sexta-feira, 24 de março de 2023

A imagem do dia


O futuro, quer queiramos ou não, aparece como um comboio em andamento. E as impossibilidades de não há muito tempo começam a tornar-se certezas. Como os carros autónomos.

A história que irei falar tem dois meses, mas só tomei conhecimento dela esta semana. A ideia de carros completamente autónomos é algo que descolou há coisa de 20 anos, com o avanço da eletrónica, dos componentes de silício, e tecnologias como o LIDAR, que permitem varrer o terreno à sua frente para assinalar obstáculos dos quais os carros podem contornar sem problemas. E com o tempo e as competições entre universidades, ajudando a experimentar essa tecnologia, esta avança, alcançando recordes.

Foi o que fez o Politecnico de Milano, que no passado dia 8 de janeiro, estabeleceu um recorde de velocidade num veículo autónomo: 290 km/hora, na oval de Las Vegas. O evento fez parte do CES, Consumer Electronics Show, na mesma cidade americana, e foi no final de uma competição com mais nove equipas, representando 17 universidades de seis países.

Hoje foi um grande passo à frente em temos de velocidade, complexidade da corrida e superação de situações desafiadoras frente a frente. Estamos felizes por este sucesso, pela contribuição da Indy Autonomous Challenge e por todas as equipas no avanço da tecnologia de IA”, afirmou o Professor Sergio Savaresi, do Politecnico di Milano.

O carro bateu o recorde anterior, estabelecido em abril do ano passado, na pista do Cabo Canaveral, na Florida. 

O Indy Autonomous Challenge é essencialmente transformar carros da IndyCar, enchê-los de tecnologia e pê-los a andar. Já andaram na pista de Indianápolis, em 2020, e desde então que esta competição serve para mostrar o que de melhor se tem feito nas universidades de todo o mundo no sentido de avançar fortemente neste campo. É verdade que se tem tentado fazer competições dedicadas á área, como a Roborace, mas a tecnologia, por muito fascinante que seja, é extremamente complexa, e com cada avanço, haverá alguns recuos, é inevitável, como em tudo. 

Youtube Formula 1 Vídeo: Os melhores onboards de Jeddah

Um pouco atrasado, é verdade, mas não queria deixar de passar em branco os bideos do fim de semana saudita, que foi bem movimentado, diga-se.  

WRC: Alen acredita que Ogier irá competir em mais ralis


Com duas vitórias em três provas, Sebastien Ogier é o atual líder do campeonato, apesar de ter dito que fará uma temporada parcial. Aliás, ele disse que irá à Croácia, a prova a seguir, mas não o Rali de Portugal, em maio. Caso triunfe no asfalto croata, poderá ter só vitórias as suas participações no campeonato de 2023, e até alargar a sua liderança no campeonato. 

Daí que gente como Markku Alen achar que na realidade, ele é candidato ao título. E que deveria competir o suficiente para isso. Numa entrevista ao diário finlandês Ilta-Sanomat, o piloto, vencedor do rali de Portugal em cinco ocasiões, mas nunca campeão do mundo, diz que Jari-Matti Latvala, o diretor desportivo da marca, deveria convencê-lo a correr em mais ralis este ano. 

"[Tenho] grande consideração por Ogier, ele é um excelente piloto de ralis. O mesmo digo para Sebastien Loeb. Estes franceses são mágicos atrás do volante. Vimos na temporada passada que para Ogier estar quando parado alguns meses não significa nada.", começou por afirmar.

Alen acredita que "Ogier vai fazer mais ralis, ele não vai deixar isto como está. Está a liderar o campeonato e ele é ambicioso. Penso que Jari-Matti Latvala vai ter de meter a mão nos bolsos.", concluiu.

O próximo rali do calendário será na Croácia, entre os dias 20 e 23 de abril.   

quinta-feira, 23 de março de 2023

Youtube Formula 1 Video: Quando uma equipa assinou com demasiados pilotos

Lembram-se da Sauber quando tinha Felipe Nasr e Marcus Ericsson? E que um dia, na Austrália, um terceiro piloto apareceu para reclamar que tinha um contrato e queria correr? Uma confusão, não foi? 

E podia ter sido pior: Adrian Sutil também tinha um contrato, e existiam rumores sérios de que outro piloto que iria correr ali era Jules Bianchi, por ser piloto da Ferrari.

