quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Rumor do dia: Kubica vai correr no ERC de Citroen

Depois de se saber que Robert Kubica recusou um convite da Mercedes parar correr no DTM, a Autosport britânica afirma esta tarde que o piloto polaco, em recuperação do seu grave acidente em fevereiro de 2011 no rali Ronde di Andora, assinou com a citroen para correr no Europeu de Ralis, a bordo de um DS3 RRC, começando em março, no Rali Islas Canárias.

Yves Matton, diretor desportivo da Citroen, confirma que existem negociações, mas afirma que não há qualquer conclusão: "As negociações estão a correr bem", começou por dizer à Autosport britânica, "mas por agora não passa disso: negociações. Espero que haja algo no inicio da próxima semana, e caso haja acordo, Robert começa a competir nas Canárias", concluiu.

Ainda não se sabe quantos ralis irá fazer, mas aparentemente o contrato tem a ver apenas com os ralis e não uma eventual participação no WTCC, caso a marca do "double chevron" decidir dar o salto, em 2014. Mas para que o polaco tenha um chance de vencer o campeonato, terá de participar em pelo menos oito ralis, um deles o Rali da Polónia, sua terra natal.

O seu carro vai ser adaptado com um sistema hidráulico especial, tendo em conta o estado do seu braço e mão direitas, que ainda estão longe de toda a sua capacidade demonstrada antes do seu acidente de fevereiro de 2011.

Noticias: Sutil confirmado na Force India

Demorou, mas foi. E a escolha era previsivel: o alemão Adrian Sutil foi esta manhã confirmado como piloto titular da Force India, ao lado de Paul di Resta e tendo como terceiro piloto o francês Jules Bianchi. De uma certa forma, esta é a repetição da dupla que correu na mesma marca na temporada de 2011, pois Bianchi testará em algumas sextas-feiras de Grande Prémio.

O anuncio oficial foi feito esta manhã em Barcelona, onde a equipa está a fazer os seus testes de final de pré-temporada, mas era algo que já se sabia desde a semana passada, quando se soube que ele tinha sido visto na fábrica, a fazer o seu próprio molde para se sentar no novo bólido da marca.

Vijay Mallya, patrão da marca, revelou que “a decisão não foi fácil, mas sentimos que a experiência do Adrian dá mais hipóteses à equipa de cumprir os objectivos da época”. Já o alemão de 30 anos estava naturalmente feliz, depois de um ano fora das pistas: “Estou radiante por voltar, especialmente a uma equipa que conheço bem. Agradeço por esta segunda oportunidade e agora há que me preparar o melhor possível para Melbourne.

Vimeo Motorsport Classic: Phil Hill, fotógrafo



Phil Hill, o primeiro americano campeão do mundo de Formula 1, em 1961, ao serviço da Ferrari, foi uma pessoa bastante eclética. E tinha um "hobby" pouco conhecido: era um ávido fotógrafo. Descobri este video hoje na Autosport portuguesa e vi que ele tinha uma Leica que levava sempre com ele nos fins de semana das corridas, fossem elas de Formula 1, Sports Cars ou Endurance.

Quase cinco anos depois da sua morte, o seu filho Derek Hill, que também correu nos anos 90, em conjunto com Doug Nye e Steve Dawson, estão a ver todo o seu arquivo pessoal para ver as melhores e compilá-las em livro. É decerto uma era da Formula 1 que merece ser revisitada, neste caso pelas lentes de quem viveu mais intensamente e sobreviveu para contá-la.

Formula 1 em Cartoons: a carteira vazia do Razia

Num ano em que o tamanho da carteira é importante, mais do que nunca, a historia de Luiz Razia ameaça entrar no ramo da tragicomédia. Por causa de um atraso no pagamento de uma das patrocinadoras, Razia não participou num dos testes e agora arrisca a ficar apeado, caso o dinheiro não chegue a tempo do terceiro teste da formula 1, que acontece em Barcelona.

E claro, alguma imprensa já falam de nomes para o substituir, como o indiano Narain Karthikeyan e o francês Jules Bianchi. É como nós dizemos por aqui: "sem dinheiro, não há palhaço."

Espero que venha logo. Acho que o Razia não merecia isto.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Como vencer um prémio virou pesadelo

Imaginem algo que vos adora. Participam num concurso em que vos promete que vão ver aquilo que sonham ver com tudo pago, numa tribuna VIP, e vocês são os felizes contemplados. Mas quando é a altura em que querem desfrutar do prémio, sai tudo ao contrário: pagam a viagem para  o local, não dormem no hotel indicado e os bilhetes são para o geral e não para a área VIP. Em suma, os felizes contemplados tiveram um fim de semana de pesadelo. Para dois ingleses, a vitória num concurso que lhes permitia uma ida ao GP da Belgica de 2012 foi mais um pesadelo do que outra coisa.

A história vem na edição de hoje do jornal britânico Daily Telegraph e fala que um britânico participou num concurso da Red Bull, no qual foi o feliz contemplado para ver da tribuna VIP o GP da Belgica do ano passado, realizado no circuito de Spa-Francochamps. Só que tudo aquilo que vinha no concurso, que iriam dar ao vencedor "um par de bilhetes para assistir à corrida, bem como a viagem e a acomodação por duas noites no Beaumont Hotel, de quatro estrelas". 

Contudo, o vencedor e o seu irmão (que não foram identificados no artigo) acabaram por pagar, a expensas próprias, o voo até Colónia, na Alemanha, num "low cost" e tiveram de partilhar o quarto em Maastricht, no sul da Holanda, e tiveram de sair mais cedo do circuito, para poderem apanhar a tempo o voo de regresso, em Bruxelas. E os bilhetes, afinal... eram para a tribuna principal, não para a Tribuna VIP.

Resultado: os irmãos fizeram queixa à Advertisement Standards Agency, o equivalente à nossa DECO, afirmando que tinham sido enganados. Esta decidiu que a marca não iria voltar mais a usar este tipo de promoções e considerou que usou a palavra "VIP" de forma abusiva:
Consideramos que o termo "VIP", no contexto desta promoção, foi entendido aos leitores como exclusiva, logo, fora dos padrões considerados como normais. Consideramos que o termo "VIP" tem um significado especial numa industria como esta, e como uma competição como o Grand Prix emite bilhetes que incluem admissões para uma "Área VIP", as pessoas que consigam bilhetes para esse local têm uma expectativa de que irão estar naquele sitio especifico, algo que não aconteceu neste passatempo especifico", comentou.

A Red Bull reagiu afirmando que as condições eram as mais claras possível e que tinha avisado ao possivel vencedor de que teria de pagar as viagens de ida e volta ao circuito, em caso de vitória. Contudo, afirmou que quando soube que tiveram de sair mais cedo da corrida, para poderem chegar a tempo do voo de regresso, ofereceu-se para pagar as despesas.

Rumor do Dia II: Honda prepara o regresso à Formula 1?

O rumor existe há algumas semanas, pelo menos quem lê frequentemente o blog do bem informado  - e meu xará - Humberto Corradi. Mas esta segunda-feira, quando a Renault mostrou o seu novo carro, um dos responsáveis, Jean-Michel Jalinier, deixou escapar que espera o aparecimento de mais fabricantes de motores para a Formula 1 em 2014: "É por isso que achamos que o número dos nossos clientes vai cair no futuro, porque há mais concorrência", referiu, citado pelo site alemão Motorsport-total.com.

