Enfim, vejam e tirem as vossas conclusões. Até mais!
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Troféu Blogueiros - As notas do Japão
Francois Cevért e a vidente
"A morte está prevista em todos os nossos contratos."
Albert Francois Cevért Goldenberg, 1944-1973.
Um ano após a sua morte, em 1974, é publicada uma biografia do piloto cujo título tinha a ver com a frase acima referida: "Contrato com a Morte". Nesse livro, está a história que conto a seguir, e provavelmente muitos de vocês sabem. Ela é contada por uma namorada de Francois de longa data: Anne Van Malderen, tratada carinhosamente por 'Nanou'. Bonita e extrovertida, conheceu Cevert em 1964, na estância balnear de St.Tropez, quando ele tinha 20 anos de idade. Nessa altura, tinha 25 anos e era casada, o que complicou um pouco as coisas de inicio, mas logo depois, Nanou e Francois formaram um forte laço que duraria o resto da sua vida. Mas quando ambos se conheceram, ela sabia que isto iria acontecer.
“Em 1959, fui com a minha mãe visitar com uma vidente que lhe tinha sido recomendada. Essa mulher vivia numa casa simples, nada em sua forma ou decoração fazia crer que havia um elo com o ‘outro mundo’. Ela não lia cartas, nem tinha bola de cristal. O seu método era simplesmente olhar para você durante um longo período de tempo ou então estudava uma fotografia, quando alguém lhe trazia uma. E então ela concentrava-se, num silêncio total.
Nessa altura tinha 20 anos, e tinha somente ido ali para acompanhar a minha mãe. Naqueles dias eu era completamente céptica em relação a esse tipo de previsões sobre um possível futuro. Subitamente, a vidente reparou em mim e fixou-me com os seus olhos. "Preciso falar consigo", ela disse. Surpresa, segui-a até o quarto.
"O seu casamento não vai durar. Você irá encontrar um jovem que deixará marcas profundas na sua vida. Você vai ser profundamente feliz... posso ver os olhos azuis dele... posso ver o mar... vocês vão se encontrar perto do mar". Tinha acabado de me casar, então isso deixou pensativa por algum tempo. Com o tempo, acabei esquecendo a visita. Cinco anos mais tarde, em 1964, conheci François Cevert em St.Tropez, perto do mar.
Dois anos mais tarde, quando François decidiu tentar o Shell Scholarship (competição cujo vencedor teria um volante na Formula 3), senti necessidade de voltar à casa da vidente para saber o que o destino havia reservado para nós dois. Quando cheguei, não disse uma palavra sobre ele. Apenas lhe entreguei uma fotografia. Ela permaneceu em silêncio por aproximadamente uma hora. E nada disse.
- "Você já veio aqui antes", disse, para logo a seguir afirmar: "Você já o encontrou! Que estranho, a foto dele está toda embaralhada nesta máquina estranha - tem rodas, mas não corpo - o que poderia ser?"
- "É um carro de corridas", disse. "Quer ser piloto".
- "Ele vai fazer um tipo de teste, no qual vencerá facilmente. Vejo uma brilhante carreira à sua frente..." Ela parou, olhou para mim e disse: "Você vai ser muito feliz, mas não vai conseguir segurá-lo, pois o sucesso dele se meterá entre vocês".
Outro silêncio, e ela continua:
- "Preciso lhe dizer uma última coisa... Este jovem não viverá para comemorar os seus 30 anos".
Havia um calendário na parede. Até o dia da minha morte jamais esquecerei do dia em que lá fui: 29 de Junho de 1966.
Quando mais tarde encontrei François, confesso que foi com um sorriso amarelo. Logo a seguir contei: "Fui a uma vidente. Ela disse que você vai vencer o Shell Scholarship". Isso lhe deu segurança. Ele estava ansioso, pois só decidimos fazer a inscrição na escola de pilotagem em Magny-Cours e ele já tinha mais que certeza que estava preparado para o teste.
Depois, afirmei-lhe o seguinte:
- "Ela também disse que sua carreira seria brilhante, mas que acabará por nos separar".
- "Separar-nos? Essa sua vidente é louca. Seja como for, esse tipo de coisas não passam de conversa da treta. Vou vê-la pessoalmente e aposto contigo como vai prever um futuro completamente diferente do teu".
Cerca de dois meses mais tarde, ele foi vê-la. Quando voltou, perguntou: "Você ligou para ela?"
-"Ligar para ela para quê?", respondi.
-"É que o que ela previu para mim foi exactamente aquilo que tu me disseste", afirmou.
De repente fiquei com medo. "Isso não significa nada, ela provavelmente te reconheceu. Eu mostrei-lhe uma foto sua..."
- "Ela também te disse que eu não chegaria aos 30?"
- "François, isso é treta! Essas velhinhas falam pelos cotovelos, como pode alguém prever o futuro?"
- "Então ela disse isso para você também?"
E então olhou para mim e sorriu: "Que importa? Até lá, já terei sido campeão do mundo. Desaparecer no auge da fama... que morte gloriosa!". Ele tomou-me nos seus braços e beijou.”
O resto da história é conhecido de todos nós: chegado à Formula 1 em 1970, após a retirada súbita de Johnny Servoz-Gavin, François Cevert correu na Tyrrell durante as três temporadas seguintes, onde venceu por uma vez, o GP dos Estados Unidos de 1971. A 6 de Outubro de 1973, durante os treinos para o GP dos EUA, o carro de Cevért despistou-se contra um guard-rail, tendo morte imediata. Era o último GP que faria antes de comemorar o seu 30º aniversário natalicio.
Algum tempo após a morte de Cévert, Nanou decidiu, após algumas discussões com a família de François, revisitar a vidente, nessa altura já era uma mulher idosa. Novamente, entregou a foto dele, desta vez de quando era criança, para que não pudesse reconhecê-lo. A vidente olhou para a foto, fechou os olhos e imergiu em profundo silêncio. Quando abre os olhos, olha para Nanou e diz: "Está morto".
