sábado, 18 de fevereiro de 2012

O jardim zoológico da GP3

A GP3 é neste momento o degrau mais baixo da escada existente até á Formula 1 que acompanha os finais de semana da categoria máxima do automobilismo. Composta por dez equipas, com três carros cada, está a ser uma categoria cada vez mais heterogénea em termos de nacionalidades. E ainda com mais de metade do plantel por preencher, já começa a chamar a atenção com o anuncio, nesta sexta-feira, da contratação por parte da Trident, de uma mulher, a italiana Victória Piria, de 18 anos.

Victoria - ou Vicky para os amigos - filha de pai italiano e mãe inglesa, correu no ano passado na Formula Abarth Itália, uma das mais competitivas do pais, com alguns resultados interessantes, sendo o melhor um oitavo posto na última corrida do ano. Pelos resultados e pela beleza, mais parece ser uma "Giovana Amati, a geração seguinte" do que propriamente um talento capaz de rivalizar com Valtteri Bottas, o campeão de 2011 dessa mesma competição. Mas como não quero tirar conclusões precipitadas - se quiserem espreitar o site oficial dela, fiquem à vontade - posso dizer que o anuncio de Piria é o mais recente de uma série delas que, mesmo com apenas um terço do plantel conhecido, quase nos faz pensar que está a virar um jardim zoológico, tantas são as nacionalidades e as diferentes origens destes jovens pilotos.

Primeiro que tudo, a familia. Alex Brundle vai ser um dos pilotos da Carlin, e aos 22 anos, tem de demonstrar que a experiência que já acumulou na Formula 2 e e na Formula 3 britânica seja o suficiente para dar o salto para a GP2, caso contrário, fica mais pelo caminho e se dedica à Endurance, como o seu pai fez a uma determinada altura do campeonato, com bons resultados, diga-se. Mas não há só tradição familiar em Brundle Jr., pois tem também o alemão Daniel Abt, campeão em 2009 da Formula ADAC Masters, e participante na Formula 3 Euroseries em 2011, é filho de Christian Abt, piloto da DTM no inicio da década e patrão da preparadora com o mesmo nome. Daniel Abt é um dos dois pilotos da Lotus GP já confirmados, ao lado do finlandês Aaro Vaino.

Mas para além da menina e dos herdeiros, há as localizações exóticas. Se no ano passado tivemos o indonésio Rio Haryanto, que até venceu duas corridas em 2011, este ano temos confirmados até agora um piloto das Filipinas e outro do Chipre. Isso mesmo o que vocês leram: há pilotos nessa zona. O primeiro até tem um nome estranho: Marlon Stockinger. Tem 20 anos, é filho de um suiço e de uma filipina, mas é um repetente, pois correu no ano passado, sem conseguir pontuar. Já correu na Formula Renault britânica, com alguns bons resultados, batendo-se de igual para igual com jovens promessas como Lewis Williamson.

O segundo piloto de localização exótica chama-se Tio Ellinas, e vem do Chipre. E parece ser bom, pelos resultados que já teve na Grã-Bretanha. Foi quarto na Formula Ford em 2010, conseguindo bater Joshua Hill - sim, filho de Damon e neto de Graham - e em 2011, passou para a Formula Renault, acabando o ano como vice-campeão. Elinas correrá na Manor Racing, ao lado do russo Dimitry Suranovich e do brasileiro Fabiano Machado.

Ainda falta muito para que o quadro esteja completo, e muitos lugares continuam por preencher, mas a hipótese dos herdeiros, como as localizações exóticas de um automobilismo cada vez mais globalizado, estão de pé. Nada impede que os planos de Hill passem pela GP3, ou que Haryanto tente uma terceira temporada nesta categoria. Mas não verão por aí o austriaco Lucas Auer, sobrinho de Gerhard Berger, pois esse vai para a Formula 3 alemã, a correr pela Van Amersfoort Racing, ao lado de René Binder. Sim,  também é austriaco e também é familiar de piloto. Neste caso, é sobrinho de Hans Binder.

