sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

A foto do dia

Ver a nova barba do Daniel Ricciardo é como assistir a uma excentricidade. Ou pensar que é o filho do Lemmy, dos Motorhead...

Vamos a ver se dá sorte neste fim de semana.

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Formula 1 em Cartoons - Pré-Austin (Cire Box)

À chegada a Austin, os "cowboys" da Mercedes estão a ver os sinais de fumo, e cada um têm a sua interpretação delas...

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Youtube Rally Crash: o acidente de Bernardo Sousa na Catalunha

Bernardo Sousa era um dos candidatos à vitória no WRC2 na Catalunha, e provavelmente poderia tentar uma chance de conseguir um lugar no "top ten" neste rali. Mas as coisas acabaram logo no primeiro dia graças a um acidente. 

Eis as imagens, onde poderão ver a capota toda amolgada na parte de trás do seu Ford, e as estragos na roda frente-direita. Logicamente, ele não continuou.

domingo, 26 de Outubro de 2014

Pequeno aviso para a blogosfera

Caros amigos (as), seguidores (as) e admiradores (as): a partir de amanhã estarei ausente daqui porque vou ser operado para tirar a minha vesícula. À partida será algo simples e espero estar de volta dentro de um ou dois dias. Mas conhecendo como conheço de mim mesmo e da minha história clinica, nunca é de fiar.

É algo que estava à espera, desde que fui internado no passado mês de março. Quando me ligaram na quinta-feira perguntando sobre a vaga que apareceu e se não queria aproveitar, eu nem hesitei. A minha vesícula tinha-se tornado num incomodo, apesar de não ter tido problemas graves nestes últimos tempos. Mas tinha dias em que acordava com dores, que passavam por me sentar na cama por uns minutos, e depois passava.

Espero estar de volta a tempo de ver o GP dos Estados Unidos, em Austin e ver como é que a Formula 1 reagirá a 18 carros na grelha de partida. Mas pelo que ando a ler nas últimas horas, pode ser que o Bernie Ecclestone puxe algo da cartola...

A ver, vamos. Até breve!  

WRC 2014 - Rali da Catalunha (Final)

Sebastien Ogier controlou tudo e no final, comemorou o seu bicampeonato no lugar mais alto do pódio no Rali da Catalunha. O piloto francês conseguiu aguentar os ataques de Jari-Matti Latvala e acabou com 11,3 segundos de vantagem, sagrando-se assim bicampeão do mundo, e dando o segundo título de pilotos para a Volkswagen.

Mikko Hirvonen acabou o rali com o lugar mais baixo do pódio, a 1 minuto e 42 segundos do vencedor, algo que acontece apenas pela segunda vez este ano: “Há muito tempo que não alcançava um pódio, finalmente um bom resultado. É bom para toda a equipa. Vamos ver o que fazemos em Gales...”, comentou o piloto finlandês.

Mads Ostberg foi o quarto, ficando com o melhor resultado dos Citroen, conseguindo segurar os ataques de Dani Sordo. No final, apenas 8,9 segundos é que seguraram ambos os pilotos, enquanto que atrás, Thiery Neuville conseguiu o sexto posto final na última classificativa depois de novo erro cometido por Anders Mikkelsen, provocado pelo seu navegador, Ola Floene. A dupla do terceiro Volkswagen teve de cumprir uma penalização de dez segundos.

O checo Martin Prokop foi o oitavo, na frente do terceiro Hyundai de Haydon Paddon e do melhor dos WRC2, o qatari Nasser Al Attiyah.

Agora, o WRC vai dentro de três semanas ao País de Gales para cumprir o último rali da temporada.

Youtube Motorsport Fire: um prótótipo incendiado na Rampa da Penha


Isto aconteceu este sábado, na Rampa da Penha, em Guimarães, no norte do país. Um carro pega fogo e um membro da organização têm um extintor que... não funciona. E o pior é que nem é um extintor que não funciona, são dois. E o carro arde, lentamente, à frente de toda a gente. A felicidade no meio disto tudo é que não foi num acidente e o piloto pode sair calmamente, mas ver algo que custou muito dinheiro, a desaparecer envolvido pelas chamas, custa muito.

