terça-feira, 13 de maio de 2025

CPR: Sordo quer ganhar na sua classe, Henriques um bom resultado


Para além do WRC, há também a prova a contar para o Campeonato de Portugal de Ralis, o CPR. A quarta prova da competição tem início ao final da tarde desta quinta-feira, com a super-especial da Figueira da Foz (2,94 quilómetros), para a seguir, os pilotos encararem uma dezena de classificativas no dia seguinte, na região Centro do país. Logo, perfila-se como o rali mais duro e exigente da temporada.

Para Dani Sordo, que depois de conquistar a segunda posição nos três primeiros ralis da temporada, a vitória é o objetivo, na sua luta pelo título com o Toyota de Kris Meeke.

“Para mim, será um Rally de Portugal diferente dos anos anteriores, pois nunca o disputei com um Rally2. O nosso foco vai estar centrado no campeonato português e claro que penso na possibilidade de conquistar a vitória aos comandos do Hyundai i20 N Rally2. Esta prova, pelas suas caraterísticas, vai ser de uma grande exigência, face a um leque de excelentes adversários. De qualquer modo, vamos dar o nosso melhor, como sempre, para somar o máximo de pontos possível e reduzir a distância para a liderança do CPR”, declarou Dani Sordo.

Já o seu companheiro de equipa, Gonçalo Henriques, surge mais motivado do que nunca, até porque esta prova não se desenrolará muito longe do território de onde é natural, Vila Nova de Poiares. Contudo, há um bom motivo para conseguir um bom resultado: chegar ao fim, pois não conseguiu na prova anterior, o Terras D'Aboboreira.

“Queremos estar de novo na luta pela melhor dupla portuguesa. Conduzirei sem pressões, embora ciente das dificuldades ditadas pelo ‘melhor rali do mundo’. Vamos ‘jogar em casa’ e por isso queremos fazer bem e bonito, sem erros. Tanto a Inês como eu estamos bastante motivados e felizes por estar de novo a correr o Rally de Portugal, mas desta vez ao volante do Hyundai i20 N Rally2 do Team Hyundai Portugal. Iremos trabalhar muito e dar o nosso melhor para obter um bom resultado”, afirmou.

O rali de Portugal é o último do CPR feito em troços de terra, pois depois terão pela frente as quatro provas e asfalto, a começar pelo rali de Castelo Branco. 

Youtube Formula 1 Vídeo: Formula 1, 75 anos

Hoje é 13 de maio, e é o 75ª aniversário da primeira corrida de Formula 1. E para celebrar esse dia - onde aconteceu o GP da Grã-Bretanha de 1950 - a Formula 1 decidiu colocar o seu canal do Youtube uma maratona de 24 horas, que vai desde corridas na íntegra até outros programas, tudo para celebrar uma data importante no automobilismo. 

Há corridas na sua totalidade - mas apenas os que aconteceram no século XXI, o mais antigo é o GP do Brasil de 2008. Pelo meio, acontecerão diversos programas sobre a competição que falarão dele neste dia de aniversário. 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

A imagem do dia



Falei no sábado sobre o GP do Mónaco de 1970, corrida ganha na última curva da última volta por Jochen Rindt. O que não vos falei é que aquela corrida foi a última de alguns pilotos ali presentes - e a primeira de Ronnie Peterson. Foi a última corrida de Bruce McLaren, mas sobre ele, falaremos com calma no inicio do mês que vêm, quando for a altura.

Porque hoje falo de um piloto com esperanças de ser um grande piloto francês, aprendendo com um excelente professor, na figura de Jackie Stewart, mas naquele final de semana, pura e simplesmente decidiu pendurar o capacete, reconhecendo um misto de medo e incapacidade de correr como dantes. E hoje em dia, parece quase esquecido. Falo de Johnny Servoz-Gavin, um piloto rápido, com fama de "playboy" e que teve uma carreira breve, antes de se refugiar no anonimato.