O jardim zoológico - ou se perferirem, as Nações Unidas sobre rodas - compõem-se. Veremos como ficará. E certamente deverá merecer novo post.

O elogio de Moss a Vettel e o caminho da lenda

Stirling Moss é uma lenda viva do automobilismo. O antigo piloto britânico elogiou este sábado o bicampeão do mundo Sebastian Vettel pelo seu talento a guiar o seu Red Bull, e compara-o a Juan Manuel Fangio, outra lenda do automobilismo e do qual Moss correu al lado dele em 1955, ao serviço da Mercedes.

"Vettel é um Fangio moderno na Fórmula 1. Não consigo ver, a não ser pelo seu talento natural, como é que ele consegue ser tão bom. Penso que o Vettel é bastante espantoso, mas tem o melhor carro, o que é justo que se diga, porque o melhor piloto normalmente tem o melhor carro. Fangio escolhia o que queria e os outros ficavam com o que quer que sobrasse", referiu à agência noticiosa Reuters. O antigo piloto, de 82 anos e um dos raros pilotos ainda vivos que correram nos anos 50, destaca ainda a personalidade simpática de Vettel e o seu "grande sentido de humor". 

E comparando o piloto alemão com a dupla da McLaren, Lewis Hamilton e Jenson Button, Moss afirmou que "O Vettel é fantástico. Eles estão no topo, mas não ao mesmo nível dele. O Lewis comete alguns erros, pelo que não conseguimos ter a certeza. Eu apostaria o meu dinheiro no Jenson. O Lewis é magnifico, é realmente rápido, mas o Jenson pensa melhor em determinados aspetos do que o Lewis. Como por exemplo quando chove e se deve ou não mudar de pneus. Por todas essas coisas, ele tem uma melhor compreensão das coisas e muito deve-se à experiência". 

Ver Moss a compará-lo a "El Chueco", um dos melhores pilotos de sempre pode ser considerado como um elogio. Um grande elogio, na minha opinião. Primeiro que tudo, não acho exagerado que Moss faça isso porque é o único piloto ainda vivo que correu ao lado dele como companheiro de equipa - ao contrário do que muitos pensam, ele não foi companheiro de equipa de Froilan Gonzalez, apesar de ter corrido muitas vezes com ele. 

Segundo, sempre considerei Fangio como o modelo de consistência por excelência. Era esse o seu maior trunfo. O fato dele ter uma média bem superior ao resto da competição, contra pilotos que iam do leque de Alberto Ascari, Nino Farina, Mike Hawthorn, o próprio Moss, Peter Collins, etc, demonstra que para que os outros o conseguissem vencer, eles tinham que estar num dia excepcional, com um carro excepcional. Hawthorn conseguiu isso em 1953, em Reims, mas depois de uma batalha épica nas retas do circuito francês. 

Ver também este elogio de Moss a Vettel, demonstra também que estamos a observar, em frente de nós, algo que pensavamos que não iriamos ver mais após Michael Schumacher: um piloto que dominasse a década. Acho que, caso no final de 2012 o piloto alemão conquistar o tricampeonato, veremos algo único, que é um piloto que ganhará títulos não pela Ferrari, nem pela McLaren ou Williams, algo que já não se vê desde os tempos de Jackie Stewart, em 1973. E como todos nós sabemos, o velho escocês é uma personalidade venerada no "paddock" pelos seus feitos. 

Em suma, o elogio de Moss a um piloto de apenas 24 anos de idade, e com uma personalidade única - todos nós adoramos a sua personalidade bem disposta - apenas nos demonstra que estamos a assistir, como assistimos tantas vezes no passado, à construção de uma lenda. Quer queiramos, quer não, ele será o próximo. Algum de vocês imaginaria ver um piloto de Formula 1 a ganhar um tricampeonato aos 25 anos? Sebastian Vettel pode estar a caminho disso, caso o RB8, desenhado por Adrian Newey, ser tão bom como os outros.

