quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Noticias: Renault não vai apelar da desclassificação no Japão

Depois de ontem a FIA ter dito que o sistema de travões da Renault estar fora dos regulamentos, e em consequência, serem desclassificados, a marca do losango decidiu não recorrer da decisão. Apesar de chamar à desclassificação "desproporcionada e inconsistente com decisões anteriores", decidiram "não prolongar um debate estéril" por não ter "nada de novo para mostrar".

No comunicado oficial da marca, afirmaram o seguinte:

"Lamentamos a decisão dos Comissários e, em particular, a severidade da sanção aplicada. Na nossa opinião, a penalidade não é proporcional a qualquer benefício obtido pelos pilotos, principalmente quando utilizados no contexto de um sistema confirmado como totalmente legal e inovador", começou por dizer. 

"Também é inconsistente com as sanções anteriores por violações semelhantes, como reconhecidas pelos Administradores em sua decisão, mas expressas sem argumentação adicional. No entanto, como não temos novas evidências para trazer além daquelas já produzidas para demonstrar a legalidade do nosso sistema, não desejamos investir mais tempo e esforço em um debate estéril em frente ao Tribunal Internacional de Apelação sobre a apreciação subjetiva, e, portanto, sanção, relacionada a um auxílio que reduz a carga de trabalho do piloto sem melhorar o desempenho do carro. Decidimos, portanto, não recorrer da decisão dos comissários", continuou.

"A Fórmula 1 sempre será uma arena para a busca incansável das menores oportunidades possíveis de vantagem competitiva. É o que sempre fizemos e continuaremos a fazer, embora com processos internos mais fortes antes que soluções inovadoras sejam colocadas no caminho certo", concluiu.

Recorde-se que Daniel Ricciardo e Nico Hulkenberg ficam ambos classificados nos pontos, respectivamente no sexto e décimo posto da geral. A contestação foi feita pela Racing Point, do qual a FIA deu-lhes razão, retirando-lhes os nove pontos que ganharam nessa corrida.

Noticias: Um fim de semana chuvoso no México

O GP do México poderá ser muito chuvoso. De acordo com os boletins meteorológicos locais, sexta, sábado e domingo terão muita precipitação, apesar das temperaturas amenas. A probabilidade de chuva na sexta-feira é de 80 por cento, aumentando para 90 por cento no sábado e 80 por cento na hora da corrida.

A ideia de uma corrida semelhante ao da Alemanha poderá estar na mente de muita gente, mas tem de se saber que grau de precipitação irá cair na zona do Autódromo Hermanos Rodriguez. Poderá não ser tanta chuva ao ponto de causar alteração no fim de semana do Grande Prémio, como no Japão - porque ali falávamos de um tufão - mas poderemos descartar a ideia de uma corrida normal, sem atritos externos...


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Noticias: Renault desclassificados do GP do Japão

Os Renault foram desclassificados do GP do Japão. A FIA decidiu esta quarta-feira que deu razão à queixa da Racing Point, que reclamava do seu sistema de travões, que achava irregular. A reclamação feita pela equipa de Lance Stroll e Sergio Perez afirmava que a Renault conta com um "sistema de travões pré-definido de ajuste de tendência baseado na distância das voltas" nos dois carros. Por outras palavras, um sistema de travões com ajuste automático, que é ilegal.

No comunicado oficial da FIA, a entidade explicou as decisões tomadas sobre este caso. Apesar de dizerem que o sistema em si cumpre os regulamentos, é classificado como um auxílio do piloto.

"Os comissários examinaram os documentos entregues ao Departamento Técnico da FIA. O relatório está de acordo com a ordem dada aos comissários na audiência de 13 de outubro de 2019. Algumas partes são confidenciais, porque avaliam informações que precisam ser protegidas. Os resultados da parte confidencial foram cuidadosamente incorporados nos documentos acessíveis a todas as partes. Os especialistas da FIA examinaram as versões do software da Renault usadas durante o GP do Japão, versões de informações descarregadas diretamente no carro, assim como verificou os controles do travão traseiro do carro, botões no volante e as informações no visor. Todas as conclusões dos especialistas estão bem estruturadas e explicadas sem mostrar fraquezas lógicas.

