quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

WRC: Munster continua na M-Sport em 2025


O luxemburguês Grégoire Munster assegurou esta semana uma segunda temporada completa com a M-Sport em 2025. Com a saída de Adrien Formaux para a Hyundai, o seu companheiro de equipa ficará mais uma temporada, sendo o primeiro piloto da formação de Malcom Wilson, que prepara os Puma Rally1. 

No comunicado oficial, que confirmou a presença na equipa, o piloto de 26 anos afirmou os seus objetivos para a próxima temporada: 

“O objetivo é continuar o nosso progresso na categoria principal e melhorar a partir do ponto em que terminámos em 2024. É claro que isso significa ter como objetivo terminar entre os cinco primeiros, com o quarto lugar da geral, e, eventualmente, também alguns lugares no pódio. Estou entusiasmado por ver o que conseguimos fazer” começou por dizer Munster.

O piloto, que é navegado pelo belga Louis Louka - que permanecerá com ele na nova temporada - também destacou a satisfação em permanecer na M-Sport: “Estou ansioso pelo próximo ano e por ter a oportunidade de voltar a conduzir o Puma, especialmente com a boa estrutura e ambiente da equipa M-Sport.”

Já Richard Millener, diretor da equipa M-Sport Ford, regozijou-se pela continuidade de Munster:

“Gostei muito de trabalhar com o Grégoire e o Louis este ano, por isso tê-los de volta em 2025 é muito positivo para mim.", começou por afirmar. "Fizeram grandes progressos ao longo do seu ano de estreia e, embora tenhamos de ser realistas quanto aos objetivos e expectativas para eles em 2025, é uma grande oportunidade para ambos. Estou muito feliz por voltar a trabalhar com eles durante mais uma época completa e acredito que merecem bem esta oportunidade.”

Munster, que em 2024 estreou-se uma campanha completa na categoria principal, teve a sua melhor temporada da sua carreira, conseguindo o oitavo lugar na geral, com 46 pontos, tendo como melhores resultados três quintos lugares na Sardenha, Europa Central e Japão, tendo conseguido algumas vitórias em especiais. Resta saber quem o acompanhará, com gente como o letão Martins Sesks a serem falados como candidatos.

Youtube Formula 1 Testing: Testes Paul Ricard, dezembro 1994

Há 30 anos, no final de 1994, o pessoal ensaiava até quase à véspera de Natal. E o melhor exemplo disso é este vídeo dos testes em Paul Ricard, com a Williams, Ferrari, e a Larrousse, que por esses dias tentava sobreviver, tentando um acordo de aquisição - ou fusão - com a DAMS. E nesses testes, contavam com o seu piloto de testes, o americano Elton Julian (na altura com 20 anos) ao volante.  

Posso estar enganado, mas creio que este é o derradeiro teste da Larrousse na sua história. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

A imagem do dia


Amanhã, dia 18 de dezembro, o ministro dos desportos da África do Sul, Gavin Mackenzie, apresentará um plano para o regresso da Formula 1 ao seu país. Caso isso aconteça, a prova seria em Kyalami, palco da última vez onde a Formula 1 correu, em 1993, numa corrida ganha por Alain Prost, depois de um duelo a três com Ayrton Senna e Michael Schumacher.  

A Formula 1 fez de Kyalami uma das suas pistas favoritas, acolhendo a Formula 1 entre 1967 e 1985, numa altura onde o país vivia o regime de segregação branca, de seu nome "apartheid", e do qual, por causa disso, sofreu um isolamento internacional, ao ponto de ter sido expulsa do Comité Olímpico Internacional e da FIFA. Mas não da FIA, onde continuaram a ir até a uma altura em que alguns países decidiram que não iriam deixar que os seus pilotos participarem. E o governo francês impediu as suas equipas, Ligier e Renault, de participarem na edição desse ano.

A Formula 1 regressou apenas com o fim do regime, em 1992 e 93, antes do promotor de Kyalami ter falido.