Formula 1 em Cartoons (II): a saída de Trulli da Caterham (GP Toons)

Para o mesmo assunto, caricaturista diferente. O Hector Garcia, do GP Toons, decidiu aproveitar um outro desenho que tinha feito antes, quando o Caterham de 2012 foi apresentado ao mundo, e sendo o primeiro dos chassis a ser apresentado, comparações com o crocodilo da Lacoste eram inevitáveis...

E já nessa altura, o Hector já previa o que iria acontecer num futuro mais ou menos próximo. Interessante saber que tipo de almoço é que foi. E suspeito que o russo pagou a conta...

Youtube Rally Gynkhana: A gincana de Modesto Martin



Modesto Martin é um piloto de montanha do regional das Canárias, e que corre num Porsche 911. E para dar nas vistas em Espanha e no resto do mundo, nada como um belo video, de 13 minutos e meio, onde ele mostra as suas habilidades, qual Ken Block.

O video é um pouco grande e muito "hollywoodesco", mas não se perde nada em ver. Só falta a versão portuguesa/brasileira da coisa...

Formula 1 em Cartoons (I): A saída de Trulli da Caterham (Pilotoons)

A decisão da Caterham de substituir o veterano Jarno Trulli (37 anos, 252 GP's) pelo russo Vitaly Petrov demonstra que, mais do que o poder do rublo, é também o final de uma era, pois após a saída de Rubens Barrichello, só fica Michael Schumacher, que já teve três anos de descanso entre 2007 e 2009. E Pedro de la Rosa também, mas este andou mais tenpo a testar do que a competir...

Enfim, eis a visão do Bruno Mantovani sobre esta decisão. E creio que a melhor maneira do Jarno de afogar as mágoas até poderia ser na Endurance...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O regresso da Playboy portuguesa e o panorama das revistas

Soube ontem, através dos jornais, que a Playboy Portugal irá regressar em abril, com capa de maio. Aparentemente, quem vai pegar no "franchise" será uma editora totalmente nova, a Media Page, baseada numa distribuidora de filmes e conteúdos televisivos. Segundo a Meios e Publicidade, o seu diretor, Marco Reis, não quer tratar as mulheres como "objeto sexual".

“A nova revista Playboy não terá nada a ver com a anterior edição portuguesa. Não nos compete entrar em nenhum tipo de comparação mas seguramente o leitor irá notar uma enorme diferença”, assegura o responsável. “Teremos uma linha gráfica e editorial completamente distinta, sessões fotográficas mais suaves e cuidadas e a aposta será muito forte em conteúdos editoriais de referência em campos clássicos do título, como as entrevistas ou a ficção”, afirmou. Segundo ele, a tiragem média andará pelos 50 mil exemplares, mas para a primeira edição, serão feitas 80 mil.

Esta noticia surge quase como que uma "cereja em cima do bolo", pois num espaço de poucos meses, esse mercado está a viver um revivalismo. A Maxim voltou em janeiro, a GQ está de uma certa forma a reavivar-se e a Penthouse continua ali, solitária, quase. Das seis que havia em 2009 - falta a Men's Health -, reduziu-se para quatro, devido ao caso da anterior editora da Playboy e o final da FHM e da Maxmen - que foi o nome português da Maxim. Entretanto, surgiu a Penthouse, que lá continua, firme e forte.

E quanto à pergunta sobre uma possivel saturação do mercado em relação a tantos títulos, quer o diretor, quer o responsável pela área comercial afirmam que há espaço: “A Playboy é uma das cinco marcas mais conhecidas do mundo e o maior título no segmento das revistas masculinas. O desafio é posicioná-la em Portugal no seu espaço natural. Havendo qualidade e consistência, seguramente haverá leitores”, concretiza. 

