terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os planos de António Félix da Costa

De facto, o piloto português está bem instalado como piloto da BMW, ajudando a marca alemã a entrar na Endurance a partir do próximo ano, na classe GT, para além dos seus compromissos na Formula E, mas ele ainda tem alguns espaços por preencher, e existem duas boas chances de participar nesta temporada: a LMP2 e uma viagem até ao Japão, numa Super Formula cada vez mais atraente para estrangeiros, algo que não se via há mais de um quarto de século.

Estou a desenvolver um carro para o WEC e esse é o campeonato onde quero estar – espero correr aí em 2018. Estou em contactos para fazer algumas corridas de LMP2 para ganhar alguma experiência num carro rápido. Ainda sou novo e a LMP2 seria fantástica, para depois, espero eu, poder fazer o WEC com a BMW no próximo ano. Ir a Le Mans com um carro de fábrica seria muito bom”, começou por referir o piloto de Cascais.

Contudo, Félix da Costa disse também que tem convites para fazer a Super Formula japonesa, depois de ir ter corrido em Macau no final do ano passado. Apesar de ter ficado honrado com o convite, acredita que isso seria mais como um último recurso, dada a distância entre a Europa e o Japão.

Antes da corrida principal em Macau (Formula 3) fui abordado por um dos chefes de equipa perguntando-me se estaria interessado, e obviamente que quero correr novamente num grande monolugar potente e contra muito bons pilotos. Estou sempre pronto para competir num carro competitivo. Outras duas equipas souberam disto e também me abordaram, mas trata-se apenas de uma pequena oportunidade. Vamos ver o que acontece”, comentou.

A Autosport portuguesa fala que uma das equipas que o abordou nesse sentido tinha sido a Team Mugen, que tentou ter Pierre Gasly, piloto de desenvolvimento da Red Bull, mas que não conseguiu. 

Quanto a corridas, a próxima oportunidade de vermos Félix da Costa em ação será em Buenos Aires, a 18 de fevereiro, para a próxima ronda da Formula E.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Formula 1: Pascal Wehrlein será piloto da Sauber

O terceiro dos anúncios desta segunda-feira na Formula 1 aconteceu na Sauber, quando o alemão Pascal Wehrlein foi confirmado como seu piloto ao lado do sueco Marcus Ericsson. O piloto de 22 anos sai da Manor e ficará na equipa de Hinwill para a temporada de 2017. Contudo, muitos vêm esta entrada na equipa suíça como um presente amargo, pois ele poderia ter sido perfeitamente o substituto de Nico Rosberg na Mercedes, e esse lugar acabou por cair para o finlandês Valtteri Bottas, vindo da Williams.

"Estamos muito contentes em confirmar Pascal Wehrlein como nosso segundo piloto para a temporada 2017 do Mundial de Formula 1", começou por anunciar a chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn. "Pascal mostrou talento durante sua carreira - quer nos monolugares, quer como no DTM. No ano passado, no seu ano de estreia na Formula 1, provou o seu potencial ao marcar um ponto no GP da Áustria, em Zeltweg. Há certamente mais por vir de Pascal, e nós queremos dá-lo uma chance de crescer e aprender no topo do automobilismo. Estou confiante de que Marcus e Pascal formarão uma combinação sólida em 2017", concluiu.

Wehrlein, o novo contratado, também se expressou em relação à nova casa em 2017: "Estou muito feliz em me tornar parte da Sauber para a próxima temporada da Formula 1. É um novo desafio numa nova equipa, estou muito animado e ansioso para a nova aventura. O nosso objetivo é nos estabelecermos no meio do pelotão e marcar pontos de forma regular. Com isso dito, farei meu melhor na Sauber", começou por afirmar. 

"Agora, estou ansioso para encontrar todos na equipa e começar as preparações para a temporada de 2017. Quero dizer um grande 'obrigado' à Sauber por confiar em mim e me dar esta grande chance. E, com certeza, um grande agradecimento à Mercedes por todo o apoio", completou.

Wehrlein, de 22 anos (nascido a 18 de outubro de 1994), correu na Formula 3 europeia, onde conseguiu o quarto posto em 2012, antes de passar para o DTM, aos 18 anos de idade. Em 2015 torenou-se no mais jovem campeão de sempre, ainda com 20 anos de idade, depois de conseguir três vitórias na competição. Em 2016, começou relativamente bem a sua temporada, mas apesar de conseguir o único ponto da Manor, foi superado na segunda parte da temporada pelo francês Esteban Ocon, que vai guiar para a Force India em 2017.

Noticias: Massa confirma regresso à Williams

Felipe Massa vai adiar a reforma por um ano. O piloto brasileiro confirmou esta segunda-feira que estará na Williams em 2017, ao lado do canadiano Lance Stroll, em substituição de Valtteri Bottas, que será piloto da Mercedes nesta temporada. Aos 35 anos e depois de dezasseis temporadas na categoria máxima do automobilismo, vai acrescentar mais uma temporada ao seu currículo.

Primeiro estou muito contente por ter a oportunidade de regressar à Williams. Sempre pretendi correr em algo em 2017, mas a Williams está no meu coração e tenho muito respeito por tudo o que tenta conseguir. Valtteri tem uma grande oportunidade, dado os acontecimentos durante o inverno, e desejo-lhe a melhor sorte na Mercedes”, começou por dizer.