Este ano, a situação é interessante: o ANC, partido que dominou o panorama politico desde 1994, perdeu a sua maioria absoluta e aceitou entrar num governo de unidade Nacional com a Aliança Democrática, um partido multiracial, e mais alguns menores - Mackenzie faz parte de um desses partidos minoritários. Kyalami tem um promotor novo, um primo de Jody Scheckter, e dono da Porsche no país, e agora elabora-se um projeto para apresentar à FIA com o objetivo de trazer a Formula 1 de regresso a África, um lugar onde Lewis Hamilton gostaria de correr.

Contudo, pela primeira vez em muito tempo, há concorrência: o Ruanda. Perguntam-me porque eles e não Marrocos, por exemplo? Os marroquinos tem outras prioridades, como o Mundial de futebol de 2030, o Mundial do centenário, onde organizarão em conjunto com Espanha e Portugal. Talvez mais tarde. 

No caso ruandês, foram eles que acolheram no fim de semana passado a Gala da FIA, e ali o governo local anunciou a candidatura para acolher a competição, num circuito que será erguido a 40 quilómetros de Kigali, a capital ruandesa, e peto do aeroporto internacional que está a ser erguido com fundos do Qatar. Quando estaria pronto? Talvez no final da década. 

Bom haver concorrência, mas há mais problemas para além disso. Alguns países poderiam receber, caso se aplicassem nisso, como Angola - que tem duas pistas que foram construídas antes da independência, em 1975 - mas o mais premente é o calendário. Neste momento já tem 24 corridas, e ter uma 25ª em 2026 será demais. Toto Wolff já se queixou do excesso, bem como Christian Horner, e há gente que, apesar de achar ser necessário que a Formula 1 vá para os quatro cantos do mundo, e África é necessário, teria de ser à custa de alguma pista. Fala-se da ideia de corridas a acontecerem em pistas uma vez a cada dois anos - propuseram isso aos Países Baixos, mas eles decidiram abandonar a Formula 1 em 2026, logo, a Bélgica não perderá a sua corrida.

Que a Formula 1 está a ser a vitima do seu sucesso, é verdade. Mas ver África de regresso seria algo bom para a imagem e para mostrar ao mundo que são verdadeiramente uma competição mundial.   

Noticias: Wolff avisa sobre calendário... que poderá aumentar


Com o calendário a bater recordes de longevidade - 24 corridas em 2024 - Toto Wolff, o diretor desportivo da Mercedes, começa a entrar no coro de queixas sobre o facto da Formula 1 ter um calendário demasiado grande, no qual os membros das equipas começam a queixar-se que está a ser custoso para eles. Gente como Christian Horner e Helmut Marko já se queixaram sobre o calendário, agora é Wolff que faz o mesmo, dando ênfase para Las Vegas, uma corrida que aconteceu à noite, mas na América, com um fuso horário bem diferente do habitual.    

“Está a ultrapassar o limite”, disse Wolff. “Os mecânicos que montam e desmontam s boxes voam em económica. Agora vê-se na cara das pessoas: já não é possível. Las Vegas foi brutal. Só se vê a luz do dia durante algumas horas, vai-se para a cama, não se sabe se se deve comer ou não. Depois acorda-se ao meio-dia, ou de manhã muito cedo, éramos todos diferentes. E o ritmo tira-nos tanto que dificilmente conseguimos recuperar.”

Só que há um pequeno problema: amanhã será mostrado o plano para que a África do Sul volte a ter Formula 1 a partir de 2026, e se nenhuma corrida cair no calendário, a Formula 1 poderá ter 25 corridas: um recorde. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

WRC: Rovanpera muito motivado para o regresso


A Toyota aposta alto para manter o seu domínio no WRC, e o regresso do jovem prodígio Kalle Rovanpera é peça-chave para a campanha de 2025. Depois de um ano onde ele esteve no WRC em part-time, onde ainda assim ganhou quatro corridas, para 2025, regressará a tempo inteiro e ao lado dos seus companheiros de equipa, Elfyn Evans, Takamoto Katsuta e o oito vezes campeão mundial, Sébastien Ogier, pretende alcançar o tricampeonato.

