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quarta-feira, 30 de abril de 2025

A(s) image(ns) do dia






O ano a seguir à catástrofe. E no rescaldo, um raro erro de Michael Schumacher no ano do seu bicampeonato. E o tributo aos caídos.

Quando a Formula 1 regressou a Imola, a 30 de abril de 1995, as pessoas imaginavam como iria ser naquele dia. A pista, todos sabiam que depois do que aconteceu, tinha de ser modificada, desse por onde desse. Chicanes nas curvas Tamburello e Villeneuve, para abrandar a velocidade, e garantir maior segurança, foram instaladas, e a chicane Acqua Mineralle também, para ser mais rápida. Todas essas modificações custaram cerca de cinco milhões de dólares e duraram cerca de quatro meses para ficarem prontas para serem aprovadas pelas FIA. 

Quando o pelotão da Formula 1 chegou, os tributos chegaram depressa. As lembranças foram longas e espalhadas por toda a parte, especialmente nas redes perto da pista. Noventa e cinco por cento era para honrar Senna, mas gente como Mika Salo ou Heinz-Harald Frentzen, que tinham corrido no Japão, foram ao local do acidente mortal do outro piloto daquele final de semana maldito, para homenagear o amigo e concorrente na Formula 3000 japonesa. Ninguém queria esquecer, e no dia da corrida, os pilotos alinharam perto da linha de meta para honrar Roland Ratzenberger e Ayrton Senna. Ainda por cima, precisamente nesse dia, passava o primeiro aniversário da morte do piloto da Simtek. 

Não foi uma corrida tranquila. Começou com alguma chuva, mas secou à medida que a corrida prosseguiu. O poleman, Michael Schumacher, desistiu na décima volta, vitima de um acidente, depois de ter regressado à pista quando trocou para secos. Gerhard Berger ficou com a liderança, mas era pressionado por Damon Hill, num duelo pela liderança que deixava os espectadores excitados. Contudo, quando o austríaco da Ferrari foi às boxes, o motor foi-se abaixo e perdeu segundos preciosos. Hill era o líder, seguido por David Coulthard e Jean Alesi. 

Contudo, pouco depois, quando o escocês foi às boxes para lutar pelo segundo posto com Alesi, a sua asa da frente ficou danificada, e para piorar as coisas, acelerou nas boxes, ultrapassando o limite de velocidade e acabou por ser penalizado. As penalizações tinham de ser servidas separadamente, e o escocês teve de fazer uma paragem extra, caindo para o quarto lugar.

Para Hill tudo corria bem... mas poderia ter acabado mal. No último reabastecimento, a mangueira ficou presa e perdeu segundos preciosos, mas conseguiu sair na frente de Alesi, para conseguir uma vitória que, de uma certa forma, era aquilo que eles gostariam de ter conseguido no ano anterior. 

No décimo lugar, a duas voltas do vencedor, ficou Nigel Mansell, no seu McLaren. Era a sua corrida de regresso pela McLaren. Tem 41 anos, e tinha acabado de ver pela última vez a bandeira de xadrez na sua longa carreira.   

segunda-feira, 1 de maio de 2023

A(s) image(ns) do dia




Quando aconteceu, ninguém esperaria que o dia 1 de maio em Imola iria ficar marcado na infâmia, mas em 1988, Ayrton Senna iria entrar na sua história pessoal, quando pegou no seu McLaren e conquistou a sua primeira das 35 vitórias pela McLaren, e claro, a sua primeira com o MP4/4.

Ao contrário que muitos possam pensar, esse triunfo até foi  sem grande história, embora ambos os pilotos cruzaram a meta com mais de 2,3 segundos de diferença. Mas o mais impressionante é que deram à concorrência... uma volta. Eles tinham uma volta de avanço sobre o terceiro classificado, o Lotus de Nelson Piquet, que tinha partido de terceiro na grelha. E nem falamos das diferenças que deixaram na qualificação, onde tinham cerca de três segundos de diferença para o melhor do resto. 

Essencialmente, se alguém tivesse dúvidas sobre o que seria aquele carro e aquela temporada, parece que quase todos focaram esclarecidos: não iriam ter qualquer chance. A não ser que aqueles carros quebrassem. Porque tudo indicava que aquela luta pelo título estava destinada à McLaren e aos seus pilotos, no último ano dos Turbo. 

Curiosamente, no final da corrida, ambos os carro pararam logo depois da meta, mas ninguém tinha ilusões: aqueles carros eram inalcançáveis. E iriam mostrar isso ao longo daquela temporada, a começar na corrida a seguir, nas ruas do Mónaco, dali a duas semanas. 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

A imagem do dia


Há 40 anos, a Formula 1 começava a correr em San Marino. 

Dizendo melhor... voltava a correr por duas vezes em terras italianas. A última - e única vez - que correram em duas pistas na "bella Itália" tinha sido em 1957 quando foram correr em Pescara. Tinham recebido a Formula 1 no ano anterior, e como até gostaram de correr por lá, mas Monza é um local sagrado, lá arranjaram um esquema para poderem correr no circuito Dino Ferrari - o Enzo só se acrescentou em 1989, após a morte do Commendatore - sem ter uma espécie de "vantagem injusta" sobre os demais. Logo, um "GP de San Marino" até calhou muito bem, um esquema que durou até 2006, e também foi usado para a Moto GP, por exemplo.

Mas a prova san-marinense foi aquela onde Nelson Piquet tornou a triunfar. Segunda vitória consecutiva, não só no calendário, mas também na mesma pista, pois foi ali que meses antes tinha ganho o GP de Itália. Contudo, o conhecimento da pista tinha um truque, uma "vantagem injusta", se preferirem.

Quem conhece a história da Brabham nos quinze anos sob a batuta de Bernie Ecclestone, sabe que havia uma pessoa ao lado que tratava dos aspectos técnicos: Gordon Murray. E como Colin Chapman, fazia e tudo para pegar no livro de regulamentos e descobrir os buracos existentes. E no tempo das saias laterias, que faziam com que o efeito-solo fosse eficaz, quando a FISA decidiu retirá-las e a FOCA quase criou uma competição paralela, a Brabham tinha de usar algo que desse para contornar esse esquema. E encontrou: uma suspensão pneumática que fazia contornar os seis centímetros de espaço que os carros tinham de ter entre o chassis e o solo. Com um botão, os pilotos colavam o carro ao asfalto durante a corrida e depois, antes do escrutínio, o carro era levantado, colocado no lugar e ninguém dava pela diferença. 

E claro, não foi só Piquet o beneficiado: o seu companheiro de equipa, Hector Rebaque, também foi beneficiado. o seu quarto lugar final fez com que, de uma só vez, conseguisse mais pontos numa corrida do que tinha tido em toda a sua carreira até então. Mas tudo isso aconteceu também porque a Ferrari fez um erro terrível no qual, sem isso, as coisas teriam sido muito diferentes.