Nascido a 18 de janeiro de 1942 em Grenoble como Geroges-Francis Servoz-Gavin, ganhou o apelido de "Johnny" na adolescência, quando era instrutor de ski nos Alpes. No inicio da idade adulta, começou a correr nos ralis e a atrair atenção da Matra, que o levou para as pistas. Campeão de França de Formula 3, no ano seguinte, foi para a Formula 2, europeia, onde conseguiu um pódio. Em 1968, foi correr no GP do Mónaco de Formula 1, a bordo do modelo MS10 e ficou com o segundo melhor tempo na qualificação. E para melhorar as coisas, logo na partida, largou bem e ficou com o comando! Infelizmente, tocou com uma das rodas no passeio, torceu a suspensão e acabou por desistir. 

A segunda corrida de interesse foi em Monza, palco do GP de Itália, onde Servoz-Gavin foi o 14º na grelha em 24 carros. Na corrida, ele começou a subir posições e a batalhar por um lugar no pódio com o carro de Jacky Ickx. Tudo indicava que o belga levaria a melhor no inicio da volta, mas o piloto da Matra foi mais rápido e conseguiu o segundo lugar, batendo Ickx e o BRM de Piers Courage. Foram os primeiros pontos da sua carreira... e logo um pódio! Os seus pontos deram-lhe a 13ª posição. 

No ano seguinte, continuando na Matra, ao lado de Jackie Stewart, ele ficou com o motor Cosworth, em vez do Matra de 12 cilindros guiado por Jean-Pierre Beltoise. Se Stewart acabou campeão do mundo e Beltoise levou alguns pódios para casa, para Servoz-Gavin, ele foi encarregado de competir na Formula 2 - acabou campeão - e de andar no MS84, o carro de quatro rodas motrizes, que acabou por ser o único que conseguiu resultados de relevo, quando ele acabou o GP do Canadá desse ano na sexta posição, sendo o único que pontuou.

Em 1970, Servoz-Gavin tornou-se no segundo piloto da March, ao lado de Stewart, mas durante o defeso, ele sofreu um acidente durante um evento de todo o terreno que o deixou preocupado com a sua visão, e começou a pensar seriamente sobre se correr valeria a pena. Para piorar as coisas, em Jarama, assistiu ao acidente de Jacky Ickx e Jackie Oliver, e apesar de acabar na quinta posição, a duas voltas do vencedor, Jackie Stewart, as dúvidas só foram aumentando. A sua não-qualificação no Mónaco foi a gota de água e decidiu abandonar. 

Depois disto, retirou-se para viver numa casa flutuante, e ironicamente, em 1982, aos 40 anos de idade, sofre um acidente doméstico que o deixou com queimaduras no seu corpo. Acabaria por morrer a 29 de maio de 2006, aos 64 anos, na sua Grenoble natal, vitima de uma embolia pulmonar, depois de ter estado doente por algum tempo. 

Youtube Rally Testing: O teste de Diogo Salvi para o rali de Potugal

O mais interessante deste rali de Portugal é que pela primeira vez, aparecerá um piloto português a guiar um Rally1 numa prova do WRC. Diogo Salvi alugou um Ford Puma Rally1 e está agora a testar o carro para a prova que aí vêm, que será bem dura, como é sabido. 

Eis as imagens desse teste, onde anda tanto com o Skoda Fabia Rally2 - certamente é para comparar - como com o Ford Puma Rally1. Veremos se compensará esta experiência.   

WRC (III): Neuville quer caçar Evans na luta pela liderança


O belga Thierry Neuville quer um resultado que compense os maus que tem tido ao longo desta temporada. O atual campeão do mundo vem de uma prova horrível nas Canárias, onde foi sétimo, e quer reagir em Portugal para compensar e diminuir a desvantagem que tem para a Toyota. Wencedor na edição de 2018, Thierry Neuville e Martin Wydaeghe, seu navegador, querem um resultado forte no Rali de Portugal para superar os desafios que a Hyundai tem tido.

“O Rali de Portugal é como qualquer outro rali de terra, é preciso otimizar a posição na estrada e tentar gerir as temperaturas, especialmente nos primeiros dias na zona de Amarante." começou por afirmar o piloto belga, na apresentação do rali.