“Em 1959, fui com a minha mãe visitar com uma vidente que lhe tinha sido recomendada. Essa mulher vivia numa casa simples, nada em sua forma ou decoração fazia crer que havia um elo com o ‘outro mundo’. Ela não lia cartas, nem tinha bola de cristal. O seu método era simplesmente olhar para você durante um longo período de tempo ou então estudava uma fotografia, quando alguém lhe trazia uma. E então ela concentrava-se, num silêncio total.
Nessa altura tinha 20 anos, e tinha somente ido ali para acompanhar a minha mãe. Naqueles dias eu era completamente céptica em relação a esse tipo de previsões sobre um possível futuro. Subitamente, a vidente reparou em mim e fixou-me com os seus olhos. "Preciso falar consigo", ela disse. Surpresa, segui-a até o quarto.
"O seu casamento não vai durar. Você irá encontrar um jovem que deixará marcas profundas na sua vida. Você vai ser profundamente feliz... posso ver os olhos azuis dele... posso ver o mar... vocês vão se encontrar perto do mar". Tinha acabado de me casar, então isso deixou pensativa por algum tempo. Com o tempo, acabei esquecendo a visita. Cinco anos mais tarde, em 1964, conheci François Cevert em St.Tropez, perto do mar.
Dois anos mais tarde, quando François decidiu tentar o Shell Scholarship (competição cujo vencedor teria um volante na Formula 3), senti necessidade de voltar à casa da vidente para saber o que o destino havia reservado para nós dois. Quando cheguei, não disse uma palavra sobre ele. Apenas lhe entreguei uma fotografia. Ela permaneceu em silêncio por aproximadamente uma hora. E nada disse.
- "Você já veio aqui antes", disse, para logo a seguir afirmar: "Você já o encontrou! Que estranho, a foto dele está toda embaralhada nesta máquina estranha - tem rodas, mas não corpo - o que poderia ser?"
- "É um carro de corridas", disse. "Quer ser piloto".
- "Ele vai fazer um tipo de teste, no qual vencerá facilmente. Vejo uma brilhante carreira à sua frente..." Ela parou, olhou para mim e disse: "Você vai ser muito feliz, mas não vai conseguir segurá-lo, pois o sucesso dele se meterá entre vocês".Outro silêncio, e ela continua:
- "Preciso lhe dizer uma última coisa... Este jovem não viverá para comemorar os seus 30 anos".
Havia um calendário na parede. Até o dia da minha morte jamais esquecerei do dia em que lá fui: 29 de Junho de 1966.
Quando mais tarde encontrei François, confesso que foi com um sorriso amarelo. Logo a seguir contei: "Fui a uma vidente. Ela disse que você vai vencer o Shell Scholarship". Isso lhe deu segurança. Ele estava ansioso, pois só decidimos fazer a inscrição na escola de pilotagem em Magny-Cours e ele já tinha mais que certeza que estava preparado para o teste.
Depois, afirmei-lhe o seguinte:
- "Ela também disse que sua carreira seria brilhante, mas que acabará por nos separar".- "Separar-nos? Essa sua vidente é louca. Seja como for, esse tipo de coisas não passam de conversa da treta. Vou vê-la pessoalmente e aposto contigo como vai prever um futuro completamente diferente do teu".
Cerca de dois meses mais tarde, ele foi vê-la. Quando voltou, perguntou: "Você ligou para ela?"
-"Ligar para ela para quê?", respondi.
-"É que o que ela previu para mim foi exactamente aquilo que tu me disseste", afirmou.
De repente fiquei com medo. "Isso não significa nada, ela provavelmente te reconheceu. Eu mostrei-lhe uma foto sua..."
- "Ela também te disse que eu não chegaria aos 30?"
- "François, isso é treta! Essas velhinhas falam pelos cotovelos, como pode alguém prever o futuro?"
- "Então ela disse isso para você também?"
E então olhou para mim e sorriu: "Que importa? Até lá, já terei sido campeão do mundo. Desaparecer no auge da fama... que morte gloriosa!". Ele tomou-me nos seus braços e beijou.”
O resto da história é conhecido de todos nós: chegado à Formula 1 em 1970, após a retirada súbita de Johnny Servoz-Gavin, François Cevert correu na Tyrrell durante as três temporadas seguintes, onde venceu por uma vez, o GP dos Estados Unidos de 1971. A 6 de Outubro de 1973, durante os treinos para o GP dos EUA, o carro de Cevért despistou-se contra um guard-rail, tendo morte imediata. Era o último GP que faria antes de comemorar o seu 30º aniversário natalicio.Algum tempo após a morte de Cévert, Nanou decidiu, após algumas discussões com a família de François, revisitar a vidente, nessa altura já era uma mulher idosa. Novamente, entregou a foto dele, desta vez de quando era criança, para que não pudesse reconhecê-lo. A vidente olhou para a foto, fechou os olhos e imergiu em profundo silêncio. Quando abre os olhos, olha para Nanou e diz: "Está morto".
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O bicampeonato de Emerson Fittipaldi - 35 anos depois
À hora que escrevo isto, a Europa já vive a Terça-feira, 6 de Outubro. E hoje faz 35 anos sobre a conquista do bicampeonato do mundo por parte de Emerson Fittipaldi, no circuito americano de Watkins Glen.Para quem está a acompanhar os posts que coloco sobre a temporada de 1974, tem notado que este foi um campeonato renhido entre Fittipaldi, os Ferrari de Clay Regazzoni e um jovem austriaco chamado Niki Lauda, e o Tyrrell de Jody Scheckter, que carregava o bastão passado por Jackie Stewart no final do ano anterior, quando se retirou da competição. Fittipaldi venceu somente três corridas (Brasil, Belgica e Canadá), numa temporada equilibrada. Beneficiou também do facto de ter uma excelente máquina entre mãos, o modelo M23, estreado no ano anterior, às mãos de Peter Revson e Dennis Hulme.
