Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Olimpicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Olimpicos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de julho de 2024

A imagem do dia



Os Jogos Olímpicos tem milhares de histórias humanas, e cada uma é rica por si, mas entre os mais de 10 mil atletas, estão os 124 da República da Irlanda. E entre eles está Sarah Lavin, uma barreirista de 30 anos que tem como melhor resultado um terceiro lugar nos Jogos Europeus de 2023, na Polónia, e chega a Paris para os seus segundos Jogos Olímpicos da sua carreira, e a carregar a sua bandeira como porta-estandarte, ao lado do golfista Shane Lowry.

Certamente, perguntarão porque trazer uma barreirista para aqui, num blog de automobilismo. A razão é simples: ela era a companheira de Craig Breen, o piloto da Hyundai morto em abril de 2023, quando se preparava para o rali da Croácia.

Claro, questionada sobre isso quando a entrevistaram, em preparação para este evento, ela respondeu:"Estou a correr por muita gente. E espero manter o espírito do Craig perto de mim nos próximos dias, como sempre". 

Lavin, nascida a 28 de maio de 1994, em Lisingary, em Limerick, estudou no City College de Dublin e começou a competir ao mais alto nível em 2012, nos mundiais de juniores, antes de ser vice-campeã europeia, em 2013. A carreira dela teve diversas finais importantes, como nos Europeus de 2022 e 2024, embora não acabasse dentro das medalhas. 

A sua carreira, embora digna de registo, era mais modesta que Breen, quatro anos mais velho que ela e que começou cedo a competir, por causa da paixão familiar. Afinal de contas, o pai era piloto de ralis. Chegou ao WRC em 2009 e antes de ser piloto de fábrica, em 2016, pela Citroen, passou por um enorme drama em 2012, no Targa Florio, quando se acidentou contra um guard-rail e o seu navegador, Gareth Roberts, sofreu ferimentos fatais. Quando quatro anos depois, Breen acabou em terceiro no rali da Finlândia, chorou profusamente ao se lembrar do seu amigo e navegador morto. 

Em 2019, Breen passou para a Hyundai, fazendo campanhas parciais, que acabaram com grandes classificações, nomeadamente segundos lugares na Estónia (2020 e 2021), Bélgica, em 2021, e um terceiro lugar na Finlândia. Em 2022 foi para a Ford, fazer uma temporada a tempo inteiro, mas embora tenha conseguido dois pódios e o sétimo lugar no campeonato, com 76 pontos, em 2023, regressou à Hyundai e conseguiu um segundo lugar na Suécia, antes do seu acidente fatal em terras croatas.

Breen está enterrado em Wateford, na sua terra natal. E entre aqueles que se recordam dele, está uma barreirista que certamente dará o seu melhor, e mais além, para que ele não seja esquecido.      

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

A aspiração olímpica do automobilismo


Surge por estes dias a noticia de que o automobilismo está a ser considerado como um novo desporto para os Jogos Olímpicos de 2028, que se realizarão na cidade americana de Los Angeles. A modalidade está ao lado de outras aspirantes como o Flag Football - uma variante do futebol americano, mas sem contacto entre os jogadores - o críquete, uma modalidade essencialmente anglo-saxónica e desporto numero um em países como a Índia, o Paquistão e o Bangladesh, o beisebol-softbol (que entra e sai do programa dos Jogos Olímpicos, tendo estado em 2020, mas não em 2024), o lacrosse, o breakdance - que está no programa de 2024 - o karatê, o kickboxing e o squash.

Apesar do automobilismo e da motonáutica terem estado nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1900, não mais regressarem por causa de um obstáculo evidente: segundo a Carta Olímpica, a propulsão mecânica não é permitida. Contudo, a rápida conversão do automobilismo à eletricidade fez mudar as coisas nesse sentido, e o facto da FIA ter organizado desde 2019 o FIA Motorsport Games, que desde então acontecem de dois em dois anos - a de 2022 foi em Marselha, com o circuito de Paul Ricard no centro das atenções, e em 2024 será no circuito Ricardo Tormo, em Valência - as várias modalidades ali metidas, desde o karting aos ralis, passando pelos Turismos, monolugares, drifting e até os ESports, tentam colocar o automobilismo à consideração do Comité Olímpico Internacional, num esforço para colocar desportos mais condizentes aos tempos que vivemos, quase no primeiro quarto do século XXI.

A decisão sobre quais serão os desportos incluídos nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 é esperada até o final de setembro, mas a ideia do automobilismo aplicar-se fortemente na maior realiação desportiva do mundo, realizado a cada quatro anos é algo impressionante. Especialmente quando falamos que o automobilismo tem coisas como o karting, a Formula 1, o Mundial de Ralis, o Mundial de Endurance e a Formula E, competição elétrica.

A tentativa séria de colocar estes desportos - que se iniciou com Jean Todt, e Felipe Massa é o embaixador da FIA junto do Comité Olímpico - mostra que, por um lado, as coisas começam a ficar flexibilizadas, mas por outro, não no sentido de se modificar ou rasgar a Carta Olímpica. E ainda por cima, nestes tempos que correm, há modalidades dentro do olimpismo, mais tradicionais, como o halterofilismo, o boxe, a luta greco-romana, estão ameaçados de exclusão devido aos imensos escândalos de doping, especialmente vindos dos países do antigo bloco soviético, que levaram ao extremo de colocar a Rússia fora dos Jogos, devido ao "doping" estatal, muito antes da invasão russa da Ucrânia, em 2022. 

Quer o automobilismo, quer algumas das aspirantes a integrar o programa olímpico são modalidades onde os casos de doping são escassos, e quando acontecem, o tipo de drogas são mais no sentido do relaxamento - a grande maioria são cannabis, uma droga que está no processo de legalização nos Estados Unidos, Brasil e Alemanha, e já é legal no Uruguai, Canadá, México e África do Sul - do que as habituais drogas de performance, muito encontradas nas modalidades acima referidas. 

O grande problema será este: o Comité Olímpico exigirá o quê em troca da inclusão do automobilismo nos Jogos? Eletrificação total de todas as categorias? Se sim, o espírito da Carta Olímpica estará a ser respeitada? E se for excluída, alguma das modalidades será adequada para os tempos que vivemos? É que o Comité Olímpico Internacional deseja neste momento modalidades que atraiam os jovens para assistir às competições, como tem agora o BMX, o skate, o surf, a escalada e em 2024, o brakedance. O automobilismo, apesar de querer acompanhar os tempos, e dar todas as chances a todos os pilotos, terá de ser convincente para poder, não só entrar, como ficar por muito tempo no programa olímpico. 

Esse é o grande desafio. 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Os planos da FIA para entrar nos Jogos Olimpicos

Automobilismo, modalidade olímpica? Aparentemente, tal coisa é incompatível, embora tenha havido uma prova de motonáutica na edição de 1900, realizado em Paris. Contudo, o COI anunciou recentemente que o karting será modalidade olímpica de demonstração na edição dos Jogos Olimpicos da Juventude, que terá lugar entre os dias 6 e 18 de outubro em Buenos Aires, a capital da Argentina.

Para quem não sabe, o COI, Comité Olimpico Internacional, acolheu a FIA em 2012 como seu membro. E desde essa altura que a bandeira de Jean Todt no seu mandato, a segurança na estrada, tem sido acolhida pela competição. E este ano, a entrada do karting nesta competição poderá servir como forma de entrada no palco maior, o dos Jogos Olimpicos. Especialmente com uma competição como o e-karting.