Gilles Villeneuve começou a corrida na pole-position, e ele liderou com categoria enquanto a pista estava molhada. Contudo, parara de chover e a pista secava, e o canadiano pensava que seria assim até ao final, e ele queria antecipar à concorrência. Mas cometeu um erro, porque quando meteu os slicks... o tempo não mudou. Aliás, nova carga d'agua obrigou-o a trocar para pneus adequados para a ocasião e foi para o final do pelotão. Fez uma corrida fenomenal a partir daquele momento, fazendo a olta ais rápida, mas o erro já tinha sido cometido e não foi além do sétimo posto, ficando fora dos pontos. 

Se o erro prejudicara a Ferrari, beneficiava a Brabham. Mas Piquet não saia de Imola com a liderança, porque Carlos Reutemann acabara em terceiro, e saia com três pontos de avanço. O duelo sul-americano continuava. 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

GP Memória - San Marino 2001


Duas semanas depois de terem corrido em Interlagos, a caravana da Formula 1 atravessava o Atlântico e assentava arraiais em Imola para a sua primeira prova europeia, o GP de San Marino. Com duas vitórias para Michael Schumacher, e num local onde a Ferrari estava em casa, os adeptos queriam uma vitória das suas máquinas, e claro, o campeão do mundo.

Mas por aqui estavam mais dois grandes rivais: a McLaren e a Williams, com os motores BMW melhorados e a performance do irmão mais novo de Michael, Ralf, bem como Juan Pablo Montoya, que tinha mostrado o seu cartão de visita na corrida anterior, em Interlagos, era agora o querido da Formula 1. 

Mas no final da qualificação, nem a Ferrari, nem os Schumachers eram os melhores: David Coulthard, o vencedor da corrida anterior, no Brasil, era o "poleman" numa primeira fila totalmente dominada pelos carros cinzentos de Woking, pois Mika Hakkinen era o segundo. Ralf Schumacher era o terceiro, seguido pelo seu irmão, Michael, no seu Ferrari. Jarno Trulli era o quinto, no seu Jordan, com Rubens Barrichello a completar a terceira fila da grelha, no segundo Ferrari. Juan Pablo Montoya era sétimo, na frente do BAR-Honda de Olivier Panis, e a fechar o "top ten" estava o segundo Jordan de Heinz-Harald Frentzen e o Sauber de Kimi Raikkonen.

Com um dia de primavera à espera no domingo, a corrida começou com Ralf Schumacher a conseguir passar os McLaren e a ficar no comando no final da primeira volta. Coulthard era segundo, na frente de Hakkinen, Panis, Montoya e Barrichello, enquanto Michael Schumacher caiu para oitavo. Pouco depois, os Ferrari passaram o piloto da BAR, mas por esta altura, Ralf já estava bem na frente.

Na volta 20, Schumacher passava por destroços na pista e sofria um furo, atrasando-se e indo para as boxes para trocar. Mas as coisas ficaram tão más que quatro voltas depois, o alemão encostou de vez, ficando de fora, para desilusão dos fãs. 

Com os pilotos da frente a parar entre as voltas 27 e 30, os da frente voltarem sem grandes alterações, com Ralf na frente de Coulthard, enquanto Barrichello tentava sair na frente de Hakkinen para ganhar tempo. Montoya era o terceiro, mas na volta 47, a sua segunda paragem foi um desastre, primeirom quando deixou cair o motor, e depois, na relargada, queimou a embraiagem e acabou por desistir.


Na parte final da corrida, Ralf Schumacher começou a ter problemas quando recebeu um abiso da pressão de óleo. Abrandou o ritmo e viu Coulthard a aproximar-se, mas manteve o controlo suficiente para cruzar a meta como vencedor, com o escocês da McLaren no segundo posto e a empatar Schumacher no campeonato. Rubens Barrichello ficou com o lugar mais baixo do pódio, enquanto Mika Hakkinen, Jarno Trulli e Hein-Harald Frentzen ficaram com os restantes lugares pontuáveis.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

GP Memória - San Marino 2003

Duas semanas depois da atribulada corrida em Interlagos, as coisas foram complicadas no campo de saber quem era o verdadeiro vencedor do GP brasileiro, por causa da interrupção da prova no inicio da volta 56 e da ultrapassagem de Giancarlo Fisichella a Kimi Raikkonen. Depois de uma semana de visualização de imagens, chegou-se à conclusão que o piloto italiano tinha começado essa volta na frente quando a bandeira vermelha foi mostrada. 

Assim sendo, numa manifesta demonstração de "fair play", fez-se uma discreta cerimónia na pista de Imola, onde Raikkonen e Fisichella trocaram os troféus respectivos. Para a Jordan, iria ser a sua última vitória na sua história.

A Ferrari planeava estrear ali o seu Ferrari F2003-GA (as iniciais eram uma homenagem a Gianni Agnelli, morto em janeiro desse ano), mas problemas de fiabilidade fizeram com que adiassem essa estreia para Barcelona. Mas no meio disto tudo, havia angustia no seio da familia Schumacher. Elisabeth, a mãe de Michael e Ralf, estava gravemente doente e esperava-se que nao sobrevivesse ao fim de semana, o que causava grande angustia na familia.

Mesmo assim, foram suficientemente profissionais para no final da qualificação, Michael Schumacher conseguiu ser o melhor, seguido pelo seu irmão Ralf Schumacher, no seu Williams-BMW. Na segunda fila estavam Rubens Barrichello, no segundo Ferrari, seguido pelo segundo Williams-BMW de Juan Pablo Montoya. Mark Webber voltava a surpreender com o seu Jaguar-Cosworth, na frente do McLaren-Mercedes de Kimi Raikkonen, enquanto que Jacques Villeneuve largava de sétimo, na frente de Fernando Alonso, no seu Renault. E a fechar o "top ten" estavam o BAR-Honda de Jenson Button e o Toyota de Olivier Panis.

O dia da corrida começou mal, com a noticia da morte da mãe de Michael e Ralf, que acontecera a poucas horas da corrida. Ambos os irmãos conferenciaram e decidiram que iriam correr. Levaram mangas pretas e caso fossem ao pódio, não iriam espalhar champanhe, em sinal de luto. E mal acabassem as suas tarefas, voltariam a Colónia para o velório e subsequente funeral.

Na partida, Michael perdeu o primeiro posto para o seu irmão Ralf, mas pior ficou Webber, que também largou mal e caira para o 11º posto no final da primeira volta. Atrás, Coulthard tinha ganho quarto posições, de 11º para oitavo, e ia atrás do seu companheiro de equipa, Kimi Raikkonen.