O seu estilo de pista, veloz mas calculista, provara ser o ideal, pois a sua juventude (tinha 27 anos na altura) chocava, por exemplo, com a veterania que os 35 anos de Clay Regazzoni mostravam, ou a inexperiência que Niki Lauda, então na sua terceira temporada completa, e Jody Scheckter (tirando cinco corridas em 1972 e 73, Scheckter era um "rookie") demonstravam, e lhes custou algumas corridas. Mas Lauda e Scheckter davam sinais de crescimento, e se o tempo lhes permitisse, seriam campeões.Pensava-se que o grande rival de Fittipaldi fosse Ronnie Peterson, seu ex-companheiro na Lotus. Mas o Lotus 72 já dava sinais de desgaste, e o seu sucessor, o modelo 76, revelou-se um fracasso. Mesmo assim, Peterson venceu três corridas: Mónaco, França e Itália. Tantas corridas quantas Fittipaldi, mas o brasileiro tinha sido mais regular.
Com o bicampeonato, conquistado no mesmo dia que o seu compatriota e amigo José Carlos Pace comemorava o seu 30º aniversário natalicio, Fittipaldi atingia o auge da sua carreira automobilistica, e julgava-se que mais conquistas estariam para vir. Mas um ano depois, terminando mais um campeonato onde tinha sido batido pelo Ferrari de Niki Lauda, iria partir da McLaren rumo à maior aventura de todas: ajudar o seu irmão Wilson Fittipaldi no projecto Copersucar de Formula 1.
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O piloto do dia - Helmuth Koinigg
Há 35 anos atrás, as comemorações do bicampeonato por parte de Emerson Fittipaldi, no circuito americano de Watkins Glen, foram ensombradas pelo acidente mortal de um jovem piloto austríaco, que tentava seguir os passos de Jochen Rindt e de Niki Lauda, outro piloto em ascensão nessa altura. Hemuth Koinigg, o piloto que veio a morrer nesse dia, fazia apenas a sua terceira corrida, mas já tinha demonstrado algum talento naquela que tinha sido a sua temporada de estreia na Formula 1. Hoje falo da carreira competitiva que teve, antes de ser brutalmente interrompida há 35 anos.Nascido a 6 de Novembro de 1948 em Viena, Koinigg teve uma infância confortável, e foi um dos muitos que se apaixonaram pelo automobilismo quando Jochen Rindt chegou à Formula 1. Assim sendo, comprou um Mini Cooper S pertencente a outro jovem aspirante ao automobilismo chamado Niki Lauda, mas os seus constantes despistes fizeram com que aparecesse outro problema: dinheiro. Arranjar apoios para continuar a sua carreira era difícil naqueles tempos, logo, tinha de demonstrar resultados para que as oportunidades surgissem. Em 1969, os resultados alcançados nas rampas e pistas do seu país atraíram a atenção de Helmut Marko, que o recomendou em 1970 à equipa McNamara, de Formula Vee.
Nessa equipa, Koinigg começou a aprender a correr em monolugares, e em 1971 passou para a equipa de Kurt Bergmann. A sua estrela, bem como a sua simpatia, passava a estar em alta na Europa Central (Áustria e Alemanha), e também foi correr em provas de Turismo e Sport-Protótipos, pela Alpina-BMW. Nesse ano, na Formula Vee, graças a um chassis Kaimann, construído artesanalmente numa garagem em Viena, terminou na terceira posição do campeonato, batendo entre outros o alemão Jochen Mass. Em 1972, contudo, a falta de dinheiro para progredir na carreira fez com que ficasse mais um ano na Formula Vee, onde terminou no segundo lugar, atrás do campeão do Lichtenstein, Manfred Schruti.O ano de 1973 foi o seu melhor. Correndo nos Turismos alemães, ao volante de um Ford Capri, tem a sua primeira incursão nas 24 Horas de Le Mans, no mesmo modelo e inscrito pela Ford Motorwerke, em conjunto com o escocês Gerry Birrell e o francês Jean Vinatier, onde não chegaram ao fim. E na Formula Vee, finalmente vence o campeonato.
Com essa parte resolvida, resolve concentrar-se nos Sport-Protótipos, espreitando também a oportunidade de correr na Formula 1. Corre de novo as 24 Horas, com Schruti, e num Porsche 911 Carrera RSR Turbo da Martini Racing, onde desiste ao fim de oito horas devido a um incêndio. A meio do ano, já com 25 anos e casado com uma hospedeira do ar da Austrian Airlines que conhecera durante aquele ano, juntara dinheiro suficiente para comprar um lugar na Scuderia Finotto, que tinha um Brabham BT42, e estrear-se em casa na categoria máxima do automobilismo, tal como fizera Rindt dez anos antes, e também o agora consagrado Niki Lauda. Contudo, com um carro datado e pouca experiência neste tipo de carros ditaram o seu destino, não conseguindo a qualificação para a corrida.
Contudo, Koinigg não desistiu e tentou a sua sorte no final do ano, quando arranjou dinheiro para correr as duas últimas corridas do ano pela Surtees, nessa altura uma equipa onde tinha demasiados carros para o dinheiro que necessitaria para os manter. E depois da saída de Jochen Mass, o caos era a palavra de ordem naquela equipa, e Koinigg era um piloto conveniente. Em Mosport, as coisas correram bem para ele, onde conseguiu qualificar-se na 22ª posição (penúltima fila da grelha) e fez uma corrida sem sobressaltos, terminando-a na 10ª posição.