Quando me foi oferecida a hipótese de ajudar a Williams na sua campanha de 2017, senti que esta era a coisa certa a fazer. Certamente que não perdi nenhum do meu entusiasmo por correr e estou extremamente motivado por regressar para guiar o FW40”, continuou.

Quanto a Lance Stroll, o seu novo companheiro de equipa, Massa está ansioso por trabalhar com ele e ver aquilo que é capaz, no seu primeiro ano na Formula 1. “Conheço-o há alguns anos e tenho visto o evoluir do seu talento ao longo deles, por isso estou ansioso por ver o que conseguimos ambos”, concluiu.

Claire Williams, a diretora de equipa, agradeceu a Valtteri Bottas por todo o o trabalho desenvolvido e mostra-se encantada pelo regresso de Massa à equipa de Grove. “Valtteri fez parte da equipa Williams desde 2010 e nessa altura provou ser um grande talento, garantindo nove pódios. Gostaria de aproveitar a oportunidade para lhe agradecer em nome de toda a equipa e desejar-me uma época bem sucedida na Mercedes", comentou.

Massa tem 252 Grandes Prémios, e vai para a sua 15ª temporada na categoria máxima do automobilismo, percorrendo equipas como a Sauber, Ferrari e Williams. Alcançou a sua primeira vitória no GP da Turquia, em 2006, e foi vice-campeão do mundo em 2008, pela Ferrari, perdendo por muito pouco para Lewis Hamilton. Em 2009, nos treinos para o GP da Hungria, Massa levou com uma mola na cabeça por parte do Brawn de Rubens Barrichello, que o colocou fora de combate para o resto da temporada, regressando em 2010.

Ficou na Ferrari até ao final da temporada de 2013, sem nunca mais vencer corridas, passando depois para a Williams, conseguindo mais cinco pódios e uma pole-position, no GP da Áustria de 2014. Em 2016, não conseguiu pódios, classificou-se na 11ª posição, com 53 pontos.

Formula 1: Bottas apresentado na Mercedes

Um dos segredos mais mal guardados da Formula 1 foi por fim revelado: o finlandês Valtteri Bottas será o substituto de Nico Rosberg na Mercedes, a partir desta temporada. O seu substituto na Williams será o brasileiro Felipe Massa, que adiou assim por um ano a sua retirada da Formula 1. 

"Ainda vai demorar algum tempo a perceber o que realmente está a acontecer. É um sonho tornado realidade representar uma equipa com tanta história. Garanto que irei dar o máximo em prol desta equipa. Agradeço muito a oportunidade que estou a ter”, afirmou o piloto finlandês.

Toto Wolff explicou no comunicado oficial da equipa que Valtteri Bottas é um “piloto direto e focado, que tem os pés bem assentes no chão. Ele tem recordes impressionantes nas categorias inferiores e nove pódios na Fórmula 1. Mas agora chegou a hora de subir de nível. Veremos como é que o Valtteri vai lidar com o desafio de lutar por corridas e campeonatos. Estamos a meio da preparação para a próxima época, por isso temos um intenso programa para a integração de Bottas na equipa. Do que conheço deste piloto tenho a certeza que irá dar tudo o que tem”.

A ideia de que Bottas seria piloto dos Flechas de Prata foi imediatamente considerado assim que se soube da (inesperada) retirada de Nico Rosberg. Toto Wolff foi o seu empresário durante algum tempo e foi logo associado a tal mudança, caso a equipa pagasse a indemnização para tal mudança. Quanto ao seu substituto na equipa de Grove, desde cedo que Felipe Massa foi o favorito, pois o seu companheiro de equipa, o canadiano Lance Stroll, ainda é demasiado novo (fez 18 anos no passado mês de novembro) e inexperiente para assumir as responsabilidades de ser o primeiro piloto da equipa. Daí que Massa, com quase o dobro da idade, tenha sido a escolha natural.

Quanto ao seu relacionamento com Lewis Hamilton, muitos pensam se ele terá as mesmas condições que Nico Rosberg teve com o piloto britânico. Nesse campo, Bottas não se expandiu muito: “Penso que farei uma dupla forte com o Lewis. Tenho muito respeito por ele como piloto e pessoa. É muito rápido e irá ser uma grande referência para mim. Teremos uma relação próxima e vamos puxar um pelo outro. Tudo para ajudar a equipa o máximo que conseguirmos”, comentou.

Bottas, de 27 anos (nasceu a 28 de agosto de 1989), chegou à Formula 1 pela Williams, em 2013, tendo conseguido até agora nove pódios e uma volta mais rápida, no GP da Rússia de 2014. O seu melhor resultado são dois segundos lugares, nos GP's da Grã-Bretanha e da Alemanha de 2014, ano em que alcançou a sua melhor posição de sempre, um quarto lugar, com 186 pontos. Na temporada passada, Bottas conseguiu 86 pontos e classificou-se na oitava posição do campeonato.

Antes da Formula 1, o finlandês foi o primeiro campeão da GP3, em 2011, e foi terceiro classificado na Formula 3 europeia, em 2009 e 2010, para além de ter ganho em 2008 a Formula Renault 2.0 Eurocup.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Youtube Supercar Comparison: Bugatti Veyron vs Rimac Concept One


William Alexander Sidney Herbert é o 18º Earl of Pembroke e o 15º Earl of Montgomery. Tem 38 anos e para além de ser um nobre inglês, cuja casa remonta ao século XII - ou sejam mais de 800 anos - ele é um entusiasta do automobilismo. Participa ativamente em corridas, e tem uma coleção de supercarros, sendo a sua jóia da coroa um Bugatti Veyron.

