sábado, 30 de abril de 2016

Ralis: Acidente em Santo Tirso fere seis

O rali de Santo Tirso, prova a contar para o campeonato de ralis norte (CRN), terminou mais cedo devido ao despiste de um dos participantes. Do acidente, que aconteceu na sexta e última classificativa, a de Assunção/Valinhas, resultaram em seis feridos ligeiros.

Segundo conta o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto, o acidente ocorreu pelas 14.50 desta tarde, em Monte Córdova, perto de Santo Tirso. Para o local foram chamados os Bombeiros Tirsenses e os de Vila das Aves, tendo transportado os feridos para o hospital de Vila Nova de Famalicão. O percurso foi neutralizado, mas o rali não foi cancelado.

No comunicado oficial, a autarquia esclarece que o acidente ocorreu "quando uma das viaturas que participava na prova se despistou, tendo ido embater contra o perímetro de segurança".

"Face à situação, os espetadores que se encontravam no local fugiram e entraram em pânico. Registaram algumas quedas que levaram a ferimentos ligeiros de seis espetadores, com pequenas escoriações. Registou-se, ainda, um ferido com suspeita de fratura do maxilar", refere.

Garantindo que "todas as condições de segurança foram estabelecidas para a realização da prova", a Câmara Municipal e o Clube Automóvel de Santo Tirso dizem que "os sete feridos foram de imediato assistidos no local, graças ao plano de segurança da prova, e conduzidos para o Centro Hospitalar do Médio Ave", sendo que "nenhum espetador ficou, aparentemente, com ferimentos graves".

Já não é a primeira vez que acontecem despistes em ralis do norte de Portugal. Em setembro de 2014, nos arredores de Guimarães, três pessoas morreram e outras duas ficaram feridas após o despiste de um carro (na foto) no Rali Sprint de Guimarães. 

Formula 1 2016: Ronda 4, Rússia (Qualificação)

A quarta ronda da temporada de 2016 traz a primeira das modificações do calendário deste ano. Sete meses depois da última vez, a Formula 1 está na cidade olimpica de Sochi, onde vai correr o GP da Rússia, o palco onde a Rússia "putinista" mostrou todo o seu esplendor ao mundo. E o mais interessante ainda, é que vai ser a quinta vez que vai correr no fim de semana do 1º de maio, o famoso dia dos Trabalhadores na "Mãe Rússia", e que nos tempos da União Soviética, era o segundo feriado mais importante do ano, e onde mostrava todo o seu poder militar na Praça Vermelha...

Aqui não há Praça Vermelha, mas a Formula 1 neste circuito, desde que anda por aqui, no outono de 2014, tem sido um verdadeiro desfile de carros, sem nada de interessante para contar. Pode ser que nesta terceira edição, haja algo diferente, mas num tilkódromo destes, pedir por mais milagres como no Bahrein é um pouco como abusar da sorte. Mas como a ilha do Golfo Pérsico se tornou mais interessante desde que se tornou numa prova noturna, pode ser que essa seja a esperança, ao colocar na primavera.

Mas Sochi já foi palco de algo interessante, quando se viu os Red Bull de Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat com os novos protetore para a cabeça. À parte as criticas de Lewis Hamilton - que parece sonhar em correr com o W196 de 1955... - muitos acharam que foi encontrado um vencedor, e provavelmente é algo do qual faz lembrar a história da caneta especial da NASA e o lápis que os russos usavam para escrever no espaço: por vezes, a melhor solução é a mais simples.

Dito isto, não havia muitas expectativas em relação à qualificação. Sebastian Vettel iria ser penalizado em cinco lugares por causa da troca na caixa de velocidades, depois de ter ficado parado numa das sessões de treinos livres de ontem, e no máximo dos máximos, irá largar do oitavo posto. A qualificação começou sem grandes incidentes até que... a organização avisou que iria investigar Lewis Hamilton por ter aparentemente feito a Curva 2 fora dos regulamentos. Resultado final? Hamilton iria ter uma conversinha com os comissários de pista...

Mas enquanto nada se decidia, acabava a Q1, com os Sauber, os Manor e os Renault fora da Q2. Marcus Ericsson iria ser o último de grelha, atrás dos carros de Pascal Wehrlein e Rio Haryanto. Mas o mais interessante é que Felipe Nasr era meio segundo mais veloz do que Marus Ericsson. Contudo, isso não impedia que a Sauber continuasse nas ruas da amargura.

Na Q2, houve alguns incidentes, como por exemplo, um espelho no carro de Daniel Ricciardo que ganhou vida própria e foi nadar para o Mar Negro... mas no final, foi um pouco mais do mesmo: os Haas de Romain Grosjean e Esteban Gutierrez, os McLaren de Fernando Alonso e Jenson Button, o Force India de Nico Hulkenberg e o Toro Rosso de Carlos Sainz ficaram pelo caminho. Isto queria dizer que o outro Toro Rosso de Max Verstappen, o outro Force India de Sergio Perez, para além dos Red Bull, Williams, Ferrari e Mercedes, iriam para a Q3. Algumas das expectativas, especialmente por parte dos McLaren, acabaram por não acontecer.

