terça-feira, 28 de agosto de 2012

Youtube Motorsport: a corrida do Presidente


Tenho falado de vez em quando do panorama automobilístico de Angola, e desta vez tem a ver com algo importante. Não tanto hoje, que ocorreu aquela que provavelmente deve ser a corrida mais importante pós-independência: uma corrida para comemorar os 70 anos do presidente de República, José Eduardo dos Santos.

É certo que Angola está em ambiente de campanha eleitoral, que vai acontecer esta sexta-feira, e o aniversariante, mais o partido do qual pertence, são os "candidatos numero 1" à vitória. Mas não e sobre politica que quero falar. E sobre o novo panorama que o automobilismo angolano vive por estes dias.

Primeiro que tudo, um dos velhos sonhos foi concretizado: a criação de uma federação angolana de automobilismo. A Federação Automobilistica de Desportos Motorizados foi formada em junho e começou as suas atividades com esta prova no Autódromo de Luanda. Conseguiram fazer algumas obras de restauro, que implicou a limpeza e colocação de algum asfalto nas zonas onde mais necessitava. Um asfalto que deve lá estar desde tempos coloniais...

Quanto à prova em si, apareceram mais de oito mil espectadores para assistir à corrida, vencida por Daniel Vidal. E os organizadores estão tão felizes com o sucesso desta corrida que muito provavelmente querem fazer uma prova de índole internacional num futuro próximo. Desejo-lhes sorte, claro. Quanto à corrida em si, mostro no video do carro do vencedor. 

O dia em que Ayrton Senna experimentou um Penske

Todos conhecem a história em que Ayrton Senna experimentou um Penske da Indy em finais  de 1992, em Phoenix, numa altura em que o piloto brasileiro estava a considerar as suas hipóteses: se iria continuar mais um ano na Formula 1 a bordo de uma McLaren que não teria muitas hipóteses de bater com a todo-poderosa Williams, que iria ter naquela temporada o regressado Alain Prost, se iria fazer um ano sabático, como fizera o piloto francês, ou então que iria tentar outras categorias, como estava a fazer Nigel Mansell a bordo da Newman-Haas.

O teste aconteceu numa fria manhã de dezembro de 1992, e tinha sido combinado pelo seu compatriota Emerson Fittipaldi, que era piloto da marca. Mas o que não se sabia muito bem eram os detalhes desse mesmo teste. Hoje dei de caras com isso no site canadiano auto123.com, graças a uma dica do meu amigo Daniel Médici, do Cadernos do Automobilismo.

Quem conta a história é um antigo engenheiro da Penske, Nigel Beresford. Britânico de nacionalidade, tinha acabado de chegar à equipa depois de uma temporada na Tyrrell. Beresford conta que o teste tinha sido um arranjo de última hora com Roger Penske e Emerson Fittipaldi, e este iria acontecer numa pista nos arredores de Phoenix.

"Iamos testar o chassis Penske PC22 [o chassis da equipa para 1993] na pista de Firebird West por três dias, antes de fazermos mais dois dias na oval, e tinhamos levado o chassis de 1992 para uma análise comparativa", começou por contar. O acordo tinha sido combinado entre Senna, Fittipaldi e Penske uns dias antes e no teste iria estar o então presidente da Marlboro América, John Hogan. Ele iria dar umas voltas ao volante do carro de 1992, depois de Fittipaldi fazer as suas voltas, para terem um comparativo.

"O tempo estava frio e a pista estava muito escorregadia. Fittipaldi foi o primeiro a testar e ele fez um pequeno pião porque os seus pneus ainda estavam frios. Fizemos uns pequenos ajustes nos travões, voltou à pista, fez dois conjuntos de voltas, com com treze, outro com doze voltas e marcou como melhor tempo 49,70 segundos por duas vezes."

"Depois disso veio Senna. Sentou-se, ajustou o seu cockpit e foi para a pista, fazendo algumas voltas muito lentamente, o que me foi uma surpresa, porque normalmente, os pilotos de Formula 1  chegam rapidamernte a um nivel elevado. O carro tinha uma caixa sequencial de velocidades, e ele tinha de se adaptar, pois na Formula 1 já andavam com as caixas semiautomáticas. Chegava a parar, escolher a primeira velocidade e a acelerar outra vez."

Senna deu 14 voltas antes de ir para as boxes, e lá afirmou que o carro tinha um bom motor e um chassis muito pesado, diferente dos chassis mais leves que estava habituado a guiar e andava cautelosamente porque não sabia qual era o limite de rotação do motor que estava dentro do chassis. Depois, pediu para que se colocassem amortecedores mais moles, pois queria sentir o carro, e Beresford disse que foi isso que fizeram, para além de desligar o roll-bar traseiro.

