segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A imagem do dia



Poderia falar sobre o ridículo acidente entre Nelson Piquet e Eliseo Salazar, o único chileno na Formula 1 até agora, mas hoje concentrei-me em Patrick Tambay, porque hoje passa exatamente 40 anos sobre a seu primeiro triunfo na categoria máxima do automobilismo, e ainda por cima na Ferrari, a equipa que no dia anterior, tinha sofrido um rude golpe quando o seu piloto, a sua maior cartada para o título mundial, o seu compatriota Didier Pironi, sofreu um grave acidente que praticamente terminou com a sua careira.

Até chegar a aquele dia, Tambay penou. Andou nos dois lados do Atlântico, na Can-Am - bicampeão da categoria, em 1977 e 1980 - enquanto os resultados na McLaren e Ligier pouco ou nada deram de relevante. Para terem uma ideia, desde o primeiro ano na Theodore, em 1977, onde conseguiu cinco pontos, até 1982, mais nove. E a sua próxima oportunidade foi quando um dos seus melhores amigos no automobilismo morreu.

Herdou o mítico número 27 de Gilles Villeneuve e a partir do GP dos Paises Baixos, tentou ajudar Pironi nos construtores. O seu primeiro pódio apareceu em Brands Hatch, com um terceiro lugar, e tinha sete pontos no campeonato quando a catástrofe aconteceu. O campeonato de pilotos era agora uma ilusão - só se ele ganhasse todas as corridas até ao final da temporada - mas aquele triunfo deu uma ótima injeção de moral em Maranello, que passava por um inferno. 

Para Tambay, era o aproveitamento de um momento. Porque, de repente, de substituto para indispensável, foi um mero piscar de olhos. 

Formula E: Bird não pode ir a Seul, Nato é o substituto


O britânico Sam Bird não poerá ir a Seul devido a lesões numa mão, sofridas durante o fim de semana de Londres. O piloto da Jaguar irá ser operado para amenizar a fratura, logo, será substituído pelo francês Norman Nato, piloto de reserva da equipa.

"Estou devastado por não estar a conduzir nas duas últimas rondas da temporada em Seul, particularmente porque teria sido a minha 100ª corrida na Fórmula E", começou por dizer o piloto britânico. "Preciso de passar as próximas semanas a recuperar da operação na minha mão esquerda, por isso estou totalmente apto para testes e para a temporada 9" Tenho confiança no Norman, ele é um vencedor de corridas e estou certo de que trará grandes pontos para casa para a Jaguar TCS Racing", concluiu.

Apesar de ter triunfado em Berlim, em 2021, Nato não conseguiu um lugar a tempo inteiro na Formula E, ficando com o de reserva. Este ano é piloto da WRT no Mundial de Endurance, enquanto cuida do carro da H24 no Le Mans Cup de LMP3.

domingo, 7 de agosto de 2022

A imagem do dia


Durante anos, confesso, andei à procura dessa imagem, desde que vi há muitos anos num "L'Automobile" de um amigo do meu pai, que adorava tanto Formula 1 como eu. As imagens do carro de Didier Pironi totalmente destroçado, do Nelson Piquet ao pé do Ferrari acidentado e a reagir ao cenário de destruição, essas, existem e deram a volta. Mas o carro de onde bateu, o Renault de Alain Prost... quase não existem imagens. Mas sabia que existia.

E segundo contam, foi por causa disso que o francês ficou com anticorpos em relação às corridas com chuva. Toda a gente sabe que ele nunca foi um grande piloto neste estilo de asfalto, mas não creio que tenha acontecido por causa do acidente que fechou a carreira do francês da Ferrari, que a quatro corridas do final daquele campeonato, e com a pole-position nessa corrida, parecia ter tudo para ser o primeiro francês campeão do mundo. 

Pensava-se o pior no caso de Pironi. Poderia perder o pé direito - o osso tinha explodido e só se segurava pelos tendões - e depois de cinco horas de operação, o pé foi salvo. Nos quatro anos seguintes, Pironi foi operado até 33 vezes para recuperar aquela parte do pé, e ficou bom o suficiente para poder entrar dentro de carros da AGS e da Ligier, mas apesar de tempos razoáveis, foi avisado que caso regressasse à Formula 1, teria de devolver o dinheiro dos seguros, que foram usados para as tais operações para ter o pé e tornozelo em forma. Foi daí que se virou para os barcos de alta velocidade e o projeto do "Colibri", que resultou no seu acidente mortal, cinco anos depois.  