Numa entrevista ao site racingfans.net, Peter Bayer, secretário-geral da FIA, explicou que existe um plano desde há algum tempo para acolher a modalidade, e poderão passar mais tempo até que esta seja aprovada... ou não.

“Em Nanjing, [edição de 2014] da Olimpíada da Juventude, eles introduziram skate e escalada”, explica Bayer, “desportos que depois entraram no programa olímpico”, prosseguiu. 

O plano de Bayer - que ajudou a organizar os Jogos de Inverno da Juventude em Innsbruck, em 2012 - é o de introduzir uma classe de karting elétrico, o e-karting, onde os pilotos competiriam de igual para igual num carro próprio, à semelhança do que se vê na vela. Em paralelo, seria promovida a segurança na estrada. Contudo, em Buenos Aires, o e-karting será um desporto de demonstração, para saber se será possível a sua entrada definitiva no programa da juventude olímpica, numa primeira fase. 

"Obviamente, como meu coração está a bater pelo desporto e na minha conversa com o COI, basicamente dissemos que se trouxermos educação sobre segurança no trânsito, também queremos mostrar o E-karting", começou por dizer Bayer.

“Também garante um nível de desempenho igual e absoluto para cada atleta, o que sempre foi um dos problemas que estávamos tendo na história falando sobre o automobilismo nas Olimpíadas. Você pega um barco à vela, eles produzem um desenho, um só, todos têm o mesmo barco. Qual é a diferença entre um barco a vela e um E-kart? Nada, porque agora tem tudo a ver com o piloto e as suas habilidades”, continuou.

"Eles disseram que, obviamente, você não pode simplesmente entrar e administrar um evento olímpico da Juventude com medalhas e tudo. Mas ficaríamos felizes por mostrar a modalidade ao lado da educação sobre segurança na estrada.

"Então, o que vamos fazer é que [iremos] estar provavelmente no Parque Olímpico, onde está apresentando a maioria dos desportos, com uma grande tenda de segurança na estrada, que será muito interativa, combinada com elementos educacionais. E teremos o slalom de karting durante a realização dos Jogos. Além disso, faremos uma demonstração de corrida no Autódromo de Buenos Aires, que está sendo discutido para potencialmente voltar à Fórmula 1. E então lá novamente começa a se alinhar porque é sobre segurança no trânsito, educação, o futuro do automobilismo. A cidade de Buenos Aires está fortemente preocupada com a educação em segurança rodoviária, mas eles também são grandes fãs de automobilismo”, concluiu.

A discussão ainda está em aberto, mas Bayer deseja que aconteçam competições no masculino e feminino, com cerca de cinquenta atletas cada um.

Contudo, a perspectiva do automobilismo se tornar um desporto olímpico, é um primeiro passo que agrada o brasileiro Felipe Massa, ex-piloto e agora presidente da comissão de kart da FIA.

"Acho incrível. Nunca tivemos carros ou desportos a motor nos Jogos Olimpícos. Se eles conseguirem fazer isso, acredito que o kart seja a solução perfeita para isso se concretizar", disse Massa à racingfans.net.

Contudo, todos reconhecem que existe um longo caminho até se chegar a uma conclusão positiva - ou não. Mas na próxima década poderá haver resultados. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

5ª Coluna: Automobilismo e Jogos Olimpicos

Por esta altura, estamos todos colados à televisão a ver os Jogos Olimpicos, que decorrem desta vez em Londres. As dezenas de modalidades do qual só ouvimos falar uma vez a cada quatro anos - quantos de nós acompanham frequentemente a luta greco-romana ou os saltos de trampolim? - nos deixam embasabacados com a facilidade que realizam as suas provas, que tão complicadas nos parecem aos nossos olhos, dando o seu melhor para conseguir ou uma medalha, ou um diploma, ou então uma classificação honrosa que faça com que a sua participação tenha valido a pena.

Sendo os Jogos Olimpicos uma realização única, do qual todas as modalidades gostariam de lá estar a participar nessa celebração, para conseguir uma visibilidade que fora dela quase nunca têm - basta ler os exemplos que deu acima - sei que alguns também perguntam "porque não o automobilismo?". E ainda por cima, essa pergunta se fez mais quando se viu, no espaço de algumas semanas, Bernie Ecclestone a receber o presidente do Comité Olimpico Internacional, o belga Jacques Rogge, e de se ter visto Bernie Ecclestone nas instalações olimpicas, a pretexto daquele local ser provavelmente o futuro lugar para um hipotético "GP de Londres".

Para além disso, no inicio da semana passada, li o artigo do Joe Saward, onde ele defendia que o automobilismo - ou a Formula 1 - deveria ser uma modalidade olímpica, dando o exemplo do hipismo, perguntando, entre outras coisas, sobre o elitismo de certos desportos ("você ultimamente tentou comprar algum cavalo de dressage?) ou a interpretação de certas regras ("Porque é os eventos equestes são desportos olimpicos? Qual é a diferença de um cavalo [animal] para outro cavalo [mecânico]?")

Primeiro que tudo, um cavalo de "dressage" é caro - cheguei a ler por estes dias que o mais caro custa à volta de 15 milhões de dólares - e segundo, apesar de serem válidas as questões sobre a razão pela não participação do automobilismo nas Olimpíadas - havia corridas de carruagens no tempo dos gregos e romanos -, não creio que se deveria incluir o automobilismo nos Jogos Olimpicos. Primeiro que tudo, o Comité Olimpico Internacional, que se vê bombardeado todos os anos com a inclusão dos mais diversos desportos - squash, basebol ou hóquei em patins, entre outros - e ainda por cima, em 2016, no Rio de Janeiro, terá desportos novos como o rugby sevens e o golfe. Ora, numa grande realização que acontece de quatro em quatro anos e que tem de durar dezasseis dias, colocar eventos especiais, seja em pista, seja em estrada, não me parece justo porque ao contrário do esforço humano, não se alinham com máquinas iguais.

Vamos supor que o automobilismo existisse como modalidade olímpica. Para que fosse de acordo com o espírito olímpico, teriam de alinhar com máquinas iguais, seja ele no karting, em Formula 1 ou nos ralis, que seriam as três modalidades de eleição. Poderiam colocar alguma das categorias de acesso, como a GP3 e a GP2, que tem máquinas iguais, a tendência dos últimos anos, e também se poderia incluir carros de Turismo, para melhorar as coisas. Mas existiriam obstáculos dos quais seriam de difícil transposição, a começar pela marca do automóvel.

Suponhamos que havia uma disciplina de Formula 1, e a McLaren forneceria 26 carros para essa categoria. Certo que Jenson Button e Lewis Hamilton teriam o maior favoritismo,m dado que conheceriam o carro com a palma das duas mãos. Mas será que os pilotos das outras equipas, como a Mercedes, Williams, Red Bull, Ferrari... etc, iriam achar bem ver um dos seus pilotos a guiar, nem que seja um "one-off", o carro de outra equipa? E com apenas os três primeiros a subirem ao pódio e a receber as medalhas, não reavivaria o velho sonho de Bernie Ecclestone do "winner takes all" e do qual os donos de equipas lutaram para que isso não acontecesse? 

Sei que colocar o automobilismo nos Jogos Olimpicos é um velho sonho que Ecclestone se lembra de quando em quando, mas não creio que seja algo exequível. Para mais, as corridas extra-campeonato já não existem desde 1983...

