seu péssimo gosto em roupas, jóias e carros. Mais obviamente, seus companheiros serão gajos temíveis, com pistolas enfiadas nas suas axilas.

Como um piloto de corridas e uma celebridade nacional, Ricardo Londono não podia evitar ser notado pelos narcotraficantes. Nascido em 1950, desde sua adolescência ele era um piloto temerário que correu no motocilcismo, automobilismo e até na motonautica. Ao longo do tempo, teve montes de acidentes e quebrou montes de ossos - mas sempre regressava. Sua inteligência afiada lhe rendeu o apelido de "Cuchilla", que se traduz aproximadamente como "Navalha".

O automobilismo colombiano é administrado pelas federações afiliadas na FIA, e há vários campeonatos importantes. Houve alguns bons pilotos colombianos, como nós sabemos, mas nas corridas locais há um certo ar de circo, e os pilotos talentosos tem que emigrar para encontrar sucesso e reconhecimento.

O grande erro que Ricardo fez na sua carreira foi a de ter permanecido na sua Colombia natal, onde a sua habilidade lhe rendeu muita fama. Somente quando Roberto Guerrero, oito anos mais novo que ele, começou a ter sucesso na Formula 3 britânica é que decidiu ir para a Inglaterra. No final da temporada de 1980, em Silverstone, ele chegou a dirigir um Lotus 78 numa da série Aurora. O carro, pertencente a um ex-mecânico da Lotus, Colin Bennett, já estava completamente cansado de tantas batalhas. Ricardo batru nos treinos quando um dos componentes do seu carro quebrou, mas andou sensacionalmente bem na corrida, partindo do 18º e chegando ao fim no sétimo posto.

O talento de Ricardo, e a possibilidade de ganhar algum dinheiro vindo da Colômbia, chamou a atenção do chefe da Ensign, Morris (Mo) Nunn, cuja equipe estará sempre no meu coração e para os quais eu trabalhei em todos os GPs. Morris sempre operou na corda bamba, e ele estava prestes a perder seu grande patrocinador, a Unipart. Não ia ser uma espécie de tie-up em 1981, com Colin Bennett, que foi, compreensivelmente, empurrando para o colombiano de 30 anos de idade. Assim, foi decidido, no início de 1981, que Ensign deve enviar uma expedição à Colômbia em busca de patrocínio. Esta festa consistia de forrageamento Morris Nunn, meu companheiro colombiano Bill e eu. Não, eu não sei por que quer. Talvez a presença de um jornalista adicionou um pouco de peso para a expedição. Porque eu estava de férias por alguns devido a minha revista, Motor - então carro mais vendido do Reino Unido semanal - Eu estava feliz em ajudar. Eu pedi nenhuma taxa, nem me aceitar um.

O plano geral, que eu me lembre, era concentrar a nossa caça - por falta de uma palavra melhor - às empresas ditas "legítimas". Como o Café de Colômbia, o conglomerado estadual exportador de café, já estava a bordo, começamos então com a Pasta Doria, um negócio à moda antiga, propriedade de católicos devotos, cujos produtos estavam disponíveis em todos os supermercados do país. Eles deram o suficiente para comprar uma vinheta pequena, apesar de algumas dúvidas pertinentes. Tão longe, mas legal. A parte difícil da viagem foi quando nós começamos a ser abordados por alguns "patronos" de Ricardo, menos legitimos e que não queriam ficar de fora deste processo de licitação.

Foi assim que conheci uma família conhecida do país, pai e dois filhos, cuja riqueza e influência pode ter sido gerado apenas por um profundo envolvimento no negócio de distribuição do produto que, aos olhos do mundo, lançou uma enorme sombra sobre a Colômbia. Era um convite que não se podia recusar. Fizemos uma viagem longa à fazenda da família, no litoral Atlântico do país. Para fazenda, tinha uma pista colossal capaz de suportar os maiores aviões de carga. Após uma breve conversa, durante os quais eu fiquei calado, sentamos para um delicioso almoço de patos selvagens, abatidos pessoalmente pelo nosso anfitrião. Eu não poderia deixar de perguntar a mim mesmo se tinha usado uma arma de cano 12 ou uma metralhadora Thomson...

