quarta-feira, 22 de julho de 2009

Noticias: Bernard Arnaut ambiciona pódio em Misano

A Formula Renault 2.0 Itália volta á acção este fim de semana em Misano, o representante português da categoria, Bernardo Arnaut, 16 anos de idade e no seu ano de estreia nos monolugares, tem como grande ambição estrear-se no pódio da categoria. Apesar de não conhecer o traçado...


"Não conheço praticamente nenhuma das pistas deste Campeonato, por isso os treinos livres são importantes para ter o primeiro contacto e recolher informação necessária. Conto, nas duas horas disponíveis de treinos conseguir equilibrar o carro o melhor possível, para lutar durante a qualificação por uma boa posição na grelha. Neste campeonato, todos os pilotos têm um andamento muito semelhante, pelo que a posição na grelha é fundamental para fazer a diferença no resultado final da corrida", explicou o piloto.


"Tenho sempre procurado conseguir um lugar entre os cinco primeiros, mas penso já estar mais adaptado ao Campeonato e ao carro. Assim não me parece desmedido ambicionar em pódio. Espero que tudo corra bem, que a sorte esteja também do meu lado e que consiga pôr em prática os meus objectivos", concluiu.


Correndo pela equipa Co2 Motorsports, Bernardo Arnaut ocupa agora o oitavo lugar do Campeonato de Formula Renault 2.0 Itália, com 98 pontos. O seu melhor resultado nesta temporada foram três quintos lugares e tirando uma desqualificação na segunda corrida da Hungria, tem terminado sempre as corridas em lugares pontuáveis.

Walter Cronkite e o jornalismo do século XX (2ª parte)



(Continuação do capitulo anterior)


"Cheguei ao topo da montanha!"


Poucos dias se passaram, e a América ainda digeria a ofensiva do Tet, no Vietnam, quando a 4 de Abril, recebe outro choque: Martin Luther king, o homem que liderava o Movimento pelos Direitos Civis, tinha sido morto a tiro num hotel na cidade de Memphis, no Tenessee. O atentado ocorrera à tarde, e já tinha sido feito uma emissão especial dirigida por um jovem Dan Rather (que sucedeu 15 anos depois a Cronkite na CBS Evening News) logo, houve mais do que tempo para fazer directos da cidade, e recolher elementos sobre as ondas de choque que estavam a acontecer na América nesse dia, cujas tensões raciais latejavam, ainda por cima, em ano de eleições presidenciais, onde a América, envolvida até à medula pelo atoleiro que era a Guerra do Vietnam, também combatia nas ruas contra este envolvimento numa guerra injusta (recorde-se, em 1968, o recrutamento era obrigatório nos Estados Unidos).


No final daquele dia, Walter Cronkite, no seu CBS Evening News, resumia os acontecimentos desse dia. De maneira sóbria, mas decidida, e sobre o impacto que aquilo iria ter na sociedade americana. Entre as peças que se encontram neste vídeo, está uma declaração do então presidente Lyndon Baines Johnson, e uma parte do seu famoso ultimo discurso, onde afirmou que "tinha chegado ao topo da montanha". Palavras proféticas... Naquele ano tempestuoso de 1968, este era mais um episódio turbulento. Outros iriam surgir, infelizmente...




“E agora, rumo, a Chicago!”


O ano de 1968 já tinha chegado a meio, e o mundo andava em sobressalto. O Vietname era um atoleiro, Martin Luther King fora assassinado mês e meio antes, e a campanha presidencial desse ano estava ao rubro, não tanto como o que se passa hoje. A campanha, apesar de ter todos os moldes que tem hoje, o momento decisivo não era em Março, mas sim em Junho, com as Primárias na California. E como depois da renuncia de Lyndon Johnson, era uma corrida aberta entre democratas, enquanto que no campo republicano, depois do fracasso que foi o extremista Barry Goldwalter, escolhiam um candidato mais consensual, o ex-vice presidente Richard Nixon, que fora derrotado por John F. Kennedy oito anos antes.



No caso democrata, três nomes sobressaíam: o vice-presidente de Johnson, Eugene McCarthy, o senador do Minessota, Humbert Humpfrey e o Senador por Nova Iorque Robert Fitzgerald Kennedy (RFK). Fizera campanha prometendo que assim que fosse persidente, iria trazer os soldados para casa. Anti-guerra, mais liberal que o seu irmão, também tinha experiência governativa, como Secretário da Justiça, onde ficou mesmo depois da morte do seu irmão. Afastou-se do Governo para se candidatar a Senador por nova Iorque, onde ganhou. E em Março de 1968, desafiando Johnson, anunciou a sua presidência.


A luta era renhida, e RFK perdeu alguns estados para Humpfrey, e tudo se jogava naquela solarenga tarde de Junho. E outro candidato estava na liça, e o natural favorito: o então vice-presidente, Eugene McCarthy. Antes da eleição, McCarthy estava na frente, mas uma vitória decisiva, numa contagem onde era "winner takes all", mesmo com um voto a mais, para Kennedy, significava que estava numa posição de força para a Convenção Democrata, em Chicago, marcada para Agosto. E nessa altura, as Convenções eram para valer, e não o "show-off" que estamos habituados a ver, pois nessa noite, Johnson dera ordens expressas a McCarthy e Humprey para que se juntassem, no sentido de derrotar RFK na corrida presidencial.


E na noite em que RFK faz o discurso de vitória e diz "agora vamos para Chicago", parecia que ele tinha o impulso para conseguir um milagre, que era a nomeação democrata, contra Nixon. Mas o destino foi cruel: um desequilibrado de 21 anos de origem palestiniana, Shiran Shiran, aponta uma pistola à nuca de RFK e atinge-o mortalmente na cabeça. Resiste por um dia, mas morre na madrugada de terça-feira. O país estava mais uma vez em choque.
(continua no próximo episódio)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Alguersuari já tem experiência de Formula 1...




