quinta-feira, 3 de março de 2011

5ª Coluna: Quando Bernie abre a boca, leiam nas entrelinhas

Quando estudava Jornalismo em Coimbra, o meu trabalho de final de curso tinha a ver com as campanhas eleitorais, e uma experssão que ouvira na altura: a "corrida de cavalos". Isso serviu para descrever o tratamento que a imprensa fazia das campanhas presidenciais nos Estados Unidos ao longo dos últimos 40 anos. As declarações do dia para a imprensa eram o alvo principal, pois os jornalistas que acompanham essas caravanas, independentemente de seguir o candidato, captam tudo vindo dessas pessoas e de quem estava à sua volta e publicariam no dia seguinte ou na hora seguinte, independentemente do meio que usavam. E aquilo que eles diziam no "calor da batalha" eram dissecados por jornalistas e analistas que com um ar algo professoral, tentavam adivinhar as consequências das tais "frases do dia". Ou como se diz no The Daily Show, o "momento zen".

Hoje em dia, nos tempos da Internet, das redes sociais e dos canais de noticias 24 horas, qualquer coisa que se diz num momento tem impacto na hora seguinte, numa rapidez que muitas vezes roça o rídiculo e que muitas vezes me faz lembrar a famosa frase "a pressa è inimiga da perfeição. Mas há quem usa os meios de comunicação social para passar a sua mensagem, por mais disparatada que seja. No mundo da Formula 1, Bernie Ecclestone é um deles, e apesar de muitas vezes as suas mensagens parecem ridiculas, no final quem se ri... é ele.

A última declaração dele parece à primeira vista idiota e fora de contexto. A sua ideia de colocar repuxos nas bermas para molhar a pista nas vinte voltas finais de cada Grande Prémio para a tornar artificialmente molhada, logo, articialmente emocionante, parece uma ideia tirada de um daqueles combates de luta livre, que muitos sabem ser artificial, só para o espetáculo. E claro, muitos disseram que é mais um disparate de um velho gagá com 80 anos. Mas se todos riram das declarações do velho anão, há algumas ideias por detrás disso, mais sérias.

A primeira li anteontem no Blog do Ico, do Luiz Fernando Ramos. Aí, ele afirma que tudo isto tem a ver com a simples luta pelo poder. E essa "luta pelo poder" tem a ver com o aptecivel bolo que ele consegue com as receitas televisivas, publicidade estática e claro, aquilo que os vinte paises pagam a ele para receber a formula 1, um bolo que deve andar à volta dos 800 a mil milhões de dólares, do qual a FOM leva 50 por cento, e por portas e janelas travessas, Ecclestone embolsa dezenas de milhões de dólares por ano. Todos sabemos que esse bolo é apetecível e sabemos também que ele não morre de amores pela organização das equipas, a FOTA. O que não sabia ou não estava á espera era que Ecclestone tem outro adversário chamado... Jean Todt.

A sua "agenda escondida", digamos assim, tem a ver com a reorganização da Formula 1 em certas áreas, como o calendário e as regras. A entrada dos motores Turbo em 2013, com um padrão para todos (1.6 turbo, para WTCC, WRC e Formula 1) Idealmente, quer desfazer o centenário contrato que Ecclestone assinou com o seu antecessor no qual ele ficou a ser o dono do jogo mesmo depois da sua morte, enquanto que no lado das equipas, estas quererão mais um pedaço grande do bolo referido anteriormente. Para eles, o ideial seria ficar com 85 por cento desse dinheiro, com a FOM a receber os restantes 15 por cento.

Ecclestone, como é óbvio, não quer isso. Não quer perder dinheiro, quer ser ele a mandar no "show" e ser ele a embolsar o famoso 50+1 e a ter poder de dizer onde é que vamos correr e quando, daí que hoje em dia se invista forte e feio na Ásia, porque se convenceu que "ali é o futuro". Ora, se nada for feito, dentro de dois a três anos, Ecclestone irá exigir 60 ou 70 milhões de dólares por ano e a maior parte dos paises pura e simplesmente dirão "não queremos mais a Formula 1 porque não temos dinheiro". Ecclestone ainda julga que basta encontrar mais um país disposto a pagar os seus preços. Mas quem iria pagar isso? Cazaquistão? Quem adivinharia há três meses que o Médio Oriente e o Norte de África estaria prestes a entrar a ferro e a fogo?

A segunda ideia apareceu ontem no Faster F1, o blog da Julianne Cerasoli. E complementa a primeira, no sentido de que outro dos seus criticos, o tricampeão do mundo Jackie Stewart, ter escrito no sabado passado no britânico Daily Telegraph um artigo a atacar fortemente os circuitos desenhados por Hermann Tilke, que como todos sabem, são demasiado aborrecidos e não permitem muitas ultrapassagens. E como também sabem, Ecclestone faz questão que todas as novas pistas do calendário sejam desenhadas por ele, em regime de monopólio.

E depois, como grande "fazedor de noticias" que é, sabendo que a Formula 1 foi adiada em mais duas semanas para Melbourne (e curiosamente, quando a Formula 1 arrancar no mesmo fim de semana, será no mesma altura do Rali de Portugal... a terceira prova do campeonato WRC), e os testes foram adiados em mais uns dias, haveria uma seca de noticias sobre a categoria máxima do automobilismo. Assim sendo, chamou os jornalistas do www.formula1.com, manda o "soundbyte" da semana e... voilá, temos assunto para comentar por uns dias.

Em suma, todo este escarecéu é porque Bernie Ecclestone quer aqueles 40 milhões, dê onde der. Se tiver de marcar a corrida para agosto, às duas da tarde, com 45 graus de temperatura e com espetadores, pilotos e mecânicos a desmaiarem, ele marca. Não lhe interessa as queixas dos funcionários, espectadores, pilotos ou mecânicos. É o dono do circo e neste momento tem um abacaxi nas mãos que quer resolver, dê por onde der: sabe que uma corrida a menos significa perdas superiores que aqueles 40 milhões que deixou de receber agora por causa do cancelamento devido à agitação social na pequena ilha do Golfo Pérsico. Todos os contratos com as televisões e patrocinadores, entre outros, foram feitos com vinte corridas em mente. E sabe que se não conseguir marcar essa corrida noutra altura do ano, os seus adversários espreitarão para essa "fraqueza", como Jean Todt...

Da proxima vez que ouvirmos Bernie Ecclestone a dizer "disparates", oiçam-no mais algumas vezes e com maior atenção. Muito provavelmente, o conteúdo e o destinatário da mensagem seja outro...

