domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sobre os testes e porque deveremos relativizá-los

Acerca dos testes de pré-temporada, recordo-me sempre da história do Ferrari F92-A. Nas semanas antes do campeonato, o carro da Ferrari, que era tripulado por Jean Alesi e o italiano Ivan Capelli - o primeiro desde Michele Alboreto a correr na Scuderia - andava em testes por pistas como Estoril e Imola, e estava sempre no topo das tabelas de tempos, colocando os "comentadores" de pelotão a dizer que seria uma máquina a rivalizar com os McLaren, os então campeões. Falava-se também dos Williams, mas não com tanto entusiasmo como se falava dos carros de Maranello, que no final do ano anterior tinham despedido Alain Prost, a pretexto do "desrespeitamento" da "macchina".

No final, era tudo uma fraude: o carro era lento e o desenho era mau (estavam a correr abaixo do peso regulamentar) e os Williams, que tinham o FW14, dominaram a temporada, com Nigel Mansell a alcançar o título que tanto queria, depois de duas tentativas falhadas. Demorou, mas foi. E o Ferrari F92-A foi para a história como um dos piores Ferraris de sempre.

Sempre que vejo os testes de pré-temporada, recordo sempre desta história. Dos truques que certas equipas fazem para conseguir a entrada de alguns patrocinadores, para remendar as contas arrombadas. E é por isso que os tempos de hoje vão bem além do que poderemos estar a ver. É bom ver Sebastian Vettel no topo da tabela dos melhores tempos, e ver logo a seguir o Sauber-Ferrari de Marcus Ericsson, não muito longe do piloto alemão. Serão certamente boas noticias para uma equipa que andou aflita nas últimas semanas. 

Mas hoje, os McLaren estiveram mais tempo nas boxes, por causa de uma avaria na unidade de energia do seu carro, e os Mercedes estavam mais preocupados em recolher dados do que em fazer grandes tempos. Nico Rosberg fez 157 voltas, o dobro da Ferrari e da Sauber. São mais de cem voltas do que Sebastian Vettel, ou seja, 600 quilómetros só no primeiro dia. E isso poderá ter dado algum avanço sobre a concorrência. E Lotus e Force India não estiveram por ali hoje. Aliás, a equipa de Enstone atrasou-se...

É por isso que temos este mês de testes, para ver se todos os sistemas funcionam, descobrir os defeitos e tentar corrigi-los antes do inicio da temporada, em Melbourne. E mesmo assim, sou daqueles que diz que as equipas só se mostram quando começarem a competir a sério...

Apresentações 2015 - O Red Bull RB11

De uma maneira algo surpreendente, o Red Bull RB11 foi apresentado esta manhã em Jerez de la Frontera, imediatamente antes dos primeiros testes da temporada. Apresentado de modo camuflado, o carro, que será guiado por Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat, tam um nariz baixo, mas uma frente que faz lembrar o Ferrari e o Mercedes do ano passado. Embora se diga que este não é o nariz definitivo...

Adrian Newey - que provavelmente desenhou um dos seus últimos carros da sua carreira - comentou que o novo carro é o resultado daquilo que aprenderam com o que se passou no ano passado: "O design do RB11 é resultado de tudo o que aprendemos no ano passado, que representou também uma grande mudança nos regulamentos, portanto desta vez preocupámos-nos com a unidade motriz e as suas necessidades, e tudo o resto foi pensado à volta disso. Significa isto dizer que o foco esteve na colocação em prática de tudo o que aprendemos o ano passado”, disse.

Daniel Ricciardo, o piloto australiano que foi o único que conseguiu vencer às Mercedes em 2014, afirmou que estava confiante de que com este novo carro, vai conseguir se aproximar dos Mercedes nesta temporada.

"Estou realmente ansioso para pilotar o RB11 e não vejo a hora de começar. Espero que seja uma fera. Logo saberemos", começou por dizer. "Acho que construímos uma boa base desde o ano passado e realmente estou pronto para brigar de perto com a Mercedes. Acredito que será uma grande disputa", acrescentou.

