segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

A foto do dia

Max Verstappen em Roterdão, ontem. No próximo ano, o filho de Jos Verstappen entrará nos livros de história da Formula 1 como o piloto mais novo de sempre, aos 17 anos. É certo que é um bom piloto na Formula 3 e a aposta da Toro Rosso têm algum fundamento, mas este acidente durante a demonstração na sua Holanda natal poderá fazer com que os céticos fiquem ainda mais desconfiados... 

Rumor do dia: Kobayashi de volta à Sauber?

Que as coisas na Sauber não andam bem, isso é sabido. Eles estão a fazer a pior temporada da sua historia e não conseguem levar o seu carro até aos pontos, quando já estamos na 12ª corrida do campeonato. Para piorar as coisas, andam com dificuldades em arranjar o dinheiro para poder pagar as suas contas, depois de falhado o acordo com os russos, aparentemente, a equipa de Hinwill poderá virar-se para Kamui Kobayashi, dispensado recentemente da Caterham.

Segundo conta a Autosport portuguesa, Kobayshi poderia entrar no lugar de Adrian Sutil logo após o GP de Itália, alegadamente por este ter falhado nos pagamentos acordados com a equipa suiça, e o regresso do piloto japonês seria apenas para que a equipa tenha um piloto competitivo que ajude a alcançar, pelo menos, o nono lugar no campeonato de Construtores. Caso isso aconteça, seria o regresso de Kobayashi à equipa que o acolheu entre 2010 e 2012, conseguindo um pódio e uma volta mais rápida, conseguindo 122 pontos.

Contudo, esses rumores já foram ouvidos na semana anterior em relação a Giedo Van der Garde, que já é apontado como piloto titular na próxima temporada... veremos o que vai acontecer nos próximos dias.

domingo, 31 de Agosto de 2014

Honda com dificuldades no desenvolvimento do seu V6 Turbo?

Lendo a Autosport portuguesa deste domingo, descubro que as coisas na Honda, no Japão, andam complicadas para o novo motor V6 que a marca japonesa quer colocar nos seus carros a partir de 2015. A pouco mais de seis meses até que os japoneses façam a sua estreia na Formula 1, eles estão com dificuldades em conseguir as performances que têm os motores da Mercedes, para além de problemas de fiabilidade do próprio conjunto nipónico, que deixa muito a desejar.

Oficialmente a Honda não comenta estas informações, mas são cada vez mais os indícios de que o inicio do seu regresso à Formula 1 poderá ser bastante mais difícil do que muitos esperam.

No meio disto tudo, pode-se dizer que a colaboração entre Honda e McLaren até é excelente, pois ambas as partes estão a fazer de tudo para que os problemas sejam resolvidos, e a própria eletrónica é fornecida pela equipa de Woking, mas a evolução do protótipo para um nível minimamente aceitável está a ser dificil, e o tempo começa a ficar cada vez mais apertado para ambas as partes.

Recorde-se que a associação McLaren-Honda é um regresso, depois de 23 anos de ausência. Entre 1988 e 1992, primeiro com o V6 Turbo e depois com o V10 e o V12 aspirados, conseguiram 54 vitórias, 53 pole-positions, 29 voltas mais rápidas e os títulos mundiais de pilotos e de Construtores de 1988 a 1991, três dois quais conquistados por Ayrton Senna, e um por Alain Prost.

sábado, 30 de Agosto de 2014

Formula 1 em Cartoons: as desculpas de Rosberg (Riko)

Se acham que as pessoas ficaram convencidas que o pedido de desculpas do Nico Rosberg foi sincero, há quem ache como eu acho: foi para certo inglês ver. E o Frederico Ricciardi, mais conhecido por "Riko", mostrou isso no seu cartoon.

Devidamente traduzido:

"Ah ah ah! Bem mandada, Lewis!... E isto é o quê? Uma nova versão do famoso "Ice Bucket Challenge"? Mas onde está a água? E os cubos de gelo?"

