sábado, 28 de setembro de 2019

A imagem do dia

Esta imagem descobri-o no blog do Paulo Abreu, o Volta Rápida. E é de um momento decisivo na sua carreira. Em 1933, no GP do Mónaco, Rudolf Caracciola, piloto de automóveis, sofria um grave despiste na curva da Tabacaria e acabaria por se lesionar gravemente na perna direita. Como os socorros de há 86 anos não eram como os de hoje, ver o piloto alemão a ser levado numa cadeira por populares rumo ao posto médico mais próximo é uma imagem que impressiona até hoje.

Este seria o seu primeiro acidente grave do alemão na sua carreira. Iria ficar um ano fora das pistas até voltar à Mercedes, seu primeiro amor, no ano seguinte, graças a Alfred Neubauer, e ali iria ganhar dois títulos europeus, em 1935, 1937 e 38, lutando pela vitória contra pilotos como Tazio Nuvolari, Bernd Rosemeyer e Hermann Lang, entre outros.

Naquele ano de 1933, tinha ficado de fora da Alfa Romeo, que se tinha retirado da competição. Ele se aliou com Louis Chiron para fazer uma equipa, do qual adquiriram dois Alfa Romeos para competirem. E Mónaco foi a primeira prova importante do ano. 

No fim de semana da corrida, Caracciola estava a adaptar-se ao circuito - seguia Chiron - quando três dos quatro travões falharam na curva da Tabacaria. Entre mergulhar para as águas do porto, e bater contra a parede, ele escolheu instintivamente este último.

Anos depois, na sua biografia, contou:

"Apenas a carroçaria do carro ficou esmagada, especialmente em volta do meu assento. Com cuidado, tirei minha perna da armadilha de aço. Apoiando-me contra a estrutura do corpo, lentamente me soltei do assento ... tentei sair correndo do carro. Eu queria mostrar que nada tinha acontecido comigo, que eu estava absolutamente ileso. Eu pisei no chão. Nesse instante, uma dor passou pela minha perna. Era uma dor feroz, como se minha perna estivesse sendo cortada por facas quentes e brilhantes. Eu desmaiei, [com] Chiron agarrando nos meus braços."

Filho de um dono de hotel, Caracciola chegou ao automobilismo como muitos dos que corriam nessa altura: no motociclismo. Andou em NSU's em 1922, antes de ir para a Mercedes em 1926, e depois de ter vencido uma prova em AVUS à chuva, onde o chamaram de "Regenmeister", tornou-se o representante da marca em Berlim. E tornou-se empregado da marca até ao seu último dia de vida, o que lhe viria dar jeito nos momentos mais duros.

Quando chega à Mercedes em 1934, já os nazis chegam ao poder. Ele tinha conhecido Adolf Hitler, um "petrolhead", e 1931, e detestou-o. Não o achava sedutor, e mesmo quando foi obrigado a ser membro da NSKK, uma organização paramilitar nazi, era mais por obrigação que participava nas manifestações do regime. E quando a guerra se aproximava, Caracciola refugiou-se em Lugano, na Suíça, com a sua segunda mulher, e lá ficou durante a II Guerra, com o salário pago pela Mercedes em francos suíços.

No final da guerra, voltou a correr, com 45 anos de idade, e dois acidentes, o primeiro em Indianápolis, quando levou um pássaro na cabeça - que se salvou porque usou um capacete de aço! - e em 1952, em Berna, numa prova de Turismos, ele pendurou o capacete de vez, indo trabalhar para a marca de Estugarda para o resto da sua vida.

Rudolf Caracciola, um dos maiores pilotos alemães de antes da II Guerra, nasceu a 30 de janeiro de 1901, em Berlim. Morreu em Kassel a 28 de setembro de 1959, há precisamente 60 anos.

Formula 1 2019 - Ronda 16, Rússia (Qualificação)

Muito se falava sobre o que poderia acontecer nesta última paragem da Formula 1 na Europa. Que os Mercedes poderiam ter uma melhor vantagem sobre a concorrência. Que poderia chover na pista e dar alguma vantagem aos Flechas de Prata, e era isso que o Lewis Hamilton estava a apostar. Mas no final, nem chuva, e pela sexta vez nesta temporada, quarta consecutiva, Charles Leclerc era o poleman, e o primeiro a quebrar o monopólio da Mercedes no circuito russo.