Quanto às expectativas, o piloto australiano mantêm-nas altas: "Havia muita pressão em mim no ano passado e eu precisava provar para mim mesmo como seria o meu desempenho à frente de uma equipe de ponta. Agora, acho que todos sabem do que sou capaz e estou realmente animado para essa nova temporada", completou. Ele vai ser o primeiro piloto a andar no novo carro, este domingo, no circuito andaluz.

sábado, 31 de janeiro de 2015

A foto do dia

Os carros e camiões já chegaram a Jerez e todos se preparam para o primeiro de quatro dias de testes no circuito andaluz. Ao deparar esta foto de Xavi Bonilla, publicado este sábado no sitio brasileiro Grande Prêmio, podemos ver o estado atual da Sauber: sem tempo para pintar os camiões, e desnudado (por agora) de patrocinios. 

Apesar de se saber que assinaram um contrato com a Hewlett-Packard, e de terem os patrocinios vindos de Felipe Nasr, como o Banco do Brasil, e os suecos, vindos de Marcus Ericsson, nenhum desses patrocinadores estão por agora nos camiões da equipa de Hinwill. De uma certa forma, a Sauber conseguiu o dinheiro que queria "in extremis", onde chegou até a parar o desenvolvimento do C34 para pagar o que devia aos fornecedores, priorizando aos outros parceiros, como por exemplo, à Ferrari.

De uma certa forma, este é o estado atual da Formula 1. Se empobrecem a "classe média" na categoria máxima do automobilismo em favor de uma visão darwiniana do automobilismo, onde todos morrem até sobrar um, então a categoria caminha alegremente para uma destruição a médio prazo. Isto, se o Grupo de Estratégia tenha decidido ser inflexível e aposte em soluções utópicas, mas dos quais os fãs adoram ouvir, como o aumentar da potência (e do barulho...) para os mil cavalos. Que provavelmente fará aumentar os custos de construção e manutenção dos motores. 

Até quando as equipas estão dispostas a pagar por isto? E quando é que o bom senso cairá por lá? Será que vai ser quando as pessoas verem o abismo e estarão dispostas a dar o passo em frente?

Apresentações 2015: Toro Rosso STR10

A Toro Rosso apresentou esta tarde as fotos do seu novo carro, o STR10, que terá este ano a dupla mais jovem da Formula 1: Max Verstappen (17 anos) e Carlos Sainz Jr, de vinte anos. Ambos filhos de antigos pilotos, embora no caso do filho de Carlos Sainz, a carreira do pai foi nos ralis. A apresentação foi em  Jerez, mas antes, em Mugello, o carro fez o seu "shakedown".

Franz Tost, o chefe da Toro Rosso, que em 2015 a décima temporada na Formula 1, afirmou que está feliz pelo carro desenhado por James Key "Estava convencido de que o carro é o melhor construído até o momento pela Toro Rosso", afirmou.

"James Key teve grande esforço com esse projeto e gastou muito tempo à procura de novas soluções. O carro é bastante limpo e acho que, se um carro é limpo e bonito, também é rápido. E, mais uma vez, temos junto conosco a Renault. Eles também fizeram um grande trabalho. Por isso, estou convencido de que temos um pacote competitivo", concluiu.
 

Com motor Renault - o mesmo que têm a Red Bull - a grande novidade do carro é a sua frente mais baixa, com uma ponta estreita, demonstrando um estrito seguimento das regras aerodinâmicas impostas pela FIA. Por outras palavras, é um carro conservador. E é interessante, quando se sabe que a Red Bull RB11, o carro que a "equipa A" deveria andar este ano, ainda nem sequer foi apresentado aos "crash-test" da FIA...

Amanhã, o carro fará os primeiros quilómetros em 2015, com Carlos Sainz Jr. ao volante.

Youtube Motorsport Comedy: Bullit narrado por Galvão Bueno


Este filme é prova de que no Brasil, a zoeira não têm limites. Afinal de contas, falamos da junção de dois mitos: Bullit e o narrador da Formula 1 para a Rede Globo, Galvão Bueno.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

IndyCar procura alternativas e o circo de horrores de Brasilia

Vinte e quatro horas após a noticia do cancelamento da Brasilia Indy 300, a IndyCar procura um "plano B" para preencher a vaga que abriu inesperadamente no calendário. E se alguns pensam que ela poderá ser encontrada ainda no Brasil, outros referem que a alternativa poderá ser num local onde acolhe... a Formula 1.

Segundo conta hoje a Racer americana, a organização da IndyCar está a falar com o pessoal do Circuit of the Americas (COTA) no sentido de saber da sua disponibilidade de acolher a ronda inicial da competição, marcado para o dia 8 de março.