WRC 2022 - Rali da Finlândia (Final)


Surpreendentemente, Ott Tanak aguentou os ataques de Kalle Roanpera e triunfou no Rali da Finlândia... se calhar, como paga pelo facto do finlandês ter sido o vencedor no seu rali natal, a Estónia. O piloto de Hyundai acabou a prova com uma vantagem de 6,8 segundos, depois de uma imensa batalha com o piloto da Toyota. E ambos acabaram com mais de um minuto e 20 segundos na frente de Esapekka Lappi, o terceiro classificado, demonstrando que o duelo a dois foi algo do qual a concorrência não conseguiu acompanhar. 

"O pessoal da Toyota me deu alguma esperança na sexta-feira, no começo [deste rali] e desde então vimos nossa chance. Estávamos pressionando a partir daí, mas tudo o que quero dizer nestes tempos difíceis é que dedico [esta vitória] à minha esposa, que me apoiou muito e estou muito orgulhoso de estar aqui - eu a amo muito", disse Tanak, na meta.

Já Kalle Rovanpera, apesar de ter sido vencido, saia da sua terra natal com algum contentamento, por ter consolidado a liderança.

"Claro que foi um bom fim de semana. Eu gostaria de vencer em casa, é claro, mas quando você olha para a situação, acho que ficamos muito bem depois de abrir a estrada na sexta-feira. Lutamos e ainda ficamos muito próximos. Acho que podemos orgulhar do que fizemos.", disse o finlandês, no final.

Com quatro especiais por realizar neste domingo - passagens duplas por Oittila e Ruuhimäki - o dia começou com Tanak a ser melhor que Rovanpera nas suas primeiras especiais, o primeiro com uma diferença de 1,9 segundos sobre Rovanpera, o segundo, com ambos a igualarem-se, deiando Thierry Neuville, o terceiro, a 3,2 segundos. 

Rovanpera reagiu na penultima especial, a segunda passagem por Oitilla, 0,3 segundos na frente de Tanak e dois segundos sobre Neuville. E tudo se resumia ao que iria acontecer na Power Stage, a segunda passagem por Ruuhimaki. 


Ali, Rovanpera conseguiu ser o melhor, conseguindo um avanço de 3,1 segundos sobre Elfyn Evans. Mas Tanak, apesar de ter sido apenas quarto, foi 3,2 segundos mais lento que o finlandês, suficiente para manter o primeiro lugar e claro, alcançando a sua segunda vitória no campeonato. A power Stage ficou marcado pela avaria de Pierre-Louis Loubet, que viu escapar um oitavo posto mais que certo.

Depois dos três primeiros, Elfyn Eans era o quarto, a 1.37,6, na frente de Thierry Neuville, bem longe, a 2.18,0, no seu Hyundai. Katsuta Takamoto era o sexto, a 3.09,0, noutro Toyota, com Gus Greensmith o melhor dos Ford, sétimo a 3.57.0. Teemu Suninen foi oitavo e o melhor dos WRC2, no seu Hyundai I20 Rally2, a 9.31,3, e a fechar o "top ten" ficaram o Skoda de Emil Lindholm, a 9.39,0, e o Ford de Jari Huttunen, a 10.31,6.

O WRC prossegue dentro de duas semanas, com o Rally Ypres, na Bélgica.  

sábado, 6 de agosto de 2022

WRC 2022 - Rali da Finlândia (Dia 2)


Ott Tanak continua na frente do Rali da Finlândia, mas já sente a aproximação de Kalle Rovanpera. O piloto finlandês já está a 8,4 segundos do estónio da Hyundai, enquanto Esapekka Lappi é terceiro, a 20 segundos, concluída a 18º especial, faltando quatro para a conclusão da prova.

O dia de sábado tinha passagens duplas por Päijälä, Rapsula, Patajoki e Vekkula. A manhã começou na primeira passagem por Päijälä, onde Elfyn Evans conseguiu ser o melhor, 0,7 segundos adiante de Kalle Rovanpera, 4,3 sobre Ott Tanak, e 7,1 sobre Esapekka Lappi. Rovanpera foi o mehor na primeira passagem por Rapsula, batendo Tanak por 2,5 segundos, e repetiu o feito em Patajoki, batendo Lappi por 1,7 segundos e Tanak por 3,3, sendo apenas quarto na especial.   