Ao fim de dez voltas, tinha marcado um tempo de 49.09 segundos, quase um segundo mais veloz do que Emerson Fittipaldi. Depois dessa série, voltou às boxes, saiu do carro e disse ao engenheiro: "Obrigado, aprendi tudo o que queria saber deste chassis". "O que ele queria dizer é que tinha entendido a diferença entre um carro de Formula 1 e um da Indy", afirmou Beresford.

O engenheiro depois afirmou: "Emerson depois entrou no carro novo e baixou a melhor volta para 48.5, 0.6 segundos mais veloz do que Senna. O tempo dele tinha sido conseguido com um carro antigo e pneus usados, isso era muito bom, dadas as circunsdtâncias. Só demonstra a sua rapida adaptação a um ambiente novo, comparado com alguém como Fittipaldi, que na altura era também um piloto bom, muito competitivo".

"Senna era espantosamente carismático e ao mesmo tempo enigmático, capaz de elevar a sua performance muito para além dos outros pilotos de Formula 1, especialmente nas qualificações", começa por afirmar. "As pessoas costumam dizer que não deveriamos conhecer os nossos heróis, mas pessoas como Rick Mears, Roger Penske e Ayrton Senna nunca me desapontaram. Senna era espantosamente veloz", concluiu o engenheiro. 

GP Memória - Holanda 1977

Quinze dias depois da vitória-surpresa da Shadow de Alan Jones na Áustria, máquinas e pilotos estavam em paragens holandesas para disputar a 13ª prova do campeonato. Com dezasseis pontos a separar o líder, Niki Lauda, do Wolf de Jody Scheckter, e com o austríaco a conseguir pontuar em sua casa, algo que o sul-africano não tinha conseguido, parecia que Lauda estava a caminho do seu segundo título mundial, guiando nas corridas com frieza e calculismo, sem necessidade de exageros.

Na prova holandesa, estavam inscritos 34 carros. As novidades no pelotão eram os regressos do Renault de Jean-Pierre Jabouille e de Riccardo Patrese ao volante do seu Shadow, ultrapassadas as divergências em relação ao dinheiro dos patrocínios. A RAM, de John McDonald, tinha inscrito dois Brabham para dois holandeses, Michael Bleekmolen e Boy Hayje, enquanto que Brian Henton fora convidado para trocar o seu Ensign pelo Boro, um Ensign modificado por uma firma holandesa. 

Com a quantidade de carros presentes, os organizadores queriam fazer uma pré-qualificação, mas Arturo Merzário vetou a ideia e os 34 carros tiveram hipótese de se qualificar, apesar da pista ter ficado um pouco mais povoada do que o habitual.  

No final das duas sessões de qualificação, o melhor tinha sido o Lotus de Mário Andretti, que tinha conseguido a pole-position pela sexta vez na temporada. Jacques Laffite era o segundo, no seu Ligier-Matra, enquanto que na segunda linha estavam o McLaren de James Hunt e o Ferrari de Niki Lauda. Gunnar Nilsson, no segundo Lotus, era o quinto, seguido pelo segundo Ferrari de Carlos Reutemann. O Tyrrell de Ronnie Peterson era o sétimo, seguido do Brabham-Alfa Romeo de John Watson. A fechar o "top ten" estavam o Ensign-Ford de Clay Regazzoni e o Renault de Jean-Pierre Jabouille, demonstrando o poder do motor turbo nas qualificações.

Como seria de esperar, apenas se qualificariam 26 carros para a corrida. Os oito que não iriam participar tinham sido, para além de Bleekmolen, Hayje e Merzário, o March de Patrick Néve, inscrito pela Williams, o BRM de Teddy Pilette, o Surtees de Vern Scuppan, os Hesketh de Hector Rebaque e Ian Ashley.

A corrida começa com Hunt a atacar a liderança de Andretti na curva Tarzan. O americano trava para evitar sair de pista e a ocasião é aproveitada por Laffite para ficar com o segundo lugar. Atrás, Jones e Mass desistem, vitimas de colisão. Andretti depois passou ao ataque, ultrapassando Laffie na terceira volta e indo atrás de Hunt, no sentido de o apanhar. Conseguiu-o na sexta volta e tentou passá-lo na curva Tarzan. Contudo, nenhum dos lados queria ceder e à saída da curva, ambos colidiram. O piloto da Lotus fez um pião, mas continuou, enquanto que o da McLaren foi até às boxes e acabou por retirar-se.

Com isso, Laffite vai para o comando, acossado pelos dois Ferraris. Andretti volta à carga, tentando recuperar os lugares perdidos, mas na volta 15, depois de ter deixado Reutemann para trás, acaba por desistir quando o seu motor rebenta. Com isso, começa a batalha entre Laffite e Lauda pelo comando, com o austriaco a passar para o primeiro lugar à vigésima volta.