"Quando soubemos das noticias vindas do Brasil, nós imediatamente começamos a falar com outras entidades para saber das vagas existentes", começou por dizer o presidente da IndyCar, Derrick Walker. "Estamos a trabalhar para termos respostas sobre o que vamos fazer e comunicar com nossas equipes e parceiros que o nosso objetivo é ter as nossas opções no lugar início da próxima semana. Se nada aparecer em concreto, nós prosseguiremos como planeado com a próxima corrida no calendário, em St. Pete.", concluiu.

Entretanto, em paragens brasileiras, começam a surgir a possível razão do cancelamento da corrida de Brasilia. O ministério Público do Distrito Federal investiga a possibilidade de fraude no contrato entre o Grupo Bandeirantes e a TerraCap, a entidade imobiliária que gere as obras no Distrito Federal. Segundo o próprio Ministério Público, cita vinte e três (!) motivos pelos quais o contrato era extraordinariamente lesivo aos cofres públicos. Dois meses antes, o Tribunal de Contas tinha revogado a licença de construção das obras do Autódromo Nelson Piquet, mas mesmo assim, as obras continuaram sem parar até à ordem de ontem.

Para piorar as coisas, o governo do Distrito Federal está falido. Administrado por Agnelo Queiroz até ao final do ano passado, deixou dividas superiores a 6,5 mil milhões de reais, que fez com que haja salários em atraso para funcionários públicos, enfermeiros e médicos da zona que alberga a capital do país. O novo governador, Rodrigo Rollemberg, está a auditar as contas e começou a ver os contratos assinados pelo governo anterior, incluindo este da corrida. E reparou que este contrato, para dizer o minimo, estava mal feito. Um "Circo de Horrores", como chama o Flávio Gomes

Basicamente, não era um contrato formal, mas algo chamado de "Termo de Compromisso" entre TerraCap e Rede Bandeirantes. Um contrato promessa, mas sem grande valor juridico, pois não houve testemunhas, não foi publicado em Diario do Governo... enfim, todas as burocracias e formalidades. Dai as suspeitas de corrupção, pela fragilidade do contrato.

Claro, a Rede Baneirantes poderá sair enormemente prejudicada, pois segundo o contrato, em caso de cancelamento, teria de arcar com uma multa de 80 milhões de reais, cerca de 26 milhões de euros. É muito dinheiro, mesmo para uma rede de televisão.

A corrida poderá ter sido cancelada, mas o assunto não acaba aqui. Aliás, poderá ter começado um novo capitulo.  

A foto do dia

A apresentação da Ferrari nesta sexta-feira revelou um pormenor inesperado: o simbolo da Alfa Romeo nos flancos do SF15-T. E com essa imagem presente, recordo aqui as ligações entre as marcas de Maranello e Varese ao longo do século passado. E lembrei como a história de uma marca não passa sem o outro.

Pouco depois da I Guerra Mundial, a Alfa Romeo decidiu, como todas as marcas italianas de então (Fiat e Lancia), apostar no automobilismo. E entre os seus pilotos apareceu um jovem de Modena de seu nome Enzo Ferrari, onde entre outras corridas, venceu a Coppa Acerbo, em Pescara, em 1924. Cinco anos mais tarde, Ferrari construiu a sua Scuderia, como uma entidade autónoma, onde geria os Alfa Romeo de corrida.

Contudo, em 1938, Ferrari e a marca de Varese começaram a distanciar-se devido às politicas de competição da marca, apesar de terem pilotos de calibre como Tazio Nuvolari ou Luigi Fagioli. Nessa altura, a marca pediu à Ferrari para que não construísse carros sob o seu nome durante cinco anos. Sorte das sortes, coincidiu com o período da II Guerra Mundial.

Com o final do conflito, Ferrari começou a construir carros com o seu nome, e tornou-se no maior rival da Alfa Romeo, que tinha o Tipo 159, o melhor carro desses tempos, e a equipa dominou o campeonato de Formula 1 no seu primeiro cano, com Giuseppe "Nino" Farina e o argentino Juan Manuel Fangio, enquanto que Ferrari tinha Alberto Ascari e o "seu" argentino, Froilan Gonzalez.