E nesta Q2, havia algo incrivel: a diferença entre Nico Rosberg e Sebastian Vettel, que tinha o terceiro melhor tempo, era de... 1,2 segundos! Não deveria ser aquela corrida em que os Ferrari iriam mostrar que estavam mesmo ao lado dos Flechas de Prata?

Mas pouco depois, Lewis Hamilton tinha problemas no seu carro e ficava de fora da Q3. Aparentemente, um problema no seu ERS fazia com que o carro ficasse parado e não alinhasse na fase final desta qualificação. Era a segunda qualificação com problemas para o inglês e parecia que o azar não fugia a ele neste seu inicio de temporada.

Parecia que seria mais uma pole-position para o filho de Keke Rosberg. E foi. Até teve o luxo de sair do carro a um minuto e meio do fim da qualificação, já que a sua concorrêmcia mais próxima estava eliminada. Restaria saber quem alinharia ao lado dele e acabou por ser... Valtteri Bottas. Na realidade, foi terceiro, atrás de Sebastian Vettel, mas como o alemão foi penalizado em cinco lugares - na realidade, sairá de sétimo - o grande beneficiado foi o finlandês da Williams. Com outro finlandês atrás de si, Kimi Raikkonen. Felipe Massa foi o quarto, na frente de Daniel Ricciardo e o Force India de Sergio Perez. Daniil Kvyat foi o oitavo "em casa".

Amanhã é dia de parada do 1º de maio... oops, corrida, e não se crê que ela seja emocionante. Mas nestas coisas nunca há certezas, pois afinal de contas, se não fossem as penalizações, esta qualificação teria sido ainda mais aborrecida, não é?

IndyCar: Ronda de Boston cancelada

A corrida de Boston da IndyCar Series, que deveria acontecer a 4 de setembro e que deveria ser a estreia da IndyCar naquele canto a nordeste dos Estados Unidos, foi cancelada esta noite. A noticia vem da imprensa local e a razão apontada tem a ver com divergências entre a entidade promotora e a câmara municipal da cidade.

Segundo conta a americana Racer, o promotor da corrida de Boston, John Casey, admitiu numa entrevista ao jornal Boston Globe que a relação com os representantes municipais deteriorou-se e que considerar correr noutro local. "A relação entre nós e a cidade não está a funcionar", comentou, afirmando que as propostas do conselho municipal são "crescentemente irrealistas", nomeadamente a obtenção de mais licenças devido à passagem dos carros por zonas classificadas, pois têm edifícios com mais de cem anos de idade.

Assim sendo, Casey decidiu que não iria mais correr no centro da cidade e sim, arranjar um local alternativo no noroeste americano, para não perder a vaga existente no calendário, já que a primeira semana de setembro é o "Labour Day", um importante feriado americano. 

"Esta corrida vai acontecer", afirmou Casey. "O calendário foi estabelecido antes de nós. Haverá sempre obstáculos, feitos pelo homem ou pela natureza. Com um grande evento como este numa grande cidade metropolitana como esta, já conhecemos todos os obstáculos, conquistamos todos esses obstáculos, e qualquer coisa que surja entre agora e o dia 2 de Setembro, iremos vencer porque temos o apoio do estado, da cidade e da maioria da população", concluiu.

A organização da IndyCar já manifestou o seu desapontamento pela decisão, e espera que a questão seja resolvida o mais atempadamente possivel. "Estamos obviamente desapontados com estas noticias vindas da imprensa e estamos no processo de recolha de dados adicionais. Iremos responder em conformidade no momento apropriado", disse o comunicado. "Nesta fase, a IndyCar acha prematuro fazer mais comentários sobre a situação de Boston ou a perspectiva de um evento alternativo", concluiu.

A corrida de 4 de setembro seria a penúltima ronda do campeonato deste ano. 

TCR: Peugeot escolheu os seus pilotos

Os franceses Gregory Guilvert e Jimmy Clariet são os pilotos escolhidos pela Peugeot para correr com o modelo 308 na ronda belga da Touring Car Racing, no próximo fim de semana, e será a estreia do carro na competição. Os automóveis, preparados pela Sebastien Loeb Racing, serão entregues a pilotos relativamente desconhecidos fora de França.

Guilvert, de 34 anos, é piloto de testes da Peugeot, tendo participado no desenvolvimento do CZ Racing Cup, no Pikes Peak, e mais recentemente no 308 Racing Cup. O francês tem no seu currículo também vitórias nos GT's e no Supertourisme francês. Por seu lado, Clairet, de 25 anos, foi o vice-campeão do troféu francês 208 Racing Cup na temporada de 2014. 

Para além do TCR International, a Peugeot Sport tem também planos para participar este ano no ETCC europeu e no VLN, o campeonato de Endurance alemão.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

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Depois de vermos o carro nas boxes, agora foi a vez de o ver na pista. Claro, os detractores começaram a gozar com o aspecto do carro, mas é o que temos quando as coisas acontecem. E quando vês que as justificações começam a roçar o ridículo, é porque já falamos de gostos, e gostos, como sabem... não se discutem.