Atrás, Reutemann ainda era terceiro mas já era acossado pelo Lotus de Nilsson, que queria ficar com o terceiro posto, mas na volta 34, uma ultrapassagem mal sucedida acabou com ambos os carros na berma. O argentino voltou à pista, mas o sueco não. Com isso, o maior beneficiário tinha sido Patrick Tambay, que com este acidente, subia ao terceiro posto, enquanto que Jody Scheckter e Emerson Fittipaldi faziam corridas de trás para a frente para chegar aos lugares pontuáveis.

Na frente, Lauda e Laffite degladiavam-se pelo comando, estando muito juntos, mas no final, o austriaco tinha levado a melhor sobre o francês. Tambay parecia ir a caminho de um inédito pódio, mas ficou sem combustível a duas voltas do fim, dando o pódio ao sul-africano da Wolf. Mesmo assim, o francês da Ensign ficou com dois pontos do quinto lugar, com Fittipaldi a conseguir o quarto posto com o seu Copersucar. O derradeiro ponto ficou nas mãos de Reutemann.

Com a prova terminada, Lauda tinha agora alargado a sua diferença para 21 pontos e todos o viam como o virtual campeão de 1977. Agora restava saber onde e quando ele iria buscar o ceptro. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Neil Armstrong e a Formula 1

Que Neil Armstrong, morto este sábado aos 82 anos, foi um herói para todos nós, isso é claro. De uma certa forma, é o melhor exemplo de um "nerd" bem sucedido, pois somente um entendido em engenharia é que poderia compreender e manobrar uma máquina tão frágil como o Módulo de Comando, que colocou a ele e a Edwin "Buzz" Aldrin na Lua, naquele já distante 20 de julho de 1969. O feito da Missão Apollo deve ser um dos - senão o mais bem conseguido - feito de engenharia do século XX.

Contudo, desconhecia o tamanho do impacto de Neil Armstrong, especialmente numa engenharia do qual nunca colocou os pés: no automobilismo, especialmente na Formula 1. Claro, colocar um homem no Espaço e noutro corpo celestial não tem nada a ver com a ciência de "conseguir leveza e  depois acrescentar velocidade", nas palavras de Colin Chapman. Mas tem um principio em comum: o de superar obstáculos que aparentemente parecem ser impossiveis. E muitos do que hoje em dia trabalham no automobilismo começaram a interessar-se pela engenharia devido à missão Apollo. Como Ron Dennis, que em 1969 tinha 22 anos e era um aprendiz de mecânico na Brabham, e que fez um tributo ao astronauta americano:

“Fiquei triste por saber da morte de Neil Armstrong, o primeiro homem a chegar à Lua", começou por dizer Dennis, de 64 anos. "O feito de Armstrong e os seus colegas continua a ser o maior triunfo de engenharia que o mundo viu, contra todas as probabilidades. Foi - e continua a ser - inspirador para toda uma geração. É um feito que me inspirou. Em 1969, quando Armstrong disse as icónicas palavras 'um pequeno passo para o Homem, um grande salto para a Humanidade', tinha 22 anos e trabalhava como técnico na industria automobilistica. Armstrong mostrou-me, tal como muitos outros, de que à nossa maneira, temos de nos 'atrever a tentar' - e esse atrever a tentar que permanece um mantra na McLaren até aos nossos dias.", concluiu.

De uma certa forma, todos os que trabalham nas engenharias foram inspirados pelo programa Apollo e pela corrida espacial dos anos 60 e 70, entre americanos e soviéticos. E mesmo que nem todos os engenheiros formados tenham ido parar à industria aeroespacial, muitos acabaram na industria automotiva, também competitiva e também de ponta, com objectivos e feitos que à partida eram classificados como "impossiveis".

Este tributo de Ron Dennis é de facto dos mais inesperados. Mas vindo de quem vêm, não me surpreende.

Jeremy Clarkson, internet meme

Que todo o "petrolhead" adora o Top Gear, isso é um facto. Que muitos criticam a versão americana porque e uma imitação da versão inglesa, também é um facto, embora diga que começam a tentar demarcar-se da versão original. Mas eu não esperava que ao fim de dez anos de programa na BBC - nesta nova versão, já que tudo começou em 1977 - o surgimento das redes sociais fizesse que o carisma dos apresentadores se transformasse em "meme".

Para quem não sabe o que isso significa, significa um conceito que se espalha pela Internet, que pode assumir uma forma de link, imagem, video ou hashtag (o famoso # antes de escrever qualquer palavra). Dos muitos "internet memes", três grandes exemplos são os do Rick Astley, um cantor que fez sucesso nos anos 80, da cena de furia de Adolf Hitler no filme "A Queda", interpretada pelo ator austriaco Bruno Ganz, e o cantor russo Edouard Khil, morto em junho deste ano, famoso por cantar uma musica usando apenas as palavras "trolololo".