Ralf manteve a liderança até por alturas dos reabastecimentos, na volta 15, quando perdeu para o seu irmão Michael. Raikkonen andou perto deles, e no final da volta 18, com o piloto da Ferrari nas boxes, foi ele a ficar com o comando até à volta 22, altura em que foi reabastecer. Schumacher manteve a liderança mesmo a tendo perdido no seu segundo reabastecimento para Rubens Barricehllo, na volta 50. A partir daqui, nas voltas finais, o finlandês tentou apanhar o alemão da Ferrari, mas nesse dia, ele não ia deixar que o apanhassem. 

No final, Schumacher aguentou os ataques de Raikkonen e festejou a sua primeira vitória do ano num dos quintais da Ferrari. Rubens Barrichello fechou o pódio, na frente de Ralf Schumacher. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o McLaren de David Coulthard, o Renault de Fernando Alonso, o segundo Williams de Juan Pablo Montoya e o BAR-Honda de Jenson Button.

Na geral, Raikkonen alargava a sua liderança para 32 pontos, contra os 19 de David Coulthard e os 18 de Michael Schumacher. Agora, rumavam para Barcelona, para dali a duas semanas acontecer o GP de Espanha.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Youtube Formula 1 Classic: Um testemunho de Imola 1994

Por estes dias, no Youtube, esta filmagem está a causar sensação. E a razão está bem à vista: são as filmagens de alguém que estava na tribuna principal em Imola, durante o GP de San Marino de 1994, um dos mais negros fins de semana da história da Formula 1. Thomas Gronvold, norueguês, tinha 21 anos quando foi a Itália com o seu pai Alf, para visitar a fábrica da Ferrari e claro, ver o Grande Prémio. Só captou filmagens de sábado e domingo, mas são mais do que suficientes para ter uma ideia desse fim de semana que ficou na mente de toda uma geração.

Numa entrevista ao site italiano "Passione a 300 a l'ora", Gronvold contou o que foi esse fim de semana:

"Eu tinha 21 anos, e eu viajei com meu pai Alf para assistir a corrida e apoiar a Ferrari. Infelizmente Jean Alesi não corria por causa de um acidente de testes em Mugello, algum tempo antes. No verão, voltei para a Itália, para um curso de condução de carros da Ferrari, chamado de "Pilota Ferrari".

Dirigimos de Ski, uma cidade ao sul de Oslo, na Noruega, até Riccione, onde ficamos por toda a semana. Tínhamos amigos por lá, e em San Marino, que nós fomos visitar durante esses dias, e por isso não participamos nos treinos de sexta-feira, onde Barrichello sofreu o seu acidente.

No sábado houve o acidente fatal de Ratzenberger: não tivemos nenhuma informação sobre a pista e descobrimos o que tinha acontecido apenas quando voltamos ao nosso alojamento. No domingo, fomos cedo na pista para tirar proveito do dia. Lembro-me que um dia antes estávamos sentados no mesmo lugar onde alguns espectadores ficaram feridos pelos destroços do acidente da partida entre o J.J. Lehto e o Pedro Lamy. Nós olhamos e dissemos que tivemos muita sorte de não estarmos sentados no mesmo lugar.

Durante a corrida, houve muito pouca informação, tanto sobre as condições de Senna, quando ao geral. Quando chegou a noite, ao nosso hotel, descobrimos a verdade. Pedimos como estava Senna e a resposta foi curta: 'morto'. Nós nos sentimos exaustos [fisica e mentalmente] e nem fomos jantar naquela noite.

Foi um fim de semana horrível: ao mesmo tempo, no entanto, eu sinto que fiz parte, ainda que pequena, de um evento histórico do qual nunca vou esquecer".

Gronvold recebeu muitas mensagens, uma das quais marcou-lhe na memória:

"Depois de publicar o vídeo eu recebi um email de um amigo da família Ratzenberger, que tem me perguntado sobre os eventos. Não há muitas imagens de Roland desse fim de semana. Nós nos sentamos no Skype e eu dei-lhes os que tinha na minha posse. A família dele realmente gostou do fato de que tinha novas imagens nunca antes vistas".

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A imagem do dia (II)

“Casa. Estou ansioso por voltar a treinar. Os médicos ainda não anunciaram uma data para o meu regresso, mas não existe qualquer problema, pois no inverno não é possível rodar. Vou aproveitar esta paragem para regressar à minha melhor forma, de modo a que esteja preparado para o primeiro teste da próxima época”.

Estas foram as declarações de Alex de Angelis, depois de voltar ontem à sua casa, em San Marino, dois dias depois de ter voado num avião-ambulância do Japão para o seu país natal, para recuperar do ferimentos que teve durante os treinos para o GP do Japão de MotoGP. Parece feliz e aliviado por estar em casa, e não só por estar junto dos seus, mas também pelo seu acidente não ter tido mais sequelas do que acabou por ter.

E de uma certa maneira, depois de tantas situações onde o pior aconteceu, é bom ver algo que acabou em bem. Ao menos isso!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Youtube Formula 1 Classic: GP de San Marino 1985


Há precisamente 30 anos, em Imola, a Formula 1 viu o que acontecia quando os depósitos de combustível eram demasiado pequenos para aquilo que os motores turbo consumiam. Incrédulos, os espectadores viam na televisão os seus ídolos pararem um pouco por todo o circuito, vitimas da falta de combustível e não sabiam quem iria vencer aquela corrida. Primeiro, o Lotus de Ayrton Senna, depois o Ferrari de Stefan Johansson, e no final, o McLaren de Alain Prost, que só teve combustível para alguns metros depois da meta, enquanto que atrás, o belga Thierry Boutsen tinha de empurrar o seu carro até à linha de meta para garantir o primeiro pódio da sua carreira.

E as coisas não se ficaram por ali: após o pódio, os comissários descobriram que o carro de Alain Prost estava demasiado leve - dois quilos mais leve do que os regulamentos deixavam - e assim, teve de entregar o troféu de vencedor a Elio de Angelis, que conseguia assim a sua segunda - e última vitória da sua carreira. No final, apesar de haver nove classificados, apenas cinco cruzaram a meta.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

GP Memória - San Marino 2005

Depois de três semanas de ausência, a Formula 1 chegava por fim à Europa, mais concretamente a Imola, palco do GP de San Marino. A grande novidade vinha da Red Bull, que não só substituiaum dos seus pilotos, o austriaco Christian Klien, por outro dos pilotos da "cantera" dos energéticos, o italiano Vitantoino Luizzi, como também anunciava que em 2006, iriam ter motores da Ferrari nos seus carros. 

Outra alteração na lista de inscritos era que na McLaren, era a vez de Alexander Wurz guiar o carro da marca no lugar do lesionado Juan Pablo Montoya.

