terça-feira, 14 de julho de 2020

Formula E: Sam Bird será piloto da Jaguar

Sam Bird
será piloto da Jaguar na próxima época, terminando uma ligação com a Virgin que datava desde a primeira corrida da competição, em 2014. O britânico de 33 anos andará na equipa oficial britânica e correrá ao lado de Mitch Evans, depois de 69 corridas ao serviço da Virgin.

Na sua apresentação, agradeceu à Virgin pela oportunidade concedida e falou sobre o crescimento da equipa e da competição, e espera ajudar a Jaguar a ser uma equipa vencedora.

"Assisti ao crescimento e ao progresso da Jaguar na série e estou muito orgulhoso por representar uma marca britânica icónica com um DNA de corrida tão bem-sucedido e juntar-me a uma lista incrível de pilotos que correram pela marca. Estou faminto de sucesso e acredito que, juntamente com Mitch, podemos conseguir grandes coisas para a equipa e para nós mesmos. Quero agradecer à Envision Virgin Racing por tudo o que conquistamos juntos e desejo felicidades para o futuro. Depois de Berlim, mal posso esperar para testar o Jaguar I-Type e estar no melhor lugar possível para a sétima temporada e além.”, afirmou o piloto britânico.

James Barclay, diretor da equipa Jaguar, acrescentou sobre a sua nova contratação: “Desde o início da Fórmula E, Sam demonstrou que é um dos melhores pilotos do campeonato e acreditamos que juntos formaremos uma ótima parceria. Com Mitch e Sam, acreditamos que temos, sem dúvida, uma das mais fortes duplas de pilotos do grid. Com uma competição extremamente renhida, fica claro que, para ter sucesso na Fórmula E, é preciso de dois pilotos que possam competir por pódios em todas as corridas.

Agora, temos dois vencedores de provas comprovados que são capazes de nos permitir lutar por títulos nos campeonatos de equipas e pilotos na próxima temporada.”, concluiu.

Bird venceu em todas as temporadas em que participou, um recorde. Para além das suas nove vitórias, tem cinco pole-positions e cinco voltas mais rápidas, sendo que o seu melhor resultado foi um terceiro lugar no campeonato de 2017-18, onde triunfou em Hong Kong e Roma.

Jugetes

Todos concordarão quando direi que o GP da Styria foi veloz e aborrecido. Veloz porque demorou menos de hora e meia, aborrecido porque se tornou previsível, apesar da luta nos lugares intermédios. Mas neste ano excepcional, a grande questão é saber que tipo de calendário iremos ter. É que neste momento, só conhecemos dez corridas, mas sabemos que pelo menos mais oito irão acontecer. 

A grande questão é saber como será o calendário em outubro, e pelas minhas bandas todos andam agitados para saber quando é que entra Portimão no calendário. Sim, leram bem: iremos receber a Formula 1, algures em outubro, mas não se sabe quando. Porque já não depende de nós, depende de outros.

Como é sabido, o calendário termina (por agora) em Sochi, no último fim de semana de setembro. Mas como conta a Julianne Cerasoli, no seu blog, o grande problema é a Ásia. A Liberty Media quer ir à China e ao Vietname, mas quer fazê-lo numa altura em que as coisas podem estar mais controladas em termos de casos. Pode-se pensar que a vontade da China não querer realizar qualquer grande evento deste ano poderia ser um obstáculo, mas na realidade, um GP de Formula 1 poderá ser um dos eventos que podem ser considerados como excepção, logo, poderá passar entre as gotas da chuva. E o Vietname a mesma coisa, porque o governo e a organização do GP, em Hanoi, já disse que a corrida seria sem público.

Então porquê a indecisão em termos de calendário em relação ao circuito algarvio? Paradoxalmente, a sua localização é a razão. Se não puderem viajar para aquele lugar na Ásia, Hockenheim e Imola seriam os substitutos, para "encher chouriços", como costumo dizer. E por causa das suas localizações, eles têm de ser corridos no inicio de outubro, logo, Portimão pode ser feito independentemente do dia desse mês. Muito se fala no dia 4, mas pode acontecer a 11, 18 ou 25, sem problemas. Aliàs, o seu ditetor, Paulo Pinheiro, já disse recentemente numa entrevista à Eleven Sports que "quanto mais tarde, melhor". Não tanto para se preparar em termos de colocar uma nova capa de asfalto - isso se faz numa semana e custa cerca de um milhão de euros - e nem tanto para que possa "descansar" e consolidar no chão. A ideia é aproveitar o bom tempo na região, que estará ameno por essa altura do ano.

Ou seja, o que se depreende nas entrelinhas é que Portimão está lá, e sempre esteve. O grande problema era "onde colocar", e esse foi o grande problema, por causa dos eventos nas Américas - fora de controle, e tudo fora de questão - e também saber como a Ásia reagirá com esta gente, que é verdade, está numa bolha e não tem tudo casos, mas hoje surgiu a noticia de que Valtteri Bottas foi ao Mónaco, violando o dever de confinamento. Tudo isto numa altura em que as autoridades húngaras apertaram os controlos em relação à circulação, ameaçando com multas e prisão quem as violar.