Parece-me estranho ver a entrada de tantas revistas assim, num país em crise. Mesmo em termos de automobilismo, com o reavivar do Volante e do Autosport, bem como a chegada da Top Gear, vai dar ao mercado das revistas uma profusão de títulos do qual me perguntos se existirão espaço para todos eles. Todos encontrarão o seu nicho? E depois, será que haverá pessoal que gaste 3.5 euros por uma GQ, 3.95 por uma Maxim ou Playboy, outro tanto por uma Top Gear - que em 60 por cento ainda é uma cópia da versão inglesa - ou 5 euros por uma Penthouse? Não sei. Eu até posso comprar duas revistas, uma de mulheres e outra de carros, e a conta ficará sempre a rondar os oito euros. Em certos sítios, é o preço de um jantar.

Quanto ao gosto... é algo do qual não deve discutir. As senhoras conhecias não vão para a Penthouse, embora os homens exigam que a Playboy tenha a postura da primeira. Querem a famosa em "full frontal", mas claro, as famosas fogem disso como o "Diabo na Cruz". Querem-se mostrar nuas, mas não tanto. Isso é outra história, que começará a ser contada a partir da Primavera. Veremos é se o mercado aguentará tanta revista nas bancas. 

Youtube F1 Onboard: Mercedes W03 em Silverstone



Aos poucos, a Mercedes larga imagens do seu novo carro o W03, desenhado por Ross Brawn, que andou a fazer um "shakedown" esta quinta-feira no circuito dse Silverstone, com Michael Schumacher e Nico Rosberg aos comandos. E nestas imagens de ângulos fora do vulgar, não mostram a parte que nos interessa, o bico do monolugar, mas parece que Brawn decidiu ser mais radical com a parte da frente do carro, fazendo um verdadeiro "ornitorrinco"...

Na segunda-feira veremos em Barcelona o resultado final. Para já, vêm-se as imagens.

Noticias: Vitaly Petrov entra na Caterham, Jarno Trulli sai

A Caterham, equipa de Mike Gascoyne e Tony Fernandes, anunciou esta manhã a contratação do russo Vitaly Petrov no lugar de Jarno Trulli para a temporada de 2012. Uma movimentação algo inesperada, mas que já comentada nos bastidores desde há muito tempo, dada a veterania do italiano e a sua aparente desmotivação em continuar na equipa, apesar do seu contrato ter sido renovado há alguns meses.

“Trazer Vitaly para substituir Jarno não foi uma decisão fácil, mas o fizemos para garantir um novo impulso à equipa e com uma visão realista na situação económica global. O Jarno tem um incrível e natural talento atrás do volante e suas vitórias e longevidade no automobilismo ficarão marcadas para sempre na Formula 1, mas agora é hora de iniciar um novo capítulo na história do time e Vitaly é a pessoa certa para nos ajudar”, afirmou Tony Fernandes.

É certo que o dinheiro do russo fez alguma diferença na hora de escolher Petrov, mas também o fato de haver um GP russo daqui a dois anos também influenciou na decisão de escolher Petrov, que saiu da Lotus no final do ano e aparentemente, tinha ficado sem lugar. Caso não haja mais novidades a meio do ano, isto fará com que a Itália não tenha pilotos na grelha da Formula 1 desde o GP do Alemanha de 1973, quando a Ferrari optou pela ausência e um dos seus pilotos, Arturo Merzário, não paticipou.

Trulli, de 37 anos (nascido a 13 de julho de 1974 em Pescara), era um dos veteranos da Formula 1, com 256 Grandes Prémios - igualando Riccardo Patrese - começando em 1997 pela Minardi, com passagens pela Prost, Jordan, Renault, Toyota e Lotus. A sua melhor classificação de sempre foi um oitavo lugar em 2004, onde venceu a sua unica corrida da carreira, no Mónaco. Trulli fez também quatro "pole-positions" e uma volta mais rápida, conseguindo 246,5 pontos.

Projeto da Mini Portugal apresentado em Lisboa

O Museu da Carris, em Lisboa, foi ontem à noite o palco da apresentação da WRC Team Mini Portugal, a equipa do qual Armindo Araujo e Paulo Nobre irão participar a partir de agora como representantes oficiais da marca alemã no Mundial WRC de Ralis em 2012. Armindo e o seu navegador, Miguel Ramalho, estiveram presentes para apresentar o projeto, ao lado de Bruno de Pianto, diretor da Motorsport Itália, representantes da marca e do principal patrocinador, a Galp.