Com o sistema combinado de tempos ainda em vigor - mas com as criticas a serem muitas e duras - Kimi Raikkonen foi o melhor com o seu McLaren, com Fernando Alonso logo a seu lado, no seu Renault. Jenson Button era o terceiro, no seu BAR-Honda, seguido pelo Williams de Mark Webber, enquanto que a terceira fila era ocupado pelo Toyota de Jarno Trulli e pelo segundo BAR de Takuma Sato. Alexander Wurz era o sétimo, no seu McLaren, seguido pelo Sauber de Felipe Massa, enquanto que a fechar o "top ten" estavam o outro Williams de Nick Heidfeld e o Ferrari de Rubens Barrichello.

Michael Schumacher era apenas o 14º na grelha, tendo atrás de si apenas os Red Bull, os Jordan e os Minardi. E pouco depois Felipe Massa teve de trocar de motor, obrigando-o a perder dez posições na grelha de partida, largando no 18º lugar.

A corrida começou com Raikkonen ma liderança, aguentando os ataques de Alonso. Mas isto foi sol de pouca dura, pois na nona volta, o seu carro parou devido a problemas de transmissão. Assim sendo, o espanhol da Renault herdou a liderança, enquanto que atrás, Schumacher tentava recuperar posições, apesar de durante vinte voltas, teve dificuldades em superar o Toyota de Jarno Trulli.

Apenas quando o italiano parou nas boxes é que Schumacher esteve livre para apanhar Alonso e perseguiu Button, conseguindo superar uma desvantagem de 20 segundos em treze voltas e passar o britânico da BAR. Na volta 50, Schumacher vai às boxes para reabastecer, e volta para a pista mesmo atrás de Alonso, e começa a tentava de o apanhar e superá-lo.

As doze voltas finais foram de cortar a respiração, quando Alonso começou a ser pressionado por Schumacher pela liderança, com a diferença a andar em menos de meio segundo entre os dois, numa batalha que fazia lembrar o duelo entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi, 23 anos antes. Contudo, apesar das pressões, Alonso aguentou e acabou por vencer pela segunda vez na temporada.

No lugar mais baixo do pódio estava Jenson Button, no seu BAR-Honda, mas pouco depois, os comissários de pista foram ver o seu carro e verificaram que estava abaixo do peso regulamentar. Os comissários decidiram desclassificar Button, mas a FIA foi mais longe e apelou ao tribunal, afirmando que os carros estavam ilegais e pretendiam bani-los do campeonato. No final, a equipa foi excluida durante duas corridas e os resultados de ambos os pilotos foram retirados, o que significava também que o quinto lugar de Takuma Sato também tinha sido apagado.

Assim sendo, Alexander Wurz foi o terceiro, seguido do Sauber de Jacques Villeneuve, do Toyota de Jarno Trulli, dos Williams de Nick Heidfeld e Mark Webber, e por fim o Red Bull de Vitantoino Luizzi. Ralf Schumacher tinha originalmente sido o sexto classificado, mas por cauda de uma manobra de bloqueio a Heidfeld quando saia das boxes, foi penalizado em 25 segundos e ficado fora dos pontos, no nono posto.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A foto do dia (IV)

Na semana em que Alain Prost faz 60 anos, mostro aqui o que, provavelmente, deve ser o momento mais baixo da sua carreira: a volta de aquecimento do GP de San Marino de 1991. Quando vi essa cena na televisão da minha casa, no alto dos meus 14 anos, não queria acreditar no que estava a ver. Sabia que Prost não era bom à chuva - que grande contraste em relação a Ayrton Senna - mas não pensava que fosse capaz de fazer uma humilhação daquelas. Humilhação por ser aquilo que era, humilhação por estar dentro de uma Ferrari, em terras italianas. Nem o pior dos pilotos que passaram pela Scuderia tinha feito uma coisa daquelas.

Alain Prost era um excelente piloto, mas como o Super-Homem tinha a kryptonite, o grande defeito do piloto francês era a chuva. E não se dava bem ao tudo: muitas vezes as suas incursões terminavam em batidas. Mas houve um que foi particularmente grave.

A coisa aconteceu no "warm up" do GP da Alemanha de 1982. O Ferrari de Didier Pironi fez o melhor tempo, mas naquela manhã estava a chover e num circuito com floresta à volta, a condensação do ar era pior do que o normal. O compatriota da Ferrari tentava ver no meio desse nevoeiro quando viu pela frente do Renault de Post, catapultando-o pelo ar, um acidente algo semelhante ao de Gilles Villeneuve, três meses antes. Pironi quebrou ambos os tornozelos e não só deitava fora a sua chance de título, como também terminava ali a sua carreira. Prost nada sofreu em termos físicos, mas aquilo foi um trauma que muitos o lembravam de vez em quando, especialmente quando tinha como arqui-rival um especialista na chuva.

Dois anos depois desta imagem, Prost estava na Williams conqustadora, do qual ainda não se sabia quando é que comemoraria o título. Mas depois da vitória em Kyalami, na jornada de abertura, as provas em Interlagos e Donington Park mostrarem essa vulnerabilidade. Na primeira corrida, perdeu o controle do seu carro quando uma súbita bátega de água o deixou a patinar em plena reta e a bater na Minardi de Christian Fittipaldi. Na segunda corrida, simplesmente foi superado por um Ayrton Senna "em dia sim" que numa só volta passou cinco carros e simplesmente se foi embora.

Mas o engraçado foi quando ele voltou a vencer. Foi em Imola, numa corrida que começou... à chuva. Era raro, mas o francês também sabia vencer nessas condições. Mas essa foi uma vitória pouco lembrada, especialmente depois de tantos deslizes...

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A foto do dia

Daquele maldito fim de semana de Imola, só tinha conhecimento de uma foto de Ayrton Senna e de Roland Ratzenberger juntos. Até hoje, quando encontrei no Twitter da Classic Formula 1 esta foto de ambos lado a lado, na reta da meta. 

Não sei se isto foi tirado na sexta ou no sábado, mas esta foto é incrível, por tudo o que aconteceu nesse fim de semana.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Uma grelha de partida por... 800 euros

A grelha de partida da corrida mais infame da história da Formula 1: o GP de San Marino de 1994. Todos os 25 carros que alinharam naquele domingo, de Ayrton Senna, no seu Williams, a Bertrand Gachot, no seu Pacific, incluindo o lugar vago pelo acidente mortal de Roland Ratzenbetger, um dia antes. E ainda têm os carros que não se qualificaram: o Pacific de Paul Belmondo e o Jordan de Rubens Barrichello., ferido pelo acidente de sexta-feira. E todos esses carros podem ser seus por... 800 euros.

É isso mesmo: há neste momento um leilão no eBay, na Alemanha, de um colecionador, que está a pedir esse preço pelas miniaturas dos 28 carros presentes nesse famigerado Grande Prémio, com mais alguns bonecos, segurando as placas identificativas dos pilotos. Os modelos dos carros são vários: Onyx, Minichamps e Göde são os mais representados.