Jeremy Clarkson é sem dúvida, a face mais visivel do Top Gear. Primeiro que tudo, é o mais antigo - estava na série original desde fins dos anos 80 - e o seu estilo e presença é o mais politicamente incorreto. Fumador, machista, conservador, anti-ecologista, anti-Morris Marina (adora destrui-los sempre que pode), não gosta de carros franceses e está sempre a gozar com os alemães, especialmente quando lhes gosta de lembrar que a Grã-Bretanha os bateu por duas vezes na primeira metade do século XX. E claro, escusamos de dizer que tem uma língua destravada, que lhe colocou em diversas encrencas.

Mas as pessoas adoram o seu estilo politicamente incorreto. Tanto que no último mês descobri que tinham sido criados duas páginas no Facebook - uma das novas modas - decidadas ao apresentador britânico. A primeira chama-se "Jeremy Clarkson da Depressão" e a segunda se chama "Jeremy Clarkson Boladão". Ambas tem origem brasileira e se a primeira está a chegar aos dois mil "likes" (ou "gostos"), a outra é mais modesta, com 33 adesões.

Lá coloca-se todo o tipo de frases que se acha que Clarkson diria - e porque não, James May e Richard Hammond - de forma auto-depreciativa e humoristica. A ideia e fazer rir, com bom ou algum mau humor, mas acima de tudo, fazer divertir as pessoas. E como ambas as páginas foram criadas há menos de um mês, graças ao carisma do Jeremy, são sucessos garantidos.

Em suma, ver a ele como um fenómeno da Internet é certamente o sinal do sucesso do programa e do apresentador, e também o impacto que ele e o programa tiveram junto dos "petrolheads", algo que provavelmente vai ficar por muitos e bons anos.

Noticias: Kubica testou um Fiesta WRC em França

A Ford anunciou esta manhã que teve Robert Kubica numa sessão de testes há cerca de semana e meia num pequeno circuito no centro de França, ao lado de Petter Solberg e Jari-Matti Latvala. O piloto polaco, que está fora de ação desde fevereiro de 2011 no Rali Ronda de Andora, no noroeste de Itália, esteve presente no Circuit des Ecuyers, perto da localidade de Chateau-Thierry, ao lado dos pilotos oficiais da marca da oval no WRC.

Aparentemente, a sessão, que durou quatro dias, correu bem, onde o piloto polaco deu um feedback interessante aos responsáveis da marca. Pelo que o Joe Saward conta no seu blogue, Kubica pagou as suas despesas e pediu segredo sobre esta sessão de testes, o que foi concedido.

E pelo que leio por aqui, das duas uma: ou se prepara para se adaptar a carreira para o WRC, caso não consiga regressar de vez aos monolugares, ou então a sua reabilitação está a ir bem para ele. Contudo, não dirá nada sobre esse assunto até que exista algum anuncio público da sua parte. Até lá, vamos sabendo através de outros canais...

GP Memória - Canadá 1967

A Formula 1, nessa temporada de 1967, fazia a sua primeira viagem de sempre ao Canadá, mais concretamente ao circuito de Mosport, situado nos arredores de Toronto. O pretexto era para celebrar o centenário da formação do país, que para isso tinha decidido fazer e receber vários eventos monumentais como a Exposição Universal, em Montreal. A corrida de Mosport, caso viesse a ser bem sucedida, seria o pontapé de saída para mais visitas da Formula 1 à parte norte da América, e eventualmente, alargar as corridas fora da Europa para quatro, pois para além das corridas americanas, tinha ainda a prova que se realizava na Africa do Sul.

No pelotão da Formula 1, havia novidades: Bruce McLaren tinha pronto o seu novo carro, o M5A, e deixou de usar o carro da Eagle, e assim Dan Gurney entregou um dos chassis ao piloto local Al Pease. Outro piloto local, Eppie Witzes, iria guiar um Lotus oficial, mas emprestado à Comstock Racing. Na Cooper, Pedro Rodriguez estava fora de combate, pois recuperava de uma fratura numa das pernas  após um acidente numa prova de Formula 2 em Enna-Pergusa. O seu substituto era o britânico Richard Attwood. E por esta altura, o pelotão da Formula 1 já sabia do acidente mortal de outro britânico, Bob Anderson, que tinha ocorrido treze dias antes, quando testava o seu Brabham em Silverstone.

Na lista de inscritos havia mais dois pilotos, ambos americanos: Tom Jones (não o cantor) e Mike Fisher. Jones guiava um Cooper, enquanto que Fisher tinha um Lotus 33. A Honda primava-se pela ausência, pois decidira ficar na Europa para desenvolver o seu carro com John Surtees.