Em suma, Portimão é um jugete. Mas por agora, o problema não é dele, são os outros. Contudo, para oa afficionados da Formula 1, e do seu regresso a estas paragens, não vão acreditar quando os ver correr. 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

A perda do amor

A Ferrari está em crise, isso é um facto. E os eventos de ontem, no GP da Styria, onde Charles Leclerc tentou passar Sebastian Vettel, acabando ambos... fora da corrida, na terceira curva da primeira volta, pouco mais de quilometro e meio depois do começo da prova, foi a gota de água nos lados de Itália. Nos jornais de hoje, as baterias estavam todas apontadas para o piloto monegasco, visto como um "menino querido" por acharem que ele vai ser um futuro campeão do mundo, por ter eliminado o seu companheiro de equipa, em contraste com o pódio alcançado na primeira prova.

Se boa parte das criticas tem a ver com as atitudes de Leclerc, há quem também aponte para o SF1000, que muito provavelmente nasceu muito mal e poderá não ser um chassis tão vencedor como os da Red Bull, e sobretudo, o da Mercedes.

Toque entre Leclerc e Vettel e ambos fora. Os fãs nas redes sociais dizem para cavar um buraco e se esconder dentro. Não diga que a Ferrari pode se recuperar desta com um carro nascido de um projeto equivocado, um motor fatigado com ajuda de um milagroso monegasco que os levou ao pódio uma semana atrás. Agora é pior que o esperado”, publicou o jornal La Reppublica, na sua edição de hoje.

Já o Gazzetta dello Sport foi mais caustico, já condenando o SF1000 ao fracasso, apesar do segundo lugar arrancado pelo monegasco na corrida anterior. 

Há necessidade de uma reação. Os resultados não correspondem a uma equipa com o nome da Ferrari. Não é a nossa opinião, ou pelo menos não é a única, mas é a consciência de Mattia Binotto. A SF1000 não tem futuro. A Lei de Murphy vai se chamar Lei de Ferrari. Se existe a chance de algo dar errado, vai dar. Ontem tivemos uma nova versão dos eventos do Brasil”, estampou o diário desportivo com sede em Turim.

Para Il Giornale, foi mais forte, chamando Leclerc de "terrorista suicida" devido ao seu gesto na primeira volta, mas eles também foram criticos em relação ao carro deste ano.

"A idiotice do predestinado, que foi de herói a burro em uma semana, é a ponta do iceberg que rapidamente chega ao fundo. Seu desejo de se destacar lhe enganou. O predestinado, disfarçado de terrorista suicida, arruinou tudo. De vez em quando, esquecemos que ele tem 22 anos e apenas 43 corridas. O acidente não deve esconder o problema real da Ferrari, que não é dos pilotos. O problema é o carro que não é capaz de classificar melhor que décimo”, comentou o periódico.

O SF1000 não é um carro tão mau como por exemplo, o F92, o chassis de 1992 com fundo duplo e que foi um fracasso total, sendo um dos piores da história da Ferrari. Mas as expectativas eram altas, e os avisos nos testes da pré-temporada disseram que eles não iriam ser a ameaça que gostariam de ser. E com uma temporada atípica, é verdade, é muito provável que este arrisca a ser a pior temporada desde 2014, onde não venceram qualquer corrida e apenas conseguiram dois pódios, sendo quarto classificado no campeonato de Construtores.

E claro, se esse é o risco, tudo está em jogo. E num ano que poderão ter três corridas em território italiano. 

domingo, 12 de julho de 2020

Formula 1 2020 - Ronda 2, Styria (Corrida)

Duas corridas no mesmo sítio, em fins de semana seguidos, é algo inédito em 70 anos de Formula 1. Mas como vivemos tempos anormais, tudo o que acontecer em termos de automobilismo, depois de três meses de paralisia, é uma vitória. E correr onde possam correr é o que interessa, e o que precisamos neste momento é de ver as coisas que gostamos. Mesmo sentindo a falta da espectadores, por exemplo.

Com Lewis Hamilton a fazer uma pole-position digna de um campeão, ele tinha tudo para ganhar e igualar-se a Valtteri Bottas em número de vitórias. E claro, corrigir os erros da semana passada, quando bateu em Alex Albon, sendo penalizado por isso. Em relação ao resto, ver se aquilo que fizeram na semana passada possa repetir neste dia de hoje. Ainda por cima, um um meio do pelotão muito, mas muito equilibrado.

Na partida, Hamilton parte bem, com Sainz a ficar de lado para tentar passar Verstappen, sem efeito. Mas mais atrás, catástrofe em Maranello: no gancho, Leclerc tentou uma manobra para passar Vettel e acabou partindo a sua asa traseira, e fazendo chamar o Safety Car logo no final da primeira volta. Ambos os carros foram às boxes, com o monegasco a trocar a asa traseira, e o alemão a ficar por lá definitivamente.

A corrida voltou ao normal na volta 3, com Bottas a tentar passar Sainz, enquanto Hamilton se afastava de Verstappen ao ritmo de um segundo por volta. Por volta da quinta passagem, o finlandês lá se livrou do espanhol da McLaren, mas ele já estava algo longe de Max. Pouco depois, Alex Albon também passou Sainz Jr, para ser quarto. E por essa altura, Leclerc também parava nas boxes. De vez. E parecia que a temporada da Scuderia estava a caminho de ser a de 1980...