"O principal desafio são as condições da estrada, que podem ser abrasivas, e o desgaste dos pneus pode ser um problema se formos demasiado exigentes.", continuou.

"No domingo, as etapas são mais suaves, pelo que se pode realmente forçar no último dia. Precisamos de um resultado forte como equipa, temos que ser mais fortes do que os Toyota e precisamos de ultrapassar o Elfyn – pois ele tem uma grande vantagem no campeonato e nós não temos sido capazes de lutar tanto quanto esperávamos, por isso ele será o nosso principal objetivo a vencer em Portugal, com o Kalle.”, concluiu.

O rali de Portugal acontecerá entre os dias 15 e 18 de maio, com Neuwille a chegar a esta prova na terceira posição, com 59 pontos. 

WRC (II): Evans quer manter a consistência em Portugal


Duas vitórias e mais dois pódios nas primeiras quatro provas do ano. Estes são os números que os galeses Elfyn Evans e o seu navegador, Scott Martin, tem tido na temporada de 2025, destacando-se numa temporada onde os Toyota dominam. Apesar de vitorias por parte de Kalle Rovanpera e Sebastien Ogier, é Evans que lidera o campeonato com um avanço de 43 pontos, bem confortável em relação à concorrência.

E agora que estão no rali de Portugal, com a Toyota a correr em força máxima - cinco Rally1 - Evans chega a terras portuguesas com um palmarés capaz de mantê-la. Triunfaram na edição de 2021, foram segundos em 2022, desistiram após um acidente em 2023 e, no ano passado, terminaram em modesto sexto lugar. Agora, perante um rali em terra, eles abrirão a estrada consciente que isto será mais complicado.

“Depois de um bom início de época, estamos agora a entrar numa sequência de provas em terra onde, como líder do campeonato, pode ser um desafio correr em primeiro na estrada na sexta-feira, se estiver seco. Os meus testes recentes em terra foram feitos em piso molhado, pelo que a preparação não foi a ideal, mas as sensações foram boas no Quénia e, mesmo que os ralis que vamos disputar sejam bastante diferentes, estou confiante de que podemos começar numa posição mais forte do que no ano passado.", começou por falar. 

"Portugal tem alguns troços fantásticos que são divertidas de conduzir, por isso vamos tentar aproveitá-los e, mesmo que a limpeza da estrada seja um fator, também queremos fazer uma corrida forte até domingo para continuar a marcar o máximo de pontos possível.”, concluiu, consciente que um bom resultado seria ótimo na construção de uma caminhada para o tútulo, que poderia ser o primeiro de um britânico desde 2001, com Richard Burns. 

WRC: Ogier elogia Rovanpera pelo seu desepenho nas Canárias


Esta é a semana de Rali do Portugal e Sebastien Ogier, vencedor do rali na redição de 2024, aproveitou a apresentação da prova à imprensa para elogiar a performance de Kalle Rovanpera no rali Islas Canárias, prova onde triunfou de forma convincente e do qual merece "uma salva de palmas" pelo feito. 

“O Rali Ilhas Canárias foi um evento agradável para toda a equipa e eu fiquei bastante satisfeito com o meu resultado. Agora voltamos à terra depois de um longo período de ausência, desde o Chile em outubro passado.", começou por falar.

"Muito mudou nesse tempo com o carro e os pneus, e tive algumas condições climatéricas difíceis no meu teste, mas tenho a sorte de ter uma grande equipa à minha volta e os meus companheiros de equipa e esperemos que possamos continuar com o grande início de época. Sempre gostei de Portugal; é um rali com uma atmosfera única e muitos fãs. Foi bom ter finalmente conseguido a sexta vitória no ano passado e seria fantástico se conseguíssemos repetir esse resultado,” continuou Ogier.

Ao elogiar a prestação de Rovanpera nas Canárias, Ogier reconheceu a impotência perante o desempenho do finlandês na prova realizada na Gran Canaria, onde Rovanpera alcançou 15 vitórias em 18 troços possíveis.

