quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Recordando Jean Behra

Se estivesse vivo, estaria a fazer agora 90 anos. Era baixo, moreno e de temperamento rude. Combativo na pista, tinha os seus dias de génio e de louco. Era assim Jean Behra.

Já fiz uma biografia dele, em 2008. Teve de esperar pelo final da II Guerra Mundial para começar a correr e andou pelas motos antes de experimentar os automóveis. Na Formula 1 correu pela Gordini, Maserati, BRM e Ferrari. Teve até um bom começo, subindo ao pódio no GP da Suiça de 1952, mas oficialmente só teve mais oito pódios, nunca ganhando qualquer corrida.

Na altura em que a fiz, desconhecia a existência de uma fotografia que me impressionou bastante. Vi pela primeira vez no sitio do Daniel Médici, o sempre exclente Cadernos do Automobilismo. Deveria ser de fins de 1957, inicios de 1958, e mostra uma foto dele com todas as suas cicatrizes. E eram imensas. A lista ia em 22 cicatrizes, todas em ocasiões diferentes entre 1952 e 57. Carrera Panamericana, Tourist Trophy, Mille Miglia, GP de Caracas... corridas de Sport e de longa distância do qual escapou uma e outra vez da morte, mas penou para recuperar a sua forma e entrar de novo dentro de um carro.

Uma ironia que Behra detêm é que sendo um piloto regular, nunca ganhou. Sendo um dos poucos franceses competitivos, fica-se espantado por saber que tenha sido Maurice Trintignant, mais velho do que ele, sido o primeiro vencedor francês. E no Mónaco, ainda por cima. Não sei se foi essa frustração, entre outros, que levou a que se zangasse fortemente com Romolo Tavoni, o diretor desportivo da Ferrari, após a sua desistência do GP de França. Sabendo-se que Ferrari pressionava toda a gente até ao limite, quer a pilotos, quer a engenheiros e demais pessoal, de uma certa maneira, perdeu a paciência e socou-o. Como socar Tavoni foi o mesmo que socar Enzo Ferrari, foi sumariamente despedido.

Claro, não ficou parado. Decidiu até criar a sua própria equipa, o seu próprio chassis. Graças à sua amizade com Valerio Colotti, fez um chassis e colocou um motor Porsche. A sua primeira corrida deveria ser no ultra-veloz circuito de Avus, que naquele ano iria receber o GP da Alemanha. Contudo, Behra nunca o experimentou nessa corrida: participando numa prova de Sport, perdeu o controle do seu carro numa das curvas e ali, a sua sorte acabou no momento em que bateu a cabeça num poste.

No seu funeral, em Marselha, Maurice Trintignant fez um apelo aos jovens franceses para que "defendessem as cores francesas no automobilismo internacional". Vinte anos depois, esses jovens franceses tinham ouvido o apelo e estavam em peso nas grelhas de partida um pouco por todas as categorias de automobilismo.

Noticias: Armindo Araujo no Mini WRC

Está confirmado! Esta manhã o piloto português Armindo Araujo conseguiu os apoios necessários para fazer a temporada de 2010 ao serviço de uma equipa satélite da Mini, que será asistida pela Prodrive, que está de regresso aos ralis após algum tempo de ausência.

"Após alguns meses de intenso trabalho consegui assegurar a minha entrada no WRC e isso é, sem dúvida, a realização de um sonho. Este novo projeto não é apenas meu, mas sim de todos aqueles que acreditaram ser possível dar este salto e que, durante meses a fio, me motivaram e apoiaram no sentido de por de pé um projecto desta envergadura. Nesse sentido quero agradecer desde já à TMN, Galp, Lusitania e MCA que continuarão a ser meus parceiros e também à Mini Portugal que se juntará a esta grande equipa", começou por afirmar o bicampeão mundial na categoria de Produção, num comunicado à imprensa.