No final da manhã, Tanak reagiu triunfando na primeira passagem por Vekkula, batendo Rovanpera por 1,3 segundos e Evans por 2,4. "Foi uma boa eespecial, sem grandes momentos. Estava num ritmo muito bom e era tudo o que podíamos fazer", disse Tanak, no final da classificativa.

"É uma nova especial, então você sempre pode tentar fazer algo. Temos sorte de estar aqui - eu tinha uma nota um pouco rápida demais e estivemos completamente fora da estrada. Isso às vezes é rali! Estamos aqui, então está tudo bem." - afirmou Rovanpera.

A tarde começava com a segunda passagem por Päijälä, onde Rovanpera triunfou, ganhando 0,2 segundos sobre Tanak e 1,9 sobre Lappi. Era uma luta a três, e Rovanpera queixou-se das condições da especial. "Os sulcos são bastante difíceis, então talvez tenha acontecido em algum lugar lá. Eu não tinha nada de especial. É complicado para ser honesto - nós mudamos o carro um pouco e uma área é melhor e a outra não.", disse.

Na segunda passagem por Rapsula, Rovanpera triunfava, ganhando 1,2 segundos a Tanak e 5,2 a Evans. Lappi perdeu 7.2 segundos e foi passado por Rovanpera no segundo lugar. O jovem finlandês estava ao ataque. 

Tanak ganhou na segunda passagem por Patajoki, mas empatou em termos de tempos com Rovanpera, que não ajudou em nada. Lappi foi terceiro, a 2,8. Contudo, o estónio dizia no final: "[As coisas] no final foram perfeitas para mim - sem preocupações. Tive uma boa sensação nesta etapa e o carro está funcionar bem."

Já Rovanpera... "Não [estou] tão confiante. Ott é rápido e há um limite com esses carros - não posso fazer muito mais. Eu já estava um pouco mais sensato neste porque [nesta especial] há muitas pedras soltas."

Na última especial do dia, a segunda passagem por Vekkula, Rovanpera acabou por triunfar, ganhando mais 3,1 segundos sobre Tanak, e 9,2 sobre Thierry Nevuille, ficando cada vez mais perto do comando.  A especial não correu bem para Evans, que danificou a sua suspensão do seu Toyota, nem Katsuta Takamoto, que se despistou e perdeu tempo. 

Depois dos três primeiros, Elfyn Evans já está longe, a 1.19,7, que por sua vez já tem num avanço confortável sobre o Hyundai de Thierry Neuville, a 2.05,5. Katsuta Takamoto é sexto, a 2.47,5, na frente de Gus Greensmith, que está a 3.23,0, o melhor dos Ford. Oitavo é Pierre-Louis Loubet, a 3.23,2, noutro Ford, e a fechar o "top ten" estão o Hyundai Rally2 de Teemu Suninen, a 7.56,8, e o Skoda de Emil Lindholm, a 8.07.5.

O rali da Finlândia termina amanhã.

Formula 1: Rosberg garante negociações para a renovação do GP do Mónaco


Nico Rosberg veio a público por estes dias para garantir que a organização monegasca do GP conta com o envolvimento do próprio Príncipe nas negociações com a Fórmula 1 no sentido da sua renovação e continuidade para 2023. Numa altura em que a Liberty Media quer que o principado pague mais e ganhe maior controlo da organização do Grande Prémio, a presença de Alberto II é uma forma de mostrar que o governo pretende levar a bom porto as negociações, no sentido em que ambas as partes fiquem satisfeitas com a situação.

O príncipe está mesmo a envolver-se nestas conversações, porque o clube automóvel continua a orientar esta difícil tarefa”, explicou o piloto, três vezes vencedor do GP monegasco e campeão em 2016.

Segundo alguns relatos, o Automobile Club de Monaco parece intransigente nas negociações, o que levou Rosberg a afirmar à imprensa que “o Mónaco também tem de se adaptar um pouco. Há patrocinadores no circuito que são concorrentes aos patrocinadores do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 – relógios e assim por diante – e isso, claro, é difícil. Portanto, é preciso encontrar um meio-termo”.

Algumas das coisas que a Liberty Media quer é alterar algumas alíneas que sempre existiram no contrato com o Mónaco e que não faziam parte de mais nenhuma prova, como por exemplo, a realização televisiva própria do Automobile Club de Monaco durante o fim de semana, podendo ainda o promotor local comercializar os espaços publicitários na pista. A Liberty Media quer que Mónaco siga o mesmo caminho dos outros circuitos, especialmente numa altura em que irá receber em 2023 o circuito de Las Vegas e possivelmente, Kyalami, na África do Sul, bem como o regresso da China.  