O nobre tem uma conta no Youtube, e por estes dias foi à Croácia conhecer o Rimac Concept One, um veloz supercarro elétrico. Levou o seu Bugatti consigo e ele foi... derrubado forte e feio pelo carro construido por Mate Rimac, mas conduzido pelo piloto de testes, Miroslav Zrncevic.

Aqui, coloco videos do seu comportamento dinâmico numa pista de karts nos arredores de Zagreb, a capital croata, um "drag race" de manhãzinha e um passeio ao longo da costa adriática. 

Como é o Top Gear noutros lados?

Sei perfeitamente que o Top Gear já não é o mesmo depois da BBC ter despedido o "gorila" Jeremy Clarkson, arrastando consigo os outros dois apresentadores o Capitão Lento (James May) e o "Hamster" (Richard Hammond). E a primeira temporada do Top Gear após estes três foi, no mínimo, cacofónico. Chris Evans, Eddie Jordan, Sabine Schmitz, Rory Reid, Chris Harris e sobretudo Matt LeBlanc (o Joey de "Friends") estiveram ali presentes, acabando com Evans a ir embora no final da temporada, depois de se apresentar como... o triunfo da BBC.

Com a 24ª temporada a ser gravada, e reduzidos em um elemento, e enquanto nos deliciamos a ver os "Três Estarolas" no seu "The Grand Tour", calhou por acaso, durante esta semana, ver episódios dos Top Gear noutros lados. A BBC, nestes últimos anos, exportou o programa para outros países, com muita gente a dizer que isso é um erro, e o melhor - e único - é ver os originais, os ingleses, e tudo o resto é treta. Chamem-lhes criticos ou puristas, mas as criticas existem, e os "spinoffs" também.

Até agora, já houve programas com esse nome na Austrália, Estados Unidos, França, Itália, Rússia, China e Coreia do Sul. E provavelmente poderemos ter outros programas noutros lados. Tive a oportunidade de ver os programas feitos em França, Itália, e Estados Unidos, pois estão em atividade, embora no caso americano, o programa iria deixar de ser emitido no Canal História a partir do final do ano passado. Apesar disso, eles querem andar à procura de outro canal para emitir.

Comecemos pelos americanos. Um trio de doidos - o comediante Adam Ferrara, o especialista Rutlege Wood e o piloto Tanner Foust são os apresentadores da versão americana, onde eles essencialmente se metem em desafios com carros, de origens mais doidas que se podem julgar, e no final, experimentam um supercarro. E o mais interessante de tudo foi o último episódio, onde eles foram a Cuba, sendo mais um dos programas que aproveitou o levantamento do embargo americano à ilha para filmar toda aquela arqueologia automobilística, mas também a sede dos cubanos pelos seus carros... sejam eles os americanos dos anos 50, ou os Ladas soviéticos.


No caso francês, eles já vão na sua terceira temporada. Os apresentadores também são três: o ator Philippe Lelouche, o piloto Bruce Jouanny e o jornalista Yann Maret-Menezo, que tem umas vestimentas... excêntricas. Como disse, está agora a começar a terceira temporada, e para terem uma ideia, na semana passada andavam em aulas de condução com... Jacques Laffite.

O italiano é recente, só tem uma temporada. Os apresentadores são ecléticos: o apresentador Guido Meda, o "chef" italo-americano (sim, um chef!) Joe Bastianich e o piloto Davide Valsecchi, campeão da GP2 em 2012. 


Destes três, há diferenças entre eles. Se as versões francesa e italiana seguem um pouco o original - os testes são feitos em aeródromos, há um The Stig, fazem desafios, convidam celebridades para andar num carro "normal" (um Dacia Sandero na versão francesa, um Seat Ibiza na versão italiana) e testam supercarros - no caso americano, houve alterações, privilegiando o entretenimento. Não há pista, o The Stig aparece cada vez mais raramente e as celebridades a testar o Suzuki Swift desapareceram. Esse foi o único que conseguiu ir para além da versão original.

Há outra coisa do qual faz com que as coisas dêm certo: a química entre apresentadores. Vi essa química nos três americanos e de forma surpreendente, nos três franceses. Na versão italiana, ainda é cedo para se ver, mas na nova versão britânica, a cacofonia estragou bastante essa parte. Mas vi química entre o Rory Reid e o Chris Harris, quando apresentavam o "Extra Gear", o "spinoff" que arranjaram para o Top Gear. Por causa disso, na próxima temporada, vão juntar esses dois ao "Joey", que se adaptou muito bem aos ares ingleses. E já agora, o Chris "Monkey" Harris também têm a sua dose de polémica, pois como Clarkson, também é um desbocado.

Em suma, o Top Gear pode ter conserto, assim que se estabilizarem, mas não serão mais o antigo. Quanto aos outros, vai depender dos gostos dos espectadores. A versão francesa até que é bem recebida, no canal RMC Decouvérte, enquanto que o italiano, ainda tem de se ver. ainda está um pouco a seguir o guião inglês (o episódio onde atravessam Roma em vários tipos de veículos é uma cópia do que os Três Estarolas fizeram em Londres e St. Petersburgo) e libertar-se disso não é fácil. Não sei se por questões legais, se por falta de imaginação dos argumentistas, mas os americanos, de uma certa forma, conseguiram. 