A luta foi dura ao longo de 1950 e 1951, com a equipa de Maranello a aproximar-se da de Varese. Até a um dia de julho, em Silverstone, onde Gonzalez conseguiu vencê-los e dar a Enzo Ferrari a sua primeira vitória. O Commendatore afirmou depois que "parecia que tinha matado a minha mãe". Mesmo assim, no final daquele ano, a Alfa Romeo venceu o campeonato, graças a Fangio, para depois abandonar a Formula 1 até 1979.

A Alfa Romeo durante muitos anos pertenceu à IRI, o Instituto de Reconstrução Industrial. Prosperou nos anos 60 e 70, mas depois, projetos falhados como a AlfaSud, as várias greves e agitações laborais, a perda de qualidade dos seus carros e no desporto, o regresso à Formula 1 foi um rotundo fracasso, graças aos motores feitos por Carlo Chiti... um antigo engenheiro da Scuderia. Em 1986, a IRI decide colocar a marca à venda e é o Grupo Fiat que a compra, e em breve, junta todas as marcas italianas debaixo do mesmo guarda-chuva: Alfa Romeo, Maserati, Ferrari, Lancia. E claro, a Ferrari.

Portanto, se algum dia quiserem saber porque é que a Alfa Romeo não voltará à Formula 1, eis uma boa razão. O Grupo Fiat não quer colocar duas marcas do mesmo grupo à briga uns com os outros. Seria suicida. Seria melhor ter as duas marcas juntas, mesmo que em tempos idos, foram as maiores rivais que o automobilismo conheceu.

Apresentações 2015 - Ferrari SF15-T

Uma hora depois da apresentação do carro da Sauber, a Ferrari apresentou em direto de Maranello o seu novo carro, o Ferrari SF15-T, o carro que Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen irão guiar na temporada de 2015. O SF15-T, projetado por James Allison, cumpriu com as novas regras, nomeadamente no desenho do nariz, que recebeu um declive mais suave e mais prolongado. As asas e os flancos receberam um novo desenho.

Sobre o chassis, o projetista britânico falou que as expectativas só serão dissipadas quando Kimi Raikkonen fora para a pista e experimentá-lo, nos testes de Jerez. "Nós só vamos saber isso com certeza absoluta apenas quando Kimi for para a pista, mas eu acredito realmente que a SF15-T vai se ajustar ao Kimi, tanto com relação ao acerto quanto no que diz respeito às frenagens, especialmente na parte traseira", começou por explicar.

Quanto às expectativas, Allison afirmou que não as tenham muito elevadas: "Ninguém nunca disse que a Formula 1 era fácil. Vai ser um enorme desafio para todos nós, especialmente com relação a vitórias, mas acho que demos passos importantes no que diz respeito ao carro deste ano e espero que isso se traduza em um avanço significativo", concluiu.

Maurizio Arrivabene, o novo diretor desportivo da marca, que substituiu Marco Mattiacci à frente de Scuderia, afirmou que o novo carro, apesar de ser "muito sexy", espera que seja um bólido vencedor. "Enzo Ferrari disse há muito tempo que o melhor carro é o carro vencedor", começou por afirmar.

"No ano passado, tivemos um carro feio e que não era também vencedor. Mas eu gosto do carro deste ano em termos de estética. Eu não sei nada sobre o desempenho, mas a SF15-T é realmente muito sexy", continuou.

"Ninguém tem a magia de mudar as coisas quando o que precisa ser mudado é imutável. O carro está pronto. E está pronto desde dezembro do ano passado, para ser honesto. Nós apenas fizemos algumas modificações. Com isso, eu não posso dizer que vamos vencer o campeonato, mas com certeza estamos empenhados em ganhar pelo menos duas corridas", concluiu.

Quanto aos pilotos, Sebastian Vettel, que chegou à Scuderia após seis temporadas na Red Bull, mostrou cautela sobre o novo, mas ao mesmo tempos se mostra animado pelo novo desafio na Ferrari. "Para mim é uma mudança, uma nova expriência. O carro está lindo. É um trabalho em conjunto e sempre animador todo ano quando você faz o primeiro pit-stop é fantástico. Não posso esperar para ir à pista", começou por afirmar o tetracampeão alemão.