Não percebo muito bem o alemão, mas acho que ainda vão bem a tempo para leiloar o lote inteiro. Nunca se sabe... Agradeço ao Bruno Mantovani pelo achado.

ATUALIZAÇÃO: o lote já foi vendido ao preço que estava anunciado: 799,99 euros. Espero que o comprador o trate como a reliquia histórica que representa esse dia na Formula 1. Na minha opinião, todo aquele lote deveria estar num museu.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

GP Memória - San Marino 1992

Com a quinta prova do campeonato à vista, toda a gente já tinha interiorizado que esta era o ano dos Williams-Renault, que tinham afinado o seu carro ao ponto de serem imbatíveis frente à concorrência, principalmente a McLaren e a Ferrari. Nigel Mansell tinha vencido todas as corridas até então e era o candidato único ao título mundial, tendo até igualado o recorde de quatro corridas seguidas alcançado por Ayrton Senna na temporada anterior. E parecia que esse recorde estava prestes a cair, pois Mansell era o primeiro favorito à vitória em Imola…

Sem alterações no paddock, todos se preparavam para o final de semana do Grande Prémio. A Andrea Moda fazia o seu melhor, mas nem Roberto Moreno, nem Perry McCarthy conseguiam a qualificação.

Após as duas sessões de qualificação, os Williams dominaram a seu bel-prazer no circuito italiano, com Nigel Mansell a ser melhor do que Riccardo Patrese, monopolizando a primeira linha da partida e a dar mais de um segundo de diferença para o resto da concorrência. Ayrton Senna e Gerhard Berger ficaram com a segunda fila, enquanto que a Benetton monopolizou a terceira, com Michael Schumacher na frente de Martin Brundle. O monopólio continuava na quarta fila, para a Ferrari, com Jean Alesi a ser melhor que Ivan Capelli, numa qualificação que certamente tinha desapontado os “tiffosi”. A fechar o “top ten” estava o Footwork de Michele Alboreto e o Ligier-Renault de Thierry Boutsen.

Dos quatro azarados que ficaram de fora da corrida do dia seguinte, o mais surpreendente era o Lotus de Mika Hakkinen, ainda por cima numa altura em que a equipa estreava o seu novo chassis, o 107. O Fondmetal de Andrea Chiesa e os Brabham de Eric van de Poele e de Damon Hill ficaram também de fora.

A largada foi atribulada. A primeira tentativa foi abortada momentos antes de a acontece quando Karl Wendlinger agitou os braços no seu March, porque o seu carro não pegava. Quem também não teve uma largada tranquila foi Stefano Modena, que teve de largar das boxes com o seu Jordan-Yamaha.

Da segunda vez, Nigel Mansell largou melhor que Riccardo Patrese e não mais foi incomodado até à meta, pois os dois pilotos controlaram os avanços de Ayrton Senna, o melhor do resto do pelotão, que primeiro aguentava os ataques de michael Schumacher até que este desistiu, vítima de uma falha na suspensão, na 20ª volta.

Após isto, Senna aguentou as investidas do seu companheiro de equipa, que por sua vez, aguentava os ataques de Jean Alesi. O duelo entre os dois durou até à volta 39, quando ambos bateram e acabaram na berma, fazendo com que Martin Brundle herdasse o quarto posto. No final, aproximou-se o suficiente para apanhar Senna, que se via com dificuldades físicas devido à dureza das suas suspensões contra o solo do circuito italiano.

No final, a Williams venceu a seu bel-prazer e Mansell conseguia a sua quinta vitória consecutiva, um novo recorde na Formula 1, com Patrese ao seu lado. Senna fora o terceiro, mas não estava em condições para subir ao pódio e receber o prémio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Brundle, o Footwork-Arrows de Alboreto e o Dallara-Ferrari de Pierluigi Martini. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

GP Memória - San Marino 1987


Três semanas depois da ronda inaugural do campeonato, no Brasil, a Formula 1 chegou à Europa, mais concretamente ao circuito italiano de Imola, para disputar o GP de San Marino. Durante esse tempo, o pelotão sofreu alterações, com a Ligier a ter, por fim os seus carros prontos para correr o Grande Prémio, com motores Megatron. Na March e Zakspeed, estavam por fim prontos os chassis para a temporada, enquanto que a Osella iria dar um segundo carro para um jovem italiano de 25 anos, de seu nome Gabriele Tarquini.

Para finalizar, uma nova equipa tinha por fim chegado à Formula 1, a Larrousse. Obra de um antigo piloto, Gerard Larrousse, e que tinha trabalhado durante muitos anos na Renault, tinha consigo alguns antigos funcionários da marca e tinha encomendado à Lola a construção de um chassis. O piloto seria o francês Philippe Alliot.

A qualificação foi atribulada: na sexta-feira, Nelson Piquet sofre um acidente grave na curva Tamburello, devido a um furo num dos seus pneus, onde o seu carro ficou danificado e o piloto sofreu uma concussão cerebral. Apesar dos apelos do piloto em sentido contrário, o Dr. Sid Watkins proibiu o piloto de participar no resto do fim de semana.

No final das duas sessões de qualificação, o melhor foi o Lotus de Ayrton Senna, seguido pelo Williams de Nigel Mansell. Alain Prost foi o terceiro, seguido pelo Benetton de Teo Fabi, enquanto que a terceira fila era uym monopólio da Ferrari, com Gerhard Berger na frente de Michele Alboreto. Riccardo Patrese era o sétimo no seu Brabham-BMW, seguido pelo segundo McLaren de Stefan Johansson. Para fechar os dez primeiros, a quinta fila da grelha era um monopólio da Arrows, com o americano Eddie Cheever a ficar na frente de Derek Warwick.

A partida foi atribulada: apesar de Senna ter mantido a liderança dos ataques de Mansell os organizadores mostraram a bandeira vermelha, pois o Zakspeed de Martin Brundle, o Arrows de Cheever e o Benetton de Boutsen ficaram parados na grelha, em posição perigosa. Para piorar as coisas, Arnoux tem um acidente e danifica a sua suspensão.

Na segunda largada – que seria benéfica para o Lotus de Satoru Nakajima, que largara das boxes – Senna manteve-se na frente, mas Mansell queria passar o brasileiro o mais rápido que podia. Conseguiu na saegunda volta, quando travavam para a Tosa, e a partir dali, começou a distanciar-se cada vez mais, a cada volta que passava. Na sexta volta foi a vez de Prost a passar Senna, e pouco depois, o brasileiro tentava conter os Ferrari de Berger e Alboreto, numa luta pela terceira posição que virou na volta 14 numa briga pelo segundo lugar, quando Prost desistiu, vítima de um problema elétrico.