“Foi um ano especial,” declarou o finlandês de 24 anos, filho de Harri Rovanpera. “Era exatamente o que eu queria, por isso escolhemos essa abordagem. Foi um período diferente, fiz coisas novas e mantive-me ocupado, mas esse era o plano. Aproveitei bastante e agora estou pronto para voltar. A motivação está mais alta do que nunca.”

Com os olhos na temporada de 2025, Rovanpera prevê batalhas intensas e muita emoção. “Vai ser uma luta de verdade, e tenho certeza que será um grande ano,” afirmou. E começa com Monte Carlo, a primeira prova do ano, do qual admite ser um rali complicado para ele. 

“Acho que nunca se está totalmente pronto para o Monte Carlo,” admitiu. “É um rali que testa tudo: as condições mudam o tempo todo, e de forma muito rápida. É sempre um desafio começar a temporada aqui, mas é isso que torna este evento tão especial.”, concluiu.

Os bons resultados da FIA


Depois de anos com prejuízos, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) anunciou neste final de semana que os seus resultados operacionais para 2024 terão um grande aumento, chegando a um lucro de 2,2 milhões de euros, depois de em 2021 ter tido um défice de 24 milhões de euros. Na reunião que tiveram este final de semana no Ruanda, o órgão atribuiu esta melhoria nas contas devido à redução dos cistos operacionais, e um aumento de receitas e poupanças.  

A FIA observou que “a melhoria da situação operacional, confirmada durante as duas reuniões do Conselho Mundial em Kigali, mostra um regresso à rentabilidade, apesar de uma série de novas iniciativas.", começou por afirmar no comunicado oficial do organismo. "Esta reviravolta sublinha os progressos realizados no sentido de uma governação financeira sólida e da eficiência da federação. Foram introduzidas várias medidas para racionalizar os procedimentos contabilísticos e de apresentação de relatórios da FIA, a fim de criar um modelo financeiro sustentável. Esta conquista é o produto de uma ampla reforma da FIA introduzida pelo Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem”, concluiu o órgão máximo do automobilismo, no seu comunicado oficial.

Da parte do seu presidente, Mohammed Ben Sulayem, este salientou que as melhorias se devem a reformas financeiras e de governação, incluindo estratégias de redução de custos e de receitas. Ele enfatizou a importância dessas mudanças para estabilizar as finanças da FIA e garantir a sustentabilidade a longo prazo para apoiar os clubes membros.

“Esta conquista é o resultado do nosso compromisso de reforma da organização nas áreas da governação e das finanças. A nova direção da FIA herdou uma situação financeira que não era sustentável em 2022.", começou por afirmar. "Trabalhámos arduamente para reduzir um défice considerável e estabilizámos a saúde financeira global da federação. Implementámos medidas de contenção de custos e estratégias de geração de receitas para colocar a FIA numa base financeira mais sustentável, de modo a cumprir o nosso objetivo principal de apoiar os clubes membros”, concluiu.

O órgão máximo do automobilismo decidiu fazer em Kigali, a capital do Ruanda, a sua cerimónia oficial, numa altura em que esse pequeno país no centro de África se candidatou a receber uma corrida no calendário oficial da Formula 1 num futuro próximo, numa pista localizada numa área próxima do seu aeroporto internacional, situado a 40 quilómetros da capital.  

domingo, 15 de dezembro de 2024

A imagem do dia




Os pilotos alemães da década de 30, bem antes da II Guerra Mundial, bem deveram as suas carreiras pelo facto do Estado estar apaixonado pela sensação de velocidade. Depois da Grande Depressão, a ascensão do regime nazi ao poder, no final de janeiro de 1933, favoreceu o automobilismo, porque era não só uma maneira de mostrar o melhor da industria alemã, como também serviria para desenvolver tecnologia que seria usada para a máquina de guerra que estava a ser construída para a vingança depois daquilo que consideraram como a "humilhação", primeiro com o Tratado de Versalhes, depois apenas por terem perdido a I Grande Guerra, em 1918.