“O fim de semana foi muito positivo e satisfatório. Em primeiro lugar, quase conseguimos um resultado de equipa perfeito, e essa é a minha prioridade hoje em dia,” disse Ogier. “Em segundo lugar, continuo a acreditar que o meu desempenho foi bastante bom este fim de semana – mas, ao mesmo tempo, infelizmente para mim e para todos os pilotos, o Kalle esteve numa liga muito diferente."

"Mas, da minha parte, continuo contente – foi um rali muito agradável. Já estive por vezes na situação em que o Kalle esteve durante a minha carreira, mas não é muito frequente alguém dominar uma única prova de forma tão clara. Era bastante óbvio que ele estava extremamente confortável, porque ganhar quase todas as especiais, significa que temos algo de especial. Tentámos o nosso melhor para melhorar a configuração no início do fim de semana, o que não me estava a dar a melhor confiança, mas, para ser honesto, no final do rali estava bastante satisfeito com o carro.”

“Se pensarmos bem, toda a gente diz que o Kalle está de volta, mas no ano passado ele fez sete ralis e ganhou quatro. Ele não perdeu nada. Tudo estava a funcionar a 100%. E quando ele está a conduzir a cem por cento, os outros também têm de o fazer.”, concluiu.

Youtube Formula 1 Vídeo: O segundo trailer de "F1"

E inesperadamente, sem aviso, surgiu o segundo trailer de "F1" o filme realizado por Joseph Kosinski e produzido por Jerry Bruckheimer e que tem Brad Pitt como principal protagonista. Aqui há novas imagens do filme, que como sabem, se estreará a 25 de junho nos cinemas um pouco por todo o mundo. 

domingo, 11 de maio de 2025

Youtube Endurance Vídeo: Os minutos finais das Seis Horas de Spa-Francochamps

Esta é a última corrida do Mundial de Endurance antes das 24 Horas de Le Mans. E nesta corrida, tal como aconteceu em Imola, a Ferrari levou a melhor, ficando com as duas primeiras posições, na frente dos Alpine, que foram terceiro e quarto na corrida, tal como tinha acontecido na corrida anterior. 

O carro número 50, guiado por Alessandro Pier Guidi, Antonio Giovinazzi e James Calado, levou a melhor sobre o carro numero 51 de Antonio Fuoco, Miguel Molina e James Sorensen, e praticamente confirma o favoritismo da Scuderia na Endurance e na corrida mais longa do automobilismo mundial. 

Que acontecerá dentro de cinco semanas. Será uma corrida interessante, tenho a certeza.  

Youtube Rally Vídeo: Os testes de Thierry Neuville em Viana do Castelo

Estamos a poucos dias do Rali de Portugal, e os pilotos oficiais andam a testar os seus carros para se adaptarem aos troços de terra, que são duros. Especialmente estes de Viana do Castelo.

Nas imagens do Pedro Figueiredo, tirados na quinta-feira, está o Hyundai de Thierry Neuville, o atual campeão do mundo, que está a preparar para a prova, depois do resultado dececionante na prova anterior, nas Canárias, esperando que agora, as coisas sejam um pouco melhores para a equipa coreana.  

sábado, 10 de maio de 2025

A imagem do dia





Há 55 anos, acontecia um duelo que acabou literalmente... na última curva da última volta. Um duelo do qual espectadores e organizadores demoraram em saber quem tinha ganho. 

O GP do Mónaco de 1970 era a terceira corrida do campeonato, e acontecia duas semanas depois do GP de Espanha e da estreia do Lotus 72. Rindt tinha detestado, e Colin Chapman disse que o melhor seria deixar o carro na fábrica, para ser modificado para o melhorar. Com isso, Rindt regressava ao modelo 49 para correr nele. Contra ele tinha Jack Brabham, no seu carro, e principalmente os Marchs: os oficiais, guiados por Chris Amon e Jo Siffert, e os clientes, guiados por Jackie Stewart e Johnny Servoz-Gavin. E um estreante: o sueco Ronnie Peterson.

E claro, os outros: os McLarens de Dennis Hulme e Bruce McLaren, os BRM de Pedro Rodriguex e Jackie Oliver, os Matra de Jean-Pierre Beltoise e Henri Pescarolo e o solitário Ferrari de Jacky Ickx. 