Vamos a ver se os outros conseguem fazer coisas originais, porque até pode ser uma maneira deles prolongarem o programa.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Dakar 2017 - Etapa final, Rio Cuarto - Buenos Aires

E por fim, acabou o Dakar. Uma etapa pequena, entre Rio Cuarto e Buenos Aires, no total de 786 quilómetros, 64 dos quais em troços cronometrados. Nesta etapa final, Sebastien Loeb foi o melhor, seguido por Stephane Peterhansel, mas no final deste rali, ambos ficaram separados por meros cinco minutos e 31 segundos. Cyril Després foi o terceiro na etapa - e na geral - e no final ficou a 33 minutos e 28 segundos do primeiro posto. O melhor não Peugeot acabou por ser Nani Roma, que colocou a sua Toyota Hilux no quarto lugar, mas já a uma hora, 16 minutos e 43 segundos de Stéphane Peterhansel.

Aos 51 anos de idade, Peterhansel explicou o segredo do sucesso neste Dakar: “Esta foi uma competição onde existiam sete ou oito pilotos com capacidade para ganhar. No final da primeira semana apenas quatro pilotos podiam alcançar esse objetivo e no final tudo foi resolvido entre mim e o Sébastien. Foi um duelo intenso, que foi travado ao volante de um carro excepcional”, explicou após o final do último troço cronometrado da prova.

O Sébastien é um piloto muito rápido que sabe como gerir uma corrida por isso a minha táctica passou por obrigar Loeb a ir aos limites. A partir desse momento ficou exposto aos erros e foi isso que ontem aconteceu ao ter um furo. Por isso esta vitória não foi uma questão de sorte”.

Já Loeb, que venceu seis das etapas deste Dakar, conseguiu o seu melhor resultado de sempre neste "rally-raid", ele afirma que espera vencer esta competição num futuro próximo:

Esta participação correu melhor do que a primeira, pois não tivemos nenhum incidente. Cometemos alguns erros de navegação, mas tudo correu bem. Não ficámos muito longe da vitória. Fomos rápidos e conseguimos ganhar muito tempo”, começou por afirmar o piloto da Peugeot.

“[O] objetivo é vencer no futuro o Dakar. Tenho tudo o que é preciso para conquistar esta corrida pelo que só me resta continuar a tentar. No entanto penso que não irei participar em tantas edições do Dakar como o Stéphane Peterhansel”, concluiu.

No lado das motos, o grande vencedor foi o britânico Sam Sunderland, o primeiro dos três KTM, que dominaram este Dakar. Sunderland deu 32 minutos ao austríaco Matthias Walkner, e 35 minutos e 40 segundos ao espanhol Farres Guell. Paulo Gonçalves foi o sexto, o segundo melhor dos Honda, enquanto que Hélder Rodrigues foi o nono da geral, a mais de duas horas do vencedor. Joaquim Rodrigues Junior foi logo atrás na décima posição, fazendo com que Portugal seja o único país a colocar três motards no "top ten".

É de bastante bom depois do que aconteceu no ano passado, em que me lesionei com gravidade. Levei toda a temporada a trabalhar para regressar à moto e acreditar nas minhas possibilidades de alcançar um pódio e consegui”, disse Walkner.

Demos o máximo. Fizemos um bom trabalho durante o ano inteiro e podemos revelar que o fizemos bem. Fizemos algumas alterações para programar da melhor forma este Dakar e chegar a esta altura mais fortes do que nunca e conseguimos. Eu tive uma moto excelente, alias todas as motos da Honda estiveram perfeitas, toda a equipa esteve muito forte”, disse Barreda Bort, o quinto da geral.

Claro que doí não subir ao pódio, mas o desporto e as corridas são assim. Vencer o Dakar não é fácil, temos de estar muito bem, mais fortes do que nunca. Temos que continuar a trabalhar. Sou determinado e não vou desistir até que consiga vencer o Dakar”, concluiu.

Já Paulo Gonçalves afirmou que conseguiu mostrar andamento para a vitória neste Dakar, se não fosse a penalização de uma hora dos Honda, no final da semana passada: “Estamos muito satisfeitos com os resultados que alcançamos ao longo do ano e com o trabalho realizado. A única coisa que não está certa é o resultado final deste Dakar que não é o que merecíamos. Teremos de olhar para o que aconteceu, mas já sabemos como ganhá-lo agora”, começou por dizer.

Teríamos terminado em primeiro e segundo lugar e agora vamos ter que esperar mais um ano. Quero agradecer ainda a toda equipa pois não fosse aquela situação a Honda tinha alcançado os dois primeiros lugares do pódio”, concluiu.

Acabou o Dakar 2017, ano que vem haverá mais.

A velhice de Stirling Moss

Stirling Moss está desde o dia 22 de dezembro internado num hospital em Singapura, depois de ter sofrido uma infeção pulmonar enquanto fazia um cruzeiro na região. Aos 87 anos de idade, está a recuperar do seu problema de saúde de forma lenta, mas só agora é que foi divulgada a noticia.

"Devido à gravidade da infecção, existiram algumas complicações e sua recuperação não foi tão rápida como era esperada ou desejada", lê-se na declaração colocada no sitio oficial do antigo piloto, vice-campeão por quatro vezes entre 1955 e 1959.

"Contudo, sua condição continua a melhorar e seus médicos agora consideram-no como "estável". Sir Stirling está de bom humor e apenas chateado por ter perdido o seu cruzeiro de Natal com os seus amigos."