Youtube IndyCar Crash: o acidente de Mikhail Aleshin em Fontana

Este sábado acontecerá o "showdown" da IndyCar na oval de Fontana, onde Hélio Castro Neves e Will Power vão ver qual deles é que levará o "caneco" para casa. Mas a qualificação ficou marcada pelo forte acidente do russo Mikhail Aleshin, que bateu forte nas redes de proteção e desfez o carro a mais de 200 km/hora, depois de ter subido no carro do britânico Charlie Kimball.

Aleshin foi levado para o hospital, onde têm aparentemente, fraturas no ombro e no pé direito, e vai ficar em observação. 

Para um certo inglês ver

"Desde o GP da Bélgica em Spa, eu passei muito tempo pensando sobre o que aconteceu durante a corrida e discutir com a equipe. Já expressei meu pesar sobre o incidente, mas, após uma reunião com Toto, Paddy e Lewis hoje, eu gostaria de dar um passo adiante e descrevê-la como um erro de julgamento de minha parte. A regra número um para nós, como companheiros de equipe é que não devem se tocarem na pista mas foi exatamente isso o que aconteceu. Por esse erro de julgamento, peço desculpas a Lewis e à equipe. Eu também quero pedir desculpas para os fãs que foram privados de nossa batalha pela liderança na Bélgica. Lewis e eu temos instruções claras sobre como podemos competir entre si. Como pilotos, temos uma responsabilidade clara para a equipe, os fãs do esporte, os nossos parceiros e Mercedes-Benz para fazer corridas limpas. Tomamos essa responsabilidade muito a sério. Estou ansioso para concluir a temporada com uma concorrência forte, justo dentro e fora da pista até a última volta da temporada, em Abu Dhabi."

Eu li isto (e saquei o cartoon) no blog do grande Marcos Antônio, o GP Series, e eu francamente, tenho a sensação de que não sei se hei de ir ou se hei de chorar. De rir, com o ridículo da situação, de praticamente penitenciar uma pessoa por causa de uma manobra de pista, só porque este disse que poderia ter levantado o pé, só que não o levantou. Mas se calhar, isto teve de acontecer para salvar a face de um piloto e castigar outro, que muito provavelmente até calharia bem que vencesse, pois é do mesmo pais de onde é a marca, e claro, isso venderia mais carros no seu país, num clássico "vence no domingo, vende na segunda".

Fico também com a sensação de que isto foi mais um espetáculo do que outra coisa, só para satisfazer os defensores de Lewis Hamilton, para que ele entendesse que os muitos milhões que ele está a ganhar são bem gastos, e ele têm as mesmas armas para lutar pelo título, sem favores a Nico Rosberg ou prejuízos. Não sei de que lado está Toto Wolff, mas toda a gente sabe que foi Niki Lauda que trouxe Lewis Hamilton para a equipa de Brackley.

Em suma, isto tudo é uma farsa. O machado de guerra não foi enterrado, apenas pousado, esperando que seja de novo pegado nas corridas seguintes, porque as ordens de equipa não foram colocadas. Eles podem lutar, e a unica linha vermelha será a do "não toquem, não se eliminem". Tudo bem, os espectadores saem beneficiados com isso - depois de 92 por cento dos fãs terem dito que são contra ordens de equipa no inquérito organizado... pela Mercedes - mas tenho a sensação de que num futuro mais próximo, isto voltará em força. Quero acreditar no bom senso de Nico e Lewis, mas falamos de pilotos que foram influenciados por Ayrton Senna, que certo dia disse a Jackie Stewart, numa famosa entrevista na Austrália, em 1990: "Se não atacares a abertura, não és piloto". E são 29, os pontos que separam Nico de Lewis. 

Não sou - e não serei - defensor das ordens de equipa, porque isso mata o automobilismo. Mas não quero deixar de esquecer disto: este ano, quem vencer em Abu Dhabi têm 50 pontos de bónus. Espero que não façam que Daniel Ricciardo fique a menos de 50 pontos destes dois pilotos... 