E se falo disso na Formula 1, a mesma coisa poderei falar em relação aos ralis. Contudo, com a criação das categorias monomarca, com o mesmo chassis, motor e fornecedor de pneus, tal coisa é à partida exequível. Sei disso e sei também que a ideia de Saward não é tão estapafurdia quanto parece. E ir buscar os velhos chassis das extintas A1GP ou da Superleague Formula até seria fácil, feitas algumas modificações em termos de segurança, mas em termos de espírito olímpico, ver uma ou várias disciplinas de desportos motorizados - e já me ia esquecendo das corridas de motos e a motonautica - onde o esforço do piloto tem a ajuda do motor, não se coaduna com os ideais do Barão Pierre de Coubertin. 

Mas nunca se sabe o que vai acontecer no futuro...  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Extra-Campeonato: sobre a "nossa" prata na canoagem

Não vou dizer "custou, mas foi", direi mais que sempre acreditei - em silêncio, muitas vezes - no potencial da equipa de canoagem. Sei perfeitamente, embora não estando totalmente dentro da modalidade, que nesta modalidade, a federação está a fazer um sólido trabalho, com dinheiro, apoios e instalações para que os atletas possam treinar calmamente para que este dia pudesse ser possível.

Sabia, pelo palmarés que esta gente anda a alcançar nos Europeus e Mundiais da modalidade, que a medalha olímpica seria uma inevitabilidade, nunca foi um "se" mas sim um quando. Aliás, até acreditava que hoje poderíamos ter visto algo ainda mais histórico, que seria vencer mais do que uma medalha no mesmo dia, na mesma modalidade. Ainda se vai a tempo, pois a canoagem tem mais uma final para disputar.

De uma certa maneira, a psique portuguesa ficou acalmada. Li muitos disparates vindos de "sábios", afirmando que esta participação já era um desastre, que iríamos sair de Londres sem medalhas, etc e tal. É certo que neste país não se aposta no desporto escolar como deveria de ser, é certo que em termos de Educação neste país, o ministro esteja agora numa lógica armazenista, com corte de disciplinas, mega-agrupamentos e turmas de 30 alunos, achando que cortar é que é bom, poupar algumas centenas de milhões porque vivemos em tempos de austeridade, etc e tal, é que nos vai salvar, quando muito provavelmente está a destruir o futuro.

Antes, queixávamos da falta de condições, agora é o contrário: temos condições, agora é encontrar a mão de obra humana. Que existe.

Mas acho que por hoje, deveríamos acalmar as criticas. Os dois canonistas, Emanuel Silva (apesar de ter 26 anos, vai nos seus terceiros Jogos Olimpicos) e Fernando Pimenta, de 22 anos, tiveram hoje a recompensa dos seis meses de estágios que estiveram juntos, dos milhares de quilómetros que pagaiaram, num barco nacional, das saudades de casa, da família, dos amigos. Sacrificaram-se para este dia, e mesmo que não tivesse compensado com medalha, já tinham alcançado algo inédito: uma final olímpica na canoagem. Há oito anos, se alguém dissesse que iriam ter até agora 75 por cento dos seus atletas numa final olímpica, seria uma utopia, um "whishful thinking". Pois bem, hoje é uma realidade. Prova de que o trabalho vale a pena. 

E se o ouro não chegou por uma nesga (53 milésimos, menos do que certas qualificações de Formula 1...), não importa: fizeram história na mesma. E poderá ser a primeira de muitas. Creio que hoje, o resto de Portugal descobriu que esta é uma modalidade do qual será uma potência mundial a médio prazo, porque tem tudo: atletas, condições e uma federação que os apoia.

Parabéns rapazes, bom trabalho. E parabéns a todos os que se esforçaram e se superaram, pois é esse o espírito olímpico, independentemente do resultado. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

O fabuloso Nasser Al-Attiyah

Já sabemos que ao longo da história do desporto houve pilotos de Formula 1 e restantes automobilistas que representaram o seu país nos Jogos Olimpicos. O nobre tailandês Bira ou o argentino Roberto Miéres foram dois exemplos, em vela. Mas nenhum deles conseguiu algo que o qatari Nasser al Attiyah obteve esta tarde: uma medalha. Aos 42 anos, e depois de ter vencido o Rally Dakar em 2010, conseguiu a medalha de bronze na modalidade de "skeet", na sua quinta participação olimpica.

O piloto - e atirador - qatari precisou de ir para um desempate com o russo Valeri Shomin depois de terem empatado a 144 pontos, menos dois do que o campeão olimpico Vincent Hancock. Nas eliminatórias, Al-Attiyah tinha ficado em quarto lugar, atrás de Shomin. O dinamarquês Anders Golding ficou com a medalha de prata. Com este resultado, o Qatar consegue a sua primeira medalha em Londres e a terceira da sua história, todos de bronze.

Claro, já não vai a tempo de participar no Rali da Finlândia - para o seu lugar veio o australiano Chris Atkinson - mas pelo menos pode-se dizer que a sua participação em Londres já compensou. E este é mais um feito na sua longa lista. Parabéns, Nasser!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Extra-Campeonato: a boa e a má parte dos Jogos Olimpicos

É hoje. Vai ser hoje. está a acontecer agora. Sete anos depois de ser escolhida, quatro anos depois da última vez que vimos tudo isto em Pequim, agora é a vez de Londres acolher pela terceira vez na sua história os Jogos Olímpicos, depois de eventos em 1908 e 1948. Os Jogos Olímpicos são definitivamente a coisa desportiva mais importante do mundo, pois coloca lá todas as nações reconhecidas pelas Nações Unidas e pelo Comité Olímpico Internacional. Por lá andarão dez mil e quinhentos atletas de todo o mundo, dando o seu melhor para chegar às medalhas. Mas para muitos, só participarem lá já é um feito, pois trabalharam muito para chegar, demonstrando que são os melhores do seu país, mesmo que a medalha seja uma mera ilusão.

Pessoalmente, eu gosto muito dos Jogos Olímpicos. Ainda me lembro da primeira vez que vi uma cerimónia de abertura, em 1984, em Los Angeles. Tinha então oito anos, e para mim foi algo que me fascinou quase de imediato. Não sabia, então, que todo o Bloco de Leste tinha boicotado os Jogos Olímpicos, com retaliação pelo boicote americano e ocidental pelos Jogos de Moscovo. Lembro-me de ver na TV os feitos de Joaquim Cruz, o brasileiro que venceu os 800 metros, e que por causa disso, provavelmente, me deu um especial fascinio por essa distância, mas também vibrei, especialmente com a medalha de ouro de Carlos Lopes, na Maratona.

Para quem me lê no Brasil, o feito de Lopes foi quase o equivalente a vencer a Copa do Mundo ou algo parecido. É que até ali, nenhum atleta português tinha vencido uma prova nos Jogos Olímpicos. Vencer medalhas, sim. Mas a de ouro, nunca. E quando milhares de pessoas ficaram de pé, sem dormir, madrugada adentro, a vibrar e a chorar quando ouviram pela primeira vez o hino nacional a ser tocado num evento como estes, sabiam que estavam a viver um momento único, como se nunca pensaram que tal coisa iria acontecer nas suas vidas.

Os anos passaram, e o meu fascínio tem os seus altos e baixos. Mas por um tempo pensei em ser atleta olimpico, quando tinha doze anos. Pensei entre natação e atletismo - os tais 800 metros... - mas nunca consegui grandes resultados. A febre passou e concentrei-me noutras coisas.