Após as duas sessões de treinos, o melhor foram os Lotus, com Jim Clark a levar a melhor sobre Graham Hill. Dennis Hulme era o terceiro, seguido do seu compatriota Chris Amon, no seu Ferrari. Dan Gurney era o quinto, no seu Eagle, seguido por Bruce McLaren. Jack Brabham era apenas sétimo, no seu carro, na frente do Cooper-Maserati de Jochen Rindt. A fechar o "top ten" ficaram os BRM de Jackie Stewart e Mike Spence.

O dia da corrida tinha começado com muita chuva, com Clark a partir na liderança, seguido por Hulme. Hill era terceiro e Brabham tinha partido bem para ficar com o quarto posto. Nas cinco voltas seguintes, os Brabham superaram os Lotus, com Hulme a ficar com o comando e Brabham com o terceiro posto. Atrás, McLaren tem um carro adequado às condições do tempo e vai subindo  de posições. É quarto na 11ªa volta, passando Hill e duas voltas depois, supera Brabham. Na 22ª volta, passa Clark e está na segunda posição, surpreendendo toda a gente.

Mas a partir daí, a pista começa a secar e McLaren perde posições para Clark e Brabham. O escocês começou a aumentar o ritmo até apanhar Hulme. Na volta 58, passa para o comando e pensava que estava a caminho da vitória. Por essa altura, começou a chover de novo, mas o escocês aguentou os ataques de Brabham, que tinha passado Hulme para o segundo lugar.

Na volta 68, uma falha na ignição fez calar o motor de Clark, acabando por desistir. O comando caiu no colo de Brabham e foi assim até à meta, cruzando-a no primeiro lugar e dando uma dobradinha à sua equipa, pois Dennis Hulme foi o segundo. Dan Gurney completou o pódio, com o seu Eagle, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Lotus de Graham Hill, o BRM de Mike Spence e o Ferrari de Chris Amon.

domingo, 26 de agosto de 2012

Noticias: Bernie Ecclestone casou-se pela terceira vez

O jornal britânico Daily Mail anuncia hoje que Bernie Ecclestone casou-se de novo. O seu terceiro casamento do patrão da Formula 1, a caminho dos 82 anos, foi no "chalet" Le Lion, em Gstaad, na Suiça, com a brasileira Fabiana Floisi, de 35 anos - ou seja, 46 anos mais nova do que o seu noivo - algo que tinha sido anunciado há cerca de quatro meses e meio.

A cerimónia ocorreu no inicio deste mês e foi discreta, quase "secreta", do qual as suas filhas Tamara e Petra, fruto do seu casamento com Slavica Ecclestone, não assistiram porque não foram informadas pelo pai.

Ecclestone conheceu Floisi em 2009 quando ela era a vice-presidente encarregada do marketing do GP do Brasil, e começaram a namorar pouco depois, após o divórcio deste com Slavica (que lhe custou cerca de mil milhões de libras), com quem esteve casado durante 25 anos. Apesar de Ecclestone ter jurado que não mais ia se casar, parece que mudou de ideias.

Para Floisi, é o seu primeiro casamento, enquanto que Bernie se casa pela terceira vez, depois de um primeiro casamento em 1952 com Ivy Bamford, no qual se desconhece a data do seu divórcio, e do casamento com Slávica Radic, uma ex-modelo croata 28 anos mais nova do que ele.

WRC - Rali da Alemanha (Final)

O Rali da Alemanha já chegou ao fim com a realização das últimas três classificativas, mas desde quase o inicio se sabia quem seria o vencedor. E Sebastien Löeb venceu pela nona vez neste lugar, a sétima vitória nesta temporada. Com os 54 pontos de diferença que tem para Mikko Hirvonen, já é mais uma questão matemática que impede Löeb que conseguir o seu nono título consecutivo, tal é o seu dominio nesta temporada. E ainda faltam quatro ralis para o seu final...

Das classificativas de hoje, o que ressalta foi ver que na Power Stage, o terceiro classificado tenha sido o Skoda Fabia S2000 de Anders Mikkelsen, melhor do que, por exemplo todos os Ford Fiesta presentes neste rali. Um rali que foi devastador para os pilotos que andavam no meio do pelotão, fazendo com que, por exemplo, o australiano Chris Atkinson pudesse acabar o rali na quinta posição, a mais de nove minutos do vencedor. E pelo andamento demonstrado por "Atko", parece que a Motorsport Itália "trocou seis por meia dúzia"...

Jari-Matti Latvala foi o segundo classificado, a dois minutos de Löeb, num rali onde o seu grande feito foi ter chegado ao fim. Mikko Hirvonen, que nunca teve andamento para acompanhar o francês, pelo menos no primeiro dia, completou o pódio.