Senna ficou um pouco mais aliviado quando Berger desistiu, na volta 16, vítima do seu Turbo, mas Alboreto passou-o na volta 17 e ficou com o segundo lugar. Cinco voltas depois, na volta 22, Mansell tinha problemas com os pneus e foi às boxes, com Alboreto a ficar na liderança. Algo que durou três voltas, pois Senna ficou com o comando na volta 25, ficando no comando até parar para trocar de pneus.

A partir daí, Mansell fica na liderança, com o Brabham de Patrese na segunda posição, e parecia que iria ser assim até a duas voltas do fim, quando o alternador do seu carro cedeu e encostou ao muro.

Senna, que tinha passado Alboreto, herdou o segundo lugar, mas Mansell estava inalcançável naquela tarde, e assim venceu a sua primeira corrida do ano, com o brasileiro da Lotus e o italiano da Ferrari a completarem o pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o McLaren de Stefan Johansson, o Zakspeed de Martin Brundle – que daria os únicos pontos da carreira à equipa – e o Lotus de Satoru Nakajima, o primeiro da sua carreira e de um piloto japonês na Formula 1.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

As corridas do passado: San Marino 1996

(...) "Na qualificação houve surpresa e euforia nas hostes do Cavalino. Michael Schumacher conseguiu o impossivel e fez a pole-position, a 215 centésimos de segundo de Damon Hill, o segundo. O canadiano Jacques Villeneuve, no segundo Williams, e o McLaren de David Coulthard, ficavam na segunda fila, na frente do Benetton de Jean Alesi e do segundo Ferrari de Eddie Irvine, respectivamente quinto e sexto na grelha. O segundo Benetton de Gerhard Berger era o sétimo, seguido pelo surpreendente Tyrrell-Yamaha de Mika Salo e a fechar o "top ten" estavam o Jordan-Peugeot de Rubens Barrichello e o Sauber-Ford de Heinz-Harald Frentzen.

Os resultados tinham deixado os "tiffosi" eufóricos, mas Jean Todt colocava água na fervura: 'Não posso prometer aos nossos fãs que iremos vencer amanhã', afirmou. 'Contudo, sei que agora temos uma boa chance de desafiar os nossos rivais mesmo que, a bem da segurança, não iremos usar a mais recente versão do nosso motor'"(...) .

Eis um extrato dos eventos do Grande Prémio de San Marino de 1996, que foram colocados esta tarde no ar no sitio Pódium GP. Uma semana depois da primeira vitória de Jacques Villeneuve na Formula 1, via-se que a Ferrari queria reagir e contestar o dominio que a Williams prometia desde o inicio da temporada. Se no final, Damon Hill acabou por vencer pela quarta vez naquele ano e a alargar a liderança para Michael Schumacher e Jacques Villeneuve, os eventos daquele fim de semana demonstram que a concorrência trabalhava para contestar a sua superioridade, e a pole-position de Schumacher comprovava-o.

Para ler o resto desta história, podem ir ao sitio do costume.

terça-feira, 3 de maio de 2011

As corridas do passado: Imola 1981


"Três semanas depois de Buenos Aires, a Formula 1 estava na Europa, para um velho palco, mas sob nova designação. Imola se tinha tornado no ano anterior o palco do GP de Itália, e a FISA na altura até achava bem em ter um segundo palco em terras italianas sob uma nova designação: o GP de San Marino. Feito isso, todas as equipas estavam lá para correr no circuito. Todas… menos a Lotus, que decidira não participar, em protesto contra a decisão de Jean-Marie Balestre de não autorizar o modelo 88 de chassis duplo.

Na Tyrrell havia mudanças. O argentino Ricardo Zunino tinha saido da equipa quando Ken Tyrrell foi abordado por um jovem e promissor italiano que corria na Formula 2 e tinha um chorudo patrocinio local. O seu nome era Michele Alboreto e Tyrrell, sempre à espreita de dinheiro para sobreviver, aceitou. Na ATS também havia mudanças, quando inscreveram um segundo carro para um sueco chamado Slim Borgudd. Ele tinha uma pecularidade: tinha sido musico e baterista na sua juventude, bem como amigo pessoal... dos ABBA. Era por isso que tinha o patrocínio da famosa banda sueca nos flancos do seu carro." (...)

É assim que começa o artigo no Pódium GP sobre o GP de San Marino de 1981, a primeira corrida nessa designação no autódromo de Imola. Depois de no ano anterior ter recebido o GP de itália, substituindo Monza, a Formula 1 contornava o problema de ter um segunda corrida em Itália, estando até mais perto de Maranello, sede da Scuderia do Cavalino Rampante. Aliás, a designação oficial deste circuito era Dino Ferrari (ganharia a sua atual designação em 1989, após a morte de Enzo Ferrari).

Aqui, apesar do dominio dos Ferrari, a vitória acabou por pertencer a Nelson Piquet, a sua segunda seguida, reforçando mais a sua candidatura ao título mundial, numa corrida que viu a estreia de Michele Alboreto, da Toleman e de um Slim Borgudd, musico sueco que virou piloto e nos tempos livres ajudava os ABBA a gravar algumas das suas canções mais célebres...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os Três Dias de Imola, para revisitar

Sabemos todos o que significam estes dias. Ainda por cima, este ano tem a particularidade de coincidir em termos de dias da semana com os eventos de 1994. Dezassete anos depois deste fatídico final de semana no circuito italiano de Imola, já escrevi muito sobre este dia, mas recordo particularmente um extenso trabalho que fiz em 2009 sobre esse final de semana e as suas consequências. Foi um trabalho que até gostei de fazer e está dividido em quatro partes com os eventos contados cronologicamente, mais um sobre os dias seguintes.


Para além disso, podem ver - ou rever - dois posts sobre alguns dos acidentes desse fim de semana, fotografados pelo Paul-Henri Cahier. Nestes dois posts podem ver o restou dos carros de Roland Ratzenberger, no sabado, e de Pedro Lamy, no domingo, minutos antes do acidente fatal de Ayrton Senna.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

GP Memória - San Marino 1991

Tinham passado cerca de cinco semanas desde a corrida de Interlagos quando a Formula 1 chegou a Imola, palco do GP da San Marino, terceira prova do ano. Algumas equipas como a Arrows, Benetton e Brabham tinham reservado a corrida italiana para mostrar as suas novas máquinas, e numa era em que os bicos estavam a ser levantados, cada uma destas equipas mostrava a sua versão, sendo que o Benetton B191, desenhado por John Barnard, era o mais interessante deles todos e provavelmente iria fazer com que todos seguissem a tendência.

No caso da Arrows, as dificuldades com o motor Porsche continuavam, e para piorar as coisas, Michele Alboreto tinha tido algumas semanas antes a um forte embate na curva Tamburello quando testava com o chassis novo. Felizmente, sobreviveu incólume.