Este resultado deixou algumas boas impressões, e Koinigg esperava melhorar paulatinamente as suas performances na corrida seguinte, em Watkins Glen. Agora com um lugar garantido na equipa oficial, esperava que, se fizesse melhor resultado, as perspectivas de uma temporada completa em 1975 se abririam, e acabasse seguindo o mesmo rumo do seu compatriota Lauda. Numa grelha onde se qualificavam 26 pilotos, Koinigg foi 23º qualificado, melhor do que o seu companheiro, o francês José Dolhem (meio-irmão de Didier Pironi). Na corrida, esperava repetir o mesmo resultado do que em Mosport. Mas as coisas não foram assim…
Partindo bem, as primeiras nove voltas decorreram sem incidentes para o piloto da Surtees. Contudo, na décima volta, o carro sofre um furo lento perto do gancho, uma zona lenta do circuito, e Koinigg bateu nos rails a toda a velocidade. Sendo aquele um rail duplo, o de baixo cedeu com o impacto, mas o de cima não, fazendo com que o Surtees passasse por baixo dela, decapitando o infeliz piloto austríaco. Tinha 25 anos, e morria exactamente um ano depois de Francois Cevért ter o seu acidente fatal.A sua carreira na Formula 1: Três Grandes Prémios, numa temporada (1974), zero pontos.
Fontes:
http://www.grandprix.com/gpe/drv-koihel.html
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Formula 1 em Cartoons - Laser Car Design (Japão)
Que toda a gente sabe que a Brawn GP e Jenson Button estão a caminho do título mundial, é um facto. Mas outro facto que todos nós temos presente é que depois das vitórias em seis das primeiras sete corridas do campeonato, o piloto inglês só voltou ao pódio em Monza, e atrás do seu companheiro de equipa, Rubens Barrichello.E a segunda metade do campeonato tem sido assim: coleccionando pontos suficientes para não deixar escapar muito os adversários, ou se perferirem a expressão, "gerir o resultado". Mas isso está a deixar o piloto inglês numa pilha de nervos, pois os seus adversários, principalmente Barrichello, aproximam-se aos poucos. E agora no Japão, era a primeira chance real de conquistar o título, mas não conseguiu melhor do que o oitavo lugar, o último pontuável. Mas Barrichello não foi muito longe, portanto... eis o estado de espírito de Button, segundo a visão do laserbombo, designer e autor do blog português Laser Car Design.
Até chegar ao topo, a subida vai ser infernal!
A capa da Autosport desta semana
No fim de semana do GP do Japão, o destaque que a revista portuguesa Autosport dá... é para o Moto GP. O Grande Prémio de Portugal, que se realizou este fim de semana no Estoril, com a vitória de Jorge Lorenzo na categoria máxima, é a capa da revista. "Jorge Lorenzo não atira a toalha!", é o título, referindo-se às hipótese do piloto espanhol, companheiro de Valentino Rossi na Yamaha, de calcançar o céptro máximo, na corrida onde se comemorou o regresso à competição de Casey Stoner e Rossi foi apenas quarto classificado "Casey Stoner regressa em grande e Rossi 'controla'" é um dos subtítulos.Em termos de automóveis, a vitória de Sebastien Vettel no Japão pode ter dado mais fôlego às aspirações do jovem piloto alemão de alcançar, pelo menos, o vice-campeonato. Mas a pergunta que se faz é outra: "Vettel pode sonhar?". Não se crê, pois a matemática é complicada...
Ainda outra noticia em destaque tem a ver com a próxima temporada, pois uma das novas equipas que vai entrar em acção em 2010, a Virgin, anuncia que quer uma dupla jovem... e luso-brasileira: Alvaro Parente e Bruno Senna. "Virgin quer Parente e Senna", é outro dos títulos que se pode encontrar na capa da edição de amanhã.
Para finalizar, fala-se da Formula Superleague, a competição onde se mistura carros e futebol, e onde Pedro Petiz venceu uma das corridas de Monza pelo Sporting (Petiz conquista a primeira vitória do Sporting), e o duelo pelo título mundial do WRC, que está ao rubro depois do Rali da Catalunha (Löeb e Hirvonen separados por um ponto decidem título em Gales).
Noticias: USF1 confirma motores Cosworth
As novas equipas continuam a preparar-se para a temporada de 2010, mesmo sabendo da existência de imensas dúvidas sobre a viabilidade dos seus projectos, a começar pela potência do motor Cosworth, no qual as novas equipas foram obrigadas a estarem ligadas, para conseguirem que os seus projectos fossem viabilizados pela FIA.
A USF1, equipa de Ken Anderson e Peter Windsor, a primeira a ser anunciada, e do qual continuam a subsistir dúvidas, anunciou este fim de semana a contratação de Bernard Ferguson, que vai ter as funções de ligação com a preparadora de motores americana. Ferguson é um homem experiente, dado que foi ele que estava à frente dos destinos da marca quando o actual motor V8 foi projectado.A equipa americana vê-se assim obrigado a cumprir o contrato que assinara, pois tinha andado durante quase todo o Verão a rescindir esse contrato para poder ter motores Toyota, e em consequência, o japonês Kazuki Nakajima. Contudo, como qualquer quebra de contrato implicaria uma indemnização milionária, a equipa americana viu-se obrigada a ficar com os Cosworth.
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GP Memória - Estados Unidos 1969
Duas semanas depois da corrida de Mosport, a Formula 1 tinha rumado para Watkins Glen, palco do Grande Prémio dos Estados Unidos, normalmente a corrida mais rica do ano em termos de prémios. Só para terem uma ideia, os prémios totalizavam 209 mil dólares em dinheiro, do qual o vencedor normalmente levava para casa 50 mil dólares em dinheiro, o suficiente para valer a pena as dezenas de corridas que normalmente fazia a cada temporada.E foi isso que muitos dos pilotos inscritos andaram a fazer durante essas duas semanas entre Mosport e Watkins Glen. Alguns, como Jean-Pierre Beltoise e Pedro Rodriguez, disputaram os 1000 km de Paris, em Sport-Protótipos, (ganho pelo piloto francês da Matra), enquanto que outros, como Jo Siffert, George Eaton, Dennis Hulme e Bruce McLaren, foram correr uma prova de Can-Am em Michigan, vencida por Bruce, numa temporada que ficou para a história como "The Bruce and Denny Show", pois ganharam todas as provas dessa temporada. Johnny Servoz-Gavin foi a excepção, pois foi a Itália correr numa prova de Formula 2, o GP de Roma, no qual saiu vencedor.