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

WRC 2022 - Rali da Finlândia (Dia 1)


Ott Tanak é o primeiro líder do rali da Finlândia, cumpridas que estão as primeiras dez classificativas da prova, a mais importante do WRC, a par do Rali de Monte Carlo. Ele tem uma vantagem de 3,8 segundos sobre  Esapekka Lappi, enquanto Elfyn Evans é o terceiro classificado, a 19,3 segundos atrás do líder da prova. Kalle Rovanpera, o líder do campeonato, é quarto, a 21 segundos.   

A primeiro dia começou... na véspera, com a primeira passagem por Harju, com 3,48 quilómetros, onde Thiery Neuville conseguiu ser o melhor, batendo Ott Tanak por 1,2 segundos, enquanto Katsuta Takamoro era o terceiro, a 3,6. Kalle Rovanpera era o quarto, perdendo 2,7 segundos. 

A especial ficou também marcada pelo acidente de Nikolay Gryazin, onde acabou por desistir.

"Sempre gostei das Super-Especiais e me diverti muito lá, mas amanhã é um mundo totalmente diferente. No momento não me sinto confortável. Fizemos algumas mudanças de afinação no shakedown e estou cruzando os dedos que amanhã terei uma sensação melhor.", disse Neuville, no final da primeira especial.

Já Kalle Rovanpera, quarto na especial de quinta-feira, assumia que apesar do rali ser especial, a atitude seria a mesma em relação às outras provas.

"Claro, o sentimento e as expectativas estão lá, mas acho que os coloco do meu lado de qualquer maneira para tentar vencer todos os rallys. A situação é a mesma, só temos mais apoio e é uma atmosfera louca."


No dia seguinte, com passagens duplas por Laukaa, Lankamaa, Assamaki e Sahloinen-Moksi, começou com Tanak ao ataque, triunfando na primeira passagem por Laukaa, 2,7 segundos na frente de Lappi e 2,9 sobre o irlandês Craig Breen. A especial ficou marcada pelo acidente de Oliver Solberg, que capotou com o seu Hyundai e acabou por desistir.

Lappi atacou na primeira passagem por Lankamaa, triunfando com 0,3 segundos de vantagem sobre Tanak e 3,1 sobre Breen, enquanto Adrien Formaux era a vítima seguinte do rali, danificando a direção depois de um toque, perdendo mais de 16 minutos. 

Tanak triunfa na segunda passagem por Laukaa, 0,4 segundos na frente de Lappi e 1,1 sobre Evans, enquanto a segunda passagem por Lankamaa fora cancelada devido a problemas de segurança. Takamoto vence surpreendentemente em Harju, 0,1 segundos na frente de Tanak e Neuville, que fazem o mesmo tempo. Tanak volta às vitórias em Assamaki, 2,1 segundos na frente de Lappi e 2,2 na de Rovapera. O estónio estava na frente, mas sentia o assédio da concorrência.

"Obviamente estou correndo riscos. Em alguns lugares me sinto bem, mas em outros você tem surpresas e sente que é lento. Eu diria que no geral tivemos uma corrida limpa - é tudo o que podemos fazer no momento.", dizia Tanak, no final da sétima especial.

Lappi triunfa em Sahloinen-Moksi, ganhando 2,1 segundos sobre Tanak e quatro segundos sobre Rovanpera, aproximando-se do estónio, e volta a fazer a mesma coisa na segunda passagem por Assamaki, ganhando dessa vez 0,9 segundos a Tanak e 1,4 a Kalle Rovanpera. Por fim, ganha a terceira especial seguida em Sahloinen-Moksi, conseguindo uma vantagem de 1,4 sobre Elfyn Evans e sobretudo, 1,5 segundos sobre Tanak, terceiro a 1,5. 

Depois dos quatro primeiros, Craig Breen é quinto, a 32,5 segundos, não muito longe dele está Katsuta Takamoto, a 35,5 e é sexto, e ambos já andam distantes de Thierry Neuville, a 50,2, sétimo no seu Hyundai. Pierre-Louis Loubet é oitavo, a 1.00,9, não longe de Gus Greensmith, nono a 1.02,6, no seu Ford. E a fechar o "top ten" está Teemu Suninen, a 2.59,9 e o melhor dos Rally2.

Amanhã, o rali da Finlândia continua, com a realização de mais oito especiais de classificação.