Em termos de pilotos, havia uma alteração: o sueco Stefan Johansson decidiu ir embora da AGS e no seu lugar veio o italiano Fabrizio Barbazza, um estreante nestas lides, na mesma altura em que a marca decidiu pintar o seu carro de vermelho a azul em vez do branco que tinham antes. Mesmo com estas mudanças, o carro de Barbazza foi um dos que não conseguiu passar na qualificação, a par do seu companheiro Gabriele Tarquini e dos Footwork-Arrows de Alex Caffi e Michele Alboreto. Antes, na pré-qualificação, o Dallara de Emmanuele Pirro, o Lambo de Nicola Larini, o Coloni de Pedro Matos Chaves e o Fondmetal de Olivier Grouillard também tinham ficado pelo caminho.

Nos treinos, Ayrton Senna fez de novo a pole-position, mas a diferença para o segundo classificado, o Williams-Renault de Riccardo Patrese, tinha sido de uns meros 0,080 segundos. Uma qualificação mais apertada do que o normal para o piloto brasileiro. Alain Prost era o terceiro, tendo a seu lado o segundo Williams de Nigel Mansell. Na terceira fila estava Gerhard Berger, no segundo McLaren, com Stefano Modena no sexto posto, no seu Tyrrell. A quarta fila tinha o segundo Ferrari de Jean Alesi na frente do primeiro Minardi-Ferrari de Gianni Morbidelli. Pierluigi Martini, no segundo Minardi, e Satoru Nakajima, no segundo Tyrrell, fechavam o "top ten".

O dia da corrida anunciava chuvoso, e assim aconteceu meia hora antes da corrida, com uma chuvada algo forte que ameaçava "acquaplanning" em algumas zonas. Assim sendo, os pilotos começaram a fazer a volta de aquecimento o mais cuidadosamente possivel. Mas quando os carros passavam pela Rivazza, deu-se o desastre: alain Prost perde o controlo do seu carro e vai para a berma, perante os atónitos "tiffosi". Gerhard Berger também comete o mesmo erro, mas continua em frente e consegue manter o motor a trabalhar. Já Prost não tinha essa sorte, pois fizera um pião e deixou o motor calar-se. A sua corrida terminava ainda antes de começar.

Na partida, Senna larga mal e é superado por Patrese, com Modena a saltar para o terceiro posto, aproveitando o buraco deixado antes por Prost. Mas mais atrás, o seu companheiro Mansell tinha problemas devido à caixa de velocidades. Afundara-se no pelotão e para piorar as coisas, sofreu um toque do Brabham de Martin Brundle, que causou um pião na entrada da reta da meta, ficando por ali. Na segunda volta, o Benetton de Nelson Piquet fica pelo caminho na travagem para a Tosa, e depois é a vez de Alesi, que se despista no mesmo local que Piquet quando passava Stefano Modena, na luta pelo terceiro posto.

Nas voltas seguintes, a chuva para e o asfalto começa a secar, fazendo com que Senna se aproximasse de Patrese, mas isso não se devia à melhor performance do brasileiro: o motor Renault estava a falhar, e na nona volta, o italiano vai às boxes. Ainda regressa à corrida, mas pouco mais podia fazer. Em menos de dez voltas, a McLaren via grande parte da concorrência a ser eliminada, e o terceiro era... Modena, no seu Tyrrell.

Por essa altura, o asfalto secava e os pilotos trocavam para pneus slicks. Os Tyrrell andavam atrás dos McLaren, mas em poucas voltas, Nakajima e Modena desistiam com problemas de transmissão nos seus carros, e aos poucos, o pelotão ficava assustadoramente pequeno. O Benetton de Roberto Moreno herdou o terceiro posto e lá permaneceu durante boa parte da corrida, com o Dallara do finlandês J.J. Letho atrás de si. Mas na volta 55, o motor de Moreno falha e perde o terceiro posto a favor do finlandês.

Mas iria haver mais drama no final. O Lambo-Lamborghini do belga Eric Van de Poele conseguira sobreviver à hecatombe e ia a caminho de dar os primeiros pontos à novata equipa quando a sua bomba de combustivel avaria a meio da última volta. Van de Poele era quinto e acabou a corrida na nona posição.

Assim sendo, Senna era o vencedor, acompanhado no pódio por Gerhard Berger e J.J. Letho, no seu primeiro (e unico pódio) da sua carreira. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Minardi de Pierluigi Martini e os Lotus de Mika Hakkinen e Julian Bailey, que tinha largado para a corrida... na última fila da grelha de partida. Seria a unica vez que pontuariam naquele ano e para ambos os pilotos, eram os seus primeiros pontos da sua carreira.

Fontes:

quarta-feira, 27 de abril de 2011

GP Memória - San Marino 1986

Duas semanas depois de Jerez de la Frontera e do final emocionante entre Nigel Mansell e Ayrton Senna, onde o piloto da Lotus levou a melhor por treze centésimos de segundo, máquinas e pilotos estavam em Imola, palco do GP de San Marino, a terceira prova da temporada de 1986. A grande novidade no pelotão era que a alemã Zakspeed tinha agora um segundo carro para o holandês Huub Rothengarter, enquanto que na Lola-Haas, eles tinham agora o motor Ford Turbo, que iria substituir os Hart Turbo. Nessa corrida, o australiano Alan Jones iria ficar com esse motor.

No final da qualificação, o Lotus de Ayrton Senna levara a melhor, fazendo a segunda pole-position da temporada. A seu lado tinha Nelson Piquet, numa primeira fila totalmente brasileira pela terceira vez consecutiva. Nigel Mansell, no segundo Williams, e Alain Prost, no seu McLaren, ficavam com a segunda linha. Michele Alboreto era o melhor dos Ferrari, na quinta posição, com o finlandês Keke Rosberg no sexto posto. Stefan Johansson, no segundo Ferrari, era o sétimo, seguido pelo Ligier de René Arnoux e para fechar o "top ten" estavam os Benetton de Gerhard Berger e Teo Fabi.

Num dia de corrida algo nublado, mas sem chuva, Senna parte melhor do que Piquet, mas este já tinha superado o piloto da Lotus antes da curva Villeneuve. Depois de Senna vinham os dois McLaren, com Prost na frente de Rosberg, Mansell e Alboreto. Nas voltas seguintes, Piquet tentava afastar-se de Senna, enquanto que este segurava os McLaren. Mas poucas voltas depois, os McLaren superavam-no na zona da curva Tosa: Prost na travagem, Rosberg na aceleração. Na volta 11, a roda traseira direita deitava fumo devido a uma quebra no arco e o brasileiro teve de abandonar, fazendo companhia a Mansell, cujo motor Honda tinha explodido antes, na volta oito.

Entretanto, Rosberg tinha passado Prost na luta pela segunda posição e quando Piquet foi às boxes, o finlandês herdou a liderança, com Prost atrás, sem possibilidades de o ultrapassar. Assim sendo, foi para as boxes no sentido de trocar os pneus e esperar que o seu companheiro de equipa também parasse. Atrás, Alboreto era terceiro e parecia que ia a caminho de um bom resultado, mas a cerca de cinco voltas do final, o seu Turbo o deixou mal.

