quinta-feira, 17 de junho de 2021

A ambição americana do WRC


Qualquer grande competição mundial quer correr em dois mercados: Estados Unidos e China. E a razão é simples: são os dois mais populosos. E no caso do Mundial de Ralis, é uma ambição antiga, dado que já esteve em ambos os países no passado, mas nunca se amarrou completamente. No caso americano, houve o Rally Olympus, que aconteceu entre 1986 e 1988, no estado de Washington, e apesar das paisagens, nunca assentou definitivamente no calendário. 

Ora, nestes últimos tempos, o WRC voltou-se a interessar pelas paragens americanas. Yves Matton, representante da FIA, afirmou esta semana que se prepara um evento a partir de 2022 que sirva de ensaio geral para o regresso da competição às terras do Tio Sam, e não tem de ser necessariamente o Olympus Rally. 

"[Existem] várias coisas [em cima da mesa]. Podemos ter um roadshow, um evento candidato ou qualquer tipo de evento que seja o primeiro do WRC na América do Norte sem fazer parte do campeonato como um rali tradicional.", começou por dizer. E claro, a ideia é fazer algo que agrade à Ford, uma das marcas que investe na competição. 

"Para todos os envolvidos no campeonato é importante ir para a América do Norte como é importante ir para países como a China ou a Russia.", concluiu Matton.

Já Richard Millener, responsável da M-Sport, que é a preparadora da Ford, assume acreditar que "um evento na América do Norte é parte da razão pela qual a Ford quer estar envolvida" no mundial de ralis. "tudo na América é sempre em grande e tem de ser melhor que qualquer outra coisa, por isso adoraria ir lá, e sendo a casa da Ford acho que seria mesmo importante.", comentou.

De facto, neste momento há a aposta do WRC em ralis em paragens americanas, mas é no sul, com provas no México, Argentina e Chile. Com calma, a FIA está decidida em recuperar algumas das proas do passado, como o Safari, que regressará na semana que vêm, e uma prova em paragens norte-americanas poderá ser algo que faça despertar ainda mais a curiosidade local. 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Noticias: Pirelli divulgou motivo dos furos em Baku


A Pirelli divulgou nesta quarta-feira a razão pelos quais os seus pneus tiveram furos a alta velocidade no circuito de Baku e causaram os abandonos de Max Verstappen e Lance Stroll. Se inicialmente, a marca italiana acreditava que tinha a ver com destroços na pista, afinal de contas, a rupturas dentro da circunferência dos pneus, e mandou o seu relatório às equipas, com a recomendação para seguir um novo conjunto de protocolos em relação a pressuras e temperaturas máximas nos cobertores de aquecimento.

“As causas das duas falhas dos pneus traseiros esquerdos nos Aston Martin e Red Bull foram claramente identificadas. Em cada caso, isto deveu-se a uma ruptura circunferencial na parede lateral interior, que pode estar relacionada com as condições de funcionamento do pneu, apesar de terem sido seguidos os parâmetros de arranque prescritos", começa-se a ler no relatório.

“A FIA e a Pirelli acordaram um novo conjunto de protocolos, incluindo uma diretiva técnica atualizada, já distribuída, para monitorizar as condições de funcionamento durante um fim-de-semana de corrida, e irão considerar quaisquer outras ações apropriadas”, acrescentou.

Contudo, se esta é a versão oficial dos furos a alta velocidade, a imprensa local fala mais algumas coisas. O Corriere dello Sport fala que as equipas "encontram uma forma de correr com pressões de pneus mais baixas do que as prescritas. É grave que as equipas joguem com segurança em circuitos como Baku”. Ou seja, não é a Pirelli a grande culpada, mas sim as equipas, que arriscam fortemente, usando a pressão dos pneus para serem mais eficazes em pista. 

E entre as soluções que a marca disse ter enviado às equipas poderá ser a remoção da humidade do gás de enchimento, enquanto outra poderia ser a forma como os pneus são aquecidos antes do teste de pressão dos pneus antes da corrida, acrescentando ainda que são as equipas que desenvolvem os sensores, o que significa que cada equipa se verifica a si própria. Algo que será mudado em 2022, quando estes sensores serão distribuídos pela FIA.