Ninguém deixou de respirar durante a semana entre Singapura e Sochi, mas ontem se falou muito sobre a possibilidade do regresso dos motores Mercedes à McLaren em 2021. Apesar de não ser totalmente oficial, de uma certa forma, tornou-se oficioso, e isso poderá servir para cimentar a recuperação da marca aos lugares de topo, apesar da sua relação ser e de um motor cliente.

A qualificação começou sem chuva, mas não sem agitação. Começou também com a ausência do piloto da casa, que por culpa da troca de motor, nem sequer tentou a sua sorte na pista, pois o último posto estava garantido. Mas mis tarde, outro lugar ficava garantido para um piloto Red Bull: tudo por culpa de Alex Albon, que bateu forte no muro antes de marcar uma volta e causou a amostragem das bandeiras vermelhas. 

Quando a qualificação retornou, os Ferrari foram para a pista usando os médios. E o monegasco foi o primeiro a marcar um tempo, com 1.33,613. E isso em contraste com o resto do pelotão, que corrida com moles. Mais tarde, Vettel colocou macios para ver se passava para a Q2, e lá conseguiu, fazendo 1.33,032. Mas apenas porque tinha de marcar um tempo para passar. 

Algo do qual Kimi Raikkonen não conseguiu, sendo superado por Antonio Giovinazzi, que foi para a Q2. E assim o finlandês fez companhia aos Williams de Robert Kubica e George Russell. E claro, Albon e Kvyat.

Quando foi a Q2, a Mercedes decidiu andar com médios, mais por causa da corrida. Em contraste, Max Verstappen - que também iria ser penalizado - foi para a frente com os macios e dar o seu melhor. Claro, o holandês fez 1.33,092, 42 centésimos melhor que Lewis Hamilton. Depois, Leclerc calça os macios e faz 1.32,434 e deixa Sebastian Vettel a mais de seis décimos, mostrando que estava disposto a sair dali na frente em tudo. E os Mercedes, com a sua escolha, eram apenas quarto e quinto na tabela de tempos.

No pelotão intermédio, era cada um por si: Os McLaren deram um ar da sua graça, enquanto o Toro Rosso de Pierre Gasly também queria seguir em frente. Mas na parte final, foram os Renault os melhores, que acompanharam os carros de Carlos Sainz Jr e Lando Norris, e o Haas de Romain Grosjean, que mostrava o potencial do Haas, pelo menos na qualificação.

E se havia vencedores, também havia vencidos: os Racing Point de Sergio Perez e Lance Stroll, o outro Haas de Kevin Magnussen, o Toro Rosso de Gasly e o Alfa Romeo de António Giovinazzi.

Para a Q3, os pilotos aproveitaram a luz verde para calçarem moles e marcar tempo. E aí começou a desenhar-se uma pole ferrarista: Charles Leclerc fez 1.31,801, com Vettel atrás, a 334 centésimos. Hamilton era terceiro, mas desculpava-se por causa de um erro na sua volta cronometrada, com Bottas na frente de Max.

E passados uns minutos, quando foi a parte final, Vettel tentou a sua sorte, sem sucesso. Leclerc aproveitou o fracasso dos outros para marcar a sua posição: 1.31,628, era o poleman. E Hamilton foi segundo, interferindo-se entre os carros vermelhos, com Bottas a ser quarto porque Max Verstappen tinha uma punição a cumprir. E por isso, Carlos Sainz Jr foi quinto, na frente dos Renault de fábrica.  

No final, Leclerc comemorava a sua pole, e quando o fez pela quarta vez seguida, começaam a lembrar que o último piloto que o fez tinha sido Michael Schumacher, no ano 2000, a temporada onde ele por fim quebrou o jejum de títulos de pilotos. A parte chata é que este ano, ambos os títulos estão entregues, logo, é mais para mostrar que é um vencedor para um futuro mais ou menos prolongado.

“O carro esteve fantástico. É bom estar na pole, mas não sei se é a melhor posição. A reta depois do arranque é longa, ou seja, o arranque é crucial.”, disse depois.