Para quem acha que a experiência de Jaime Alguersuari num Formula 1 é somente de linha recta, está enganado. É certo que ele não tem muita experiência em controlar um carro de Formula 1, deve ter o minimo exigivel para que lhe emitissem uma Super-Licença, e é certo que a sua estreia na competição está a ocorrer demasiado cedo na sua carreira (e eu sou um deles), mas se é a Red Bull que achou por bem largar a meio da temporada o francês Sebastien Bourdais, então, espero que se sujeitem às consequências da escolha.


Ao contrário da maioria, já vi Alguersuari dentro de um Formula 1. Onde e quando? Novembro do ano passado, aquando da inauguração do Autódromo de Portimão. O jovem piloto espanhol, recém-campeão da Formula 3 britânica, deu três voltas ao traçado português, tornando-se no primeiro a experimentar as sensações de conduzir naquele local a cheirar a novo. Ele gostou da experiência.


Agora veremos como vai ser a sério. Não creio que seja outro Vettel, mas espero também que não passe por vergonhas...

Noticias: Cosworth assegura competitividade dos seus motores

A Cosworth irá voltar à competição em 2010, fornecendo motores às três novas equipas de formula 1: Campos, Manor e USF1. Contudo, o facto de a marca estar de fora da Formula 1 desde 2006, logo, sem estar a par da concorrência, faz despertar dúvidas sobre a sua competitividade. Segundo o site português http://www.sportmotores.com/, os responsáveis da Campos consideram que o propulsor não é suficientemente competitivo, mas Tim Routsis, o presidente da empresa, garante o contrário: "Estamos confiantes de que os motores serão absolutamente competitivos", afirmou, em declarações captadas pelo site brasileiro Grande Prêmio.


A Cosworth esteve no centro de uma das disputas entre a FIA e a FOTA, nomeadamente devido ao facto da FIA ter permitido que eles pudessem ter um limite mais alto do que os restantes motores (20 mil rotações por minuto contra os 18 mil das restantes equipas), mas a preparadora assegura que no ano que vêm será competitivo, mesmo com este limite. "Sugerimos o limite de 18.000 rpm para acabar com uma tensão potencial e com um ponto de possível conflito", referiu.

O piloto do dia - Mike Thackwell

Esta semana, no autódromo de Hungaroring, a Toro Rosso vai estrear o espanhol Jaime Alguersuari, em substituição do francês Sebastien Bourdais. Com 19 anos e 125 dias, o piloto catalão irá bater um recorde com quase trinta anos: o de piloto mais jovem a participar numa corrida de Formula 1. Tal como neste caso, no actual detentor do recorde depositavam-se grandes esperanças de uma grande carreira na Formula 1, mas no final, nunca lhe foi concedida uma oportunidade a sério. Hoje falo do neozelandês Mike Thackwell.


Nascido a 30 de Março de 1961 em Auckland, na Nova Zelândia, Thackwell deu os seus primeiros passos aos 12 anos, no karting. Cinco anos mais tarde, em 1979, com 18 anos recém-completados, vai correr para a Formula 3 britânica e impressiona a tudo e todos, a bordo de um March 793 Toyota. Vence cinco provas e consegue mais três pódios, conseguindo 71 pontos e o terceiro lugar final, atrás do brasileiro Chico Serra e o italiano Andrea de Cesaris, futuros pilotos de Formula 1.


Assim sendo, passou para a Formula 2 em 1980, onde conseguiu um bom conjunto de resultados, terminando o campeonato na oitava posição, com 11 pontos. Contudo, mais do que os resultados, eram as suas prestações em pista que impressionavam os responsáveis das equipas de Formula 1. desde o inicio desse ano que lhe ofereciam oportunidades de guiar um dos seus carros. A Ensign lhe deu um lugar no seu carro, mas não aceitou. Em Agosto desse ano, a Arrows lhe deu a oportunidade de correr no GP da Holanda, para substituir o acidentado Jochen Mass. Thackwell fez o fim-de-semana qualificativo, mas falhou a entrada na grelha por muito pouco.


Contudo, as suas prestações atraíram a atenção de Ken Tyrrell, que lhe proporcionou um teste num dos seus carros. Após isso, deu-lhe um contrato para correr num terceiro carro nas duas últimas provas do ano, em Montreal e Watkins Glen. No GP do Canadá, esforçou-se e conseguiu o último lugar qualificativo, colocando de fora… o Ferrari de Jody Scheckter! Assim sendo, Thackwell, então com 19 anos e 182 dias, tinha batido um recorde com 18 anos, conseguido pelo mexicano Ricardo Rodriguez no GP de Itália de 1961, que tinha participado nessa corrida com 19 anos e 208 dias.


Contudo, a sua corrida foi de curta duração. Na primeira volta da corrida, houve confusão na frente, com Nelson Piquet e Alan Jones, então os contendores pelo título mundial daquele ano, e mais alguns carros ficaram pelo caminho, entre os quais, ele e o seu companheiro Derek Daly. A corrida foi interrompida, e Tyrrell não tinha peças suficientes para reparar ambos os carros, assim sendo, Ken Tyrrell priorizou Daly, fazendo com que não alinhasse na segunda largada.


Isso causa até aos dias de hoje alguma polémica: deve ser considerada como uma participação ou não. Alguns dizem que sim, e oficialmente, a participação de Thackwell em Montreal tem um DNF (did not finish) como resultado. Assim sendo, seria ele a deter o recorde. Mas há alguns que dizem que não, e assim sendo, o recorde pertenceria a Ricardo Rodriguez. Mas o consenso é que Thackwell alinhou na corrida canadiana e partiu.


Na prova seguinte, em Watkins Glen, Thackwell tentou a sua sorte, mas ficou de fora da corrida devido à pouca potência do seu motor Cosworth, que tinha menos 50 cavalos do que, por exemplo, os seus companheiros Daly e Jarier. Mas provou um pouco que tinha até velocidade para bater com os melhores, e um futuro brilhante pela frente. Volta para a Formula 2 em 1981, a bordo de um Ralt, e vence a primeira prova em Silverstone, foi segundo em Hockenheim, e todos afirmavam que ele seria o mais sério favorito ao título. Mas Thackwell sofre um sério acidente em Thruxton, que o coloca fora de combate durante alguns meses. Volta para conquistar algumas posições nos pontos, que o fazem classificar-se na sexta posição da geral.