Contudo, há quem tenha dúvidas sobre essa parte. Um deles é Jenson Button, que foi particularmente ácido no Twitter, ao afirmar que a cauda dos pneus deve ter sido "vodu". "Aston [Martin] e Redbull cumpriram aos limites estabelecidos, sem cortes nos pneus a partir de detritos e sem defeitos ou falhas da Pirelli? Penso que foi magia voodoo, então.”

Apesar das conclusões e das medidas que a equipa prometeu implementar a partir de agora, as dúvidas sobre a durabilidade dos pneus italianos continuam no ar, pois este não é e não será o último episódio polémico envolvendo a marca de pneumáticos.  

IndyCar: Magnussen correrá pela McLaren em Road America


O dinamarquês Kevin Magnussen correrá neste final de semana pela Arrow McLaren Schmidt, em substituição do sueco Felix Rosenqvist, que sofreu um forte acidente na corrida da semana passada em Detroit, na primeira corrida do circuito de Belle Isle. A equipa médica da IndyCar Series ainda não deu alta ao piloto sueco, logo, recorreu ao seu antigo piloto de Formula 1 em 2014 e 2015 para preencher o lugar neste final de semana.

Será assim, a estreia dele na categoria. A sua chamada acontece depois de o piloto que substituiu Rosenqvist, Oliver Askew, terá de correr pela Ed Carpenter Racing depois do seu piloto titular, o neerlandês Rinus Veekay, se ter lesionado na clavícula depois de um acidente de bicicleta. 

Curiosamente, não será uma estreia absoluta de um dinamarquês na IndyCar: o seu pai, Jan Magnussen, correu duas temporadas parciais em 1996 e 1999, a primeira pela Penske e a segunda pela Patrick Racing, conseguindo como melhor resultado um sétimo lugar em Vancouver, na temporada de 1999.

Formula E: Félix da Costa quer aprender o circuito


No regresso da Formula e a paragens mexicanas, mas a estrear o Autódromo de Puebla, António Félix da Costa, piloto da DS Techeetah e recente vencedor do ePrix do Mónaco, pretende aprender o mais rapidamente possível o novo circuitos para poder aproveitar ele. Em grande momento de forma, depois de ter ganho o ePrix monegasco e na semana passada ter conseguido uma vitória na categoria LMP2 nas Oito Horas de Portimão, acredita que está em igualdade com o resto do pelotão, mas quer faer um bom resultado para poder lutar pelo título. 

“Depois da vitória no Mónaco, todos na equipa estamos muito motivados para voltar ao México. Puebla trata-se de um circuito novo para todos mas fizemos muito trabalho de simulador para preparar bem as duas corridas deste fim-de-semana.", começou por dizer. 

"Tratando-se de um circuito fixo e não citadino, acreditamos que as diferenças entre os grupos na qualificação não sejam tão elevadas como costume, no entanto há que entrar em pista bem concentrado para aprender rapidamente o circuito e as referências em cada curva, para na qualificação estar confiante e atacar ao máximo. Entramos na segunda metade do campeonato e há que trazer o maior número de pontos para casa para nos mantermos na luta do título!”, concluiu.

À partida para a jornada dupla da Formula E em Puebla, o campeonato é liderado pelo neerlandês Robin Frijns, seguido pelo seu compatriota Nyck de Vries. O piloto português é quinto, a dez pontos da liderança. 

terça-feira, 15 de junho de 2021

Rumor do dia: Bottas de saída para a Alfa Romeo?


No fim de semana do GP de França, o pelotão da Formula 1 agita-se devido a rumores sobre o estatuto de Valtteri Bottas dentro da Mercedes. Fala-se que o finlandês não ficará em 2022 e será substituído por George Russell, e o finlandês poderia ver como saída um ingresso na Alfa Romeo Sauber.