Mads Ostberg foi o quarto, na frente de Chris Atkinson, o unico Mini que chegou ao fim inteiro, sem passar pelo "Rally2". Apesar de ter conseguido dar à Motorsport Itália a melhor posição da temporada, não ficou muito longe de, por exemplo, os Skoda Fabia S2000 de Sebastien Ogier e Anders Mikkelsen, respectivamente sexto e sétimo classificados. Nasser Al-Attiyah foi o oitavo, enquanto que Ott Tanak e Dani Sordo, ambos a regressarem às classificativas pelo métido "Rally2", fecharam os lugares pontuáveis.

Agora, máquinas e piloto regressarão à competição dentro de um mês, no Rali de Gales. 

WSR: Felix da Costa sobe ao pódio em Silverstone

Está a ser um grande fim de semana para António Félix da Costa no circuito britânico de Silverstone. Depois de ter conseguido ontem ter sobrevivido às difíceis condições de pista e ter chegado ao quinto lugar - fazendo pelo meio a volta mais rápida - o piloto de Cascais, que vai fazer 21 anos no próximo dia 31, conseguiu subir ao pódio na segunda posição na segunda corrida da World Series by Renault, numa prova vencida pelo britânico Sam Bird.

A corrida foi boa para ele, que largando do nono lugar da grelha, saltou logo para o sexto posto, começando a partir dali uma recuperação até ao segundo lugar. Na corrida própriamente dita, esta teve uma luta entre Bird e o dinamarquês Marco Sorensen que terminou com a desistência do dinamarquês a poucas voltas do fim. Jules Bianchi, que tinha arrancado da pole-position, ficou com o lugar mais baixo do pódio, mas conseguiu a volta mais rápida da corrida.

No final, Felix da Costa exaltava a sua satisfação pelo resultado alcançado: “Que grande fim de semana que tivemos aqui em Silverstone. A equipa fez um excelente trabalho e o carro melhorou bastante em performance, permitindo-me lutar pela vitória nesta segunda corrida. Estamos cada vez mais competitivos e sinto-me cada vez mais adaptado ao carro. A vitória é uma questão de tempo, espero eu…”, referiu no final da cerimónia do pódio o piloto de 20 anos, depois elogiado por Christian Horner, um dos patrões da Red Bull e acionista da Arden Caterham.

Na classificação geral, o líder é o holandês Robin Frinjs, com 131 pontos - foi nono nesta corrida - menos cinco que o vencedor da corrida de hoje, Sam Bird, e mais seis que Jules Bianchi. Félix da costa subiu agora a 12ª posição, com 36 pontos. A próxima jornada da World Series by Renault vai ser no fim de semana de 15 e 16 de setembro, no circuito de Hungaroring.

sábado, 25 de agosto de 2012

Youtube Touring Crash: o acidente de Ralf Schumacher no DTM


O incidente aconteceu ontem durante os treinos livres para a prova do DTM que acontecerá amanhã no circuito holandês de Zandvoort. Ralf Schumacher, depois de ter feito a troca de pneus, arrancou para a pista, levando sem querer um dos fios que estava no chão das boxes de outro piloto, levando consigo quatro mecânicos.

Destes, três já tiveram alta e um quarto se mantêm no hospital por medida de precaução, já que levou com a pancada na cabeça.

Ralf Schumacher, de facto, não anda a ter uma temporada assim magnifica. Aliás, a sua carreira pós-Formula 1 não é das mais gloriosas...

WRC - Rali da Alemanha (Dia 2)

Salvo qualquer imprevisto, Sebastien Löeb está a caminho de mais uma vitória nos ralis, especialmente aqui, o Rali da Alemanha, uma prova que venceu aqui pela primeira vez há dez anos, em 2002. O piloto francês alargou a sua vantagem para um minuto e 42 segundos sobre Jari-Matti Latvala, aproveitando também os acidentes e os problemas dos outros pilotos, nomeadamente Petter Solberg, que acabou o seu rali com uma roda arrancada do seu carro.

“Acabámos este segundo dia com uma boa liderança, pelo que parece muito bem para amanhã conseguirmos mais um triunfo”, referiu Loeb no final do dia.

O segundo dia do Rali da Alemanha começou com Löeb a continuar a puxar pelo ritmo, especialmente em relação aos seus adversários, nomeadamente Petter Solberg. Contudo, na primeira passagem por Panzerplatte, Solberg quebrou o eixo traseiro, fazendo com que o pneu traseiro direito saltasse do carro. Solberg chegou ao fim da classificativa, mas acabou por abandonar.