Assim, depois de revisão detalhada, os comissários concordam com os resultados e afimam:

- O software controlador do travão traseiro usado pela Renault é parte integral do sistema de controle referido no Artigo 11.0 das regras da FIA. Desta forma, está usado de acordo com o Artigo 11.1.3 e 11.1.4 das regras da FIA.

- O sistema de controle descrito não é ajustado com antecedência e dependente da distância da volta, como alegado.

- Os pilotos da Renault utilizam botões colocados no volante para controlar o equilíbrio dos freios de acordo com o Artigo 8.6.3 das regras técnicas da FIA. Estes estão conectados ao ECU padrão da FIA.

- Com tudo isso, os comissários concluem que, apesar da Renault ter utilizado soluções inovadoras para explorar certas ambiguidades das regras técnicas e outros documentos, o sistema deles não infringe nenhuma regra técnica.

“[Contudo], o sistema de ajuste da balança de freio em questão atua como um auxílio ao motorista, evitando que o motorista precise fazer vários ajustes durante uma volta. Os comissários observam que há uma distinção clara entre esse sistema e um que fornece controle real de feedback, que poderia substituir as habilidades ou reflexos do piloto. No entanto, ainda é um auxílio e, portanto, viola o Artigo 27.1 da FIA."

Assim sendo, Daniel Ricciardo, que foi sexto, e Nico Hulkenberg, o décimo, foram desclassificados, e os maiores beneficiados foram... os Racing Point, que coloca Perez no oitavo posto e Stroll no nono. Contudo, a equipa do losango tem até amanhã ao final da tarde para apelar da decisão.

Youtube Formula 1 Video: O questionário de Albon e Max

O pessoal da Formula 1 tem uma coisa chamada "Grill the Grid", e já há umas semanas fizeram isso aos pilotos da Ferrari, Sebastian Vettel e Charles Leclerc. Agora, nas vésperas do GP mexicano, calhou aos pilotos da Red Bull, Alexander Albon e Max Verstappen. Eis o video.

Dakar: Porém andará no segundo Borgward

O piloto Ricardo Porém irá conduzir o segundo Borgward BX7 EVO no Dakar de 2020, que se realizará na Arábia Saudita. Ele vai ser o companheiro de equipa de "Nani" Roma, e ambos os carros serão preparados pela Wevers Sport. O anuncio foi feito esta quarta-feira.

"Estou muito feliz por estar na equipa! Estou muito motivado para trazer a minha experiência. Conheço o Nani (Roma) e sei que ele é um piloto muito experiente. Tenho a certeza de que posso contribuir para a equipa com o meu conhecimento da Baja Portalegre onde espero que possamos obter um bom resultado,” disse.

“Estamos muito felizes com a equipa para o Dakar de 2020. Temos uma combinação que nos faz sentir confortáveis. Um carro fiável e excelentes pilotos que têm muita experiência e que são capazes de competir com o melhor do mundo,” disse Erik Wevers, dono da Wevers Sport, a equipa que prepara o Borgward BX7 EVO.

O piloto de Leiria vai começar a sua colaboração com a marca germano-chinesa agora no Baja Portalegre 500, onde curiosamente, estarão alinhados os vencedores das últimas cinco edições, uma vez que para além da vitória de Roma no ano passado, Porém venceu por quatro vezes seguidas, entre 2014 a 2017.


terça-feira, 22 de outubro de 2019

A imagem do dia

Há dez anos, o Ricardo Santos fez um grafismo deste evento para o jornal i, e estes deram um título feliz, e claramente exagerado: "A III Guerra Mundial". Provavelmente acreditarei nisso quando Hollywood decidir fazer um filme sobre esses dois.