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Youtube Rally Onboard: Bjorn Waldegard, Mercedes, Rally Legend 2012

No dia em que nos despedimos de Bjorn Waldegard, coloco aqui um video dele com o seu navegador de sempre, Hans Thorszelius, em 2012 no Rally Legend de San Marino, a bordo de um Marcedes 500 SLC que pilotou em 1980 e que deu uma vitória no Rali da Costa do Marfim.

Uma ideia de como eles se davam bem e como é que se tornou num dos pilotos mais bem sucedidos nos primeiros tempos de ralis, nos anos 70 e 80. 

Descanse em Paz, Bjorn, valeu a pena temos conhecido.

The End: Bjorn Waldegaard (1943-2014)

O sueco Bjorn Waldegard, primeiro campeão do mundo oficial de Ralis, em 1979 morreu esta manhã na sua Suécia natal, vítima de doença prolongada. Tinha 70 anos de idade e a sua carreira espalha-se ao longo de quatro décadas.

Nascido a 12 de novembro de 1943 na cidade sueca de Solna, a sua carreira nos ralis começou cedo, aos dezanove anos de idade. Contudo, foi a bordo de um Porsche 911 que começou a ter as suas primeiras vitórias internacionais, nomeadamente a vitória do Rali de Monte Carlo de 1969, repetindo o feito no ano seguinte, num ano em que também venceu na Suécia e na Austria.

Ao mesmo tempo que fazia ralis, também andava pelo Rallycross, onde era um dos melhores da sua geração, e o maior rival do austriaco Franz Wurz, o pai de Alex Wurz. Aliás, em 1974 foi vice-campeão da Europa, perdendo apenas para Wurz pai. Por essa altura, fazia parte da Toyota Team Europe, ao lado do seu compatriota Ove Andersson.

Em 1975, com a FIA a organizar um campeonato do mundo de Ralis - apenas aberto aos construtores e não aos pilotos - Waldegard, a bordo de um Lancia Stratos, venceu dois ralis nesse ano, o da Suécia e o de Sanremo. A mesma coisa aconteceu no ano seguinte, em Sanremo, mas não sem polémica: perto do final, tinha uma vantagem de quatro segundos sobre Sandro Munari, e a equipa pediu que ele abrandasse, para que ficasse "igual para igual" com o piloto italiano. Contudo, o sueco desobedeceu às ordens e acabou por vencer... por quatro segundos. 

Com isso, decidiu ir para a Ford em 1977, onde a bordo do modelo RS1800, venceu um dos ralis onde se tornou mais conhecido: o Safari, no Quénia. A sua vitória em 1977 foi a primeira de quatro, e também foi a primeira de três vitórias naquele ano, acabando no segundo lugar da geral da "Taça FIA de Ralis". Vence na Suécia em 1978, e no ano seguinte, já com o título mundial de pilotos a ser oficial, consegue sete pódios, dois deles vitórias no Rali da Acrópole e do Quebec, ao volante de um Ford Escort RS1800, excepto na Costa do Marfim, onde correu com um Mercedes-Benz 450 SLC.

Em 1980, maioritariamente pela Mercedes, vence na Costa do Marfim, e a partir do ano seguinte, começa uma longa associação com a Toyota. Torna-se no melhor nas etapas africanas (venceria na Costa do Marfim por mais duas vezes), e vence na Nova Zelândia em 1982. Em 1986, graças às suas vitórias no Quénia e na Costa do Marfim, termina a temporada no quarto lugar da geral. Waldegard acabaria por vencer pela última vez em 1990, a bordo de um Toyota Celica, com a idade de 46 anos ficando nos livros de história como o mais velho de sempre a vencer um rali do WRC. E também acabaria por ser um dos mais vitoriosos dos Ralis, conseguindo onze vitórias.

A sua longa carreira teria um fim em 1992, quando se acidenta no Rali Safari e quebra um braço, e a patir de então, participa em ralis históricos. Em 2008, a bordo de um Porsche 911, é um dos convidados que faz parte do "Colin McRae Forest Stages Rally", um rali em honra de Colin McRae, morto um ano antes. 