Contudo, no final do ano, é dispensado da equipa, e com um “budget” limitado, vai correr pela Horag, em 1982, onde faz uma temporada difícil, e apenas consegue oito pontos e um pódio. Mas isso foi o suficiente para que Ron Tauranac, o patrão da equipa oficial da Ralt, lhe desse uma nova oportunidade em 1983, onde foi mais consistente e venceu uma corrida, terminando a temporada no segundo lugar, atrás do vencedor (e seu companheiro de equipa), Jonathan Palmer.


Em 1984, contudo, foi o seu melhor ano. Dominou completamente a temporada, chegando até a liderar em 70 por cento de todas as voltas percorridas nesse ano. Venceu em sete provas e o título de Formula 2 foi arrebatado com naturalidade. Iria ser o último campeão da Formula 2 sob esse nome, pois iria ser rebaptizada no ano seguinte como Formula 3000. Pelo meio, regressaria à Formula 1 em duas ocasiões: no Canadá (mais uma vez) pela RAM, para substituir o magoado Palmer, e na Alemanha, quando Stefan Bellof não podia guiar o “seu” Grande Prémio devido a um conflito de calendário com os Sport-Protótipos. No primeiro caso, Thackwell qualificou-se sem problemas, correndo até á volta 30, onde abandonou com problemas no Turbo. No GP alemão, numa Tyrrell que se via a braços com a polémica sobre o seu peso a menos e os chumbos no depósito de água, que lhe valeram a sua exclusão do campeonato, o neozelandês não se qualificou.


Contudo, estes iriam ser as suas últimas oportunidades na Formula 1. No final desse ano, ainda fez duas corridas pela Penske na CART, substituindo Rick Mears, que se tinha lesionado. Em 1985, sem oportunidades na Formula 1 a tempo inteiro, alinhou na Formula 3000, onde conquistou três vitórias e falhou por pouco o título, que foi para o alemão Christian Danner. No inicio de 1986, a RAM chamou-o de novo para que Thackwell pudesse fazer uns testes pela equipa, de modo a alinhar nessa temporada a tempo inteiro. Parecia que a sua oportunidade estava finalmente a chegar, mas a equipa retirou-se antes da temporada começar, deixando-o sem montada.


Assim, fez mais umas provas pela Formula 3000 em 1986, vencendo uma corrida, e virou-se para os Sport-Protótipos, correndo pela Jaguar e Sauber, tendo como melhor resultado uma vitória nos 1000 km de Nurburgring de 1986. Continuou a correr em 1987 nos Sport-Protótipos e na Formula 3000 até 1988, até que, com 27 anos, fartou-se do automobilismo de vez, cortando todos os contactos com o meio. Vive agora no sul de Inglaterra, onde após ter tido diversos empregos, gere agora uma loja de artigos de surf.


No final, deixo-vos uma frase tirada da sua biografia no site Formula One Rejects, e que pode servir de aviso aos jovens pilotos de futuro: “[Thackwell] provavelmente subiu demasiado depressa em tão pouco tempo, e foi sujeito às atribulações e desafios de uma competição tão dura como esta, numa altura em que não estava mentalmente preparado para isto. A sua carreira foi um puro desperdício de talento, mais muitas dos seus percalços foram responsabilidade sua.”


Fontes:


http://es.wikipedia.org/wiki/Mike_Thackwell

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana tem dois assuntos directamente relacionados com a Formula 1: o esperado contra-ataque da Brawn na Hungria e a disputa pelo lugar de presidente da FIA, nas eleições dõ próximo mês de Outubro, entre o finlandês Ari Vatanen e o francês Jean Todt. "Já começou a corrida à FIA" é o título mais forte da revista.

Para além disso, a revista fala sobre a antevisão do GP da Hungria de Formula 1, onde se coloca o carro da Brawn GP, que após as duas vitórias consecutivas da Red Bull e dos seus pilotos, tem de reagir, caso contrário este campeonato, que antes se julgava ser da Brawn GP, estará definitivamente relançado.

Walter Cronkite e o jornalismo do século XX (1ª parte)




Walter Leland Cronkite (1916-2009) é considerado como muitos um dos ícones do jornalismo americano na segunda metade do século XX. Jornalista desde muito cedo, cobriu a II Guerra Mundial como correspondente da UPI (United Press International) e após o final da guerra e uma breve passagem por Moscovo como correspondente da UPI, juntou-se a Edward P. Murrow na CBS em 1950, altura em que a televisão ainda gatinhava, quer nos Estados Unidos, quer no resto do Mundo.


Ao longo dos anos 50 apresentou vários programas informativos, até que em 1962 passou para a CBS Evening News, o noticiário mais importante do dia. Nessa altura, o noticiário tinha apenas 15 minutos de duração, mas a crescente importância da infirmação fez aumentar a sua duração para 30 minutos, ainda nesse mesmo ano. Nos 19 anos seguintes, a sua reputação, bem como a da estação televisiva, aumentou consideravelmente, ajudando a noticiar, e consequentemente influenciar, toda uma geração de americanos, fazendo com que se tornasse, anos depois, no “Homem mais confiável da América”.


"A noticia, aparentemente oficial: John F. Kennedy está morto"


O seu primeiro momento marcante da carreira é definitivamente o dia 22 de Novembro de 1963. Nesse dia, o presidente John F. Kennedy faz uma visita de dois dias ao Texas, e nessa sexta-feira visita a cidade de Dallas. Existiam alguns receios sobre a forma como ele seria recebido, pois semanas antes, outros políticos democratas tinham sido insultados e até agredidos. Mas em Dallas, foi o contrário: Kennedy, que trouxera a sua mulher Jackie consigo, foi calorosamente recebido pela população local. Mas pouco depois do meio-dia, quando o Lincoln Continental presidencial desce a Elm Street, ouvem-se três tiros, disparados por um homem de 25 anos chamado Lee Harvey Oswald, atingindo Kennedy no pescoço e na cabeça, ferindo-o mortalmente.