No final do dia, Löeb venceu na segunda passagem por Panzerplatte, para desgosto de Jari-Matti Latvala: “Queria mesmo muito vencer este troço. Cheguei a batê-lo no início e a meio, mas depois cometi alguns pequenos erros e estou um pouco zangado comigo mesmo”, referiu Latvala aos microfones da World Rally Radio.

Outro dos abandonos do dia aconteceu com o estónio Ott Tanak, que na segunda passagem pela Panzerplatte, que também viu a sua roda arrancada num salto, tal como Solberg. Dani Sordo, no seu Mini JCW WRC, também teve problemas com o rompimento de um tubo de refrigeração, obrigando-o a parar. Com isto tudo, Mads Ostberg é o quarto e Chris Atkinson o quinto, na frente de Sebastien Ogier e de Anders Mikkelsen.

O rali da Alemanha termina amanhã.

The End: Neil Armstrong (1930-2012)

Qualquer pessoa que faz algo pela primeira vez, que realiza um sonho da Humanidade, torna-se automaticamente o nosso herói. Mesmo que depois faça coisas infames, ou depois se torne numa pessoa reclusiva, como foi o caso de Neil Armstrong. O primeiro homem a pisar a superfície de outro corpo celestial, no já distante ano de 1969, mais concretamente a 20 de julho, morreu esta noite aos 82 anos. Estava doente há algum tempo, tendo sido operado no inicio do mês para um "bypass" coronário.

Neil Alden Armstrong nasceu a 5 de agosto de 1930 num sitio chamado Wapakoneta, no estado do Ohio. Apaixonado pela aviação, voou na Guerra da Coreia e depois se tornou piloto de testes,  nomeadamente o X-15, o primeiro avião a passar a atmosfera. Em 1958, é criada a NASA, como reação ao lançamento do primeiro foguetão para o Espaço por parte dos soviéticos, o Sputnik. Curiosamente, Armstrong não foi um dos sete primeiros astronautas escolhidos para o programa Mercury e Gemini, retratados anos depois por Tom Wolf no livro "The Right Stuff", que depois virou filme: Alan Shepard, John Glen, Scott Carpenter, Walter Schirra, Gus Grissom, Gordon Cooper e Deke Slayton. Destes, apenas Glen - fez agora 91 anos - e Carpenter estão atualmente vivos. 

Entrou no programa na segunda leva, em 1962. A sua primeira missão foi o Gemini 8, em 1966, e aos poucos participou no passo seguinte, que foi a missão Apollo, que consistia em colocar um ser humano noutro corpo celestial, a Lua. Logo em 1967 soube que iria comandar a missão Apollo 11, desconhecendo-se ainda se esse seria a tal que pousaria na Lua.

Nessa altura, houve um episódio que marcou a sua aptidão para a liderança: em 1966, durante os testes de ensaio para a aterragem e descolagem do módulo lunar, houve uma avaria a poucos metros do solo. Armstrong, na sua calma, tentou controlar o módulo até quase ao último momento, antes de se ejectar, deixando o módulo estatelar-se e explodir no solo. Isso foi um dos motivos pelo qual ele foi escolhido para ser o comandante de missão: pela sua calma e sangue frio.

Em abril de 1969, a NASA anunciou a Apollo 11 e o resto do mundo ficou a saber que aquela iria ser a tripulação que iria fazer a primeira aterragem na Lua: Neil Arnstrong, o comandante, "Buzz" Aldrin, o piloto, e Michael Collins, que ficaria no Módulo de Comando e iria orbitar à volta da Lua. Tudo iria começar dali a três meses, a 16 de julho e se tudo corresse bem, iriam pousar no dia 20.

Para a história, tudo correu bem, mas quando se ouve da boca dos astronautas, parece que foi mais um milagre. Quando se ouve que Armstrong esteve a menos de dez segundos de ficar sem gasolina no momento da aterragem do "Eagle" na Lua, antes de poder dizer "A Águia alunou". Aliás, a resposta a essa frase foi: "Rapazes, algum do pessoal aqui em Houston já começava a ficar azul de tanto suster a respiração". Para terem uma ideia de que até que ponto estiveram perto do desastre.

O resto é história. Ninguém se esquecerá das palavras dele: "Um pequeno passo para o Homem, um salto de gigante para a Humanidade". Aliás, será sempre recordado por essa frase, e pelo facto de ter feito sonhar gerações inteiras. Afinal de contas, ele é o homem que realizou um dos mais velhos sonhos da Humanidade: pisar outro corpo celestial.

Mas o que ele não esperava era a reação que isso iria causar. Multidões estavam à espera deles quando chegaram à Terra. Tiveram um acolhimento de heróis, algo do qual não estavam muito preparados para isso. Foram recebidos um pouco por todo o mundo durante 45 dias, deram milhares de autógrafos, numa tourneé digna das grandes estrelas "rock". Isso foi demais para o calmo e timido Armstrong. De facto, podia ser calmo e frio em situação de limite, mas era tímido e reclusivo no dia-a-dia. Reformou-se da NASA em 1971 e tornou-se professor de Engenharia Aeroespacial na Universidade de Cincinati, na sua Ohio natal durante oito anos.