O incêndio só é extinto quando chegam os bombeiros. Mas imaginem que tinha sido um acidente e o piloto tivesse ficado preso. 

sábado, 25 de Outubro de 2014

WRC 2014 - Rali da Catalunha (Dia 2)

Apesar dos ataques de Jari-Matti Latvala, Sebastien Ogier continua a manter-se na frente com um avanço de 27,3 segundos e parece que o bicampeonato está ao seu alcance. Ambos parece que andam num campeonato à parte, pois abriram uma vantagem que vai até ao 1.18 minutos sobre o Ford de Mikko Hirvonen, o terceiro classificado.

Apesar dos elogios de Ogier a Latvala, afirmou que as coisas estão controladas e a vitória não escapará. “Em primeiro lugar, tenho que congratular o Jari-Matti (Latvala). Ele teve realmente um grande dia, atacando sempre. Para nós, o plano era controlar e foi o que fizemos embora tenha andado rápido para me manter no ritmo dele”, disse no final da etapa. 

Já para o piloto finlandês, parece estar resignado quanto a uma possível vitória e, consequentemente, está consciente que o título é cada vez mais uma ilusão: “Fiquei satisfeito com a nossa performance e foi um bom dia. Estou desapontado com o nosso andamento de ontem... Queria lutar pela vitória neste rali mas parece-me que começa a estar demasiado longe. Acho que ontem estava a guiar e a travar de modo demasiado agressivo”, falou.

Ao longo do dia, Latvala tudo tentou para apanhar Ogier, mas apesar de ter diminuído a vantagem, não conseguiu apanhar o líder, enquanto que atrás, o terceiro lugar ficou nas mãos de Hirvonen, depois de aproveitar os azares de Anders Mikkelsen, que sofreu um pião e atrasou-se, caindo para o sétimo lugar no final do dia. Mads Ostberg também andou na luta, e acabou o dia no quarto posto, mas a mais de 30 segundos de Hirvonen, e com 22,1 segundos de vantagem sobre Dani Dordo, o melhor dos Hyundai.

Quem teve problemas foi Robert Kubica, que sofreu um o diferencial, caindo do sexto para o nono posto, antes de desistir na parte da tarde. Isso beneficiou Thierry Neuville, que terminou o dia no sexto posto, na frente de Mikkelsen. Martin Prokop e Haydon Paddon estão tranquilamente no oitavo e nono postos, enquanto que o décimo lugar está em aberto, pois a diferença entre o ucraniano Yuri Protassov, o qatari Nasser al Attiyah e o americano Ken Block está em meros 21 segundos.

O rali da Catalunha termina amanhã.

A Formula 1 no seu grau zero

Bom, a levar pelas palavras de Bernie Ecclestone, a Formula 1 chegou hoje a um novo baixo: A Marussia pode não alinhar em Austin e Interlagos devido às dificuldades financeiras que ambas passam. Da Caterham sabíamos, devido às lutas entre ambos os proprietários pela sua posse, mas da Marussia, depois dos eventos em Suzuka relacionados com Jules Bianchi, pouco ou nada se sabia, apesar dos rumores vindos de lá devido à falta de vontade de Andrey Cheglakov de injetar mais dinheiro, apesar de este ano terem conquistado dois pontos, com o nono lugar de Jules Bianchi no GP do Mónaco. E esse dinheiro daria - em teoria - 35 milhões de euros para segurar a equipa para a próxima temporada.

Falta ainda a confirmação oficial da Marussia - e vamos ser honestos, não confio em Bernie Ecclestone - mas como é ele que organiza os transportes dos carros para Austin (que terão de ser embarcados até este domingo), provavelmente eles deverão ter pedido uma dispensa semelhante a que a Caterham pediu ontem. A permissão de Ecclestone faria com que não pagassem multas, com a condição de estarem presentes na ronda final, em Abu Dhabi. Mas também não cremos que a Caterham volte, embora tenha esperanças em relação a Marussia.