Durante a ascensão do Partido Nazi, foram criados diversos corpos paramilitares, e o mais pequeno deles era chamado de NSKK, o "Nationalsozialistisches Kraftfahrkorps". Essencialmente, o corpo automóvel. Eram eles que tomavam conta de coisas como o parque automóvel do partido, para além treinar os seus membros na manutenção de automóveis e camiões, especialmente para o esforço de guerra.   

Fundado em 1931 por Adolf Hühnlein, o NSKK foi o mais pequeno desses corpos militares, chegando até a serem construídas secções noutros países como a França, durante a Ocupação. E como seria evidente, durante estes tempos sombrios, todos os pilotos das equipas de corridas, como a Auto Union e a Mercedes, faziam parte do NSKK. Mas houve um que... não achava muita piada. Era Rudi Caracciola.

Nascido em 1901, ele começou a trabalhar para a Daimler em 1923, como vendedor. Tinha jeito para o volante, especialmente depois de ter ganho o GP da Alemanha de 1926, em AVUS-Berlin, debaixo de muita chuva. Ganhando a reputação de "regenmeister", o rei da chuva, nos anos seguintes, passou a ser um dos melhores pilotos da Alemanha, sempre fiel à Mercedes.  

Um dia, em 1931, a Mercedes pediu a Caracciola para entregar a Munique um modelo 770KK, de cor preta, a, nada mais, nada menos, que Adolf Hitler. Nesse dia deu uma volta com a sua sobrinha Geili Raubal - iria matar-se meses depois, com fortes suspeitas de uma relação incestuosa com ela - e Caracciola afirmou que ele o achou... aborrecido. Curiosamente, apesar de adorar automóveis e Mercedes em particular, Hitler... nunca guiou um automóvel na sua vida! 

Com a chegada de Hitler ao poder, deu um milhão de Reichmarks por ano quer à Auto Union, quer à Mercedes, que com isso, dominaram o automobilismo europeu e mundial. Caracciola ganhou três campeonatos europeus e tewe como maior rival o seu compatriota Bernd Rosemeyer. E estava no local, em Nuremberg, a 28 de janeiro de 1938, quando Rosemeyer sofreu o seu acidente fatal.  

No meio disto tudo, participava nas reuniões da NSKK, mas apesar de ser respeitado pela hierarquia, achou que todas aquelas apresentações eram vazias e era usado como se um adereço fosse. E não acreditava em Hitler, ao ponto de quando foi convidado para participar num evento do NSKK em 1942, recusou, alegando estar a recuperar de uma operação à perna, por causa de uma das suas antigas lesões.

Anos depois, na sua autobiografia, declarou: "Não podia imaginar que este homem teria os requisitos para assumir algum dia o governo [da Alemanha]". E ele nunca foi membro do partido nazi.  

Quando a guerra rebentou. Caracciola, então com 38 anos, decidiu ir para Lugano, na Suíça, onde tinha uma casa desde há muito, e tentou ficar com alguns dos carros que tinha corrido na sua carreira. Continuava a ser empregado da Mercedes, cujo salário era pago em francos suíços. Apesar disso, o governo tentou que a Mercedes parasse com os pagamentos a ele, o que só fez em 1942. Os seus carros foram confiscados pelo governo suíço no inicio de 1945, por serem considerados produtos de um governo hostil, apesar da sua neutralidade. 

Acabada a guerra, o regime nazi foi derrubado, e o NSKK desmantelado. Os pilotos que participaram nela não foram afetados por isso, mas por exemplo, Caracciola, não tinha muito dinheiro para complementar na velhice. Ainda por cima, a própria Mercedes estava devastada pelos bombardeamentos a Estugarda por parte dos Aliados. 