Eu posso estar adormecido nestas coisas, mas sinto que por estes dias, a minha febre está a voltar. Tem um lado bom - vou estar mais atento à televisão - mas tem um lado mau. O lado mau chama-se "medalhite". Não que eu exija que todos os atletas que estão na delegação olímpica ganhem medalhas, mas sei que a cada quatro anos, as pessoas acordam de uma letargia e depois pensam que isto é como no futebol, que "vamos buscar o caneco" ou que "o caneco é nosso". Vivo em Portugal, um pais cujos niveis de atividade fisica são das mais baixas da Europa. O numero de atletas filiados em clubes é baixo, seja em que modalidade for.

É certo que se verificaram avanços nos últimos anos em várias modalidades individuais, como o atletismo, o judo, a canoagem, o triatlo, o ciclismo, os saltos de trampolim, o ténis de mesa. Temos muitos campeões e finalistas europeus, mas estamos desfalcados de muitos dos nossos bons atletas. O campeão olimpico do triplo salto, o Nelson Évora, está de fora devido a lesão. Francis Obikwelu e Naide Gomes, a saltadora em comprimento, está também de fora. Vanessa Fernandes, a medalha de prata no triatlo em Pequim, está também de fora porque teve um esgotamento nervoso em 2010. Portanto, as expectativas portuguesas andam em baixo. E num pais em que consegue uma média de duas a três medalhas por cada edição dos Jogos Olimpicos, teme-se o pior.

Essa é a má parte. Mas se falo da perspectiva portuguesa, a brasileira não deverá ser muito melhor. Afinal de contas, estamos a falar do país que vai receber os próximos Jogos Olimpicos, no Rio de Janeiro, que vai ter de fazer um enorme investimento em termos de infraestruturas e também em termos humanos, para não passar mal no quadro das medalhas. E o Brasil vai querer bater o recorde de medalhas aqui em Londres, para depois "pulverizar" no Rio. Não é fácil, não será fácil. As pressões serão enormes.

Francamente, gostaria de ver os Jogos tal qual como é e como deveria ser: uma celebração. E espero vê-los dessa forma. Mas o outro lado vai assombrar ao longo destes 16 dias, isso sei eu. As pessoas tem uma auto-estima muito bipolar...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A sereia de Bottas

Sei reconhecer uma beleza quando vejo uma. Já a tinha visto o ano passado, quando posou ao lado de Valteri Bottas, quando este conquistou o campeonato de GP3. Mas não sabia que ela também é famosa por mérito próprio. É que Emilia Pikkarainen, de 19 anos, é nadadora. Olimpica. E com essa idade, vai estar pela segunda vez nuns Jogos Olimpicos, nadando nos 100 e 200 metros mariposa (borboleta), bem como os 200 metros estilos (medley), estilos no qual é recordista nacional. 

Quem conta isto hoje é o Luis Fernando Ramos, o Ico. Ele conta também que Bottas vai querer ver as prestações dela na piscina olimpica londrina, mas que provavelmente falhará as eliminatórias, pois vão acontecer no fim de semana húngaro. Mas nos dias seguintes deverá voar para Londres, no sentido de ir vê-la pelo menos nas eliminatórias dos 200 metros estilos.

Em relação ao palmarés internacional de Pikkarainen, é modesto: apenas uma medalha de bronze no Europeu de pista curta de 2010, na cidade holandesa de Eindhoven, quando nadou na equipa de estafetas finlandesa nos 4x50 metros estilos. Em Pequim, dois anos antes, e ainda com a idade de 15 anos, tinha 46ª na sua eliminatória dos 100 metros mariposa. O seu irmão Ville Pikkarainen também é nadador na seleção, mas nas camadas mais jovens.

Pode-se dizer que neste caso em particular, a cara metade de Bottas é uma verdadeira sereia.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A pose da vitória

Entre mais um Grande Prémio e o começo dos Jogos Olimpicos, que acontecerão esta sexta-feira em Londres, no passado dia 17, quando passeava pela Net, dei por mim a ler este artigo vindo do jornal "Público" que publicava este curioso artigo da revista americana "Science and Human Behavior" em que se analisava as expressões de vitória que os seres humanos têm, o seu grau de espontaneidade e o que podemos diferenciar de algo distintivo do fabricado, como o de mostrar aos outros "Who's the Boss", ou algo assim. E descobriu-se que há a vitória e há o orgulho pessoal, que são expressões completamente destrinçadas.

Eis o artigo na íntegra:

A "pose de vitória" é um gesto universal de triunfo e não de orgulho pessoal

17.07.2012 - 17:52 Por Ana Gerschenfeld

Braços estendidos em forma de “V”, punhos fechados, expressão tensa do rosto, por vezes acompanhada de um grito. É a chamada “pose de vitória”, a que já nos habituámos quando um atleta ganha uma competição. Mas qual é a emoção que a motiva?

Há uns anos, David Matsumoto, da Universidade Estadual de São Francisco, e colegas, tinham analisado uma série de atletas olímpicos e chegado à conclusão de que as suas reacções emocionais imediatas a uma vitória ou a um fracasso – que para os cientistas revelavam, respectivamente, sentimentos de orgulho e de vergonha – eram independentes da cultura do desportista e estavam “programadas” nos circuitos cerebrais de todos os seres humanos.

Mas agora, Matsumoto quis saber se algumas das expressões que na altura tinham sido classificadas como sendo de orgulho não seriam indicadoras de uma outra emoção, bem diferente. Mais precisamente: seria a pose de vitória o reflexo, não do orgulho pessoal sentido pelo atleta no momento da vitória, mas uma emoção ainda mais imediata?

Num estudo que deverá ser publicado na edição de Setembro da revista Evolution and Human Behavior, a sua equipa sugere agora que, efectivamente, a pose de vitória – tão característica, universal e inata – é, afinal, uma expressão de triunfo. A confirmar-se este resultado, o triunfo passaria a ter o estatuto de emoção de pleno direito e não o de componente de outra emoção humana mais complexa.

No novo estudo, os cientistas mostraram a um grupo de voluntários de duas culturas bastante diferentes – norte-americana e sul-coreana – fotografias de judocas de 17 países que tinham acabado de ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos de 2004. E pediram-lhes para definir a emoção retratada, escolhendo-a numa lista de possibilidades que lhes fora fornecida (e da qual constavam, obviamente, “triunfo” e “orgulho”). 

Após uma série de testes deste tipo, constataram que a pose da vitória tinha sido classificada como sendo uma expressão de triunfo. Pelo contrário, nas que foram classificadas como expressões de orgulho, a atitude do atleta era diferente: braços afastados do corpo, mãos abertas, um ligeiro sorriso.

“Uma das maiores diferenças entre o triunfo e o orgulho é visível na cara”, diz Matsumoto (ex-treinador olímpico de judo premiado) em comunicado. “Quando alguém se sente triunfante após um concurso ou um desafio, a cara pode apresentar uma expressão bastante agressiva. Como o Michael Phelps quando ganhou os JO [de natação] de 2008. É muito diferente do pequeno sorriso que vemos quando alguém se sente orgulhoso de si próprio.”