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Bule Azul: a história do primeiro Ligier de Formula 1

(...) "Em 1974, a Matra tinha decidido retirar-se da competição automóvel, nomeadamente os Sport-Protótipos. Dois anos antes tinham feito o mesmo na Formula 1, após bons resultados com Jackie Stewart ao volante. No final desse ano, boa parte do seu acervo tinha sido comprado por um faz-tudo de Vichy, ex- internacional de rugby e ex-piloto francês na segunda metade dos anos 60, que antes disso, tinha enriquecido com uma firma de obras públicas que tinha fundado. O seu nome era Guy Ligier.

Na temporada de 1975, Ligier tinha conseguido levar um dos seus carros ao segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans, com o apoio da firma de cigarros francesa Gitanes, que pertencia à S.E.I.T.A, a Sociedade Nacional de Tabacos. No final desse ano, a Gitanes perguntou a Ligier se não queria tentar a sua sorte na Formula 1. Depois de pensar um pouco, e vendo as hipóteses que tinha, decidiu aceitar o desafio, pois Ligier achava que esta era a melhor chance de voltar a colocar as cores francesas na Formula 1, desde a retirada da Matra, três anos antes.

Para isso, Ligier decidiu ir buscar os motores V12 de 3 litros à Matra e um jovem projectista, de seu nome Gerard Ducarouge. Este decidiu projectar um carro convencional, e de aspecto aparentemente simples." (...)

Esta é uma parte da história sobre o Ligier JS5, o chassis que a Ligier inaugurou a sua presença na Formula 1. Há precisamente 35 anos, um "self-made man" de Vichy, Guy Ligier, antigo internacional de rugby pela frança e piloto na categoria máxima do automobilismo em 1966 e 67, decidiu aceitar o desafio da Formula 1. Mal sabia que iria ser o inicio de uma aventura que iria durar durante vinte anos, até que Alain Prost comprasse a equipa e rebatizasse com o seu nome, e que nomes como Jacques Laffite, Patrick Depailler, Didier Pironi, René Arnoux e Olivier Panis iriam marcar presença na "Ecurie Bleu".

Para ler o resto desta história, pode ir no sitio Pódium GP.

Noticias: Armindo Araujo apresentou a sua nova máquina

Se este fim de semana irá decorrer o Rali do México, há muito que se pensa no Rali de Portugal. E o melhor exemplo disso foi o quer aconteceu esta noite com a apresentação de um dos seus participantes, Armindo Araujo. Ao lado do seu navegador, Miguel Ramalho, o piloto de Santo Tirso falou sobre o projeto de oito ralis que vai ter nesta temporada do WRC.

"Não podia começar a apresentação do meu projeto sem agradecer a todos aqueles que tornaram este sonho realidade. Isto só foi possível porque a Mini, TMN, GALP, MCA, Lusitania, Milani, ACP e Câmara Municipal de Santo Tirso, acreditaram, tal como eu, que Portugal pode ter um piloto no topo dos ralis mundiais. Vamos iniciar no Rali de Portugal um programa de oito provas com um carro que fará também a sua estreia no WRC." começou por dizer na apresentação da sua equipa.

"Sabemos à partida que teremos muito trabalho pela frente e não vamos traçar como objetivo, pelo menos a curto prazo, lutar pelas vitórias. A palavra de ordem dentro da equipa é trabalhar no sentido de evoluirmos gradualmente a pensar no futuro. O MINI está num processo de crescimento e eu terei também de percorrer um caminho de adaptação à nova máquina que já tive oportunidade de guiar e me deixou grandes expectativas", continuou.

O fato de participarem em mais duas provas do que, por exemplo, a equipa oficial, a começar em terras algarvias, tem o seu significado, pois irá trabalhar em colaboração com a Prodrive, no sentido de desenvolver o modelo ao longo desta temporada.

"É muito importante fazermos este ano um elevado número de provas e termos um programa mais alargado que a equipa oficial. Vamos trabalhar em parceria com a Prodrive e estaremos fortemente ligados ao desenvolvimento do Mini WRC, o que é, sem dúvida, uma mais-valia para o nosso projeto", concluiu.

O susto de Jackie Stewart

O tricampeão do mundo Jackie Stewart foi esta tarde admitido num hospital de Londres depois de se ter queixado de dores no peito durante o vôo entre Genebra e a capital britânica, onde tinha ido para assistir à inauguração do Salão de Automóvel. Stewart, que tem 71 anos, foi levado para o hospital onde após ter sido submetido a uma bateria de exames, encontra-se a descansar.

Stewart, nascido a 11 de Junho de 1939, foi um dos melhores pilotos da história da Formula 1 e um dos melhores do seu tempo. Tricampeão do mundo em 1969, 1971 e 1973, ao serviço da Matra e Tyrrell, conseguindo um total de 27 vitórias, um recorde que se manteve durante catorze anos até que Alain Prost o bateu no GP de Portugal de 1987. Stewart tornou-se depois de terminar a sua carreira competitiva, comentador desportivo no canal de televisão americano ABC e dono da equipa Stewart entre 1997 e 1999, onde venceu uma corrida.

Mas o escocês tornou-se também no primeiro paladino da segurança nas corridas após um acidente durante o GP da Bélgica de 1966, onde ao ficar preso no seu BRM e ver as parcas condições de socorro existentes, lutou pela segurança nos carros, nas pistas e um melhor atendimento nos circuitos e nos hospitais. Atualmente, aos 71 anos, ganha a vida como relações públicas de várias companhias.

Entrevistas 2011 - Antti Kalhola (english version)

Knowing that I was interviewing an non-portugese speaker, and knowing also that this could be something that might be searched for, I've decided, exceptionaly, to put here the english versoin of this interview, so that he and others can see what was said here.

So... all I can say is this was an interview that I wanted to do it for quite a while. But first, I have to say this: before I’ve seen his very first video, back in 2007, I didn’t had a good opinion about the motorsport videos made by fans, because they were too "amateurish" in my opinion. But then, when I was watching a blog from a friend of mine, Blog do Ico, applauding a video that he had watched before, I decided to take a look and I was marvelled. One of the things that called my attention is that the autor of such video was only sixteen years old.

Millions of people around the world have seen his videos, more than once. His popularity was such that called the attention of FOM that ordered Youtube to remove his account… twice. And of course, he was banned to put his videos there, but at the time, he had enough supporters so they could post his videos on his accounts.

During the history of this blog, I’ve defended not only him but I’ve put his videos here. I’ve always enjoyed the way how the edits, his soundtrack choice. The idea was probably to cause emotion and trying to capture the essence of motorsport and to express why we petrolheads, enjoy this sport. In a way, his videos made good things to our soul.

On the day of his 20th birthday, Continental Circus has the pleasure to publish its interview to Antti Kalhola.