"[Os funcionários do] hospital em Singapura são inigualáveis e os médicos, enfermeiros, terapeutas e demais funcionários que estão a cuidar dele não poderiam ser mais maravilhosos, gentis e atenciosos quanto profissionais", continua o comunicado.

"Lady Moss diz que não poderia desejar uma facilidade melhor ou uma equipa mais qualificada. Ela está muito grata a todos eles", concluiu.

Numa carreira que se estendeu por onze temporadas (1951-61), Moss correu 67 Grandes Prémios correndo oficialmente pela Mercedes, Maserati, Vanwall, Cooper e Lotus, estes últimos inscritos pela Rob Walker Racing. Venceu 16 corridas e foi vice-campeão do mundo por quatro temporadas consecutivas, entre 1955 e 59, sendo terceiro em 1960 e 61.

Para além das vitórias na Formula 1, também venceu as Mille Miglia em 1955 ao lado do jornalista Dennis Jenkinson, usando notas sobre as condições da estrada que mais tarde vieram a ser usadas pelos navegadores de ralis.

No The Grand Tour desta semana...


TheGrandTour S01E10 Nashville por carabinieri8
Esta semana, os Três Estarolas estão em Nashville, no Tenessee americano, para mostrar o programa que eles têm, e desta vez eles vão - para além de mandar bocas ao antigo programa, ao novo presidente e ao futebol americano - testar "saloon cars" dopados (Jeremy Clarkson testou o novo Alfa Romeo Giulia Quatrofoglio, contra a vontade de James May e Richard Hammond).

Para além disso, vão também para os Barbados para fazer algo ecológico: afundar carros para servirem de recifes. Mas vocês já sabem como como são as intenções deles no papel...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A(s) image(ns) do dia




A Europa passa por estes dias por uma vaga de frio polar que vem atingindo o centro e leste do continente. Já se viu queda de neve na Sicília, por exemplo, e hoje até caiu neve a soalheira Dubrovnik, na Croácia. 

Assim sendo, se ali cai neve, noutros lados onde isso é mais frequente, o manto branco fez a sua aparição. Como o circuito de Spa-Francochamps, no leste da Bélgica. Confesso que tive dificuldade de reconhecer lugares como o Radillon, o La Source ou até a Staevlot, mas vê-los em pleno inverno dá-nos outra visão das coisas.

Dakar 2017: Etapa 11, San Juan - Rio Cuarto

O Dakar está a chegar ao fim, e hoje decorreu a penúltima etapa, entre San Juan e Rio Cuarto, que tem a distância de 754 quilómetros, 288 dos quais em troços cronometrados. Entre ontem e hoje, houve uma alteração na classificação geral, por causa da assistência de Stephane Peterhansel teve de fazer ao motard esloveno Simon Marcic, que foi atropelado pelo piloto francês e do qual acabou com uma perna fraturada. A organização acabou por descontar 14 minutos e 13 segundos, fazendo com que acabasse o dia a liderara geral com cinco minutos e 50 segundos sobre Sebastien Loeb.

Estávamos os dois perdidos, rodava no leito do rio, não ia muito depressa, para aí a 60 Km/h mas como havia alguma vegetação não o vi. Ambos travámos quando percebemos que íamos colidir, mas não foi possível evitar o embate. não foi forte, mas ele ficou debaixo do carro. O meu co-piloto, (Jean-Paul Cottret) saiu do carro, viu como e onde ele estava, e andei para trás. Foi forte o impacto na perna, mas tirando isso ele estava bem. Ele disse logo que tinha a perna partida e ficamos para aí 15 minutos com ele até chegar o médico de helicóptero.” disse depois Peterhansel.

Na etapa de hoje, Loeb partiu ao ataque, conseguindo recuperar parte da desvantagem na primeira parte da especial, mas na segunda parte, Peterhansel contra-atacou, acabando a etapa com cerca de minuto e meio de vantagem sobre o seu compatriota, garantindo praticamente a sua vitória no Dakar deste ano.

No final, ambos ficaram separados por meros 18 segundos, a favor do nove vezes campeão do mundo de ralis, mas foi manifestamente insuficiente para o desalojar da liderança. O argentino Orlando Terranova foi o terceiro.

Na geral, ambos - Peterhansel e Loeb - estão agora separados por cinco minutos e 32 segundos, enquanto que Cyril Després é o terceiro, a 32 minutos de Peterhansel. E tudo indica que os Peugeot irão monopolizar o pódio neste Dakar.

Nas motos, Paulo Gonçalves foi o grande vencedor da etapa, conseguindo o primeiro lugar com uma vantagem de um minuto e nove segundos sobre Joan Barreda Bort.

Hoje fiz uma boa etapa, tivemos uma tirada partida em duas partes, uma primeira parte com muita areia e consegui ganhar esse parcial. Da parte da tarde deu para garantir a vitória na etapa e por isso estou obviamente satisfeito com a minha prestação individual e da equipa que fez um trabalho extraordinário nas nossas motos, temos todas as motas em prova à excepção do Ricky que teve um acidente”, disse o piloto da Honda, à chegada a Rio Cuarto.

O início da especial foi bastante complicado, alguns rios e muitas pedras e os caminhos provocavam alguma confusão de navegação. Apesar disso não estava a ir mal, mas acabei por encontrar o Michael Metge e acabamos por ver que estávamos fora de pista. A partir desse momento as coisas correram bem e o resto da etapa foi ao estilo da Baja da Califórnia. Foi, finalmente, uma boa etapa", respondeu Barreda.