Em Watkins Glen, não havia grandes novidades na lista de inscritos. Somente Mário Andretti, no Lotus 63 de quatro rodas motrizes, um dos dois carros inscritos para a ocasião, pois o outro era o terceiro Matra MS84 de Johnny Servoz-Gavin. Na BRM, para além dos dois carros oficiais, para Jackie Oliver e John Surtees, o terceiro carro era agora guiado por outro canadiano, George Eaton, que substituia Bill Brack. Eaton, de 24 anos, apesar de ser o herdeiro da cadeia de lojas Eaton, tinha algum talento para correr em automóveis. Watkins Glen iria ser a sua estreia na Formula 1.
De resto, era tudo igual a Mosport: a Lotus tinha Graham Hill e Jochen Rindt, a Matra tinha Jackie Stewart e Jean-Pierre Beltoise, a Brabham alinhava com "Black Jack" e Jacky Ickx, a McLaren com o mesmo "The Bruce and Denny Show" que arrasava a Can-Am daquele ano, e a Ferrari tinha a solitária inscrição de Pedro Rodriguez, ao serviço da NART (North American Racing Team). Nos privados, estavam os Brabham de Piers Courage, pela Frank Williams Racing Team, e de Silvio Moser, pela sua própria equipa; os Lotus de Jo Siffert, pela Rob Walker Racing Team e o de Pete Loveley. Ao todo estavam 17 inscritos.Nos treinos, depois de um primeiro dia à chuva, que demonstrou a inutilidade dos carros com quatro rodas motrizes, mesmo no ambiente em que em teoria lhes seria mais favorável, o segundo dia foi a seco, e o melhor deles todos acabou por ser Jochen Rindt, no Lotus. A seu lado na primeira fila estava Denniy Hulme, no McLaren. Na segunda fila estava Jackie Stewart, no Matra, e Graham Hill, no segundo Lotus. Jo Siffert vinha a seguir, no seu Lotus privado, tendo a seu lado Bruce McLaren. Jean-Pierre Beltoise, no segundo Matra, e Jacky Ickx, no Brabham, ficavam com a quarta fila, e para fechar o "top ten" estavam o BRM de George Eaton e Jack Brabham, no seu carro.
No dia 5 de Outubro de 1969, cerca de 100 mil pesoas acorreram ao circuito de Watkins Glen para assistir, sob céu limpo, ao Grande Prémio dos Estados Unidos. Quando as máquinas arrancaram para as 108 voltas ao circuito, Rindt manteve a liderança, com Stewart a subir ao segundo posto, aproveitando o mau arranque de Dennis Hulme, que teve problemas com a caixa de velocidades. Era um péssimo dia para a McLaren: o patrão Bruce tinha tido problemas com o motor durante a volta de aquecimento, e nem chegou a partir.Atrás dos dois primeiros vinha Hill, Siffert, Beltoise e Courage, com Hulme a cair para o nono posto. Andretti não durava mais do que três voltas com o Lotus 63, e retirava-se com um problema de suspensão. Ao mesmo tempo, Siffert encostava-se à berma, vitima de problemas de motor. Quem beneficiava disto era Piers Courage, que passava Beltoise, também com problemas na caixa de velocidades, e perseguia Hill, para o ultrapassar na volta nove e ficar na terceira posição.
Entretanto, na frente, Stewart espreita por uma oportunidade de passar Rindt, e esta aparece na volta 12. Com o escocês na frente, o austriaco não desiste de recuperar a liderança, em mais uma edição dos duelos que tinham protagonizado ao longo de toda a temporada, sempre com resultado favorável ao piloto da Matra. Mas nessa altura, o motor Cosworth não estava a funcionar a cem por cento, e Stewart estava a segurar Rindt da melhor maneira possivel. Lutavam forte e feio na pista, mas sempre de forma leal, mas nove voltas depois, Rindt leva a melhor e regressa à liderança. Stewart fica gradualmente para trás, com um fino rasto de fumo, que na volta 36 se transforma numa núvem, sinal de que o motor tinha explodido, devido à falta de pressão de óleo. Um acontecimento raro em 1969: Jackie Stewart não ia acabar uma corrida!Assim, Rindt não teria grande oposição na liderança, com o segundo classificado, Piers Courage, a alguma distância. Quanto a este, tinha Brabham e Ickx atrás dele e a sua tarefa era segurá-los o mais possivel e esperar que a sorte lhe batesse à porta. De facto, aconteceu, com Ickx a abandonar com problemas de motor, na volta 77, enquanto que Brabham teve de fazer um inesperado reabastecimento para ver se conseguia terminar a corrida, caindo para o quarto lugar final. Quem beneficiou disto tudo foi John Surtees, que levou o seu BRM ao terceiro lugar, o unico pódio da marca nessa temporada.
Mas antes do final da corrida, ainda haveria drama: na volta 88 Graham Hill rolava na sexta posição, quando passa o carro numa poça de óleo, fazendo um pião e deixando ir o motor abaixo. Desapertou o cinto, saiu do carro e começou a empurrá-lo, até fazê-lo pegar. Voltou para dentro do carro, sabendo que não podia apertar sozinho os cintos de segurança. Contudo, o pião tinha causado um furo lento num dos seus pneus, e avisara as boxes para que estivessem prontos para mudá-lo. Mas Hill não conseguiu chegar a tempo, pois o pneu explodiu, despistando o seu Lotus para uma vala, e Hill foi projectado para fora do carro. Nisso, o veterano piloto de 40 anos sofrera fracturas graves em ambas as pernas, e fora transportado de urgência para o hospital. Quando lá chegou, e antes de ser operado, para reduzir as fracturas, ainda teve força para dizer: "Diga à minha mulher que não vou poder dançar por umas duas semanas".