Para o piloto de Santo Tirso, o fato deste projeto ter sido elevado a grau oficial nesta temporada é um ponto alto da sua carreira. “Lutei sempre desde o primeiro rali por conseguir chegar mais alto. Todos os títulos que alcancei foram muito importantes, mas este é o maior e ambicioso projeto de sempre. Pela primeira vez Portugal tem um piloto a disputar todas as provas do WRC, o seu nome numa equipa no Campeonato do Mundo de Ralis e inscrita como construtora oficial de uma marca." coneçou por afirmar. 

"Melhor era praticamente impossível. Por tudo isto, só tenho que agradecer em primeiro lugar a Mini por ter depositado em mim toda a confiança e aos meus parceiros que continuaram a apoiar-me. Sem eles este dia não seria possível. Todos sabemos que não é possível vencer de um dia para o outro e, por isso, de minha parte podem contar com o maior empenho e com a certeza que darei sempre o máximo para conseguir os melhores resultados possíveis“, concluiu.

Já Bruno de Pianto, diretor da Motorsport Itália, referiu o orgulho pelo fato desta parceria contar agora com apoio oficial: “Todos os elementos da Motorsport Itália estão naturalmente orgulhosos por esta parceira com a MINI e com a possibilidade de inscrevermos a equipa como construtora oficial. Nós vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para representar a MINI da melhor forma possível e os grandes objetivos passam por garantir os melhores resultados. Estamos também muito satisfeitos por esta ligação ter possibilitado a homologação do MINI John Cooper Works WRC até 2018. Toda a equipa da Motorsport Itália está ligada ao Armindo Araújo há alguns anos e isso permite-nos trabalhar ainda melhor“, afirmou o responsável italiano. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Noticias: Ken Block correrá em três ralis nesta temporada

O Mundial WRC de 2012 já vai na segunda prova, mas no meio de tantos inscritos, há um do qual nada ainda tinhamos noticias. Pelo menos, até hoje. O americano Ken Block, que participou a fundo em 2010 e 2011, irá correr durante três ralis nesta temporada, a partir do rali do México, no seu Ford Fiesta WRC. Os outros dois serão os ralis da Nova Zelândia e da Finlândia.

Este programa, bem mais reduzido do que nos anos anteriores, tem a ver com a sua maior aposta em eventos dentro dos Estados Unidos, como o campeonato nacional de rallycross, bem como a sua participação nos X-Games e algumas provas do campeonato americano, como o Olympus Rally, o Rali 100 Acre Wood, Rally Defi: St. Agathe e o Pacific Forest Rally.

Block, atualmente com 44 anos, é conhecido pelos seus videos de "Ghynkhana", onde faz malabarismos com o seu Ford Fiesta WRC. Colocados no Youtube, já renderam dezenas de milhões de visitas nos últimos quatro anos. Em relação ao Mundial de Ralis, o seu melhor resultado é um oitavo lugar no Rali de França do ano passado.

5ª Coluna: Um desastre à espera de acontecer

Como já esperava, mal começaram os confrontos no Bahrein, surgiram as noticias sobre o risco da realização do Grande Prémio, que como todos sabem, está marcado para o dia 22 de abril no calendário de 2012. Bernie Ecclestone, como sempre, afirma de pedra e cal que "o espectáculo vai continuar" e que todos irão lá, felizes e contentes, enquanto que o octogenário receberá os 40 milhões provenientes dos poços de petróleo da família real barenita.

O risco é complicado. Se Bernie, que tem fama de abrir a boca antes de pensar, diz isso, a realidade é bem mais complexa, e o futuro arrisca a ser incerto. Afinal de contas, alguém em novembro de 2010 iria dizer que dali a três meses o Médio Oriente estaria a ferro e fogo, como palha seca? Pois é, falta pouco mais de dois meses para o Grande Prémio do Bahrein, e tudo pode acontecer. Se seguem os meus posts dos últimos dias, sabem que há apelos de deputados britânicos da Câmara dos Lordes para que a FIA cancele o Grande Prémio, e que já foi retorquido por outros deputados, simpatizantes - para não falar de outra coisa - da causa da família real, afirmando que tudo está normal naquelas bandas e que a Formula 1 não terá problemas em ir lá.