No final da qualificação, Stewart levou a melhor, ao lado de Chris Amon, noutro March. Hulme e Brabham ficaram com as uas posições seguintes, e Rindt foi apenas oitavo. Cinco carros ficaram de fora, entre eles o Lotus oficial de John Miles e o March de Johnny Servoz-Gavin. Iria ser a sua última corrida na Formula 1. Menorizado depois de um acidente no Inverno, que afetou a sua visão, decidiu pendurar o capacete, apenas com 28 anos de idade. 

Foi uma corrida bem interessante. Stewart liderou a corrida até à volta 27, quando começou a ter problemas com o seu carro, deixando de funcionar corretamente. E entregou o comando para Brabham, com o escocês a regressar à pista, para retirar-se pouco depois.

Brabham passou a controlar a corrida, enquanto Amon era segundo, Hulme terceiro e Rindt quarto. O neozelandês retirou-se na volta 62, vitima de uma quebra da suspensão. Por esta altura, Hulme tinha problemas na caixa de velocidades e perdia posições. Por esta altura, a diferença entre ambos era de nove segundos, e o que o piloto da Lotus fez foi aumentar o ritmo e tentar apanhar Brabham.

E no inicio da 80ª e última volta, a diferença entre ambos era de menos de dois segundos. Ambos se aplicaram, mas tudo indicava que o australiano iria levar a melhor e conseguir a sua segunda vitória em três corridas e se destacar no campeonato. Isto... se conseguisse fazer a curva do Gasómetro, uma curva de 180 graus, (a versão atual só apareceu em 1973) na frente do piloto da Lotus.          

E no final... Brabham travou a fundo, mas numa área escorregadia, seguiu em frente e bateu nos fardos de palha, mas ainda capaz de manobrar para seguir em frente. Rindt estava mesmo atrás dele e assistiu a tudo. Fez a curva, acelerou e cortou a meta em primeiro lugar... e ninguém comemorou. Porque não tinham visto a manobra! Nem o comissário, que tinha a bandeira de xadrez na mão, nem Colin Chapman, que tinha visto o seu piloto cruzar a meta. Só depois, quando ele parou o carro, e soube o que tinha acontecido. Brabham ficou com o segundo posto, derrotado, mas dando luta. Com 44 anos de idade.

A fechar o pódio, um Matra, o de Henri Pescarolo. Tinha sido o seu primeiro pódio, e iria ser o único da sua carreira na Formula 1. 

Youtube Motorsport Vídeo: Os novos desafios de Robert Wickens

Vocês se lembram de Robert Wickens, não se lembram? O piloto canadiano, vitima de um acidente sério em Pocono, em 2018, numa prova da IndyCar, que o fez passar por 200 G's de pressão, acabou por sofrer lesões na espinal medula, e passar por uma longa reabilitação, até regressar ao automobilismo, correndo agora na TCR America, num carro adaptado à sua condução, ou seja, correr com controlos nas mãos.

Num documentário da Autosport britânica, e com testemunhos de gente como James Hintchcliffe, Leigh Diffiey ou Will Buxton, fala-se sobre o acidente, a sua longa recuperação, a sua adaptação a uma nova competição, entre outros assuntos. E o que fax ainda andar, depois disto tudo.  

sexta-feira, 9 de maio de 2025

A imagem do dia




O final de uma era. No momento em que sai do seu carro e vê que não conseguiu um tempo para ficar dentro dos qualificados para o GP do Mónaco, ele entendeu que o seu tempo atrás do volante tinha chegado ao final. 

Graham Hill, em tempos, tinha sido considerado o "sr. Mónaco", pelas suas cinco vitórias, a mais recente delas conquistada em 1969, aos 39 anos. Mas agora, em 1975, aos 47 anos, ele era uma sombra dos tempos passados. Primeiro, o acidente que tinha sofrido no final de 1969, em Watkins Glen, e consequente recuperação, do qual se esforçou para estar a tempo de correr a primeira corrida do ano seguinte, em Kyalami, e depois, as duas temporadas pela Brabham, do qual acabou por ser superado pelos seus companheiros mais jovens, o argentino Carlos Reutemann e o brasileiro Wilson Fittipaldi. Quando no final de 1972, Bernie Ecclestone - que era mais novo que ele! - o dispensou, ele ainda quis correr mais tempo. 