Uma análise mais aprofundada das fotografias apresentadas aos participantes mostrou ainda que a expressão de triunfo surgia, em média, quatro segundos depois da vitória do judoca, ao passo que as expressões de orgulho surgiam, em média, 16 segundos depois do desfecho do encontro. Para Matsumoto, o facto de a expressão de triunfo anteceder a de orgulho tem uma explicação simples: as expressões de triunfo são declarações de sucesso, enquanto as de orgulho ocorrem quando a pessoa se sente satisfeita de si própria – o que exige alguns instantes de auto-avaliação.

Transportando isto para o automobilismo, pode-se distrinçar isso de modo fácil. Ver pilotos a quererem sair do carro em andamento, levantando o punho ou gritando dentro do seu capacete, como era no passado é mais espontâneo do que o Sebastian Vettel a colocar o dedo indicador em riste. Como é um gesto que já se tornou frequente, pode-se dizer que é a imagem de marca do alemão. O "salto de canguru" Webber também poderá ser considerado como algo espontâneo, mas a melhor altura para ver ambas as expressões será no instante após terem estacionado o carro na boxe, após a corrida, e depois, no pódio, quando se entregam os prémios ou se ouvem os hinos.

Mas de uma certa forma, este estudo e esta explicação das expressões de vitória no final de qualquer realização desportiva, é um assunto interessante. E vai ser mais uma coisa do qual iremos estar a observar no futuro.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Nasser Al-Attiyah e os automobilistas olimpicos

O Regys Silva tem, desde o inicio do ano, um blog sobre os Jogos Olimpicos, o Surto Olimpico. É bem feito e muito informativo e está sempre aberto às colaborações dos outros. Ele já me tinha pedido desde há algum tempo para que colaborasse por lá, e aceitei. Só que o tempo e outros compromissos - o meu blog, a revista, etc... - fizeram com que esquecesse ou colocasse  para o último lugar a escrita de um post no blog. Até que duas coisas aconteceram: uma conversa com ele e uma noticia sobre Nasser Al-Attiyah, o homem que está metido em tudo, vencedor do Rally Dakar e piloto no WRC a bordo de um Citroen DS3, mas que é também praticante de tiro aos pratos. Foi um bom pretexto para escrever o seguinte para o blog:

"Automobilismo e olimpismo parecem ser duas modalidades à partida contraditórias e até imcompatíveis. Mas por estes dias há uma pessoa que consegue compatiblizar tudo isso sem problemas. Aliás, essa é uma das facetas de um dos desportistas mais importantes do seu país e uma das personalidades mais reconhecidas. É a personalidade menos conhecida de Nasser Al-Attiyah, vencedor do Rally Dakar em 2011 e atual piloto do Mundial WRC de ralis, a bordo de um Citroen DS3 WRC. 

Nascido há 42 anos em Doha, capital do Qatar, chega a Londres para participar na sua quinta olimpiada, depois de nos Jogos Asiáticos de Guangzhou, em 2010, ter conseguido duas medalhas na modalidade de Tiro aos pratos. Tem um historial olimpico relativamente modesto - nunca venceu uma medalha - mas em 2004, em Atenas, esteve prestes a alcançá-lo, quando terminou na quarta posição. Quatro anos antes, em 2000, nos jogos de Sydney, acabou no sexto lugar. Em 2008, apesar de ser o portador da bandeira do seu país na cerimónia de  abertura, falhou o acesso à final por apenas dois pontos, acabando na 15ª posição.

De facto, por causa da sua preparação para os Jogos, a sua paticipação no Mundial de Ralis será parcial. Devido a isso, vai falhar os ralis da Nova Zelândia e da Finlândia. No primeiro, o seu lugar foi ocupado pelo belga Thierry Neuville, enquanto que no segundo rali, esse lugar pertencerá ao australiano Chris Atkinson, com o qatari só a regressar a tempo inteiro no final de agosto, no Rali da Alemanha."

Havia mais, sobre os pilotos de Formula 1 que foram atletas olimpicos, mas o Regys disse-me que já tinha sido feito pelo meu amigo Paulo Abreu, do Volta Rápida, e assim sendo, decidi colocar esta segunda parte por estas bandas, nem que fosse para relembrar.

Assim sendo, escrevi Nasser Al Attiyah não tinha o unico piloto de automóveis que participou em Jogos Olimpicos. Antes dele, três pilotos de Formula 1 estiveram a repsresntar os seus países, todos eles depois de terem concluido as suas carreiras nas pistas. O holandês Ben Pon Jr., filho de Ben Pon, idealizador da Kombi, participou numa corrida na temporada de 1962, e dez anos depois, em Munique, participou na equipa holandesa de tiro aos pratos, a mesma modalidade de Nasser al Attiyah. Nesse concurso, terminou na 39ª posição, em 66 concorrentes.

Uma segunda participação acontecera antes, com principe tailandês Birabongse Bhanudej Bhanubandh, mais conhecido como "Principe Bira". Após ter completado a sua carreira nas pistas, em 1955, decidiu participar em quatro edições dos Jogos Olimpicos, na modalidade de vela, em várias classes. Em 1956 e 1960, participou na Star, enquanto que em 1964 esteve na modalidade de Dragon. Na sua última participação, em 1972, na cidade alemã de Munique, esteve na classe de Tempest. A sua melhor classificação foi um 12º posto em Melbourne.

Numa dessas participações, em 1960, o principe tailandês cruzou-se com outro ex-piloto: o argentino Roberto Miéres. Também retirado da competição, em 1958, competiu pelo seu país em Roma, pela classe Star. Nesta competição em particular, Miéres levou a melhor, conseguindo o 17º posto, dois lugares à frente de Bira.

Mas no meio disto tudo, por muito pouco estes nomes não eram acompanhados por outro piloto ilustre: Jackie Stewart. Em 1960, aos 21 anos, o escocês esteve muito perto de representar a Grã-Bretanha nos Jogos Olimpicos de Roma, também na modalidade de... tiro aos pratos. Por essa idade, tinha vencido competições nas Ilhas Britânicas - chegou a ser ao mesmo tempo o campeão inglês, galês e escocês - e competiu por um lugar nessa competição, mas foi dado a outro competidor. Provavelmente teria sido naturalmente escolhido para a delegação britânica para os Jogos Olimpicos de Tóquio, mas por essa altura, já se tinha envolvido no automobilismo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

GP de Londres, ou o Primeiro de Abril a 28 de junho

Causou alvoroço nesta quinta-feira o anuncio da apresentação, na imprensa britânica, de um "GP de Londres", com o apoio da Santander, e acompanhado de um video com a participação de Lewis Hamilton e Jenson Button, os pilotos da McLaren. O circuito, desenhado em pleno centro da capital britânica, com passagens por alguns dos grandes marcos da cidade, como o Big Ben e o edificio do Parlamento, entre outros, passou a ilusão de que num futuro próximo, á noite, haverá carros de Formula 1 rolando a 300 km/hora por aquelas bandas.

Mas quando a poeira assentou, os mais atentos notaram a razão pelo qual este anuncio, tão inesperado e tão bem feito - afinal de contas, falamos de patrocinador e com declarações dos dois pilotos da McLaren - escondia algo mais: desviar as atenções em relação à sentença dita no dia anterior, no Tribunal de Munique, que condenou o banqueiro alemão Gerhard Gribowsky, a oito anos de prisão por frause e evasão fiscal. E o dinheiro descoberto na conta dele é proveniente de Bernie Ecclestone, que o pagou em 2002 para que ficasse nas suas mãos, e que depois as colocou nas mãos da CVC Capital Partners. Uma sentença destas, numa altura em que a Formula 1 vai entrar em bolsa, talvez mais para o final do ano, não seria boa publicidade de todo. E portanto, este "tirar o coelho da cartola", no caso do "GP de Londres", quase me faz pensar que a partir de agora, o Dia das Mentiras na cidade de Londres se comemora a 28 de junho.