Pois é, tudo aconteceu em 2015, e agora em 2023, o Josh Revell lembrou-se deles e decidiu contar a história toda no seu mais recente vídeo. 

Formula E: Felix da Costa espera um pódio em São Paulo


Um mês depois da sua vitória épica na Cidade do Cabo, António Félix da Costa espera que em São Paulo, a tendência continue. Regressado ao Brasil, onde já foi feliz nas corridas de Stock Car, o piloto de Cascais espera que na pista desenhada no Sambódromo de Anhembi, as coisas corram tão bem quanto das outras ocasiões, quer na competição elétrica, quer nas corridas que já fez em solo brasileiro. 

Estou contente por estar aqui e é especial correr no Brasil. Já corri aqui no passado na Stock Car e fui sempre muito bem recebido, tenho vários amigos aqui e um carinho especial pelo nosso país irmão. Não havendo uma prova em Portugal, esta acaba por ser a mais especial e com mais ligação para mim. Será um grande espetáculo para o público brasileiro e do meu lado tudo farei para ser bem-sucedido e manter a boa forma das últimas corridas.", começou por afirmar. 

"Nas duas últimas corridas subi ao pódio na Índia e venci na África do Sul, portanto o objetivo é esse mesmo, manter-me nos lugares do pódio e trazer bons pontos para o campeonato e para a Porsche.”, concluiu.

Quarto classificado no Mundial, com 46 pontos - a 34 do seu companheiro e atual líder, Pascal Wehrlein - ele espera ser o melhor numa corrida que acontecerá este sábado, a partir das 16:55 e será transmitido em Portugal pela Eleven e pela Eurosport 2. 


quarta-feira, 22 de março de 2023

Noticias: IndyCar explora ideia de correr na Argentina


A IndyCar conhece um momento alto num lugar improvável: a Argentina. Um país que sempre adorou automobilismo, segue com curiosidade e torcida a abentura de Ricardo Juncos, que conseguiu chegar até à categoria principal, montando uma equipa, colocando um dos seus, Augusto Canapino, num dos carros. 

Pois bem, o passo seguinte poderá estar a ser dado: segundo conta Marshall Pruett, da Racer, uma delegação está no circuito de Termas de Rio Hondo, no nordeste da Argentina, para saber da possibilidade de correr ali. Foi ali que aconteceu a demonstração de Juncos, perante uma audiência entusiasmada - ali na Argentina, as multidões são comparadas com as dos estádios de futebol - e se acontecer, sera a primeira corrida fora da América do Norte desde 2013, quando foram para São Paulo, no circuito urbano do Anhembi.

Este tem sido um grande, grande sonho para mim na Argentina”, disse Juncos à publicação americana. “Os fãs, há tantas pessoas que querem ter a IndyCar aqui e se isso é algo que podemos fazer acontecer com os patrocinadores e tudo o que precisamos para apoiar, acredito que será uma oportunidade incrível.”, continuou.

Resta saber que tipo de modificações terão de ser feitas para que isto seja uma realidade. A pista já recebeu em termos internacionais a MotoGP e o WTCR.

Autosport e como os tempos mudam


Quando me meti na aventura do jornalismo, a televisão estava na moda, e a Internet era ainda algo da ficção cientifica, embora o World Wide Web tinha já sido inventado. Nesses dias de meados da década de 90, pensávamos que o papel continuaria "ad aeternum", desconhecendo - ou subestimando - a revolução que seria a Internet. Mexíamos em computadores, do tamanho de uma mesa, e os que cabiam numa pasta eram poucos e muito caros. E nem falemos de telemóveis!

Essa foi a minha adolescência. E nesse tempo, chegou a haver dois jornais de automobilismo. Acreditam? E uma data de revistas de automóveis, creio que oito ou 10. Uma delas era a Autosport, que saía às terças - depois, às segundas - que fazia concorrência ao Volante, antes de se unificarem (e os mais velhos disseram-me que chegou a haver três!).

Mas isso foi antes de ter tornado revista, por exemplo. Independemente do formato ou do tipo de papel, ela não deixava de ser uma referência para o automobilismo e para os que amavam.  