Nos minutos a seguir à noticia do tiroteio, uma nação em choque segue colada à televisão às angustiantes noticias vindas da cidade texana de Dallas, numa altura em que não havia CNN, directos sobre directos do local X ou Y ou helicópteros a sobrevoar. Na CBS via-se Cronkite numa mesa da redacção, de mangas de camisa, a ler os relatórios vindos das agências noticiosas, à medida que a situação se tornava negra, e os rumores sobre a sua morte se tornavam cada vez mais insistentes. Às 14:38 da tarde, chega a noticia que todos temiam, e Cronkite coloca os óculos e lê-la com visível emoção:


"De Dallas, no Texas, a noticia aparentemente oficial: Presidente Kennedy morreu às 13 horas locais, 14 Horas na costa Leste, há uns 38 minutos atrás". Vê-se a olhar para o relógio e tira os óculos por um momento, enquanto tentava manter a compostura, para referir a seguir: "O Vice-Presidente Johnson já abandonou o hospital em Dallas, mas desconhece-se onde de dirige. Presumivelmente, vai tomar juramento em breve para se tornar no 36º Presidente dos Estados Unidos". Dois dias depois, seria ele mesmo a anunciar a morte, em plenas cerimónias fúnebres de Kennedy, do seu assassino: Lee Harvey Oswald, quando este se transferia da cadeia central de Dallas para uma prisão estatal.


"Não procurarei, nem aceitarei, a nomeação democrata para um novo mandato como Presidente"


Com os anos, quer o prestígio de Cronkite, quer o do CBS Evening News subiam, e mais momentos decisivos da sua carreira viriam a surgir, especialmente num ano marcante como foi o de 1968. O primeiro foi quando rumou ao Vietname do Sul para assistir, "in loco", à Ofensiva do Tet, que ocorrera no início de Fevereiro de 1968. O exército Vietcong (os "VC's" ou "Charlies" no calão militar) planou meticulosamente um plano que visava apanhar os americanos e os sul-vietnamitas "com as calças na mão" surpreender os americanos nesse preciso dia, pois normalmente havia um acordo tácito de cessar os combates nessa ocasião festiva.


Os VC's conseguiram os seus intentos: nos vários dias a seguir, a guerra tinha chegado ao centro de Saigão, com combates a decorrer, imaginem-se, dentro da embaixada americana! A ideia era tentar ganhar aos americanos no seu próprio terreno e infligir um poderoso golpe não só à América, como ao mundo ocidental, numa altura de Guerra Fria. Não o conseguiram, mas o embaraço foi o suficiente para, por exemplo, os soldados americanos andarem mais de um mês a tentar escorraçar os VC's da cidade imperial de Hué, perto do famoso paralelo 17.


Cronkite foi nessa altura a Hué, para ver os combates "in loco", e chegou à conclusão que aquela guerra não estava a ser ganha, nem se ia a lado nenhum com um conflito que só trazia mortos e estropiados para casa, e que já era um desperdício de meios militares, começando a ser contestada em casa. No final de um "Special Report" feito por ele, no regresso ao seu estúdio em Nova Iorque, afirmou que aquele conflito só seria resolvido numa mesa de negociações, pois uma maior escalada da guerra seria como abrir numa perigosa "Caixa de Pandora" que poderia resultar, num caso extremo, "um conflito de proporções cósmicas". Numa altura de Guerra Fria, isso significava muito...


Ao ouvir estas palavras, o presidente Johnson terá dito: "Se perdi o Cronkite, então perdi a América". Poucos dias depois, a 31 de Março de 1968, fez um discurso à Nação onde disse uma frase que chocou muitos: "Não procurarei, nem aceitarei, a nomeação democrata para um novo mandato para ser Presidente dos Estados Unidos da América". Quase a seguir, o senador Robert Kennedy (RFK), irmão de John Kennedy, anunciou que iria concorrer a presidente.


(continua no próximo capitulo)

Um tributo de pai, para o filho

De todos os tributos vindos do mundo do automobilismo que estão a aparecer esta manhã a homenagear Henry Surtees, nada mais arrepiante do que aquele que o seu pai, John Surtees, deu ao seu filho de 18 anos, falecido ontem numa prova de Formula 2 em Brands Hatch. Esta manhã publicou uma curta declaração á imprensa:


"O Henry seguiu o seu coração desde o momento em que se sentou num kart pela primeira vez. Ele conseguiu equilibrar de forma séria a vida escolar com o automobilismo, tendo recentemente terminado os seus exames. O mundo acenava-lhe e ele estava a ter sucesso na liberdade para se concentrar no automobilismo.


"Apesar do azar na carreira, ele revelou ser um dos [jovens] com maiores possibilidades de chegar ao topo. Apesar da sua idade, ele mostrou maturidade, perspicácia técnica e rapidez. Mais importante do que tudo isso, ele era uma boa pessoa e um filho e irmão carinhoso. A sua perda será sentida profundamente".

A ver esta declaração, recordei um dos concorrentes do seu pai, Graham Hill. Certo dia disse isto: "Se algum dia o pior acontecer, é porque pagamos o preço da felicidade em vida". A nós só nos resta honrar a memória da sua curta carreira.

GP Memória - Grã-Bretanha 1974

Quinze dias depois de Dijon, a Formula 1 chegava a paragens britânicas, desta vez para correr em Brands Hatch. Normalmente a prova britânica servia para que se inscrevessem mais alguns pilotos no pelotão, e nesse ano não foi excepção: 34 carros foram inscritos, numa grelha que apenas admitia 25 pilotos para ailnhar na corrida de Domingo.