Nessa situação, aos 44 anos, Caracciola resolveu retomar a competição, ainda a sofrer com as antigas feridas. E ainda iria sofrer mais dois grandes acidentes, em 1946 e 1952, que praticamente acabaram com a sua carreira e acelerou o seu fim, morrendo com uma cirrose em setembro de 1959, aos 58 anos, na sua casa de Kassel, na Alemanha Ocidental.

Depois da sua morte, Alfred Neubauer, seu diretor desportivo na Mercedes, disse:

"[Caracciola foi] o maior piloto dos anos vinte e trinta, talvez até de todos os tempos. Aliou, de forma extraordinária, a determinação à concentração, a força física à inteligência. Caracciola era inigualável na sua capacidade de superar as dificuldades."

Youtube Formula 1 Vídeo: Bernie Ecclestone e a sua coleção (que colocou à venda, parte III)

Nesta terceira parte dos vídeos da coleção de Bernie Ecclestone, que ele anunciou que iria vender no inicio deste mês, ele fala com Tom Hartley Jr sobre os seus Brabhams, a equipa do qual foi proprietário entre 1972 e 1987, e onde ganhou dois títulos de pilotos, com Nelson Piquet, em 1981 e 83. 

Claro que aqui estão mutos dos seus carros icónicos, desde o BT44 até ao BT55, onde pilotos como Carlos Reutemann, José Carlos Pace, Niki Lauda, John Watson, Nelson Piquet, Riccardo Patrese e Elio de Angelis, entre outros, pilotaram e deram alguns dos melhores resultados da equipa depois da partida do seu fundador, Jack Brabham, em 1970.    

sábado, 14 de dezembro de 2024

A(s) image(ns) do dia







Houve grandes pilotos britânicos antes da II Guerra Mundial, que se mostraram perante o mundo, batendo recordes do mundo. Gente como Malcom Campbell, John Cobb e Henry Seagrave foram alguns desses pilotos cujas carreiras foram seguidas atentamente nos jornais e revistas, cujos perfis foram filmados nos cine-jornais da época. 

Contudo, houve um piloto que, para chegar ao topo, até colocou a sua lealdade em jogo. Querendo pertencer à elite do Grande Prémio, foi para a Alemanha e conseguiu triunfar, perante o mundo. Contudo, numa altura em que o mundo estava à beira de uma catástrofe, e as suas lealdades estavam em jogo, um acidente mortal não só cortou abruptamente a sua carreira que a marca onde correu, em tributo, decidiu limpar sempre a sua sepultura. 

Hoje em dia, todos esqueceram que, antes de Stirling Moss, existiu Richard Seaman. 

Nascido a 4 de fevereiro de 1913 em Chichester, no sul britânico, cresceu em berço de ouro, a ponto de ir estudar no Trinity College, em Cambridge. Os pais queriam que fosse ou advogado ou deputado do Partido Conservador, mas em 1931, aos 18 anos, foi ver uma corrida e ficou logo apaixonado pelo automobilismo. Três anos depois, comprou um MG e foi para a Europa continental para ganhar experiência. Pouco depois, arranjou um ERA e competiu na classe das Pequenas Viaturas, onde começou a triunfar, e claro, a dar nas vistas, quer nas pistas, quer nas subidas de montanha, nomeadamente no Mont Ventoux, em França - agora mais conhecida pelas chegadas da Volta à França em Bicicleta. 

Em 1936, arranjou um Delage, e altamente modificado, começou a andar em todas as grandes competições de então, quer com um ERA, quer com um Delage, e as suas performances foram suficientemente interessantes para no final desse verão, Alfred Neubauer, o diretor de corrida da Mercedes, o convidou a fazer um teste com um dos seus carros. A ideia? Ter um estrangeiro na sua equipa, ao lado de Rudolf Caracciola e Hans Stuck.

No final, houve um convite oficial, no qual ele aceitou... contra os desejos da mãe, que não o queria correr "numa equipa nazi". Seaman não queria saber da politica, queria triunfar no melhor carro, e os melhores em 1937 eram os alemães. Contudo, na primeira grande corrida pela marca, o GP da Alemanha, evolveu-se com o seu companheiro de equipa, Ernst von Delius, que acabou por morrer. Ficou magoado no acidente, mas recuperou a tempo da última corrida do ano, o GP de Itália, onde foi quarto. 