Agora, veremos como será amanhã. Pode ser que tenha potência e jogo de cintura para aguentar as investidas dos outros. 

Noticias: Correa vai passar por operação complexa

Quase um mês depois do seu acidente em Spa-Francochamps, que causou a morte de Anthoine Hubert, Juan Manuel Correa será operado no domingo a um dos seus pés numa operação complexa para evitar uma amputação.

Com o piloto equatoriano (com licença americana) no hospital, a recuperar dos seus problemas pulmonares que o deixaram em coma induzido por mais de duas semanas, ele agora está recuperado e encara agora a nova fase do seu tratamento. As fraturas nas pernas estavam em mau estado e os médicos encaravam a hipótese de amputar o pé direito, decidiu-se, porém, em encarar uma operação que durará cerca de dez horas, devido à sua complexidade.

No comunicado oficial, divulgado esta sexta-feira, a familia atualizou o seu estado de saúde.

"No início desta semana, Juan Manuel foi transferido para um novo hospital em Londres, especializado em cirurgias ortopédicas, à medida que o foco muda, dos pulmões para as extremidades inferiores", começou por dizer.

“Juan Manuel agora está plenamente consciente e seus pulmões se recuperaram muito mais rápido do que o esperado. Sua melhora física geral e força de vontade impressionaram os médicos. O principal objetivo desta semana foi colocar Juan Manuel nas melhores condições possíveis para sua cirurgia no domingo, que durará mais de dez horas.”

“A cirurgia no domingo será crucial para determinar o futuro de Juan Manuel. Os médicos terão, pela primeira vez desde o acidente, acesso total aos ferimentos na parte inferior da perna direita. Eles serão capazes de determinar o nível real dos ferimentos em sua tíbia, tornozelo e pé.”

“Durante a cirurgia, eles removerão o que for necessário para reconstruir a parte inferior da perna direita nas melhores condições possíveis. Os cirurgiões são os melhores em seu campo e estão cautelosamente otimistas, devido à rápida recuperação que Juan Manuel teve na semana anterior.”

“As lesões sofridas por Juan Manuel são graves e o procedimento cirúrgico é muito complexo. Os médicos deram a Juan Manuel a opção de amputação reconstrutiva do pé direito. Ele optou por não sofrer amputação e prosseguir com a cirurgia, entendendo todos os desafios que isso implica”.

Correa, de vinte anos, conseguiu dois pódios nesta temporada de Formula 2.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Noticias: Coulthard eleito presidente do BRDC

O BRDC, British Racing Drivers Club, mítico clube de pilotos de automobilismo e que cuida do circuito de Silverstone, anunciou esta sexta-feira que elegeu David Coulthard como seu presidente. Coulthard, de 48 anos, será o terceiro escocês a cuidar do clube, depois de Innes Ireland, em 1992-93, e Jackie Stewart, entre 2000 e 2006. Para seu vice-presidente, outro escocês foi escolhido: Dário Franchitti, quatro vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis. 

Coulthard substituirá o irlandês Paddy Hopkirk, num cargo que é em muitas medidas, honorário, já que o verdadeiro poder está no seu diretor, que neste momento é John Grant.

"Eu e meus colegas membros do Conselho temos o prazer de receber David Coulthard como presidente do BRDC", começou por dizer Grant.

“Estamos confiantes de que, com David, temos um presidente que não é apenas um piloto de talento, mas também um empresário de sucesso, com uma invejável rede de contatos no mundo do automobilismo que, juntamente com sua experiência, deve ser de grande benefício para a empresa e o clube.", concluiu.

O BRDC foi fundado em 1928 pelos "Bentley Boys", como Dudley Benjafield e Earl Howe, e os objetivos são de promover e defender os interesses do automobilismo britânico, quer no Reino Unido, quer no exterior, celebrar os feitos dos seus pilotos e suportar talentos nas competições de acesso à Formula 1.

Formula E: Evans confirmado para a nova temporada

A Jaguar anunciou esta semana que o neozelandês Mitch Evans continuará na equipa para a temporada 2019-20. Ele ficará assim pela quarta temporada consecutiva equipa de Formula E, depois de ter falado com algumas equipas no inicio do ano, antes da sua vitória em Roma, suficiente para que a marca desse um novo contrato, com melhores condições.