A grande novidade acontecera na Brabham. Rikky Von Opel decidira abandonar a competição e o lugar ficou vago. Bernie Ecclestone procurou um substituito e encontrou-o no brasileiro José Carlos Pace, que tinha saido da Surtees e tinha tentado qualificar-se na corrida francesa com um Brabham da Hexagon Racing. Para o seu lugar, foi contratada... uma mulher. A italiana Lella Lombardi tinha fito carreira na Formula 3 e na Formula 5000, e tinha encontrado uma chance para se estrear na categoria máxima da competição. Era a primeira vez desde 1959 que uma mulher estava na lista de inscritos.


Outro que se estreava na lista de inscritos era a equipa Lyncar. Este era o projecto pessoal de John Nicolson, um engenheiro neozelandês da McLaren, que tinha construido algo semelhante para a Formula Atlantic britânica, com grande sucesso, diga-se de passagem. Piloto amador, pediu a Maurice Gomm para que construisse um chassis, o 006, para a Formula 1. Tinha-o testado em algumas provas extra-campeonato, com resultados mistos e este era o seu primeiro teste a sério.


Mas a Lyncar não foi a unca equipa a estrear-se nesta prova. Havia também a Maki, o projecto pessoal do japonês Kenji Mimura, que pretendia ser o primeiro japonês a contstruir o seu próprio carro e chassis desde a aventura da Honda, dez anos antes. Mimura pediu a Masaro Ono que projectasse o Maki F-101, com motor Cosworth, e contratou o neozelandês Howden Ganley para que guiasse o carro na corrida britânica.



Na Hill-Lola, Guy Edwards estava ausente da corrida depois de ter fracturado o pulso num acidente de Formula 5000 em Mallory Park. Assim sendo, Graham Hill pediu a Peter Gethin para que o substituisse nesta prova de Brands Hatch. Na Surtees, John Surtees tinha encontrado um substituito para Pace, contratando o seu compatriota Derek Bell, que correria ao lado do jovem alemão Jochen Mass. Entretanto, a Iso-Marlboro voltara a chamar Tom Belso para o segundo carro da equipa, substituindo o francês Jean-Pierre Jabouille.


Havia mais algumas inscrições privadas nesta corrida. Mike Wilds usava o March que tinha sido de James Hunt, no ano anterior, e David Purley, o homem que no ano anterior tinha tentado salvar o seu compatriota e amigo Roger Williamson em Zandvort, iria correr no carro da Token, no seu regresso à Formula 1.



Nos treinos, o melhor foi Niki Lauda, que conseguia para a Ferrari a sua terceira pole-position consecutiva. A seu lado estava o Lotus de Ronnie Peterson, que só estava aí porque... tinha feito o mesmo tempo alguns minutos mais tarde. A segunda fila tinha Jody Scheckter, no Tyrrell, que tinha a seu lado o Brabham de Carlos Reutmann. Na terceira fila estava o Shadow de Tom Pryce e o Hesketh de James Hunt, e a quarta fila tinha o segundo Ferrari de Clay Regazzoni, acompanhado por Emerson Fittipaldi, no seu McLaren-Cosworth. A fechar os dez primeiros estava o March de Hans-Joachim Stuck e o segundo Tyrrell de Patrick Depailler.


Como seria de esperar, nove carros ficaram de fora da corrida do dia a seguir. O Token de Purley, o Maki de Ganley, o Brabham de Lombardi, o Iso-Marlboro de Belso, o Ensign do australiano Vern Schuppan, o Lyncar de Nicolson, o March de Mike Wilds e o Surtees do finlandês Leo Kinnunen, todos eles iriam ver a corrida das boxes.

Na partida, Lauda levou a melhor, seguido por Scheckter e Regazzoni, que conseguiram superar Peterson. Reutmann, Fittipaldi, Pryce e Stuck seguiam os lideres. Enquanto isso, James Hunt largou mal e na segunda volta, quando tentava recuperar os lugares perdidos, despistou-se e quebrou a suspensão, abandonando na hora.


A ordem seguiu inalterada durante quase meia corrida, até que Reutmann comete um excesso e faz um pião, atrasando-se para os da frente. Na volta seguinte, Stuck tem um acidente e parte dos detritos vão para a pista. Quando Peterson e Regazzoni passam por cima deles, sofrem furos lentos e tem de ir ás boxes. Com isto, o maior beneficiário é Emerson Fittipaldi, que sobe à terceira posição. As coisas premaneceram assim até perto do fim, quando o lider Lauda... sofre um furo lento.


O austriaco tenta resistir até ao fim, esperando que o pneu não se desfaça antes da bandeira de xadrez, mas vê Scheckter aproximar-se rapidamente. Com o avançar das voltas, o pneu fica pior e isso afecta o desempenho do carr0. Assim sendo, os responsáveis da Ferrari chamam Lauda à boxe, abdicando assim da vitória. Scheckter herda a liderança e é coroado vencedor, seguido de Fittipaldi e o Lotus de Jacky Ickx. Lauda regressa à pista e termina na quinta posição, atrás de Regazzoni. O último piloto na zona dos pontos foi o Brabham de Carlos Reutmann.


Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/1974_British_Grand_Prix

http://www.grandprix.com/gpe/rr245.html

The End: Ricardo Londono-Bridge (1949-2009)

Li agora no Grand Prix: o ex-piloto colombiano Ricardo Londono-Bridge, conhecido por ter dado umas voltas no GP do Brasil de 1981, foi assassinado este Sábado aos 59 anos, em San Bernardo del Viento, na Colômbia, onde detinha um hotel. Londono foi morto quando regressava de um spa, juntamente com mais outras duas pessoas. Outras duas ficaram feridas no tiroteio. Exército e Policia montaram uma operação de caça ao homem para tentar capturar os criminosos, mas até agora não teve resultados.



Nascido a 8 de Agosto de 1949 em Medellin, na Colombia, começou a correr em motocross, para depois passar ao automobilismo. Em 1979 corre na americana IMSA, ao volante de um Porsche, para depois competir na Can-AM , ao voltante de um Lola. No final do ano dá um salto à Aurora Formula One Series, em Inglaterra, onde corre num Lotus.