Contudo, uma geração depois, o jornalismo em papel é algo que está em extinção. E os fatores são muitos: as pessoas leem menos, a nova geração perdeu o hábito, a Internet é o centro de tudo, é mais barato, a mudança é inevitável, etc. E os que resistem, com excepções, sabem que apenas um público fiel é que mantêm a máquina a funcionar. E também cometeram-se erros: dar gratuidade às noticias na Net, não sabendo das consequências, modificou as coisas para sempre. E quando se tentou corrigir com coisas como o "paywall", já foi tarde. 

Eu falo isso tudo depois de saber, no inicio desta semana, que a Autosport irá deixar de ser imprimida, para apenas manter o site. A última edição em papel será a do dia 29 de março. O declínio era inevitável, as vendas eram residuais, era uma matéria marginal, mas mesmo assim, a revista - que começou a ser um jornal, quando surgiu em 1977 - tinha-se tornado numa referência para os amantes do motor, tenham quatro ou duas rodas. Eu bem sei disso: afinal, colaborei com eles por cerca de ano e meio, do final de 2018 até ao inicio da pandemia, em 2020.

Confesso nunca ter pensado algum dia acabar lá, mas aconteceu. Apesar de ter sido assíduo leitor na minha adolescência. E custava dinheiro. Em 1991, eram cerca de 120 escudos - 60 cêntimos na moeda europeia - e quando tinha na altura uma semanada de 300 paus, era logo um terço do valor que recebia dos meus pais, no alto dos meus 14 anos. Já gostava de automobilismo, mas ali descobria outras coisas: a Formula 1 era conhecida, mas ralis, sport-protótipos, todo o terreno e outros, descobria que existia todo o tipo de modalidades que eles cobriam, por muito insignificantes que sejam. Perícias, já ouviram falar?

Mas nesse meu mundo de há 30 anos, a Autosport era um complemento de muitos mais. Havia no monolito da RTP um programa chamado "Rotações", que pelas quartas ou quintas-feiras, nos colocava a par das últimas desportivas e do dito "Comercio & Industria", a apresentação de modelos, fossem de "sonho", ou mais pragmáticos. Era outro farol, do qual hoje em dia, há quem recorde com nostalgia.

Fomos felizes? Sim, fomos. Não é que sejamos infelizes agora, apenas temos de aceitar que as coisas mudam. Os suportes mudam, mas os gostos não estão muito distantes. Existem dezenas de canais do Youtube que tratam daquilo que gostamos, sites e blogs que falam sobre o desporto que tanto amamos, ou que lemos sobre os assuntos que temos gosto, e gente de lados diferentes que, unidos por algo em comum, podem colocar de pé verdadeiros milagres. 

Felizmente, passei por isso. E espero voltar a passar por mais aventuras dessas.        

Youtube Motorsport Documentary: Revson, America's Grand Prix Superstar

Há 49 anos, o mundo assistia nos cinemas uma versão de "O Grande Gatsby", escrito por F.Scott Fitzgerald, com Robert Redford no principal papel. Quem já leu a história, um dos grandes clássicos do século XX, conhece a história de um jobem, bem parecido, que alcança a atenção e a fama, e no auge de tudo isso, acaba por morrer e é enterrado quase sozinho.

Que isso tem a ver com automobilismo? Ora, nesse inicio de 1974, Redford, o ator tinha sido destituído do título de "pessoa melhor vestida da América" por um... piloto de Formula 1. Não um qualquer, mas sim um herdeiro de uma das maiores marcas de cosméticos do mundo, que tinha dinheiro o suficiente para uma vida glamourosa, se quisesse. Mas quis vingar na vida que escolheu, e assim que começava a ser reconhecido como piloto que era e começar a alcançar a vitória... é recolhido do palco cedo demais e de uma forma brutal. 

Hoje falo de Peter Revson, porque o canal do Youtube nascarman fez um documentário de 71 minutos sobre a vida, a carreira e o seu acidente mortal em Kyalami, quando começava a se adaptar à sua nova equipa, a Shadow, depois de duas temporadas na McLaren, onde consolidou a sua carreira na Formula 1, triunfando em duas corridas na temporada anterior, e ganho a CanAm.   

terça-feira, 21 de março de 2023

Endurance: Isotta fará "shakedown" em abril


O projeto da Isotta, Tipo 6 LMH Competizione, que poderá fazer a sua estreia depois das 24 Horas de Le Mans, em junho, fará um "shakedown" no final de abril, numa pista ainda a designar. A marca baseada em Milão, que foi reavivada recentemente, planeia fazer a sua estreia a tempo inteiro em 2024, mas ainda pretende fazer eventos selecionados ainda em 2023. 