Noticias: Domenicalli quer oferecer cargo diretivo a Vettel


A decisão de retirada por parte de Sebastian Vettel apanhou todos de surpresa na Formula 1, incluindo os que trabalham na Ferrari, equipa no qual o alemão lá esteve entre 2015 e 2020. Mattia Binotto, que trabalhou com ele na Scuderia, admitiu que a decisão do tetracampeão de colocar um ponto final na carreira, com apenas 35 anos - mas a correr na categoria máxima do automobilismo desde os vinte - foi uma surpresa. E teve uma conversa com ele, onde mostrou disponibilidade para regressar à Ferrari como dirigente.

Li nas notícias”, disse Domenicali, em declarações ao Sport Bild. “Entre outras coisas, falámos sobre a sua decisão e o futuro”, revelou o antigo chefe da Ferrari.

O Sebastian [Vettel] vai estar sempre associado à Fórmula 1. E, claro, queremos que essa ligação permaneça próxima no futuro. Se ele estiver interessado em se tornar parte do nosso sistema e as abordagens se encaixarem, é claro que o receberia aqui. Mas já sabemos que, após esta época, ele quer desfrutar do tempo com a sua família”, continuou.

Youtube Formula Video: O que se passa com a Ferrari?

Chegados à pausa de agosto, podemos ver que a Red Bull lidera com sobras sobre a concorrência. Mas, mais que o talento da equipa energética e dos seus pilotos, o que andamos a ver principalmente é o derretimento do seu maior rival nesta temporada, a Ferrari. Que de um potencial domínio, viu quebras de motores, despistes e más decisões estratégias arruinarem as chances de vitória para Charles Leclerc e Carlos Sainz Jr

E é acerca de todo este "debâcle" que o Josh Revell decidiu fazer este video. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A imagem do dia


O Nurburgring Nordschleife é um circuito enorme, monumental. 23 quilómetros e mais de cem curvas, num traçado estreito em termos de largura. Um excesso, e é um desastre. 

Se é assim agora, então imaginem em 1957. Há 65 anos.

Mas foi nesse cenário que precisamente neste dia, Juan Manuel Fangio conseguiu a sua melhor vitória da sua carreira e provavelmente, uma das vitórias mais épicas da Formula 1 - será que Hollywood fará algum dia a reprodução dessa corrida? - ainda por cima, pelas circunstâncias do que aconteceu. Foi uma corrida de recuperação, e foi um Maserati a bater não um, mas dois Ferraris, os de Mike Hawthorn e Peter Collins.

A história é conhecida: Fangio partiu leve, porque iria reabastecer a meio, enquanto os Ferrari iriam correr com o depósito cheio, para chegar ao fim sem parar. O argentino chegou às boes com 30 segundos de vantagem e esperava que os mecânicos da Maserati fizessem o trabalho de modo veloz, mas a operação foi um desastre e voltou à pista com uma desvantagem de 48 segundos sobre Collins, que era segundo classificado.

A partir dali o argentino guiou como um louco, tentando recuperar o tempo perdido. Para isso, bateu o recorde da pista por dez vezes, nove dos quais seguidas, e acabou com um tempo de 9.17,4, quase oito segundos que o tempo da pole-position. E para passar Hawthorn na liderança, a meio da última volta, na zona de Breidscheid, meteu metade do carro... na relva!

"Eu nunca dirigi tão velozmente antes na minha vida e acho que nunca mais serei capaz de fazê-lo de novo". Mais tarde, Fangio também disse: "Nürburgring era minha pista favorita. Eu me apaixonei totalmente por ela e acredito que naquele dia em 1957 eu finalmente consegui dominá-la. Era como se eu tivesse aprendido todos os seus segredos de uma vez por todas... Durante dois dias não consegui dormir, ainda dando aqueles saltos no escuro naquelas curvas onde nunca antes tive coragem de puxar as coisas tão fora dos limites."

Fangio tinha razões para dizer tal coisa. O seu grande segredo na pilotagem era de guiar medianamente, mas a um nível mais alto que os seus adversários. Certo dia afirmou que "tinha conhecido pilotos mais corajosos que eu. Estão mortos". Ele nunca se excedia, porque tinha plena consciência de que isso significava morrer. E especialmente, deve ter refletido imenso quando teve o seu acidente em 1952, que o colocou fora de cena por quase um ano, porque tinha puxado demasiado de si mesmo - guiara na véspera por mais de 12 horas e estava ainda fatigado quando alinhou na corrida - logo, aprendeu a lição: ir ao limite, mas nunca ira além dela. Deixem que os outros façam e que arquem com as consequências. Afinal de contas, era o tempo dos carros com motor à frente, sem cintos de segurança, dos capacetes abertos, e recentemente tinham instalado o seu mais recente avanço tecnológico: capacetes de aço! 