A partir daqui, as coisas estavam estáveis para os da frente, com a ação a ir para os lugares intermédios, com Sainz a ter atrás de si os Renault, e Pierre Gasly na frente dos Racing Point, que fechavam os pontos. Contudo, apesar das pressões de Ricciardo, apenas conseguiu passar Ocon na volta 20, para ser sexto, e tentando perseguir Sainz Jr. Atrás, Norris passou Gasly para entrar de novo nos pontos.

Na volta 23, Hamilton exagerou no gancho, mas o melhor que teve foi que o holandês se aproximou um pouco e pouco mais. Logo a seguir, os pilotos da frente foram para as boxes, trocando de pneus, o primeiro a ser Max Verstappen, que trocou para médios. Logo a segur, era Esteban Ocon, mas os pneus cederam e teve de abandonar. Na volta 29, Hamilton troca para médios e cede o comando para Bottas, e este se manteve por mais algum tempo, até à volta 35, precisamente o meio da corrida, uma volta antes de Alex Albon fazer o mesmo. 

De novo, com a corrida "resolvida" nos lugares da frente, atrás havia luta pelos pontos. Sergio Perez conseguia estar no quinto posto, antes de trocr pneus na volta 39, bem em cima e bem competitivo, enquanto Lance Stroll lutava com os Alfa Romeos para subir na classificação,  enquanto Sainz Jr teve uma troca de pneus desastrosa e tentava recuperar o tempo perdido. Na volta 42, era oitavo, mas tinha sido passado pelo Racing Point de Sergio Perez. E na frente deles todos, sendo o melhor do resto, estava Daniel Ricciardo, no seu Renault.

Perez passou Stroll na volta 47 - sem "daddy orders" - e foi atrás de Ricciardo, que não estava longe. Duas voltas depois, o mexicano apanhou o australiano e foi atrás de Albon esperando conseguir melhor posição. A partir da volta 55, o mexicano tinha encostado na traseira do Red Bull, fazendo voltas mais rápidas atrás de voltas mais rápidas. Mas quando se chegou, o carro da Racing Point não conseguia passar o tailandês, enquanto o canadiano, seu companheiro de equipa, também não passava o australiano da Renault. Atrás, Norris passava Sainz Jr. e era oitavo.

Na frente, Bottas apanhava Max e na volta 66, o finlandês atacou-o. Mas o holandês reagiu e recuperou o seu lugar algumas curvas depois. Mas na volta seguinte, Bottas atacou melhor e ficou com o segundo posto. A duas voltas do fim, Verstappen vai às boxes para tirar a melhor volta, porque a diferença para Albon era de quase meio minuto.

Mas essas últimas duas voltas foram emocionantes... como costuma ser. Primeiro, Perez atacou Albon, mas a ultrapassagem correu mal e houve toque, danificando a asa dianteira. Atrás, Stroll atacava Ricciardo e lá conseguira passar, mas Lando Norris espreitava e espera pelo pior... da concorrência. Com o mexicano a atrasar-se, os três carros apanharam-o, e o britânico aproveitou para ser o quinto classificado... e ainda fez a volta mais rápida! Perez aguentou o sexto posto, ganhando a Stroll no "photo-finish", prejudicando Ricciardo, o oitavo.

Na frente, Hamilton comemorava tranquilo a vitória, numa dobradinha com Valtteri Bottas. Max Verstappen ficava com o lugar mais baixo do pódio, e parecia que naquelas paragens spielbergianas, nem a Red Bull aproveitou bem o factor casa, porque a Mercedes sai melhor em todos os critérios. Parece que vai ser mais um ano normal, com ou sem pandemia. 

E semana que vem, atravessa-se a fronteira para correr em Budapeste. 

sábado, 11 de julho de 2020

Formula 1 2020 - Ronda 2, Styria (Qualificação)

Por muito tempo, parecia que isto não iria acontecer. Sabia-se que tempo seria mau durante o final de semana, especialmente neste sábado, mas quando chegou a hora da qualificação, numa Red Bull Ring vazia, o que as pessoas viam mais eram os arco-iris do painel que existe na reta da meta, tanto do passar o tempo da melhor maneira possível, enquanto a carga de água se amainava. Parecia um pouco o que tinha acontecido em Austin, quase cinco anos antes, enquanto passava um furacão ao lado deles...

Depois do cancelamento do terceiro treino livre, devido à carga de água que caía na pista, chegado à hora do começo da qualificação, os minutos passavam e a carga de água não parava. Chovia e chovia. E ninguém saía para a pista. Todos começaram a falar na ideia de "se calhar... não seria má ideia fazermos a qualificação no domingo de manhã". E parecia que isso iria acontecer.

Mas depois de uma hora, não foi. Houve uma pequena abertura e todos aproveitaram, todos com pneus de chuva, no meio da tempestade, naquela pista muito molhada. Mas a Formula 1 é assim. Não são como os americanos, que com os primeiros pingos de chuva, recolhem os carros às boxes, mas já não estamos mais nos tempos em que se corriam, não interessa a quantidade de água que estava na pista.