Meus companheiros tiveram de voltar à Europa no mesmo dia, mas os nossos anfitriões insistiram que eu passasse a noite com eles, para que contasse as minhas histórias da Formula 1. O meu vôo para Miami foi "magicamente" re-agendado para que eu pudesse voar directamente da bela cidade costeira de Cartagena, cerca de 100 quilómetros a norte, e foi decidido que iria passar lá a noite, depois de um jantar na zona do porto. Os patrões fizeram-se à estrada nas suas motos, com suas damas na garupa e eu ia numa das suas pickups a acompanhá-los. Em intervalos de 10 km ou mais ao longo do caminho, havia barreiras policiais, projetados, segundo me disseram, para facilitar a captura de criminosos procurados. Cada vez que passamos por uma dessas barreiras, não podia deixar de notar que os policia paravam um autocarro ou um táxi e estavam muito ocupados para se preocuparem conosco.

Depois de superar a minha timidez inicial graças a alguns vinhos excelentes e boa comida, eu acabei num luxuoso iate no porto, mostrado os aposentos onde iria passar a noite, numa cabine com ar condicionado. Lá eu era deixado aos cuidados da tripulação, que não eram mais do que dez pessoas. Na manhã seguinte, um homem apareceu, num grande Mercedes, para me levar ao aeroporto. Enquanto os outros passageiros tiveram de fazer o check-in e falar com o departamento de imigração, eu fui levado diretamente para o avião que setava à espera, sem que me fizessem quaisquer perguntas.

A primeira corrida da temporada de 1981 foi em Long Beach, onde o suiço Marc Surer (talentoso mas sem dinheiro) estava dirigindo o unico Ensign presente. Ricardo foi com a equipa, mas não correu lá porque não lhe tinham passado a Super-Licença. Eu estava com meu amigo Chuck Jones, um americano que mais tarde colocaria algum dinheiro na Ensign, e uma noite, organizaram uma festa. Os vizinhos de Chuck, alguns dos quais tinham filhas bonitas, estavam lá, e eu apresentei uma delas a Ricardo. Ele a convidou para acompanhá-lo na próxima corrida, no Rio de Janeiro, e para seu deleite ela aceitou. Vários dias depois, partimos para o Brasil.

Como o circuito de Jacarepaguá não era usado pela Formula 1 há algum tempo, a FIA decidiu fazer uma sessão de aclimatação na quarta-feira antes da corrida. A idéia era que Ricardo conduzisse nessa sessão, a fim de mostrar aos observadores da federação uma idéia de sua competência. Ele mostrou talento ao volante de um Ensign pouco excelente, estabelecendo tempos respeitáveis por várias vezes e ultrapassando vários nomes consagrados. Talvez o seu comportamento na pista ainda era um pouco cru, ou ingénua, e Keke Rosberg, talvez porque não gostava da sua cara ou algo assim e decidiu fazer-lhe um "brake test", á primeira oportunidade, para testar os seus reflexos.

Assim o fez e apanhado de surpresa, Ricardo compreensivelmente falhou a travagem e bateu na traseira do Fittipaldi. Os observadores da FIA tomaram conhecimento do incidente, o resultado foi que Ricardo Londoño nunca teve a sua Superlicença. Surer assumiu o carro para o GP do Brasil e debaixo de uma chuva torrencial fez um trabalho sensacional, terminou em quarto lugar e garantou o seu lugar para o resto da temporada.