1 – Hello Antti, it’s good to have you here, on this modest blog, answering my questions. Can you tell me, when and how did you start to make your motorsport videos?

Hello, it's my pleasure completely. This blog has supported me through the years and I'm more than happy to give an interview here. I started to make videos in the spring of 2005 as a 14-year old. It all happened quite accidentally, I found Windows Movie Maker program from my computer and decided to test what it could do. I got hooked quickly and although the first videos were very poor and simple, that's how it began.

2 – From all the videos that you already made, do you have anyone that you have proud of, your personal favourite?

Well, there are many that I'm happy about and give me good memories, so it's quite difficult. But if I had to name one, I guess it would be the 45-minute Ayrton Senna tribute one year ago. It's my biggest project so far and it felt good to finish it.

3 – When you make these videos, in what way yon can be different from other videomakers?

I don't know...I just do my thing, I don't think about the others so much. But maybe it's the passion and dedication I put in the videos that shows in the end. When I make a video it basically becomes the most important thing of my life for that time period, and I'm not sure if many other amateur editors than me have this kind of thinking or mindset. And maybe it's good that not many people have that kind of mindset, it's only a hobby after all. :D

4 – Let’s talk about Formula 1. Still remember your very first race that you watch it?

Can't say what was the first one with 100 % certainty. One of the first F1 memories when I think now, was the bad accident of Mika Häkkinen in Adelaide 1995 when I was four-years old. But the first race I remember well watching...1997 Monaco is the earliest I can say for sure, and then some other races from that season. 1997 Jerez I already remember very well. Although Häkkinen's first win isn't the most important thing about that race maybe, I remember when I told my mom when she came home that Mika had finally won his first race, she didn't believe me and I started to cry. :D

5 – And do you have any personal favourite?

Many good races, difficult question again. Of the ones I have watched live, maybe 2008 Interlagos. Of the one's I have watched afterwards, I have a soft spot for 1989 Suzuka for some reason. It's maybe not so spectacular in itself, but watching Senna and Prost fight for every second and for the championship and then the eventual collision is just somewhat poetic, it seems there's only two drivers in the race. But it's a shame the race was decided by stewards afterwards.

6 – Rosberg, Hakkinen and Raikonnen. Which one of your finn champions do you like the most?

I have to say Keke after having watched many of his races afterwards. Simply the most spectacular of F1 Finns with big balls.

7 – And what about the rallymen? You have plenty to choose, Vatanen, Kankunnen, Mikkola, Makkinen…

Ari Vatanen, his life is worth a movie definitely, all the ups and downs and his philosophical attitude. But I like Kankkunen as well, so smooth driving style, one of the greatest ever in rallying. Also I like Toivonen as he had style as well on and off the stages. And of course Markku “Maximum Attack” Alén with his burning eyes and killer look...there are many.

8 – Did you ever go and watch live any special stage of your Rally of Finland?

Yes, many times. Not every year unfortunately but still most of the time. First time was when I was 3-year old in 1994 and they had a short town stage in the town I live. Those are also my first motorsport memories probably, I still remember the sound and some small visual flashes of it. I remember the big banging the Toyota Celicas especially had that year. Didier Auriol with the Celica was the first car and it was like someone had started to shoot with a cannon when he started to the stage...and we were in the finish area with my parents, not in the start :D. It wasn't Group B but that was a great era for rallying as well.

9 – Let’s talk about today’s motorsport. What do you think about the 2011 Formula One drivers?

I think the driver quality is very good at the moment. Well, it's impossible to compare drivers from the past to today but for me the grid seems quite competitive. Maybe it's not a popular opinion, especially in Finland, but if I would have to say who is the best of the current drivers, I would say Alonso. But it's tight in the top and we have a luxury in F1 at the moment of having many absolute top drivers.

10 – Who do you think is your favourite for the championship?

If Red Bull is dominant again it's Vettel. If Red Bull is on the same line than other top teams, then Hamilton or Alonso.

11 – Do you think that the cancellation of the Bahrein GP was a good decision?

Yes, if the country is messed up I think it was the right decision. Also Bahrain is quite a boring circuit for me and I have no problem waiting extra couple of weeks for Melbourne.

12 – What’s your opinion about the mess between Lotus Cars and Tony Fernandes about the naming rights for Team Lotus?

I haven't followed the issue closely enough, but it seems silly for me, all I can say really.

13 – As you know, the big absence of 2011 will be Robert Kubica. What was your reaction when you knew the accident and what do you think about the possibility that Formula 1 drivers can do other things, like rallying?

Well of course I was quite shocked when I first heard about it and I spent the day following news updates on his condition, good to know he's getting better now. I think this obviously could have an effect on team's restricting driver's free time activities even more. But I personally like when F1 drivers do rallying for example, I have no problem with it, but I'm not an F1 team manager. :D

14 – Do you think Nick Heidfeld is a good substitute for Kubica?

Yes, I think he is a worthy substitute. I think he's a bit underrated driver and could do an ok job.

15 – The 2011 WRC season has already start, in Sweden, and as you know it’s all new: new cars and a new brand, Mini. What expectations do you have for this season?

Sweden was great, one of the best WRC rallies for me in a long time. And the cars looked quite spectacular in the stages as well so all looks promising so far. I think it won't be quite as exciting as this in the next rallies but still it promises to be a good season and maybe the start of new “rise” of WRC.

16 – Do you think that finally someone can beat Sebastien Löeb? One of the “flying finns”, for example?

Yes that day is getting more and more likely as he's getting older. But I think the most likely man still to take the crown from him is Sebastien Ogier if it's going to happen before Loeb's retirement. But Loeb's still my favourite for the title this year as well.

17 – What’s your impression of Kimi Raikonnen, now on it’s new life as a rallyman?

Well, I'm not a fan of him but nice to see him doing rallying, he hasn't shown much improvement though but we have to wait still. As Kimi would say about things himself, I'm not very interested what Kimi does to be honest. :D

18 – “Racing is life, anything that happens before or after is just waiting”. Steve McQueen told that on it’s movie ‘Le Mans’, do you agree of it’s meaning? Do you feel it when you watch any race as a spectator?

Maybe more in the past than now, but yes a bit in a way still. But I spend so much time going through historical footage as well so I don't know if it really applies to me. I guess nowadays I'm starting to understand that there are more things in life than just motorsport. :D

19 – By the way, do you have any previous motorsport experience, like karting? Is so, did you understand the reason why they grab a car and race around a circuit on make a special stage?

No, I haven't driven karting competitively although I have driven a kart. I have a lot of simracing experience on the computer and maybe it gives a very small idea about the feeling. I feel that I understand the sport in some way and the drivers...