"Estou realmente feliz por ficar com a equipa pela quarta temporada", começou por dizer Evans no site e-racing365.com. “Tive o gosto pela vitória [e] agora tudo o que quero é mais! A equipa está ficando mais forte e me sinto em casa aqui. Estou determinado a avançar com a Panasonic Jaguar Racing, aproveitando o sucesso da última temporada, à medida que caçamos mais pontos, pódios e vitórias.”, continuou.

O diretor da Jaguar Racing, James Barclay, acredita que a permanência de Evans na equipa será fundamental no seu desenvolvimento.

"Estamos muito satisfeitos que Mitch tenha comprometido seu futuro com a Panasonic Jaguar Racing e continuará sendo parte integrante da equipe no futuro próximo", comentou Barclay.

“Crescemos juntos nas últimas três temporadas e nos tornamos um time vencedor capaz de lutar na frente deste campeonato altamente competitivo. Juntos, esperamos escrever o próximo capítulo da história da Jaguar Racing", concluiu.

Quanto ao segundo piloto, fala-se que James Calado é o piloto mais próximo desse lugar, enquanto rumores apontam que provavelmente, esse posto poderá ser para... Nico Hulkenberg. Por agora é apenas a equipa oficial a seguir... o Twitter do piloto alemão de 32 anos, mas ele afirma que fará um anuncio no dia 2 de outubro referente ao seu futuro, que está relativamente obstruido na Formula 1, depois da Haas ter confirmado a sua dupla de pilotos e a Renault ter decidido contratar Esteban Ocon como piloto no seu lugar.

Rumor do Dia: McLaren regressa à Mercedes em 2020?

O rumor é desta tarde, e quem conta é Joe Saward: num fim de semana calmo em termos de noticias, em Sochi, ele afirma que a McLaren trocará de motores para 2020, da Renault para a Mercedes, do qual tiveram uma parceria desde 1995 até 2015, quando trocaram com a Honda. A ideia é, caso subam em termos de performance, é melhor tem um bom motor cliente, já que ainda não tem a capacidade de construir os seus próprios motores de Formula 1.

Segundo conta o jornalista, apesar do relacionamento com a Renault ser bom, não será o melhor, porque a longo prazo serão sempre um cliente da marca. Par complementar as coisas, a nova liderança, cujo departamento técnico é liderado por Andreas Seidl, que veio da Porsche de Endurance, acha que tendo este motor, poderão chegar mais rapidamente a um regresso aos primeiros lugares, e do qual poderia facilmente atrair um construtor que os queira fazer deles a sua equipa numero um. O que não seria fácil...

Caso aconteça, a Renault ficaria sem clientes para enviar os seus motores, o que por um lado seria bom, porque concentrariam no seu desenvolvimento, mas por outro, abdicaria de poder dentro do pelotão da Formula 1, porque eventualmente a Mercedes, por exemplo, forneceria motores à McLaren, Racing Point e Williams, enquanto a Ferrari iria para a Alfa Romeo e Haas, enquanto a Honda ficaria com a Toro Rosso e a Red Bull.

Ainda não se sabe quando acontecerá o anuncio, mas Saward afirma que será dentro em breve. 

WRC: Saiu o calendário para 2020

A FIA anunciou esta sexta-feira o calendário do Mundial de Ralis para a próxima temporada. E há novidades: num calendário de 14 rondas, Japão, Quénia e Nova Zelândia entram no calendário, enquanto Córsega, Catalunha e Austrália saem do calendário, embora a organização do rali catalão diga que é uma rotação e voltará em 2021.

Yves Matton, o diretor da FIA, comentou sobre o calendário:

“Para globalizar ainda mais o campeonato, precisávamos de mais rondas do WRC fora da Europa. Fico feliz em ver os resultados de nossa estratégia de expansão, com eventos emblemáticos como Quénia e Japão voltando ao calendário do WRC no próximo ano, ao lado da Nova Zelândia, em substituição da Austrália, enquanto eventos europeus icônicos de longa data proporcionam um grande equilíbrio e preservam o ADN dos ralis", começou por dizer.