Quando por fim foram correr, houve algumas coisas bem engraçadas em termos de andamento na chuva. A certa altura, George Russell - sim, ele - fez o melhor tempo na pista molhada, antes do resto do pelotão começar a melhorar os seus tempos, com a secagem do asfalto. E se Russel conseguia marcar um bom tempo, Romain Grosjean não o fazia. E sem tempo, não passou para a fase seguinte.

E a acompanhá-lo na "desgraça", o Williams de Nicholas Latiffi, os Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi e Kimi Raikkonen, e o Racing Point de Sergio Perez.

Depois das preparações para a Q2, os carros voltaram à pista com cuidado, pois a pista continuava molhada. Vettel foi um dos primeiros a marcar em tempo, mas foi Max Verstappen a fazer algo com, com 1.18,155, para depois melhorar para 1.17,938, depois de Lewis Hamilton ter marcado um tempo que o colocou no cimo da tabela de tempos.

Se Hamilton e Verstappen lutavam pela primeira linha, atrás, os Ferrari lutavam para entrar na Q3. E desta vez, Charles Leclerc estava a lutar para ser melhor, conra Sebastian Vettel, pois estavam atrás dos carros da McLaren e... dos Renault, especialmente o de Esteban Ocon, que se dava bem no molhado.  

Quando a bandeira de xadrez foi mostrada para o final desta parte da sessão de qualificação, os Ferrari ficaram divididos: Leclerc ficou de fora, Vettel dentro. Quem quase ia para a Q3 era... Russell, no seu Williams, ma ficou a meros 0,3 segundos dos Ferrari que não se deram bem à chuva. Para além de Leclerc e Russell, ficaram também o Alpha Tauri de Daniil Kvyat, o Haas de Kevin Magnussen e o Racing Point de Lance Stroll.

A parte final da qualificação foi uma batalha entre Max e Lewis. Red Bull contra Mercedes. O holandês partiu ao ataque, primeiro com um tempo de 1.21,574, para depois o britânico melhorar com 1.21,272. Mas à espreita estava Valtteri Bottas, que fez 1.21,036, e ficou no primeiro posto provisório. Agora, a luta era a três, mas havia outros que espreitavam.

E os últimos minutos foram memoráveis. Primeiro, Hamilton reagiu a Bottas e fez 1.20,649, mas depois Verstappen conseguiu 1.20,489, e o inglês arrancou 1.19,702, e tudo isto antes da última chance. E aí... Hamilton fez uma volta de sonho enquanto Verstappen despistou-se!  

No final, o 1.19,273 da pole foi uma atuação daqueles de estofo de campeão. Nas adversidades, mesmo com um grande material, não se acomodou. A sua volta foi perfeita? Se não foi, andou la´perto. Agora, elevou a sua marca de pole-positions para 89 e todos concordam que vai ser o primeiro a bater a centena. Vai ficar com todas as marcas, vai querer ser absoluto, e vai no bom caminho. E agora, com o ser politico a despertar, ainda arrisca a ser mais gigante do que é.

Aliás, logo depois do tempo que fez, os bem-humorados disseram que ele praticou "distanciamento social" na grelha de partida... atrás dele, ficou Verstappen, e Bottas foi superado pelo McLaren de Carlos Sainz Jr, com 1.20,671. Esteban Ocon foi o quinto, atrás do finlandês, seguido por Lando Norris, mas com a penalização de três lugares, ele acabará por largar de nono.

Contudo, amanhã não deve chover. Provavelmente, dominará de ponta a ponta. Mas nestas coisas, nunca se conta com o ovo no rabo da galinha, mesmo na Áustria.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Noticias: Pode não haver qualificação no GP da Styria

O mau tempo que está previsto para este sábado na zona de Spielberg poderá ser tão forte que a organização pensa seriamente em não a realizar, substituindo por uma das sessões realizadas nesta sexta-feira, nomeadamente a segunda sessão. 

Segundo afirma Andreas Seidl, da McLaren, ele recebeu indicações nesse sentido por parte da organização.  

Recolhemos informações do diretor da prova, o que nos dá uma espécie de aviso de que existe o forte risco de não haver sessão de qualificação amanhã devido a trovoadas ou chuva forte. Se isso acontecer haverá uma sessão de qualificação no domingo de manhã ou na pior das hipóteses, se isso não for possível, o segundo treino livre passa a contar como qualificação. Portanto, temos que lidar com isso hoje”, disse.

Caso isto se confirme, na segunda sessão dos treinos livres, seria Max Verstappen , da Red Bull, a levar a melhor, tendo o Mercedes de Valtteri Bottas a seu lado, com os carros da Racing Point na segunda fila, e Lewis Hamilton apenas a ser sexto. Sebastian Vettel conseguiu apenas o 16º melhor tempo, oito lugares mais abaixo de Charles Leclerc e Daniel Ricciardo sem marcar tempo, devido a uma batida no inicio da sessão. 

Noticias: Formula 1 confirma Mugello e Sochi

A Formula 1 anunciou esta manhã a realização de mais dois Grandes Prémios, o de Mugello e o de Sochi previstos, respectivamente, para os dias 13 e 27 de setembro. Essencialmente, estas duas corridas servem para fechar o mês, aumentando para dez as provas previstas para esta temporada.
 
A corrida toscana será a prova numero 1000 para a Ferrari, que comemorará em casa, e também serve como palco de estreia da Formula 1 neste circuito. Já Sochi, vai ser a prova que terá público nas bancadas, uma das exigências da organização para receber a competição.