E quem seria esse novo construtor? Em principio, seria a japonesa Honda. Esta quarta-feira fala-se que Gilles Simon estará a ajudar a desenvolver um motor V6 Turbo, ele que desenvolveu inicialmente um motor com Craig Pollock através da PURE, mas cujo desenvolvimento se congelou em meados de 2012, quando eles não conseguiram atrair nenhum interessado em ter o motor.

A marca japonesa, como se sabe, abandonou a Formula 1 "com o rabo entre as pernas" no final de 2008, quando a crise financeira se instalou com toda a força. Nada se fala de um eventual regresso, mas as marcas japoneses estão a regressar aos poucos ao automobilismo. A Toyota está envolvida na Endurance e a Nissan anunciou esta semana a mesma coisa, também na Endurance, mas com um projeto mais ousado, no sentido de ter um carro elétrico, através da sua preparadora, a NISMO. 

Nada garante que a Honda poderá ter aproveitado o projeto da PURE para acelerar o seu proprio projeto de motor Turbo. Se assim acontecer, poderá fazer com que a equipa entre em ação... já em 2014. Impossivel ou inexequível? Basta pensar que a associação entre a McLaren e a Mercedes irá, em teoria, terminar no final de 2013... e o regresso de uma parceria que deu um estrondoso sucesso entre 1988 e 1992 decerto seria bem vista por muitos fãs.

Rumor do dia: Adrian Sutil na Force India

O diário alemão "Sport Bild" anuncia esta manhã que a Force India decidiu-se em contratar Adrian Sutil para a temporada de 2013, substituindo outro alemão, Nico Hulkenberg. A ser verdade, poderá estar terminada a longa indefinição em relação ao segundo piloto e a última vaga da Formula 1 para esta temporada estará, por fim, preenchida. Sutil poderá ter levado a melhor sobre Jules Bianchi, que tem o apoio da Ferrari e que poderá trazer os motores italianos em 2014, em substituição da Mercedes.

Os sinais já existiam há várias semanas e começaram a ser mais do que evidentes quando a equipa convidou-o para fazer parte dos testes em Barcelona, na semana passada. Sutil, de 30 anos, já esteve na Formula 1 entre 2007 e 2011, quando se envolveu numa briga em Xangai com um dos sócios da Genii, Eric Lux. Chamado a tribunal, na Alemanha, foi condenado a 18 meses de prisão, com pena suspensa, sendo obrigado a ficar de fora na temporada passada.

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana, o tema é, inevitavelmente, a jornada de abertura do Campeonato Português de Ralis, em Fafe. Com uma lista de inscritos cheia e muito público na estrada, Bernardo Sousa acabou por ser o melhor e isso demonstra-se na capa e o título que o jornal escolheu: "CPR: Bernardo Sousa a abrir". Abaixo, os subtítulos resumem o que foi este rali: "Madeirense vence com autoridade"; "Ricardo Marques triunfa no CPR2"; "Carlos Martins domina no Open".

Na parte de cima, uma entrevista a Carlos Sainz Jr, piloto espanhol apoiado pela Red Bull e que este ano vai fazer a GP3, onde declara: "Não tenho garantias de que vou ganhar".

Na parte de baixo, no seu canto inferior, fala-se sobre os testes que a Citroen fez no Algarve ("Citroen prepara México") e um test drive do Mercedes E AMG ("Mais potência e luxo") e no lado direito, a referência aos testes da Formula 1 em Barcelona ("Frio atrasa evoluções")

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

No aniversário de Sebastien Löeb

Esta é uma semana para lembrarmos de todos os pilotos que fazem - ou faziam anos. E são quatro, pelo menos: Alain Prost, Francois Cevért, Sebastien Löeb e Mário Andretti. Três franceses e um italo-americano, e hoje, como é dia para celebrarmos os 39 anos do alsaciano, era uma boa altura de lembrar de alguém que dominou os ralis durante mais de uma década e venceu nove títulos mundiais, todos seguidos. 

O palmarés de Löeb é impressionante: sendo fiel à Citroen, em 165 ralis - deverá fazer mais dois ate fechar a sua carreira em 2013 - conseguiu 77 vitórias, 115 pódios, 864 triunfos em classificativas e 1594 pontos. Tudo isto desde o Rali da Catalunha de 1999, local da sua estreia no WRC, quando existiam monstros sagrados como Carlos Sainz, Didier Auriol, Juha Kankkunen, Colin McRae, Richard Burns, Tommi Makkinen, entre outros. 

Quando no final de 2012, após o seu nono título mundial, decidiu que era altura de passar das classificativas para as pistas. Ao tomar tal decisão, afirmou isto: “Já não havia nada para ganhar”. Em suma, resumiu-se a velha questão da motivação. Quem conhece o automobilismo sabe que a sua atração baseia-se no factor da imprevisibilidade. Alguém que ande por ali nunca será uma pessoa que goste de trabalhos burocráticos, que fique sentado num escritório das nove da manhã até às cinco da tarde. Nem os pilotos, nem os mecânicos, nem até os espectadores que seguem os ralis - ou outro desporto qualquer - o seguem porque gostam da rotina.

Confesso que, de uma certa forma, senti um alivio quando Löeb disse que iria competir na Endurance e os Ralis passariam a ser mais um "hobby" do que outra coisa. Mas pelos vistos, parece que o "timing" da sua retirada arrisca a ser azarada. É que o quase quarentão poderá estar a privar-nos do maior duelo nos ralis desde os tempos de Marcus Gronholm, com o seu Ford Focus.

Outro Sebastien, Ogier de apelido, aparece nesta temporada de 2013 com um Volkswagen Polo R intensamente testado ao longo do ano anterior para poder entrar nesta temporada a marcar mais do que um mero figurante no Mundial WRC de Ralis. Mais novo que Löeb (29 anos), ele teve uma carreira fulgurante pois cinco ano antes, andava num mero Citroen C2, carro com que se sagrou campeão do mundo Junior. 

E bastou temporada e meia para ser provavelmente o maior rival interno que Sebastien Löeb teve. A sua primeira vitória foi no Rali de Portugal de 2010, com o Citroen C4 WRC da Junior Team, e em 2011 estava na equipa principal. Quando viu que a possibilidade de ser superado pelo piloto mais novo podia ser real, fez valer os seus direitos e isso foi mais do que suficiente para que Ogier decidisse rumar para outras paragens, nomeadamente o projeto da Volkswagen.

E pelos vistos, a aposta compensou. Apesar de termos apenas dois ralis disputados em 2013, vimos que o unico rival de Ogier foi... Löeb. Nem Dani Sordo, nem Mikko Hirvonen, nem até o companheiro de equipa de Ogier, Jari-Matti Latvala, foram capazes de acompanhar o piloto da Volkswagen. E sem Löeb pelo caminho, Ogier arrisca a ser o campeão de 2013 sem grande concorrência. Nem da Citroen, nem dos Ford, já que temos de esquecer a Prodrive, vítima da falta de dinheiro para desenvolver o seu Mini.

De uma certa maneira, é uma pena não vermos Löeb em 2013 a tempo inteiro. Creio que um "duelo de Sebastiões" teria sido épico, tal como teve com Marcus Gronholm ou com Mikko Hirvonen. Os adeptos de rali teriam ficado deliciados, mesmo existindo 50 por cento de hipótese do vencedor ser o mesmo. Mas um último duelo da história dos ralis teria sido excepcional.

De qualquer forma... Joyeux Anniversaire, Monseiur Löeb!

Youtube Formula 1 Video: A largada


Faltam cerca de três semanas para o inicio da temporada e já há pessoal a subir pelas paredes, de tanta ansiedade que têm para o inicio da nova temporada da Formula 1. Basta ver as discussões apaixonadas que existem sobre quem vai ficar com o segundo lugar na Force India...