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

"The Limit" vai dar série de televisão

Parece que Hollywood está a olhar para o automobilismo com "olhos de ver". Depois do sucesso de "Rush" e a noticia de que "Go Like Hell" está na fase de pré-produção, o "Hollywood Reporter" afirma que Patrick Dempsey, o famoso "McDreamy" de "Anatomia de Grey" e notório "petrolhead" irá produzir uma mini-serie de quatro episódios baseado no livro "The Limit", do escritor Michael Cannell, baseado na história do duelo entre Phil Hill e Volfgang Von Trips, no Mundial de Formula 1 de 1961 e a sua relação dentro da Ferrari.

A série, que ainda não têm data de arranque, irá passar no canal Sundance TV entre meados e finais de 2015, e ainda está na fase de arranque. Contudo, ele será o produtor executivo dessa série, dado o seu amor pelo automobilismo. E não será a unica coisa que irá produzir, pois ele estará presente na "Arte de Correr na Chuva", baseado também num livro de 2008 sobre a história de um piloto, contado na perspectiva... de um cão. 

Formula 1 em Cartoons - Belgica (Riko)

Mais um cartoon sobre a polémica da Mercedes na Bélgica, com o Frederico Ricciardi (Riko) a mostrar o novo carro de Nico Rosberg...

"A-HA! Então admites que fizeste de propósito!...", diz Hamilton.

Os Pioneiros - Capitulo 48, Targa Flório e o Grande Prémio de França

(continuação do capitulo anterior)


TARGA FLÓRIO DE 1914: CEIRANO É O MELHOR


Enquanto que na América as corridas de estrada lutavam contra a imparável ascensão dos circuitos ovais de madeira, na Europa, com o regresso das equipas ao automobilismo, as corridas começam a ter um aumento exponencial dos pilotos inscritos. e a prova disso era a Targa Flório. apesar da mistura entre as Voiturettes e os Carros Pesados, a lista de inscritos é enorme: 36 carros, a esmagadora maioria deles italianos.

Mas apesar de haver essas 36 inscrições, apenas 13 estarão presentes à partida: os SCAT de Ernesto Ceirano e do sr. Colombo; os Nazzaro do próprio Felice Nazarro, de Mário Cortese e do sr. Lucca; os Alfa de Eraldo Fracassi, Giuseppe Campari e Nino Franchini; os De Vecchi de Mariano di Gloria e um jovem chamado Ugo Sivocchi; os Fiat de Antonio Trombetta e Luigi Lopez e o Diatto do sr. Rigoletti.

Como em 1913, a corrida iria ser uma volta inteira à volta da Sicilia, e a 31 de maio, um dia depois de, no outro lado do Atlântico, se terem realizado as 500 Milhas de Indianápolis, começava uma corrida exaustiva para máquinas e pilotos. Felice Nazzaro era o favorito, mas uma quebra na transmissão o viu obrigado a abandonar a competição.

isso foi a ocasião ideal para que Ernesto Ceirano, no seu SCAT, acelerasse para a vitória, conseguindo fazer a volta da ilha em 16 horas (!), com um avanço de quase duas horas sobre o De Vecchi de Mariano di Gloria e três horas sobre o Fiat de Luigi Lopez, numa prova onde oito carros chegaram até ao fim.


GRANDE PRÉMIO DE FRANÇA E AS FORÇAS EM PRESENÇA 


Enquanto que acontecem algumas destas corridas, todos se preparam para a grande corrida dessa temporada, que era o Grande Prémio de França. Com o sucesso da corrida em Dieppe, nos dois anos anteriores, dezenas de cidades queriam acolher a corrida, e após cuidada deliberação, escolheu a cidade de Lyon, que tinha prometido, em caso de acolhimento, mais de dez mil libras em ouro em subsidios. Com a cidade escolhida, o circuito foi delineado nas estradas nos arredores da cidade, e a data marcada para o dia 4 de julho.