Quanto ao resto da temporada, há algumas novidades. Portimão poderá ser a prova a seguir, ou a 4 ou 11 de outubro, porque são as datas que o proprietário do Autódromo do Algarve, Paulo Pinheiro, deseja ter para poder realizar a prova, enquanto todas as provas que estavam previstas nas Americas, desde o Canadá até ao Brasil, passando por Austin e Cidade do México, não se realizarão.

Uma novidade que poderá ser inesperada poderá ser a não realização do GP da China, em Xangai, porque as autoridades locais não pretendem receber grandes eventos durante este ano, devido à pandemia. Apesar de as coisas estarem bem controladas localmente, e as autoridades de saúde combaterem de forma draconiana os novos casos, acham que adiar as coisas para a próxima temporada e evitar contágios devido a casos importados seria boa politica. Em contraste, o GP do Vietname poderia acontecer, porque as autoridades locais já disseram que poderia acontecer sem público.

Assim sendo, os circuitos de Hockenheim e Imola estariam de prevenção para qualquer eventual cancelamento.

Quanto ao final da temporada, tudo indica que poderá ser duas provas no Bahrein e a de Abu Dhabi, na segunda semana de dezembro.   

quinta-feira, 9 de julho de 2020

O primeiro regressado

Antes de Niki Lauda, antes de Michael Schumacher, antes de qualquer outro piloto, campeão ou não, que voltou à Formula 1 para uma segunda vida, este piloto que vou falar teve uma carreira longa e sólida, que tragicamente foi interrompida de maneira brusca. Foi um "all rounder" que se deu bem nos dois lados do Atlântico, tinha fortuna, ganhou fama e alguma tragédia, antes de ele mesmo se incinerar no altar dos sacrificados pela febre da velocidade. 

A história de Peter Revson mistura fortuna, um pouco de elitismo, a busca do seu próprio caminho e a consagração antes do seu trágico final. E de uma certa maneira, foi o primeiro regressado à Formula 1, e a sua segunda passagem foi muito mais próspera que a primeira. De origem judaica, nasceu a 27 de fevereiro de 1939, em Nova Iorque, era o filho dos fundadores da Revlon, uma das maiores marcas de cosméticos a nível mundial. Ainda iria ter um irmão mais novo, Douglas, e duas irmãs, Jennifer e Julie Ann. O pai de Peter, Martin, iria viver mais 42 anos que seu filho, morrendo em 2016, aos 106 anos.

Peter, como seria de esperar, nascera em berço de ouro e viveu a vida sem problemas. Foi por isso que criou um "espírito livre" que quis viver a vida que sempre quis. Estudou engenharia em Cornell, mas não acabou o curso. Mas foi ali que conheceu algumas das personagens que iriam mudar a sua vida, como Teddy Mayer e o seu irmão Timmy, bem como Tyler Alexander.

Em 1962, abraçou o automobilismo, e com isso, perdeu a mesada dos pais, que como seria de esperar, reprovaram o seu estilo de vida. Revson não se importou e com 12 mil dólares que tinha juntado, foi para a Europa, arranjou um chassis Cooper e uma carrinha, e foi competir em tudo que era corrida. E foi assim que em 1964 chegou à Formula 1, graças a Reg Parnell. Até lá, dormia muitas vezes na carrinha e recolhia dinheiro dos "prize money" para sobreviver. E claro, pelo caminho conheceu pessoal das corridas, como Denny Hulme e Jochen Rindt, dois futuros campeões do mundo.

Mas a sua temporada na Formula 1, a bordo de um Lotus 25, nunca foi fácil. O melhor que conseguiu foi um 13º posto no GP de Itália. No final do ano, voltou a América, onde estavam prestes a aparecer duas competições bem interessantes, a Trans-Am e a Can-Am. E os seus amigos de Cornell estavam a ajudar a construir uma equipa à volta de um neozelandês interessante chamado Bruce McLaren.

Com o tempo, ganhou experiência, e no final da década começou a dar nas vistas. Em 1969, num Brabham-Repco construído para o efeito, chegou em quinto nas 500 Milhas de Indianápolis, e na Endurance, a bordo de um Porsche 908, chegou em segundo lugar nas 12 Horas de Sebring de 1970, ao lado de... imaginem só, Steve McQueen, que na altura preparava-se para o filme "Le Mans".

Quando Bruce McLaren morreu, a 2 de junho desse ano, Revson foi a escolha natural para a Can-Am. Triunfou e foi campeão em 1971, e nesse mesmo ano, fez a pole-position nas 500 Milhas de Indianápolis com o seu McLaren, e na corrida foi consistente, acabando no segundo lugar. 

E ali começava uma era dourada para a sua carreira. E quando voltou à Formula 1, no terceiro carro da Tyrrell, no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, ninguém sabia que o seu regresso, sete anos depois da sua última corrida, iriam encontrar um piloto bem maduro e bem mais consistente, com uma máquina vencedora.

Em 1972, torna-se piloto a tempo inteiro na equipa de Formula 1. Mas como mantinha os compromissos quer com a USAC, quer com a Can-Am, em três corridas foi substituído pelo britânico Brian Henton, um "super-sub" nesses anos 70. Mesmo assim, ele teve quatro pódios e uma pole-position no GP do Canadá, em Mosport, onde conseguiu o seu melhor resultado do ano, um segundo lugar, atrás de Jackie Stewart, o vencedor.