Enfim, e atendendo a essa ansiedade, o Antti Kalhola decidiu que esse seria o tema do seu mais recente video, lançado esta tarde no seu canal do Youtube. E tudo tem a ver com a atmosfera que existe nos momentos antes da corrida começar. E ao longo dos anos, nada muda, mesmo que carros e pilotos não sejam os mesmos.

Como ele diz: "When the flag drops, the bullshit stops" (Quando a bandeira cai, o falatório pára) 

Youtube Motorsport Ad: Audi A1, Ghynkhana Style


Ken Block e as suas "Ghynkhanas" certamente inspiraram muita gente, nomeadamente a Audi, que para promover o seu novo carrito, o A1, decidiu convidar o bicampeão da DTM Timo Scheider para fazer de Block à volta de uma fábrica em construção em Munique.

O resultado desse ensaio está aqui. Para publicidade, está ótimo.  

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Uma mulher no automobilismo: Samin Gomez Briceño

Se no ano passado, a GP3 acolheu três mulheres piloto na sua categoria - a italiana Vicky Piria, a espanhola Carmen Jordá e a britânica Alice Powell - em 2013 as mulheres continuarão a andar por ali. Ainda não se sabe se alguma das três mulheres de 2012 voltará - Piria participou nos testes da semana passada no Autódromo do Estoril - mas se alguma delas voltar, terá a companhia de outra mulher: a venezuelana Samin Gomez Briceño.

Nascida a 4 de fevereiro de 1992, começou a correr aos 15 anos no karting, competindo no campeonato Panamericano. Em 2007 decide ir para França, onde compete no campeonato local antes de dar o salto para os monolugares, em 2008. Começa a correr na China, na Asian Formula Renault Challenge, onde aprende aos poucos a ser competitiva, terminando em 2010 no terceiro lugar do campeonato com três pódios e duas "pole-positions", mas sem vencer corridas.

Em 2011 vai para Itália, onde ao serviço da EuroInternational, e depois da Jenzer Motorsport, tenta adaptar-se ao campeonato, com resultados modestos. Em 2012, as coisas melhoram um pouco, sendo mais regular e conseguindo dois pódios e uma volta mais rápida, terminando o campeonato na sétima posição.

Em 2013 sobre para a GP3, sempre pela Jenzer, onde terá como companheiros de equipa os suiços Patrik Niederhauser e Alex Fontana, mais velozes e experientes. Mas pelo que se viu nos testes da semana passada no Estoril, Samin Gomez - uma das pilotos patrocinada pela petrolifera venezuelana PDVSA - não esteve mau, conseguindo tempos entre o 13º (o melhor) e o 24º posto (o pior), numa grelha de 27 carros. Muito melhor do que Piria na maior parte das vezes, a italiana que já tem um ano de GP3 em cima...

The End: Dave Charlton (1936-2013)

O antigo piloto sul-africano Dave Charlton, um dos melhores da sua geração no seu país, morreu este domingo em Joanesburgo aos 76 anos de idade, segundo noticia a imprensa local. Cinco vezes campeão sul-africano de Formula 1 entre 1970 e 1975, participou em treze Grandes Prémios entre 1965 e 1975, em carros como Lotus, Brabham e McLaren, quer a nível oficial, quer em equipas locais, como a Scuderia Scribante.

Nascido a 27 de outubro de 1936 no Yorkshire inglês, emigrou com os pais para a Africa do Sul aos dez anos de idade, onde mal conseguiu sair da escola, começou a aprender mecânica numa oficina local, participando numa corrida de apoio ao GP da Africa do Sul em 1960, em East London, com um Austin Seven modificado. Acabou por vencer e fez do automobilismo a sua profissão.

Ao longo dos anos 60 teve uma rivalidade com John Love, vindo da então Rodésia (agora Zimbabwe), mas só conseguiu superar Love em 1970, a bordo de um Lotus 49C que tinha sido de Jo Bonnier, vencendo o primeiro dos seus cinco títulos. E foi com esse carro que conseguiu a sua melhor classificação numa corrida oficial de Formula 1, um 12º lugar no GP da Africa do Sul desse ano, a sete voltas do vencedor (tinha desistido na volta 73 com um motor partido).

Em 1971, Charlton foi convidado por Colin Chapman para participar no GP da Grã-Bretanha, num Lotus 72 que era de Reine Wissell (que participava nessa corrida com o modelo 56 Turbina), classificando-se bem, mas acabou por desistir na primeira volta com um problema de motor. No regresso à Africa do Sul, ele trouxe um modelo 72C que no ano seguinte, inscrita pela Scuderia Scribante, e graças ao apoio da marca de cigarros Lucky Strike e da gasolineira Sasol, fez três corridas na Europa, não terminando nenhuma delas. Em 1974, troca o Lotus 72 pelo McLaren M23, mas o melhor que consegue é um 14º posto na edição de 1975.

Continua a correr até 1990, quando acaba por se retirar da competição. Essa corrida, em Zwarrt kops, acaba por vencer, terminando com uma chave de ouro a sua longa carreira desportiva. As suas vitórias em Kyalami foram tantas e tornaram-se lendárias que a imprensa local a denominou de "Charlton Center". 

No plano pessoal, para além de ter tido duas filhas e uma neta, era amante de gatos, tendo chegado a ter... 21, um deles tinha o nome de um dos seus adversários na pista... 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CPR: da letargia ao "buzz"

No final de 2012, o panorama do Campeonato Português de Ralis (CPR) era o da decadência: o parque automóvel era pequeno, não havia pilotos a correrem em S2000, o campeão, Ricardo Mouta, tinha vindo dos Açores para vencer a bordo de um Mitsubishi Lancer Evo IX de Grupo N e em muitos aspectos, os carros da Categoria Open eram mais velozes do que os oficiais, para não falar da pobreza que era a lista de inscritos de qualquer um dos ralis desse campeonato de 2012. 

Não se admira que toda a gente queria mudar o panorama e se falou, nos bastidores, de um "golpe de estado" para derrubar a atual direção da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), que era vista como um obstáculo à mudança. Atenta, reagiu: ouvindo os clubes, decidiu reduzir custos, fez uma fusão parcial entre o CPR e o Open e fez um campeonato mais pequeno, colocando as "provas rainha" - Rali de Portugal, Açores e Madeira - num campeonato à parte, do qual os pilotos não estavam obrigados a ir. Por causa disso, as coisas mexeram-se: em poucas semanas, assistiu-se a uma "retoma" inesperada, com alguns dos grandes nomes dos ralis nacionais, como Bernardo Sousa, Bruno Magalhães, Miguel Campos, Pedro Meireles, José Pedro Fontes e até "dinossaurios" como Adruzilio Lopes, a anunciarem os seus regressos.

Mas mais espantosa essa retoma foi o facto de irem buscar carros da categoria S2000 para competirem neste campeonato. Primeiro, Meireles num Skoda, depois Sousa num Peugeot 207 S2000, e no futuro, provavelmente outros carros, que até poderão vir na nova categoria R5, que a FIA elaborou e cujas marcas estão a finalizar os seus carros. A ideia de se ter cinco, ou mais carros dessa classe por aqui é algo espantoso, para dizer o mínimo.

