O regresso da Formula 1 aos Estados Unidos, após sete anos de ausência, e 32 anos depois de ter corrido pela última vez num circuito permanente, em Watkins Glen, tinha uma motivação adicional devido à luta pelo título entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Mas após a qualificação, em que se viu que Sebastian Vettel foi o melhor sobre Lewis Hamilton, o problema do "lado sujo e do lado limpo" da pista surgiu em força. Tanto que a Ferrari decidiu esta tarde efetuar uma manobra que, não sendo ilegal, é eticamente inaceitável.
Tudo começou quando se viu que o nono lugar de Fernando Alonso na tabela de tempos se tornou no oitavo posto devido à penalização de Romain Grosjean, devido à troca da caixa de velocidades. Com isso, o piloto espanhol iria largar do lado sujo da pista, o que poderia ser prejudicial para as suas aspirações ao título. A Ferrari decidiu pensar um pouco e resolveu mostrar que iria usar todas as armas legais, mesmo as eticamente inaceitáveis. E assim, decidiu quebrar o lacre da caixa de velocidades do carro de Felipe Massa - que ficou à frente de Alonso na qualificação - fazendo-o ser penalizado em cinco lugares, fazendo com que o piloto espanhol subisse para o sétimo posto, colocando-se no lado limpo da pista.
Tudo isso foi mais do que suficiente para causar polémica nas horas e minutos antes da partida para o Grande Prémio e discutir, mais uma vez, a tática de "vencer a todo o custo" por parte da Ferrari. E foram verdadeiros: Stefano Domenicalli não se escondeu por trás de uma justificação qualquer, disse que penalizaram Massa de propósito para ajudar Alonso. Claro que o precedente ficou aberto, e as outras equipas poderão usar isso de futuro, caso queiram. Mas também poderá ter sido mais uma machadada no prestigio da competição...
Passadas as polémicas, os adeptos preparavam-se para a uma corrida que seria a centésima da carreira de Sebastian Vettel na Formula 1 e que poderia ser a mais importante do ano para ele, pois era o primeiro que estaria em linha com a decisão do tricampeonato.
Na partida, não houve toques. Vettel foi para a frente, enquanto que Alonso subiu para o quarto lugar. Com as primeiras voltas, Hamilton tentou aproximar-se de Webber, para o ultrapassar na quinta volta, enquanto que Alonso era quarto, isolado de tudo e todos.
Com as coisas calmas na frente, o grande motivo de atração era no meio do pelotão, com os carros a seguirem uns atrás dos outros, como se fossem uma das caravanas do Velho Oeste, e os pilotos a trocaram facilmente de lugares. Mas aos poucos, Hamilton aproxima-se de Vettel para tentar apanhá-lo e ficar com a liderança. E as coisas pioram para os energéticos quando Webber tem uma falha no seu alternador na volta 18 e fica de fora da corrida.
E à medida que a segunda parte da corrida acontecia, a luta pelo comando aquecia. Lewis Hamilton aproximava-se de Sebastian Vettel, comendo centésimos atrás de centésimos, com Vettel a tentar reagir, fazendo as voltas mais rapidas da corrida. Mas aos poucos, o piloto da McLaren conseguiu apanhá-lo, passando na volta 41. Após a passagem do piloto da McLaren, esperava-se que ele se afastasse de Vettel, mas a diferença nunca foi superior a um segundo e meio, e assim o piloto alemão ainda teve esperanças de recuperar o comando.
Contudo, Vettel foi incapaz de apanhar Hamilton e o piloto da McLaren torna-se no primeiro vencedor de Austin, cinco anos depois de ter vencido pela última vez numa prova americana, em Indianápolis. Apesar de Vettel ter sido segundo classificado, aumentou mais a diferença para um Fernando Alonso, que terminando no lugar mais baixo do pódio, pouco se viu na corrida, na frente de Felipe Massa, o quarto classificado.

Contudo, a Red Bull iria sair de Austin com um titulo: o de Construtores. O terceiro consecutivo, premiando a parte final da temporada. Mas o título de pilotos, que a Red Bull queria que fosse resolvido em Austin, acaba por ser adiado para Interlagos, como os adeptos da Formula 1 queriam. Em termos de campeonato, Sebastian Vettel ainda tem a faca e o queijo na mão e depende dele mesmo para conquistar o título, e Fernando Alonso, mesmo que a equipa esteja totalmente atrás dele, estará dependente de terceiros para conseguir o seu tricampeonato em Interlagos.