“Após a integração do Chile no ano passado, o calendário de 2020 também expande nossa presença nos continentes asiático e africano. Com o forte interesse de muitos países em sediar uma rodada do WRC, tivemos mais candidatos de alta qualidade do que o número de vagas disponíveis no calendário, o que demonstra a robusta saúde e popularidade do campeonato. O sistema de rotação que estamos a adotar nos dá a oportunidade de manter um número maior de bons eventos no WRC", continuou.

“Graças à nova estratégia de calendário que foi implementada após o Conselho Mundial de março, podemos anunciar o cronograma do WRC mais cedo do que nos últimos anos e, no futuro, pretendemos estar em posição de publicá-lo em março [de 2020].", concluiu.

Eis o calendário completo:

23-26 Janeiro -  Monte Carlo
13-16 Fevereiro - Suécia
12-15 Março - México
16-19 Abril - Chile
01-03 Maio - Argentina
21-24 Maio - Portugal
04-07 Junho - Itália
16-19 Julho - Safari (Quénia)
06-09 Agosto - Finlândia
03-06 Setembro - Nova Zelândia
24-27 Setembro - Turquia
15-18 Outubro - Alemanha
28 Outubro a 01 Novembro - Gales
19-22 Novembro - Japão

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Youtube Formula One Trailer: O documentário sobre Jack Brabham

A Brabham é um nome incontornável no automobilismo. Fundada por Jack Brabham, foi bicampeã do mundo de Construtores em 1966 e 1967 e teve uma segunda vida nos anos 70 graças a Bernie Ecclestone. Mas "Black Jack", tricampeão do mundo e o primeiro australiano a alcançar tal feito, tinha outra atitude dentro de casa, e isso vê-se pela relação com o seu filho mais novo, David Brabham, que também como o pai, foi piloto, venceu as 24 Horas de Le Mans, e agora tornou-se construtor, resgatando o nome da marca, graças ao BT62, que o quer fazer correr na Endurance.

O documentário trata disso tudo, e pelo que se vê no trailer, parece ser fascinante.

A imagem do dia

Sobre esse dia, tenho uma história pessoal. Na semana anterior a essa corrida, recebi de graça um exemplar da Auto Hoje (não existe mais), que tinha nessa altura em concurso a decorrer, ao estilo "Formula 1 Fantasy", onde tínhamos de apostar nos seis primeiros de determinado Grande Prémio, e se acertasses, receberias o dobro dos pontos, ou algo assim.

Não o jogava regularmente, mas naquela semana decidi fazê-lo, um pouco no espírito do "não tenho nada a perder". E daquilo que me lembro, coloquei Rubens Barrichello no pódio, com Ralf Schumacher em quarto. Sabia que os Stewart estavam em forma naquele ano, e também sabia que o tempo no circuito alemão, em setembro, era incerto.

E assim foi. Quem se lembra daquela tarde, sabe mais ou menos o que aconteceu. Desde a pole-position de Heinz-Harld Frentzen, que bateu os McLaren no último minuto, até ao acidente assustador de Pedro Diniz, onde o seu roll-bar (ou Santo António, para os brasileiros), se quebrou e apenas a terra impediu de ter tido consequências mais graves, até as trocas de pneus da Ferrari e da McLaren dignas de Benny Hill. E na parte final, a desistência de partir o coração de Luca Badoer, que tinha um quarto lugar garantido, até que a caixa de velocidades o deixou na mão e acabou a chorar ao lado do seu carro, desconsolado com a oportunidade a voar.

E no final, Johnny Herbert e Rubens Barrichello no pódio, com Stewart entre eles, e o velho escocês a entrar num clube raro: o dos pilotos que se tornaram construtores e acabaram vencedores. Brabham, McLaren e Eagle tiveram isso com os seus fundadores como pilotos, Brabham foi até campeão do mundo no seu próprio carro, enquanto Stewart conseguiu sê-lo muitos anos depois de ter pendurado o capacete. E outros, como Fittipaldi e Prost, não venceram, mas subiram ao pódio. O brasileiro foi o único que o fez como piloto, Prost foi como o escocês, depois de ter encerrado a sua carreira.