Será que esta Formula 1 falhou? Bom, se a ideia era de levar mais gente, sim, é um fracasso. Mas se a ideia era de os expulsar para termos uma "elite das elites", onde o bolo é dividido pelo menor número possível, então aí é um enorme sucesso. Só falta a implementação dos terceiros carros para que a cereja fique no topo do bolo.

Mas fala-se há muito de que os contratos entre a FOM e os promotores dos circuitos e em consequência, das cadeias de televisão, têm clausulas que falam que terá de haver um numero minimo de carros a alinhar em cada corrida. E esse minimo é de vinte. Como haverão apenas 18 carros, chega-se a um numero negativo, do qual os promotores poderão rasgar o contrato. Mas Bernie deve ter dito aos promotores que esta situação é provisória. E bem vistas as coisas, não vai ser por aí que existirá razões para que o outro lado accione essa clausula. O problema será mais para 2015.

Mas aí, há a tal solução dos três carros por equipa. Algumas delas afirmam que precisam de tempo para tal coisa (uns falam de três meses, outros falam de seis) mas a implementação de tal coisa não é barata (fala-se de 35 milhões de euros por ano) e fala-se também que esse carro poderá não contar para os pontos. E se é para isso, então não vale a pena colocar esses carros em pista. E não se pode esquecer que isso poderá significar um aumento brutal das diferenças entre as equipas da frente e o meio do pelotão, para não falar do fundo. Em suma, a médio prazo, poderá significar uma "canibalização", pois as equipas médias poderão chegar à conclusão que que andar por ali só acumulará perdas. Nunca a expressão "Club Piraña" teve tanto sentido.

E acho irónico que isto aconteça a poucos dias do 84ª aniversário natalicio de Bernie Ecclestone. O que me deixa a pensar se isto não será um sinal que está a mandar ao mundo que "depois de mim, a Formula 1 falirá". Não sei responder, mas pelos vistos, parece que já bateram no icebergue e acham que salvar a primeira classe está nas suas prioridades...

Enfim, a ser verdade, é um grande dia para o Grupo de Estrategia. E provavelmente mais um passo rumo ao abismo. Mas se calhar esta Formula 1 merece esse abismo para que caiam alguns tabus, como, por exemplo, este excessivo secretismo que existe nos seus contratos e respectivas clausulas.

Mas é melhor esperar pelos próximos dias, para saber o que irão dizer, que surpresas não aparecerão por aí.

A foto do dia

Indianápolis, 2005. A largada do GP dos Estados Unidos desse ano, com apenas seis carros presentes. após o boicote dos pilotos que calçavam Michelin, após um forte acidente sofrido por Ralf Schumacher durante a qualificação, devido ao rebentamento de um pneu. A ameaça de boicote concretizou-se, e apenas seis carros alinharam na corrida, todos eles com pneus Bridgestone: Ferrari, Jordan e Minardi.

De uma certa maneira, foi a Formula 1 no seu Grau Zero, e isso teve consequências: a partir do final de 2006, houve um monopólio no fornecedor de pneus, como se fosse um contrato. Primeiro foi a Bridgestone, depois a Pirelli. Para Michael Schumacher foi a sua única vitória do ano, e para Tiago Monteiro, foi o seu único pódio da sua carreira, e o último da Jordan.

Eu vi partes da corrida, apesar de estar em viagem naquele dia para umas curtas - mas merecidas - férias. E vi os protestos e os apupos da multidão em fúria, que pagaram caro para assistir a um triste espetáculo, ainda por cima num sitio onde Bernie Ecclestone tenta há anos implementa a Formula 1, sem grandes resultados. 

Estamos a um semana de outro GP americano, em Austin, e agora soube-se que teremos 18 carros presentes. Um dos números mais baixos desde o final dos anos 60, quando tivemos corridas disputadas por 14 carros em 1969, por exemplo. Primeiro a Caterham, agora a Marussia, decidiram pedir dispensa de irem a Austine e a Interlagos, prometendo ir para Abu Dhabi, a última corrida do ano. Não sei se isto é o caminho para o Grau Zero, mas cada vez se vê que esta Formula 1 começa a ser insustentável. E a solução apresentada - três carros por equipa - têm mais desvantagens do que vantagens. 