Construir a sua equipa, consistia em arranjar mecânicos e projetistas, para construir um chassis, arranjar um motor Cosworth, para o preparar da melhor maneira possível, e como estamos a meio da década de 70, um excelente patrocinador, de preferência, uma tabaqueira, para pagar as despesas. E com isso, arranjar os melhores elementos possíveis para a mantar. E pilotos velozes. Aos poucos, estava a conseguir.

O que tinha acontecido em Barcelona com um dos seus carros, quando liderava um Grande Prémio o tinha colocado no centro das atenções, e nas ruas do Principado, ele tomava conta do lugar de Rolf Stommelen, que recuperava das suas fraturas no hospital. Tinha 47 anos, mas achava que ainda tinha algo para dar. Mas no Principado, a própria organização tinha visto o que acontecera em Barcelona e queria mostrar que aprendera a lição. Mais proteções nos guard-rails, e menos carros na pista: nesse ano, apenas 18 bólidos iriam participar, em 26 inscritos. Hill tinha de fazer uma grande qualificação. 

Com participações desde 1958, era um grande feito, dada a volatilidade de um piloto de corridas na altura. Ele já tinha participado em 176 corridas, um recorde, e queria mais uma, ainda por cima, no seu lugar favorito. Mas à medida que o tempo passava, o número mágico, para ficar na 20ª posição, aquela que dava a qualificação, começava a escapar-se. Tentou no chassis novo, o Hill, e até foi buscar o antigo, o Lola de 1974, desenhado por Andy Smallman, que o atraíra para a sua equipa e desenhar o GH1, o seu primeiro carro.

As tentativas estavam a ser inúteis, até chegar ao desespero. Deu tudo, até ficar além do limite, e no final, 377 centésimos foram suficientes para ficar de fora da grelha de partida, com o 23º melhor tempo. O último dos qualificados foi o Hesketh de um jovem australiano chamado Alan Jones, que dava os seus primeiros passos na Formula 1. 

Desalentado, saiu do carro, tirou o capacete e descansou, para refletir. Pouco depois, disse aos jornalistas que aquela tinha sido a sua última corrida. Iria concentrar na sua Embassy Hill e nas agruras de ser um diretor de equipa. Na corrida seguinte, o seu substituto iria ser um jovem britânico, Tony Brise. O Matusalém do automobilismo tinha pendurado o capacete, mas continuaria noutra função.     

O regresso da Team Lotus?


Team Lotus. A divisão competitiva da Lotus Cars, fundada em 1954, e que de 1958 a 1994, esteve na Formula 1. Sete campeonatos do mundo de Pilotos, outros tantos de Construtores. Lugar onde correram gente como Innes Ireland, Jim Clark, Graham Hill, Jochen Rindt, Emerson Fittipaldi, Mário Andretti, Ronnie Peterson, Elio de Angelis, Nigel Mansell, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Derek Warwick, Alex Zanardi, Johnny Herbert e Pedro Lamy, entre outros.

Apesar de ter desaparecido no final da temporada de 1994, existiu uma reativação entre 2010 e 2012, com sede em Enstone e com pilotos como Kimi Raikkonen, Nick Heidfeld e Bruno Senna, entre outros. Hoje em dia, o nome está nas mãos da Lotus Cars, que por sua vez, fax parte do Grupo Geely, que tem a Volvo, por exemplo. Nos últimos tempos, a Lotus está a reforçar os seus modelos e a colocar as suas ações na NASDAQ nova-iorquina, em algo lento, mas sólido. 