O jornalista britânico Joe Saward, quando escreveu ontem sobre este assunto, colocou no título uma afirmação irónica: "GP de Londres... e que tal uma corrida em Marte?", e nas linhas a seguir ele escalpeliza a razão pelo qual ele afirma que tudo isto não passa de um embuste para inglês ver. Porque, para começar, desde quando que Bernie Ecclestone oferece algo a um lugar? Tirando a história de Nova Iorque - e isso é algo nebuloso para mim - não me recordo de nada assim semelhante, mas a minha memória já não é o que era.

Saward, para desmontar o esquema, vai aos detalhes mais básicos. Primeiro que tudo, fala que todo este esquema não passa de uma arte mágica com o objetivo de desviar as atenções para algo mais importante, que foi o "caso Gribowsky". mas depois aponta factos: que mais valias traz uma corrida de Formula 1 num dos destinos turisticos mais visitados do mundo, por exemplo? E se a ideia é o de trazer para ali o GP da Grã-Bretanha, como é que irá rasgar um contrato que foi assinado no ano passado e cuja validade vai até... 2027? Para não falar do eventual lucro que tal corrida possa ter. Eis um extrato:

"De qualquer maneira, só posso imaginar o que a CVC Capital Partners e os seus "amigos de Kansas" (o equivalente britânico aos 'amigos de Peniche') irão dizer sobre alguém que concorde em reduzir os seus proveitos por uma larga margem. Financiar uma corrida do seu próprio bolso ira requerer a que a Formula One Group pague a diversas partes: as equipas quererão a sua habitual percentagem, caso não haja comissões vindas de algum promotor local, significará que serão gastos à volta de 30 milhões de dólares. Acrescentem a isso outros 30 milhões para crias as infraestruturas, que apenas será pago pelas receitas de bilheteira. Se tiverem à volta de 120 mil pessoas e cada um pagar em média 200 dólares, isso significará receitas de 24 milhões. Estão a ver toda a coisa? Isto tudo poderá assustar os investidores, porque isso traria prejuízos a eles. A Formula 1 não ganha nada em impulsionar as receitas locais - é por isso que os governos locais pagam para ter as corridas nos seus lugares - mas no caso de Londres, tal impacto pode ser minorado."

A única ideia no qual Londres poderia fazer sentido, seria num eventual GP da Europa, que a partir de 2013 não terá circuito onde correr, depois que Valencia e Barcelona terem chegado a acordo em partilhar o lugar onde se realizará o GP de Espanha...

Em suma, esta ideia faz-me lembrar um album do Michel Vaillant, escrito em 1982, que especulava sobre uma corrida nas artérias de Paris. O titulo era "300 km/hora em Paris", e provavelmente Jean Graton deve ter desenhado a história a partir de um dos delírios do Tio Bernie. Afinal de contas, o anãozinho anda por aqui há muitos, muitos anos... e com uma pontaria afinada. Como conclui Joe Saward:

"Apesar de adorar a ideia de ver um Grande Prémio em Londres, e achar que tal coisa até seria ótimo para o desporto, tenho aquela sensação de que esta ideia desaparecerá após algum tempo, depois de ter feito o seu trabalho de desviar as atenções da questão mais importante destes dias: quais são as implicações no veredicto do caso Gribowsky? O cínico dento de mim diz-me que uma pessoa que não tem nada a esconder não necessita deste tipo de truques, mas perfiro esperar para ver se os procuradores [de Munique] decidem fazer alguma coisa antes de fazer qualquer julgamento sobre o 'caso Gribowsky'."

E pelos vistos, o truque resultou: alguém fala hoje sobre a sentença de Munique?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

The End: Samuel Wanjiru (1986-2011)

À medida que as horas passam, começam-se a esclarecer as circunstâncias da morte do campeão olímpico da maratona, o queniano Samuel Wanjiru. O atleta de 24 anos foi encontrado morto no pátio sua casa, depois de ter saltado da sua varanda. Inicialmente falou-se em suicídio, mas a realidade parecer mais complexa.

Segundo a policia queniana, Wanjiru estava em Nyahururu, 150 quilómetros de Nairobi, a capital do pais, quando foi descoberto pela sua mulher na cama com outra pessoa. Alegadamente, ela fechou a porta à chave com os dois lá dentro e Wanjiru tentou sair de lá pela janela quando se desequilibrou e caiu, provavelmente de uma altura de três metros. Sob estas circunstâncias, o "suicidio" que alguns jornais decidiram colocar na noticia pode ser, na realidade, uma queda acidental. É o que dá a pressa...

Contudo, não deixa de ser uma perda irreparável para o atletismo, pois estamos a falar do atual campeão da maratona, o mais novo de sempre a conseguir tal feito, em Pequim - tinha 21 anos quando o conseguiu - e foi o primeiro queniano a conseguir tal feito. Ainda por cima, conseguiu vencer algumas das mais importantes maratonas do mundo, como Londres, Boston e Chiacago, entre outras, e provavelmente era candidato às medalhas em Londres, no ano que vêm.

Era mais um dos imensos quenianos que puluam todos os anos na cena internacional do atletismo da longa distância, mas aos 15 anos decidiu ser profissional e correr no... Japão. Aos dezoito, em Setembro de 2005, bateu o recorde mundial da meia-maratona, em Roterdão, algo que surpreendeu o mundo do atletismo. Antes, tinha batido o recorde mundial junior dos 5000 e dez mil metros. Voltou a bater o recorde em 2007, em Ras Al Khaimah, fazendo um tempo de 58 minutos e 53 segundos, e ficou com ele até março do ano passado, quando o eritreu Zersenay Tadese o bateu em Lisboa.

Por essa altura, Wanjiru tinha já conseguido a sua medalha de outro nos Jogos Olimpicos, a Maratona de Londres de 2009 e a Maratona de Chicago em 2009 e 2010. O ano passado não foi bom para ele, pois tinha sido constantemente afetado pelas lesões, mas agora parecia encarar bem a época que se seguia, bem como os Jogos Olimpicos de Londres. Contudo, o Destino não parecia estar para aí virado, e se confirmar aquilo que escrevi no primeiro parágrafo, então pode-se dizer que foi a tentação da carne que deu cabo da sua vida...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

The End: Juan Antonio Samaranch (1920-2010)

O antigo presidente do Comité Olimpico Internacional (COI), o catalão Juan Antonio Samaranch, morreu esta manhã aos 89 anos em Barcelona, vítima de insuficiência cardíaca. "Não encontro palavras para expressar o pesar da família olímpica. Perdemos um grande homem, um mentor e um amigo, que dedicou a sua longa e preenchida vida aos Jogos Olímpicos", afirmou esta tarde o belga Jacques Rogge, actual presidente do COI.

Presidente durante vinte e um anos, foi uma personlidade que relançou os Jogos Olimpicos, que na altura em que chegou à presidência, estava em crise nos anos 70 e 80 com os boicotes e os problemas financeiros. Contudo, apesar de ter sido uma personlidade marcante, a sua presidência não foi isenta de polémicas, nomeadamente os escândalos de suborno que rodearam a escolha de Salt Lake City para os Jogos Olimpicos de Inverno de 2002.