Vamos a ver no que vão decidir. Ainda temos de ouvir o que a FIA pensa disto.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Youtube Atmosferic Challenge: o homem que bateu Felix Baumgartner

Até hoje, pouca gente fora do mundo dos negócios ou da tecnologia tinha ouvido falar de Alan Eustace. Engenheiro informático de profissão, de 57 anos de idade, este executivo da companhia que faz os motores de busca que nos ajudam todos os dias, decidiu ir de balão até ao topo do mundo. Literalmente, aos limites da atmosfera. E pelo meio, bateu a barreira do som e bateu o recorde de salto que pertencia a Felix Baumgartner.

E fez de uma maneira bem mais leve do que a tentativa patrocinada pela Red Bull: dispensou a câmara, colocou um fato pressurizado, amarrou-se a um balão enchido com 35.000 metros cúbicos de hélio e após duas horas de ascensão ele soltou-se, a uma altura de 41,5 quilómetros caindo a uma velocidade estratosférica durante 15 minutos até alcançar o solo, abrindo o paraquedas e aterrando em segurança.

Tudo foi preparado durante três anos, e debaixo de muito secretismo. E aparentemente resultou, porque todos foram apanhados de surpresa. "Foi incrível", disse ele, em declarações para o New York Times. "Foi lindo. Você podia ver a escuridão do espaço e você pode ver as camadas da atmosfera, o que eu nunca tinha visto antes."

E de facto, foi um feito espantoso.

WRC 2014 - Rali da Catalunha (Dia 1)

O primeiro dia do Rali da Catalunha viu os Volkswagen a ocupar os lugares do costume, depois dos fogachos da Hyundai, e especialmente do Citroen de Kris Meeke, que andou na frente nas primeiras três classificativas, antes de abandonar com problemas no seu carro.

Depois de Anders Mikkelsen ter sido o melhor na classificativa de abertura, realizada em pleno Parc Montjuich, em Barcelona, máquinas e pilotos partiram para a estrada com Mikkelsen a defender-se das investidas do Hyundai de Thierry Neuville e do Citroen de Kris Meeke. Mikkelsen chegou a ficar sem gasolina entre o final da segunda classificativa e o Parque de Assistência, mas foi na estrada que perdeu a liderança para o belga da Hyundai.

No final da terceira especial, já havia novidades interessantes, como o atraso de Meeke devido a dois furos, e de Jari-Matti Latvala, que demorava a adaptar-se às classificativas catalãs, em claro contraste com Haydon Paddon, que por essa altura era o terceiro classificado, atrás de Neuville e Ogier. Mikkelsen tinha então caido para o quarto lugar.

Atrás, no WRC2, havia a primeira baixa, com Bernardo Sousa a capotar na segunda especial, obrigando-o a desistir. Nessa altura, era o segundo classificado na classe.

Na parte da tarde, Ogier esforçou-se e passou para a frente do rali, aproveitando a desistência de Meeke e o atraso de Neuville, que na sétima classificativa, devido ao pó levantado, bateu numa rocha e furou. O incidente fez com que o piloto belga caísse de segundo para o nono lugar da geral, enquanto que Jari-Matti Latvala fez o percurso inverso, passando de sétimo, no final da manhã, para o segundo lugar da geral, a 36,6 segundos de Ogier.

Sem Meeke, o melhor Citroen é agora o de Mads Ostberg, no terceiro lugar, a 37,2 segundos de Ogier (e a 0,6 segundos de Latvala) e têm logo atrás de si o terceiro Volkswagen de Anders Mikkelsen, a apenas 0,1 segundos do seu compatriota! Mikko Hirvonen é quinto e o melhor dos Ford, enquanto que a 57 segundos da liderança está o outro Ford de Robert Kubica, que está a conseguir andar ao nível dos primeiros.