Segundo conta Claudio Berro ao site sportscar365.com, a marca está a preparar o seu motor, preparado pela HWA, para uma fase de testes que, a ser bem sucedida, passará de imediato para os testes de pista, de modo a ficar pronto para a competição na classe Hypercar, a par de Peugeot, Toyota, Glickenhaus e Vanwall, já que Ferrari, Porsche e Cadillac estão na classe LMDh.

Acho que testaremos [no dinamómetro] por uma ou duas semanas, dependendo do tempo [que leva] para configurar o software”, começou por dizer Berro. “Depois disso, [como] o corpo e o conceito aerodinâmico estão OK, nós [iremos] colocá-lo junto com o chassis e testar no circuito. A expectativa é estar no circuito em abril. Depende da configuração do software do carro.", continuou.

Para nós, é importante testar e testar. Depois disso, temos que voltar novamente ao túnel de vento. Temos que consertar a aerodinâmica do carro. E depois disso, temos que organizar a homologação com a FIA. Mas antes de homologar o carro, precisamos de testar, testar e testar”.

Berro conta ter dois chassis prontos no final da primavera.

Dentro de dois meses, teremos dois chassis prontos a testar”, começou por afirmar. “Dessa forma, teremos capacidade de acelerar o desenvolvimento. Foi isso que a Ferrari fez: eles testaram com dois carros [ao mesmo tempo]”.

Quanto a pilotos, Berro afirma ser "muito cedo" para pensar nisso, mas tem em mente "cerca de 10 pilotos" para potenciais lugares na equipa oficial, que será a Vector Sports. 

Estou a falar com muitos pilotos”, disse. “Provavelmente finalizamos um piloto de teste para os primeiros quilômetros. No momento, eles não são a prioridade. Quando tivermos condições de competir, decidiremos juntamente com a equipa. A prioridade é ter um carro forte, com fiabilidade e performance. Então, se dermos ao piloto um bom carro, ele será rápido.”, concluiu.

Youtube Automotive Videos: Combustível sintético no Fim do Mundo

Como sabem, há uma corrida para que se encontre alternativas ao combustível derivado do petróleo, que é poluente e nos está a dar cabo do planeta aos poucos e poucos. Há a eletricidade, o hidrogénio e a gasolina sintética. Esta última anda por aqui há uns bons 80 anos - os alemães usaram muito na II Guerra Mundial - e o pessoal do Donut Media foi à Tierra del Fuego, no Chile, para visitar uma industria, com energia totalmente a partir de fontes "berdes" e experimentar um carro com essa gasolina.

Pequeno detalhe: cada litro de combustível ronda os... 10 dólares. Pois, ainda não é muito viável, por agora. 

segunda-feira, 20 de março de 2023

A imagem do dia


Muitas excelentes personagens, muitas vezes, são ajudadas por pessoas que, nos bastidores, dão apoio moral, material e logístico nas suas concretizações. Quando se ouve a expressão "por trás de um grande homem está uma grande mulher" - o contrário também existe - muitas das vezes é uma parceria: alguém dá a cara para contar as histórias ou para mostrar a concretização de ambições e projetos, enquanto nos bastidores, de forma discreta, falando com as pessoas indicadas, fará de tudo para que a máquina saia oleada, porque, ao contrário de um certo filme na berra, ninguém é capaz de fazer tudo e está todo o lado ao mesmo tempo, no mesmo lugar.

Stirling Moss teve uma longa carreira depois do seu acidente em Goodwood, em 1962, num Lotus 24. Mas não como piloto, foi como contador de histórias e lenda viva, acarinhada por toda a gente no automobilismo e não só. Ainda muitos sentem a sua ausência, depois de desaparecer no domingo de Páscoa de 2020, aos 90 anos, um dos últimos sobreviventes da década de 50 do século XX, a primeira da Formula 1. Ao contrário do normal, Moss envelheceu a contar histórias, a marcar presença de eventos históricos e a conduzir carros lendários, como o Mercedes 300 que triunfou nas Mille Miglia de 1955, navegado por Dennis Jenkinson, mítico jornalista da Motorsport britânica, conhecido pela sua longa barba.