Nasceu a 17 de Julho de 1920 em Barcelona, de uma familia próspera na área dos texteis, jogou hóquei em patins na sua juventude e combateu na Guerra Civil Espanhola, primeiro nas forças republicanas, e depois desertou para a Falange, através da França. Quando acabou, estudou economia e escreveu para o jornal "La Prensa", durante algum tempo, chegando até a ser enviado especial aos Jogos Olimpicos de Helsinquia, em 1952, até que um dia é demitido por falar mal do comportamento dos adeptos do Real Madrid depois de uma famosa derrota por 11-1 ao Barcelona.

Depois disso, voltou aos negócios da familia e mais tarde foi trabalhar para o banco "La Caixa", de Barcelona, onde chegou ao topo da organização e era actualmente seu presidente honorário. A partir dos anos 50, trabalha muito no seio da Falange, onde subiu na organização, onde serviu primeiro no conselho municipal de Barcelona, depois como deputado das Cortes e ministro dos Desportos durante quatro anos, entre 1967 e 71. Antes disso, tinha sido presidente do Comité Olimpico espanhol.

Quando Francisco Franco morre e a democracia é restaurada, através do Rei Juan Carlos I, Samaranch era o presidente do governo de Barcelona, e em 1977 o novo governo o convida para ser embaixador na União soviética e Mongólia. Samaranch aceita o convite, e é nessa ocasião que empreende o maior desafio da sua carreira: ser o presidente do Comité Olimpico Internacional.

Nessa altura, era uma instituição em descrédito. Os atentados terroristas, os boicotes politicos e a quase bancarrota, especialmente depois do fracasso que foram os Jogos Olimpicos de Montreal, que deixaram a Câmara Municipal financeiramente arruinada por muitos anos, fizeram com que os Jogos Olimpicos entrassem em decadência, com muitas cidades a evitarem organizar tal evento. Samaranch, com a sua experiência e as suas ideias, conseguiu cativar os votos dos países do Leste europeu e a 18 de Julho de 1980, um dia depois do seu 60º aniversário, era presidente do Comité Olimpico Internacional.

A partir dali, os Jogos Olimpicos chegaram à era moderna. Começou a atrair patrocinadores multinacionais e negociou os direitos televisivos, gerando milhares de milhões de dólares de receitas, e tornando os Jogos Olimpicos novamente atrativos. Estableceu o profissionalismo dos atletas, e aos poucos, as audiências subiram aos milhares de milhões, tornando-se num evento global, o maior do mundo.

E com os anos, muitas mais cidades começaram a candidatar-se a receber os Jogos. A sua cidade natal, Barcelona, acolheu-os em 1992, uma realização pessoal sua. E com a queda do Muro de Berlim e o final da União Soviética, muitos mais países juntaram-se ao Comité Olimpico Internacional e mandaram os seus atletas. Agora, mais de 200 países e territórios são membros do Comité Olimpico.

Claro, a sua presidência não foi isenta de criticas. Desde as suas ligações ao regime franquista, até ao facto de não ter levado muito a sério o combate ao "doping". Mas foi o escândalo dos subornos aos membros do Comité Olimpico Internacional no processo de escolha da candidatura para os Jogos Olimpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City, é que abalaram as fundações do Comité Olimpico. Vários membros foram explusos ou resignaram os seus cargos, e Samaranch foi alvo de criticas, até alguns pediram a sua cabeça, algo que não o fez. Em vez disso, decidiu não candidatar-se a novo mandato, em 2001, passando o testemunho ao belga Jacques Rogge.

Na sua Espanha natal, foi laudado com imensas condecorações, e em 1991, o Rei Juan Carlos I o elevou á nobreza, nomeando-o Marquês de Samaranch, um título hereditário. A sua mulher Maria Teresa, com quem se casou em 1955, já tinha morrido em 2000, e teve dois filhos, Juan Antonio e Maria Teresa, que ambos ocupam hoje em dia cargos desportivos. Juan Antonio é vice-presidente da Federação Internacional de Pentatlo Moderno e Maria Teresa é a presidente da Federação Espanhola de Desportos de Gelo.

E assim foi-se homem, ficou a sua obra. Ars lunga, vita brevis.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Extra-Campeonato: Alegrias e tristezas de Vancouver


Ontem fiquei até ás 5 da manhã para cumprir um hábito que tenho desde 1984: ver todas as cerimónias de abertura dos Jogos Olimpicos. E Vancouver não foi excepção, apesar de não acompanhar muito a vertente invernosa da competição.

Foi uma cerimónia simpes, com o devido destaque à história e gentes daquela zona. Desde os nativos (ou Primeiras Tribos) até à actualidade, tudo esteve lá. E no final, um complexo sistema colocou os quatro últimos portadores da chama olimpica no centro do palco, para acender a tocha (já agora, o sistema não funcionou na sua totalidade. Apenas três foram levantadas) E os quatro que levaram a chama para o centro eram lendas desportivas do Canadá: Wayne Gretzky (hóquei no gelo), Steve Nash (basquetebol), Nancy Greene (esqui - Melhor Atleta do Século XX e actualmente senadora) e Catriona Le May Doan (patinagem de velocidade).


Antes disso, oito personalidades canadianas levaram a bandeira olimpica para ser erguida no mastro, depois de no inicio da cerimóna, outros oito elementos da Policia Montada do Canadá terem levado a "Maple Leaf" para o seu devido lugar. E as oito que levaram a bandeira olimpica não eram umas quaisquer: o actor Donald Sutherland, a astronauta Julie Payette, outra lenda do hóquei no gelo, Bobby Orr, Betty Fox, a mãe de Terry Fox, o rapaz que em 1980 tentou atravessar o Canadá com uma perna artificial para chamar a atenção para a pesquisa do cancro, Romeo Dallaire, o comandante das Forças de Paz das Nações Unidas no Ruanda, aquando os massacres de 1994, e por fim, o nosso conhecido Jacques Villeneuve.

Para os elementos que estiveram no meio dela, esta cerimónia foi a realização de um trabalho bem feito, depois de receios quanto à qualidade da neve, num mês anormalmente quente por aquelas paragens. Centenas de camiões colocaram neve em alguns pontos de Whistler, local onde se realizarão boa parte dos eventos exteriores como, esqui alpino, nordico, saltos de esqui, biatlo, bobsleigh, skeleton e luge, entre outros.

Mas poucas horas antes da cerimónia de abertura, a tragédia: o georgiano Nodar Kumartashvili, de 21 anos, morreu na tarde de ontem, quando se treinava na pista de velocidade de Whistler. Perdeu o controlo do seu trenó individual e embateu forte contra um poste, recebendo um forte impacto com a nuca. A pista tem 1374 metros e ganhou fama de ser a mais veloz e a mais técnica do mundo, com uma média de 145 km/hora, e os competidores sofrem forças de 5G's, equivalentes aos de um piloto de Formula 1. E este não tinha sido o primeiro acidente nesta pista, pois outro tinha acontecido na quinta-feira com a romena Violeta Stramaturaru, deixando-a inconsciente.

O Comitê Olimpico decidiu abrir um inquérito para apurar as causas do incidente, enquanto que alguns atletas temem pela excessiva rapidez da pista: "Na primeira vez que estive em pista, pensei que alguém iria morrer aqui", afirmara o lugusta americano Tony Benshoof, em declarações captadas pelo jornal espanhol El Pais.