No final da corrida, apenas seis carros tinham cruzado a meta, e Rindt conseguia finalmente aquilo que almejava: a sua primeira vitória na Formula 1. Todo o seu talento, que tinha sido mascarado por maus carros, azares alheios ou porque o seu adversário era simplesmente melhor do que ele naquele dia, finalmente isso tudo tinha desaparecido para que vencesse o seu primeiro Grande Prémio da sua carreira, a primeira das 41 vitórias conseguidas por um piloto austriaco até aos dias de hoje. Courage e Surtees acompanhavam-no ao pódio, enquanto que Jack Brabham, o Ferrari de Pedro Rodriguez e o Brabham do suiço Silvio Moser, fechavam os lugares pontuáveis. Uma última nota: o dinheiro do prémio que Rindt ganhava nesta corrida iria servir para comprar uma casa no Lago Leman, na Suiça. Esta era mesmo ao lado da do seu rival, mas também grande amigo pessoal, Jackie Stewart.
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Momento F1 Nostalgia: Fundo do pelotão, colheita de 1989
A temporada de 1989 era a primeira pós-Turbo, e onde a Formula 1 era grande em tudo, principalmente na lista de inscritos: 38 carros, espalhados por 18 equipas. Ferrari, McLaren, Benetton, Williams, Lotus e Tyrrell partilhavam a grelha com outras equipas do fundo do pelotão e estreantes, como a Zakspeed, Rial, Onyx, Eurobrun, AGS e Coloni, entre outros. E ainda por cima, a temporada de 1989 marcou o regresso da Brabham ao pelotão da Formula 1.
Como só podiam alinhar 26 carros na grelha de partida, e com mais quatro a poderem alinhar nas duas sessões de qualificação no fim de semana competitivo, os restantes pilotos estavam sujeitos ao "inferno" das pré-qualificações, onde apenas os quatro melhores é que passavam para a fase seguinte. E por mais do que uma vez teve pilotos que pontuaram numa corrida, para na corrida seguinte nem sequer conseguir a qualificação... que diga Stefan Johansson, por exemplo.
No final, isso ficou patente na classificação geral. 29 pilotos conseguiram pontuar nas 16 provas desse campeonato, um recorde que ainda resiste. Muitos destes pilotos não mais apareceram na Formula 1, e algumas destas equipas, como a Rial, desapareceram no final dessa temporada.
Ora, na semana passada, ao ver um conjunto de fotografias colocadas pelo Rianov Albinov, do seu excelente blog F1 Nostalgia, sugeri-lhe fazer uma matéria totalmente dedicada aos "fundistas de pelotão" de 1989. Hoje, ela está pronta, e ali podemos ver retratados pilotos como Bertrand Gachot, Gregor Foitek, Bernd Schneider, Gabriele Tarquini, Yannick Dalmas e até Michele Alboreto. Para verem a matéria feita pelo F1 Nostalgia, do "soviético" Rianov Albinov, é só seguir este link.domingo, 4 de outubro de 2009
Formula 1 em Cartoons - GP Series (Japão)
Formula Renault: Felix da Costa termina época com "chave de ouro"
Depois da vitória conquistada na corrida de ontem, António Félix da Costa conseguiu esta manhã mais um pódio, como um culminar em beleza a sua temporada na Formula Renault 2.0 NEC (North European Competition), onde alcançou o seu primeiro título internacional em monolugares.
Arrancando hoje para a segunda corrida do fim-de-semana belga da oitava posição da grelha, devido ao sistema de inversão para os oito primeiros classificados. Realizando mais uma vez um espectacular arranque, evoluiu de imediato para o terceiro posto, para metros depois assumir a segunda posição, numa corrida vencida por outro dinamarquês, Marco Sorensen. “A partir daí tentei atacar o primeiro lugar, mas como estava a chover e o setup do carro não estava tão bom como o de ontem não foi possível alcançar a vitória. De qualquer forma, julgo que foi uma excelente forma de me despedir do Campeonato que tantas alegrias me trouxe. Dedico naturalmente este título aos meus patrocinadores que espero que me venham a acompanhar no projecto de 2010 onde naturalmente irei trabalhar com budgets mais elevados”, concluiu o piloto português de 18 anos.Foi uma temporada de sonho para Felix da Costa: com nove vitórias e dois segundos lugares nas 14 corridas que disputou, sagrou-se Campeão Norte Europeu de Fórmula Renault 2.0 com 83 pontos de vantagem para o segundo classificado, o dinamarquês Kevin Magnussen, filho de Jan Magnussen, ex-piloto dinamarquês de Formula 1. Agora, todas as atenções estarão voltadas para a derradeira jornada do Europeu, que se disputa a 24 e 25 de Outubro em Alcaniz, Espanha. Um campeonato onde é o actual terceiro classificado, mas a sua equipa, a Motorpark Academy, ainda tem pendente o apelo relacionado com a desclassificação dele e de Kevin Magnussen na ronda anterior, em Nurburgring.
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WRC - Rali da Catalunha (Final)
Como seria de esperar, Sebastien Löeb venceu o Rali da Catalunha e leva a decisão do título mundial para a última prova do ano, no Pais de Gales. O piloto francês da Citröen superiorizou-se ao seu companheiro de equipa, Dani Sordo, em 12 segundos, e mais importante, a Mikko Hirvonen, da Ford, que ficou com o lugar mais baixo do pódio e continua a liderar o campeonato de 2009, mas com mais um ponto que o piloto francês.
As classificativas de hoje decorreram de forma normal, com as duplas da Citroen e controlarem o seu andamento e a assegurar que a ordem de chegada seria aquela que desse mais jeito às aspirações da Citroën. Aliás, com esta dobradinha, asseguraram o título de construtores. Petter Solberg, com a sua nova montada, um Citroen C4 WRC, conseguiu o quarto posto neste rali, superando Sebastien Ogier e o segundo Ford Focus oficial de Jari-Matti Latvala, que não foi melhor do que o sexto lugar neste rali. Matthew Wilson e Frederico Villagra, cada um no seu Ford Focus, fecharam os lugares pontuáveis.Agora o mundial de ralies de 2009 terá o seu desfecho dentro de duas semanas nas florestas do Pais de Gales. Com um ponto a separar Hirvonen e Löeb, a disputa pelo título vai ser mais acirrada do que nunca, e o seu desfecho será certamente imprevisivel.