Adrian Van Beveren foi o terceiro na etapa, a dois minutos e 38 segundos do piloto português, seguido pelo KTM de Gerard de Ferres, a seis minutos e quatro segundos, e por Sam Sunderland, a sete minutos e 25 segundos. Hélder Rodrigues foi o 13º classificado, um lugar à frente de Joaquim Rodrigues Jr.

Na geral, Sunderland praticamente garantiu a vitória na geral, a mais de meia hora de Matthias Walkner, e 37 minutos e 10 segundos sobre Adrien Van Beveren. Gonçalves é o sexto, a 52 minutos e 46 segundos, enquanto que Helder Rodrigues e Joaquim Rodrigues Jr. são respectivamente, nono e décimo na geral, colocando assim três portugueses no "top ten".

Amanhã, o Dakar acaba com uma etapa entre Rio Cuarto e Buenos Aires, num total de 786 quilómetros, 64 dos quais em especial cronometrada.

O susto de Martin Brundle

Martin Brundle pode ter sido modesto na Formula 1, mas tem vitórias em Le Mans e uma carreira bem eclética noutras categorias do automobilismo, especialmente na Endurance. Depois de pendurar o capacete, decidiu ser comentador de Formula 1 na Sky Sports, acabando por ser um excelente comentador, do nível a que James Hunt foi nos anos 80 e 90 na BBC, ao lado de Murray Walker, tirando a parte do "politicamente incorreto"...

Pois bem, Brundle revelou por estes dias que teve um ataque cardíaco de menor grau durante o GP do Mónaco de 2016, quando ele correu para o pódio, onde iria ser o "speaker". "Tive um pequeno ataque cardíaco enquanto estava no pódio", revelou à Motorsport, enquanto estava no Autosport Imternational Show, em Birmingham. "Acabei depois por ser operado, colocando-me um "stent" de 23 milimetros no meu ventrículo esquerdo". 

Brundle, atualmente com 57 anos, ficou a recuperar o tempo suficiente parar correr numa das corridas de suporte das 24 Horas de Le Mans, onde acabou por fazer... a pole-position, a bordo de um carro de LMP3, terminando a corrida na segunda posição. Nada mau, quando ele correu contra pilotos com idade para serem seus filhos. Mas tudo isto aconteceu depois dos médicos o autorizarem a correr.

"Eu pensava que não poderia fazer a corrida [Road to Le Mans]. Mas o responsável da cardiologia disse para mim: 'Pode fazer a corrida. Apenas não esqueça dos seus anticoagulantes'.

"Então eu chamei Zak [Brown] e o Richard [Dean, chefe de equipa da United Autosports] - então fiz 75 voltas no carro da Palmer Sports. Tinha hematomas no meu peito, mas eu amo Le Mans e pensava: 'Eu não vou perder isso".

"Acabamos a corrida no segundo lugar, o que foi pena, mas dirigir um protótipo fora do pitlane em Le Mans é extraordinário. Você fica um pouco suado, fica um pouco assustado. Sinto falta desse sentimento. Vou fazê-lo novamente este ano, se eu conseguir uma nova chance.

"Eu converso com outros pilotos sobre isso, como DC [David Coulthard] e ele me diz 'Martin, cresça, você não é mais um piloto de corrida'. E Damon, e outros. Eu sou um pouco como Rubens Barrichello, eu mal posso esperar para voltar em um carro. Eu sou duro em relação a isso.

Os extraordinários Saward

Quem anda por aqui de forma regular, sabe que sou assíduo leitor do blog do jornalista britânico Joe Saward. Nascido a 14 de julho de 1961, Joe é jornalista desde 1984, quando se juntou à Autosport, e quatro anos mais tarde, começou a cobrir a Formula 1 até aos dias de hoje. Por estes dias, tem uma revista online, a GP+, em conjunto com outro jornalista britânico, David Tremayne

Mas Joe escreveu dois livros interessantes, um deles sobre automobilismo: "Grand Prix Saboteurs", que fala sobre Robert Benoist e William Grover "Williams", dois distintos pilotos dos anos 20 e 30 - Williams foi o primeiro vencedor do GP do Mónaco, em 1929 - que foram espiões ao serviço do MI5 na II Guerra Mundial, na França ocupada pelos nazis. Ambos foram capturados e mais tarde executados. Contudo, pouca gente fora da Grã-Bretanha sabe que Joe é a terceira geração de um conjunto de pessoas extraordinárias, que passam por um comandante de navio, um clérigo anglicano e uma vitima de violação que passou o resto dos seus dias a ser uma ativista pelo direito das mulheres.

Por estes dias, Joe e a familia estão de luto: a sua irmã Jill morreu no passado dia 5, vitima de uma hemorragia cerebral acontecida dois dias antes. Ela tinha 51 anos, e o irmão faz-lhe uma sentida homenagem no seu sitio

A história de Jill conta-se em duas penadas: a 5 de março de 1986, Jill, o seu pai e o namorado de então, David Kerr, foram agredidos na sua casa por dois ladrões. Eles ficaram gravemente feridos, mas recuperaram, enquanto que ela foi repetidamente violada. Tinha 21 anos na altura. O julgamento aconteceu no ano seguinte, e eles foram condenados a uma longa pena de prisão... mas foi apenas pelo roubo, e não pelas agressões ou a violação dela. Para piorar as coisas, o juíz, Joe Leonard, disse que "o trauma da violação não era suficientemente forte para ter uma pena particularmente pesada". Para terem uma ideia, o máximo que os violadores tiveram foi de cinco anos de prisão, só pelo crime em si.