Naquele dia, no Nordschleife, violou as suas próprias regras de segurança para alcançar uma vitória, e o consequente título mundial. Tudo correu bem para ele, sabendo que poderia ter corrido horrivelmente mal. Aliás, dali a um ano, no mesmo circuito, Peter Collins sofreria o seu acidente fatal, prova que o circuito não perdoava quem errava ou puxava pelos seus limites. Com exceções. 

MotoGP: Portimão abrirá calendário de 2023


A Dorna e a FIM confirmaram esta semana que o GP de Portugal, em Portimão, será a prova de abertura da MotoGP. A corrida acontecerá no fim de semana de 24 a 26 de março de 2023, e por causa disso, as bilheteiras têm vindo a registar um enorme aumento da procura de bilhetes para aquela que será a primeira abertura da temporada em solo europeu em 18 anos. A última vez que isso aconteceu foi em 2006, quando a temporada abriu em Jerez, palco do GP de Espanha.

O Grande Prémio de Portugal será o primeiro evento do Mundial 2023 de MotoGP, com o deslumbrante Autódromo Internacional do Algarve a receber a corrida inicial da temporada de 24 a 26 de março de 2023. O calendário completo e provisório será publicado pela Federação no tempo devido, sendo que a primeira corrida já pode ser confirmada”, pode ler-se na nota divulgada na terça-feira no site da organização.

Apesar do calendário completo só ser divulgado mais para o final do ano, Jorge Viegas, o presidente da FIM, e a própria Dorna, já confirmaram essa possibilidade, afirmando que a razão tem a ver com o Qatar, que neste final de ano, início do próximo, estará em obras de remodelação do circuito de Losail para receber a Formula 1, logo, poderá deslocar a data para mais ao final da temporada, perto do GP de Formula 1, que será no final de novembro.

Para além disso, o Autódromo Internacional do Algarve será também palco dos testes de pré-temporada da competição, que acontecerá provavelmente no início de março de 2023. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

O atribulado desenvolvimento do Gen3 da Formula E


Toda a gente sabe que em 2023, a Formula E terá um novo carro, o Gen3, que promete ser mais veloz e mais potente que o anterior. Contudo, detalhes que surgiram à superfície nesta quarta-feira referem que o desenvolvimento do novo carro, que agora está nas mãos das equipas para poer colocar os seus "powertrains", teve alguns obstáculos, dos quais resultaram em dois acidentes espetaculares, em dois lugares diferentes e com dois pilotos diferentes, embora sem consequências de maior.  

Esta quarta-feira, o site the-race.com divulgou uma matéria no qual noticia que o desenvolvimento do novo teve dois acidentes sérios, um no circuito de Calafat, na Catalunha, e outra em Mallory Park, no Reino Unido. O primeiro envolveu o francês Theo Pouchaire, atualmente na Formula 2, e aconteceu em fevereiro deste ano, onde o carro falhou a travagem e acabou num banco de areia. O carro não ficou muito danificado e o piloto saiu ileso.

Este incidente ocorreu no início de fevereiro de 2022, portanto, numa fase inicial do programa de desenvolvimento do carro Gen3, com peças únicas fornecidas ainda não totalmente validadas”, afirmou a FIA, num comunicado oficial.

O acidente foi uma consequência da perda da comunicação entre o carro e a bateria. Desde então, uma linha de redundância foi implantada e a medida provou sua eficácia."

Os pacotes de teste dos fabricantes integram atualizações de software e hardware e demonstraram funcionar como pretendido durante os testes de desenvolvimento em andamento. O desenvolvimento tem tudo a ver com testar peças e avaliar totalmente os sistemas sob stress, principalmente com um carro tão tecnologicamente avançado quanto o Gen3.”, concluiu.

O segundo incidente aconteceu no final de junho, em Mallory Park, e envolveu Oliver Rowland, que neste momento é piloto da Mahindra. Aparentemente, aconteceu por causa de um desligamento inesperado do seu powertrain, e o chassis ficou danificado no acidente, mas como no outro incidente, o piloto saiu do carro ileso.