20 – Did you have any period of motorsport history that you would like to had watch it?

If I'd have to say one period I would probably say the 80's. Group B era in rallying and turbo's in F1. I would have especially liked to witness the Group B live on the stages.

21 – Do you watch Top Gear? If so, what’s your impression of the program?

No I don't follow it. I have seen a few episodes here and there, but I can't really comment. Maybe not my kind of program really as I haven't been hooked...

22 – One penultimate question: you never thought of making a written blog, for example?

No, not really. I don't think it would really suit me. In my heart I'm a quiet and introverted person and I don't really get enjoyment out of talking about myself or commenting motorsport things for others to read.

23 – And finally: what’s your plans for the near future?

I have received some video making related offers and I need to discuss them in the next days I think, and see if anything comes out from them. But it's still to be seen if making videos for money is my thing. Then finalize my film study applications probably. I would also like to have time to continue with my own works about motorsport. The beginning of the year has been quite hard for me personally and my future is still a bit unclear but I hope things get more clear as time goes by.

Thanks for all the support again Paulo and everyone else reading this blog! :)

Entrevistas 2011 - Antti Kalhola

Esta era uma entrevista que gostaria de fazer há algum tempo. Antes de ver os seus primeiros vídeos, algures em 2007, achei que aqueles que via no Youtube eram demasiado “amadores” para serem vistos. Depois, um dia, o Luiz Fernando Ramos, vulgo o Ico, coloca um post a elogiar um vídeo que tinha visto na altura. Uma das coisas que me chamou a atenção, mais do que a maneira como fazia os vídeos quase como um profissional, era a sua precocidade: na altura tinha apenas 16 anos.

Milhões já viram os seus vídeos um pouco por todo o mundo, uma e outra vez. A sua popularidade foi tal que chamou a atenção da FOM, que mandou remover os seus vídeos, não uma, mas… duas vezes. E a sua conta foi apagada durante algum tempo, mas não o suficiente para que já tivesse ganho uma suficiente legião de fãs, que espalharam os seus vídeos quer no Youtube, quer noutras plataformas.

Como é óbvio, defendi-o por várias vezes, ao longo da história deste blog. Sempre gostei da maneira como os montava, da escolha da banda sonora. A ideia era causar emoção nas pessoas e tentar capturar a essência do automobilismo e, mais do que ficarmos nostálgicos do passado, e podermos dizer aos outros porque é que somos uns autênticos “petrolheads”. Os seus vídeos fazem bem à alma.

No dia em que comemora o seu 20º aniversário natalício, o Continental Circus tem o prazer de publicar a entrevista a Antti Kalhola.

1 – Olá Antti, é um prazer ter-te aqui, neste humilde blog, a responder às minhas perguntas. Queres explicar, em poucas linhas, como surgiu a ideia de fazer os teus vídeos de automobilismo?

Olá, é um prazer ser entrevistado para aqui. Este blog apoiou-me ao longo dos anos e estou mais do que feliz em conceder esta entrevista.

Comecei a fazer vídeos aos 14 anos, na Primavera de 2005, de forma algo acidental. Um dia descobri o Windows Movie Maker no meu computador e decidi experimentá-lo par aver o que era capaz. Fiquei viciado na edição de videos, e apesar dos meus primeiros vídeos serem muito simplistas foi assim que comecei.

2 – De todos os videos que já fizeste, lembras-te de algum que te orgulhe… ou não?

Há muitos vídeos que fiz e do qual guardo boas memórias, portanto, a escolha é difícil. Mas se tiver de escolher um, teria de ser o meu tributo a Ayrton Senna, com 45 minutos de duração, que fiz no ano passado. Foi o meu maior projeto até à data e senti feliz pela maneira como ficou feito.

3 – Em que é que tu, fazendo vídeos, consegues ser diferente dos outros?

Não sei responder… Só sou eu mesmo, não penso tanto nos outros. Mas talvez seja a paixão e dedicação que coloco ao fazer os meus vídeos. Durante a altura em que estou a editá-los, só estou focado naquilo e dedico todos os instantes do meu dia. Não sei se outros editores tem este tipos de dedicação, mas ainda bem que não haja muitos a fazer isto, afinal de contas, é somente um “hobby”.

4 – Falamos agora de Formula 1. Ainda te lembras da primeira corrida que assististe?

Não te sei dizer, mas uma das minhas primeiras memórias da Formula 1 foi quando tinha quatro anos, com o acidente de Mika Hakkinen nos treinos do GP da Austrália de 1995. Mas a primeira que vi foi talvez o GP do Mónaco de 1997. Recordo muito bem o GP de Jerez em 1997, pois quando no final da corrida disse à minha mãe que o Mika Hakkinen tinha finalmente ganho a sua primeira corrida, ela não acreditou no que eu dizia e depois comecei a chorar (risos).

5 – E qual foi aquela que mais te marcou?

Mais uma pergunta de difícil resposta. Das muitas que já vi, talvez escolha o GP do Brasil de 2008. Das corridas do passado, a minha perferência vai para o GP do Japão de 1989, em Suzuka. Pode não ser tão espetacualr, mas ver dois pilotos do calibre de Senna e Prost, lutando ao segundo pela decisão do título e depois acabar numa colisão é de uma certa maneira poético, pois parece que só existiam aqueles corredores na pista, como um duelo se tratasse. Pena foi que o resultado tenha sido decidido depois pelos comissários da FIA.

6 – Rosberg, Hakkinen e Raikonnen. Qual destes campeões do mundo te agrada mais?

Gosto do Keke Rosberg. Pelos vídeos que vi depois, via-se que era o mais corajoso deles todos, tinha uns grandes tomates…

7 - E nos ralis? Kankunnen, Salonen, Vatanen, Mikkola, Toivonen... a lista é longa.

Ari Vatanen. A sua vida vale um filme, pela sua atitude, filosofia de vida, pelos seus altos e baixos ao longo da sua carreira. Mas gosto de Kankunnen também, pelo seu estilo suave de condução, um dos maiores dos ralis. Também gosto de Henri Toivonen pela sua atitude dentro e fora das classificativas. E claro, Markku “Maximum Attack” Alen, pelo seu estilo matador… são imensos.

8 - Já foste ver alguma classificativa do rali da Finlândia?

Sim, várias vezes. Não vejo todos os anos, mas já vi por várias vezes. A minha primeira vez foi com três anos, em 1994, quando decidiram fazer uma pequena classificativa na cidade onde vivo. Provavelmente devem ser as minhas memórias desportivas mais antigas que tenho, as minhas primeiras imagens e sons. Lembro-me do “big bang” que os Toyota Celica tinham naquele ano, e conseguia-se ouvir o barulho do carro de Dider Auriol na linha de partida, enquanto que eu e os meus pais esatavamos na linha de chegada (risos). Podiam não ser os Grupo B, mas esse também foi uma grande era.