Formula 1 - Ronda 15, Japão (Corrida)
Para quem aproveitou esta madrugada para levantar mais cedo do que o habitual cedo ou deitar-se tarde para ver o GP do Japão, em Suzuka, tem para contar o seguinte: viu Sebastien Vettel a vencer com autoridade no seu Red Bull, numa corrida chata onde os três primeiros mantiveram as suas posições de largada: Vettel, Trulli e Hamilton. Viu também Jenson Button a conseguir um ponto na sua luta pessoal pelo título, apesar de ter ficado atrás de Rubens Barrichello nesta corrida. Contudo, ambos ajudaram a Brawn GP a conseguir os pontos suficientes para que ficasse... a meio ponto do seu primeiro título de construtores.
A história desta corrida ia começar com menos um elemento: Timo Glock. O piloto da Toyota tinha batido na véspera e tinha um corte na perna. apesar das tentativas para estar em forma a tempo, não foi o suficiente para alinhar na corrida. E foi assim, com 19 carros, que a Formula 1 arrancava para o GP do Japão, antepnultima prova do Mundial, e onde algumas questões pendentes poderiam ser resolvidas aqui.
A partida mostrou Sebastien Vettel na frente e Jaime Alguesuari a ficar momentâneamente na grelha, vitima de uma embraiagem defeituosa, o que fez com que Mark Webber não fosse o último classificado no final da primeira volta. Na quarta volta, Button passou o polaco Robert Kubica para conseguir o oitavo posto, mas se as pessoas esperavam que existissem mais ultrapassagens... ficaram desiludidos. Tirando as habituais trocas quando os pilotos iam para os reabastecimentos, nada de especial acontecia em pista. Céu limpo, sem humidade, em carros que não ajudam muito nas ultrapassagens, dá neste tipo de corridas.
Só a oito voltas do fim, há acção. Mas é quando Jaime Alguesuari prega-nos um susto dos diabos ao sair na curva mais perigosa de todas: a 130R. Oito anos depois de Alan McNish ter cortado um Toyota ao meio durante a sessão de treinos, é a vez do imberbe piloto espanhol (mas a crescer depressa) repetir a proeza. Com isto, provavelmente deve ter acordado alguns dos resistentes que já dormitavam, mas para os que estavam na pista, estava tudo encerrado: o alemão da Red Bull sairia dali vencedor, Jarno Trulli e Lewis Hamilton levavam mais um pódio para a colecção.
O Safety Car andou quatro voltas para dar tempo aos comissários de limpar a pista dos pedaços de carbono, e quando voltou, deu à corrida um melhor espelho da realidade: uma fila indiana. Mas isso não retira mérito a Vettel, que mostrou ter um carro adequado a esta pista. Depois do trio que foi ao pódio, os restantes lugares pontuáveis foram para o Ferrari de Kimi Raikonnen, o Williams de Nico Rosberg, o BMW Sauber de Nick Heidfeld e os Brawn GP de Rubens Barrichello e Jenson Button.
Para a Brawn GP, com este resultado, alcançou em Suzuka a incrivel marca de 156 pontos conquistados em 15 GP's. Curiosidade das curiosidades: na encarnação anterior, como Honda, tinha conseguido 154 pontos... em 99 Grandes Prémios. Apesar de ainda não ser oficial, é quase: o primeiro grande vencedor do ano é Ross Brawn, facto!No final, Suzuka voltou ao calendário da Formula 1 e estou feliz por isso, é outro facto. Mas as ultrapassagens esta madrugada foram uma raridade, surpreendendo-me, e provavelmente a muitos de nós que acompanham isto com mais regularidade, pela negativa, especialmente depois da agitação e confusão na qualificação de ontem... Espero que não seja assim em Interlagos!
Noticias: Glock falha Suzuka
O Grande Prémio do Japão, que acontecerá dentro de algumas horas, não contará com a presença do alemão Timo Glock, que tinha sofrido um acidente durante a acidentada qualificação da madrugada passada.Glock, que tinha sofrido um corte de cinco centímetros na sua perna esquerda, fora transportado para o centro médico do circuito, onde não foi detectado mais algum ferimento ou contusão, mas quer os médicos, quer os responsáveis da marca aconselharam o piloto alemão a ficar de fora desta prova, de forma a não agravar os ferimentos sofridos.
"Em conjunto com o meu fisioterapeuta, fiz os possiveis para estar em forma para a partida do Grande Prémio do Japão, mas no final isso revelou-se imprativável, logo, não participarei na corrida deste Domingo", afirmou o piloto alemão. "Custa-me imenso falhar a corrida 'caseira' da Toyota, mas espero estar em forma a tempo de correr no Brasil, dentro de duas semanas", concluiu.
A Toyota tentou inscrever o local Kamui Koboyashi, dado que tinha participado nas sessões de Sexta-feira, mas os comissários rejeitaram essa pretensão, dado que os regulamentos impedem a participação na corrida de alguém que não treinou em qualquer sessão no dia de Sábado. Assim sendo, a Toyota alinhará na corrida com um só carro, o de Jarno Trulli.
GP Memória - Estados Unidos 1964
Um mês depois de Monza, a Formula 1 cumpria a primeira de duas etapas em solo norte-americano, a primeira das quais no pequeno circuito de Watkins Glen, cujo perímetro de 3780 metros era o suficiente para que se organizasse uma corrida que durava... 110 voltas à pista. Com a vitória de John Surtees em Monza, de repente, as suas chances de conquistar o título mundial tinham aumentado consideravelmente. Com os 28 pontos que detinha, mais as três vitórias, duas delas nas últimas três corridas, estava a somente quatro pontos do lider, o BRM de Graham Hill, que tinha somente uma vitória. Jim Clark era segundo, com 30 pontos, mas tinha três vitórias. Quanto à Ferrari, com três vitórias consecutivas pois o segundo piloto da equipa, Lorenzo Bandini, tinha ganho na Austria, a hipótese de vencer o título de Construtores era bem real.