Contudo, nesses tempos de contar histórias do seu passado, estava sempre acompanhado por uma mulher um pouco mais jovem, discreta, mas essencial na logistica de Stirling Moss: Lady Susie, a sua terceira mulher. 

Susie Paine como nome de solteira, eram casados desde 1980, e era mãe do seu filho mais novo, Elliot. Ela poderia ser a sua filha, pois era a filha de um amigo seu e a diferença entre ambos era de 23 anos. Ou seja, ela tinha 27 anos, ele 50. Nos 40 anos seguintes, foi ela que manteve a lenda - e a vida de Moss - a funcionar. Assistente e secretária leal quando ambos participavam, muitas das vexes sentava-se a seu lado, cuidando de o recordar e corrigir algumas das suas histórias quando a memória do seu prodigioso marido falhava. E, por causa dos seus acidentes que sofreu ao longo da sua carreira, o seu físico e mental começou a falhar mais frequentemente com o avançar dos anos. 

Em casa, tornou-se na sua cuidadora fiel, que velava por ele quando o físico o fez tropeçar nos seus pés. Como em 2010, quando caiu de um poço de elevador na sua casa de Londres e fraturou ambos os tornozelos, do qual recuperou em pouco tempo, apesar de já ter passado dos 80 anos, em 2009.

Sobre ela, Andrew Frankel escreveu o seguinte na revista Motorsport em 2021, quando passava um ano sobre a morte de Moss: 

"Stirling Moss não era apenas uma pessoa, era um negócio também. E isso precisava de funcionar. 

Ele devia isso a sua esposa, Lady Susie Moss. Pode ter sido casada com Stirling, o ser humano, mas também administrou Stirling, a marca. Por 40 anos, seu trabalho foi organizá-lo e garantir que, aconteça o que acontecer, ele estava onde precisava estar, quando precisava estar lá, totalmente informado, pronto para ser o Sr. Motor Racing sempre que fosse necessário.

Ela o cobriria também: nas últimas décadas, a memória de Stirling tornou-se, na melhor das hipóteses, irregular - possivelmente por causa da pancada na cabeça em 1962 - então Susie o lembraria quem eram as pessoas segundos antes de ele as conhecer. Quando a idade dele e o efeito cumulativo de seus inúmeros ferimentos começaram a limitar seus movimentos, ela também seria seu apoio no sentido mais literal.

E é claro que ela poderia ter feito tudo isso como uma número dois obediente, sua esposa em casa e assistente no trabalho. No entanto, nunca os vi dessa maneira. Eles foram a maior dupla neste negócio. Stirling pode ter atraído toda a atenção, mas foi Susie quem manteve o show na estrada. Eu os via como iguais e, quando trabalhavam juntos, provavelmente ainda mais do que a soma de suas partes.

Sempre seria necessária uma pessoa extraordinária para administrar Stirling de forma profissional e pessoal, e não apenas porque ele poderia ser difícil, truculento e possuía um dos personagens mais fortes que você poderia imaginar. Um capacho respeitoso não teria durado cinco minutos, mas provavelmente é mais do que alguém que tentou dominar Stirling e dobrá-lo à sua vontade teria durado. Susie encontrou o equilíbrio. Ela trabalhava com ele, não para ele. Ele era Stirling Moss, mas juntos eram Stirling Moss Ltd.

E em particular? Eu acho que é onde tais assuntos devem ficar, então basta dizer aqui que eles se adoravam. E você pode ver o porquê: Stirling, longe da multidão era surpreendentemente gentil, sem ego e absolutamente cheio de humor. Susie é uma das pessoas mais atenciosas e calorosas que você poderia esperar conhecer, com um senso de humor igual ao do seu marido."

Lady Susie estava ao lado de Stirling quando este exalou o seu último suspiro, a 12 de abril de 2020, aos 90 anos de idade.

Quanto a ela, morreu hoje aos 69 anos, quase três anos depois de ver partir o seu companheiro de toda uma vida. A sua dedicação foi tal que depois de ele falecer, reparou que a sua vida quase não tinha sentido sem ele. O que passaram ao mundo foi uma forma de amor leal, dando uma segunda vida a um colosso do automobilismo, e quando a morte os separou, ela mostrou que os corações partidos não duram muito tempo.  