No ano a seguir, a McLaren estreava o seu novo modelo, o M23, e Revson aproveitou bem as capacidades do carro desenhado por Gordon Coppuck. Tinha conseguido um segundo lugar em Kyalami, ainda com o M19, mas com ele conseguiu a sua primeira vitória em Silverstone, depois da carambola da primeira volta, onde onze carros foram eliminados. E foi uma luta à distância com Ronnie Peterson e o seu companheiro de equipa, Denny Hulme.

E se pensavam que aquilo tinha sido sorte, no Canadá, aproveitou bem as condições do tempo para triunfar uma segunda vez. Mas até acontecer, esperou duas horas ao frio por causa da confusão causada pelo "pace car" guiado por Eppie Witzes, que cortou o carro que não devia e obrigou os comissários a fazerem cálculos manuais para saber quem ganhou. É que no final dessa corrida, todos estavam convencidos que tinha sido Emerson Fittipaldi.

No final da temporada, Revson igualou o quinto posto na geral, conseguido no ano anterior. Ao todo, tinha conseguido duas vitórias, oito pódios, uma pole-position e 61 pontos. Nada mau para um regressado que oito anos antes, tinha entrado e saído pela porta pequena. A maturidade tinha dado efeito. E ele gozava a vida: tinha casamento marcado com uma Miss Mundo, Majorie Wallace, que tinha conhecido em Indianápolis.

Mas apesar das amizades com Mayer e McLaren, ele não ficou. Teddy Mayer queria Emerson Fittipaldi e relegá-lo para o lugar de terceiro piloto era algo do qual ele não aceitava. Assim sendo, foi para a Shadow, onde nas duas primeiras corridas do ano, na Argentina e no Brasil, conseguira boas prestações na qualificação, mas não terminou qualquer corrida.

E pouco antes do GP da África do Sul, a 22 de março de 1974, menos de um mês depois de ter feito 35 anos, perdeu o controlo do seu Shadow e o carro entrou por baixo das barreiras de proteção na curva Crowthorne. A sua suspensão de titânio, um material duro, mas maleável sob stresse, quebrara-se e ele perdeu o controlo do carro. Teve morte imediata. Sem comissários de pista por perto, tiveram de ser outros pilotos como Graham Hill e Dennis Hulme a ajudar a apagar o fogo. Fala-se que foi essa visão que levou o neozelandês, campeão de 1967 e seu amigo, que o levou a pendurar o capacete no final dessa temporada.

No final, Revson teve uma segunda chance na vida, e aproveitou para corrigir a injustiça de não ter tido sucesso na Formula 1. Apesar do pouco tempo que teve, foi o suficiente para ajustar contas e ter o seu lugar na história. Foi um vencedor.   

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Youtube Racing Video: O que aconteceu a Ricardo Rosset?

O Josh Revell está de volta com mais um dos seus videos, e o assunto de hoje parece ser Ricardo Rosset, o brasileiro que andou "naquela" Lola, para além da Tyrrell, lá pelo ano de 1998. É um video bem humorado, bem looongo - tem 22 minutos, pessoal! - e acho que poderá ser explicativo porque, por exemplo, os mecânicos decidiram fazer um jogo de palavras com ele, entre muitos outros.

Enfim, vejam o video, e tenham fair-play, não é?

Youtube Racing Video: O resumo do GP de Indianápolis

O fim de semana que passou foi palco da primeira corrida em paragens de Indianápolis. E numa corrida dupla - a NASCAR também correu por ali no mesmo dia, umas horas mais tarde - o grande vencedor foi Scott Dixon, que conseguiu ali a sua segunda vitória consecutiva num campeonato atipico.

Então, podem ver o resumo alargado do que foi essa prova através deste resumo alargado que coloco agora por aqui, para quem não viu. Ou deseja rever.  

Neste final de semana, teremos jornada dupla em Road America. E com público, aparentemente.

A imagem do dia

A noticia que muitos esperavam, comentavam, e até desejavam, aconteceu. O que Fernando Alonso vai fazer não é nada de novo. A pequena lista de campeões que o fizeram é ilustre: Niki Lauda, Mário Andretti, Alan Jones, Nigel Mansell até Michael Schumacher. A partir de 2021, veremos o piloto das Astúrias na equipas que o fez crescer e ser campeão, ao lado de gente como Flávio Briatore e Pat Symmonds.

Esta vaga de esperança e desejo já vi noutro lado. Há quase onze anos, vi essa mesma história quando se começou a falar do regresso de Michael Schumacher à Formula 1. Primeiro, quando Felipe Massa teve o seu acidente na Hungria, e depois, quando foi confirmado pela Mercedes que correrá na sua nova incarnação em 2010, ao lado do jovem compatriota Nico Rosberg. Lembro perfeitamente de ler artigos dizendo que as suas ambições para o oitavo título eram legitimas, não para 2010, mas mais tarde, quando se adaptasse aos novos carros.