Sei que o cenário está cada vez mais a parecer com o de outubro de 1985, quando contra todas as recomendações da comunidade internacional, a Formula 1 foi a Joanesburgo, nos dias cinzentos do "apartheid", para correr o GP da Africa do Sul, mesmo com boicotes das equipas francesas - Ligier e Renault - e mesmo com muitos patrocinadores a retirarem os seus logótipos das carenagens, não querendo nada com aquele espectáculo. Bernie Ecclestone, velho teimoso, mas também uma velha raposa, aposta no mesmo cenário de há 26 anos, mas o mundo mudou um bom bocado desde então.

Esta tarde, andei a ler o post desta semana do blog "The Mole", que neste momento está alojado no blog do sempre interessante Joe Saward. E é sempre interessante saber até que ponto a Formula 1 está impregnada de dinheiro barenita, graças a um príncipe herdeiro que é um verdadeiro "petrolhead" e que já gastou centenas de milhões - senão milhares de milhões de dólares - em dinheiro, não só para construir e manter o Autódromo de Shakir, como também para investir em algumas equipas, como a McLaren e a Lotus Grand Prix. Nada de muito especial: se as equipas precisam de dinheiro, vão à procura de quem os têm. E nesta altura do campeonato, a cotação do petróleo fez com que o Golfo Persico esteja a abarrotar de dinheiro.

Contudo, lá se fala que o governo britânico tem imensos negócios a nível de defesa (há uma base naval por lá) bem como em termos de segurança, pois treinou as forças locais a nível do exército e da policia. Também, nada de novo, neste mundo em que a "realpolitik" de dois blocos não se extinguiu com o final da Guerra Fria. Mas ainda para piorar as coisas, nos últimos dias temos lido as noticias sobre o aumento de tensão entre o Irão e o Ocidente por causa do programa nuclear iraniano, da possibilidade do encerramento do Estreito de Ormuz e do possível ataque de Israel ou dos Estados Unidos às instalações nucleares iranianas, algures na Primavera. E no dia 22 de abril passarão exactamente um mês e dois dias desde o seu inicio...  será que o Pentágono assiste às corridas de Formula 1?

Como vêm, por muito que se diga o contrário, o risco de não haver Grande Prémio é mais real do que se parece.

Noticias: Ouninpohja regressa ao Rali da Finlândia



A noticia é de ontem, e é mais um sinal de que a FIA quer recuperar a essência que os ralis tinham em meados dos anos 80 e inicio dos anos 90: a organização do Rali da Finlândia anunciou que a sua "Power Stage" - a tal classificativa final onde se dão pontos extra aos três primeiros - será na mítica classificativa da Ouninpohja, que faz um regresso desde 2006, creio eu.

Uma classificativa de saltos atrás de saltos, onde é preciso muito sangue frio para os pilotos para travar sem perder a velocidade, e curvar sem ter de sair fora de estrada, pois um erro, o menor que seja, é a morte do artista. Tanto mais que devido à sua velocidade, foi retirada do "road map" do rali finlandês.

Com o regresso do Rali de Monte Carlo ao calendário, e também o regresso de parte da classificativa Fafe-Lameirinha, como exibição para o Rali de Portugal, aos poucos, parece que a FIA e a sua Comissão para os Ralis, que está nas mãos da sábia Michele Mouton, parece querer recuperar a essência. Só falta resolver os problemas com as transmissões televisivas e provavelmente a partir do ano que vêm, poderemos ver o regresso a um passado não muito distante, mas do qual muitos dos mais velhos tem saudades.