Para esta nova aventura, a Mini, que regressa quase meio século depois ao Campeonato do Mundo de Ralis, através da Prodrive, teve um papel muito importante. "É uma grande honra poder entrar no WRC com uma marca com tanta história nos ralis como é o caso da Mini. Vou integrar a equipa satélite da formação oficial, que terá as mesmas condições de trabalho, e me dá todas as garantias para evoluir e que contará comigo para desenvolver um carro que acredito vir a ser ganhador. Durante este ano não vamos já pensar em lutar pelas vitórias antes sim criar uma linha de progressão que nos levará a isso no futuro. Neste momento penso sobretudo em prestigiar o nome do nosso país e as cores dos meus parceiros e a marca com que vou trabalhar daqui em diante. Este é sem dúvida o mais ambicioso projeto desportivo da minha carreira e penso que também o primeiro a este nível em Portugal", concluiu Armindo Araújo, que continuará a fazer dupla com o seu navegador, Miguel Ramalho.

Em principio, a estreia de Armindo no Mundial do WRC será no final de março, no Rali de Portugal. Assim sendo, para além dos pilotos oficiais, o espanhol Dani Sordo e o britânico Chris Meeke, a Prodrive irá apoiar Armindo e o brasileiro Daniel Oliveira.

O ano em que a Lamborghini teve a sua equipa de Formula 1

(...) "Esse fabricante de supercarros, fundada em 1963 por Ferruchio Lamborghini, que tinha feito fortuna com máquinas agrícolas e que decidiu construir carros porque certo dia discutiu e zangou-se com o construtor do seu carro do dia-a-dia, um tal de… Enzo Ferrari, dedicou-se a construir máquinas bonitas e potentes, dando nomes de touros como o Miura, por exemplo. Contudo, Lamborghini disse aos seus engenheiros que nunca se iria meter em competições, pelo menos enquanto mandasse na fábrica. Contudo, Lamborghini vendeu a marca nos anos 70, com a primeira crise petrolífera, e esta andou de mão em mão, até cair nas mãos do grupo Chrysler em 1987. A partir dali, o seu novo dono, o americano Lee Iacocca, queria que a marca estivesse na Formula 1.

Assim, contratou um ex-funcionário da Ferrari, Daniele Audetto, para que construísse um departamento para construir o seu programa na categoria máxima do automobilismo. Com um orçamento anual de cinco milhões de dólares, a seu cargo, este contratou Mauro Forgheri, o homem que durante mais de vinte anos cuidou da Ferrari e que a abandonara no final de 1985, para ajudar nesta investida. E ambos tinham a cargo a construção de um motor V12 de 3.5 litros, com o objetivo de correr na temporada 1989, a primeira sem os motores Turbo." (...)

Confesso que começo a gostar cada vaz mais da Lamborghini. Dos seus modelos, motores e agora da sua história na Formula 1, que teve uma pequena duração entre 1989 e 1993, com um motor V12, desenhado por Mauro Forgheri, que parecia ser potente, mas na realidade não foi tanto assim. Não obteve grandes resultados (um pódio e pouco mais) e andou por equipas como Larrousse, Lotus e Minardi. Mas durante uma temporada, em 1991, Forgheri e mais alguns elementos de Modena resolveram criar, oficiosamente, um chassis e correr por eles mesmos. Chamaram-na de "Modena" e foram para a pista com o italiano Nicola Larini e o belga Eric van de Poele como pilotos, mas os resultados não chegaram a ser tão bons como julgavam. A história da Modena e do envolvimento da Lamborghini na categoria máxima do automobilismo está no site Pódium GP.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Youtube Car Chase Classic: Gone in 60 Segundos, 1974



Não, não me enganei. Não estou a falar do filme de 2000, mas sim um que aconteceu vinte e seis anos antes, em 1974. E o filme algo obscurecido hoje em dia, mas tem uma particularidade: tem uma das cenas mais compridas de sempre, e a maior quantidade de carros destruidos da história do cinema. A maior até ao Blues Brothers, seis anos depois.

O filme é basicamente a aventura de um senhor chamado Henry Blight Halicki, que era um apaixonado por automóveis. Era duplo e um dos maiores colecionadores de automóveis da Califórnia, e basicamente a história de um vendedor de seguros, ladrão de automóveis nas horas vagas, que tem de cumprir uma proposta feita por um barão de droga sul-americano: roubar 48 carros em 48 horas. E claro, o herói da história tem uma perferência por um Ford Mustang Mach 1 de 1973, de seu nome "Eleanor".