Em 1938, sem Stuck, que foi para a Auto Union por causa do acidente mortal de Bernd Rosemeyer, Seaman lidava com outro piloto em ascensão, Hermann Lang. Mas em agosto, no GP da Alemanha, conseguiu o fantástico: triunfou perante os alemães! O primeiro não-alemão a ganhar um GP numa máquina alemã - nem Nuvolari o conseguiria! No final, tocou-se o "God Save The King", com ele a fazer a saudação, perante o embaraço dos seus compatriotas, numa das piores alturas em termos políticos: a Alemanha já tinha anexado a Áustria e já tinha olho na região dos Sudetas, na Checoslováquia, e as tensões estavam de tal ponto altas que o GP da Grã-Bretanha, em Donington Park, foi inicialmente cancelado, antes de acontecer a 30 de outubro. 

Para piorar as coisas, Seaman encantou-se e casou-se com Erica Popp, então com 17 anos, e filha de um dos donos da BMW. Como presente, ganharam uma casa nos Alpes alemães. E tudo com o som dos tanques a artilharia a serem ouvidos na Europa Central... 

A temporada de 1939 começava com o GP da Bélgica, em Spa-Francochamps, que se realizaria em fins de junho. No fim de semana da corrida, esta iria decorrer debaixo de muita chuva. Na partida, Seaman foi para a liderança, e começou a afastar-se da concorrência, querendo aproveitar o asfalto molhado. Seaman basicamente corria sem freio até chegar ao pé da região de Bruneville, onde à 22ª volta, uma poça de água o faz perder o controlo do seu Mercedes, onde se despistou e bateu contra uma árvore. O carro atingiu o depósito de combustível e explodiu, derramando para o seu corpo. Foi socorrido e levados para o hospital, com graves queimaduras. Acabaria por morrer poucas horas mais tarde, não sem afirmar à Mercedes que tinha sido o responsável pelo acidente, por causa da sua condução no limite. Tinha 26 anos.

Seaman foi enterrado no Putnam Valley Cemetery, nos arredores de Londres. A Mercedes colocou uma fotografia dele em todos os seus concessionários, e Hitler, sempre um entusiasta do automobilismo, enviou uma coroa de flores, para (mais um...) embaraço da família. A sua campa é periodicamente cuidada até nos dias de hoje.

Quanto a Popp, emigrou para a América, casou-se mais duas vezes até morrer em 1990, aos 69 anos.   

O legado é algo dúbio. O facto de, três meses depois da sua morte, começou a II Guerra Mundial, fez esquecer rapidamente Seaman, e muitos sempre pensaram que ele, por causa de ele correr para eles, e por causa do seu casamento com Popp, iria ficar do lado alemão da coisa. Na realidade, ele queria correr com os melhores carros, a sua lealdade era secundária.  

Há um excelente livro sobre ele, de seu nome "A Race With Love and Death", do Richard Williams, que é o mesmo que escreveu uma biografia sobre o Ayrton Senna.  

Youtube Automotive Vídeo: McLaren, 1969

Em 1969, a McLaren já era uma potência no automobilismo. Correndo e ganhando na Formula 1, já tinha montado carros para a Can-Am e para aquilo que iria ser a Formula 5000, uma competição que misturava os chassis da Formula 1 com os motores da competição americana, que julgava ser uma alternativa mais barata que a categoria máxima do automobilismo.

Filmado pela BBC para o programa "Wheelhouse", eles foram à sede da fábrica, onde eram montados os carros das diversas competições em que participava. E ali, temos uma entrevista ao piloto, construtor e fundador da equipa, para além de outra com a família, nomeadamente a mulher e a filha de Bruce McLaren. 

Detalhe: estamos em 1969 e a entrevista é feita a cores!    