Não me interessa muito saber quem foi o culpado, porque isso já roça o sexo dos anjos. O que interessa saber é que isto já vinha de trás. E que Ayrton Senna perdeu o título muito antes. Provavelmente em Phoenix, quando o seu carro teve problemas e Alain Prost aproveitou para vencer. E depois em França, quando a sua embraiagem queimou, e o francês voltou a vencer. Foram 18 pontos em que não pontuou e Prost aproveitou muito bem.

Claro, o incidente do Estoril tinha acontecido quando Senna já estava em desespero de causa. E nesse campo, é quando se vê a verdadeira cara dos pilotos. E o brasileiro tinha um grande defeito: nunca foi um grande calculista, ao contrário de Prost. Que não lhe chamavam "O Professor" pela sua cara ou seu charme. Era porque sabia calcular bem, e sabia que ser o mais veloz na qualificação era mais simbólico que outra coisa, bastava partir de segundo e largar melhor que o poleman. E em 1989, Prost tinha a sua quota parte de títulos perdidos, atrevo a dizer desde 1981.

Mas mesmo assim, é indesculpável a manobra que fez, e depois largar o carro para ir correr, ter com os comissários e "pedir" a sua desqualificação. Jean-Marie Balestre bem disse que "a melhor decisão é a minha decisão", ou seja, as regras existem, mas a minha interpretação é a lei do dia. E nessa altura, o que não faltava eram os "VAR's". E para piorar as coisas, a imprensa do dia atiçava o duelo porque é como sabem: o que desejam é ver a tenda do circo a arder. 

É um momento para a história. Vai ficar marcado para o resto das vidas dos seus protagonistas e para além delas. Será discutido enquanto existirem testemunhas, e não falo das oculares, porque existem os videos, e esses ficarão para sempre para que cada geração tire as suas conclusões. 

E como também sabem, no ano seguinte houve a segunda versão disto.

Youtube Rally Testing: O teste de Sebastien Ogier no Rali Catalunha

Esta semana é o Rali da Catalunha, o único rali que é conduzido em piso misto, ou seja, parte é em terra e parte é em asfalto. E enquanto se faz a contagem decrescente, os pilotos e as equipas preparam-se para a prova. Como fez agora Sebastien Ogier, que vai tentar vencer o rali para evitar que Ott Tanak se sagre campeão do mundo agora nesta prova.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A imagem do dia

Há precisamente 35 anos, a Formula 1 terminava no Estoril, num regresso da formula 1 a Portugal, 24 anos depois da última vez. Mas esta data, e este local não estavam incluídos no calendário original. Na realidade, deveria ter acontecido um GP de Espanha, em paralelo com uma prova em Nova Iorque, mas ambos não aconteceram.

Se no caso americano, era a obsessão de Bernie Ecclestone em encher o calendário de provas americanas, pois havia Detroit e naquele ano, Dallas, no caso de Espanha seria um regresso, mas não a Jarama, onde a Formula 1 tinha lá estado desde 1968 até 1981. Contudo, a pista parecia ter sido desenhado por um garoto de oito anos - era uma pista citadina - e sem grandes garantias, ela foi cancelada. E foi aí que a ACP aproveitou o balanço para estender a sua candidatura. Tinham uma pista pronta, as modificações não eram extensas e o público era fervoroso, como poderiam ver pelos magotes de gente que iam ver os carros de rali a fazer "slaloms" nas especiais que o Rali de Portugal fazia no circuito.

O anuncio foi feito em junho, no fim de semana do GP do Mónaco, e não houve tempo a perder. As boxes foram reconstruídas, as escapatórias modificadas, as barreiras foram remodeladas, e com a corrida a ser a última do calendário, até era bom que o título se decidisse por ali. Não ficaram desiludidos: Niki Lauda e Alain Prost fizeram por isso, numa temporada onde a McLaren dominou.