O "completar do círculo" aconteceu ontem em Fafe. 59 carros, em várias categorias - S2000, Grupo N, e outros - alinharam neste ali, o maior número nos últimos anos, e o publico correspondeu a esse "buzz", enchendo as classificativas de um rali que começou e acabou no mesmo dia. Bernardo Sousa, mesmo dizendo que não sabe se irá fazer todo o campeonato, foi o melhor num carro que não é novo e que estava despido de patrocinios. Deu o seu melhor numa tática inteligente e conseguiu superar toda a concorrência, especialmente Ricardo Moura. Um ilhéu - Bernardo é da Madeira - a superar o açoriano Moura. A completar o pódio ficou Pedro Meireles, que no seu Skoda Fábia S2000, ainda se encontra a adaptar-se ao carro.

Ainda não conseguimos garantir apoios e só por isso é que alinhámos em Fafe com a carroçaria do Peugeot 207 S2000 sem um único autocolante. Ou seja, participámos com o objectivo claro de demonstrarmos o profissionalismo e a competitividade do projecto. Se o resultado espelha o que podemos fazer nas restantes provas do campeonato, fico agora na expectativa que também ajude nas negociações que andamos a estabelecer com potenciais patrocinadores. O campeonato vai ser um dos melhores dos últimos anos, os portugueses voltaram a comparecer em grande número e eu gostaria de lutar pela conquista do meu segundo título”, começou por afirmar após a cerimónia do pódio. 

"Queremos lutar pelo título, mas para além dos objectivos desportivos, queremos que este seja um projeto de comunicação para todos os que nele apostem. Os ralis são a modalidade rainha do automobilismo nacional, o Campeonato de Portugal de Ralis promete ser um dos mais competitivos e espectaculares dos últimos anos e o público continua a sentir um carinho especial pela modalidade, como aliás ficou bem evidente no último sábado. No fundo, estamos confiantes e vamos continuar a trabalhar para estarmos à partida das próximas provas”, concluiu.

Já Ricardo Moura, o segundo classificado, era outro piloto satisfeito com o seu resultado: “Um segundo lugar no meio de dois S2000 é excelente", começou por dizer o piloto açoriano, no final do rali. "Fico satisfeito por ter conseguido andar a este nível, nesta que foi apenas a minha terceira participação em ralis na zona de Fafe. É um momento importante na minha carreira, porque veio clarificar aquilo que fizemos nos dois últimos anos.", declarou. 

"Penso que esclarecemos em definitivo que o nível do Campeonato de Portugal de Ralis nos dois últimos anos já era muito elevado. Com o regresso de nomes sonantes ao CPR, demonstrámos em definitivo que os dois títulos absolutos que conquistámos, não foram obra do acaso.", continuou. 

"Entrámos muito bem na prova, e a nossa exibição em Fafe poderia ter sido ainda melhor, caso o nosso carro de Grupo N não tivesse tantas dificuldades em pisar o mau piso durante as segundas e terceiras passagens, onde inclusive no último troço, perdemos muita potência no motor do nosso Evo IX devido a falta de ventilação do intercooler. No entanto, este foi um excelente resultado”, concluiu.

Vendo as imagens e vendo o que foi este rali, parece que, num país de sombras, há um pequeno canto onde se pode, mais do que vislumbrar, sentir a luz no fundo do túnel. Veremos o que os próximos ralis nos reservarão.   

Youtube NASCAR Crash: o acidente de Daytona


Não sigo a NASCAR, que este fim de semana está em Daytona para a sua corrida de 500 Milhas, mas antes de sair para uma (inesperada) sessão de cinema, soube via Twitter sobre uma "Big One" que ocorreu nas voltas finais da Nationwide Series, a segunda divisão da categoria. E também soube que o acidente, por muito pouco, não teve consequências muito sérias. 

É que um dos carros - aparentemente o de Kyle Larsson, numero 32 - ficou sem motor e algumas rodas, tendo entrado dentro de uma das redes de proteção e aterrado na zona dos espectadores, ferindo 15 pessoas, uma delas com gravidade - aparentemente com traumatismo craniano.

E tudo isto aconteceu no preciso momento em que iam passar pela bandeira de xadrez...

sábado, 23 de fevereiro de 2013

As dificuldades da WSR em testar...

O pessoal da World Series by Renault anda com azar nesta temporada. Depois de na semana passada, o primeiro teste da temporada, no circuito de Monza, devido à neve. este sábado, quando máquinas e pilotos estavam prestes a cumprir o segundo dia de testes no circuito Motoland, de Aragón, em Espanha, foram surpreendidos com uma queda de neve que inviabilizou este dia na pista espanhola devido às condições da pista.

É certo que o calendário de testes já tinha sido escolhido com antecedência, mas provavelmente da próxima vez seria mais aconselhável escolher um sitio onde têm a certeza que não vai nevar. Jerez, Valência, ou até Portimão seriam sitios bem melhores, por exemplo. É que a GP3, por estes dias, andou a testar no Autódromo do Estoril e nem a chuva foi problema para que máquinas e pilotos pudessem testar calmamente.

No dia anterior, António Félix da Costa andou bem na pista espanhola, conseguindo o segundo melhor tempo, a apenas 0,2 segundos do belga Stoffel Vandoorne, que liderou a tabela de tempos. Numa pista que esteve molhada durante boa parte do dia, o piloto de Cascais ficou satisfeito com o resultado alcançado: “Depois de mais de 3 meses sem guiar foi bom voltar a sentar-me no carro, senti-me confortável e bem fisicamente. Acredito que demos um passo em frente em termos de acerto do carro, numa pista onde a equipa teve bastantes dificuldades no ano passado e onde irá ter lugar a segunda corrida do ano, portanto foi um teste bem positivo. Nesta fase os tempos não são o mais importante mas de qualquer forma este 2º tempo mostra que estamos bem”, referiu.

Os próximos testes da World Series by Renault ocorrem entre 8 e 9 de março, no circuito francês de Paul Ricard. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Lewis Hamilton, o "gangsta rapper" da Formula 1

Quando andava a ler umas coisas sobre Niki Lauda, esta tarde, descobri uma frase dele de 2009 em que referia que "o carisma de Hamilton é a sua namorada", referindo-se a Nicole Scherzinger, a vocalista da banda Pussycat Dolls e do qual tem uma relação que, ora se acende, ora se apaga. Acho que de 2009 para cá, o seu carisma tem melhorado, mas existem outras coisas dos quais fazem com que Hamilton seja mais conhecido com o que faz fora do carro do que dentro dele.

Um bom exemplo disso foi o que colocou hoje no seu Twitter oficial. Ele meteu várias fotos de Barcelona, mas nenhuma delas era da pista ou do carro que estava a testar. Eram sim, de uma loja de tatuagens local, que lhe encarregou de cobrir completamente um dos braços. Não tenho nada contra as tatuagens em si, nem coloco em causa o profissionalismo de Lewis Hamilton, mas essa ideia de se cobrir todo com desenhos permanentes, numa altura em que o carro arrisca a ser mau, poderá passar uma má imagem. Já estão a imaginar o percurso que fez esta tarde, não? Hotel-Pista-Loja de Tatuagens-Hotel... ah não! Segundo a imagem acima, o tatuador veio ao circuito de Montmeló para fazer os retoques.

Mas esta imagem de "gangsta rapper" aparece coincidentemente na mesma altura em que faz mais um ensaio numa revista masculina, mais concretamente a "Men's Journal" (não será a Men's Health?) onde se vê Hamilton em todo o seu esplendor... e onde está a tentar rivalizar com David Beckham no quesito "espelho meu, espelho meu, quem tem mais tatuagens do que eu?" Pelo menos, em termos de Formula 1, parece ser o campeão do mundo...

Enfim, é melhor andarmos a ver as fotos que vai colocar por aí. Porque em termos de carro, segundo as palavras do próprio, parece que não dá para ganhar nesta temporada... a não ser no Top Gear, onde ele conseguiu bater Sebastien Vettel no Suzuki Liana.