O ACF acolheu 36 inscrições de equipas francesas e estrangeiras. Dos franceses, a grande destaque era a Peugeot, a campeã, que ia correr com Georges Boillot, Jules Goux e Victor Rigal, acompanhada por outras duas marcas, a Delage (que tinha Albert Guyot e Paul Bablot, bem como o belga Arthur Duray) e a Alda, com Ferenc Szisz, Maurice Taubeteau e Petro Bordino. A Fiat tinha três carros, para os italianos Alessandro Cagno e Antonio Fangnano, bem como o inglês John Scales. Outra italiana, a Nazzaro, tinha Jean Poporato e Felice Nazzaro, enquanto que a inglesa Sunbeam colocava três carros, para Kelheim Lee Guiness, Jean Chassaigne e o americano Ralph De Palma. Outra marca inglesa, a Vauxhall, tinha dois carros, para W. Watson e John Hancock.

A Alemanha representava-se pela Opel, que tinha Franz Breckheimer, Carl Jörns e Emile Erndtmann, mas o maior perigo vinha da Mercedes. De regresso à competição, depois de alguns anos ausentes, decidiram que iriam investir tudo nesta corrida, no sentido de repetir o feito de 1908. Inscreveram cinco carros, quatro oficiais, para os alemães Max Sailer, Christian Lautenschlager e Otto Salzer, bem como o francês Louis Wagner, e um não oficial para o belga Theodore Pilette, que era o representante da marca no seu país.

Os carros eram montados em Estugarda e enquanto eram construídos, durante a Primavera, decidiram visitar o local da corrida e estudar em detalhe o circuito. Montaram o seu quartel-general na cidade e usaram profusamente os dois dias de treinos para afinar a melhor estratégia possível. Tinham até uma arma secreta: os novos pneus Continental, que eram bem mais resistentes do que os da concorrência, especialmente os Peugeot, que tinham pneus Dunlop. Chegou-se até a noticiar que a Mercedes colocou este aviso na ordem do dia: “Por razões de propaganda, a Mercedes decidiu ganhar este ano o Grande Prémio”. Para a marca alemã, a vitória em terras francesas era fundamental, especialmente contra os Peugeot dominantes.


A PRIMEIRA BATALHA DE UMA FUTURA GUERRA EUROPEIA


Como já foi dito, o “Grand Prix de France” estava marcado para o dia 4 de Julho. Contudo, poucos dias antes, a 28 de Junho, a politica entra em cena: o Arquiduque herdeiro da Áustria, Francisco Fernando, é morto na cidade de Sarajevo pelo anarquista sérvio Gavrilo Princip. A partir de então, a crise instala-se na Europa e todos sabiam que caso o sistema de alianças então vigente entrasse em vigor, milhões de pessoas pegariam em armas numa questão de dias… Agora, já não era mais uma corrida, mas sim a primeira batalha de uma futura guerra europeia.

Na alvorada do dia da corrida, já mais de 300 mil espectadores espalhavam-se ao longo do circuito, esperando pela partida, que se iria verificar às oito da manhã. Os carros iriam partir de dois lado a lado, com intervalos de 30 segundos. O primeiro carro a passar foi o Peugeot de Boillot, mas quando se somaram os tempos, verificou-se que o líder era… o Mercedes de Max Sailer, com 18 segundos de avanço. A táctica da Mercedes era simples: iriam lançar um dos seus carros para a frente, levando-o ao limite das suas capacidades, como um “isco” para que os Peugeot pudessem morder, já que ali, com a fama que tinham, iriam correr com o orgulho nacional presente. E eles morderam!

Sailer imprimiu um ritmo alucinante durante cinco voltas, até que os rolamentos da cambota do seu carro griparam. Com isto, Jules Goux e Georges Boillot ficaram então na frente, mas logo atrás de si tinham os outros Mercedes, de Lautenschlager e de Wagner, que andavam perto dos Peugeot, mas sem forçar muito o ritmo. Na sexta volta, era Boillot que estava na frente, mas o segundo, a menos de um minuto, era Lautenschlager, que já tinha passado Jules Goux. Otto Saltzer e Louis Wagner não estavam muito atrás, na quarta e quinta posições, respectivamente.