Endurance: Peugeot irá evoluir o 9X8 para ter chances de ganhar


A Peugeot teve um fim de semana horrível em Sebring, não tendo qualquer chance de ombrear com a concorrência dos Hypercar, nem mesmo teve ritmo para acompanhar o Vanwall do Colin Kolles. Contudo, com o mau resultado na pista americana, afirmam que os problemas de caixa de velocidades, detetados na corrida, já estarão resolvidos quando voltarem a correr, no mês que vêm, em Portimão. 

Em termos de desempenho, estivemos ao mesmo nível da qualificação e isso mostra bem o que perdemos durante todo o fim-de-semana.", começou por dizer Olivier Jansonnie, Diretor técnico da marca. "Em termos de fiabilidade, os dois problemas que enfrentámos são os mesmos para ambos os carros e são questões que conhecemos, sendo que a solução estará em breve disponível para as próximas corridas. Do lado dos pilotos, eles fizeram o seu melhor para levar o carro aos seus limites. A equipa também fez grandes melhorias e estou bastante satisfeito com isso. Sabíamos que vir aqui sem testar antes seria difícil, mas a escolha foi nossa. Agora temos de examinar tudo ao pormenor e regressar com um melhor nível de desempenho”, concluiu.


Os pilotos dos carros em questão também falaram da desilusão que foi correr em Sebring com os problemas que tiveram ao longo da prova. Paul di Resta, o escocês piloto do protótipo numero 93, afirmou no final da corrida, que tem de melhorar para o grande objetivo que é Le Mans. 

Temos de continuar a trabalhar em conjunto, elevar a fasquia e fazer o melhor que pudermos. É um enorme desafio vir aqui. Eu sei o que é preciso para tentar ganhar a corrida. Há que fazer um balanço, e estaremos de volta aos testes dentro de 10 dias e depois cumprir as provas antes de Le Mans”, comentou.

A mesma coisa disse o americano Gustavo Menezes, piloto do carro 94. 

Obviamente que estou um pouco desapontado com o resultado que não reflete o trabalho árduo e a dedicação que a equipa colocou nas últimas duas semanas, com noites curtas e grande quantidade de trabalho nos carros. Acabámos no nível de desempenho que esperávamos ter, o que, claramente, não é suficientemente para ir a Le Mans com uma hipótese de vencer.


A equipa voltará a estar reunida dentro de alguns dias no circuito Le Castellet para mais sessões de testes, a fim de ter um melhor nível de desempenho na próxima do WEC, que será em Portimão, um evento que se realizará no fim de semana de 15 e 16 de abril.

WRC 2023 - Rali do México (Final)



Sebastien Ogier ganhou o rali do México, terceira prova do campeonato do mundo de ralis. Apesar de uma temporada parcial, com apenas quatro ralis, o francês ganhou em todas as suas participações, pois também ganhou em Monte Carlo. E por causa disso... ele é agora o líder do campeonato! 

No final, estava satisfeito com o resultado, e prometeu que iria tentar a sua sorte na Croácia.

"Gosto desta etapa! O carro esteve ótimo neste fim de semana e foi um fim de semana impecável para nós e para a equipa. Como irei fazer o próximo rali na Croácia, é importante largar primeiro na estrada por lá e era importante obter o pontos para a equipa, também. Estou orgulhoso.", comentou.

Thierry Neuville, que conseguiu o segundo posto na última especial, estava algo satisfeito com o resultado, por causa do esforço que teve de suportar ao longo do fim de semana. 

"Fiz o que pude. Acho que Tänak estava com dois pneus macios, então talvez ele tenha conseguido tirar uma pequena vantagem disso. Durante todo o fim de semana estivemos no limite e foi realmente cansativo no final."


Com quatro especiais a serem feitas no domingo, a grande chamada de atenção era o duelo pelo segundo posto, entre Neuville e Evans, já que Rovanpera, a quase um minuto do terceiro lugar, estava sem hipóteses de alcançar. E claro, o belga foi para o ataque: triunfou na primeira passagem por Las Dunas, com 0,2 segundos sobre o galês da Toyota, com Ogier a perder 3,8 segundos e apenas sendo oitavo. 

Evans ganhou em Otates, num especial onde Adrien Formaux quebrou a corrente do alternador do seu Ford, e o galês ganhou 1,7 segundos sobre Neuville. Pierre-Louis Loubet sofreu um furo e também se atrasou. O belga reagiu, ganhando em San Diego, a penúltima especial, 1,5 segundos sobre Tanak e 3.1 sobre Evans, com Ogier a ser quarto, a 3,8. 