Noticias: Lewis Hamilton sem ilusões


Apesar de esta manhã Lewis Hamilton ter liderado a tabela de tempos neste último dia de testes em Barcelona, o piloto britânico continua a estar cauteloso sobre o potencial do Mercedes W04 para a temporada de 2013, pois tem a consciência de que poderá estar bem atrás das três melhores equipas do pelotão: McLaren, Red Bull e Ferrari.

Não nos parece que seja possível vencer a curto prazo, mas sim tentar ficar no "top 10". Não somos rápidos o suficiente para ser os mais rápidos numa volta, mas também não estamos assim tão lentos. Acho que não é possível lutar pelo título. De qualquer forma, é esse o nosso objectivo. Há que lembrar que a Mercedes estava a um segundo das equipas da frente, às vezes dois e se também não me parece que estejamos assim tão longe, acho que de início não será fácil andar na frente. Mais para a frente sim, é o que queremos…”, começou por referir em declarações para a BBC.

E sobre os testes em Barcelona, Hamilton comentou: “Não rodámos tanto quanto queríamos, mas cumprimos a maior parte do nosso programa, trabalhámos na consistência do carro em séries longas de voltas, e tudo correu bem”, referiu.

Até pode ser bom sinal, mas parece que as coisas em 2013 vão ser complicadas para os lados de Brackley... e provavelmente muito do que escrevi na minha coluna de opinião desta semana pode ser verdadeira. Se calhar, resta á equipa começar a projetar já o carro de 2014.

Niki Lauda, 64 anos

Andreas Nikolaus Lauda é uma personagem que não é, não foi e nunca será cinzento. Diz sempre o que pensa, faz o seu sempre apetece e é teimoso o suficiente para se agarrar à vida após um acidente que quase o matou. Os mais novos podem o ver como comentador desportivo e um dos diretores da Mercedes. E se calhar devem pensar nele como o dono de uma companhia aérea com o seu nome. Mas os mais velhos - especialmente a partir da minha geração - somos aqueles que tivemos o previlégio de o ver correr, e vimos até que ponto era um dos melhores pilotos da sua geração. Sempre consistente, nunca se esforçando demasiado.

Este ano vai ser especial para todos os que gostam de automobilismo. É porque vêm aí um filme de Hollywood sobre ele. Bem, não é tanto sobre ele, é mais sobre o duelo que teve com James Hunt pelo título mundial de 1976 - curiosamente o ano em que nasci... - e sobre o acidente que o marcou fisicamente e psicologicamente, no circuito alemão de Nurburgring, e o campeonato em si, que terminou de forma dramática, debaixo de copiosa chuva no circuito japonês de Fuji, com o austríaco a desistir voluntariamente de um título mundial, algo que enfureceu os tiffosi em geral e Enzo Ferrari em particular.

Lauda aguentou as criticas e fez o que tinha a fazer, vencendo um segundo título mundial em 1977 - inicialmente como segundo piloto da marca, atrás de Carlos Reutemann - e depois saiu da Scuderia pelo seu próprio pé, sem dar cavaco a ninguém. Mas isso fazia parte do seu estilo, de fazer as coisas à sua maneira, contrariando tudo e todos, pois sabia que o seu talento não dependia das máquinas que guiava, mas de si próprio. Foi por isso que no inicio da carreira, ele pediu empréstimos bancários uns atrás dos outros para chegar à March, em 1971, e depois à BRM, em 1973. Depois, o seu talento fez o suficiente para que o seu companheiro de equipa, Clay Regazzoni, o recomendasse a Enzo Ferrari, que o contratou no inicio de 1974. Conta-se que com o salário que a Scuderia lhe deu, foi mais do que suficiente para pagar as suas dívidas aos bancos.

Depois da passagem pela Ferrari, foi para a Brabham de Bernie Ecclestone, ganhar rios de dinheiro... mas a lutar contra um péssimo motor flat-12 da Alfa Romeo. Tentou dar o seu melhor, vencendo duas corridas e 1978, mas depois de uma péssima temporada em 1979, decidiu ir-se embora, "cansado de andar às voltas em circulos", como disse na altura. 

Decidiu fazer a sua companhia de aviação, e pragmáticamente, decidiu voltar à competição pelo dinheiro, na McLaren. O regresso correu-lhe bem, em 1982, conseguindo duas vitórias. E apesar de uma má temporada em 1983, o ano seguinte, agora com o motor TAG-Porsche Turbo, o colocou com um conjunto ganhador em sete anos. E aplicou tudo o que sabia, especialmente em condições de corrida, para no final do ano conseguir bater Alain Prost por apenas meio ponto. Na última corrida de 1984, no circuito português do Estoril, bastou chegar ao segundo posto e ficar atrás de Prost para ser tricampeão do mundo.

Depois de se retirar, optou por tentar desenvolver a sua companhia aérea, enquanto regressava ocasionalmente à Formula 1 com consultor na Ferrari, Jaguar e agora Mercedes. E também dizia o que pensava aos microfones da RTL alemã, irritando muitas vezes muita gente. Mas ele nunca deixou de ser ele mesmo, talvez um dos melhores da sua geração e de sempre da Formula 1.

Assim sendo... parabéns, Niki Lauda. 

E na 5ª Coluna desta semana...


(...) Os sinais de alarme são antigos, mas agravaram-se este ano, quando se soube que após os primeiros testes, em Jerez, o Mercedes W04 poder estar muito longe da concorrência mais direta, estando mais perto do meio do pelotão do que dos três que lhes interessa bater: Ferrari, McLaren e Red Bull. E a hipótese de ser batido por Lotus, por exemplo numa segunda temporada consecutiva, é uma hipótese assustadoramente grande, e faz com que os acionistas, em Estugarda, comecem a questionar a permanência da marca na Formula 1, pelo menos como equipa. (...)

(...) Com estas pressões, mais o organigrama que tenho visto naquela equipa, de partilha de responsabilidades entre responsáveis - Ross Brawn, Niki Lauda, Christian "Toto" Wolff - entre outras coisas, quase me faz pensar de onde já vi este filme. E lembrei-me logo: dos casos da Jaguar, Toyota, Honda: tudo grandes corporações que andam na Formula 1 com o objetivo para vender mais carros na segunda-feira, caso um dos seus pilotos ganhe. E basta recuar um pouco na história para recordar as suas aventuras e como é que eles acabaram. (...)

Estes são dois excertos do artigo que escrevi hoje - de forma excepcional à sexta-feira - sobre a atual situação da Mercedes, que está a pressionar toda a administração da Formula 1 para apresentar resultados imediatos, sob pena de tomar decisões radicais. E para piorar as coisas, parece que a marca está a seguir os mesmos passos que outras marcas seguiram na década passada, com resultados desastrosos.

Tudo isto e muito mais pode ser lido a partir deste link, no blog Formula 1 Portugal

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O estranho caso de Luiz Razia

A noticia de que o brasileiro Luiz Razia não iria testar o Marussia nesta sexta-feira, quando estava marcado para dar umas voltas no chassis existente causou alguma estranheza no meio e fez ressurgir o rumor de que poderia haver dúvidas sobre a continuidade do piloto brasileiro na equipa.

Segundo o comunicado da marca, como não conseguiram hoje fazer "stints" mais longos, decidiram que "faz sentido manter Max [Chilton] no carro para que ele obtenha consistência e ele vai continuar amanhã, um dia em que as condições climáticas devem intervir nos procedimentos”.