O site italiano Sky Sports Italia dá nesta terça-feira como certa a troca de Bottas por Russell, algo do qual Helmut Marko corroborou afirmando que a ida de Russell para a Mercedes seria uma questão de tempo. “Não se pode continuar a amarrá-lo [à Williams], caso contrário, financiar a carreira dele já não faz sentido, mesmo que Hamilton não fique contente.”, afirmou o austríaco ao site F1 Insider.

Quanto à possiel saída para a Alfa Romeo, explica-se pelo facto de ser a única equipa que tem um lugar disponível, já que a grande maioria das equipas já terem um lugar competitivo preenchido. E na Alfa Romeo, ainda não se sabe muito bem se Kimi Raikkonen ainda fica mais um ano ou pendura de vez o capacete. Mas isso faz parte de um panorama geral, dado que o patrocínio da Alfa Romeo termina no final da temporada, e não há sinais da sua continuação. Caso não continuem, voltam a ser Sauber e é provável que fiquem com dois veteranos finlandeses na equipa... ou não.  

Russell já afirmou que pretende tratar o seu futuro no final deste mês para poder se concentrar para 2022, onde acontecerão novos desenvolvimentos nos chassis dos carros, e como Toto Wolff gere, de uma certa forma, a carreira do britânico de 23 anos, tudo indica que o destino será Brackley, apesar das reticências de Lewis Hamilton em tê-lo na equipa. 

Nesta altura do campeonato, Bottas é apenas sexto classificado, terminando três das seis corridas do campeonato nos pontos, apenas com 47 no campeonato, bem distante que os 101 que o seu comanheiro, Lewis Hamilton, detêm neste momento. 

Noticias: Organização confiante que haverá espectadores do GP britânico


Os organizadores do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, esperam que o anuncio vindo do governo britânico não afete a quantidade de espectadores que pretendem receber no fim de semana de 18 de julho. Isto no dia em que Londres anunciou o adiamento por quatro semanas do levantamento de todas as restrições do confinamento, marcado para o dia 21 de junho, depois de um aumento de casos da variante indiana. 

Numa mensagem enviada a todos os detentores de bilhetes na sequência do anúncio do governo, a organização do Grande Prémio afirma que "continua confiante de que os fãs estarão de regresso para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de Fórmula 1 de 2021. Nossas discussões em andamento com o Departamento de Digital, Cultura, Media e Desporto, bem como com a Saúde Pública do Reino Unido, são positivas”, afirmaram.

“Iremos comunicar todos os detalhes assim que os tivermos.”

A organização do GP britânico esperava receber cerca de 140 mil espectadores nos três dias do Grande Prémio, e esses números irão certamente ser alterados. Mas eles esperam conseguir uma excepção nas restrições ditadas pelo governo local.

Em 2020, Silverstone recebeu duas provas: o GP britânico e o comemorativo dos 70 anos da Formula 1, e ambos não tiveram espectadores.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

A imagem do dia


Por incrível que pareça, este homem não morreu, mas quem viu o que tinha acontecido ao vivo, ficou convencido que o pior tinha acontecido. Desde o piloto que o atropelou, que ficou traumatizado com o que tinha acontecido, a alguns dos pilotos, que queriam parar a corrida para socorrer o mecânico e acalmar as coisas. No meio disto tudo, um milagre porque o carro bateu num ângulo certo.

Já contei a história há cerca de um mês, e não vou repetir, podem ler por aqui. Mas posso hoje falar sobre a pessoa que foi atropelada, e que viveu para contar a história. E a sua longa história no automobilismo.

David Luckett era um americano de Connecticut que começou no automobilismo graças à Shadow. Primeiro na Can-Am, no inicio dos anos 70, e depois transferiu-se para a Formula 1, na mesma equipa. E em 1978, seguiu pessoal como Alan Rees, Jackie Oliver, Tony Southgate e Franco Ambrosio, entre outros, para formar a Arrows. E em 1981, era o chefe dos mecânicos.

Anos depois, em 2010, contou ao site australiano Speedcafe que "não me lembro do impacto, só sei que acordei no hospital", mas sobre o que se passara antes, as recordações tinham sido fortes.