No final, na Power Stage de El Brinco, com quase 10 quilómetros, Ogier deu o seu melhor a ganhou, 2.1 segundos sobre Ott Tanak, que neste momento tinha subido aos pontos e acabado na nona posição, com Neuville a ser terceiro, a 2.3 e passando Evans, que foi apenas sexto, a 5,4. Desiludido, o galês explicou que estava a tentar levar o carro até ao fim, depois de ter entortado um dos braços da suspensão do seu Toyota. 

"Não é uma surpresa. Estamos cuidando de um braço de suspensão torto desde o primeiro desta manhã. Tivemos que pegar leve em alguns lugares apenas para ter certeza de que chegaríamos [ao fim]. É uma pena.", comentou, no final.

Depois dos três primeiros, Rovanpera foi quarto, a 1.55,3, mais de um minuto na frente de Dani Sordo, que chegou em quinto, a 2.58,8. Sexto foi Gus Greensmith, a 12.31,5, e o melhor dos Rally2, na frente de Emil Lindeholm, a 13.04,4. Oitavo foi Oliver Solberg, a 13.37,7, na frente de Ott Tanak, que recuperou de um problema no primeiro dia, acabando a 15.19,6. A fechar o "top ten" ficou o Skoda do polaco Kajetan Kajetanowicz, a 15.56,6.

Agora, o WRC atravessa o Atlântico, indo correr no asfalto croata entre os dias 20 e 23 de abril.

Noticias: FIA retira penalização a Alonso e regressa ao pódio


E mais um volte-face no GP da Arábia Saudita: a FIA decidiu retirar os 10 segundos de penalização a Fernando Alonso por, alegadamente a equipa não ter devidamente cumprido a penalização nas boxes, na primeira paragem do veterano piloto espanhol. Com isso, Alonso regressou ao terceiro posto da corrida e comemorou o seu centésimo pódio da sua carreira, o segundo ao serviço da Aston Martin. 

Alegadamente, no momento da paragem do Aston Martin numero 14, um dos mecânicos encostou o seu macaco na parte traseira do seu carro, apenas preparando-se para o levantar, que fez depois de passados os cinco segundos onde estes não poderiam tocar no bólido de Alonso. Foi isso que os comissários da FIA, aparentemente, acharam que eles violaram a regra, dando mais 10 segundos e retirar o terceiro lugar ao espanhol.

Contudo, a Aston Martin decidiu recorrer e no final, foi-lhe dada razão, e a FIA comunicou na noite deste domingo a reversão da penalização.

"Os comissários receberam uma carta datada de 19 de março de 2023 da Aston Martin Aramco Cognizant Formula One Team com uma petição de revisão de acordo com o artigo 14.1.1 do Código esportivo internacional (ISC) da decisão deste painel de comissários de impor uma penalidade de 10 segundos ao carro 14 por não cumprir a penalidade de forma correta.

Em apoio à petição de revisão, os comissários viram a ata da última reunião do SAC e evidências em vídeo de 7 instâncias diferentes em que os carros foram tocados pelo macaco enquanto cumpriam uma penalidade semelhante à imposta ao carro 14 sem ser penalizado.

A apresentação clara da Equipa foi que a alegada representação de um acordo entre a FIA e as equipas que tocarem o carro de qualquer forma, inclusive com um macaco, constituiriam "trabalho" na viatura para efeitos da alínea c) do n.º 4 do artigo 54.º do Regulamento Desportivo, estava incorreta e por isso a base da decisão do Steward estava errada.

À luz da petição, os Stewards tiveram que decidir se havia um "novo elemento significativo e relevante [que foi] descoberto que não estava disponível para as partes que buscam a revisão no momento da decisão em questão".

Se existisse tal(is) elemento(s), então os comissários precisariam considerar se a decisão precisava ser modificada de alguma forma.

Após rever as evidências de vídeo apresentadas e ouvir o representante da equipa Aston Martin e os membros relevantes da FIA, os comissários determinaram que existiam novas evidências significativas e relevantes conforme exigido pelo Artigo 14.1.1 para desencadear uma revisão da decisão, em particular as provas em vídeo e as provas verbais da Equipa e da FIA. Ficou claro para nós que o substrato da decisão original, nomeadamente a representação da existência de um acordo, foi posto em causa pela nova prova.