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

A imagem do dia




Hoje saíram os números que serão usados na temporada de 2025, e há algumas coisas interessantes. Entre os novatos há algumas trocas, e o uso de alguns dos números mais icónicos do automobilismo voltarão a ser usados. O número 5 foi escolhido por Gabriel Bortoleto, piloto da Sauber-Audi, o mesmo número que foi usado por gente como Jim Clark, Jackie Stewart, Niki Lauda, Mário Andretti, Nelson Piquet, Michael Schumacher, Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell, e ultimamente, Sebastian Vettel. 

Já Andrea Kimi Antonelli, piloto da Mercedes, terá o número 12, o mesmo usado por gente como James Hunt, Gilles Villeneuve, Nigel Mansell, Ayrton Senna e Nelson Piquet, entre outros.

Jack Doohan terá o número 7, usado por gente como Nelson Piquet, Alain Prost, Riccardo Patrese, ou Kimi Raikkonen e Oliver Bearman será o 87 na Haas F1.    

Aqui há números poderosos, e estes novos pilotos terão grandes sapatos para os calçar. O palmarés deles não depende do número, e entende-se que com eles, tentarão impressionar. Mas espera-se que tenham a capacidade de calçar estes sapatos. Sabendo-se também que, por exemplo, Toto Wolff quer fazer de Antonelli um melhor piloto que é agora, e os brasileiros terem imensas esperanças que ele chegue e "arrase" a concorrência, os números que escolheram são bem ambiciosos da parte deles. Para eles, o céu é o limite, mas não se pode pensar que ganhará na primeira corrida - pelo contrário.

Acho para mim que 2026 será a temporada a ter em conta, com eles a lidarem com os novos regulamentos. 2025 irá servir para aprenderem os circuitos, adaptarem-se aos carros e melhorarem os seus instintos. 

Youtube Automotive Video: o regresso do Renault 5 Turbo

Há que tempos, desde que a Renault decidiu que o Renault 5 iria voltar a ser fabricado, como elétrico, que se fala na ideia do regresso da sua versão Turbo, que existiu entre 1980 e 1985, e era fabricado em Dieppe, na fábrica da Alpine. E quem se recorda dele, era um carro com "esteroides", e algum palmarés nos ralis. 

Agora, neste vídeo, o presidente da Renault, Luca di Meo, mostra o que será o "Renault Turbo 3E". um carro com 500 cavalos, aceleração dos 0 aos 100 em cerca de três segundos, e um visual que faz lembrar o tal carro com "esteroides" que era há 40 anos. 

Neste vídeo, o carro é revelado como um "easter egg" na série documental "Anatomy of a Comeback" da Amazon Prime Video, onde, segundo eles, terá tração traseira, motores elétricos duplos e os elementos de design exclusivos de seus antecessores, tudo para homenagear o seu legado nos ralis.  

WRC: Dirigentes aplaudem os novos regulamentos para 2027


Os novos regulamentos do WRC para 2027, apresentados nesta semana, causaram reações positivas por parte de alguns dos diretores desportivos das marcas que estão atualmente na competição, como a Toyota, Ford e a Hyundai. Estas três marcas, através de Jari-Matti Latvala, da Toyota, Malcom Wilson, da M-Sport (Ford) e Cyril Abiteboul, da Hyundai, acham que existem alguns aspetos positivos, mas outros como o custo de um Rally1, que pretendem que custe 345 mil euros, acham que tem de ser modificado para fazer lucrar a competição.

Da parte da Toyota, Latvala fala que os novos regulamentos para o WRC estão na direção certa para embaratecer os custos e atrair mais equipas, apesar de não ser totalmente perfeito.  

“Temos trabalhado arduamente com a FIA para contribuir o mais possível para os regulamentos de 2027. Acreditamos que as principais linhas do projeto de regulamentos estão bem formuladas e vão na direção correta. Ainda acreditamos que há um trabalho importante a fazer para finalizar e melhorar alguns dos detalhes, mas nesta fase isso é totalmente normal”, disse o ex-piloto finlandês.