“Tudo começou na sexta-feira, quando um dos mecânicos de Osella caiu no asfalto e foi atingido pela Williams de Carlos Reutemann”, começou por contar Luckett. “Ouvimos dizer que ele estava mal e realmente morreu no sábado à noite. Todos os mecânicos se reuniram na frente da grelha para um minuto de silêncio e alguns dos pilotos vieram [ter connosco] e se juntaram a nós.”

“Houve atrasos no regresso dos pilotos para os carros, então foi tudo uma confusão, na verdade”, continuou. “Normalmente voltávamos para as garagens, mas ficamos no muro das boxes e então Riccardo travou o carro. Eu pulei o muro com a máquina e então [o semáforo] ficou verde. Siegi [Stohr] foi por uma brecha no trânsito e correu direto para Riccardo e me pegou. Eu realmente não me lembro do impacto - apenas acordei no hospital. Fiquei bastante maltratado, incluindo uma perna quebrada, braço e perdi a ponta do dedo mínimo”, disse ele.

“Fiquei algumas semanas no hospital na Bélgica e depois voltei para o Reino Unido. Depois de algumas semanas, eles me trouxeram de volta à oficina de muletas e disseram que queriam que eu fosse para a próxima corrida para ajudar a animar os meus colegas!”, concluiu.

Luckett dizia que só se lembrava de Zolder nas noites frias de inverno por causa do dedo mindinho que ficara encurtado. Mas depois desse incidente, ele Trabalhou por mais de três décadas no automobilismo, não só na Arrows, como também na Lola e Simtek, trabalhando em carros de gente como Gerhard Berger e Alan Jones. Depois da Formula 1, foi para a Endurance, trabalhando por muitos anos na Highcroft Racing.

No passado sábado, dia 12, Dave Luckett foi vitima de um ataque cardíaco fatal. A sua longa carreira como mecânico vai sempre ficar marcada por aquele domingo de maio em Zolder, é verdade, mas foi muito mais do que isso. Ars longa, vita brevis. 

Formula E: Puebla vai ter um Joker Lap


Quem for ao Attack Mode em Puebla vai ter de andar mais alguns metros. É que os organizadores do ePrix de Puebla, que vai substituir o da Cidade do México, decidiram instalar um Joker Lap semelhante ao que existe em Vila Real, para o WTCR, e no Rallycross. Essa zona encontrar-se-á na curva 8 da oval, e terá uma penalização de três a quatro segundos. 

O circuito desenhado para esta prova terá uma extensão de 2980 metros e 15 curvas, será mais um desafio para engenheiros e estrategas, bem como aos pilotos, sobre a melhor altura para fazer o carregamento de mais 35 kW, que terão de fazer por duas vezes na prova.

A jornada dupla de Puebla acontecerá no próximo fim de semana no Autódromo Miguel E. Abed, e será a primeira passagem da competição em terras americanas. 

As incertezas do calendário de 2021


No fim de semana em que a Formula 1 está de regresso, correndo em paragens francesas, o calendário continua indefinido. Com o cancelamento do GP de Singapura, previsto para meados de setembro, ainda não existe um substituto, e mais corridas continuam em cirda bamba devido aos avanços da pandemia em alguns desses países, como o Brasil e o México. Mas claro, há mais lugares em perigo, como o Japão e a Austrália, que já foi adiada de março para novembro. 

Se no caso japonês, tudo depende de como acontecerão as coisas em julho, com os Jogos Olímpicos, nos casos brasileiro e mexicano, as coisas andam complicadas por conta da curva de infectados anda a ter nesses países. Ainda por cima, as instalações do autódromo Hermanos Rodriguez estão a ser usados como centro de triagem e de vacinação pelas autoridades locais. Segundo conta a publicação alemã Auto Motor und Sport, se São Paulo poderá não ter substituto, o cado mexicano poderá ter como substituto outra prova americana, e essa corrida poderia ser... Indianápolis.