Tudo isto não faz muito sentido. Aliás, desde que soubemos da confirmação de Razia na Marussia que a história está mal contada. Ao contrário do que aconteceu noutros lados, foi o próprio piloto que confirmou e não a equipa, que o fez apenas alguns dias mais tarde, um dia depois da apresentação do carro, sem pompas, diga-se. E desde então que se nota que o primeiro piloto é Max Chilton, ao qual se dá imensos quilómetros para que ele possa adaptar-se o melhor possivel ao carro, pelo menos enquanto que o segundo chassis não está pronto, para que Razia possa dar as suas voltas.

Tudo muito estranho... espera-se que não seja nada demais.

Atualização: Falei com o Rafa Lopes, do Voando Baixo, e ele me disse que a razão pelo qual pediram a Razia que Chilton testasse nesta sexta-feira em vez dele, foi para que o britânico enchesse a sua quota de testes, para que na última sessão, que também será em Barcelona, o carro ficasse para o piloto brasileiro. Agradeço a ele pelo esclarecimento.

O desgaste extremo dos pneus Pirelli

As declarações de Sergio Perez, em Barcelona, sobre o desgaste dos pneus, poderão ter feito soar o alarme em alguns sitios. O mexicano da McLaren afirmou que este tipo de comportamento é extremo e prevê muitas paragens nas boxes: “O desgaste é extremo, é mesmo muito difícil com este nível de degradação. Até aqui sempre vimos alguma degradação dos pneus durante os testes, mas com este nível, nem pensar. De qualquer forma, estamos a aprender os pneus, mas pelo que vejo, em Melbourne, vamos ter para aí dez paragens…”, referiu.

A ideia de um desgaste extremo dos pneus é proposital, como aconteceu em 2012. A ideia era de mostrar um equilíbrio artificial nas corridas e proporcionar uma alta imprevisibilidade, sem sabermos quem iria vencer a corrida. Ou que o vencedor fosse o piloto que soubesse gerir melhor os pneus que tiver à mão.

Só que por esta altura, esse tipo de pneus poderá prejudicar os pilotos que querem tentar aprender o mais possivel sobre o novo carro que têm entre mãos, como conta o australiano Daniel Ricciardo, piloto da Toro Rosso: "Enquanto estava atrás de carros fazendo trechos longos de voltas, pareciam que estavam atirando pedaços de borracha em mim."

Com o monopólio da Pirelli neste campo, e com a intenção dos responsáveis da Formula 1 de transformar a categoria num "circo", com um equilíbrio artificial, esses "pneus farinha" ajudam muito nisso. Resta dizer que no final, o grande vencedor será o que se adaptar melhor a este tipo de pneus. Em 2012, Fernando Alonso foi excelente nesse campo, como também foi Jenson Button...

Youtube Video: A coisa do momento com o Tiago Monteiro


Sim, confesso estar cansado de ouvir tanto Harlem Shake. Mas só coloco aqui este video por três coisas: porque foi feito para o Tiago Monteiro, porque foi por alturas do Carnaval e foi por causa de uma reação minha à sua intenção que começou a seguir-me no Twitter. Mais nada.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Youtube F1 Testing: pergunta para Kimi Raikkonen


Há uma boa razão porque por vezes Kimi Raikkonen não gosta muito dos jornalistas. Muitas das vezes, eles fazem perguntas que de tão básicas, merecem a reação que ele teve ontem à tarde, no primeiro dia de testes de Barcelona...

Noticias: Mercedes revela a sua equipa no DTM

A marca alemã anunciou hoje a sua equipa para o campeonato de Turismos, com a grande surpresa a ser a continuidade de Ralf Schumacher na equipa, numa altura em que se falava que não iria continuar na categoria, depois de cinco temporadas sem alcançar a vitória. Os outros pilotos irão ser o britânico Gary Pafett e quatro juniores: o canadiano Robert Wickens, o alemão Christian Vietoris e os espanhois Roberto Merhi e Daniel Juncadella.

Na apresentação da equipa, o novo responsável da Mercedes, Christian "Toto" Wolff revelou que fora endreçado um convite a Robert Kubica, mas que este acabou por o recusar, alegando este ter outros planos. Muito provavelmente, ele poderá ter decidido que iria fazer - ou continuar - ligado aos ralis.

E sobre os jovens pilotos, Wolff referiu o longo passado da marca nesse tipo de envolvimento: “O desenvolvimento de jovens talentos tem uma longa história na Mercedes, então é totalmente lógico aumentar o tamanho da nossa equipe de juniores no DTM pelo segundo ano e dar as boas-vindas ao quarto piloto da equipe: Daniel Juncadella”, começou por apresentar. 

Robert Merhi, Christian Vietoris e Robert Wickens foram confrontados com um desafio extremamente difícil no primeiro ano e com uma nova geração de carros, mas eles foram muito bem, então nunca houve qualquer dúvida de que eles continuariam em 2013. Isso também faz parte de um bem-sucedido programa de desenvolvimento de jovens”, concluiu o dirigente austríaco.

O campeonato de 2013 começa a 5 de maio, em Hockenheim.

Youtube Motorsport: DTM, 1993


O Matthias Mannizer (vulgo Mattzel89) colocou mais um dos seus videos em câmara lenta. E desta vez é especifico: o DTM, a série de turismos alemã que é uma das melhores do mundo. Mas não é de agora, pois recuou vinte anos no tempo paras mostrar como era em 1993, quando pilotos como Klaus Ludwig, Kurt Thim, Bernd Schnider ou Nicola Larini, entre outros, e máquinas como Opel, Mercedes e Alfa Romeo, entre outros.

O filme tem cenas impressionantes e vale a pena. Especialmente os saltos no Nurburgring Nordschleife... 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O regresso da ameaça barenita

A semana passada ficou marcada no Bahrein pela comemoração do segundo aniversário das primeiras manifestações contra o regime sunita, que manda no país, mas é a minoria em termos de população. As coisas, que andavam um pouco mais calmas nos últimos tempos, voltaram a agitar-se e duas pessoas já foram mortas, uma delas um adolescente.

Como seria de esperar, estas manifestações, apesar de acontecer num ambiente mais calmo do que anteriormente - e numa altura em que ambos os lados estavam a ter conversações - o perigo de uma escalada está sempre presente e o risco da Formula 1 ser usado como uma arma de arremesso por parte da oposição é bem real, já que o Grande Prémio vai acontecer a 21 de abril, uma semana depois do GP da China. E em dois meses muita coisa poderá acontecer.

Claro, do lado de Bernie Ecclestone, a corrida irá acontecer, a qualquer custo: “Temos um evento programado lá, assim como lá estaremos da mesma forma como estivemos no ano passado”, decretou. Mas como é sabido, nos corredores da FIA e nas mentes de muita gente nas equipas, a perspectiva de voltar à pequena ilha do Golfo Persico é pouco menos do que um pesadelo. Claro, o governo irá fazer de tudo para assegurar a segurança de pilotos, dirigentes, engenheiros e mecânicos, mas a ideia de que tudo vai voltar de novo é algo do qual não sai da cabeça de muita gente. Especialmente porque por aquelas bandas, a Formula 1 é a "má da fita".

As equipas estão "amarradas" pelos contratos a irem a tudo onde Bernie mandar, e o governo local paga 40 milhões de dólares - se calhar um pouco mais, se ele usou "a sua magia" para os convencer a que fossem por lá - para os ter por ali. E nenhum dos lados se importa que a Formula 1 apareça num pais em que tudo esteja herméticamente fechado para que "o espectáculo continue".

O chato é que com isto, a reputação de ambos os lados vai por água abaixo... e cada vez mais passe a ideia de que em termos políticos, a Formula 1 precise de caras novas e ideias novas.