De quando em quando, há quem fale sobre a ideia de ver a Lotus de novo numa grande competição, um pouco a passar o espírito de Colin Chapman, seu fundador. A Geely aparenta não estar grandemente interessado nessa ideia, embora as marcas que detêm tem suficientemente autonomia para fazerem o que quiserem em termos competitivos. Contudo, quem conhece a história da equipa de Hethel, sabe que a única competição que vale a pena é a Formula 1, apesar de passagens pela IndyCar, por exemplo, e por Le Mans - embora sobre esta última, Chapman sempre detestou competir por lá, ou os seus pilotos. 

Contudo, por estes dias, o Joe Saward, no seu notebook/newsletter, contou que ter a Lotus na Formula 1 seria viável se o investimento fosse grande e sério. E também contou que a Geely tem uma participação de 17 por cento na Aston Martin, e poderia ser um nome melhor que a que lá está atualmente. E quase por coincidência - juro! - algumas horas depois de ler a newsletter, contaram-me que fizeram uma proposta para a Cadillac para que ficassem com... Lance Stroll como seu piloto. A sério?

E mais ainda: esta quinta-feira, em Mugello, Guanyou Zhou esteve a testar num Ferrari, aparentemente, nas obrigações de piloto de testes e de reserva da Scuderia. Pode ser um pouco de tudo - fala-se dele para ser piloto da Cadillac em 2026 - mas a ideia da Geely se mexer para escolher um "ponta de lança" no seu grupo e usá-la para se apresentar ao mundo, seria bem interessante. Quer seja para comprar um lugar ou montar uma estrutura para se candidatar à 12ª equipa no pelotão. E claro, não se pode descartar a ideia de tentar competir na Endurance e na Formula E, como está a fazer a McLaren.

Claro, é tudo muito especulativo. Mas a Team Lotus é uma equipa que tem prestigio, e melhor, carros para vender. Onde quer que aparecesse, seria uma marca para seguir, e a ideia de "win on sunday, sell on monday" (vença no domingo, venda na segunda), é muito tentador. A Formula E seria ótimo - e mais fácil de lá chegar - porque tem carros elétricos no seu portfólio. O resto seria uma questão de reunir recursos humanos e financeiros. Mas claro, a Formula 1 seria bem mais prestigiante. 

Os tempos que correm são ótimos para o automobilismo de pista. Ter um carro elétrico, um Hypercar, ou um Formula 1, será excelente, agora que as coisas estão mais controladas em termos de orçamentos. Considero que a classe Hypercar está... hipervalorizada, mas é bem tentador. Resta saber que tipo de planos eles tem: consolidar as vendas um pouco por todo o mundo ou atacar, no espírito de "lightness, then add speed"?

Isto é tudo especulativo, mas quando se começa a ouvir coisas aqui e ali...     

O que António Félix da Costa deseja para o futuro?


A Formula E vai de vento em popa nesta temporada, mas já se planeia para 2026. E há um piloto que procura um bom lugar para o próximo ano. Contudo, ele tem um critério do qual não abdica: quer correr na competição elétrica... e na Endurance. António Félix da Costa terminará no final da temporada o seu contrato com a Porsche, e apesar de não descartar uma renovação com a marca alemã, quer correr no WEC, depois de duas temporadas sem correr por lá, por exigências com a marca de Estugarda.

Falando no portal espanhol soymotor.com., o piloto de Cascais revelou que as conversas sobre o seu futuro estão ainda numa fase inicial, mas acredita que em junho, depois do ePrix de Xangai, terá uma ideia mais clara sobre o seu destino na Fórmula E. E ter programas em ambas as competições é importante. 

“Sim, pelo menos ter essa confirmação para avançar com tudo, e depois, se conseguir um lugar lá, já é outra questão — eu acho que sim. Mas sim, para onde for, têm de me deixar fazer as duas. Vamos ver o que acontece nas próximas semanas. Depois de Xangai, acho que já teremos uma boa ideia”, afirmou.

Atual segundo classificado do campeonato, Félix da Costa é um piloto a ter em conta no pelotão. Este ano, ele participará nas 24 Horas de Le Mans no LMP2 da AF Corse, a equipa que anda com chassis da Ferrari. Quando à competição elétrica, ela continuará no fim de semana de 17 e 18 de maio, em Tóquio.