9 - Quero falar um pouco da actualidade. Que achas do atual plantão da Formula 1?

Acho que a qualidade dos pilotos é boa. Claro que é impossível comparar a qualidade dos pilotos do passado com os de agora, mas para mim, é uma grelha competitiva. Pessoalmente, o melhor piloto da atualidade seja talvez o Fernando Alonso, embora saiba que essa escolha não me faça uma pessoa muito popular na Finlândia. Mas a competição está apertada, pois creio que hoje em diz existem muitos pilotos de topo.

10 - Quem é que tu achas que é o favorito para a temporada de 2011?

Se a Red Bull dominar a temporada como fez no ano passado, acho que é Vettel. Caso a Ferrari e a McLaren tenham performances semelhantes, então Hamilton e Alonso também são candidatos ao título.

11 - Achaste bem o cancelamento do GP do Bahrein?

Sim, achei bem. Não havia condições, foi uma decisão acertada. Também, aquele circuito é demasiado aborrecido e não tenho problema algum esperar umas semanas extra até Melbourne.

12 - Qual é a tua opinião sobre a confusão entre a Lotus Cars e Tony Fernandes pelo direito a usar o nome “Team Lotus”?

Não tenho seguido atentamente, mas daquilo que posso dizer, acho que a disputa é um pouco disparatada.

13 - A grande ausência de 2011 vai ser Robert Kubica. Qual foi a tua reacção quando soubeste do acidente e o que achas dos pilotos de Formula 1 poderem fazer outras atividades, como ralis?

Como é óbvio, fiquei chocado quando ouvi as primeiras noticias sobre o acidente e andei a ler ao longo daquele dia as noticias sobre a sua condição e é bom saber que agora está bastante melhor. Receio que isto leve às equipas que restrinjam ainda mais as atividades que os pilotos possam fazer nos seus tempos livres. Mas pessoalmente, gosto de ver os pilotos de Formula 1 a experimentarem os ralis, não tenho problema algum em os ver ali, mas não sou diretor de equipa… (risos)

14 - Achas que Nick Heidfeld é um bom substituto?

Acho que sim, é um bom substituto. Acho que é um piloto subestimado, mas pode fazer um bom trabalho.

15 - Já começou o Mundial de ralis na Suécia, com carros e marcas novas, como a Mini. Achas que vai ser de novo Sebastien Löeb ou os teus compatriotas da Ford tirarão o ceptro das mãos?

O rali da Suécia foi magnifico, um dos melhores que já vi em muito tempo. E os carros parecem que ficam bem na fotografia, parece que vai prometer muito esta temporada. Acho que os próximos ralis não vão ser tão bons como vimos agora, mas esta temporada promete e pode ser que seja o inicio de uma era dourada no WRC.

16 – Achas que alguém conseguirá finalmente bater Sebastien Löeb? Um dos “finlandeses voadores”, por exemplo?

Acredito que sim, pois está cada vez mais a ficar velho. Mas acredito que o piloto que o poderá bater será o seu companheiro na Citroen, Sebastien Ogier. Acho que será campeão do mundo antes que Löeb se retire. Mas acho que Löeb ainda é o favorito para esta temporada.

17 – Qual é a tua impressão de Kimi Raikonnen agora nesta sua nova vida como piloto de ralis?

Confesso não ser grande fã dele, mas gosto de o ver fazer ralis. Ainda não demonstrou nada de especial, mas temos de esperar pela sua evolução. Mas como o Kimi costuma dizer sobre ele mesmo, não estou muito interessado em ver como é que o Kimi se comporta na estrada (risos)

18 - “Correr é importante para as pessoas que o fazem bem, porque… é vida. Tudo que fazes antes ou depois, é somente uma longa espera.” Esta frase é dita pelo actor americano Steve McQueen, no filme “Le Mans”. Concordas com o seu significado? Sentes isso na tua pele, quando vês uma corrida, como espectador?

Talvez isso acontecesse mais no passado, mas acho que agora também existe um pouco esse espírito. Mas também passo tanto tempo a ver filmes históricos, que começo a entender que se calhar há mais coisas na vida do que automobilismo… (risos)

19 – Já agora, tens alguma experiência automobilística, como karting? Se sim, ficaste a compreender melhor a razão pelo qual eles pegam num carro e andam às voltas num circuito?

Não, nunca entrei em competições, apesar de já ter dado umas voltas num kart. Contudo, tenho muita experiência em “simracing” e talvez fique com uma pequena ideia acerca desde desporto e dos seus competidores…

20 - Tens algum período da história do automobilismo que gostarias de ter assistido ao vivo?

Se tivesse de escolher um período especifico, seriam os anos 80, a era dos Grupo B nos ralis e os Turbo na Formula 1. Gostaria de ter assistido ao vivo à passagem dessas máquinas nas classificativas.

21 - Costumas ver o Top Gear? Se sim, o que achas, é o teu programa ideal de automóveis ou nem por isso?

Confesso não seguir o programa. Vi alguns episódios, é certo, mas não consigo emitir uma opinião formada. Talvez nem seja o meu estilo de programa, dado que ainda não me atraiu…

22 – Penúltima pergunta: nunca pensaste em fazer um blog escrito, por exemplo?

Francamente, não. Não é algo que me atraia. Sou uma pessoa introvertida e não consigo tirar prazer de falar sobre mim mesmo ou dar a minha opinião sobre o automobilismo para que outros possam ler-me.

23 - Que planos tens para o teu futuro próximo?

Recebi propostas para realizar alguns vídeos, algo que tenho de decidir nos próximos dias ou semanas, para ver se sai algo produtivo. Tenho de ver se vale a pena fazer vídeos por dinheiro. E depois, claro, completar a inscrição para a escola de cinema. Claro, quero continuar a fazer os meus próprios videos sobre o automobilismo. Este inicio do ano tem sido complicado para mim [entre outras coisas, esteve a fazer a recruta no Exército finlandês] e o meu futuro ainda é um pouco incerto, mas espero que as coisas fiquem um pouco mais claras com o passar do tempo.

Mais uma vez, obrigado pelo teu apoio e a todos que lêem o blog! :)

terça-feira, 1 de março de 2011

Rumor do dia: Volkswagen no WRC em 2012

Desde esta manhã que surgiu o forte - mas muito forte rumor mesmo - de que a Volkswagen irá aproveitar o Rali de Portugal, que acontecerá no final do mês para anunciar o seu retorno aos ralis como marca própria na temporada de 2012. Sabe-se que desde meados do ano passado que correm rumores sobre o ingresso da marca de Wolfsburgo no WRC, e sabe-se também de alguns pormenores acerca do projeto, mas pelos vistos, as últimas noticias vindas de Espanha são no minimo surpreendentes.