Também li artigos dizendo - literalmente, cavando a sepultura! - a Nico Rosberg, tentando profetizar o seu precoce final de carreira, ele que naquela altura tinha vindo da Williams, tinha alguns pódios e pouco mais. O final da história é conhecido: batalhou honestamente contra um pelotão bem mais novo do que ele, mas foi sempre pior que o filho de Keke Rosberg. Aliás, foi "comido de cebolada" pelo Nico, venceu a primeira corrida de regresso da marca alemã, em 2012, na China, e o máximo que Schumacher conseguiu foi um pódio em Valencia. No final dessa temporada, os alemães dispensaram os seus serviços em troca de Lewis Hamilton.

Todos, mentalmente, desejam a repetição da história de Niki Lauda. A realidade dos números é que, dos regressados, o único que venceu depois dos 40 foi Nigel Mansell, em Adelaide, 1994, com 42 anos de idade, a bordo do seu Williams. E quase todos os regressados sairam pela porta dos fundos. Lauda teve um ano de 1985 frustrante, apenas com uma vitória em Zandvoort, e saiu com o sentido de dever cumprido. Mário Andretti voltou em 1982 para fazer um favor a Enzo Ferrari, depois do acidente de Didier Pironi; Nigel Mansell foi para a McLaren no inicio de 1995 obrigado pela Mercedes e acabou a falar mal do carro e a sair pela porta do cavalo. E nem falo de Alan Jones, que conseguiu quatro pontos em 1986, no seu Lola-Haas, pouco para aquilo que se calhar desejavam.

Não nego o talento de Alonso. Afinal de contas venceu as 24 Horas de Le Mans por duas vezes e quer ser o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, especialmente depois do embaraço de 2019, mas voltar pela terceira vez ao mesmo lugar, com uma primeira parte muito boa e uma segunda parte a preencher espaços - alguém se lembra como foi a sua temporada de 2009? - e agora, pela terceira vez, com quase 39 anos, que acrescentará? E ele poderá ter todas as chances de ser constantemente batido pela nova geração, especialmente um Esteban Ocon que quer mostrar que é um excelente piloto, que tem material para ser campeão do mundo, ser primeiro piloto e mostrar-se melhor do que alguém quinze anos mais velho do que ele. 

E outra coisa: Cyril Abiteboul tolerará o dia em que Alonso gritar algo "motor de 4L" quando este explodir na sua traseira ou perder uma volta para... não sei, um Racing Point? Olhem que não sei.

Em suma: tudo isto não passa de uma jogada muito arriscada. Que tem tudo para dar errado.     

Noticias: Fernando Alonso correrá na Renault em 2021


A Renault confirmou esta manhã que Fernando Alonso regressará à Formula 1 na temporada de 2021. O piloto asturiano, que fará 39 anos no final deste mês, faz o seu retorno depois de duas temporadas de ausência, preenchidos com passagens pelas 24 Horas de Le Mans, o Rali Dakar e as 500 Milhas de Indianápolis, do qual fará um regresso neste mês de agosto. 

No comunicado oficial, o piloto espanhol refere o regresso como se fosse o retorno a um lugar onde foi muito feliz.

A Renault é a minha família, as minhas melhores lembranças na Fórmula 1 com meus dois títulos no Campeonato do Mundo, mas agora olho para o futuro. É com grande orgulho e, com uma imensa emoção, que regresso à equipa que me deu a hipótese no início da minha carreira e que agora me dá a oportunidade de voltar ao mais alto nível. Tenho ambições alinhadas com o projeto da equipa. O seu progresso neste inverno dá credibilidade aos objetivos da temporada de 2022 e vou partilhar toda a minha experiência com todos, desde engenheiros até mecânicos e meus companheiros de equipa. A equipa quer e tem os meios para voltar ao pódio, assim como eu.”, declarou.

Por outro lado, Cyril Abiteboul afirma que a chegada de Alonso é um passo para guiar as ambições da marca do losango até ao topo.

A contratação de Fernando Alonso faz parte do plano do Grupo Renault em continuar o seu compromisso com a Formula 1 e voltar ao topo. A sua presença na nossa equipa é um ativo formidável a nível desportivo, mas também para a marca à qual ele está muito ligado. A força do vínculo entre ele, a equipa e os fãs, faz dele uma escolha natural. Além dos sucessos do passado, é uma escolha mútua ousada e um projeto para o futuro. A sua experiência e determinação permitirão levar a equipa à excelência exigida na Fórmula 1. Ele também trará à nossa equipa, que cresceu muito rápidamente, uma cultura de vitória para superar os obstáculos. Ao lado de Esteban Ocon, a sua missão será ajudar a Renault DP World F1 Team a preparar-se para a temporada 2022 nas melhores condições possíveis.

O regresso era falado desde há alguns meses, e intensificou-se no fim de semana passado quando a Cadena SER disse que haveria um anuncio nesta semana a seu respeito, afirmando até que poderia entrar já em 2020, no lugar de Daniel Ricciardo. Apesar dos desmentidos do piloto, a informação própriamente dita nunca foi totalmente desmentida, especialmente depois de no domingo à noite, Cyril Abiteboul ter dito aos mecânicos que iriam voltar a trabalhar com um ex-piloto. Ele falava especialmente aos mais antigos, com cerca de doze anos de "casa".