Tudo estava pronto na altura, e do que lembro bem dessa altura foi a forte cobertura que a televisão - a monolítica RTP - fez do evento. Quatro dias só a falar sobre isso fez despertar a minha preferência pelo automobilismo, adormecida depois de ter regressado a Portugal, dois anos antes. Digo muitas vezes que a minha primeira corrida foi Las Vegas 1981, com o primeiro título mundial de Nelson Piquet, mas Estoril 1984 foi o meu renascimento.

Foi uma corrida que valeu a pena. Prost tinha de vencer para ser campeão, se Lauda não fosse além do terceiro posto. Ele partia de 11º, mas já tinha mostrado que era um excelente piloto em corrida, poupando o carro na primeira parte para depois atacar na segunda, com meio depósito de gasolina. E o que decidiu o título foram os travões de Nigel Mansell, segundo no seu Lotus até à volta 53, quando estes cederam e deram o segundo posto ao austríaco. 

E logo atrás, também todos queriam ver como se comportaria o menino prodígio do pelotão, o "rookie do ano", Ayrton Senna. Detentor de dois pódios no Mónaco e na Grã-Bretanha, Senna estava bem colocado na grelha de partida, partindo de terceiro, atrás do poleman Nelson Piquet e de Alain Prost, e tentou ir atrás dos líderes. Teve um bom ritmo, e no final, o lugar mais baixo do pódio foi a recompensa, com muitos a ficarem com a impressão de que ele iria fazer mais. Afinal de contas, iria substituir Nigel Mansell na Lotus...

No final, foi uma bela festa. Lauda foi campeão com a margem mais curta de sempre - graças aos meios pontos dados no Mónaco, que se não fossem assim, daria o campeonato a Prost... - a corrida foi um sucesso e todos ficaram felizes porque a aposta tinha sido em cheio. Iria ficar no calendário por mais doze anos, e Portugal entrava no mapa das realizações automobilísticas, para além do Rali, que muitos diziam ser "o melhor do mundo".

Post-Scriptum: Há uns tempos, descobri que este regresso da Formula 1 a Portugal marcou a mente de uma menina, que fazia (e faz) anos neste dia. Ela diz que foi aí que começou a sua relação de amor pela categoria. Assim sendo, como este é o seu aniversário, e não posso estar fisicamente com ela, este é o meu humilde presente. É a Rocio, a garota que tem o blog "Cafe com Serena". Muitos Parabéns!

Formula E: Félix da Costa gostou do novo ambiente

O piloto português, agora a correr pela DS Techeetah, a equipa que alberga o atual campeão do mundo, Jean-Eric Vergne, está satisfeito pelas suas performances e do carro, no final dos testes colectivos em Valência. Fazendo constantemente os melhores tempos e sendo segundo classificado na corrida de simulação, o piloto de 27 anos afirmou que os registos, apesar de serem importantes, não ‘dizem’ tudo, pois foi muito o trabalho de preparação para a época que se avizinha.

“Soube bastante bem alcançar um bom ritmo no DS E-Tense FE20 ao longo destes dias em Valência. Este é um monolugar muito diferente daquele que eu tinha, pelo que é necessário algum tempo de adaptação com os novos sistemas, mas assim que tenha adquirido todos dados, antecipo uma temporada muito divertida”, disse Félix da Costa em declarações à Autosport portuguesa.

Quanto à experiência com a Techeetah, afirmou ter sido “Muito boa. É muito diferente como se trabalha aqui. Estive seis anos na BMW, que tem um método diferente, fazes muito mais do que necessitas. Na BMW tens dez reuniões por dia para entender tudo. Aqui é tudo muito mais tranquilo, são muito diferentes. À sua maneira, ambas as equipas trabalham bem e chegam aos bons resultados", começou por dizer. 