Implacável, Ricardo, finalmente fez o que deveria ter feito anos antes: resolveu correr na Europa. Contudo, já era tarde demais para fazer uma temporada repleta de F2, algo que sempre sugeri, mas conseguiu terminar em nono lugar no circuito de rua de Pau, um local notoriamente difícil, num dos carros da Alan Docking. Ele então apareceu em Pergusa, ainda acompanhado pela sua querida californiana. Contudo, ela conheceu o outro colombiano, Roberto Guerrero, e num flit romântico de meia-noite, ela mudou de hotel (e de afectos) para estar com ele. Ricardo jurou vingança e no dia da corrida, Roberto estava apavorado, pois estava convencido de que seu rival iria deliberadamente empurrá-lo para fora da pista.

Porém, tal não aconteceu e a história teve um final feliz. No final de 1982 - época em que Roberto se mudou para a Fórmula 1 - ele e Katie se casaram na casa dela, e eu fiu uma das suas testemunhas. Eles tiveram três filhos deliciosos e vivem felizes até aos dias de hoje, na californiana Orange County.

Ricardo nunca deixou grandes marcas na Europa. Em 1982, ele apareceu nos E.U.A., dirigindo um daqueles gigantescos F5000 baseados nos Lola Can-Am, e fui convidado para sua primeira corrida, em Sears Point, no norte de San Francisco. Agora já não era segredo de onde é que vinham os seus patrocínios, e eu fiquei nitidamente nervoso ao saber que uma meia dúzia dos seus "mecenas" tinham aparecido, em pessoa. Estávamos todos num Holiday Inn, e a sua diretora estava tão entusiasmada por ter tão exóticos convidados que pediu para tirar uma foto com eles. Após as fotos, ela casualmente (mas inocentemente) me informou que o seu marido era o xerife de Marin County. Achei melhor não passar tal informação aos meus convidados.

Algumas semanas mais tarde, uma revista americana de grande circulação publicou uma história sobre os criminosos mais procurados do mundo. Havia retratos de nove deles na capa, e três deles tinham ficado nesse Holiday Inn nesse fim de semana. Muitas vezes me pergunto se a directora desse hotel teve a oportunidade de falar de tal encontro com o seu marido.

Agora com 32 anos e abatido pela experiência brasileira, Ricardo decidiu voltar para casa. Acredito que ele tenha feito mais algumas corridas, mas nunca mais ouvi de nenhum resultado relevante. O que eu ouvi depois de ele pendurar o capacete e as luvas foi muito preocupante. Tinha montado um negócio de venda de importação de bens de consumo americanos, como barcos, aviões e helicópteros, para os maus da fita. Londoño deve ter lucrado imenso, porque no ano de 2000 os tribunais decidiram confiscar todos os seus bens, ao abrigo de uma lei destinada a reverter para o Estado todo e qualquer bem adqurido através dos lucros de qualquer atividade criminosa. Todas as propriedades de Londoño, avaliados em vários milhões de dólares, foram apreendidos a favor do Estado colombiano.

Quando Ricardo me telefonou no ano passado, eu só tinha ouvido essas noticias de forma muito vaga. Pelo que ouvia do outro lado da linha, não senti nemnhum tom de desanimo na sua voz e referiu sobre uma possivel viagem à Europa. Um tanto ingenuamente, convidei-o para permanecer na nossa casa em Inglaterra. Ele ficou muito contente em aceitar o convite, talvez porque ele deveria estar ficando cansado de ter que olhar em cada esquina antes que ele pudesse fazer uma simples caminhada. Vendo bem as coisas, o nosso pacato cantinho no Sussex não parece cenário para negócios de droga de milhões de dólares e assassinos contratados a cada esquina. Trata-se de uma visita que agora, já não acontecerá mais.

Ao longo da minha vida, fiz um monte de amigos graças ao automobilismo. Ricardo Londoño foi dos mais interessantes, e certamente o mais assustador. Tal como o irlandês Tommy Byrne, cuja biografia nos divertiu no ano passado, ele era inegável e excepcionalmente talentoso. Como Tommy, as circunstâncias de sua vida pesavam contra ele e seu talento foi tragicamente mal administrado. Irei especular até o fim da minha vida sobre o que é que teria acontecido naquela tarde de há 28 anos no Rio de Janeiro, se ele não tivesse vindo para cima de um finlandês truculento. Mesmo com todos os defeitos, ele era uma companhia alegre e um grande amigo. O tipo de homem com quem seria melhor ser seu amigo do que ser inimigo."