E enquanto que lêm a noticia, deixo-vos de novo com o video do Antti Kalhola sobre essa mítiuca classificativa para os amantes do rali. E também podem ir ao Col de Turini, do Márcio Kohara, para verem um video da Puma, a fazer publicidade a uma linha de casacos com o nome da dita.

Uma linda fotografia, de uma temporada memorável

Para quem ainda não sabe quando, onde, quem são e quem tirou a foto, eu digo agora: Circuito de Mosport, Canadá, 3 de outubro de 1976, e os carros são: o March 761 de Ronnie Peterson, perseguido pelo McLaren M26 de James Hunt, que por sua vez é acossado pelo Tyrrell P34 de seis rodas de Patrick Depailler, e no quarto lugar está o Lotus 77 do italo-americano Mário Andretti. O autor da fotografia chama-se Allan de la Plante.

Nas últimas semanas, fartei de ver esta foto no Facebook. De facto, ela é linda e deveria ser emoldurada e pendurada nas paredes de salas, escritórios e quartos de qualquer "petrolhead". Imanesa gente deve ter neste momento no "wallpaper" dos seus "laptops", como lembrança de uma temporada memorável, em que nunca uma tal variedade de carros tinha acontecido. Porque são quatro carros diferentes, todos com a mesma velocidade, e mesma capacidade de vencer, pilotados por excelentes pilotos. E tem a coincidência pessoal de tudo isto ter acontecido no ano do meu nascimento. Mas o que não sabia era que esta semana, o jornalista britânico Maurice Hamilton ter publicado no site grandprix.com a sua história sobre essa foto, essa corrida e esses homens.

No artigo, conta coisas que vão desde o apelo da Ferrari, que queria a desclassificação do McLaren de James Hunt do GP da Grã-Bretanha, alegando que não tinha completado uma volta da primeira partida, onde se envolveu com uma carambola na Paddock Hill Bend - ironicamente, provocado pelos Ferrari de Lauda e Clay Regazzoni. A Ferrari levou o caso até ao extremo, levando um ensanguentado Lauda ao Tribunal de Apelo de Paris, convencendo os juízes da sua razão, enquanto que Hunt, tranquilo, estava em Toronto a jogar uma partida de ténis.

De repente, a Ferrari ganha razão no caso e desclassificam Hunt, e a diferença passa para 17 pontos. Só que foi sol de pouca dura, pois na corrida canadiana, Lauda tem problemas de dirigibilidade, arrastando-se para um ignorado oitavo posto, sem pontos para recolher e vê o seu maior rival "vingar-se" com uma vitória de raiva, mas acossado pelo Tyrrell do francês Patrick Depailler, que nunca o largou até à meta.

E depois, Hamilton conta que viu, à sua frente, uma coisa espantosa: mal Depailler cortou a meta, este saltou fora com a maior rapidez possível e praticamente desmaiou ao lado do carro. Mais tarde, soube-se que tinha havido uma fuga e os vapores de combustível tinham enchido o cockpit do francês nas últimas 18 voltas, entorpecendo-o. "Estava zen", contou minutos depois, imperturbável, enquanto acendia um Gauloises. Fizera boa parte da corrida em piloto automático, preocupado em chegar ao fim, mas não largando Hunt. "E fiz com apenas o olho direito aberto. Não conseguia ver nada do outro". E de facto, Maurice Hamilton afirma que o seu olho esquerdo estava fechado, como se tivesse levado um murro. Mas Depailler não se importava com isso, pois no final tinha conseguido o seu objetivo: chegar ao fim e levar pontos.

De facto, aqueles anos 70 foram uma era dourada. Uma temporada unica. Não admira que Hollywood esteja a fazer um filme sobre ela...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Youtube Formula 1 Classic: O Último Verão de Jochen Rindt



Eis o achado que o Paulo Abreu, no seu Volta Rápida, colocou no seu blog: o documentário "O Último Verão de Jochen Rindt", realizado em 2010 para comemorar os 40 anos do seu desaparecimento no Autódromo de Monza e a estupenda temporada na Lotus, que lhe deu depois o seu título mundial, o único atribuido a título póstumo.