"O carro é igual por fora, mas por dentro é muito diferente. Para mim há muitos novos sistemas de software e o volante é completamente diferente. Havia coisas que fazia com a mão direita e agora faço com a mão esquerda e por vezes ainda carrego no botão errado. É mesmo assim, os primeiros dias com o carro. Mas já estamos muito rápidos e a pouco a pouco vamos melhorando“, concluiu.

Agora, é preparar para as primeiras provas, na Arábia Saudita, que acontecerão dentro de um mês, nos dias 23 e 24 de novembro, na pista de Ad Diriyah, nos arredores de Riad, a capital saudita.

W Series: Escolhidas as seis novas integrantes para 2020

A norueguesa Ayla Agren, a britânica Abbie Eaton, as espanholas Belén Garcia e Nerea Marti, a russa Irina Sidorkova e a brasileira Bruna Tomaselli foram as seis escolhidas para a nova temporada da W Series, anunciou esta manhã a organização da competição. A seleção foi feita depois de uma série de provas que aconteceram no mês passado no circuito de Almeria, no sul de Espanha.

Contudo, ainda faltam preencher duas vagas para a nova temporada, e os nomes serão divulgados mais tarde.

Catherine Bond Muir, a CEO da W Series, mostrou-se entusiasmada com a escolha.

“Assim que o sol se pôs em Brands Hatch, palco da final do campeonato da W Series 2019, no domingo 11 de agosto, começamos a preparar-nos para a temporada 2020”, começou por dizer Miur. “Mais de 40 novas pilotos se inscreveram para competir em 2020 e, após um teste de três dias em pista e um rigoroso programa de análise de dados e de tempos por volta, podemos anunciar as primeiras 18 das 20 pilotos que vão competir no campeonato de 2020.“, continuou.

“É uma lista impressionante, incluindo as 12 melhores da temporada 2019 e seis novas pilotos, que tiveram um bom desempenho em Almería. O resultado é um grupo variado e internacional, composto por 18 pilotos de 12 países, com idades entre os 16 e os 30 anos."

Já Dave Ryan, o diretor de corridas da competição, afirmou ter ficado impressionado com o nível da competição.

“De maneira geral, fiquei impressionado com as 14 pilotos que testamos e avaliamos no mês passado e tornou a selecção difícil. Mas analisamos todos os dados da melhor maneira possível e, portanto, estou confiante de que as 18 pilotos que seleccionamos até agora representam uma excelente formação, mas deixamos dois espaços disponíveis para permitir um pouco mais de tempo para seleccionar as duas pilotos finais que , juntamente com os 18 pilotos que já seleccionamos, formarão a grelha que disputará o campeonato de 2020.”

“No entanto, todas as estrelas de nossa temporada de 2019 competirão novamente connosco em 2020, incluindo Jamie [Chadwick], que estará defendendo o título, bem como Beitske [Visser], Alice [Powell], Marta [Garcia] e Emma [Kimilainen], que venceram corridas no ano passado. Consequentemente, espero que nossa temporada de 2020 seja ainda melhor que a de 2019 “.

Sidorkova é a mais nova de todas, com 16 anos, enquanto Eaton é a mais conhecida, pois foi a testadora do programa "The Grand Tour" nos últimos dois anos. Tomaselli corre nos Estados Unidos, na Formula US2000, enquanto Garcia e Marti vieram do karting. 

domingo, 20 de outubro de 2019

Youtube Motorsport Interview: Jay Leno fala com Matt Damon

O Jay Leno, que toda a gente sabe ser um maluquinho por carros, fez esta entrevista a Matt Damon, que faz o papel de Carrol Shelby no filme "Le Mans 66", realizado por James Mangold e tem Christian Bale no papel de Ken Miles. 

Eis o video, com Damon a entrar na garagem num AC Cobra.