"O planeamento está mais difícil do que no ano passado. As regulamentações de viagens [e a] quarentena estão mudando constantemente", afirmou Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1.

Outras alternativas estão a ser consideradas para o caso australiano, a meio de novembro. Mas isso é um "tandem" com as provas de Mexico e Brasil, pois a Austrália está a colocar fortes restrições aos que vêm de fora, e mesmo que a Formula 1 garanta bolhas, testes rápidos de forma constante, o facto de terem recusado uma oferta de vacinas por parte do Bahrein no inicio do ano, fez com que haja desincentivos para o recebimento da comitiva em Melbourne. E se essas três provas forem canceladas, haverá um buraco de quatro semanas que tem de ser preenchido, antes dela rumar de novo ao Médio Oriente, para as corridas na Arábia Saudita e em Abu Dhabi, na primeira quinzena de dezembro.

As alternativas em cima da mesa são muitas, que passam pelo regresso da Turquia e da Malásia ao calendário, nova visita ao Bahrein, numa nova versão do circuito de Shakir, ou até uma visita ao circuito de Losail, no Qatar, naquilo que seria uma estreia absoluta desse circuito na Formula 1. Mas neste momento, com tudo incerto nos próximos meses, e a Formula 1 ainda agarrado à ideia de um calendário de 23 corridas, resolver este problema será bem mais complicado que se julga. 

domingo, 13 de junho de 2021

A imagem do dia


Há precisamente 45 anos, pela primeira e única vez, a Formula 1 celebrava a vitória de um carro de seis rodas. Graças a Jody Scheckter e à Tyrrell, o modelo P34 conseguiu aquilo do qual tinha sido projetado: triunfar em corridas ao mais alto nível. E o feito, que acontecera no circuito de Aderstorp, na Suécia, foi total, pois acabou em dobradinha, com o segundo posto do seu companheiro de equipa, Patrick Depailler.

O mais espantoso dessa vitória é que eles conseguiram triunfar sobre a máquina mais veloz aquela temporada, o Ferrari 312T guiado por Niki Lauda. Ou seja, não triunfaram porque a concorrência desistiu, mas sim por mérito próprio. Que se sabia da potencialidade do carro, estreado no GP de Espanha, dois meses antes, apesar da ideia muito radical de colocar duas rodas pequenas, de de polegadas cada uma, só para ganhar maior superfície de contacto e evitar a subviragem.

Curiosamente, Scheckter, o único que venceu com este carro, odiava-o. Chamava-o de pedaço de sucata, mas com o tempo, deve ter mudado de opinião, porque tem um P34 na sua coleção particular, na sua quinta inglesa... 

A razão porque o P34 alcançou o que alcançou em terras suecas foi porque era um carro bem adaptado a aquele circuito. Tinha curvas grandes, asfalto suave, e conseguia ser veloz. Scheckter fez a pole, enquanto Depailler dividia a segunda fila com o surpreendente Ensign do veterano Chris Amon. Contudo, e no meio deles estava o Lotus de Mário Andretti, que queria impressionar. E conseguiu, ficando na frente dos Tyrrell logo na primeira curva.

Só que depois descobriu-se que a grande arrancada do italo-americano... tinha sido uma falsa partida. E nesse tempo, qualquer falsa partida significava 30 segundos de penalização. Quando soube, Andretti andou ainda mais veloz, porque queria dar uma volta a toda a gente. E quando ele estava prestes a alcançar o objetivo... o motor explodiu, na volta 46. 

Mas, mais do que reparar na súbita descrição de Lauda e  James Hunt, era a corrida que Amon fazia a bordo do seu Ensign. O velho, mas bem feito carro da equipa de Mo Nunn, o N175, guiado pelo veterano neozelandês, estava a fazer uma boa primeira parte da temporada, já tendo pontuado em Jarama com um quinto lugar.  E parecia que as coisas iriam correr tão bem para uma equipa que contava os tostões para fazer um bom trabalho, mas na volta 48, um os braços da suspensão cedeu, e um pódio quase certo fora por água abaixo. E o beneficiado foi Lauda, que herdou o terceiro posto.