Quanto à equipa olimpica georgiana, após a noticia do acidente mortal do seu atleta, considerou sériamente a hipótese de abandonar Vancouver, mas ficou. Desfilaram com cachecóis negros, e o Comité Olimpico Internacional decretou um minuto de silêncio em memória do atleta, e as bandeiras ficaram a meia haste. E foi com essa sombra que os Jogos da XXI Olimpiada começaram em Vancouver, e terminarão no dia 28 deste mês.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A consciência politica do automobilismo

Ando a ler por estes dias o livro "Invictus", do jornalista inglês John Carlin, que deu origem no filme do mesmo nome, realizado por Clint Eastwood, com Morgan Freeman como Nelson Mandela e Matt Damon como Francois Pienaar, o capitão da selecção sul-africana de rugby, no Mundial de 1995, que foi ganho pela selecção da casa. O filme trata da transição sul-africana do apartheid para a uma democracia pluripartidária e pluriracial e como Mandela usou um desporto de brancos, o rugby, para unir um pais inteiro sob a mesma bandeira, esquecendo não só as raças, como também as tribos.

Conhecendo como conheci esses tempos, não só pelas noticias como também pelos exemplos pessoais na familia, pois na altura tinha parentes relativcamnte distantes a viverem na Africa do Sul, ao ler a história e sabendo todos nós que aquele país irá receber o Mundial de futebol, e sabendo também como toda a gente gosta de dizer que o desporto serve como ponte para desanuviar tensões politicas, dei por mim a pensar qual foi a contribuição do automobilismo para momentos como estes. E confesso que cheguei à conclusão de que... não me ocorre nada.

Aliás, recordo mais de momentos de desafio do que propriamente bons exemplos. A Africa do Sul do tempo do "apartheid" é o mais flagrante. Quando esta já tinha sido expulsa há muito da FIFA e do Comité Olimpico Internacional, a Formula 1 não tinha quaisquer problemas em colocar o país no calendário e usar a pista de Kyalami até meados dos anos 80. Somente em 1985 é que percebeu o embaraço que era usar a corrida sul-africana no calendário, num país onde os negros eram cidadãos de segunda categoria. E esse embaraço veio na forma de pressões governamentais de países como a França e Grã-Bretanha às equipas para não participar nesse Grande Prémio. Ligier e Renault não foram, por "persuasão" do então presidente Francois Mitterand, e alinharam apenas 20 dos 26 carros que costumavam correr. A Formula 1 só voltou a correr em 1992, com a abolição das leis segregacionistas.

O automobilismo ligou muito pouco, ou nada, a questões como os direitos humanos, por exemplo. É certo e sabido que corre nas Arábias, que não são democracias. Corre na China, que é uma ditadura comunista. E correu no passado em países que formalmente ou eram regimes autoritários, ou viviam sob juntas militares, que torturavam e matavam os seus opositores, sob o pretexto de estarem "em guerra". Brasil e Argentina, na segunda metade dos anos 70, são dois excelentes exemplos. E a Hungria, entre 1986 e 1989, era formalmente um regime de partido unico, antes da queda da Cortina de Ferro.

É certo que outras modalidades não andam longe desta. No futebol, o Mundial de 1978 foi disputado numa Argentina que vibrava com a sua selecção de dia, mas à noite o seu regime militar colocava presos politicos em aviões da Força Aérea para o estuário do Rio da Prata, com bilhete só de ida...

Mas por vezes, existiam reacções. Numa era de Guerra Fria, os boicotes dos Jogos Olimpicos de 1980 e 84, de ambas as superpotências militares de então, os Estados Unidos e a União Soviética, causaram impacto politico e social, mas prejudicaram então a carreira de muitos atletas. Logo, a utilização de eventos desportivos como arma politica, no sentido de prejudicar, era tão devastador como por exemplo, o atentato terrorista à delegação israelita nos Jogos Olimpicos de Munique, em 1972.

Mas estou a fugir um bocado do assunto para chegar a um ponto: tirando casos pontuais, a Formula 1 liga pouco à politica, no sentido dos exemplos anteriores. Aliás, há mais casos contrários. Desde os seus primórdios, o automobilismo foi usado pelos regimes de vários países para valorizar a superioridade das tecnologias dos seus paises. O melhor exemplo foi o periodo de entre as duas guerras, quando a Alemanha nazi investiu muito forte nas seus "Flechas de Prata" da Mercedes e da Auto Union, pois Adolf Hitler era um amante do automobilismo. E Benito Mussolini ajudou muito a Fiat e a Alfa Romeo nos anos 20 e 30.

E em termos de solidariedade social, não há exemplos de colectivo, apenas os casos individuais dos pilotos, que claro, pensam pela sua própria cabeça. A Formula 1, digamos assim, tem a mesma mentalidade que o Estado do Nevada: aceita todo o tipo de dinheiro, desde que seja formalmente legal. Os patrocinios das tabaqueiras, do final dos anos 60 aos anos 90, é o exemplo mais flagrante disso. E tirando o exemplo da segurança na estrada, só me recordo do caso do racismo ao Lewis Hamiltion que resultou numa campanha de prevenção, mas cujo impacto não foi assim tão importante.

Em jeito de conclusão, temo que sejamos, para muitos dos que nos vêm de fora, um mau exemplo politico.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Extra-Campeonato: Rio de Janeiro 2016!

Já está. A decisão tem alguns minutos: os Jogos da XXXI Olimpiada, que se realizarão entre 5 e 21 de Agosto, vão para Rio de Janeiro, no Brasil. Provavelmente a cidade mais emblemática do Brasil, da América do Sul, e um dos cartões de visita do Planeta Terra, vai ser a primeira cidade em lingua portuguesa a receber a maior realização desportiva do mundo, dois anos depois de receber, provavelmente, a final do Mundial de futebol.

Essa vai ser uma década cheia de eventos para o Brasil, onde estará no centro do Mundo. Provavelmente será uma altura próspera para o país, que pode aproveitar para "limpar" a sua imagem como pais de Terceiro Mundo. Mas diminuir o crime, eliminar a corrupção e a pobreza (apesar dos esforços do Presidente Lula), parece ser mais uma utopia do que própriamente um feito. Mas o Brasil é um feito e merece o seu lugar no mundo por direito próprio.


Pessoalmente, se estou feliz com esta decisão? Mais ou menos. Custa-me, como automobilista que sou, saber que boa parte dos recintos desportivos serão feitos sob o "cadáver" do Autódromo de Jacarépaguá, que acolheu a Formula 1 em 1978, 1981 a 1989. Saber que um dos circuitos mais emblemáticos do Brasil e do mundo desaparecerá em nome de um parque olimpico cujo uso depois de 2016 estará em dúvida faz-me pessoalmente partir o coração. E se nessa altura andar por lá, em serviço ou apenas como mero espectador, certamente me lembrarei disso.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Confesso que esta não sabia...

Ainda os Jogos Olimpicos de Pequim: quando fui ver há bocado o perfil da Maureen Maggi na Wikipédia, descobri que ela tinha sido casada com o António Pizzonia, o "Jungle Boy" (por ter nascido em Manaus, no Amazonas), e tiveram um filho juntos, a Sofia. O Luiz Fernando Ramos, vulgo o Ico, que está em Valência, a acompanhar o GP da Europa, tem um artigo onde o Felipe Massa fala sobre o salto dela, e das impressões que ficou acerca do circuito.

No final, parece que este ouro tem um pouco de gasolina e de pneu... e a filha, bom, quando crescer, quer correr como o pai ou saltar como a mãe?