O filme é um longo improviso: não havia guião, havia diálogos, sim, mas não um guião como conhecemos. Os editores andavam atarantados para saber que partes é que deveriam cortar ou não, mas Halicki dizia o que queria. E era ele a fazer as suas próprias acrobacias, tanto mais que na cena final, as lesões... são reais. E alguns dos acidentes são reais, bem como as pessoas que se vêm no passeio, pois julgavam que estavam a ver uma perseguição real! Em suma: o filme é quase um documentário com algumas pitadas de drama...

O filme custou 150 mil dólares para o fazer, e algumas das personagens são conhecidas do mundo do automobilismo americano, como Parnelli Jones e Gary Bettenhausen. Estreou-se em Junho de 1974 nas salas de cinema americanas e rendeu 40 milhões de dólares em receitas. Para improviso com algumas cenas realistas, deu um lucro enorme!

Halicki tentou treze anos depois fazer um segundo filme da série, fazendo os mesmos truques do primeiro. Contudo, a 20 de Agosto de 1989, quando filmava uma das primeiras cenas, um tanque de agua caiu em cima de um dos carros que Halicki conduzia, matando-o. A sua mulher Denise ficou com a história e depois vendeu os direitos a Jerry Bruckheimer, que fez o remake em 2000, com os resultados já conecidos.

Aqui, coloco somente a primeira parte. coloco aqui os links para a parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5. Vão buscar as pipocas ou a cerveja, e não planeiem nada, porque isto é mesmo longo!

Sede de revolta no Bahrein, e o futuro imediato do Grande Prémio

As coisas no Bahrain estão a aquecer a cada hora que passa. Desde segunda-feira que já morreram duas pessoas nos confrontos com a policia e o xeique local já foi à televisão apelar à calma e prometer mais reformas dentro em breve. Contudo, as manifestações alastram-se e a policia de choque anda a reprimi-las com alguma violência. A mesma receita que fizeram na Tunisia e no Egito, com as consequências que todos conhecemos...

Caso os eventos se arrastem durante mais algum tempo, isso afetará inevitavelmente o automobilismo. O Bahrain será a prova inicial do campeonato de 2011 e essa acontecerá dentro de um mês, mas antes, ela tem marcada a última sessão de testes oficial. E terá também uma ronda dupla da GP2 Asia Series, e pelo que os pilotos e algumas equipas dizem, já estão a receber avisos das embaixadas para terem cautelas sobre a situação do momento e sobre a circulação das pessoas e bens na pequena ilha do Golfo Pérsico.

Certamente que muitos estão preocupados se existirá Grande Prémio. Até Bernie Ecclestone já se mostra nervoso com o que se passa por lá e o possível arrastamento da situação. Passar a corrida para outra altura do ano ou simplesmente cancelar o Grande Prémio são duas hipóteses que estão em cima da mesa, bem como arranjar um novo local para a sessão final de testes da pré-temporada. Caso adie, a Formula 1 começaria a 27 de Março, em paragens australianas, e eventualmente o Bahrein se juntaria ao Abu Dhabi como uma dupla jornada final no Golfo Pérsico, em Novembro. Claro, pensar que como estarão as coisas no Médio Oriente, nesta altura do campeonato, é um exercício de adivinhação...

Felix da Costa: "A Status Grand Prix dá-me garantias"

Depois de se saber ontem à tarde que Antonio Felix da Costa correrá em 2011 na GP3 na irlandesa Status Grand Prix, equipa que é detida por um consórcio envolvendo o ex-piloto de Formula 1 Dave Kennedy e o filho do fundador da Theodore, Teddy Yip Jr., o piloto de Cascais referiu à imprensa a oportunidade concedida para fazer a sua primeira temporada completa na GP3, depois de uma experiência de quatro corridas em 2010 pela Carlin:

"Estou muito satisfeito com o modo como as coisas estão a evoluir e muito motivado para disputar, palmo a palmo, cada um dos pódios de todas as corridas e lutar pelo título do Campeonato GP3. Estou muito confiante na minha escolha em integrar a Status Grand Prix porque esta equipa dá-me garantias de enorme profissionalismo e dedicação, bem como excelentes recursos em todos os níveis. Em Novembro vou estar novamente presente no GP de Macau de Fórmula 3, mas agora bem preparado para lutar pela vitória.", referiu.

Já Teddy Yip, o diretor desportivo da equipa, só tem elogios quando refere o "Formiga": "O António é um jovem piloto com muito talento, sabendo combinar, de forma impressionante, uma maturidade e velocidade em pista que o tornam, desde logo, num forte candidato ao título" começou por afirmar Teddy Yip. "Estamos muito satisfeitos de podermos contar com ele na nossa equipa", concluiu.