Aquela vitória, mais do que assinalar um feito único, também representou o final de uma sequência. Até ali, a Ferrari tinha ganho as nove corridas anteriores, e aquele triunfo do Scheckter mostrava que por fim, os Ferrari não eram invencíveis, e que Lauda não iria passear assim tão facilmente. Pelo menos, era o que se pensava naquele momento de festa para Tyrrell. Mas naqueles tempos, o automobilismo era mais perigoso que o sexo, e bastou mês e meio para aquele mundo ficar de cabeça para baixo, e as certezas virarem dúvidas.  

Noticias: Esperados 15 mil espectadores no GP de França


Com o passar das semanas da Formula 1 em palcos europeus, e com cada vez mais gente vacinada, a organização do GP de França anunciou este domingo que deixarão entrar até 15 mil espectadores nas bancadas por dia ao longo do fim de semana da Formula 1, que acontecerá no próximo fim de semana. Será a terceira corrida com espectadores nesta temporada, depois dos mil autorizados em Barcelona e dos 7500 no Mónaco.

A prova irá assinalar o regresso da competição a Paul Ricard após a não realização da corrida em 2020 à conta da pandemia.

CPR: Armindo Araújo triunfa em Castelo Branco


Armindo Araújo triunfa em Castelo Branco, depois de um duelo com Ricardo Teodósio pela vitória no rali. Ambos ficaram separados por 6,4 segundos e deixaram José Pedro Fontes no terceiro posto, a 17,7 segundos. 

"Levamos daqui uma vitória, que era o nosso grande objetivo. Nós acho que tivemos uma boa postura durante toda a corrida, tivemos sempre na liderança ou muito perto da liderança. Ele [José Pedro Fontes] estava a fazer uma excelente prova mas teve um azar que poderia ter acontecido a mim, e as corridas são assim. Em relação a nós, foi um fim de semana em cheio e foi muito importante para o campeonato.", contou o piloto de Santo Tirso no final da prova. 

Com a super-especial de sábado à noite anulado por causa das restrições da pandemia, o dia seguinte começou com José Pedro Fontes de volta ao asfalto e a vencer, 0,3 segundos na frente de Armindo Araújo e de Ricardo Teodósio, que terminaram empatados. Bruno Magalhães era quarto, perdendo mais 5,1 segundos.


Teodósio respondeu na sexta especial com um triunfo, 1,4 segundos na frente de Ricardo Teosódio, mas José Pedro Fontes atrasa-se devido a um pião, perdendo 19,6 segundos e o comando do rali para o piloto de Santo Tirso. Para melhorar as coisas, Armindo tinha já uma vantagem de 12,1 segundos sobre o piloto algarvio, mas este não iria baixar os braços.

E foi assim na sétima especial, onde Teodósio levou a melhor, mas apenas tirou 1,7 segundos a Armindo, que fora terceiro atrás de José Pedro Fontes, segundo a 1,4. Não iria ser fácil para apanhar, porque a diferença era de 10,8 segundos, e havia apenas a Power Stage pela frente. 

Mas Teodósio não se intimidou e venceu a última especial, com uma vantagem de 3,2 sobre Bruno Magalhães e quatro segundos para Armindo, insuficiente para o bater, dando ao piloto de Santo Tirso o triunfo. Mas mesmo assim, Teodósio sentiu que o segundo posto tinha sabor a vitória.

"Ganhamos hoje os três últimos troços e no primeiro, só fizemos um tempo 0,3 segundos menos veloz que o José Pedro Fontes e só igualamos o tempo do Armindo. Foi um dia positivo, só foi pena o rali ter começado ontem, porque tivemos umas quantas peripécias pelo caminho", contou o piloto algarvio.


Já José Pedro Fontes estava triste pelo terceiro lugar e por aquilo que tinha passado na sexta especial, mas afirmou que ainda falta muito campeonato pela frente. 