A partir dali, foi um duelo épico: nas onze voltas seguintes, Boillot tentou se distanciar de Lautenschlager, mas este não se descolava. Para piorar as coisas, sempre que se distanciava, isso fazia com que os pneus se desgastassem, obrigando-o a trocá-los. Boillot fez oito paragens, em contraste com uma única por parte de Lautenschlager. Na volta 18, a duas do fim, uma nova paragem fez com que perdesse o comando para o piloto alemão, e a partir dali, tentou fazer a recuperação da sua vida. Tinha que ser: a honra da França estava em jogo.


RECEBIDOS EM SILÊNCIO


Por essa altura, a Mercedes deu ordem para Lautenschlager no sentido de aumentar o ritmo, pois a diferença entre eles tinha caído para 23 segundos, no início da última volta, os últimos 36 quilómetros até à meta. Boillot, nessa altura, estava a levar o carro até ao limite, e para além dele. Toda a França estava de olhos postos nele, como a última esperança contra os alemães, pois todos queriam que os eventos de 1908 não se voltassem a repetir.

Mas tal não aconteceu: a 23 quilómetros da meta, uma das válvulas do motor Peugeot partiu-se e Boillot é obrigado a abandonar. Inconsolável, ele e os espectadores assistem ao triunfo total da Mercedes e de uma estratégia que resultou pleno: os carros alemães monopolizaram o pódio, com Lautenschlager como vencedor, Louis Wagner em segundo e Otto Salzer em terceiro. Jules Goux foi o melhor francês, e o melhor dos Peugeot, no quarto lugar, a nove minutos e meio.


Os vencedores foram recebidos com um silêncio gelado no pódio da corrida, e voltaram para Estugarda para serem recebidos como heróis. Vinte e quatro dias depois, o Império Austro-Húngaro declarava guerra à Sérvia e seis dias mais tarde, a 2 de Agosto, o sistema de alianças estava a funcionar em pleno, mobilizando dezenas de milhões de jovens para uma guerra que parecia ser curta. Na realidade, tinha acabado naquele momento uma era importante, que na vida das pessoas, quer no automobilismo, e enquanto uma geração inteira se matava nas trincheiras da Flandres, as corridas de automóveis ficaram suspensas na Europa até 1919.

(continua no capitulo seguinte) 

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Noticias: Hirvonen está fora da Ford

Os rumores já circulam desde há uns dias, mas esta tarde, o seu “manager” Timo Johuki, confirmou que Mikko Hirvonen está fora da Ford na próxima temporada, sendo substituído pelo estónio Ott Tanak

A sua permanência na MSport está esgotada e de momento não existem negociações para a sua continuidade“, começou por afirmar. “Mikko esperava que existisse mais competitividade no seu Ford Fiesta, pelo menos que fosse comparável ao desempenho da Citroen, mas está desiludido com o resultado“, confirmou. 

Hirvonen, de 34 anos, é atualmente o sexto classificado do Mundial de pilotos, com 73 pontos, e teve como melhor resultado da temporada um segundo lugar no Rali de Portugal. No recente Rali da Alemanha acabou na quinta posição, mas na frente do seu companheiro de equipa, o galês Elfyn Evans

Em termos de carreira, o finlandês foi quatro vezes vice-campeão do mundo (2008,2009,2011 e 2012) e têm 15 vitórias, a última das quais em 2012, no Rali da Sardenha.

Formula 1 em Cartoons - Bélgica (Thomsonstudio)

Os eventos na Bélgica deram este desenho da autoria do canadiano Bruce Thomson. Sim, por aqui, parecem duas crianças separados por Toto Wolff e Niki Lauda...

Acerca da briga entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton

Nestas coisas todas, é ótimo deixar passar algum tempo e ler as opiniões de alguns dos entendidos sobre os eventos de domingo em Spa-Francochamps. E poderemos chegar a algumas conclusões. Uma delas é que acho que é fascinante ver esta guerra à nossa frente, digna das lutas do passado. Embora diga que ainda falta um bocado para chegarem ao nível de Ayrton Senna e Alain Prost, há 25 anos.