Foi [um acidente] bem grande, mas estou bem, meu tornozelo está doendo um pouco e minhas costas estão um pouco doloridas, mas estou bem”, disse Rowland ao The Race em Londres na semana passada.

O problema aconteceu no nosso lado. Foi um problema que tivemos no shakedown no aeródromo de Abingdon e tentamos fazer algumas coisas para corrigi-lo porque era um problema recorrente. Não foi causado pelo Gen3 da Formula E, mas sim do nosso. Foi realmente muito lamentável onde aconteceu porque foi na parte mais rápida [do circuito], pouco antes de eu travar para a Gerrard [a longa direita no início da volta] e havia relva molhada, então não consegui reduzir muito a velocidade."


Rowland disse que neste momento, lidar com o carro da Gen3 está a ser complicado, especialmente no campo da bateria, que tem a ver com o a gestão da potência, bem como a regeneração nas travagens.

É [uma tecnologia] nova, então você tem que arriscar às vezes, mas parece que talvez haja um pouco de trabalho a ser feito, mas, honestamente, o problema que eu tive estava do nosso lado, então não tenho nada contra o design real, etc. Conhecemos nosso problema e será corrigido [dentro em breve].”

Apesar dos problemas, Rowland disse que está ansioso por trabalhar com o carro novo.

Conheço muitas pessoas que estão preocupadas com a velocidade e as pistas, mas isso me excita”, começou por afirmar. "É claro que precisamos olhar para isso também do ponto de vista da segurança e ter certeza de que não estamos nos colocando em risco desnecessário, mas do ponto de vista do piloto, confio tanto na Fórmula E, como na FIA.", concluiu.

A atual temporada termina no fim de semana e 14 e 15 de agosto, no circuito de Seul, na Coreia do Sul.

Noticias: Albon renova com a Williams


A Williams anunciou esta quarta-feira que renovou "por várias temporadas" com Alex Albon, depois de ter regressado este ano à Formula 1 pela equipa de Grove. Apesar do anúncio já se saber desde domingo, de forma não oficial, esta terça-feira, as coisas se tornaram oficiais.

Alex traz uma mistura perspicaz de habilidade e aprendizagem que ajudarão a trazer mais sucesso à equipe no futuro”, começou por dizer o chefe da equipa, Jost Capito. “Ele é um competidor feroz, provou ser um popular e leal membro de equipa, e estamos muito satisfeitos por ele fornecer uma base estável para continuarmos a desenvolver nesta nova era da Formula 1”, continuou.

Imbuído no espírito do momento, Albon escreveu a seguinte mensagem na rede social Twitter:

"Eu entendi que, com o meu acordo, a Williams Racing divulgou um comunicado de imprensa esta tarde no qual eu irei pilotar para eles no próximo ano. Isso está certo e assinei um contrato com a Williams para 2023. Estarei pilotando ao serviço Williams na próxima temporada."

No comunicado oficial, o piloto anglo-tailandês falou sobre o acordo:

"É realmente emocionante ficar [na Williams] e estou ansioso para ver o que podemos alcançar como equipa quer no resto desta temporada e na próxima. A equipa está se esforçando para progredir e estou realmente motivado para continuar essa jornada e desenvolver ainda mais a nossa aprendizagem em conjunto.", afirmou.

Albon, de 26 anos, entrou na Formula 1 em 2019, primeiro pela Toro Rosso, antes de na corrida da Bélgica, ter trocado de assento com Pierre Gasly, para correr na Red Bull. Em 2020 alcançou como melhor resultado dois terceiros lugares na Toscânia e no Bahrein, acabando a temporada com 105 pontos e o sétimo lugar na geral. 

Em 2021, saiu da Formula 1, com o lugar a ser preenchido na Red Bull por Sérgio Perez, e foi correr para o DTM, onde ganhou uma corrida e foi sexto classificado na geral, com 130 pontos. Este ano, regressou à categoria máxima do automobilismo, pela Williams, onde conseguiu os únicos três pontos que a equipa tem nesta temporada.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Alpine: Equipa confirma Piastri como piloto titular... logo desmentido pelo piloto!


A Alpine confirmou esta terça-feira que o australiano Oscar Piastri é seu piloto para a temporada de 2023, substituindo o espanhol Fernando Alonso. O anúncio é feito um dia depois do asturiano de 41 anos ter dito que iria correr pela Aston Martin em 2023.