Dani Sordo é o sétimo e agora o melhor dos Hyundai, a um minuto e 24 segundos, na frente do Ford de Martin Prokop, do outro Hyundai de Thierry Neuville e do Ford de Nasser Al Attiyah, o melhor no WRC2, a quatro minutos e 50 segundos, oito a menos do que o 11º classificado, o americano Ken Block.

O Rali da Catalunha prossegue amanhã.

Youtube Auto Destruction: Uma cópia "made in China"

Descobri esta no Flatout! brasileiro: um jornalista alemão da Auto Bild, Wolfgang Blaube, adquiriu um SCEO chinês de 2008 (o S é de Schanguan Motors) com cerca de cem mil quilómetros rodados... e ficou chocado com que viu. Em poucos anos de uso, a pobre qualidade do carro fez com que este estivesse mais enferrujado do que carros com vinte e mais anos de uso, tornando-se não só num monte inutil de sucata, como um carro perigoso de conduzir para quem tivesse azar de o pegar.

Como esta cópia descarada de um BMW X5 da primeira geração era um perigo para todos - e a BMW impediu que este carro fosse vendido na Alemanha devido à famosa questão do "copywright" - Blaube e os seus colaegas da Auto Bild acharam por bem que este carro tinha de ser retirado de circulação... de uma maneira "clarksoniana". 

Eis o resultado. O video está em alemão, mas acho que entenderão o gesto.

Youtube Rally Shakedown: a aparição de Ken Block na Catalunha

Para fechar o dia, um curto video de Ken Block, que volta este ano ao WRC para participar no Rali da Catalunha. Logo na primeira curva, faz isto... 

Ainda devia ter o cérebro ligado nas "Ghynkhanas". Veremos como se safará amanhã.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Andrea de Cesaris, por Bruno Giacomelli

Na semana que se seguiu ao desaparecimento de Andrea de Cesaris, surgiram tributos de toda a parte, principalmente de aqueles que conviveram com ele, alguns dos bons amigos que fez no seu longo tempo na Formula 1. E um dos que fez uma sentida homenagem ao piloto de Roma foi um compatriota seu, Bruno Giacomelli.

Atualmente com 62 anos, Giacomelli venceu em 1977 o campeonato europeu de Formula 2, antes de guiar na Formula 1 como piloto da McLaren, Alfa Romeo, Toleman e a infame Life, em 1990, depois de sete anos de ausência. Foram companheiros de equipa por duas vezes, uma no final de 1980 e a outra durante toda a temporada de 1982, onde desenvolveram uma forte relação de amizade. E nesta homenagem, falando ao jornalista da Motorsport, Sam Smith, Giacomelli recorda-o:

"Ele era como um irmão mais novo para mim e eu acho que ele me apreciou olhando para mim como um irmão mais velho também", começa por dizer. "Corremos juntos por apenas uma temporada [quando ambos correram para a Alfa Romeo em 1982], mas também competiu com a equipa  Lancia, num LC2, por vezes. Competindo com ele, era sempre um prazer."

Giacomelli era muito mais do que apenas um dos inúmeros companheiros que De Cesaris teve durante sua longa carreira de 15 temporadas na Formula 1. "Ele era meu amigo. Só tenho boas lembranças de Andrea. Você sabe, ele era uma pessoa muito gentil e genuína. Um pouco como Gilles [Villeneuve] em que ele tinha uma personalidade muito diferente ao volante do que ele tinha fora do carro. Ele era uma pessoa honesta e divertida."

Giacomelli fala que a primeira vez que viu De Cesaris foi um Thruxton, em março de 1978, quando a Formula 2 e a Formula 3 coincidiram naquele fim de semana. "Andrea estava apenas começar na F3 [num Tiga-Ralt de Tim Schenken] e eu estava com o March-BMW oficial de F2. Nós éramos os únicos dois italianos que vivem no Reino Unido e lembro-me encontrar com ele de vez em quando e realmente gostar dele. Ele era muito jovem, então [tinha 19 anos], mas era óbvio que ele era veloz e iria ter uma bela carreira no automobilismo."