No inicio de 1981, a Ensign contrata-o para correr no GP do Brasil. Dá-se bem nos primeiros treinos de aclimatização, mas após uma colisão com o Fittipaldi de Keke Rosberg, a então FISA não lhe concede a Superlicença, e Mo Nunn teve de recorrer aos serviços do suiço Marc Surer. Na corrida, Surer terminou na quarta posição e fez a volta mais rápida, o melhor resultado de sempre da equipa...


Essa foi a sua unica participação na Formula 1. Mais tarde correu na Formula 2 e na americana IMSA antes de se retirar da competição, em 1985. Voltou à Colombia e montou um negócio de imobiliário, mas em 2000, este foi-lhe confiscado pelo governo colombiano, alegadamente por este ter sido montado com o dinheiro dos cartéis da droga.

domingo, 19 de julho de 2009

Requiem para Henry Surtees

Este é Henry Surtees, ontem à tarde, em Brands Hatch, comemorando o seu pódio na primeira corrida do fim de semana da Formula 2. Piloto da Carlin, tinha "matado o borrego" depois de uma série de maus resultados na sua temporada de Formula 2, depois de ter conseguido um sétimo lugar na ronda de abertura, em Valência. Pelo meio, tinha conseguido uma "pole-position" em Brno, e tudo indicava que teria uma boa temporada de estreia numa categoria que se reactivara este ano, depois de 25 anos de ausência.

Mal sabiamos nós que o piloto, de 18 anos, filho do lendário campeão de duas e quatro rodas, John Surtees, teria mais 24 horas de vida. Esta tarde foi atingido na cabeça por uma das rodas do seu concorrente James Clarke. Levado para o hospital, os médicos confirmaram a sua morte esta noite. Tinha apenas 18 anos.


Quando vi as imagens do acidente, da viseira aberta e a marca do pneu no seu capacete branco, fiquei preocupado. Mas, julgava eu, que dispositivos como o HANS (Head and Neck Suport) pudessem ser suficientes para aguentar os impactos de objectos vindos de outros sitios. Afinal, foi insuficiente.


É irónico que o seu pai tenha sido um dos sobreviventes de uma era onde a cada fim de semana, os pilotos estavam pairando sobre um fino fio de navalha, desconhecendo se aquele seria a sua última corrida das suas vidas, antes que um furo, uma suspensão quebrada ou um excesso deles os embatesse contra uma árvore e ceifasse a sua vida. É irónico que John Surtees, que foi dos poucos que se tornou construtor e teve uma equipa de Formula 1 (e que teve um dos seus pilotos a morrer, o austriaco Helmut Koennig), sobreviveu a Jim Clark, Lorenzo Bandini, Jochen Rindt ou Bruce McLaren, para depois passar pela pior das tragédias: perder um filho em competição.


E a ironia é que acontece numa era onde os acidentes mortais em competição são, agora, um acontecimento raro. Muito raro mesmo. Mas acontece. E no final, Henry Surtees teve o mesmo destino que Mike Spence, nas 500 Milhas de Indianápolis de 1968, ou do austriaco Marcus Hottinger, numa corrida de Formula 2 em Hockenheim, em 1980. E não teve a sorte de Vittorio Brambilla, no GP de Itália de 1978...


Costuma-se diser que "sobrevivemos para contar a história". Mas uma morte no desporto que amamos, é uma morte a mais. E nós, amantes deste desporto, estamos hoje a sofrer por dentro.

Ultima Hora: Grave acidente na Formula 2 envolve filho de John Surtees



A corrida desta tarde na jornada dupla da Formula 2 no circuito de brands Hatch, vencida pelo espanhol Andy Souceck, ficou marcada pelo grave acidente do inglês Henry Surtees, filho do lendário piloto de duas e quatro rodas, John Surtees.


Surttes Jr., de 18 anos, foi atingido pela roda traseira do piloto Jack Clarke, quando este se despistou numa das curvas do lendário circuito inglês. Surtees, que seguia atrás, ficou inconsciente e seguiu em frente, batendo forte no muro de protecção na curva Barry Sheene, obrigando a intervenção do Safety Car.


Retirado do carro pelos paramédicos, foi levado primeiro para o centro médico do circuito, tendo depois sido levado de helicóptero para um Hospital em Londres. Ainda é desconhecido o estado de saúde do piloto inglês.


Jonathan Palmer, dono dos direitos da categoria, e ex-piloto de Formula 1 nos anos 80, deu uma declaração em evidente consternação. "Gostaria de expressar minha grande tristeza com a lesão de Henry. Um acidente como este obviamente eleva o nível de preocupação, e aguardamos mais notícias do hospital sobre a condição dele. Este é claramente um momento muito preocupante para John e Jane Surtees [pais de Henry]. Nossos pensamentos estão com eles e forneceremos todo o apoio que pudermos.", comentou.


Nascido a 18 de Fevereiro de 1991, Surtees Jr. começou a correr em 2006 na Ginetta GT Junior Championship, terminando na terceira posição no campeonato. No ano seguinte passou para a Formula BMW, onde venceu uma corrida e terminou na sexta posição no campeonato britânico. Para além disso, teve passagens curtas pela Formula BMW alemã e Formula Renault 2.0 britânica.


Em 2008, continuou a correr na Formula Renault 2.0 britânica, pela equipa Manor, onde terminou na 12ª posição, e teve curtas passagens pela Formula 3 britânica, com alguns resultados interessantes. Este ano passou para a Formula 2, onde corria pela Motorsport Vision, a equipa de Jonathan Palmer. Até agora, tinha conquistado alguns resultados de relevo, nomeadamente uma pole-position em Brno e um terceiro lugar na primeira corrida de Brands Hatch, realizada ontem.