Fontes sobe a vida e carreira do piloto:

segunda-feira, 20 de julho de 2009

The End: Ricardo Londono-Bridge (1949-2009)

Li agora no Grand Prix: o ex-piloto colombiano Ricardo Londono-Bridge, conhecido por ter dado umas voltas no GP do Brasil de 1981, foi assassinado este Sábado aos 59 anos, em San Bernardo del Viento, na Colômbia, onde detinha um hotel. Londono foi morto quando regressava de um spa, juntamente com mais outras duas pessoas. Outras duas ficaram feridas no tiroteio. Exército e Policia montaram uma operação de caça ao homem para tentar capturar os criminosos, mas até agora não teve resultados.



Nascido a 8 de Agosto de 1949 em Medellin, na Colombia, começou a correr em motocross, para depois passar ao automobilismo. Em 1979 corre na americana IMSA, ao volante de um Porsche, para depois competir na Can-AM , ao voltante de um Lola. No final do ano dá um salto à Aurora Formula One Series, em Inglaterra, onde corre num Lotus.


No inicio de 1981, a Ensign contrata-o para correr no GP do Brasil. Dá-se bem nos primeiros treinos de aclimatização, mas após uma colisão com o Fittipaldi de Keke Rosberg, a então FISA não lhe concede a Superlicença, e Mo Nunn teve de recorrer aos serviços do suiço Marc Surer. Na corrida, Surer terminou na quarta posição e fez a volta mais rápida, o melhor resultado de sempre da equipa...


Essa foi a sua unica participação na Formula 1. Mais tarde correu na Formula 2 e na americana IMSA antes de se retirar da competição, em 1985. Voltou à Colombia e montou um negócio de imobiliário, mas em 2000, este foi-lhe confiscado pelo governo colombiano, alegadamente por este ter sido montado com o dinheiro dos cartéis da droga.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Noticias: Juan Pablo Montoya recusa voltar à Formula 1

Ainda se lembram de Juan Pablo Montoya? O colombiano, agora com 33 anos, que ganhou a CART no seu ano de "Rookie", em 1999, e as 500 Milhas de Indianápolis em 2000, também no seu primeiro ano? E que não sabemos nada sobre ele, depois da sua intempestiva retirada da McLaren em 2006, rumando para a NASCAR? Pois bem, aparentemente, algumas equipas de Formula 1 procuraram-no no sentido de saber se gostaria de voltar à categoria máxima. Só que ele recusou todos esses convites... por agora.


"Ainda me procuram, porém, eu recusei as ofertas e quando me pedem pelo número de telefone, digo que se sobre um 'retorno' para a Formula 1, que não me incomodem porque não estou interessado", referiu o piloto colombianoventrevistado pela agência espanhola EFE, e cuja declaração podem vê-la no Blog da Formula Indy, do Paulo Maeda.


Além de ter perdido o "encanto" pelo mundo da Formula 1, Montoya disse que sua família também não é a favor de um regresso à Europa. "Estou muito feliz na NASCAR. E minha família está bem nos Estados Unidos. Para ser bem honesto, nem passa pela minha cabeça voltar para a Fórmula 1. E mesmo que a McLaren ou a Ferrari me convidarem agora".


Montoya acredita em sua evolução na NASCAR e que, em breve, conquistará a primeira vitória. "Aqueles que conhecem melhor a NASCAR dizem que estou fazendo boas coisas. Sei que é uma categoria difícil de entender. Mas, quando começar a vencer corridas os críticos de minha saída da Formula 1 começaram a aprender sobre a série e acompanhar melhor", concluiu.