A BBC falou ontem numa das suas noticias que a razão pelo seu regresso poderá ter a ver com a mudança de regulamentos, que agora acontecerá em 2022, depois do adiamento por um ano devido à pandemia do coronavirus. Refere também que em 2021, o piloto espanhol poderá ter dificuldade em recuperar o ritmo, devido não só ao carro atual, como também o facto de ter estado dois anos fora do pelotão, contra a nova geração de pilotos que terá de lidar.

terça-feira, 7 de julho de 2020

A imagem do dia

Lembro-me bem desse dia porque estava na casa da minha avó... e o velho aparelho a preto e branco não funcionou lá muito bem. Aliás, o meu verão de 1985 foi algo frustrante porque andei a ter umas férias grandes, e levando connosco a nossa televisão Grundig a cores, e no tempo do analógico, ficar sem sinal era mais frequente do que esta nova geração imaginava. E quando fiquei sem internet no domingo, o pior dia para acontecer, lembrei-me desse verão e de algumas das corridas que acabei por não ver. E o GP de França de 1985 foi o que não vi porque nesse dia, o aparelho de televisão a preto e branco dos meus avós - um Telefunken, para terem uma ideia - falhou-me porque a emissora da Lousã não trabalhou no momento exato.

E o que aconteceu enquanto me sentava na mesa com os graúdos, frustrado por não ver a corrida? Ora, a caravana da Formula 1 estava em Paul Ricard para um caloroso GP de França, onde pilotos e máquinas assavam no asfalto do sul, perto de Marselha, com o Mediterrâneo no horizonte. E ali, era uma corrida de resistência, naquele calor de julho.

E foi o que aconteceu. Nelson Piquet passou para o comando na volta onze, depois de seguir o poleman Keke Rosberg, provavelmente ainda a celebrar o nascimento do seu filho Nico, e dali não mais saiu até à meta. Os pneus Pirelli, num ano onde parecia que os Goodyear iriam dominar, iriam ter o seu dia, enquanto o resto lutava para ter aderência naquele tipo de asfalto. Isto, enquanto não se retiravam com turbos quebrados, motores a deitarem fumo e caixas de velocidades a não funcionar... Ayrton Senna, por exemplo, retirou-se na volta 27 quando a sua caixa quebrou e o óleo escorregou para os pneus traseiros, levando-o a despistar-se com aparato.

Rosberg trocou de pneus a meio da corrida e cavalgou até ao topo, chegando a passar Prost para ser segundo na corrida, mas isso só o fez na última volta, insuficiente para apanhar Piquet, que mesmo assim ficou a 6,6 segundos. Em jeito de consolação, ficou com a volta mais rápida, mas a ua performance no fim de semana mostrou que era veloz. Contudo, o prémio da persistência tinha de ser dado a Piquet, que levou tudo até ao fim, sem falhas. 

E ali, ficou na história. Era a primeira vitória de Piquet e da Brabham naquele ano, mas iria ser a última da equipa. E precisamente no mesmo país - mas não no mesmo circuito - que 21 anos antes, o americano Dan Gurney dava a primeira vitória a "Black Jack". No final, o brasileiro apontava ao chapéu negro, para dar crédito a quem devia a vitória aquela tarde calorosa de julho. 

Noticias: Kubica nos treinos livres do GP de Styria

O polaco Robert Kubica terá a sua chance de guiar de novo um carro de Formula 1 nesta sexta-feira, nos treinos livres do GP da Styria, no lugar do italiano Antonio Giovinazzi. Depois de um ano na Williams, Kubica, que divide estas tarefas com a competição na DTM, faz a sua primeira presença ao serviço da Alfa Romeo Sauber.

"Estou ansioso para voltar à ação neste fim de semana, especialmente após o longo intervalo que o mundo do automobilismo teve que observar", começou por dizer o piloto de 35 anos. "Meu objetivo, como sempre, é fornecer o máximo de dados possível para nossos engenheiros e dar a eles meu feedback de dentro do cockpit.", continuou.

"Este fim de semana será uma experiência totalmente nova para todos, correndo no mesmo local em que estivemos há apenas alguns dias, por isso será uma questão de refinar todos os dados que colectamos ao longo do Grande Prémio da Áustria e testar o ajustes que queremos fazer nos carros", concluiu.

Para Frederic Vasseur, o diretor desportivo da Alfa, está curioso em saber como se comportará o piloto nesta sua primeira saída e nos dados que poderá recolher na sua experiência.

"Estou ansioso para ver Robert no carro na sexta-feira. Um piloto com sua experiência sempre apresenta um feedback valioso e poderá nos ajudar a continuar aprendendo sobre o nosso carro."

"Robert esteve com a equipe no fim de semana passado, é claro, e por isso está plenamente ciente de tudo o que foi discutido nas reuniões de engenharia e durante cada sessão: será uma chance para ele experimentar o carro sozinho e, armado com esse conhecimento, ajude-nos a progredir ainda mais."

Kubica não será o único piloto de testes que andará nos treinos livres desta sexta-feira. Jack Aitken andará no lugar de George Russell no Williams.

Youtube Formula 1 Videos: As comunicações do GP da Áustria

 
Começou o campeonato, e claro, começaram também as comunicações entre as boxes e os pilotos. E o pessoal da Formula 1 fez uma pequena seleção das mais interessantes. Bem mais interessantes.