O caso fez manchetes na altura. Até Margaret Thatcher, a então primeira-ministra, e Neil Kinnock, o então líder da oposição, criticaram duramente a pena dada e a maneira como o julgamento foi feito e as declarações do juiz. Anos depois, em 1993, quando se retirou, ele pediu desculpas públicas sobre o seu comportamento.

Por essa altura, na lei britânica, a vitima de violação poderia se proteger no anonimato. Ela decidiu não fazer. Abdicando desse direito, escreveu um livro sobre a sua experiência e ajudou a fazer um documentário sobre isso na BBC. Fez um grupo de paoio às vitimas de violação e outros abusos sexuais. E em 1988, foi aprovada uma nova lei que faz com que, caso haja sentenças leves em casos de violação, podem ser sujeitos a apelo a tribunais superiores. E as penas são mais pesadas. 

Contudo, Joe e Jill não são os únicos famosos na familia Saward. Ambos são filhos de Michael Saward, um padre anglicano que nos anos 60 e 70, ajudou a reavivar a Igreja Anglicana para os tempos modernos, sendo autor de hinos religiosos, escrevendo sobre o assunto em temáticas controversas. Em 1975, escreveu "And So To Bed?" que causou furor na altura, pois falava sobre a visão cristã de algo tabu como o sexo, por exemplo. 

Depois tornou-se tesoureiro da Catedral de St. Paul, cargo que ocupou até ao ano 2000, quando se retirou, mas antes disso, serviu no conselho geral da Igreja Anglicana durante vinte anos. Depois de se retirar, ganhou o direito de presidir a missas um pouco por todo o mundo, até à sua morte, a 31 de janeiro de 2015, num hotel na Suíça, vitima de enfarte. Tinha 82 anos e já era viúvo desde 2009.

Mas este não é o último membro famoso da familia. Duas gerações antes, um capitão da Royal Navy sobreviveu o tempo suficiente para assistir a três naufrágios, um deles o mais famoso do qual nunca ouviu falar: o "Empress of Ireland". E algum tempo antes, capturou um criminoso usando um meio de comunicação totalmente novo na altura: a rádio.

Comecemos a falar destas histórias identificando a pessoa e os seus feitos: Henry George Kendall. Nascido a 30 de janeiro de 1874, entrou na Marinha aos 14 anos de idade. Em 1900 tinha sobrevivido ao seu primeiro naufrágio, ocorrido ao largo da Terra Nova, com o navio SS Lusitania (não, não e o barco da Cunard que será afundado por um U-Boot quinze anos depois), e dez anos depois, era o capitão do SS Montrose, da Canadian Pacific Line, que fazia a ligação transatlântica entre a Grã-Bretanha e o Canadá.

A 31 de janeiro de 1910, Cora Turner Crippen desaparece da sua casa em Londres, depois de uma festa. Cora era uma artista de "music hall" - seu nome de palco era Belle Elmore - e ambos de origem americana, e era casada com Hawley Harvey Crippen. Contudo, tinham uma relação turbulenta. Apesar de casados desde 1904, traiam abertamente um com o outro. Crippen disse que ele tinha fugido para os Estados unidos com outro homem, mas a Scotland Yard nunca acreditou totalmente nessa história. Quando o cerco apertou, em pânico, ele fugiu para Bruxelas com a sua amante, Ethel Neave, que já usava abertamente as suas jóias.

Esse não foi a sua paragem final. A ideia era chegar aos Estados Unidos, de onde Crippen era natural, passando pelo Canadá. Embarcaram no SS Montrose e assentaram-se na primeira classe, com ele a crescer uma barba e Neave disfarçada como um rapaz. Só que por essa altura, a Scotland Yard descobre um torso ensanguentado, sem cabeça, braços e pernas: era o de Cora, identificada por uma cicatriz no abdomen.

No navio, Kendall reconhece-os e avisa, através do telégrafo sem fios, que estão a bordo do barco, mas tinham de se despachar. A Scotland Yard colocou Walter Dew, o detetive encarregado do caso, num navio da White Star Lane, o SS Laurentic, bem mais veloz do que o SS Montrose, e chegou primeiro ao Canadá, onde contactou as autoridades. Depois, disfarçou-se de oficial para subir a bordo do navio, quando este estava já no rio St.Lawrence e deu ordem de prisão a Crippen e a Neave.

O sucesso do caso fez manchetes no mundo inteiro. Fizeram-se canções e Crippen foi julgado e condenado à morte, sendo enforcado a 23 de novembro de 1910, aos 48 anos.

Quatro anos depois, Kendall volta a ser noticia, e é pelos piores motivos. A 29 de maio de 1914, Kendall era o comandante do "RMS Empress of Ireland", navio da Canadian Pacific Line construido oito anos antes, e era peça de cartaz da companhia, a par do "Empress of Britain". Nessa noite, fazia a ligação entre a cidade do Quebec a Liverpool, transportando 1477 pessoas. Ele tinha sido nomeado comandante do navio no inicio daquele mês, e aquele era a sua primeira viagem. Quando o barco chegou a Rimouski, ele ficou envolto em denso nevoeiro, reduzindo bastante a sua visibilidade, e pouco depois, sofreu uma colisão com o navio mercante norueguês "Storstad", afundando-se em poucos minutos. Desses 1477 pessoas, 1010 morreram.