Em 1979, De Cesaris era candidato ao título na Formula 3 britânica, mas apesar de ter vencido seis corridas, perdeu para o brasileiro Chico Serra, não sem alguns contratempos e acidentes que lhe começaram a dar fama de "De Crasheris". Uma delas aconteceu em Oulton Park, onde ele colidiu com Nigel Mansell, e o "brutânico" acabou no hospital, com alguns ossos fraturados.

No ano seguinte, alinhando no Project Four de Ron Dennis, ao lado do seu arqui-rival Serra, apenas venceu em Misano, numa temporada dominada pelos Toleman de Derek Warwick e Brian Henton. Mas no final do ano, teve a chance de se estrear na Formula 1 a bordo do Alfa Romeo que era de Patrick Depailler, antes de este se ter matado durante testes do carro em Hockenheim. Vittorio Brambilla andou com ele por duas corridas, mas as provas americanas foram usadas para que o jovem italiano - tinha apenas 21 anos quando se estreou no Canadá - pudesse ter uma ideia do que era correr na categoria máxima do automobilismo.

"1980 foi um ano difícil e lembro que era realmente a minha primeira temporada completa na Formula 1", reflete Giacomelli. "Andrea entrou para a equipa em Montreal e Watkins Glen e deu-se bem [ele qualificou no oitavo lugar na sua estréia na Formula 1]. Eu podia ver que ele foi rápido, mas que lhe faltava confiança. Você sabe, quando você olha para a temporada seguinte, a de 1981, quando se juntou a Ron Dennis na McLaren, ele teve um monte de acidentes. Mas ele estava aprendendo num ambiente britânico e ele ainda tinha apenas 22 anos de idade. Andrea era o tipo de cara que realmente precisava ser confortável na equipa e na McLaren nessa idade, e com o que estava acontecendo dentro da equipe, acho que aquele não era o ambiente ideal para ele."

Depois da terrivel temporada de 1981 e da reputação que tinha arranjado - e do qual nunca se iria livrar para o resto da sua carreira - em 1982 estava de volta à Alfa Romeo, ao lado de Giacomelli, onde conseguiu alguns feitos, como a pole-position em Long Beach e um pódio no Mónaco. Mas nesses dias, De Cesaris e Giacomelli conheceram-se melhor e tornaram-se grandes amigos. O primeiro fim de semana juntos foi em Kyalami, na mesma altura em que os pilotos resolveram fazer uma greve para chamar a atenção à FISA e à FOCA sobre as suas condições.

"Nós já nos conhecemos muito bem, mas em Kyalami, aquela foi uma boa experiência para os pilotos, por passarem todo aquele tempo juntos. Andrea sempre foi uma pessoa muito positiva e tenho boas lembranças dele no hotel na África do Sul, brincando e divertindo-se com os outros pilotos".

Tempos depois, foi o GP do Mónaco. A Alfa Romeo fez uma excelente qualificação - Giacomelli foi terceiro e De Cesaris sétimo - mas a corrida de Bruno foi encurtada na quarta volta, quando o eixo se quebrou. Já De Desaris esteve prestes a ganhar quando a gasolina acabou na última volta, quando passava por Massenet. Mesmo assim, deu para o terceiro lugar e o seu primeiro pódio da sua carreira.

"Foi uma corrida incrível e eu me senti tão triste por Andrea", diz Giacomelli. "Nós qualificamos bem, eu era o terceiro e depois consegui chegar ao segundo lugar, atrás de Arnoux, mas depois de cinco voltas o meu eixo quebrou. Eu estava com muita raiva. Mas não tão irritado e chateado como Andrea estava no final da corrida!", exclamou.

Contudo, essa amizade foi colocada à partida do GP da Austria daquele ano, quando ambos se eliminaram nos primeiros metros da corrida. De Cesaris tinha se convencido que Giacomelli tinha batido nele e ficou tão zangado que ambos não se falaram por algum tempo. Contudo, quando apareceram fotografias dessa colisão, as coisas tomaram um rumo diferente:

"Nós não nos falamos por duas semanas até à próxima corrida [em Dijon]. Andrea tinha a certeza que a culpa era minha, mas eu sabia que estava inocente. Em seguida, no paddock, um fotógrafo veio com algumas fotos da partida, que mostra que ele bateu no Williams de Daly, que me entalou entre ele e o guardrail. Mas você sabe que uma coisa boa sobre o Andrea foi que, quando viu as fotos que ele virou para mim e disse: 'Bruno, estou arrependido, você estava mesmo certo, peço desculpas'. Como eu disse Andrea foi muito correto e honesto e também não muito orgulho de dizer que ele estava errado."