Meu caro, eu pergunto: é que queria uma personagem como você, cuja passagem pela categoria máxima fez mais mal do que bem, que destila arrogância, e ainda é gozado pelos seus ex-pares? Ainda por cima, tem engordado a uma velocidade visivel, naquela categoriazinha como a NASCAR, do qual não tem conseguido grandes feitos, tirando um pódio ou outro. Portanto, por mim, o Montoya não faz falta, e que seja feliz nessa categoriazinha ovalada, feita para americano ver. Agora, a unica coisa do qual elogio é a mulher, um verdadeiro avião...

domingo, 16 de novembro de 2008

O piloto do dia - Roberto Guerrero

Muito antes de Juan Pablo Montoya, a Colombia teve um piloto que fugiu um pouco do eixo Brasil-Argentina, em termos de pilotos a competir no automobilismo internacional. Admirado pela sua velocidade, que lhe deu vitórias nas categorias inferiores, quando chegou à Formula 1, não teve muita sorte nas equipas por onde andou, e virou-se para o outro lado do Atlântico. Quando lá chegou, deu-se nas vistas, quer pela sua rapidez e vitórias, quer pelos seus acidentes. Uns embaraçosos, outros mais graves, tendo o mais grave deles colocado-o em coma durante 17 dias. No dia em que faz 50 anos, hoje recordo Roberto Guerrero.



Roberto Guerrero Isaza nasceu a 16 de Novembro de 1958 em Medelín, filho de um ciclista muito popular no seu país, e que participou nos Jogos Olimpicos. Aos 10 anos, começou a correr num kart construido pelo seu pai, e cedo ficou apanhado pelo bichinho da velocidade. Em 1972, com 14 anos, começa a participar em campeonatos locais e até 1975, torna-se bi-campeão nacional e acaba em terceiro lugar no Pan-Americano de 1975. Dois anos mais tarde, aos 19 anos, sai da Colombia e vai para a Inglaterra, mais concretamente para a famosa Jim Russell School. Aí, ganha cinco das seis corridas desse campeonato, e no ano seguinte, parte para a Formula Ford 1600, onde termina na quinta posição do campeonato, vencendo oito corridas.



Em 1979, passa para a Formula 3, onde corre com um chassis Argo, que não lhe dá mais do que 15 pontos e o nono lugar da geral. No ano seguinte, ganha mais experiência na Formula 3, com o mesmo chassis, e vence cinco corridas, terminando no segundo lugar da geral, empatado com o britânico Kenny Acheson. Contudo, ambos tinham perdido o campeonato para o sueco Stefan Johansson, que por essa altura, já tinha tido alguma experiência de Formula 1, ao volante da falida Shadow.



Os bons resultados na Formula 3 nesse ano valeram-lhe um primeiro teste de Formula 1, a bordo de um McLaren - Cosworth, num teste feito em conjunto com o belga Thierry Boutsen. Mas em 1981, decide correr na Formula 2, com um chassis Maurer, projectado pelo austriaco Gustav Brunner, e tinha como companheiro o inglês Geoff Lees. Nesse ano, venceu uma corrida, em Thruxton, batendo o italiano Riccardo Paletti e o venezuelano Johnny Ceccoto. Contudo, essa foi a sua unica vitória do ano, e acabou a temporada no sétimo lugar da geral.



Este bom resultado no seu primeiro ano de Formula 2 tinha causado muitas expectativas para a temporada seguinte, mas Morris (Mo) Nunn ficou interessado no piloto colombiano, e ofereceu-lhe um lugar irrecusável na Formula 1. Guerrero aceitou, mas a sua carreira na Formula 1 iria ser tudo, menos radiosa. A Ensign debatia-se com problemas financeiros, e tinha inscrito somente um carro para a temporada de 1982. Não tinha participado na prova inicial, em Kyalami, devido a complicações relacionadas com a libertação do contrato com a Maurer. e só começou a competir na etapa seguinte, em Jacarépaguá. Apesar do esforço, não conseguiu qualificar-se por meio segundo. Na etapa seguinte, foi melhor, ao levar o carro para a 19ª posição da grelha, mas a corrida acabou na 29ª volta, quando bateu no muro e desistiu.