O jornal desportivo AS - que sejamos honestos, de Espanha deve-se desconfiar de tudo - fala que o anuncio oficial será no final de março, e que o diretor desportivo seria Carlos Sainz. Não se sabe se isso implica automaticamente a saída da marca nos Todo o Terreno, logo, do Rally Dakar, mas o fato de eles já terem alcançado os seus objetivos pode significar que a vitória de Nasser Al Attyah em Janeiro poderá ter sido o "canto do cisne" do Touareg. Contudo, a ideia de mais um Dakar ainda é uma forte hipótese.

Mas o modelo que a casa-mãe escolheu não é o falado Scirocco, mas sim o Polo. Mais pequeno, é certo, mas tem o mesmo tamanho do que os outros modelos que lá correm como o Ford Fiesta e o Citroen DS3. O jornal espanhol afirma também que a VW quer fazer um projeto ganhador logo em 2012 e 2013, e está a contratar em sigilo uma série de engenheiros ligados quer à Ford, quer à Citroen. E quanto a pilotos, as conversas andam à volta de Petter Solberg e Nasser Al Attyah, mas o AS diz que eles poderão tentar o "Grande Prémio": o francês Sebastien Löeb.

A razão pelo qual é que o contrato do heptacampeão francês termina no final desta temporada. Apesar de Löeb ter 37 anos e estar um pouco com vontade de experimentar outros ares, como a Le Mans Series, a marca alemã acha que ter Löeb nas fileiras, um homem que sempre foi fiel à Citroen, seria garantia de que o projeto seria ganhador desde o primeiro rali. Será dificil e isto pode ser mais desejo do que realidade, mas a hipótese da Volkswagen no Mundial de ralis, mais de vinte anos depois da experiência com o Golf, é uma realidade do qual só falta o anuncio formal.

A boca demasiado grande do tio Bernie e as tentativas de recolocação da corrida barenita

Não me vou dar ao trabalho de comentar a mais recente frase do velho nanico. Aliás, se fossemos inteligentes, deveriamos ignorar o que disse, pois o objetivo dele é que falem dele, por mais lunáticas sejam as suas declarações. Talvez por estes dias se sinta cíumes de Muhammar Khaddafi...

Contudo, as discussões sobre as tentativas de recolocar o GP do Bahrein algures durante o ano merecem ser comentadas. Afinal de contas, o anãozinho tenebroso está obcecado em recuperar os 40 milhões de dólares que ficou a perder devido ao cancelamento da corrida em Março, devido à agitação social que se vive no pequeno emirado do Golfo. Agora fala-se que a corrida poderia ser realizada... em Agosto, no vazio de três semanas que costuma haver para as férias.

Não sei qual é a validade da noticia, mas acho que toda a gente deve descartá-la, pelos mesmos motivos mais um: as temperaturas de Agosto, naquela zona, andam sempre acima dos 40 graus. Se Ecclestone quer realizar uma prova nessa altura e à mesma hora, só demonstra o grau de desespero ou a pouca validade dessa proposta. Para além disso, teria a oposição de toda a gente, a começar pelas equipas. E claro, desconhece-se ainda a situação que o pais viverá dali a cinco meses. E pelos vistos, a "normalidade" é uma ilusão...

Portanto, apesar de Bernie Ecclestone querer a todo o custo recolocar o GP do Bahrein noutra altura, a enormidade do calendário e os devidos problemas de logistica, entre outros, fazem disto um autêntico quebra cabeças e cada vez mais é improvável que a corrida barenita se realize este ano. Menos um circuito aborrecido nos nossos pensamentos.

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana coloca em grande plano o piloto Lewis Hamilton, que nos últimos anos é o símbolo da McLaren. A razão pelo qual isso acontece é que ele foi entrevistado pela revista onde reconhece que desenvolver o MP4-26 está a ser mais complicado do que inicialmente pensavam. Com o antetítulo a dizer que o "inglês reconhece problemas do MP4-26", o título afirma sem qualquer tipo de dúvida que "Hamilton preocupado com eficácia do McLaren".

Nos subtítulos, enumeram-se as principais razões dessas preocupações: "Falta fiabilidade e pneus degradam-se muito depressa", afirmando também que o "cancelamento do GP do Bahrein é balão de oxigénio da equipa".

Na parte de cima da revista, a revista coloca duas personagens portuguesas. O primeiro é Filipe Albuquerque, pois se fala sobre "A nova vida de Albuquerque com a Audi" na principal competição de Turismos, o DTM, onde guiará um A4 com dois anos, e também se fala sobre a primeira prova do Nacional de Ralis, o Rali Torrié, onde "Ricardo Moura vence prova de abertura do Nacional".

No canto superior direito, na semana em que começa o Rali do México, já se fala da prova que vem a seguir, o Rali de Portugal, que tem novidades que vão desde "Superespecial nos Jerónimos" até "O trio da esperança portuguesa" com Armindo Araujo, Bernardo Sousa e Bruno Magalhães confirmados na prova nacional. Quanto aos participantes, serão "75 inscritos com 15 WRC". Nada mau!

As expectativas para o Rali do México

No final desta semana dsecorrerá o Rali do México, segunda prova do Mundial de 2011, uma prova que decorrerá em pisos de terra, mas os especialistas afirmam que não vai ser aqui que se irá ver qual é a correlação de forças entre Ford e Citroen. Segundo eles, como o rali é disputado em altitude, e isso afeta o desempenho dos motores (mesmo estes sejam 1.6 Turbo). Segundo eles, só no final do mês, no rali de Portugal, é que se terá uma ideia da performance de ambos os modelos.

Armindo Araujo, bicampeão do PWRC e que vai correr com o Mini Countryman no rali de Portugal, afirma que ainda é cedo para prognósticos. "Penso que Sébastien Löeb continua a ser o alvo a bater, não nos iludamos. Os ralis de neve, como Suécia e Noruega, têm as suas características e não representam o WRC. Aliás, acredito que o Mundial deste ano se inicia, a sério, em Portugal e não no México, onde as altitudes mexem muito com as eletrónicas. Para além disto, penso que com a chegada das primeiras evoluções, a diferença entre oficiais e privados vai aumentar, tendo em conta o fator económico para quem pode e quem... não pode", defendeu o piloto de Santo Tirso.