Já Tiago Monteiro, piloto do WTCC, co-proprietário da equipa Ocean na GP2 e 'padrinho' de Felix da Costa na sua carreira, confia que ele fará um bom ano na GP3, no sentido de continuar a sua ascensão a caminho da Formula 1:

"Sei que a margem de erro é mínima na gestão da carreira de pilotos que querem ascender à Formula 1. Por diferentes razões, a decisão acertada, em conjunto com SoWhat [firma de management que cuida da carreira de Felix da Costa], empresa responsável pela coordenação da carreira do António, foi de fazê-lo participar na GP3 Series com o Team Status GP. Manter o António na linha de frente e dar-lhe todas as condições para que seja notado na Formula 1 é agora o mais importante. O António deixou uma forte e positiva impressão nos testes de Formula 1 reservados aos Rookie, realizados no ano passado em Abu Dhabi, e deve continuar a fazer a diferença em 2011! Estou certo de que este será um grande ano!", afirmou.

A temporada de 2011 da GP3 Series arranca em Istambul a 7 e 8 de Maio, seguindo-se Barcelona (21/22 Maio), Valência (25/26 Junho), Silverstone (9/10 Julho), Nurburgring (23/24 Julho), Budapeste (30/31 Julho), Spa Francorchamps (28/29 Agosto) e Monza (10/11 Setembro).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana coloca na capa em grande plano o carro do vencedor do primeiro rali de 2011, o finlandês Mikko Hirvonen, no seu Ford Fiesta WRC. No rali da Suécia, "A Frieza de Hirvonen gelou a concorrência", é o titulo escolhido. Sob um antetítulo onde refere que o "Rali da Suécia decidido nas últimas especiais", outras referências sobre o evento falam da "Boa surpresa de Mads Ostberg", os "Três Fiesta no pódio" que, claro fizeram com que a "Citroen foi a grande derrotada".

Acima, temos as referências sobre Formula 1, nomeadamente que o "Michael Schumacher regressa à boa forma nos testes de Jerez" e uma referência à NASCAR que no próximo fim de semana "A época de 2011 vai começar com as clássicas 500 Milhas de Daytona".

Uma referência à Moto GP, onde pela primeira vez em muitos anos haverá um português a correr na categoria mais baixa, a 125cc. Miguel Oliveira, com quinze anos de idade, mostrou serviço nos primeiros testes da época ao fazer o quarto melhor tempo. "Miguel Oliveira entre os mais rápidos" é o título escolhido.

Noticias: Antonio Felix da Costa confirmado na GP3

O português Antonio Felix da Costa irá correr a temporada de 2011 na GP3 e no Open Europeu de Formula 3, o que implicará passagens por Portimão e Macau. O anuncio foi feito esta tarde.

O piloto de Cascais, agora com 19 anos, correrá na irlandesa Status Grand Prix, que foi vice-campeã em 2010, ao lado do britânico Alexander Sims e de mais um piloto que será anunciado dentro em breve. No ano passado, a equipa correu com os canadianos Daniel Morad e Robert Wickens, bem como o russo Ivan Lukasevich e o melhor classificado foi Wickens, com três vitórias e o segundo lugar na classificação geral, apenas batido pelo mexicano Esteban Gutierrez.

Ainda não se sabe em que equipa irá correr no Open de Formula 3, uma nova competição que irá englobar as provas mais importantes da categoria, mas certamente irá ter um programa um pouco mais alargado do que as meras oito rondas duplas do campeonato da GP3, que seguirão todos os circuitos europeus da Formula 1, exceto o Mónaco.

Uma carta a Ronnie Peterson

Hej, Ronnie!

Escrevo isto porque se estivesses por aqui, terias agora 67 anos. Não te consigo ver-te como serias agora. Talvez um velho loiro, de cabelos longos e barba, talvez a gozar a reforma no sul da Europa com a tua Barbro e com os teus netos. Só não sei se seria de forma tranquila, ou então atrás de uma preparadora qualquer, a modificar Volvos C30 para o STCC ou um WTCC qualquer, guiado por algum filho teu, enquanto que tu matarias saudade das corridas, pilotando os teus Lotus num final de semana em Goodwood... mas isso são só os meus pensamentos.