Lotus 80: Um chassis que foi longe demais

Deveria ter sido o efeito-solo total. O passo em frente em termos de chassis. Contudo, acabou por ser um fiasco e o começo do fim de Colin Chapman como desenhador e construtor. O Lotus 80, surgido na primavera de 1979, tentava manter a equipa um passo adiante de uma concorrência que tinha visto o chassis anterior e decidira seguir por esse caminho.

Num ano onde todas as equipas decidiram seguir a aerodinâmica, aquele deveria ter sido mais um chassis campeão. Contudo, após três corridas e um pódio, acabou por ser arrumado de lado, discretamente, com Chapman a admitir o fracasso. Mas já agora, porque é que eles foram longe demais nesse campo?

Depois do sucesso que foi o Lotus 79, que apareceu no GP da Bélgica de 1978, com um sucesso retumbante - dobradinha com Mário Andretti na frente de Ronnie Peterson - e de mais seis vitórias, que deram ambos os títulos de Construtores e de pilotos, esperava-se que Colin Chapman mantivesse a dianteira em 1979, com o seu proximo projeto, que seria o 80. Nesse inicio do ano, outros projetos estavam adiante da Lotus, aproveitando bem o efeito-solo, como a Ligier, que com o projeto JS11, tinha vencido as duas primeiras corridas do ano, na Argentina e no Brasil. E para além disso, a Renault, com o seu motor Turbo, começava a mostrar que a potência estava a tornar-se eficácia, quando Jean-Pierre Jabouille conseguiu uma pole-position em Kyalami, na África do Sul, beneficiando da altitude, que fazia respirar melhor os motores Turbo em relação aos aspirados.

"Se algo era bom, então mais seria melhor", disse Peter Wright, um dos projetistas do carro, à Motorsport britânica, em julho de 2004. Eles achavam que poderiam fazer um carro sem asas, ou se preferirem, um carro-asa, onde ficaria agarrado ao chão quer nas retas, quer nas curvas, adaptando-se a qualquer piso. Em termos de desenho, era um focinho de cinzel com saias e entradas laterais que se encolhiam para dentro das rodas traseiras, de modo que as saias principais corressem direto para a cauda, com uma folga para a suspensão traseira. E desde que as saias funcionassem, conseguia produzir muita força descendente extra.

Contudo, desde o inicio que o carro se tornou num pesadelo. Tinha saias frontais, no nariz, para além das laterais, mas cedo descobriu-se não funcionavam bem. "Um pesadelo mecânico", disse Wright. "Mas se você dissesse a Colin que havia algo que não funcionava, ficava furioso."

A teimosia de Chapman era lendária. Se havia algo que não funcionava, persistia no erro, Tinha sido assim em 1969, quando insistiu no Lotus 63 de quatro rodas motrizes, que não funcionava, e dois anos depois, com o modelo 56 a turbina, deixando o 72 por desenvolver nesse ano, depois de cinco vitórias em 1970. E em 1974, quando persistiu no modelo 76, que se tornou num fracasso e perdeu tempo precioso para construir num carro eficaz para substituir o já envelhecido 72, que continuou a ser usado até 1975.

A Lotus esperava usar o carro em Kyalami, na África do Sul, mas os problemas que foram encontrados nos testes fizeram atrasar essa estreia, primeiro para Long Beach, depois para Jarama, palco do GP de Espanha. Carlos Reutemann, o segundo piloto, testou o carro, mas decidiu não correr nele, porque não se sentia seguro.

E tinha razão, porque enquanto decorriam os testes, tinha-se descoberto um fenómeno aerodinâmico perigoso: "porpoising". Essencialmente acontecia nas curvas, quando o carro, agarrado ao solo graças ao efeito da asa invertida, passava por algum obstáculo, normalmente uma depressão no asfalto, fazendo perder esse efeito. Com isso, o carro era perigoso de se controlar, a velocidades muito altas. Para piorar as coisas, os chassis não eram suficientemente duros nesse tipo de situação, e começavam a dobrar. O mesmo tipo de problemas que Emerson Fittipaldi tinha encontrado no seu Copersucar F6, algum tempo antes.