Os resultados da Stewart naquele ano foram o mote para que a Ford avançasse para a aquisição da equipa por 70 milhões de dólares. Dado curioso: Stewart, como bom escocês que era, não investiu um único tostão da sua fortuna pessoal, e acabou multimilionário! O resultado dessa venda foi a Jaguar. E se quiserem ir mais longe, poderemos dizer que esta foi a primeira vitória da Red Bull...

E o final da minha história pessoal? Naquela semana foi o terceiro classificado no tal concurso e ganhei cem euros de prémio... 

Formula E: Felix da Costa confirmou conversações por um ePrix de Lisboa

A Formula E começa a ser um magneto para todo o tipo de pessoas: construtores, pilotos e organizadores. Desde há alguma tempo que se fala na chance de Lisboa receber uma prova da competição elétrica, e esta semana, António Félix da Costa, que agora é o novo recruta da DS Techeetah, contou que esteve presente em reuniões com a câmara de Lisboa para um eventual eprix na capital portuguesa.

"Já esteve mais perto. Houve mesmo reuniões entre a Câmara de Lisboa e o CEO da Fórmula E em que eu estive presente, meramente num papel de embaixador e porque para mim era ótimo correr em Lisboa", confirmou o piloto de Cascais numa entrevista publicada esta semana no Tribuna Expresso.

Para ele, a visita da competição de carros eléctricos da FIA a Portugal seria uma mais valia para a capital portuguesa. Caso a câmara desse luz verde, os custos rondariam os dez milhões de euros. Elevado, é verdade, mas Jakarta, que irá acolher a Formula E a 6 de junho de 2020, irá pagar 21 milhões de euros para ter os carros elétricos a andar nas ruas da capital indonésia.

"A cidade está numa fase em que se está a destacar muito e está na altura também de converter Lisboa numa cidade elétrica, mais verde. A Fórmula E seria uma boa mensagem para mostrar que os carros elétricos são divertidos, com muita dinâmica e velocidade. Espero que possa vir a acontecer um dia", acrescentou.

A nova temporada da Formula E acontece no fim de semana de 23 e 24 de novembro em Ad Diyriah, na Arábia Saudita. 

WRC: Monte Carlo 2020 vai ser muito curto

O rali de Monte Carlo de 2020, que será disputado entre os dias 23 e 26 de Janeiro será a mais curta de sempre, com apenas 305 quilómetros de troços cronometrados. Essa extensão contrasta com os 323 quilómetros de 2019.

Numa altura em que o calendário para 2020 está a ser discutido - fala-se de um alargamento para 16 provas, bem como uma rotação entre algumas provas - o Rali de Monte Carlo do ano que vêm já está organizado, com classificativas entre quinta-feira à noite e domingo. Começando em Gap, com duas classificativas noturnas, na sexta-feira, com dupla passagem por três troços a Este e Sudeste de Gap, onde se destaca a estreia de St Clément-Freissinières. Ronda semelhante se cumpre no Sábado, com a etapa a terminar em Monte Carlo.

No domingo, e etapa terá os mesmos troços de 2019 nos Alpes a norte do principado: La Bollène-Vésubie-Peïra-Cava e La Cabanette-Col de Braus, este último a ser a PowerStage que marca o final do rali, que como sempre, terá honras de abertura do calendário.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Youtube Motorsport Video: O GMA T50 Supercar

Gordon Murray dispensa atenções. Um dos projetistas mais conceituados do automobilismo, nascido na África do Sul há 73 anos, esteve na Brabham entre 1972 e 1986, desenhando carros como o BT46, o BT49, o BT52 e o BT55 Skate, antes de ir para a McLaren e desenhar o MP4/4 e o F1 de estrada, que acabou por ir para a competição, correndo das 24 Horas de Le Mans.

Agora, Murray está a construir um carro, o T50 Supercar, um supercarro que deseja ser leve - quer que não tenha mais de mil quilos - que será alimentado por um compacto e leve motor V12 de 3.9 litros, normalmente aspirado, com 641 cavalos de potência. O motor será criado pela Gordon Murray Automotive (GMA), em cooperação com a Cosworth, e a ideia é de fabricar a produção de 100 carros de estrada ao preço de 2.2 milhões de euros cada um. As primeiras entregas acontecem em 2022.