Nunca te vi correr ao vivo. Tinha dois anos quando o James Hunt te atirou sem querer de frente para os rails de proteção em Monza, no qual tu atingiste mesmo em cheio. Andavas com o carro antigo, pois o novo tinhas estragado no "warm up" e não estava pronto a tempo de tu usares na corrida. Depois, o Hunt culpou o Patrese pelo sucedido e levou a sua avante, e a reputação dele ficou manchada por anos a fio. Lá se deram bem no final, e ele ficou o tempo suficiente para ter a sua reputação clarificada.

E a ironia é que em Monza sempre foste feliz. Ganhaste três corridas por lá, uma delas com um March que tiveste de arranjar à pressa quando te fartaste de estar na Lotus. Compreendo a tua fúria: querias vencer, querias correr num bom carro. Sentias que poderia ser campeão do mundo, e provaste isso vezes sem conta. Não és o piloto que ganhou mais vezes com o Lotus 72 - venceste sete corridas, menos dois que Emerson Fittipaldi - mas conseguiste fazer com que as pessoas mais se identificassem com esse carro do que o brasileiro. O teu estilo de condução pode ter-te contribuído para isso, não é?

Tu tinhas gasolina nas veias. Herdaste do teu pai, que apesar de ser padeiro, estou engenharia e teve de largar o curso porque o seu pai - teu avô - acabou por morrer e tinha de haver alguém para cuidar do negócio na tua Örebro natal. Mas o bichinho nunca morreu, afinal de contas construiu alguns bólidos de 500cc para competir, no final da II Guerra e competir localmente. Anos depois, ele construiu-te o teu Svebo de Formula 3, baseado num Brabham, e deste nas vistas no campeonato local.

Achei um piadão quando soube que a tua primeira corrida internacional foi no meu pais, em Vila Real. Um circuito desafiante, no meio da cidade. O nosso Mónaco, se perferires. Li maravilhado a tua aventura e de como levavam um enorme bidão de gasolina e tinham como mantimento os pãezinhos da tua padaria. E que quando chegaram à Alemanha descobriram que esse bidão tinha uma fuga... Era mesmo uma aventura, atravessar a Europa toda, de uma ponta a outra, naqueles anos 60.

Voltando um pouco atrás, gostaria que tivesses tido um pouco mais de paciência com o Colin Chapman. E conhecesses melhor a maneira como funcionavam os teus carros e que fosses menos ingénuo. Quando ouvi a história que tinhas arranjado um grande patrocínio, que em troca só te deu um cortador de relva, confesso que ri bastante, entre o espantado e o incrédulo. Se tivesses tido um pouco mais de paciência a aguentasses mais um bocadinho a tempestade, terias aproveitado melhor os modelos que ele desenhou e que ajudaram a abrir um novo capitulo na Formula 1. Quem sabe, tu em 1978 terias sido o primeiro piloto da equipa e tivesses ganho o campeonato do mundo! O próprio Mário Andretti fez o melhor elogio que alguma vez te fizeram sobre ti quando dizia que tinha de aplicar a fundo para estar na tua frente. Fazias suar toda a gente, Ronnie.

Por acaso, o teu dia de aniversário calha no Dia dos Namorados. Acho interessante falar desse assunto por causa de vocês dois. Sim, tu e a Barbro, que se conheceram cedo na vida e se casaram em 1975, tiveram uma linda filha. Lembro-me de ver uma reportagem dela depois que foste embora deste mundo. Triste e nostalgica, de olhar distante e com eternas saudades tuas. Nunca conseguiu levar a vida adiante, por muito que tentasse. Tinha tantas saudades tuas que decidiu um dia, perto do Natal, cortar os pulsos e esvair-se em sangue. É, o amor e as saudades têm destas coisas... tenho pena, mas só posso as compreender.

Tenho também pena que os teus conterrâneos não te dêem o teu devido valor. É certo que há uma estátua tua em Örebro, a tua cidade natal, mas havia um museu em tua honra e as pessoas que vivem na cidade ficavam espantadas pelo fato de virem tanta gente à tua cidade só para te verem. Os teus carros, os teus troféus, os teus filmes. A Câmara Municipal não achava que fosses uma utilidade pública e decidiu não apoiar o teu museu, e este fechou um ano depois de ter aberto. Uma pena, acho que deverias merecer maior consideração por parte dos teus compatriotas.