"Obviamente que mudar de equipa existem muitas diferenças. Não tanto por causa da posição de piloto, em si, porque podemos pedir as coisas como gostamos, mas por fatores como o volante, desenho e estratégia. As pessoas falam das mesmas coisas só que noutro idioma. Acredito que tenho bastante tempo até o início da temporada para nos acertar", concluiu.

Sobre a parceria com Kimi Räikkönen, o piloto alemão, amigo pessoal do finlandês, foi elogioso. Disse não esperar problemas e que Räikkönen é sincero, além de ser veloz. "Não espero problemas. Vai ser difícil vencer dele na pista, porque é um piloto muito rápido. Fora da pista nós nos damos muito bem, geralmente não tem muitas palavras trocadas, mas ele é muito direto, e isso é algo que eu admiro e não acontece tanto na Formula 1", elogiou.

A Ferrari vai estar nos testes de pré-temporada que começarão este domingo em Jerez, com Kimi Raikkonen ao volante.

Apresentações 2015: Sauber C34

Em Hinwill, a Sauber mostrou por fim o seu modelo C34. Pintado de azul e amarelo, as cores do seu grande patrocinador, o Banco do Brasil (graças a Felipe Nasr), o novo modelo espera ser bem melhor do que o carro anterior, que se revelou um verdadeiro desastre e fez com que a equipa não pontuasse pela primeira vez desde a sua temporada de estreia, em 1993.

Para Monisha Kalternborn, a responsável da marca, o desejo é deixar a temporada de 2014 para trás. “2014 foi um mau ano, mas isso já passou e agora estamos focados no que aí vem. Aprendemos muito e estamos confiantes para a nova época. Temos que melhorar e lutar por lugares nos pontos. Os nossos novos pilotos são uma lufada de ar fresco, são talentosos e estão altamente motivados. Estou confiante” disse Kaltenborn, que permanece na liderança de uma equipa que vai para a sua 23ª época na F1 sendo a quarta mais antiga do plantel. Será o sueco Marcus Ericsson o piloto encarregue do primeiro dia de testes em Jerez, que começam no domingo", comentou.

Felipe Nasr, o brasileiro que fará a sua temporada de estreia na Formula 1, diz que está a preparar-se para os desafios que aí vêm. Na minha temporada de estreia, há muito a aprender, especialmente por eu não ter andado em alguns circuitos ainda. Em geral, estou pronto para encarar este desafio”, começou por afirmar. 

No meu papel de reserva e piloto de testes da Williams no ano passado, eu estive envolvido em todos os finais de semana de corrida. Além disso, tive a chance de guiar o carro algumas vezes, então acho que tenho um certo entendimento de como é a Formula 1. Agora estou a dar o passo seguinte, que é ser piloto titular, e estou ansioso para trazer minha experiência de 2014 e ajudar a Sauber a voltar aos pontos”, concluiu.

O carro vai começar a andar este domingo em Jerez, com o sueco Ericsson ao volante.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A foto do dia

Hoje, Jody Scheckter cumpre 65 anos de vida. Acho engraçado saber que ele tenha nascido precisamente onze dias depois de Gilles Villeneuve, seu companheiro de equipa na Ferrari em 1979 e 1980, e notoriamente um dos seus melhores amigos no automobilismo. Mas a foto que escolhi hoje (tirada por Robert Murphy) faz recuar ao inicio da sua carreira e à fama que tinha então. E o que fez mudar isso.

Scheckter, de origem judaica, era filho de um revendedor da Renault em East London, na África do Sul. Chegou à Grã-Bretanha em 1971 e rapidamente ganhou a alcunha de "Baby Bear" devido ao facto de ter pé pesado e não ser lá muito delicado em termos de condução... a sua velocidade foi vista pela McLaren, que o contratou no final de 1972 para o seu terceiro carro. Cedo mostrou que podia acompanhar os pilotos da frente, mas não conseguia levar o carro até ao fim.

Aquela temporada de 1973 mostrou um Scheckter selvagem, mas tornou-se marcante para a memória do jovem sul-africano. A marca tinha-lhe dado um contrato para correr no terceiro carro da marca, no ano em que iriam lançar o M23, o carro mais bem sucedido até então. Não correu com ele em Kyalami, mas deu nas vistas, andando no terceiro posto até perto do final, onde teve problemas mecânicos e abandonou.