Revista Speed - edição de fevereiro

E depois de um mês, já saiu a edição de fevereiro da revista Speed. Nesta edição, o nosso natural destaque tem a ver com o Rali de Monte Carlo, a prova de abertura do Mundial de Ralis, vencida por Sebastien Löeb e marcou a estreia da Volkswagen no WRC. Um evento no qual foi coberto pelo nosso mais recente colaborador, Ricardo Batista. 

Para além disso, temos na capa a cobertura de Daytona e ainda falamos sobre os lançamentos dos carros de Formula 1 para 2013, bem como a parte final do Rali Dakar deste ano, que como sabem, terminou em Santiago do Chile. E mais alguns eventos históricos, bem como um tributo a Guido Forti, falecido no passado mês e no qual falamos sobre a saga da sua equipa na formula 1, em meados da década de 90.

Tudo isto e muito mais, podem ler a partir deste link: http://speedrevista.wordpress.com/2013/02/19/speed-fevereiro-2013/

Apresentações 2013: o Williams FW35

A Williams era o último carro do pelotão do qual todos queriam saber como iria ser na temporada que vai começar agora. E em Barcelona, o suspense terminou: o FW35 não tem o degrau na sua frente e é um produto "80 por cento novo", segundo afirmou Mike Coulghan, o diretor técnico da marca. "É um monolugar mais refinado, melhor do que o FW34 e acho que toda a equipa pode sentir-se orgulhosa pelo trabalho que fizemos", referiu o engenheiro inglês.

As alterações em relação a 2012 são ao nível da caixa de velocidades, que é nova, da suspensão traseira, do assoalho e dos escapes, e sobre o "efeito Coanda", Coulghan afirmou que é um desafio a ser levado em conta: “O efeito Coanda será uma grande coisa para nós. Não houve nenhum maior esclarecimento a respeito do regulamento nesta área do carro, então nós vamos trabalhar bem próximos à Renault para elevar ao máximo os ganhos disponíveis. O uso do DRS será mais restrito neste ano, por isso vamos focar noutras áreas”, completou.

Já Sir Frank Williams, fundador e patrão da marca, destacou o esforço e a dedicação dos funcionários em construir mais este carro, e espera que este carro os coloque no caminho das vitórias: “Vamos ter de esperar até a Austrália para realmente ver o que temos, mas acreditamos que esse é um passo à frente em relação ao carro do ano passado, que também foi um carro muito competitivo. Pastor tem um caráter fascinante e um piloto muito determinado, enquanto Valtteri é mais tranquilo, mas muita água ainda vai rolar, e ele é um piloto muito talentoso”, começou por afirmar.

A Williams tem estado no topo muitas vezes ao longo dos últimos 30 anos. É da natureza do desporto termos altos e baixos, mas quando estamos em baixo, sempre lutamos para trilhar o nosso caminho de volta. É isso o que espero que com a atual equipa que temos, que com o nosso novo FW35, o talento combinado de Pastor, Valtteri e Susie [Wolff, a piloto de testes] e o apoio contínuo dos nossos parceiros, que vamos estar em uma posição de lutar com os melhores”, concluiu. 

E é com uma ambição renovada para 2013, a equipa em que Pastor Maldonado é o piloto principal, e terá como companheiro de equipa o novato finlandês Valtteri Bottas, que substituiu o brasileiro Bruno Senna, espera-se que as prestações em 2013 sejam melhores do que no ano anterior, onde apesar da vitória de Maldonado em Barcelona, ele foi mais conhecido pelos seus desastres do que pela sua constância. No final, o piloto venezuelano foi apenas o 15º classificado do Mundial, enquanto que a equipa foi a oitava no Mundial de Construtores.

Youtube Motorsport Comedy: Galvão Bueno na piscina


É um dos videos do momento no Brasil: Galvão Bueno, um dos mais famosos apresentadores desportivos da Rede Globo, diverte-se na piscina, durante o fim de semana do Desafio Internacional das Estrelas, no passado mês de janeiro. 

Ao menos, o homem sabe divertir-se, não é?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Extra-Campeonato: os ídolos caidos destes dias

Todos nós temos um lado negro, do qual depende de nós controlá-lo. Nem todos conseguem, e espera-se que esse demónio não cause muito mal a nós mesmos e aos outros que estão à nossa volta. Só que nem isso  é conseguido, e muitas das vezes, quando se atravessa uma linha vermelha, os estragos podem ser irreversíveis, sem hipótese de redenção. Os desportistas são provavelmente das pessoas mais pressionadas - ou estão mais sujeitas a extremos - quer físicos, quer psicológicos. A obsessão de ganhar, por vezes, leva a extremos, do qual nem todos aguentam. E também fazem despertar o seu pior de si.

Em pouco mais de um mês vimos a queda de dois ídolos: Lance Armstrong e Oscar Pistorius. O ciclista americano, que superou um cancro nos testículos para vencer sete Voltas a França seguidas, afinal, construiu toda a sua carreira à volta de um esquema ambicioso de "doping" sanguíneo, do qual confessou a Oprah Winfrey, num programa de televisão de grande audiência. E esta quarta-feira, Dia de São Valentim, a África do Sul acordou chocada com a noticia de que o atleta de 26 anos, duplo amputado das pernas, tinha matado a sua namorada, Reeva Stenkamp, de 29 anos.

E nos dias que se seguiram, descobriu-se um lado desconhecido de um atleta que lutou arduamente para que fosse aceite para correr nos Jogos Olímpicos, mesmo sendo duplo amputado: obcecado com armas e com um historial de violência doméstica. E as circunstâncias da morte da sua namorada demonstram essa violência: primeiro, espancada com um bastão de cricket, depois atingida com quatro tiros de uma pistola de 9 milimetros, quando esta se trancou na casa de banho da sua casa.

Muito provavelmente, tudo isto aconteceu num momento de fúria incontrolável do atleta, demonstrando o lado escuro deste ser humano que, indelevelmente, surgiu como um choque para todos nós. Mas os sinais estavam lá há muito tempo: numa das suas entrevistas, Pistorius - que a imprensa o alcunhou de "Blade Runner", devido às suas próteses - tinha dito que praticava tiro quando "ficava sem sono" e dormia com uma pistola de nove milímetros ao seu lado. Havia também uma pistola-metralhadora debaixo da janela da sua casa e bastões, um deles o tal de cricket, que haveria de a matar. E a sua aparente paranóia foi manifestada noutra entrevista, quando - alegadamente por ter ouvido um ruido estranho - saltou da cadeira e pegou numa pistola, agachado, procurando por um eventual intruso.

Que a Africa do Sul é um país violento, isso já se sabe. Mas Pistorius vivia num condomínio fechado de Joanesburgo, cercado por muros altos e cerca electrificada e vigiado por guardas, o que daria uma segurança grande. Logo, a ideia de que ele confundiu a sua namorada por um ladrão, como disse inicialmente, está cada vez mais a cair por terra. Esta terça-feira, o dia em que a sua namorada irá ser cremada, em Port Elizabeth, ele tentará convencer o juiz de que quer aguardar o julgamento em liberdade, sob uma elevada fiança.

A história - chocante - de Pistorius faz-me pensar sobre a razão pelo qual termos ídolos no desporto. Na minha opinião, irá sempre depender de como os olhamos para eles. Muitos fazem porque é algo que representa aquilo que queríamos ser e não fomos. Porque olhamos para eles para nos superarmos quando estamos em baixo de forma e queremos dar a volta por cima. Porque eles representam o nosso país, região, clube numa manifestação nacionalista, por vezes, quase irracional. E acima de tudo, porque representa o melhor de nós, seres humanos.