E foi por essa altura que a corrida se transformou num filme de suspense digno de Alfred Hitchcock. Tal como acontecera no ano anterior, o consumo de combustivel era muito importante, como as últimas duas voltas iriam provar. Rosberg, que quase nunca se preocupava com os consumos, para na última volta depois da curva Tosa, vitima da falta de combustivel no seu carro, perdendo o segundo lugar para Piquet. Logo depois, na Rivazza, o Brabham de Riccardo Patrese, que tinha subido ao terceiro posto, ficara também sem combustivel. E mesmo Prost ficou com problemas, quando começou a passar lentamente pela Variante Bassa. Felizmente, encontrou combustivel suficiente para cruzar a meta e vencer a corrida.

Atrás de si tinha ficado Nelson Piquet e o Benetton de Gerhard Berger, que completaram o pódio. E para o austriaco e a Benetton, a celebração era dupla, pois era o primeiro pódio de sempre. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Ferrari de Stefan Johansson, o McLaren de Keke Rosberg, que mesmo parado, pontuou no quinto posto, o mesmo acontecendo com o Brabham de Riccardo Patrese, que ficou com o último ponto em disputa.

Fontes:

quinta-feira, 13 de maio de 2010

GP Memória - San Marino 1990

Passaram-se sete semanas desde o GP do Brasil, um periodo demasiado longo para os padrões actuais, mas mais do que suficiente para que acontecessem algumas alterações no pelotão da Formula 1. David Brabham, filho do fundador Jack Brabham, comprou um lugar na equipa que outrora foi do seu pai e estreou-se na categoria máxima do automobilismo. O piloto que o substituiu, o suiço Gregor Foitek, tinha ido para a Onyx no sentido de substituir o sueco Stefan Johansson, insatisfeito com o rendimento de uma Onyx em processo de degradação lenta. A Onyx que teria um novo proprietário, também um suiço: Peter Monteverdi.

Outra substituição aconteceu na estreante Life. Sabendo que as suas hipóteses eram menos do que zero, Geoff Brabham saiu da equipa, subsatituido pelo veterano Bruno Giacomelli, que nove anos depois da sua última corrida, estava de volta à competição. E na Dallara, Emmanuele Pirro esta por fim curado e podia voltar à competição, depois de ter sido substituido pelo seu compatriota Gianni Morbidelli nas duas primeiras corridas.

Mas não era só no alinhamento dos pilotos é que havia alterações. Imola era normalmente o lugar onde as equipas apresentavam as suas novas montadas. A Benetton aproveitou para mostrar o seu novo chassis, o B190, e a Tyrrell apresentou o modelo 019, um carro que iria mudar a maneira como os veriamos dali para a frente, pois a criação de Harvey Postlethwaite tinha uma frente levantada, no senido de aproveitar melhor o efeito-solo. O impacto tinha sido grande, e os restantes projectistas começaram a olher para ele com outros olhos.

Os treinos começaram com a pré-qualificação onde, como começava a ser habitual, o Life fazia o tempo de... 7.16,212. Em suma, só deu uma volta, antes de ficar parado na pista. Mas não ficou em último porque... os AGS de Gabriele Tarquini e Yannick Dalmas não marcaram tempo, porque ficaram retidos nas boxes devido aos vários problemas mecânicos que lhes afligiram na altura. Os quatro que passaram foram os Larrousse-Lamborghini de Eric Bernard e Aguri Suzuki, seguidos pelo Osella-Cosworth de Olivier Grouillard e o Eurobrun-Judd de Roberto Moreno.

As qualificações ficaram marcados por um forte acidente na curva Acque Minerale, quando o Minardi de Pierluigi Martini ficou partido ao meio e o piloto italiano ficou com o tornozelo fraturado. Por causa disso ficou de fora no resto do fim de semana. No final, o melhor foi o McLaren-Honda de Ayrton Senna, seguido pelo seu companheiro Gerhard Berger. Na segunda fila, o Williams-Renault de Riccardo Patrese foi melhor do que o seu comapnheiro, o belga Thierry Boutsen. A terceira fila era também uma parelha, mas da Ferrari, com Nigel Mansell a superar Alain Prost, e na quarta fila, Jean Alesi superava, com o seu Tyrrell, o Benetton de Nelson Piquet. Para fechar o top ten ficavam o Benetton de Alessandro Nannini e o Minardi de Pierluigi Martini, que tinha marcado o seu tempo na sexta-feira, antes do acidente. O 11º era o Lotus de Derek Warwick, à frente do seu companheiro, Martin Donnelly.

Os quatro que ficaram de fora não foram aqueles que passaram na pré-qualificação. Foram o estreante David Brabham, os Arrows de Michele Alboreto e Alex Caffi e o Minardi de Paolo Barilla.

No dia da corrida, o Dallara de Pirro iria começar das boxes devido a problemas com a ignição. E na partida, Os McLaren seguraram a liderança, com Berger na frente de Senna. Contudo, o austriaco falha uma marcha e é superado pelo brasileiro. No meio do pelotão há confusão, quando o March de Ivan Capelli se envolve num acidente com o Tyrrell de Satoru Nakajima, fazendo com que ambos acabassem no muro e ainda envolvendo o Eurobrun de Roberto Moreno.

Na terceira volta, Senna despista-se devido a problemas numa roda, e o lider era agora o Williams de Boutsen, pois tinha passado Berger quando este teve o problema com a caixa de velocidades. As coisas ficaram assim até à volta 17, altura em que o motor Renault do seu carro explodiu e teve de abandonar. Berger herdou o comando, mas atrás dele tinha o outro Williams de Riccardo Patrese, que ameaçava o seu comando. Pouco depois, era ultrapassado por ele, e logo a seguir era ameaçado pelo Ferrari de Mansell.

Começou aqui uma lute pelo segundo posto, com Berger a fechar a porta sempre que o britânico tinha uma chance. Uma delas fora na Curva Villeneuve, onde ele tentou passá-lo por fora. Só que esta era uma zona suja e ele fez um pião a alta velocidade, mas manteve o motor a funcionar e prosseguiu, mas pouco depois, na volta 38 o seu motor explodiu, devido à sujidade que entrara nos radiadores.

Patrese continuava na frente, mas Berger continuava a ser pressionado pelo Benetton de Nannini e o Ferrari de Prost, e assim foi até á meta, onde pela primeira vez em sete anos e meio, e após 98 corridas disputadas, o piloto italiano subia ao lugar mais alto do pódio, com Berger e Nannini a acompanhá-lo. Alain Prost, Nelson Piquet e Jean Alesi fechavam os lugares pontuáveis.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/1990_San_Marino_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr487.html