Mas para tua e nossa felicidade, o resto mantêm-se. As pessoas com quem tu privaste nunca te esqueceram e contaram todos os bons momentos que passaram contigo em todas as formas possiveis. E a cada geração que passa, esta fica a conhecer a tua história e admiram os teus feitos. Com ou sem museu. No meu íntimo, torço para que consigam de novo ter o museu na tua cidade, pois queremos mostrar às pessoas que mereces ser melhor tratado do que és agora.

De onde quer que estejas, eu, como simples fã dos teus feitos, só te posso dizer no meu pior sueco: "Hälsningar, Ronnie. Och bra lopp var du än är!" (Um abraço, Ronnie, e boas corridas onde quer que tu estejas!)

Youtube Motorsport: A apresentação do McLaren MP4-12C



Por estes dias, há muita gente expectante para ver o que vai ser o novo McLaren MP4-12C. Ontem à noite estava a ver o Top Gear, e estava um modelo exposto no programa, sem a possibilidade de o testar, e o James May já estava a elogiar a relativa simplicidade do cockpit do carro, em comparação com os modelos da Ferrari, embora Richard Hammond já dissesse que em termos de beleza, não era tão atraente como um Lamborghini. Engraçado, ouvir isso vindo de alguém que adora Porsches...

Contudo, a razão pelo qual falo do MP4-12C não é pela apreciação feita pelos três tarados por automóveis. É porque no final do mês passado, a McLaren convidou um numero de jornalistas a Portimão, onde colocou quatro modelos seus para que eles pudessem experimentar. E a apresentação contou com um convidado de luxo: Jenson Button.

"Os rapazes que trabalham neste projeto sabem bem o que fazem. Sei que já esperavam que dissesse isto, mas honestamente não conheço outro carro que se possa guiar assim em pista e ao mesmo tempo seja tão confortável na estrada. Os travões são espantosos, parecem o meu Formula 1. O mesmo sucede com a maneabilidade. Gostei muito da "Brake Steer function", que agarra o carro nas curvas.", referiu.

Alguns numeros: acelera dos 0 aos 100 km/hora em 3,1 segundos, enquanto que chega aos 200 km/hora em 8,9 segundos. A velocidade máxima vai até aos 330 km/hora e o carro só precisa de 30, 5 metros para travar dos cem aos zero. O carro deve começar a ser comercializado lá para o meio do ano, e aparentemente, a procura já é imensa...

Os ventos de mudança no Médio Oriente e como podem afetar a Formula 1

Está a ser um dia interessante. Hoje é um dia qualquer para casais, o Ronnie Peterson e o Ricardo Rodriguez fariam anos hoje e Ronaldo arrumou esta manhã as botas (e provavelmente terá 120 quilos em 2014...) e para finalizar, o Hosni Mubarak pode estar em coma em Sharm el Sheik. Mas quero pegar neste último capitulo porque parece que os ventos de mudança no Médio Oriente poderão ter implicações... na Formula 1. Eu explico.

Na sexta-feira estava a ver um documentário da BBC sobre o Bahrein. Para quem não sabe, é uma ilha no Golfo Pérsico com pouco mais de 800 mil habitantes. É outro emirado muito rico - o petróleo foi descoberto em 1932 - e que historicamente foi portuguesa entre 1521 e 1602, mas eles são mais avançados do que a sua vizianha Arábia Saudita, por exemplo. Contudo, tem uma maioria xiita muito ativa, que se queixam de discriminação sob a minoria sunita, ao qual pertence a familia real. E nos últimos 30 anos eles estiveram muito agitados. Tentaram derrubar a monarquia em 1981, queixam-se de estarem pouco representados na comunidade. Tem havido confrontos esporádicos e já prometeram agitar a ilha com mais protestos, nomeadamente "um dia de raiva", marcada para amanhã.

Esta manhã lia o Joe Saward, que falava sobre o mesmo assunto que tinha visto na sexta-feira e parece que me fez luz sobre a minha mente. Afinal, as queixas deles são legitimas, mas como o Irão é do outro lado do Golfo, há muita gente que olha isto com enorme desconfiança. ainda por mais que, por exemplo, os americanos têm uma base no Bahrein. Apesar de tudo, tem havido nos últimos anos enormes concessões por parte da familia real, nomeadamente uma constituição que a transforma numa monarquia constitucional, eleições e um parlamento. Só que parecem que querem mais, e estão a ver como as coisas funcionam nos outros lados para fazer o seu aqui.