Só que há um problema: eles não são deuses ou ídolos sem falhas. São tipos muito bons na sua área, do qual ganham milhões com isso. E eu fico com a ideia de que são tratados como tal. O melhor exemplo são os que morreram cedo demais, como Ayrton Senna ou Gilles Villeneuve. Muitos os tratam hoje em dia como se fossem semi-deuses, muitas das vezes apagando das suas mentes as falhas e os seus erros, que cometeram. Ou então, sabem transformar as derrotas em vitórias. Acho que em muitos aspectos, a idolatria existente aos desportistas não vêm deles, mas parte de nós, pelas razões que expliquei acima. 

E quando se descobre que os seus ídolos têm pés de barro, o choque e a tristeza são grandes. Exemplos não faltam: na minha adolescência, lembro da novela que foi a decadência de Diego Maradona, com a sua dependência de cocaína e as suas suspensões do futebol, antes de conseguir reabilitar-se. Mas houve outros que não conseguiram ou não estão a conseguir, como Garrincha e George Best, destruídos pelo álcool, ou Paul Gascoigne, que aos 45 anos, passa por mais uma crise devido à sua dependência à bebida. Provavelmente, se chegar vivo aos 50 anos, será um milagre.

No final, toda esta gente não passa de seres humanos com talento. E que são capazes de terem falhas, algo que muitas das vezes não queremos aceitar. Mas uma coisa é ser segundo classificado numa corrida, outra coisa é espancar a tua cara metade e depois abatê-la a tiro, num acesso de fúria. E sobre isso, terá o resto da vida para pensar sobre a atitude irreflectida que tomou. E muito provavelmente, atrás das grades.

Youtube Top Gear: Lewis Hamilton foi ao programa e...

Ontem valeu a pena ver o Top Gear. Richard Hammond foi experimentar o Mastretta mexicano e sobreviveu: Jeremy Clarkson foi jogar rugby com um Kia Cee'd e pediu ajuda a Eric Clapton, Matt LeBlanc e Bruce Willis para ver se o carro vale a pena comprar, e Lewis Hamilton foi ao programa para andar no Suzuki Liana para ver se conseguia bater Sebastian Vettel na voltinha que deu ao circuito do Top Gear.

Sobre a sua passagem da McLaren para a Mercedes, no final do ano passado, Hamilton justificou a Clarkson: "Todos me criticam, mas para mim que estive na McLaren desde os 13 anos, queria mudar. Sou atrevido".

Para ver como correram as coisas, eis o filme da volta que ele deu por lá.  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Youtube F1: O simulador da Ferrari em Maranello


Na minha visia diária ao blog do Humberto Corradi, dei de caras com este video do simulador da Ferrari em Maranello. Confesso que fiquei impressionado, mas mais ainda quando ouvi da parte de Pedro de la Rosa que o simulador da McLaren é melhor e mais sofisticado. 

Hein? O que será que o pessoal de Woking terá que o piloto espanhol o tenha impressionado? Hmmm... enfim, enquanto não vemos o que a McLaren têm, vejam este pequeno video.

O ano da sobrevivência da Formula 1

Não é de hoje que a Formula 1 teve pilotos pagantes, mas nesta era de crise, e onde fora dos "quatro grandes" (Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes) todos os outros penam para ter dinheiro suficiente para terminar a temporada sem problemas, os estreantes são muitos: seis, pelo menos. E os que têm talento, mas não tem a carteira suficientemente funda para poder ficar, queixam-se amargamente da atual situação da Formula 1, como o catalão Jaime Alguersuari.

Despedido da Toro Rosso no final de 2011, esteve a ser piloto de testes da Pirelli em 2012, e apostou todas as suas energias num regresso à categoria em 2013, só que foi preterido por alguém... com dinheiro. “Nunca imaginei que depois da decisão incompreensível da Red Bull me deixar de fora, acabasse fora da Formula 1 em 2013. Tive garantias duma equipa que habitualmente pontua, declinei outros convites fora da Formula 1 e agora tudo acabou. Vou continuar a testar com a Pirelli, e farei mais quilómetros do que qualquer terceiro piloto. Estou convencido que mereço um lugar na Formula 1 e continuarei a lutar por isso.”, referiu.

A queixa de Alguersuari, de 23 anos, tem alguma razão, pois ele foi apontado para a Sauber e a Force India, mas ambas decidiram que iriam apoiar outros pilotos. No caso da equipa suiça, arranjaram uma dupla totalmente nova, com o alemão Nico Hulkenberg e o estreante mexicano Esteban Gutierrez, e no caso da Force India, ainda andam com a saga do segundo piloto, que muito provavelmente está reduzido a um duelo entre o francês Jules Bianchi e o alemão Adrian Sutil.

A ideia de "leilão" que fica, com as equipas a preferirem pessoas com dinheiro do que talentos, não é mais do que uma resposta prática e pragmática ao que se passa por lá. A qualidade decai, é certo, mas tenta-se salvar as equipas, evitando-se que mais abandonem o barco, depois da HRT ter feito isso no final da temporada passada. Mas depois temos de pensar que em 2014 haverá novas regulamentações, que implicam avultados investimentos na construção de carros e motores.

Exemplo disso é a entrevista que Martin Withmarsh, o patrão da McLaren, deu no final da semana passada à Autosport britânica. quando ele diz que sete das onze equipas de Formula 1 "entraram em modo sobrevivência", acrescentando que estes terão dificuldades para manter "um modelo de negócio viável" nos próximas temporadas. E toca num nervo sensível: as equipas mais pequenas não recebem uma renda suficiente dos direitos comerciais da Formula 1, vindas de Bernie Ecclestone.

Apesar de tudo, Withmarsh - que é o presidente da FOTA - elogia Ecclestone pelo seu trabalho: "Nós podemos criticá-lo, mas ele está fazendo um trabalho melhor do que o nosso. Está mantendo o dinheiro em nome dos seus empregadores. O dinheiro comanda este desporto, e isso é profundamente frustrante para alguns de nós, mas é o trabalho dele. Se as equipes ano são coesas o suficiente para trabalhar em conjunto e garantir uma fatia maior, então devem culpar a si mesmas", falou. 

Esta é, se calhar, a interpretação mais grave deste "leilão": o aumento de custos, cada vez mais incontrolável, apesar de existir um regulamento de controle de custos em relação à pesquisa e desenvolvimento dos carros, que é aplicado por todos. Só que, aparentemente, começa a não ser suficiente para sustentar as equipas sem ter de recorrer à figura do "piloto pagante".

Para piorar as coisas, temos noticias cada vez mais perturbadoras em relação ao novo Acordo de Concórdia, que segue teimosamente sem ser assinado, depois do anterior se ter expirado no final do ano passado. Com o novo Acordo, as equipas receberiam uma percentagem maior das receitas da Formula 1, passando de 47 para 63 por cento de um bolo avaliado em 1,2 mil milhões de euros em 2012, mas existe uma tensão com Jean Todt, o presidente da FIA, cujas relações com Ecclestone são cada vez mais frias, por causa dos regulamentos para 2014. Ecclestone já disse por mais do que uma vez à imprensa que "a Formula 1 pode seguir o seu caminho", se a FIA continuasse a impôr as suas regras. E o anãozinho já disse por mais do que uma vez de que não gosta dos motores Turbo.

Dá a ideia de a Formula 1 poderá passar num futuro próximo por uma luta pelo poder, do qual seria a última coisa que precisaria neste momento. E é por isso que digo que, de muitas maneiras, este pode ser o ano da sobrevivência da Formula 1.