"Tivemos muito competitivos, tínhamos um excelente carro, os pneus funcionaram bem, estava uma luta ao décimo, tinhamos de arriscar, aquele troço estava muito traiçoeiro, com a água que caiu ontem à noite. Fiz um erro, e os erros pagam-se caro. O Armindo conseguiu evitar e foi um justo vencedor. É a única coisa que devo dizer, parabéns ao Armindo, fez um excelente rali, triste com o que aconteceu, mas com um sentimento de dever cumprido", contou.  

Depois dos três primeiros, Bruno Magalhães ficou em quarto a 26,7 segundos, na frente de Miguel Correia, quinto a 55,8, no seu Skoda Fabia Evo2. Pedro Meireles foi o sexto, a 1.17,5, longe do carro de Paulo Neto, sétimo a 3.41,3, e na frente do Peugeot 208 Rally4 de Carlos Fernandes, a 3.57,0, e a fechar o "top ten" ficaram os carros de Gil Antunes, no Dacia Sandero R4, a 4.26,2 e Ricardo Sousa, no Peugeot 208 Rally4, a 4.42,5.

sábado, 12 de junho de 2021

A imagem do dia


Esse dia foi muito louco.

Custa a crer que já passagem dez anos sobre aquele GP do Canadá de 2011. Uma corrida onde passamos mais de quatro horas à espera de saber quem iria ganhar, e foi tudo decidido a três curvas do fim, quase como tinha sido vinte anos antes, com Nigel Mansell e a sua caixa de velocidades afogada no pior momento possível. E o melhor é que o vencedor, a certa altura da corrida, rolava... em último! 

Canadá sempre foi um grande lugar. Eu digo que, quando a Formula 1 lá vai fazer a sua visita anual, o espírito de Gilles Villeneuve desce à terra e faz de tudo para baralhar e voltar a dar. Raras são as corridas aborrecidas naquele lugar, porque há sempre algo que coloca fora do lugar. Para terem uma ideia, creio que houve um ano - não tenho a certeza se foi 2014 - onde os todo poderosos Mercedes tiveram problemas e não venceram. Mesmo ali, os Flechas de Prata não dominam na maior parte das vezes.

Mas em 2011, o tempo ajudou muito. Choveu bastante, as bandeiras vermelhas foram mostradas e foi pedida para que esperassem por melhor ambiente para poderem correr, e isto depois de Jenson Button e Lewis Hamilton terem colidido um com o outro, nos seus McLarens, acabando com o britânico mais novo a abandonar a corrida. 

E o final? Então, o final foi emocionante. Tudo estava desenhado para a vitória de Sebastian Vettel, só tinha de aguentar o ataque final do piloto britânico. Mas aquele despiste do alemão da Red Bull causou a felicidade do pessoal da McLaren. E vê-los agarrados a John Button, o pai de Jenson - o "Papa Smurf", como chamavam - foi muito especial, fortemente comemorado entre todos. Foi, de uma certa maneira, aquela oportunidade de redenção por parte de Button, que sem dúvida colocou aquela vitória a par do que tinha feito na Hungria, cinco anos antes, também noutra tarde de chuva.

Foi longo, muito longo. Tanto que depois, as regras foram modificadas para que a corrida tenha um máximo de quatro horas de luminosidade. Mas apesar de tudo, valeu a pena. Tanto que, dez anos mais tarde, ainda a recordamos como uma daquelas corridas inesquecíveis. 

E volto a afirmar: esse dia foi mesmo muito louco. E sinto a falta de Montreal no calendário, por causa dessa imprevisibilidade.  

CPR: José Pedro Fontes lidera em Castelo Branco


O Citroen de José Pedro Fontes está na frente do Rali de Castelo Branco, ao final de três especiais. O piloto tem um segundo de vantagem sobre Armindo Araujo, e ambos já estão longe de Ricardo Teodósio, que já está a 14,5 segundos do comando. Tudo isto num sábado complicado devido ao acidente na primeira especial.