Claro, como sabemos, a grande maioria dos protestos são no Norte de Africa. Tunisia, Egito, Argélia e em menor grau, Jordânia e Yemen, mas estamos a ver que 2011 está a ser o "1989" que o Médio Oriente não viveu. E estes ventos de mudança são fortes, tão fortes como as tempestades de areia no deserto. Agora resta saber se afetarão o "business as usual" na Formula 1, e que não seja uma dor de cabeça para Bernie Ecclestone...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Youtube Motorsport Classic: Robert Kubica, Norisring 2003



Enquanto dava o meu habitual passeio pela blgosfera, dei por mim a ver o Luiz Fernando Ramos, o Ico, e um dos posts que meteu hoje foi muito interessante: a primeira prova de Robert Kubica na Formula 3 Euroseries. E essa prova tem uma história antes e depois dela.

Estamos em 2003. Robert Kubica era um jovem e promissor piloto polaco que no ano anterior tinha se mostrado na Formula Renault. Sendo assim, a equipa italiana Prema Powerteam assina com ele para a temporada. Mas antes dela começar, Kubica e um seu amigo sofrem um acidente de estrada quando o carro onde seguiam colidiu com outro cujo condutor estava alcoolizado. O carro onde seguiam caiu num barranco e o polcao fraturou o seu braço direito, o mesmo que agora, oito anos mais tarde, foi afetado no acidente que teve agora.

Por causa disso, Kubica falha o inicio da temporada da Formula 3 Euroseries, e somente volta a correr na sétima ronda do campeonato, no circuito alemão de Norisring, em Nuremberga. É provavelmente um dos circuitos mais populares do automobilismo alemão, cheio de história. Num plantel cheio de nomes agora consagrados em várias categorias - Ryan Brisoce, Timo Glock, Christian Klien, Nico Rosberg, Alexandre Premat, Olivier Pla, e até o brasileiro Lucas di Grassi e os portugueses Alvaro Parente e César Campaniço - Kubica entra na competição em andamento, e ainda com pinos de titânio no seu braço para consolidar os seus ossos, demonstra toda a sua classe ao longo do fim de semana. Terceiro na grelha, luta pela vitória desde a primeira curva, com forte determinação, que afinal de contas faz parte do seu jeito de ser.

O video demonstra isso mesmo: um homem determinado. E deve ser esse o seu objetivo, voltar o mais rápido possivel a um Formula 1, para demonstrar que não se abate facilmente. E foi isso que disse na sexta-feira, na entrevista ao Gazzetta dello Sport: “Quero voltar mais forte do que nunca. Foi assim em 2007, depois da batida no Canadá: fiquei de fora por uma corrida e voltei melhor. Pilotar não é só virar o volante e acelerar, é mais que isso. Há uma diferença entre pilotar a 80 por cento e a 95 por cento. O que pode trazer nesses 15 por cento extra é a sua habilidade e sua motivação. Desde aquele episódio sou mais forte psicologicamente. E será o mesmo quando eu estiver fisicamente recuperado. Eu tenho de voltar neste ano”, afirmou.

Pela minha parte, vou torcer para que isso aconteça.

Youtube Rally: o final insólito de Petter Solberg na Suécia



"Quem viu pela TV o navegador de Petter Solberg, guiar o Citroen DS3 WRC logo imaginou que algo se teria passado com o piloto, que o impedisse de guiar. A razão é simples: Foi multado numa ligação por ter sido apanhado pela polícia sueca em excesso de velocidade, e ficou logo sem carta, portanto impedido de guiar. Com isto tudo, terminou em quinto, perdendo a oportunidade de ser o melhor dos DS3 WRC."

Quando li este parágrafo esta tarde na edição eletrónica da Autosport portuguesa, pensava que já tinha visto um pouco de tudo nos mais de vinte e cinco anos que tenho a ver o Mundial de Ralis. Mas é verdade: Petter Solberg não pode conduzir na Suécia porque a policia o multou por excesso de velocidade numa ligação entre etapas. Parece ser um excesso de zelo para quem vê isto de fora, mas eles sabem do que fazem. E ali não contemplam.