A sua segunda oportunidade foi em Paul Ricard, no GP de França, onde conseguiu ficar na primeira fila, ao lado de Ronnie Peterson e de Jackie Stewart. E durante muito tempo, liderou a corrida, acossado por Emerson Fittipaldi, que sempre o tentou passar, sem sucesso. Até que na volta 41, o brasileiro tentou passá-lo numa manobra arriscada, do qual Scheckter só teve tempo para fechar a porta.

Apesar de ter sido ele a arriscar, Fittipaldi não hesitou em afirmar que Scheckter era um perigo. E na corrida seguinte, em Silverstone, ao arrancar outra vez das primeiras posições e causar a carambola que eliminou onze carros da prova, parecia que o campeão do mundo tinha razão.

Mas o momento em que muda Jody Scheckter para sempre acontecerá na última corrida do ano, quando ele já têm no seu chassis o numero 0 (apropriado...) e a fama continuava. Na corrida anterior, em Mosport, tinha causado uma colisão com o Tyrrell de Francois Cevért, que causou a interrupção da corrida e a infame entrada do Pace Car, que deu uma enorme confusão. Apesar de todas as advertências, isso foi o suficiente para que Ken Tyrrell o quisesse para a sua equipa em 1974, já que Jackie Stewart iria retirar-se. Ele iria correr ao lado de Francois Cevért, que não tinha esquecido o que tinha acontecido na corrida anterior, e - conta-se - quando viu o McLaren, decidiu acelerar mais do que devia.

Uma coisa é certa: Scheckter foi o primeiro carro a chegar ao local do acidente fatal. Foi o primeiro a ver a Formula 1 no seu pior. E deve ter sido uma imagem que o marcou para o resto da sua carreira e da sua vida. Ele fala que aquela visão o fez dosear a sua agressividade, e que apenas queria ser campeão do mundo, para poder ir embora. Quando o fez, em 1979, cumpriu o ano que faltava na Scuderia antes de ir embora de vez, aos 30 anos de idade. Poucos se tinham retirado tão cedo como ele, e a razão era válida: conseguira o que queria, e não fazia mais nada por ali.

Youtube Racing Presentation: A apresentação da NASCAR na NBC Sports

Não sou ultra-fã da NASCAR, mas esta apresentação da NBC Sports com o ator Nick Offerman, o infame Ron Swanson da comédia "Parks and Recreation", está muito bem feito, diga-se.

Esta vi no sitio do Flávio Gomes.

Ultima Hora: Prova de abertura da IndyCar foi cancelada

A Brasilia Indy 300, que seria a prova de abertura da IndyCar em 2015, foi cancelada esta noite pela entidade que cuida do circuito. O anuncio foi feito unilateralmente pela TerraCap, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal.

"A Band informa que a TerraCap, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal, que contratou a emissora para realizar a etapa brasileira da formula Indy, cancelou unilateralmente a prova marcada para o dia 8 de março. O cancelamento da "Brasilia Indy 300" foi informado à direção da emissora na tarde desta quinta-feira (29). A Band, promotora do evento, informará nos próximos dias como será feita a devolução do pagamento desses ingressos. A emissora lamenta a atitude precipitada e vai seguir investindo no esporte e de grandes eventos", concluiu.

A noticia do cancelamento era já esperada, depois das complicações relativas às obras de renovação do Autódromo Nelson Piquet, inaugurado 40 anos antes. Estas começaram apenas no inicio de novembro, muito em cima do ato para a realização da prova, marcada para o dia 8 de março. Para além disso, existem suspeitas de sobrefaturamento nas obras e os rumores correm sobre a possibilidade do Ministério Público se envolver nisto. 

E o mais estranho é que hoje, tinha surgido a noticia de que a prova tinha encontrado... o seu patrocinador!

Agora resta saber o que poderá acontecer no futuro. E muitos estão pessimistas, pois fala-se da completa destruição do autódromo para erguer outros equipamentos, por exemplo. Veremos o que isto dará. Mas a ideia de uma corrida por aquelas bandas tão cedo não acontecerá. Alternativas, precisam-se, caso contrário, a hipótse da emissora Bandeirantes poderá ser processada pela IndyCar é bem real, por quebra de contrato.

Será isto? (II)



A Mercedes andou o dia todo a meter videos (como se fosse um espião...) do "shakedown" do W06 em Silverstone, numa altura em que as coisas ameaçavam uma tempestade de neve por lá. E pelos vistos, poderá ser uma continuidade do carro campeão de 2014, embora com linhas mais "limpas"...