Anos depois, voltou a estar na ribalta quando fez parte da comissão de inquérito para o desastre do Challenger, em 1986, liderada pelo antigo secretário de estado William P. Rogers sobre os motivos do desastre, ocorrido a 28 de janeiro daquele ano. Ele, Rogers, Chuck Yeager (o primeiro homem a passar a barreira do som e nunca foi astronauta), Sally Ride, que em 1983 se tinha tornado na primeira mulher astronauta (e que morreu no mês passado, aos 61 anos) e o professor Richard Feynman descobriram que o Challenger explodiu devido às deficiências no sistema de foguetões que propulsionava o vaivém especial, algo que tinha havido avisos, logo, poderia ter sido evitado.

Depois disso, desapareceu de cena. Não dava autógrafos desde 1994, as suas aparições eram raras e as suas declarações também. Aparecia sempre que a NASA comemorava qualquer aniversário da Apollo 11, como foi em 2009, quando chegaram aos 40 anos da alunagem. E no ano seguinte, quando o Space Shuttle se retirou de vez depois de quase 30 anos de bons serviços, criticou a administração Obama pelo facto da NASA não ter quaisquer objetivos para alcançar nos próximos anos ou décadas, como o regresso à Lua ou a ida a Marte. 

Agora, aos 82 anos de idade, partiu definitivamente para as estrelas, provavelmente para provavelmente o lugar onde queria estar. O homem foi-se, fica a humanidade. Ars lunga, vita brevis. 

WSR: Bianchi vence corrida caótica em Silverstone

O tempo na Grã-Bretanha é imprevisivel, e em fim de semana de corrida, vence quem tiver a sorte a seu lado. Foi o que aconteceu a Jules Bianchi, e de uma certa maneira, António Felix da Costa. O francês venceu a corrida, enquanto que o português apoiado pela Red Bull foi quinto classificado e a volta mais rápida, conseguindo o seu melhor resultado na competição até agora. Tudo isto numa corrida caótica, onde a chuva, como sempre, fez a sua aparição.

Com os piloto a partir em seco, a pista começou a ficar molhada logo na primeira volta, primeiro de forma ligeira, mas depois a intensidade foi maior, levando a que o então lider, o dinamarquês Kevin Magnussen, se despistasse com alguma violência no muro de proteção a meio da segunda volta. Duas voltas depois, a chuva aumentou ainda mais de intensidade, com vários pilotos a sairem de pista na curva Lutfield, entre eles o brasileiro Yann Cunha, o alemão Nico Muller, o britânico Sam Bird e o americano Alexander Rossi. Felix da Costa, que tinha passado por momento pelo comando da corrida, aproveitou a ocasião para trocar de pneus, na mesma altura em que o Safety Car entrou na pista para neutralizar a corrida.

O SC andou pela pista por duas voltas até que a organização decidiu mostrar a bandeira vermelha para que a chuva abrandasse e pudesse retirar os carros da pista com segurança. A prova arrancou a meia hora de terminar o tempo máximo permitido, com todos atrás do Safety Car e Will Stevens na liderança e Felix da Costa na 13ª posição. Contudo, na primeira volta após a saída do Safety Car, Stevens despistou-se e Bianchi ficou com o comando da corrida.

A partir daqui, com a pista a secar, o piloto francês manteve o comando da corrida, com Felix da Costa com um andamento mais veloz e subir posições, chegando até ao quinto posto e pelo meio, fazendo a volta mais rápida.

No final de uma corrida onde terminaram... dez carros, Julien Bianchi foi o vencedor, com os holandeses Robin Frinjs e Nigel Melker a ficarem com as posições seguintes. O britânico Nick Yeolly foi quarto, a mais de dez segundos na frente de Felix da Costa.

A segunda corrida da ronda dupla da World Series by Renault será amanhã, com Lucien Bianchi a sair do primeiro lugar e Felix da Costa do nono posto. 

Noticias: Piloto local morre em prova australiana

Um piloto local moreu esta manhã no despiste do seu carro no Targa Rally de Adeleide, informou a organização da prova. Adam Plate, um veterano nestas andanças, perdeu o controlo do seu carro, um Mitsubishi Evo IX, na localidade de Chandlers Hill, bateu numa árvore antes de cair numa valeta.

O piloto foi socorrido pelos serviços de emergência locais, mas não conseguiram salvá-lo. O seu navegador, Patrick Chan, escapou ileso.

A organização decidiu continuar com a realização da prova por pedido expresso da familia do piloto falecido.