Já tinha largado um aviso esta tarde, antes da reunião de Nurburgring, e aparentemente, quando se soube que as oito equipas incluidas na FOTA sairam de lá sem um acordo, e ainda por cima, com o aviso de que as equipas tinham as suas inscrições condicionadas, soube que Max Mosley, de uma certa forma, "rasgou o acordo" que tinha establecido duas semanas antes com Luca di Montezemolo.Eis o comunicado da FOTA, colocado no site brasileiro Tazio:
"Os times foram informados pelo Sr. Charlie Whiting que, contrariando os acordos anteriores, as oito equipes da FOTA, actualmente, não estão inscritas no campeonato de 2010 da F-1 e não têm direito de voto em relação aos regulamentos técnicos e desportivos".
"Em função destas alegações, os representantes da FOTA solicitaram um adiamento das reuniões de hoje. Esta proposta foi rejeitada com o argumento de que nenhum novo Pacto da Concórdia seria permitido antes de uma aprovação unânime dos regulamentos para a próxima temporada."
"Está claro para as equipes que a base dos regulamentos técnicos e esportivos para 2010 já havia sido estabelecida em Paris, tal como foi afirmado pelo Conselho Mundial da FIA em comunicado no dia 24 de junho."
"Em nenhum momento da reunião em Paris foi feita qualquer exigência de um acordo unânime para qualquer mudança de regulamento. Como resultado destas declarações [desta quarta-feira], o Grupo de Trabalho Técnico da FOTA não foi capaz de exercer seus direitos e, portanto, não teve outra opção além de encerrar sua participação na reunião."
Digam o que diserem, a sensação que fico agora é que o acordo de há duas semanas atrás que muitos alardoaram o desfecho como algo "que iria acabar numa pizza", faz-me lembrar os Acordos de Munique, assinados em Setembro de 1938, entre França (Daladier), Alemanha nazi (Hitler), e a Inglaterra (Chamberlain). Quando o acordo foi assinado, Chamberlain mostrou orgulhoso o papel em Londres, afirmando que "era a paz no nosso tempo" perante uma multidão em êxtase. Edouard Daladier, o então primeiro-ministro francês, quando viu a mesma coisa no aeroporto de Le Bourget, afirmou de forma mais pragmática ao seu secretário, Alexis Legér: "Ah, des cons!" (Ah, estes idiotas!)
Quem nunca acreditou nisto foi Winston Churchill. Então um mero deputado na Câmara dos Comuns (mas já um dos mais brilhantes), afirmou a Neville Chamberlain, quando ele regressou a londres com o tratado na mão: "Tinha uma de duas escolhas a fazer:ou a desonra ou a guerra. Escolheu desonrar-se, e vai ter como troca a guerra". Não digo que Luca de Montezemolo seja dos apaziguadores, muito pelo contrário. Mas sabe-se que fazer um acordo com Max Mosley, uma velha raposa, era como que entrar na toca do lobo.
Agora, cada vez mais observo a aproximação das nuvens negras da "racha" no horizonte. E desta vez, acho que nem Bernie Ecclestone pode salvar. Esperem até ao final do mês para ver o que a FOTA diz. Pessoalmente digo isto: se é para ir à guerra, então vamos a isso! E aos que sobreviverem, contem a história aos seus filhos e netos, para que digam no futuro, onde estavam quando a Formula 1 se dividiu em duas.













