Falhou a jornada de San Marino, onde as equipas inglesas boicotaram a prova, e somente 14 carros alinharam para a corrida. Nâo teve melhor sorte em Zolder e em Monte Carlo, e para piorar as coisas, a Avon, fornecedora de pneus para a Ensign e Theodore, decidira subitamente retirar-se da competição. Contudo, as coisas resolveram-se, com a equipa a assinar um contrato com a Pirelli. Na primeira corrida com os novos pneus, em Detroit, Guerrero foi 11º, e ia bem na corrida, quando o Lotus de Elio de Angelis decidiu colocá-lo fora da corrida, na sexta volta. Pouco depois, em Brands Hatch, Guerrero consegue o seu melhor resultado do ano: um oitavo lugar.



Mas nessa altura, a equipa estava nas últimas. Sem dinheiro para mais, Guerrero ficou de fora no último GP da temporada, em Las Vegas, quando o seu motor Cosworth rebentou no "warm up", isto depois de ter conseguido o 15º lugar na qualificação. No final do ano, Nunn e Teddy Yip, o dono da Theodore, juntaram as suas equipas e decidiram competir no campeonato de 1983, o primeiro da era Turbo. A Theodore iria participar com dois carros, um para Guerrero, e outra para o venezuelano, ex-campeão de motociclismo, e seu rival na Formula 2, Johnny Ceccoto.



A temporada começou bem, no Brasil, onde Guerrero foi 14º na grelha, mas a sua corrida foi penosa, terminando dez voltas atrás do vencedor, não se classificando. Na corrida seguinte, em Long Beach, partia no fundo da grelha, perto dos McLaren de john Watson e de Niki Lauda. Perto dele estava Ceccoto. Na corrida, o colombiano ia atrás dos McLaren, sem os perder de vista, e tudo parecia que iria dar bem, quando na volta 29, problemas na caixa de velocidades ditavam o seu abandono. Provavelmente, iria ser a sua melhor chance de pontuar na Formula 1, pois Watson e Lauda fizeram dobradinha, e Ceccoto acabou-a na sexta posição, dando o primeiro ponto à Theodore...



Ao longo da temporada, Guerrero conseguia ser mais rápido que Ceccoto, principalmente nos treinos, mas na corrida, os vários problemas com o seu carro o impediam de chegar ao fim. O seu melhor resultado foi o 12º lugar, nas corridas de Zandvoort e Brands Hatch. Essa seria a sua última corrida da Theodore, e a sua última na Formula 1, sem conseguir qualquer ponto.



A sua carreira na Formula 1: 29 Grandes Prémios, em duas temporadas (1982-83) zero pontos.


No inicio de 1984, decide ir para os Estados Unidos e participar no florescente campeonato CART. Vai para a Bingotti-Cotter, num chassis March, terminou na 11ª posição, com 54 pontos, e foi o "Rookie do Ano" e o "Rookie das 500 Milhas", depois de ter terminado em segundo lugar nessa corrida, atrás do vencedor, Rick Mears. A sua prestação era a melhor de um novato desde a vitória de Graham Hill, em 1966.



No ano seguinte, continua na equipa, mas as boas prestações nos treinos, principalmente nos circuitos de rua, não se correspondem em corrida. no final da temporada, só ficou na 17ª posição do campeonato, e acabou em terceiro nas 500 Milhas de indianápolis. Em 1986, a equipa melhor consideravelmente, e faz a sua primeira pole-position em Miami. Domina a corrida, mas fica sem gasolina perto do fim, entregando a vitória de bandeja para Al Unser Jr. No final dessa temporada, com um quarto lugar nas 500 Milhas, foi nono na geral.