O acidente aconteceu pouco mais de dois anos depois do Titanic, e com mais mortes do que este último, causou um impacto bem maior. O Storstad pode continuar, pois colidira de frente com o barco, e foi a colisão que causou o buraco que fez entrar a água e afundar de modo veloz. Kendall salvou-se porque foi atirado à água quando o barco começou a inclinar. No inquérito que se sucedeu, a tripulação do barco, incluindo Kendall, foi ilibada de quaisquer responsabilidades.

Hoje em dia, os restos naufragados do "Empress of Ireland" são um monumento histórico do Canadá e os mergulhos no local são fortemente condicionados devido às correntes e a profundidade onde está o barco, a cerca de 40 metros.

Contudo, poucos meses depois, Kendall estava de novo nas bocas do mundo. A I Guerra Mundial tinha começado e ele fora para Antuérpia, para coordenar a evacuação dos cidadãos ingleses da cidade, usando o SS Montrose, o navio que tinha comandado antes. Tudo isto antes dos alemães entrarem na cidade, a 4 de outubro. Depois, manteve-se na tripulação do HMS Calgarian, onde em março de 1918... sofreu o terceiro naufrágio da sua carreira, quando o seu barco foi torpedeado ao largo da Irlanda do Norte por um U-Boot alemão. Como das outras duas vezes, Kendall sobreviveu.

Depois da guerra, teve uma vida bem mais tranquila na Marinha Mercante, e viveu até à provecta idade de 91 anos, morrendo a 28 de novembro de 1965, num lar em Londres, já o seu neto estava a fazer o seu trabalho como vigário, e já os seus bisnetos eram nascidos. E Joe escreveu um livro sobre o seu distinto bisavô, dando como título "O Homem que Apanhou Crippen".

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Formula 1 em Cartoons - A luta de galos na Renault

Frederic Vasseur, um dirigentes da Renault, saiu da equipa no inicio do ano devido a divergências na condução da equipa nos últimos tempos. E o "Cire Box" decidiu mostrar o tipo de divergências que teve com outro dos diretores, Cyril Abiteboul...

Dakar 2017: Etapa 10, Chilecito - San Juan

A etapa de hoje, que ligou as localidades de Chilecito e San Juan, no total de 751 quilómetros, 449 dos quais cronometrados e divididos por dois troços, aconteceu sem grandes problemas, depois da etapa do dia anterior ter sido cancelada devido ao mau tempo que se tem feito na região de Salta, causando deslizes de terras e diversas inundações.

Nos automóveis, Sebastien Loeb foi o grande vencedor, conseguindo superar o seu companheiro de equipa Cyril Després em dois minutos e 33 segundos. Stephane Peterhansel foi o terceiro melhor na etapa, mas viu Loeb a afastar-se cada vez mais no primeiro lugar, perdendo seis minutos e 45 segundos no troço, muitos deles devido à colisão com o motard esloveno Simon Maric, que teve de abandonar no local, devido aos estragos na sua mota.

Quem perdeu muito tempo foi Mikko Hirvonen, que se atrasou em cerca de uma hora e provavelmente, comprometeu as suas aspirações a um bom lugar final. 

Na geral, Loeb lidera com oito minutos e 23 segundos de vantagem sobre Peterhansel, enquanto que Després é terceiro, a 19 minutos e 50 segundos.

Nas motos, o grande vencedor foi Michael Metge, que relegou para a segunda posição o seu companheiro de equipa Joan Barreda Bort. Ambos ficaram separados por meros 55 segundos. O eslovaco Stevan Svitko foi o terceiro, a um minuto e 19 segundos. Contudo, ele chegou tão exausto à meta que acabou por ser evacuado para o hospital.

Pior ficou o chileno Pablo Quintanilla, que acabou por abandonar, vitima de uma queda que resultou num traumatismo craniano, logo, foi evacuado para o hospital, para ver a gravidade dos seus ferimentos, pois perdeu a consciência.

Esta foi a etapa mais difícil fisicamente  deste Dakar. Foi um dia muito longo e foi preciso manter-me focado quando me perdi na fase inicial da etapa. Eu estava com o Michael Metge e ele acabou por me ajudar”, começou a dizer o piloto espanhol.

A segunda parte da especial foi rápida mas bastante complicada fisicamente, parecia a Baja da Califórnia, com muitos saltos. Foi realmente uma das etapas mais difíceis. Tivemos que manter a calma e atacar até ao fim. Agora não tenho nada a perder, lamentável é a penalização que surgiu numa altura em que estava a andar bem e a fazer bons resultados nas etapas, mas até ao final vou dar o meu melhor”, concluiu.

O português Helder Rodrigues foi o sexto, na frente de Paulo Gonçalves, sétimo, a nove minutos e 38 segundos de Metge. Sam Sunderland, o líder da geral, perdeu 18 minutos nesta etapa,

Eu estou feliz por ter chegado ao fim de um dia bastante complicado em matéria de navegação. Quando estamos na frente é difícil manter o foco. Eu não cometi erros antes do primeiro reabastecimento. Havia dois pilotos quando cheguei e percebi que não tinha perdido muito tempo e nessa altura fiquei mais calmo”, sublinhou Sunderland, o líder da categoria.

Amanhã, o Dakar prossegue em terras argentinas, entre San Juan e Rio Cuarto, a penúltima etapa da competição, que vai ter 754 quilómetros, 288 dos quais em troços cronometrados.