Ainda bem que a Mercedes têm dois pilotos sedentos por vitórias e têm um chassis (e um motor) que domina sobre os demais construtores no pelotão. A qualificação belga, embora tendo decorrido debaixo de chuva, demonstrou uma superioridade que já não via desde os tempos do Williams FW14, de 1992, quando davam cerca de dois segundos de diferença sobre a concorrência. E ainda bem que a Mercedes deu aos pilotos "carta branca" para lutar pela vitória. Caso não tivessem feito isso, e terem dado uma hierarquia de primeiro/segundo piloto, os críticos não estariam a falar sobre a "rédea solta" que a Mercedes tinha dado a Nico Rosberg e Lewis Hamilton, mas sim sobre como "esta Formula 1 estaria morta" e estariam a discutir quando é que o título seria entregue. Ou pior...

Logo no domingo se viu que muito do falatório veio da imprensa inglesa. Que, obviamente, quer ver um piloto inglês a ganhar. E o uso da imprensa por parte de Lewis Hamilton mostra uma faceta "politica" que não tinha visto antes. Não de forma tao descarada. Transformar um mero incidente numa tempestade (talvez ele não tenha entendido o sarcasmo de Nico Rosberg...) é mais coisa de Alain Prost do que Ayrton Senna, embora o brasileiro também fosse mestre em manipular a imprensa. 

Mas isto já era esperado. A tempestade já se vinha a acumular desde há algum tempo. Primeiro que tudo, temos a ver quem defende Hamilton e quem defende Nico. O alemão é acarinhado pela equipa, dado ser alemão e dado ser uma pessoa profissional, séria e discreta. Um funcionário tipicamente alemão, dando o seu melhor pela companhia. Já Lewis é aposta pessoal de Niki Lauda, que convenceu Hamilton a sair da McLaren, onde foi formado desde tenra idade, para ganhar milhões e ter à sua disposição um carro para ser campeão do mundo. De facto, Lewis é veloz e vencedor, mas nunca o vi com estofo para ser campeão, pois cede nos momentos decisivos.

Quanto a Nico Rosberg, eu creio que as pessoas sempre subestimaram as suas capacidades como piloto. Quando ele estilhaçou Michael Schumacher nos anos em que ambos foram companheiros de equipa, a grande maioria deles preferiu afirmar que Schumacher era um piloto demasiado velho e que a sua segunda vinda para a Formula 1 foi um desperdício da sua reputação e do seu talento. Ao ver as prestações deste ano, vi que não só era capaz de acompanhar Lewis Hamilton, como era capaz de ser superior a ele em certas ocasiões. É verdade que Hamilton foi superior a ele no Bahrein, mas o inglês reconheceu que teve de suar muito para o bater. E sabia que, se tivesse problemas, ele aproveitaria. Foi o que aconteceu. Das cinco vezes em que houve problemas com um piloto da Mercedes, antes da Bélgica, Hamilton foi prejudicado por quatro (Austrália, Canadá, Alemanha e Hungria) enquanto que Rosberg teve problemas na Grã-Bretanha. E Hamilton, das quatro vezes, só foi melhor do que o alemão em Hungaroring.

Agora, as pessoas acham que "a amizade acabou" na equipa. Para mim, a amizade acabou faz muito tempo, se é que houve alguma amizade entre ambos. Já alguma vez viram os dois a conviverem fora da pista, sem ser em ações promocionais da marca? Viram alguma vez Lewis e Nico numa discoteca, à civil, com os seus compinchas? A namorada de Nico é alguma famosa? Não, nunca viram. Não que ambos sejam "irmãos de sangue" ou "inimigos declarados", mas que deveria haver alguma admiração e respeito, deveria. Mas o mundo da Formula 1 é egoista, e sempre te dizem que o teu primeiro (e se calhar o maior) adversário é o teu companheiro de equipa. É por isso que muitas das vezes, as equipas escolhem um companheiro mais fraco, para que todos se concentram as suas ambições no piloto principal, sem obstáculos internos. O outro que recolha os pontos para o campeonato de construtores, ou que preencha os requisitos mínimos para que a equipa possa correr na Formula 1.