Formula Renault: Felix da Costa repete pódio em Le Mans

António Felix da Costa, mais conhecido pelo apelido de "Formiga", conquistou esta manhã o segundo lugar na segunda corrida da formula Renault 2.0 Eurocup, realizada no Circuito Bugatti, em Le Mans, conseguindo bater o seu maior rival, o espanhol Albert Costa e ampliar a sua vantagem para sete pontos, isto numa altura em que faltam apenas duas jornadas duplas para terminar o campeonato.
Partindo da quarta posição da grelha, o piloto português de 17 anos fez um excelente arranque, ganhando uma posição e ficando atrás de Costa. Nas voltas seguintes, andou a pressionar o piloto espanhol, numa toada de ataque, esperando ultrapassá-lo. contudo, na quarta volta, o espanhol comete um erro e acaba fora de pista, deixando Felix da Costa sozinho na segunda posição. A aprtir daí, o piloto português da Motorpark Academy tentou alcançar o lider, o francês Jean Eric Vergne, mas este já tinha aberto uma vantagem inalcançavel, tornando-se no vencedor da corrida. Felix da Costa foi segundo e o dinamarquês Kevin Magnussen, de 16 anos (e filho de Jan Magnussen), foi o terceiro. O piloto português conseguiu ainda a volta mais rápida da corrida.



No final, Felix da Costa estava satisfeito com o resultado: "Tinha o quarto lugar da grelha, os meus principais adversários do Europeu arrancavam à minha frente e sabia que teria de forçar o andamento de forma a tentar ficar à frente deles. Era muito importante dar o máximo na corrida de hoje", começou por referir.

"Comecei a pressionar o Albert Costa que ao tentar defender-se, cometeu um erro na quarta volta e acabou fora da corrida. Depois persegui o Vergne e decidi forçar ainda mais o andamento, mas infelizmente, ele já dispunha de alguma vantagem e foi impossível alcançá-lo", prosseguiu.

"Cheguei a Le Mans com quatro pontos de vantagem para o segundo classificado e agora disponho de sete pontos sobre o segundo classificado e 14 sobre o terceiro. Em conjunto com a minha equipa Motopark e principalmente com o meu engenheiro Dennis Lawyer, voltámos a realizar um excelente trabalho, que me proporcionou um carro extremamente competitivo. Contudo, o nosso 'ponto fraco' continua a ser a qualificação e os dois quartos lugares da grelha condicionaram um pouco a classificação final. Tenho consciência dessa situação e tenho que evoluir nesse ponto", finalizou o piloto.


A próxima jornada dupla da Formula Renault Eurocup 2.0 será disputada no traçado alemão de Nurburgring, a 19 e 20 de Setembro.

WTCC - Brands Hatch (Corridas)

O suiço Alain Menu e o brasileiro Augusto Farfus venceram esta tarde as suas corridas na jornada dupla da ronda inglesa do BTCC, que decorreu no circuito de Brands Hatch. Chevrolet e BMW repartiram as vitórias, numa jornada onde a Seat conseguiu controlar os prejuizos, e onde Tiago Monteiro conseguiu pontuar em ambas as corridas, teminando no sétimo lugar na primeira corrida, e em oitavo na segunda.

Nos treinos de ontem, a Chevrolet alcançou uma dobradinha, com Robert Huff a levar a melhor sobre o suiço Alan Menu, e onde os Seat, que dominam a temporada, tiveram dificuldades em conseguir boas posições. Na primeira corrida do dia, os dois pilotos da Chevrolet aproveitaram da melhor forma os problemas sentidos pelos outros pilotos para se manterem na frente, conseguindo controlar os acontecimentos até ao fim. Andy Prilaux foi o terceiro, no seu BMW.

Quanto aos Seat, as coisas ficaram um pouco complicadas nesta corrida. Yvan Muller teve de abandonar, depois de um acidente no inicio da corrida, e Gabriele Tarquini foi o melhor classificado, na quarta posição, seguido por Rykard Rydell. Tiago Monteiro foi sétimo, seguido pelo BMW do brasileiro Augusto Farfus.

Na segunda corrida, o dominio foi dos BMW. Augusto Farfus triunfou sobre o seu companheiro Jorg Muller e o Seat de Gabriele Tarquini. O piloto brasileiro cedo se viu na liderança e não mais foi incomodado. Mais atrás, a luta foi intensa, com os Seat a conseguirem o quarto lugar, através de Rykard Rydell, depois de vários toques e lutas, quye muitas vezes acabaram com pilotos fora da pista. Tiago Monteiro esteve envolvido em todas essas lutas, mas caiu gradualmente de posições até que na última volta cedeu o sétimo lugar a favor de Yvan Muller, que partira de trás e conseguira dois pontos, o que minimiza os estragos para este fim de semana competitivo.

GP Memória - Grã-Bretanha 1969

Duas semanas depois de Charade, a Formula 1 iria correr em Inglaterra. Este ano, como estava previsto, o circuito de Silverstone acolhia o Grande Prémio, tipico dos anos impares, já que nos anos pares, o palco era Brands Hatch. Numa época dominada por Jackie Stewart e o seu Matra-Cosworth, a grande moda naquele ano eram os carros de quatro rodas motrizes. Estavam inscritos quatro carros com este sistema: dois Lotus 63, inscritos para Graham Hill e John Miles, um Matra MS84 para Jean-Pierre Beltoise e um McLaren M9A para o inglês Derek Bell, piloto que normalmente corria em provas de Endurance.


Em Silverstone, a BRM regressava à lista de inscritos, depois de se ter ausentado da corrida francesa. Tentando resolver problemas internos, a equipa decidiu recorrer aos serviços de Tim Parnell para ser o seu "manager". Ele aceitou, e decidiu reduzir a equipa a dois carros, com John Surtees e Jackie Oliver ao volante. Pedro Rodriguez, o piloto que Parnell tinha na sua equipa, rumou para a Ferrari, correndo ao lado de Chris Amon.