Mas para além do carro de estrada para os super-ricos, irá haver também uma versão de competição. No evento Motor Sport Game Changer, Murray admitiu que está em negociações para inscrever o seu novo T.50 em Le Mans, que contará com uma nova classe de hipercarros a partir de 2021, como parte de uma reformulação do regulamento do Campeonato do Mundo FIA de Endurance.

A acontecer, a GMA junta-se à lista dos pequenos fabricantes que mostraram interesse na nova categoria dos Hipercarros da WEC, como a ByKolles, a Brabham, a Apollo, a Oreca, a Rebellion Racing e a sueca Koenigsegg.

Formula E: Felix da Costa quer o título

Esta semana, a Autosport portuguesa fez uma entrevista a António Félix da Costa. Chegado à DS Techeetah, depois de três temporadas de bons serviços na BMW Andretti, onde venceu a corrida a Ad Dyriah, a primeira da temporada passada, e foi um dos candidatos ao título durante boa parte dessa temporada, o objetivo dele para 2019-20 é o mesmo: lutar por títulos, ainda por cima contra Jean-Eric Vergne, o bicampeão do mundo, num pelotão onde tem cada vez mais construtoras.

“O objectivo passa, mais uma vez, por lutar pelo campeonato como fiz este ano. Espero ter armas melhores para o fazer, mas a verdade é que quando uma equipa ganha duas vezes seguidas, torna-se no grande alvo a abater. Está toda a gente a trabalhar no duro para nos superar. Vai dificultar o nosso trabalho, mas a equipa tem uma mentalidade vencedora bem vincada, eles estão ali apenas com esse objectivo.”, começou por dizer.

A entrada para a equipa que alberga o bi-campeão da categoria, Jean-Eric Vergne, poderia fazer pensar que o português iria assumir um papel secundário, mas ele acredita que numa fase inicial não haverá pilotos prioritários:

“Numa fase inicial não há prioridade para ninguém. Claro que numa fase mais avançada, dependendo das posições de cada um, poderá ter de haver cedências, mas se for o Vergne na frente a meio do campeonato, terei todo o gosto em ajudar, quer a ele quer à equipa, para atingirmos os objectivos pretendidos. Mas nesta fase não há nada disso e vou para lutar pelo título.”, comentou.

Quanto à pressão da mudança da BMW para a DS Techeetah, Félix da Costa acredita que o foco estará noutros intervenientes pelo que se irá focar em fazer o seu trabalho e tentar estar no topo:

“Não há mais pressão. O Vergne terá mais atenção sobre ele, há a entrada da Mercedes e da Porsche… há muita coisa a acontecer, eu só tenho de me focar no meu trabalho e garantir os melhores resultados possíveis.“ 

“Ainda não tive contacto com a equipa técnica. Estou impedido de o fazer até uma determinada data que não posso revelar, mas não falta muito. Mas ainda não vi nem as instalações nem o carro. Vou testar antes dos testes conjuntos em Valência. Estou numa fase um pouco estranha pois não estava tanto tempo seguido em casa há muito tempo.“, concluiu.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A imagem do dia (II)

Ao mesmo tempo que Ayrton Senna via cair por terra (quase) todas as suas esperanças de renovar o título mundial, no Estoril, no outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, na pista de Laguna Seca, Emerson Fittipaldi completava a sua estrada rumo à redenção, ao se tornar no primeiro estrangeiro a vencer o campeonato CART. Então com 42 anos de idade, e nove depois de ter pendurado o capacete na Formula 1, depois da aventura da Copersucar, Fittipaldi voltava a conquistar um espaço no coração dos brasileiros.

Foi um caminho duro, este regresso. Em 1982, os irmãos tinham fechado as portas da equipa na Formula 1, com dívidas de milhões, praticamente falidos e com o prestígio em baixo. Emerson esteve um tempo em reflexão, para ver que caminho seguiria. Um dia, viu Mário Andretti a bordo de um carro da Newman-Haas e perguntou o que fazia mover. ele respondeu que ainda tinha prazer no que fazia. E de uma certa maneira, foi o que fez. Foi para os Estados Unidos em 1984, e de uma certa forma, o Brasil tinha-se esquecido dele. O que até foi bom, porque com o tempo, começou a voltar a entrar nos eixos.