Em 1987, muda-se para a Granatelli, que usava também um conjunto March - Cosworth, e torna-se num sério candidato ao título. Em Long Beach, é segundo, e na corrida seguinte, em Phoenix, depois de ter feito a pole-position, e dos técnicos da organização terem descoberto que o carro estava abaixo do peso mínimo, relegando-o para o último lugar, faz uma corrida de recuperação até ao primeiro lugar, ganhando a sua primeira corrida no campeonato. Em Indianápolis, é um dos favoritos à vitória, e antes da sua última paragem, ia isolado na frente, bastando controlar os seus adversários. Contudo, na última paragem, um problema de embreagem, o fez perder a liderança (e a vitória) para Al Unser Sr., ficando de novo no segundo lugar, igualando o seu resultado de 1984.


Depois disto, volta a vencer, em Mid-Ohio, e tudo indicava que estava a caminho da sua melhor temporada de sempre quando o pior aconteceu. Num teste na oval de Indianápolis, o seu carro perde o controlo na Curva 2, e uma das suas rodas o atinge em cheio na cabeça, colocando-o entre a vida e a morte, durante 17 dias. A sua temporada estava acabada, e muitos colocavam em dúvida se ele alguma vez voltaria a entrar dentro de um carro de competição.



Contudo, ele recuperou, mas não era mais o mesmo. As suas boas performances, como o segundo lugar em Phoenix, contrastavam com péssimas qualificações, onde falhava até a entrada na grelha definitiva, em Milwaukee. No final de 1988, foi 12º da geral, com 40 pontos, e em 1989, muda de equipa, para a Morales motorsports, com motor Alfa Romeo. Tal coisa se revelou um desastre: só conseguiu como melhor um oitavo lugar, e seis pontos no campeonato. As coisas melhoraram um pouco em 1990, ainda com o motor Alfa Romeo da Patrick Motorsports, mas a meio do ano, a equipa largou o motor Alfa e passou para o mais convencional Cosworth, e as coisas melhoraram um pouco. Conseguiu 24 pontos e o 16º lugar na geral.


A sua carreira descendente parecia ser imparável, até às 500 Milhas de 1992. Numa qualificação complicada, onde aconteceram acidentes graves (Piquet) e mortais (o filipino Jovy Marcelo), Guerrero fez aquela que era então a qualificação mais rápida de sempre: 232.482 milhas por hora (374.133 kmh). Era o melhor regresso que se podia imaginar, agora que ele era cidadão americano (naturalizara-se três anos antes). Contudo, no dia da corrida, o tempo era frio (uma das corridas mais frias da história) e isso fazia com que os carros perdessem aderência, devido à demora em aquecer os pneus. Guerrero foi a primeira vítima desse fenómeno: na volta de aquecimento, à saída da curva 2, acelerou o seu carro demasiado forte, e perde o controlo do seu carro, batendo no muro interior. "Pensava que era um pesadelo, mas eu nunca mais acordava", afirmou mais tarde. Guerrero tornava-se no terceiro piloto ha história da Indy 500 a bater na volta de apresentação, partindo do primeiro lugar da grelha!



Essa foi a última vez que Guerrero esteve na ribalta. De 1993 até 1996, esteve em equipas sem expressão, e quanto nesse ano, a CART e a IRL se cindem, o colombiano-americano decide ir para a nova série, onde volta a destacar-se. Foi quarto na primeira temporada, e sétimo na segunda, em 1997, mas com o tempo, pilotos mais experientes juntavam-se à nova série, e Guerrero, que nunca tinha ganho nenhuma corrida, ficava cada vez mais no fundo da grelha. Sem resultados de relevo, excluindo um quinto lugar nas 500 Milhas de Indianápolis de 1997, Guerrero retira-se na IRL em 2000.



Tenta a sua sorte na NASCAR, mas sem grandes resultados. Volta à IRL para participar nas 500 Milhas de 2001, mas falha a qualificação. Assim sendo, encerra definitivamente a sua carreira, e vai viver para Orange County, na California, com a sua mulher Katie, e os seus três filhos. Quando certo dia lhe perguntaram se teve azar na sua carreira, Guerrero respondeu com a sua simpatia de sempre. “Não acredito em má sorte. Você faz sua própria sorte. Sou saudável, fiz o que gostava... isso é azar?"