Como é que isto vai acabar? Francamente, não estou a ver nada semelhante a Suzuka, em 1989. Mas não posso descartar completamente essa ideia, especialmente quando teremos uma corrida em que os pontos são a dobrar, em Abu Dhabi. E a cúpula da Mercedes chegar ao pé dos pilotos e dizer que a partir de agora irá haver ordens de equipa, também é perigoso, pelo menos numa altura tão prematura do campeonato. Tomar por um dos lados é uma decisão dificilima, ainda por cima com dois pilotos capazes de vencer o título mundial. Se disserem que é Rosberg que vai ganhar, Hamilton poderá queixar-se na imprensa inglesa de que é um coitadinho, que é uma injustiça, e que coloca tudo a arder e tornará o ar na Mercedes ainda mais irrespirável, procurando uma saída para outra equipa, como por exemplo, a McLaren, que em 2015 terá motores Honda. Se for o contrário, Rosberg poderá sentir que toda a sua dedicação à turma de Estugarda não serviu de nada, e que poderá ter de procurar por outras paragens. De facto, Toto Wolff e Niki Lauda têm um grande problema entre mãos, do qual tão cedo não será resolvido.

E quando à hipótese de Daniel Ricciardo vir de trás e roubar o título de pilotos à Mercedes, eu descartaria completamente essa hipótese se estivessmos na corrida numero 16 e sem os pontos a dobrar. Mas este ano temos os pontos a dobrar em Abu Dhabi e ainda estamos na 12ª corrida deste campeonato...

Rumor do dia: Caterham poderá apresentar um espanhol em Monza

Roberto Merhi ou Carlos Sainz Jr. poderão ser pilotos da Caterham em Monza. O rumor está a circular desde há dois dias desde que o jornal "AS" noticiou tal coisa. O certo é que Merhi esteve em spa-Francochamps este final de semana, como convidado VIP na motorhome da Caterham, e muito provavelmente houve contactos nesse sentido. 

"Eles me convidaram para visitar a fábrica e experimentar o simulador, o que foi ótimo", disse, em declarações à espanhola Movistar TV. "E então eles me convidaram para o circuito. Não há nada mais por agora. Sei que pode haver uma chance de um dia colaborar com eles, mas por agora não sabemos nada. Poderia acontecer um dia, mas nós não discutimos isso.", concluiu o piloto de Castellon.

Sobre Sainz Jr, sabe-se que desde alturas do GP britânico que ambas as partes têm estado em conversações, com a "bênção" da Red Bull, e esta já acordou em principio que lhe iria dar metade da verba establecida, com o filho de Carlos Sainz a tentar arranjar o resto do dinheiro de patrocinadores espanhois. Contudo, até agora não se sabe se ele já arranjou o necessário para estrear na Formula 1 ainda este ano, ou prefere esperar para 2015.

Curiosamente, Sainz Jr. e Merhi são os dois primeiros classificados do campeonato deste ano, com o primeiro a liderar com 157 pontos, mais 39 do que Merhi, que venceu duas das três últimas corridas da temporada.

Nascido a 22 de março de 1991, Merhi esteve na Formula 3 europeia entre 2009 e 2011, onde foi campeão, e correu na GP3 em 2010, onde conseguiu três pódios e o sexto lugar final, com 26 pontos. Em 2012 e 2013, esteve na DTM, ao serviço da Mercedes, onde conseguiu um pódio.

Já Calos Sainz Jr. nasceu a 1 de setembro de 1994 (vai fazer vinte anos na semana que vem) têm passagens pela Formula 3 britânica e europeia, em 2012, e pela GP3 em 2013, onde terminou na sexta posição. Este ano está na World Series by Renault, onde é o atual lider do campeonato, com cinco vitórias até ao momento.