Na Brabham, Jack Brabham ainda recuperava da lesão no tornozelo, e pediu a Dan Gurney que corresse em Silverstone. Mas o piloto americano estava ocupado com a sua carreira na USAC, ao serviço da Eagle, que simplesmente não podia ajudar o seu amigo. Assim sendo, somente um carro esteve presente, o de Jackie Ickx. Um outro Brabham, mas privado, estava presente. Era o de Piers Courage, inscrito pela equipa de Frank Williams.


A Lotus tinha três modelos 49 inscritos: um oficial, para Jochen Rindt, e dois privados, um para Jo Siffert, pela Rob Walker Racing, e outro para o veterano sueco Jo Bonnier, inscrito pela sua própria equipa. Havia também o McLaren privado de Vic Elford, e os dois oficiais, de Bruce McLaren e Dennis Hulme.


Todos estes pilotos tinham os olhos postos numa só pessoa: Jackie Stewart. O escocês parecia imparável rumo a aquele que poderia ser o seu primeiro título mundial, depois de ter ganho quatro das cinco corridas disputadas até então, e os 36 pontos conquistados davam-lhe uma enorme distância frente ao segundo classificado, Graham Hill, que tinha apenas... 16. Numa temporada com dez provas, vinte pontos pareciam ser uma distancia inalcançavel.


Nos treinos, todos pensavam que ia ser Stewart a dominá-los. Mas a grande surpresa veio da lotus, onde o austriaco Jochen Rindt conquistou a sua primeira pole-position da sua carreira no Lotus 49, bantendo Stewart e o McLaren de Dennis Hulme. Na segunda fila ficaram o Brabham de Jacky Ickx, seguido pelo primeiro Ferrari de Chris Amon. Depois vinham o BRM de John Surtees, Bruce McLaren, no seu próprio carro e o segundo Ferrari de Pedro Rodriguez. A fechar o "top ten" ficaram o Lotus privado de Jo Siffert e o Brabham privado de Piers Courage.


Os carros de quatro rodas motrizes tiveram dificuldades na pista britânica. O melhor tinha sido Graham Hill, mas este ficara na 12ª posição na grelha, e queria voltar a correr no modelo 49. Só que a equipa oficial não tinha nenhum, e acabaram por negociar uma troca com Jo Bonnier, que tinha corrido com um 49. O sueco pilotou o modelo 63, para que Hill pudesse fazer a sua corrida com o modelo antigo. Algo que hoje em dia seria impensável...


No dia da corrida, Sábado, 19 de Julho de 1969, com todo o mundo ocidental de olhos postos na missão Apollo 11, que se preparava para pousar na Lua, algumas dezenas de milhares de espectadores preparavam-se para ver o Grande Prémio de Inglaterra. Na partida, Stewart levou a melhor, mas Rindt não ficou atrás, passando-o na curva seguinte. E assim começava uma batalha épica entre o escocês e o austriaco pela liderança da corrida.


Nas primeiras seis voltas, o austriaco ficou na frente, com Stewart sempre atrás. Depois, o escocês ensaiou uma manobra de ultrapassagem, que foi bem sucedida, mas Rindt não desistiu. Tentou recuperar a liderança, e conseguiu alcançar esses intentos na volta 14. Nesta altura, ambos já estavam muito distantes do resto do pelotão, e duas voltas depois estavam a dobrar o Matra MS84 de Jean-Pierre Beltoise. O carro de quatro rodas motrizes era um dos dois que resistiam nessa altura, pois até ali, Derek Bell tinha abandonado na volta 5 com a suspensão quebrada, e Jo Bonnier só resistira mais um volta, desistindo com o motor quebrado. Quanto a Miles, seguia atrás de Beltoise.

Continuando a corrida, Stewart e Rindt batalhavam sem parar pela liderança. A diferença nunca foi superior a três segundos, e todos viam que o austriaco era definitivamente um corredor rápido e provavelmente o maior rival que Stewart iria ter na sua caminhada triunfal na temporada vitorioso que estava a ter. Apesar desta rivalidade, ambos eram amigos pessoaos, e quando Stewart reparou que uma das paredes laterais da nova asa do Lotus 49 estava a bloguear o pneu, não hesitou em acelerar e colocar-se de lado para assinalar o problema a Rindt. O austriaco percebeu e foi às boxes para resolver o problema. Quando regressou, estava vinte segundos atrás do escocês da Matra.


Confortável na frente, Stewart teve pouco tempo para gozar. Pouco depois, o motor Cosworth do escocês começa a falhar, devido a um problema na bomba de combustivel, e vê aproximar-se rapidamente o Lotus do austriaco. Parecia que Rindt iria finalmente alcançar a sua primeira vitória na Formula 1, mas quando faltavam seis voltas para o final, e com Rindt em cima de Stewart... o motor do Lotus também começa a falhar. O austriaco tinha forçado o andamento, fazendo com que consumisse mais combustivel e agora não tinha gasolina para chegar ao fim. O austriaco parou para meter um extra e regressou à corrida na quarta posição.


No final, Stewart conseguiu levar o carro até ao fim e venceu a corrida, seguido pelo Brabham de Jacky Ickx e pelo carro de Bruce McLaren. Rindt terminou em quarto, Piers Courage foi o quinto e Vic Elford, num McLaren privado, fechou os pontos, a duas voltas do vencedor. A fechar a classificação, na nona e décima posições, ficaram o Matra MS84 de Jean-Pierre Beltoise e o Lotus 63 de John Miles. Os carros de quatro rodas motrizes tinham chegado ao fim com seis e nove voltas de atraso, respectivamente, de Stewart. Isso demonstrava que o conceito de quatro rodas motrizes não funcionava devido ao peso a mais que levavam, com o mecanismo instalado, e que a ideia de ganhar maior comportamento em curva, especialmente em situações de piso molhado, poderia ser alcançado de forma mais económica com uma melhoria na aerodinâmica e nos pneus.


Fontes:


Rendall, Ivan - Bandeira da Vitória, Uma História do Automobilismo, Ed. Autosport, Lisboa, 1995.

http://en.wikipedia.org/wiki/1969_British_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr179.html