Mas em Watkins Glen, os carros da marca do Cavalino Rampante estavam pintados... a azul e branco. Como na altura os carros tinham de estar decorados de acordo com as cores nacionais, estas eram as cores da North American Racing Team (NART), do seu grande amigo Luigi Chinetti, há muito radicado nos Estados Unidos. A razão era simples: Enzo Ferrari estava em conflito com a Federação Italiana de Automobilismo, que não lhe queria homologar o seu modelo 250LM. Para demonstrar que o seu protesto era sério, decidiu alinhar os seus carros com as cores americanas para Surtees e Bandini.A corrida norte-americana era o palco ideal para a entrada de uns quantos pilotos locais. Neste caso, era três os inscritos: Hap Sharp, num Cooper da Rob Walker Racing; Walt Hansgen, no terceiro Lotus oficial, ao lado de Jim Clark e Mike Spence, e A.J. Foyt, no terceiro BRM, ao lado de Graham Hill e Richie Ginther. Contudo, Foyt, que nesta altura já era um dos melhores pilotos americanos e tinha ganho duas edições das 500 Milhas de Indianápolis, recusou alinhar.
A equipa oficial da Lotus alinhava com os novos modelos 33, enquanto que os privados ficavam com os modelos 25. Era o caso de Reg Parnell, que tinha os seus pilotos, Mike Hailwood e Chris Amon, com esses modelos. Na Brabham, Jack Brabham e Dan Gurney corriam na equipa oficial, enquanto que Rob Walker alinhava outros dois, para o suiço Jo Siffert e o sueco Jo Bonnier. A Cooper tinha dois carros, para Phil Hill e Bruce McLaren, e a BRP tinha Trevor Taylor e Innes Ireland. Para finalizar, a neófita Honda alinhava o seu unico carro com Ronnie Bucknum ao volante.Os treinos decorrem normalmente, mas Clark tinha problemas de fiabilidade com o modelo 33, logo foi buscar um 25 de reserva, e foi com ele que fez o melhor tempo das sessões de qualificação. Como se sentia mais confiante com ele, iria alinhar na corrida com ele. Ao seu lado estavam o Ferrari de John Surtees e o Brabham de Dan Gurney. Na segunda fila estavam o BRM de Graham Hill e o Cooper-Climax de Bruce McLaren. Na terceira fila estavam o segundo Lotus de Mike Spence, o carro de Jack Brabham e o segundo Ferrari de Lorenzo Bandini. Para fechar o "top ten" estavam o Brabham privado de Jo Bonnier e o BRP de Innes Ireland.
No dia da corrida, perante 65 mil espectadores, e um tempo ameno, a corrida começa com Surtees a largar melhor do que Clark, enquanto que este é superado pelo seu companheiro Spence na luta pelo segundo posto. Graham Hill é quarto, com Brabham e Ireland logo atrás. Gurney caiu de terceiro para sétimo, mas recupera dois lugares pouco depois.
Pouco depois, é a vez de Hill a superar os dois pilotos da Lotus e ficar com o segundo posto, mas Clark começa então a reagir, passando Spence, Hill e no final da volta 14 já tinha superado Surtees para ficar com a liderança da corrida. Quando assim o fez, começou a distanciar-se do seu compatriota da Ferrari, dando indicação de que queria vencer esta corrida e marcar posição na luta pela revalidação do seu título mundial.Contudo, na volta 40, o Lotus de Clark começa a arder devido a problemas no tubo de injecção de combustivel, e aos poucos, os seus adversários aproximam-se e o ultrapassam. Na volta 44, quando é obrigado a parar nas boxes, Clark já tinha sido ultrapassado por Surtees, Hill e Gurney. Clark perdeu imenso tempo para ajustar o tubo de injecção de combustivel e voltou à pista na penultima posição. Passadas seis voltas, Clark voltava à corrida, mas esta durou outras seis voltas, até que Chapman decidiu chamar Mike Spence, que estava na quarta posição, para que este trocasse de lugar com Clark. Spence continuou, mas desistiu ao fim de seis voltas.
O escocês continuou na corrida, irremediavelmente atrasado, enquanto que na frente, Graham Hill tinha alcançado a liderança na volta 45, depois de ultrapassar o Ferrari de Surtees. Ambos mantiveram uma dura batalha pela liderança, enquanto que Clark, de volta à acção mas sem poder marcar pontos, fazia uma corrida somente para prejudicar as aspirações dos seus rivais. Já tinha apanhado Gurney (antes deste desistir, na volta 69, com um motor partido) e estava a alcançar Hill, ao ritmo de um segundo por volta, pois Surtees tinha se atrasado devido a um pião.
Tudo indicava que iria haver luta pela liderança, mas a poucas voltas do fim, o Lotus começou a engasgar-se, sinal de que o combustivel no depósito tinha chegado ao fim. No final, Clark tinha feito 102 voltas, o suficiente para ser classificado na sétima posição... no carro que à partida era de Spence. Quem herdou o seu lugar foi um inesperado Jo Siffert, que com o seu Brabham de Rob Walker, conseguia o primeiro pódio da sua carreira.
No final da corrida, Graham Hill alcançava a segunda vitória do ano, e a segunda consecutiva em Watkins Glen. John Surtees era segundo, mantendo as suas aspirações ao título, tal como Hill. Jo Siffert era o terceiro, a uma volta de Hill e nos restantes lugares pontuáveis ficaram o segundo BRM de Richie Ginther, a três voltas do vencedor, o Lotus de Walter Hansgen, na unica vez que pontuou na sua carreira, e o BRP de Trevor Taylor, que ficou a quatro voltas. Quando faltava apenas a corrida da Cidade do México para disputar, Hill continuava lider e as hipóteses de Clark renovar o título eram minimas. Assim, Surtees poderia dar-se ao luxo de pontuar sem problemas, enquanto que Hill tinha de deitar fora pelo menos cinco pontos. Aqui, a regularidade era penalizada...
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