Apesar de todos estes problemas, o modelo 80 foi para a frente. Estreou-se em Jarama, com Andretti ao volante, e acabou no terceiro lugar. Mas ficou atrás quer do vencedor, o Ligier de Patrick Depailler, como do modelo 79 de Carlos Reutemann, o segundo classificado. Não era convincente. E para piorar as coisas, à medida que as suspensões ficavam mais rígidas, para evitar o famoso "porpoising", quando as saias funcionavam e sugavam o ar por baixo, o chassis começava a quebrar.

Andretti usou o chassis nos GP's do Mónaco e da França, mas o carro não deslumbrou. Andretti largou de 13º na grelha, duas posições atrás do seu companheiro de equipa, e desistiu na volta 21 devido a problemas de suspensão. Em Dijon, ficou na frente do argentino por um lugar, mas desistiu na volta 51 por causa dos travões. Pouco depois, Chapman decidiu que o carro não iria ser eficaz e retirou-o, ficando com o 79 e desenhando o 81, mais convencional, para 1980. Mas a ideia de suspensão independente não o iria largar a sua mente, e foi por isso que surgiu o 88, em 1981, e depois o conceito de suspensão electronicamente controlada. Mas isso são outras histórias.

sábado, 19 de outubro de 2019

Youtube Motoring Test: O teste do Peugeot e-208

A partir de agora, iremos ver as marcas a colocarem versões elétricas dos seus carros mais populares. A Opel já fez isso com o seu Corsa, e agora a Peugeot, que faz parte do grupo PSA, com o 208. E o Johhny Smith foi a Portugal testar este carro para o site Fully Charged.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A imagem do dia

A Formula 1 sempre foi um antro de técnica, onde as equipas sempre procuraram uma maneira de se superarem umas às outras. Algumas chama a isso que "vantagem injusta", tanto que Mark Donohue usou isso como título do seu livro sobre o automobilismo e os seus aspectos técnicos. 

A genialidade de algumas pessoas, como Colin Chapman, Adrian Newey, Ross Brawn, Rory Bryne, Gordon Murray e outros, foi de pegar no regulamento técnico e achar uma maneira de contorná-lo, tentando encontrar algo que, não sendo ilegal, não tinha sido contemplado, e do qual pudessem aproveitá-lo, se fosse vantajoso para eles.

Contudo, quando estas coisas colidiam com os regulamentos, a entidade definia a sua dimensão, por vezes com margens de tolerância bem pequenas. Foi o caso dos pontões laterais, que estavam aparentemente fora do regulamento por 1,2 milimetros. A FIA desclassificou-os, dando a vitória a Mika Hakkinen e praticamente resolver o campeonato a favor do finlandês da McLaren. A Ferrari resolveu recorrer à FIA, e uma semana depois, em Paris, esta mostrou que ela estava dentro do limite tolerável e não houve um aumento significativo de performance em ambos os carros... apesar de terem feito dobradinha.

A FIA ouviu os argumentos e decidiu a favor da Ferrari. Claro, o "FIA - Ferrari International Assistance" surgiu de imediato, quando a sentença foi ouvida, mas o mais interessante é que no Japão, esses "bargeboards" não foram usados e o resultado foi aquele que soubemos...

Mas por uma semana, a decisão do título na Formula 1 esteve pendente de uma decisão da secretaria. E de como certas insinuações podem fazer a diferença.

Youtube Motorsport Video: As decisões que a Formula 1 tem de corrigir

Toda a gente fala sobre as decisões que as equipas tem de fazer para que os novos regulamentos entrem em vigor em 2021, mas o mais importante é o de fazer com que algumas equipas abdiquem de alguns dos privilégios que Bernie Ecclestone lhes deu na última década, antes de passar as operações para a Liberty Media, como se fosse um presente envenenado.

Eis o video, feito pela Autosport britânica que fala sobre esses desafios.