Não se sabe quem andou com o carro, mas parece ser elegante.

Será isto?

Deixando a Formula 1 de lado, esta tarde, a Nissan começa a revelar aos poucos o que poderá ser o seu carro de Endurance, cuja apresentação acontecerá este domingo.

Não se vê grande coisa, e não se sabe onde é que esta foto foi tirada. Mas pelos vistos, parece que se confirma que o carro será vermelho e não terá o motor atrás, como têm Audi, Porsche e Toyota. E falta muita coisa sobre, por exemplo, quem são os pilotos.

Aos poucos, ficamos com uma ideia do que virá por aí. Resta saber se será capaz de andar ao lado dos outros nesta categoria. 

Apresentaçoes 2015: McLaren MP4-30

A McLaren mostrou hoje o seu carro... e francamente, decepcionou. Falo pelas cores, claro. Depois de expectativas sobre o que iriam usar, após o final da parceria de vinte anos com a Mercedes, sobre se iriam usar o vermelho e branco da Marlboro, se iriam regressar às origens, com o "Papaya Orange", no final, mantiveram-se com o cinzento com uma faixa vermelha, semelhante a, por exemplo, o modelo de 2005. Quanto às cores, a explicação é simples: Ron Dennis adora o cinzento.

Apesar do filme de apresentação eles falarem muito da parceria anterior da Honda - entre 1988 e 1992, com quatro campeonatos de pilotos e construtores - as expectativas são altas, e o seu potencial pareceu ser o suficiente para atrair de novo Fernando Alonso, que parece querer regressar para resolver algo que ficou pendente em 2007, que é o título mundial.

"Estamos preparados para aprender com o carro, mas é claro, dá para ver que dentro McLaren-Honda existe um comprometimento total quando estamos a começar esta nova parceria", começa por dizer Alonso nesta apresentação oficial. "Estamos todos focados no desafio que temos pela frente, e eu me sinto extremamente honrado de fazer parte de uma relação que tem partilhado muita história. O meu objetivo é ajudar a escrever um novo capítulo na história da McLaren-Honda. Entendemos o esforço e trabalho que a equipa está a tomar para que a McLaren-Honda volte para o seu devido lugar, que é na parte da frente da grelha, e toda a nossa energia está focada nesse objetivo", concluiu.

Quanto ao carro, é convencional. O nariz é baixo, sem apêndices aerodinâmicos "estranhos", e a entradas de ar, bem como os radiadores, alinham nessa convencionalidade. Talvez seja aquilo que Eric Bouller anda a falar, de que se pensou mais em arranjar um carro mais eficaz em termos aerodinâmicos.

"Existe uma fome real para demonstrar as nossas capacidades e o enorme talento que compartilhamos entre nós [McLaren e Honda], e eu estou totalmente comprometido com este progresso para alcançar ainda mais sucesso juntos", começa por dizer Ron Dennis. "O lançamento da McLaren-Honda MP4-30 marca o início de uma longa jornada. Já percorremos um longo caminho e, embora ainda haja muito trabalho a fazer antes que possamos repetir o nível de sucesso nós apreciamos juntos na nossa parceria anterior, há mais de 25 anos, já está claro que existe uma enorme sinergia e potencial em nossa parceria, e eu tenho certeza de que, juntos, nós vamos chegar a onde queremos ser: vencedora de Grandes Prémios e, eventualmente, Campeonatos Mundiais como McLaren-Honda", concluiu.

Já Eric Boullier, o diretor-desportivo da equipa, afirmou que as mudanças, apesar de grandes, espera que sirvam para preservar o ADN da equipa. "Mudamos a filosofia do carro, mas o DNA da McLaren continua aqui", começou por afirmar.

"Queremos assegurar que nossos pilotos possam dirigir até o limite do carro. O início da temporada é um período de grande mudança, mas queremos mudar para melhor. Para uma equipa com este património, poder olhar para os sucessos do passado é extremamente importante. Você pode estar certo que, em conjunto com a Honda, estamos totalmente focados em formar uma excelente parceria", ressalvou.

Apresentado o carro em Woking, a nova máquina está a ser colocada em camiões para estar pronto a testar em Jerez, a partir do dia 1 de fevereiro.