Pelo que me contam, tem imagens raras, cedidas pela viúva, a finlandesa Nina, e entrevistas com as pessoas que privaram de perto com ele, como Bernie Ecclestone, o seu empresário, Herbie Blash, Jackie Stewart - provavelmente o seu melhor amigo nas pistas - Jacky Ickx, Helmut Marko, entre outros.

Por mim, já sei o que vou fazer esta noite: assistir ao documentário. E agradeço ao Paulo Abreu pelo achado.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Não posso esquecer de ti, Ronnie Peterson

Hoje reparei que o teu ex-companheiro de equipa, Mário Andretti, não se esqueceu de ti, e colocou uma foto tua no Twitter. Ahhh... não sabes o que é o Twitter? Pois, vivemos agora num mundo diferente do teu, onde a tecnologia domina, onde todos nós temos um computador no bolso, e onde podemos falar ao telefone onde quisermos, mandar mensagens, etc... irias ficar espantado, se por alguma arte mágica voltasses cá hoje e reparasses a nossa vida quotidiana.

Iria parecer magia, da mesma forma que fazias nas pistas. Querias ser rápido e divertias-te na pista, com aqueles "slides". Hoje em dia, provavelmente o teu mundo iria ser o "drift", onde o pessoal pega num carro e faria curvas como se fosse patinagem artistica, e isso seria avaliado por um juri, que daria notas. Acho que irias adorar.

Hoje em dia, que já te foste e a nova geração só te pode ver através de fotografias e filmes, fica maravilhado pela forma como fazias as curvas. Eram fora do vulgar, e não perdias a velocidade, pelo contrário, parecia que era esse o segredo do teu sucesso, das tuas vitórias. Não posso esquecer de ti, Ronnie Peterson, pelo facto de os anos 70 serem agora vistos como uma era de ouro, onde qualquer um se arriscava a ser campeão do mundo, onde os melhores se podiam mostrar, onde havia liberdade para desenhar um carro. Trabalhaste com génios, mas podias ter tido mais paciência com o Colin Chapman, porque se não fosse assim, talvez o campeonato de 1978 poderia ter sido teu, pois ele te daria estatuto de primeiro piloto.

Mas isso são muitos "ses", caro Ronnie. O destino quis assim, e acho que fizeste o teu melhor para que conseguisses o teu lugar na historia da Formula 1. Lutaste muito para teres a tua primeira vitória na Formula 1, e conseguiste. Lembro-me de ver uma reportagem tua na Suécia, em 1973, e ver a tua cara de ligeira melancolia ao ver escapar a tua vitória, a vitória que querias tanto ter em casa, superado pelo McLaren do veterano Dennis Hulme, e todos serem simpáticos para ti, pois já te admiravam o teu estilo de condução e torciam para que tu vencesses. Quando ganhaste na corrida seguinte, em Paul Ricard, muitos celebraram esse momento, merecidamente.

Eu não posso esquecer de ti, Ronnie Peterson. Mesmo que na tua Orebro natal sejas aos poucos esquecido, primeiro quando fecharam o museu dedicado a ti, e agora, quando me disseram que a tua estátua estava num canto, porque a zona estava agora em construção, para erguerem um bairro, com prédios bonitos e ecológicamente corretos. Desejo que seja temporário, e que coloquem de volta onde merecidamente pertences. Acho que seria assassino se os teus compatriotas te esquecessem e aquilo que fizeste pelo automobilismo do teu pais e do mundo.

Caro Ronnie, hoje por aqui é o Dia de São Valentim. Espero que onde quer que estejas, esteja em que dimensão, tu a Barbro comemorem este dia da melhor maneira que puderem. Nós por aqui iremos sempre lembrar de ti.

Abraços Ronnie, e até qualquer dia.

P.S: O Twitter, caro Ronnie, é uma ferramenta de "microblogging" onde tens 140 caracteres para escrever uma frase e comunicar ao resto do mundo o teu estado de espírito pela Internet. Ah, não sabes o que é a Net? Pois, esqueci dessa parte...