Vejam agora o video com a situação insólita em que a dupla troca de lugar...

WRC 2011: Rali da Suécia (Final)

E como seria de esperar, os Ford dominaram esta primeira etapa do Mundial de Ralis, nas frias paisagens suecas. E como no ano passado, Mikko Hrivonen venceu a corrida e tornou-se no primeiro lider do Mundial, mas desta vez com uma oposição mais forte e vinda de algumas personagens inesperadas, como o jovem norueguês Mads Ostberg, que acabou o rali num meritório segundos lugar, a apenas 6,5 segundos de Hirvonen e batendo pilotos consagrados como Jari-Matti Latvala, Petter Solberg, Sebastien Ogier e Sebastien Löeb, que teve um inicio do ano mais modesto do que o normal nestas paragens nórdicas, devidi aos furos que sofreu ao longo do rali.

No inicio das especiais de hoje, Hirvonen teve de gerir a vantagem que tinha para Ostberg, que se aproximou bastante para o ameaçar na liderança. Contudo, o finlandês aguentou-se bem e conseguiu ser suficientemente veloz para gerir a vantagem. Ostberg fez o seu melhor, mas não foi o suficiente para desalojar da liderança. A grande novidade foi no terceiro posto, quando Jari-Matti Latvala aproveitou os problemas insólitos de Petter Solberg para chegar ao lugar mais baixo do pódio e monopolizá-lo para a marca americana.

Solberg, como disse, perdeu tempo na última parte devido a um problema fora do vulgar: entre as duas especiais, Solberg foi parado pela policia local e levou uma pesada multa, impedindo-o de guiar o volante do seu carro, fazendo-o com que o seu navegador guiasse essa última etapa e perdendo mais de um minuto, caindo do terceiro para o quinto posto, ultrapassado por Latvala e Ogier.

Atrás deles ficou Sebastien Löeb. Muito modesto nesta prova de arranque da temporada, o piloto francês, sete vezes campeão do mundo, teve demasiados pequenos problemas que o impediram de lutar pela vitória no rali. Mas a sua rapidez estava lá: venceu várias classificativas e ainda conseguiu estar nos três primeiros na Power Sgtage, que lhe deu mais uns pontos extra.

Já Kimi Raikonnen conseguiu ser consistente e levou o carro até ao fim, embora com seis minutos de diferença sobre o vencedor. Mas o oitavo lugar - batido no inicio do dia de hoje pelo Ford do sueco Per-Gunnar Andersson - faz com que se possa dizer que o finlandês está a melhorar cada vez mais a sua condução nestas condições. Resta saber se isto é para continuar nos próximos ralis...

O Mundial de Ralis continua entre os dias 3 e 6 de Março, no México.

Brabham BT55: o projeto radical de Gordon Murray

"Tive uma abordagem demasiado ambiciosa em relação ao carro. O motor era demasiado alto para aquilo que queremos, e quando baixamos o motor, não funcionava tão eficazmente quanto queríamos. Para além disso, tivemos demasiados problemas com o Turbo, com incontáveis falhas de óleo, e uma má distribuição de peso.”

"Para piorar as coisas, ao longo da temporada, Ecclestone, que nada percebe de técnica, decidiu interferir nos aspectos técnicos. Eu, que nos 15 anos anteriores nunca tinha tido uma conversa desse calibre... provavelmente devia ter sido devido ao seu envolvimento na direcção da Formula 1. Sendo assim, no final da temporada, aceitei o convite da McLaren e terminei a minha colaboração com a equipa."

Esta foi a explicação que Gordon Murray deu, algum tempo depois, sobre as razões porque um projeto tão radical como o Brabham BT55 redundou num fracasso e fez terminar a colaboração de Murray na Brabham, que tinha começado catorze anos antes. Como foi dito, tinha sido um carro radical, fazendo com que os pilotos corressem deitados, algo que não se via desde os anos 60. Foi também o carro onde Elio de Angelis teve o seu acidente fatal, numa sessão de testes no circuito francês de Paul Ricard, e foi também o começo do irreversível declinio da equipa de Jack Brabham até ao seu desaparecimento, em 1992.

Para ler o resto da história, podem ir ao site Podium GP, pois é o meu artigo histórico de hoje.