Fontes:

Noticias: Acidente deixa piloto de Formula 3 em coma

O piloto colombiano Steven Guerrero sofreu esta sexta-feira um grave acidente de viação na sua terra natal, e está em coma devido às lesões sofridas na cabeça.

Guerrero, de 19 anos, estava na sua terra natal, El Guamo, para participar num evento local de karting, quando colidiu com um camião, sofrendo feridas graves na sua perna direita e na cabeça. Apesar dos vários exames neurológicos feitos, os médicos ainda não determinaram se ele sofreu alguma lesão permanente.

O piloto colombiano (que não tem qualquer relação de parentesco com Roberto Guerrero) tinha acabado de participar na sua primeira temporada na formula 3 britânica, onde acabara no segundo lugar na classe Championship, onde se corre nos chassis mais antigos. Nesta temporada, tinha ganho duas corridas, em Thruxton e em Brands Hatch. Antes disso, participara durante duas temporadas na Formula BMW North America.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Extra-Campeonato: A América do Sul à beira da guerra

Em menos de 48 horas, os acontecimentos no canto ocidental da América do Sul precipitaram-se, fazendo com que agora se tema uma guerra entre Venezuela e Colombia, e sabe-se lá que mais...

Tudo começou este Sábado, quando o "numero dois" das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), "Raul Reyes" (nome verdadeiro: Luis Edgar Devia Silva), foi abatido por elementos do exército colombiano, próximo da fronteira com o Equador. Aliás, o exército equatoriano já disse que a acção ocorreu dentro do território equatoriano, e que os guerrilheiros foram surpreendidos enquanto dormiam. Oficialmente, o exército colombiano diz que os combates ocorreram dentro das fronteiras, e que Reyes foi abatido no fogo cruzado.


Hugo Chavez, que nunca moreu de amores pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe (o maior aliado dos Estados Unidos da região, pois combate o narcotráfico, do qual a guerrilha é financiada), decidiu hoje no seu "Alô, Presidente", cortar relações diplomáticas com a Colômbia, retirando o pessoal dilpomático da sua embaixada em Bogotá, e ordenou o deslocamento de dez batalhões do Exército para a fronteira com a Colômbia.


«Nós não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império americano e seu filhote o presidente Uribe e a oligarquia colombiana venha nos dividir, debilitar», expressou Chávez, defendendo o que chama de «socialismo do século XXI».


Se dúvidas existisse, hoje ficaram esclarecidas: Chavez não é parvo, é perigoso. Tudo bem que a acção colombiana não é lá muito legal, mas o facto dos guerrilheiros das FARC estarem em território estrangeiro, ainda por cima cujo presidente é outro pró-chavista (Rafael Correa) é um bocado procurar sarna para se coçar... e eis as primeiras consequências.


Contudo, Hugo Chavez não é parvo de todo. Usou a sua influência junto das FARC para libertar os reféns que a guerrilha colombiana detêm há anos. Tentou até agora convencer Reyes e Manuel "Tirofijo" Marulanda (o numero um da guerrilha) a libertar Ingrid Bettancourt, ex-candidata presidencial e cativa desde 2002. Uribe tentou sempre dificultar estes esforços humanitários, pois o seu interesse é dar cabo das FARC, e tentou também libertar os reféns à força. Nem sempre isso dá resultado.


Só que tudo isso vai agora por terra. E no dia (espero que não) em que começarem a bombardear Bogotá, Cartagena, Caracas e Maracaibo, esquece-se Bettancourt e começamos a contar quantos países é que se envolvem nesta guerra... ou vocês julgam que Equador, Estados Unidos, Cuba e Bolivia vão estar quietos? Uma grande tempestade desenha-se no horizonte...