Otmar Szafnauer, Director da Equipe BWT Alpine de F1, comentou sobre o piloto de 21 anos, considerado por muitos como um grande talento: 

Oscar é um talento brilhante e raro. Estamos orgulhosos de o ter feito crescer e apoiado ao longo da sua carreira. Através da nossa colaboração ao longo dos últimos quatro anos, vimo-lo evoluir para um piloto que está mais do que pronto para subir à Fórmula 1. No seu papel de piloto de reserva, tem estado com a equipa na pista, na fábrica e em testes, onde demonstrou a maturidade e rapidez necessárias para assegurar a promoção. Juntos acreditamos que a nossa dupla proporcionará a continuidade necessária para alcançarmos o nosso objetivo a longo prazo de lutar por vitórias e títulos”.

Contudo, pouco depois deste anúncio, o piloto australiano afirmou na sua conta do Twitter que isto aconteceu... sem o seu consentimento!

"Acabei de saber no final desta tarde que, sem o meu consentimento, a Alpine F1 divulgou um comunicado de imprensa no qual estarei pilotando para eles no próximo ano. Isso está errado e não assinei contrato com a Alpine para 2023. Não serei piloto deles na próxima temporada", disse o piloto australiano, na sua conta do Twitter.

Segundo se conta nos bastidores, Piastri poderá ter assinado um pré-acordo com a McLaren para a próxima temporada. A razão tem a ver com Mark Webber, ex-piloto e agora seu manager, que insatisfeito por a Alpine não lhe ter dado os testes que tinha garantido sob contrato - cerca de cinco mil quilómetros, num carro de 2021 - decidiu partir para outros lados, perguntando quem estaria interessado no seu pupilo. A McLaren, que está a abril um vasto rol noutras categorias - IndyCar e em breve, a Endurance - quer ter alguns pilotos debaixo de sua asa para poder decidir quem serão os melhores. 

Só que estão a entrar em alguns problemas contratuais, como aconteceu há algumas semanas com o espanhol Alex Palou, o campeão de 2021 da IndyCar, que é da Chip Ganassi, mas assinou um acordo com a equipa de Woking em 2023, pensando na chance da Formula 1. Mas não avisou os responsáveis da Chip Ganassi, que decidiram processá-lo!


De qualquer forma, Piastri, de 21 anos, e natural de Melbourne, faz parte da equipa de Enstone desde 2018, onde primeiro, triunfou no Campeonato da Eurocup de Fórmula Renault em 2019, para depois vencer o Campeonato de Fórmula 3 da FIA de 2020, vencendo três títulos de pilotos consecutivos ao conquistar o ceptro do Campeonato de Fórmula 2 da FIA na temporada de 2021.

Promovido como piloto de reserva da Alpine no início da temporada de 2022, desde então tem sido submetido, sob a orientação da equipa e com o seu completo apoio financeiro, a um programa de treinos intensivos e abrangente de testes privados no chassis A521 de 2021, que venceu um Grande Prémio, e no simulador da fábrica, em Enstone, no sentido de o preparar para o próximo grande passo, que é a Formula 1.

Resta saber... em qual equipa.

No Nobres do Grid deste mês...


Quando começarem a ler estas linhas, é provável que Kalle Rovanpera já tenha triunfado em mais um rali do WRC, já que o Rali da Finlândia acontecerá no final deste mês. Depois de um tempo onde os franceses Sebastien Loeb, e depois, Sebastien Ogier, terem dominado o panorama mundial dos ralis, o WRC, parecia que o equilíbrio seria a norma. Contudo, a temporada de 2022 ainda chegou a meio e em sete ralis, cinco deles foram ganhos por um prodígio dos ralis que está a caminho de ser o mais novo campeão do mundo de sempre. 

Mas o que está por trás disto é alguém que, sendo filho de um piloto de ralis, começou desde muito cedo a se preparar para este momento." (...) 

Quando refiro a "muito cedo", falo de ele, aos nove anos, andar num Toyota Startlet com o assento modificado para acomodar a sua curta altura, com um navegador ao lado. Os percursos poderiam ser fechados, em lagos congelados no inverno, mas via-se que, desde cedo, aprendeu a andar num carro de ralis e a ver como é que o carro funcionava e fazer as devidas reparações em casos de avarias e acidentes. Aos 17 anos, ele conseguiu uma autorização especial da Federação finlandesa de automobilismo para poder participar numa prova do WRC, em 2017, e desde 2020 que anda a espalhar classe ao volante de um Toyota Yaris Rally1.

E é sobre Kalle Rovanpera, este prodígio vindo da Finlândia que conto este mês no Nobres do Grid