De facto, a primeira especial teve os tempos neutralizados após a passagem de onze carros pelo lugar devido ao acidente da dupla Manuel Castro/Ricardo Cunha (Skoda Fabia R5 evo). Ambos safaram-se sem problemas, mas os tempos foram neutralizados a partir dali e a segunda especial foi adiada por algum tempo.

Quando aconteceu a segunda especial, Armindo Araújo foi o melhor, batendo José Pedro Fontes por meio segundo e indo para o comando da prova por 0,1 segundos. Miguel Correia era terceiro, a 4,8 segundos do líder. 

Na terceira especial, José Pedro Fontes atacou e conseguiu vencer, conseguindo uma vantagem de 1,1 segundos sobre Armindo Araújo e 7,4 sobre Teodósio. Bruno Magalhães foi quarto na especial, a 8,6.

No final do dia, Fontes podia estar feliz com a liderança, mas sabia que amanhã será a altura decisiva. "Tivemos um bom ritmo, o carro está perfeito, os pneus trabalharam muito bem, e agora é manter o foco. Amanhã vai ser um rali duro e no final faz-se as contas e vou tentar dar uma vitória à equipa", disse em declarações à Autosport TV.


Já do lado de Armindo, ele acredita que manhã será um grande duelo pela vitória entre ele e o piloto da Citroen. "Nós estamos a um segundo da liderança, fizemos uma boa etapa, não cometemos grandes erros, o carro está competitivo, nestes troços há sempre uma falha aqui e ali que nos tirou algum tempo, mas chegando aqui separados na liderança por um segundo, está tudo em aberto para amanhã e acredito que irá ser um grande duelo." comentou. 

Depois dos três primeiros, Bruno Magalhães é o quarto, no seu Hyundai i20 R5, a 18,7 segundos, na frente de Miguel Correia, quinto a 20,7, o Skoda Fabia R5 Evo. Sexto é Pedro Meireles, no Volkswagen Polo R5, a 29,8, na frente de Bernardo Sousa, sétimo a 52,2. Paulo Neto é o oitavo, a 1.22,3, noutro Skoda Fabia R5, e a fechar o "top ten" estavam o Peugeot 208 Rally4 de Carlos Fernandes e o Ford Fiesta Rally3 de Daniel Nunes, a 1.55,0.

O rali de Castelo Branco termina amanhã com a realização das restantes quatro etapas.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Vende-se: Tyrrell P34 Continuation


O Tyrrell P34 é, sem dúvida, um dos mais originais da história da Formula 1 e do automobilismo em geral. O carro de seis rodas, desenhado por Derek Gardner e usado nas temporadas de 1976 e 77, foi um bólido que deu nas vistas pela sua ousadia. As seis rodas, quatro delas na frente, seriam para diminuir a subviragem nas curvas, e evidentemente, aumentar a superfície de contacto com o asfalto. Estreado no GP de Espanha de 1976, conseguiu uma vitória no GP da Suécia desse ano e foi pilotado por gente como Jody Scheckter, Patrick Depailler e Ronnie Peterson.

Contudo, este modelo não foi pilotado por nenhum destes pilotos, e na realidade, poderia ser uma réplica. Mas não é: trata-se de um modelo "continuation", ou seja, um carro feito a partir dos desenhos originais do bólido, e usando todos os materiais e seguindo os números do chassis. Tem caixa de velocidades da Hewland, motor Ford V8 DFV, pneus Avon de dez polegadas, chassis em alumínio, tudo como foi feito há 45 anos.

A ideia foi do americano Jonathan Holtzman, que sentiu um vazio ao ver que não existia nenhum P34 a competir nod Formula 1 históricos e nem sequer havia a possibilidade de adquirir um, visto que a sua maioria estão em museus (um deles está na posse do próprio Jody Scheckter, na sua coleção particular). Ao todo a Tyrrell produziu sete chassis, mas apenas cinco exemplares sobreviveram até aos nossos dias. E este está à venda na RM Sothebys ao preço de...  1.750.000 libras, cerca de 2.037.000 euros. Além disso, é ainda elegível para todas as provas de Fórmula 1 históricos.