No final de 1982, Giacomelli muda-se para a Toleman, enquanto que De Cesaris continuou na equipa de Varese, fazendo uma excelente temporada, com boas corridas em Spa-Francochamps, e pódios em Hockenheim e Kyalami, a bordo do competitivo modelo 183T. "Eu fiquei amigo dele depois de 1982, é claro", diz Giacomelli. "Nós costumávamos passar o tempo com Nelson Piquet, a esquiar ou apenas de férias, principalmente na Sardenha e em Sestriere nos meses de inverno."

"Andrea adorava windsurf e ele era muito bom. Ele competia muitas vezes e geralmente ganhava. Era algo do qual era um bom substituto à sensação de correr na Formula 1. Ele precisava competir e ele fez isso muito bem no windsurf. Ele viajou por todo o mundo procurando os melhores lugares e condições para praticar."

"Era uma excelente pessoa, e vou recordar disso quando for para Roma, para o seu funeral, na quinta-feira. Ele teve uma grande vida", concluiu.

Tony Fernandes fala sobre a situação da Caterham

Tony Fernandes respondeu esta tarde às acusações por parte dos administradores do grupo suiço-árabe sobre a propriedade da Caterham, que ontem afirmaram que deixariam de cuidar a equipa por não terem cumprido as obrigações contratuais. O malaio já tinha dito no Twitter que eles não tinham pago o acordado, e hoje deu mais detalhes sobre o assunto:

"Em junho de 2014, decidi, juntamente com os meus colegas e acionistas, vender a minha participação na equipe Caterham F1", começou por afirmar. "Nós concordamos de boa-fé em vender as ações a uma empresa suíça chamada Engavest na base de que esta se comprometesse a pagar a todos os credores existentes e futuros, incluindo a equipa. A continuação do pagamento aos funcionários e credores foi tão importante para mim que eu assegurei que as ações não seriam transferidos para os novos compradores enquanto se cumprisse esta condição.

"Infelizmente, a Engavest não cumpriu com qualquer uma das condições do contrato e Caterham Sports Ltd (empresa operadora britânica da equipa de Formula 1) teve de ser colocado em administração pelo banco, com grandes quantias devidas a vários credores. O nosso acordo com Engavest era muito claro: não havia obrigação legal de transferir as ações para eles, a menos que certas condições - que incluíam o pagamento dos credores - foram atendidas. Não foram cumpridas essas condições.

"Nossos advogados pediram por várias vezes à Engavest para que cumprisse com estas condições, mas eles não conseguiram se envolver. Se você concordar em comprar um negócio, você deve pagar as suas contas. Eles têm violado essa promessa e agora, infelizmente, são outros, como os empregados e os fãs da equipe Caterham F1 que vão sofrer caso a equipa deixar de correr. Espero sinceramente que este não será o caso, e que possa ser encontrada uma solução", concluiu.

Entretanto, os funcionários da Caterham estiveram todo o dia fora das suas instalações em Leafield, depois desta ter sido tomada conta pelos administradores de insolvência. Com isso a acontecer, cresce a hipótese de que os carros não estarão em Austin, para o GP dos Estados Unidos, nem para as duas corridas que faltam para o final do campeonato, em Interlagos e Abu Dhabi. E claro, isso não afeta Bernie Ecclestone, que já veio a público dizer que é melhor deixar a equipa morrer. Com uma boa razão: quanto menos equipas, melhor: mais dinheiro é distribuído pelas que se mantêm.

Aguardemos, pois, o final de toda esta história. Uma coisa é certa: caso o pior aconteça, a Formula 1 terá 20 carros a alinhar nas corridas. E as noticias sobre a Marussia e a Sauber não são boas...