A sua primeira vitória foi em 1985, pela Patrick Racing, a equipa que o iria acolher nas quatro temporadas seguintes, até 1989, quando corria com chassis Penske, que era o melhor do pelotão. Com um "clone" do carro da equipa oficial - o que fez confundir muita gente - Enerson partiu para essa temporada com aspirações ao título, e já com seis vitórias no bolso. 

E de repente, em maio, aconteceu as 500 Milhas de Indianápolis, e o seu duelo com Al Unser Jr. Um duelo que acabou a duas curvas do fim, favorável ao piloto brasileiro. A sua vitória colocou-o de novo no mapa, pois era o primeiro estrangeiro desde Graham Hill a colocar a sua cara no troféu Borg-Warner e a levar para casa mais de um milhão de dólares, naquela fotografia agora icónica, dele com o seu carro coberto de maços de notinhas verdes...

Ali, Enerson partia para a primeira de cinco vitórias, três delas seguidas, em Detroit, Portland e Cleveland, mais uma em Nazareth, para além de pódios em Meadowlands e Toronto, acabando a temporada com 196 pontos, mais dez que Rick Mears, e tornando-se no primeiro estrangeiro campeão desde a criação da CART, em 1979. E tornava-se dos poucos que vencia o campeonato num ano em que também vencia a Indy 500.

Para uma nação que vivia Senna e Piquet, ver de novo Fittipaldi nas primeiras páginas dos jornais, depois de tudo o que tinha passado com a sua equipa era um feito. Emerson merecia, especialmente por causa do seu arrasamento de carácter por causa do projeto Copersucar, demonstrativo da má face de um Brasil que só quer vencedores para idolatrar, talvez por causa da sua própria insegurança.

Emerson continuou a correr até aos 49 anos, ainda venceu outras 500 Milhas, mas não mais chegou perto de outro campeonato. Mas como na Formula 1, pavimentou o caminho para mais brasileiros, e também mais estrangeiros na categoria americana.

A imagem do dia

Faz hoje 30 anos que este "boneco" foi tirado pelo fotógrafo Francisco Romeiras, então a trabalhar na Turbo. Um dos momentos marcantes da história da Formula 1, e aconteceu em Portugal. E tudo por causa de uma comédia de enganos que acabou por enterrar ainda mais as ambições de título - que já eram diminutas - para Ayrton Senna.

A sequência de eventos começou quando Nigel Mansell, o "brutânico", cometeu a sua primeira proeza, que foi de errar a sua entrada nas boxes. E a seguir, de fazer marcha atrás para entrar no seu canto. O que pelas regras, era ilegal, e passível de desclassificação. E foi o que aconteceu, quando mostraram a bandeira preta com o número 27 ao lado, quando ele passava pela reta da meta.

Só que não parava. E as voltas passavam, e ele, o terceiro, aproximava-se de Ayrton Senna, que julgava que estava na corrida, a lutar por posição. Claro, havia sinais e comunicações pela rádio, mas em 1989, eles não eram fiáveis, e não havia nada do que vemos hoje.

E na volta 48, no final da reta da meta, o toque. Certamente que ambos são culpados, o primeiro por omissão, por não ter sido avisado que Mansell estava fora de jogo e para o deixar passar, porque não contava, e o segundo porque... acho que não sabia o que estava a fazer. E foi por causa desse jogo de equívocos que tivemos isto. Esta imagem icónica da história daquela temporada, e da Formula 1.

E no final, não falamos de outra coisa senão disso. Lembro-me bem do dia seguinte, quando, do alto dos meus (então) 13 anos, e com o dinheiro da minha semanada, gastava para comprar um exemplar da Autosport. E esquecia que tínhamos visto uma Minardi a liderar a corrida - na realidade, tinha acontecido durante um intervalo da RTP! -  e ver a estratégia brilhante da Onyx de não trocar de pneus, que resultou no pódio de Stefan Johansson, que depois de cortar a meta... o seu carro parou na berma, sem gasolina, e a falhar a cerimónia do pódio, de uma corrida ganha pelo Gerhard Berger, sem ser incomodado, e de um Alain Prost que sorria, porque o seu título estava cada vez mais próximo.

Mas ainda faltava mais, naquela temporada.