Outro piloto que vai participar no Mundial com um Ford Fiesta WRC, pelo menos na prova portuguesa, é Bernardo Sousa. "Em jeito de brincadeira, diria que o que eu gostava era ver a Ford sempre a ganhar! Mais a sério, penso que o Rali da Suécia não é, de facto, uma amostra do Mundial de Ralis. Nos ralis de neve, os pilotos nórdicos, mesmo com carros inferiores, conseguem andar à frente de pilotos mais bem apetrechados", recordou o piloto madeirense.

Apesar de no México, Bernardo Sousa acreditar que Citroën e Ford irão fazer jogo igual, "o facto de Petter Solberg, no ano passado, ter testado e ter dado essas informações à Citroën dá vantagem à equipa de Loeb, sobretudo no impacto da altitude nos motores. Em relação às evoluções, penso que não será tanto uma coisa económica, mas sim de concorrência. Por exemplo, acredito que o Petter poderá não receber as mesmas evoluções que Ogier e Loeb porque o Petter é capaz de os bater. O que não acontece com o Kimi Raikkonen ou mesmo na Ford", explicou.

Em suma: há expectativas, mas não são muito altas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O desejado e a alternativa

Viantonio Liuzzi quer que a Force India lhe pague o que deve. Mas quer que eles o façam o mais cedo possivel, para poder ir alegremente para a unica vaga ainda em aberto, na Hispania. Só que há dois problemas: a Force India anda a arrastar o processo de rescisão e a Hispania não vai ficar à espera para todo o sempre, pois tem Christian Klien como alternativa. E Liuzzi, claro, já disse que não vai trazer dinheiro para a equipa.

Lendo as linhas acima, pergunta-se porque é que Colin Kolles não o descartou de imediato. A razão é simples: ele tem talento o suficiente para desenvolver aquele carro, e Kolles precisa de alguém desse género para evitar que o carro seja um "dead last" como foi em 2010. Liuzzi quer, mas ainda está hesitante, como explicou à Autosport portuguesa: "Ainda tenho de pensar bem no que vou fazer, porque existem algumas opções e, claro, os problemas que conheces ainda por resolver."

Entretanto, parece que a Hispania pode estar perto de conseguir o impossível: um patrocinador. Rumores apontam que Kolles negoceia um acordo com uma empresa russa, que permita andar um pouco mais à vontade com as finanças e não se preocupar em arranjar outro piloto pagante. Aí poderia propor o lugar a Liuzzi, mas caso este diga que fica de fora, a alternativa seria o austriaco Christian Klien, que tem algum dinheiro extra e já trabalhou com Kolles. Veremos como é que esta história irá acabar.

Noticias: Policia britânica investiga contas da falida A1GP

A A1GP acabou em 2009, mas parece que não vai ser a última vez que falaremos sobre ela. Não, não tem a ver com a falada A10 World Series, que parece estar a tentar reavivar o espírito da competição, mas porque as circunstâncias do seu desaparecimento esão a ser investigadas pelas autoridades britânicas.

Segundo a edição de ontem do Daily Telegraph, a Serious Fraud Office, organismo que investiga os crimes de colarinho branco, está a investigar as contas de duas empresas do universo A1GP, a A1 Holdings, a empresa-mãe, e a A1 Grand Prix Operations, de forma a descobrir a origem dos seus financiamentos. Ambas as empresas, que entraram em liquidação em Fevereiro de 2010, têm dívidas que em conjunto, valem 400 milhões de libras (330 milhões de euros), provenientes de dezenas de credores, desde companhias como a RAB Capital até aos donos de equipas um pouco por todo o mundo. Neste momento, correm em tribunais britânicos cerca de quinze acções.

As primeiras investigações acontecerem no inicio do ano passado, após o cancelanento da temporada 2009-10, cuja primeira corrida iria acontecer no circuito australiano de Surfers Paradise. As autoridades britânicas queriam compreender como é que o negócio foi para a frente, sabendo que naquele momento, os carros estavam num armazém na Grã-Bretanha, retidos graças a uma acção em tribunal devido a dívidas por pagar. O caso foi acompanhado pela Interpol, mas não se conhecem quaisquer conclusões.

Neste momento, para ter uma organização como a Serious Fraud Office metida no barulho, é porque se desconfia de que poderá ter havido desvio de fundos, no minimo. Apesar da série ter uma ideia interessante por detrás, a figura de Tony Teixeira, um sul-africano de origem portuguesa, nunca foi totalmente levada a sério ao longo da sua permanência na frente dos destinos da A1GP. E as desconfianças nunca foram dissipadas mesmo quando assinou um acordo com a Ferrari para fornecer todo um conjunto de chassis e motor. Afinal tinham razão: fora Teixeira que fizera a encomenda à marca do Cavalino, numa relação meramente clientelar e nunca de parceria. E creio que a Ferrari também ficou "a arder" neste caso...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carta a um espirito livre

"As capacidades que qualquer piloto tem são encontradas quando ele puxa pelos seus próprios limites. Para fazê-lo, tem de o fazer dando o seu melhor, sem qualquer preconceito. Quando alcançar esse limite, verá que a partir dali existe uma fina linha entre a bravura e a simples estupidez".

Peter Revson, 1939-74

Dear Peter:

Nasceste em berço de ouro. O teu pai e o teu tio foram felizes em fazer fortuna a vender batôns e produtos de beleza para milhões de mulheres um pouco por todo o mundo e o dinheiro serviu para tu ires estudar para a Universidade de Cornell. Um dia, encontraste um grupo de colegas que partilhavam essa paixão e ficaste viciado pela velocidade para todo o sempre. Tu, Teddy Mayer e o seu irmão Tim e Roger Penske, entre outros. Quando começaste a correr, primeiro num Morgan e depois noutras máquinas, todos olharam para ti como sendo um "playboy". Mas não eras: simplesmente tinhas um espirito livre, tipico daqueles tempos.

O chato é que tu tinhas MESMO talento. Contudo, até os outros se convencerem que eras mais do que um rico menimo mimado, demorou. Os teus primeiros tempos foram custosos, a familia não te dava dinheiro algum para as corridas, e teve de sair do teu próprio bolso a tua primeira tentativa de correres na Europa, sem grande sorte.

Depois, um dia, começas a ter bons resultados quer nos monopostos, quer nos Turismos, e apareces certo dia em Sebring com outra pessoa feita da mesma massa do que tu. Era o Steve McQueen, o "king of cool" do seu tempo. Muitos deverão ter torcido o nariz por ver um ator e um menino rico a correrem nas 12 horas de Sebring. É certo que fizeste boa parte da corrida, pois McQueen estava magoado no pé. Mas para perderem por pouco pelo Ferrari oficial, com três pilotos profissionais do calibre de Mario Andretti, Ignazio Giunti e Nino Vacarella... tenho de vos tirar o chapéu! Afinal de contas, nunca um segundo lugar tinha sido tão comentado.