Latvala refere que há muitas preocupações relativamente a alguns pontos, como o custo dos novos carros, previsto para 345 mil euros, contra os atuais 1,1 milhões dos Rally1. Segundo ele, é um valor irreal, apesar de alguns comentadores afirmar que os Rally2 não são muito mais baratos que estes novos carros de ralis.

Já Cyril Abiteboul, que também tem estado envolvido nas discussões dos novos regulamentos, considera positiva a direção que a FIA está a fazer em relação a isso, e que ajudará na continuidade da marca para além de 2026.

“É sempre positivo para os construtores disporem de um roteiro a longo prazo para os campeonatos que possamos avaliar e melhorar em conjunto. Congratulamo-nos com os importantes esforços que têm sido feitos para reduzir os custos, uma vez que o WRC precisa de estabilizar e desenvolver a sua base de fabricantes. Também esperamos desenvolver o valor do desporto, apresentando carros espetaculares em formatos de rali emocionantes para aumentar a base de adeptos”, comentou.


Do lado da M-Sport, Malcom Wilson poderá ver os novos regulamentos como uma tábua de salvação para a continuidade do seu projeto, como também pode dar muito mais possibilidades de ajudar a desenvolver jovens pilotos dentro da sua equipa.

“Penso que os regulamentos aprovados até à data são o caminho certo para o WRC. Precisamos de novas entradas, mais equipas e pilotos a competir ao mais alto nível, e estes regulamentos para 2027 vão encorajar isso. Permitir-nos-á dar uma oportunidade a mais jovens pilotos, o que é essencial para o sucesso a longo prazo do desporto, e é também muito importante tornar o WRC mais acessível, permitindo às equipas competir ao lado dos construtores.”, comentou.

Todos esperam que este novo tipo de regulamentos não só os convença a manter as marcas na competição, como também atraia outras como a Lancia, que anda a desenvolver um programa para o Rally2, que poderá ser a base para os novos Rally1 que surgirão dentro de três anos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Youtube Automotive Video: Hyundai RN24, um Ioniq5 com esteroides!

Ainda há céticos em relação ao futuro elétrico, mas a Hyundai decidiu recentemente construir um carro em "esteroides". O conceito é interessante: pegar num Ioniq5 e transformá-lo num carro que é uma mistura de carro de rali a lembrar os "Ghynhanas" do Ken Block. 

O carro é rápido e ágil, mas claro, não passa de um conceito cujos componentes poderão estar nos carros da marca num futuro mais ou menos distante (ou próximo). 

Noticias: Alonso admite que 2026 poderá ser o seu último ano


O espanhol Fernando Alonso admite que a temporada de 2026 poderá ser a última na Formula 1. Nessa temporada, ele terá 45 anos e passará 20 sobre a conquista do seu segundo título. Mas também será a temporada onde os novos regulamentos irão ser implementados. E ele, que é piloto da Aston Martin, terá o seu contrato terminado nessa temporada, com Adrian Newey a desenhar o seu chassis. Logo, tem de mostrar serviço, para saber se ainda é capaz de ser competitivo e ganhar.

Numa entrevista à BBC nesta semana, começa a afirmar, sobre se lutará pelo título: 

"Porque não? Sei que 2026 é provavelmente a minha única oportunidade, porque 2025 é extremamente difícil, mas continuo a sonhar. A Fórmula 1 é para sonhadores, provavelmente, porque tudo pode acontecer. Vamos ver".

Para além disso, Alonso sente-se animado com a chegada de Adrian Newey à equipa, e acha que num chassis desenhado por ele, poderá ter a sua última grande chance de um terceiro título na categoria máxima. 

"As expectativas serão altas porque é um carro novo, mudança de regulamento, carro feito por Adrian. Provavelmente - ou pelo menos para começar - será a minha última temporada na Fórmula 1. Porque o meu contrato termina no final de 2026. É tempo de apresentar resultados e o tempo da verdade. As expectativas são elevadas", concluiu.