Assim, procedemos à apreciação do mérito do pedido de revisão.

Após revisar as novas evidências, concluímos que não havia um acordo claro, como foi sugerido aos Comissários anteriormente, que pudesse ser considerado para determinar que as partes concordaram que um macaco tocando um carro equivaleria a trabalhar no carro, sem mais.

Nessas circunstâncias, consideramos que nossa decisão original de impor uma penalidade ao carro 14 precisava ser revertida e o fizemos de acordo.", conclui-se o comunicado.


Assim sendo, Alonso está na terceira posição na classificação de pilotos, tendo agora 30 pontos no campeonato. Horas antes, o piloto espanhol estranhava - e criticava a decisão da FIA - mas afirmava que isso não altera a competitividade do AMR23 dentro do pelotão.

"Sinto-me bem. Gostei da cerimónia do pódio (risos) e depois a equipa disse-me que podia ter uma penalização”, explicou Alonso à transmissão da F1TV. “Estamos a tentar perceber o que aconteceu e se é o caso para ser penalizado ou não. Se isso acontecer, são três pontos que perco, mas não muda o sentimento. Fomos o segundo carro mais rápido na corrida, controlamos o ritmo da Mercedes e somos mais rápidos que a Ferrari, por isso sinto-me muito feliz”.

A equipa está analisar o que aconteceu. Acho estranho só termos conhecimento passado uma hora, quando tiveram 35 voltas para aplicar a penalização e só depois do pódio, com a presença dos meus patrocinadores e da minha equipa, é que decidiram. Não é um bom trabalho por parte deles [FIA], mas isso não é comigo”, concluiu o piloto da Aston Martin.

domingo, 19 de março de 2023

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Apesar de um fim de semana com Formula 1 na Arábia Saudita e um rali do WRC no México, para mim o destaque é Sebring. Sim, existiu uma prova dupla, quer para o Mundial de Endurance, quer para a IMSA, a lendária corrida das 12 Horas, é sobre a primeira que quero falar. Aconteceu na sexta-feira, é verdade, mas ainda vale a pena falar porque são raras as ocasiões onde assistimos a uma corrida sabendo que entramos numa era de ouro na Endurance. 

Ao ver todos estes carros alinhados na grelha de partida de Sebring, de uma certa forma, sabia perfeitamente que era o inicio de algo que poderá ser uma de prosperidade, o regresso a um auge que só foi atingido nos anos 80 do século passado, com os Porsches 956 e 962, os Jaguares XJ's, os primeiros Toyotas, os Nissans, os Sauber-Mercedes... tudo. Os fabulosos carros dos Grupo C.

Quando soubemos, desde 2020, do regulamento dos Hypercar e dos LMDh, da união das competições mais importantes de Endurance, a IMSA americana e a WEC, sabíamos que iamos a caminho de algo fabuloso. E com a confirmação da Porsche, da Peugeot, da Cadillac e sobretudo, da Ferrari - que regressa meios século depois da última vez - sabia perfeitamente o que o futuro reservava. E ainda por cima, 2023 era o ano do centenário das 24 Horas de Le Mans, a prova que todos aspiram ganhar.

E saberemos que aparecerão mais em 2024: Lamborghini, Isotta. E fala-se de Alfa Romeo e Mercedes.

Foi uma corrida emocionante com um resultado previsível. Ganhou a Toyota, apesar da pole da Ferrari. A razão é simples: estão aqui há mais tempo, são muito mais experientes e o resto das equipas estão aqui para testar se tudo está em ordem, se tem ritmo de corrida, se são capazes de os apanhar. Mas os outros, tirando os problemas dos Gluckenhaus e o desastre da Peugeot, a Ferrari cumpriu e foi melhor que a Porsche para ser "o melhor do resto". E mesmo o carro da Kolles não desmereceu, apesar de se notar que o Jacques Villeneuve está fora de forma há algum tempo...

Sinceramente, gostei. Só consegui assistir a cinco horas de corrida, porque sexta é dia de trabalho, mas ficas com ansia para assistir às Seis Horas de Portimão, dentro de um mês. E sobretudo, às 24 Horas de Le Mans, a edição do centenário, que a três meses da sua realização, já vendeu todos os seus... 300 mil bilhetes! Incrível, não acham?