O sucesso veio mesmo no final da tua existência. Tinhas 34 anos e eras bem mais maduro do que quando começaste. Corrias num McLaren e fazias Can-Am, a USAC - houve um ano em que fizeste a "pole-position" nas 500 Milhas de Indianápolis e o recorde ficou lá por onze anos - e ainda fazias a Formula 1. Foste campeão na Can-Am e viajavas dezenas de milhares de quilómetros por ano, corridas quase todas as semanas, e simplesmente adoravas fazer isso. As tuas vitórias foram tão memoráveis como confusas. Em Silverstone foram onze carros eliminados por um dos teus companheiros de equipa, Jody Scheckter, e em Mosport, foi uma confusão causada pelos organizadores porque decidiram colocar na pista um "pace car" no momento errado na hora errada. E esperaste à chuva durante duas horas até te anunciarem como vencedor...

Depois da McLaren, resolveste tentar a tua sorte na Shadow. Um americano num carro americano até soava bem para ti. Eras feliz, tinhas arranjado noiva e tudo, uma ex-Miss América, e tudo indicava que irias herdar a fortuna do teu tio. Mas oito dias antes do GP da Africa do Sul, quando testavas o carro, perdeste o controlo dele e tudo acabou por ali. Foi pena, tiveste o mesmo destino do teu irmão, sete anos antes, quando participava numa corrida de Formula 3 na Dinamarca. Mas enfim, queremos acreditar que ao menos estavas a fazer aquilo que mais gostavas.

Tenho de tirar o chapéu a pessoas como tu. Chegaram a uma posição onde que, sem problemas com o dinheiro, poderiam fazer o que quisessem. Escolheste esta forma e só poderemos respeitar-te por isso. Uns poderão dizer que é estupido, egoista, que o dinheiro poderia ter sido usado, blá, blá, blá... mas pelo aspeto, não estavas para aí virado, pois não?

Gostaria de ter cruzado contigo, mas não deu. Acho que foi uma questão de dois anos e qualquer coisa, e foste cinco meses e meio depois de outro piloto do teu tempo, Francois Cevért. Vocês dois eram feitos da mesma massa, perseguindo os mesmos objetivos. E por aí, tenho de no minimo curvar-me em sinal de respeito. Tenho pena que a tua vida tenha sido implacávelmente curta, mas vê as coisas de um lado positivo: não só a viveste no máximo como o teu legado é a de um excelente piloto com talento, que deixou para trás a imagem de "menino rico".

Podes descansar em paz, estás vingado. Espero que de onde quer que estejas, os que ainda andam por aqui e gostam da velocidade, te recordem sempre.

Happy Birthday, Peter. Vêmo-nos por aí, um destes dias.

A preparação da Prodrive para a estreia no Mundial



Na terça-feira, em principio, a FIA homologará o Mini Countryman com o objetivo de colocar na estrada. apesar da estreia oficial ser apenas em Maio, no Rali da Sardenha, sabe-se que os dois pilotos semi-oficiais, o brasileiro Daniel Oliveira e o português Armindo Araujo, irão usar o carro daqui a um mês, no Rali de Portugal.

Neste video, o responsável da Prodrive, David Lapworth, fala sobre o desafio que é desenvolver o Countyman: "É relavivamente fácil fazer um carro rápido, e também é fácil fazer um carro muito fiável. Contudo, a grande dificuldade é encontrar um equilibrio entre a rapidez e a fiabilidade, para termos depois um carro que seja mais rápido e fiável do que os outros", afirmou.

"A maior dificuldade que estes carros têm é ao nível da suspensão. A variedade de terrenos que passa e a pressão que estão sujeitos, quer seja em terra, neve ou asfalto, o confronto entre durabilidade e performance, é o grande desafio. Se queremos que seja rápido, desfaz-se ao primeiro obstáculo, por exemplo", concluiu.

Sobre a colaboração com a BMW Motorsport, Lapworth afirmou: "A BMW fez a maior parte do trabalho ao construir este motor. O nosso trabalho é fazer com que tenha performances satisfatórias nas classificativas, da mesma forma que este mesmo motor tem mas pistas".

Ao longo do mês de Março, a Prodrive vai prosseguir os testes, com o britânico Chris Meeke e o espanhol Dani Sordo, de forma a estarewm prontos para a sua estreia na Sardenha. Araujo e Oliveira irão participar nos testes com vista a preparar para o rali de Portugal.

A história do segundo português na Formula 1

(...) "No final desse ano, Pedro deveria ter feito o seu primeiro teste de Formula 1 num Lotus, como prémio pela sua vitória na Formula 3000 britânica, mas a equipa passava por fortes convulsões. Sendo assim, esse primeiro testes foi no Estoril, a bordo de um chassis da Coloni. A equipa tinha passado por um mau ano com os motores Subaru flat-12, construídos por Carlo Chiti, e após meio ano, tinha sido recomprada por Enzo Coloni para manter a equipa a flutuar.

No inicio de 1991, Coloni, que tinha gasto muito dinheiro no projeto anterior, não tinha o suficiente para construtir um chassis totalmente novo, logo, foi buscar o velho C3, de 1989, e pediu a uma equipa de técnicos da Universidade de Perugia para o atualizar. Contudo, mesmo com as atualizações, era um chassis lento e difícil de manobrar. E o motor era modesto, um Ford DFR.

Coloni queria inicialmente Andrea de Cesaris, mas ele, sensatamente, decidiu rumar para a Jordan. A seguir, tentou Chaves, que aceitou, pois queria chegar à categoria máxima do automobilismo e colocar Portugal no mapa. Levou os seus patrocinadores pessoais para o carro, mas cedo viu que com aquele chassis, as suas hipóteses de correr num fim de semana de competição seriam ínfimas. E ainda por cima, conhecia mal boa parte dos circuitos..." (...)

Eis a parte da biografia onde fala do inicio da aventura de Pedro Matos Chaves na Coloni, faz agora vinte anos. Uma aventura onde em treze tentativas, não conseguiu sequer passar da qualificação, dado o geriátrico chassis e o fraco motor que tinha entre mãos. Chaves tornou-se no segundo português na Formula 1, mas para além disto, teve uma carreira tão variada que incluiu passagens pelos Estados Unidos e... pelos ralis, tornando-se bicampeão nacional ao serviço da Toyota.

É essa versatilidade que falo hoje no sitio Pódium GP, onde podem ler por lá toda a sua história.