Os tempos foram secundários nestes treinos livres (apesar de tudo, Daniel Ricciardo foi sexto, e Daniil Kvyat o oitavo) mas o carro até não ficou mal de todo. Contudo, sou da geração onde até aos eventos de Imola, o piloto só tinha o capacete a protegê-lo e nada mais. Nem HANS, e até os ombros ficavam relativamente destapados. Mas como já tinha dito ontem, no passado, os carros tiveram viseiras relativamente altas, e eram relativamente eficazes.

Mas o que já aprendi com o tempo é que quando as pessoas se queixam por tudo e por nada, o problema não é do assunto em si, mas das pessoas em si. E sobre isso, é melhor seguir em frente e fazer o que é correto.

Equipas e Formula 1 chegaram a acordo sobre os motores até 2020

As equipas de Formula 1 chegaram esta semana a acordo sobre o regulamento dos motores até ao final da década. Segundo conta a Autosport britânica, o novo acordo tem a ver com o custo, o ruído, a disponibilidade, desenvolvimento e a performance dos motores V6 Turbo de 1.6 litros. O anuncio foi feito esta tarde em Sochi, durante o fim de semana do GP da Rússia.

"A FIA tem o prazer de anunciar que, após um extenso trabalho feito em conjunto com os quatro fabricantes de unidades de energia envolvidas na Formula 1, e com o apoio do detentor dos direitos comerciais, chegou-se a um acordo global sobre as unidades de energia para o período de 2017-2020", disse a FIA, no seu comunicado oficial.

"O acordo foi aprovado por toda a estrutura da Formula 1, incluindo o Conselho Mundial de Automobilismo. Vai agora ser incluído nas regras técnicas e desportivas dos campeonatos de 2017 e 2018. O acordo global sobre as unidades de energia abrange quatro áreas-chave relacionadas com o preço de custo e da oferta, fornecimento, a convergência desempenho e o som das unidades de potência", concluiu.

Aparentemente, aquilo que as equipas e a FIA fizeram foi de reduzir para três o numero máximo de motores por ano, com algumas peças "standard" para todas as equipas, baterias e controlo eletrónico comuns, entre outros, para reduzir os custos de desenvolvimento. Os custos serão fixos para todas as equipas, ou seja, vão baixar bastante dos 15 milhões de dólares que a Mercedes pedia para ter as suas unidades de propulsão. E isso quer dizer que ideias como um propulsor independente, ao melhor estilo Cosworth, foi abandonado, e isso era uma ideia que Bernie Ecclestone queria adoptar.

Também vão mexer nos Turbos, que serão de uma certa forma, "nivelados por baixo" para que as performances entre as equipas fiquem mais próximas.  

quinta-feira, 28 de abril de 2016

CNR: Carlos Vieira vai ao Rali de Ferrol

O piloto Carlos Vieira vai alinhar na semana que vêm no Rali de Ferrol, no norte da Galiza, quarta prova do Campeonato de Espanha de Rali de Asfalto. O anuncio foi feito esta quarta-feira pelo próprio piloto na sua página do Facebook: "Agora é tempo de pensar em Ferrol, rali que não esperamos qualquer resultado de relevo mas que vai contribuir e muito para a minha adaptação aos Ralis", começou por dizer.

Ainda no post, Vieira falou também das suas dificuldades nesta adaptação aos ralis, no contexto de um início de ano complicado e de uma ainda curta carreira na competição. "Com muitos erros cometidos e ainda muitos por cometer, acredito que este é o caminho, e que dentro do devido tempo os erros vão diminuindo e os sucessos aumentando," afirmou.

Vieira tem feito algumas boas prestações a bordo do seu Citroen DS3 R5, mas os resultados não tem sido bons, pois não terminou nem o Rali Serras de Fafe, nem o de Castelo Branco. Pelo meio, esteve o Rali Sierra Morena, no campeonato espanhol de ralis de asfalto, onde também andou bem, antes de desistir.

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O novo "halo" apresentado pela Red Bull, esta quinta-feira, em Sochi. Parece ser mais prático que o apresentado pela Ferrari, e pelas fotos, Daniel Ricciardo não teve grandes dificuldades em sair do carro.

Não é uma novidade absoluta, pois nos anos 70, os carros tinham "para-brisas" relativamente grandes, e até havia uma espécie de pilar na frente dos carros, quase como que para permitir que o piloto escapasse relativamente bem do carro, em caso de capotamento. Basta ver os McLaren desse tempo, por exemplo.

Será prático? Deverá ser. E quanto às duvidas sobre se os pilotos não ficariam sufocados em caso de capotamento, é simples: basta regressar ao passado, onde os pilotos tinham linhas de oxigénio ligadas aos seus capacetes, que os permitissem respirar em caso de capotamento e fogo. Medidas essas que foram implementadas após os acidentes mortais de Jo Siffert, em 1971, e de Roger Williamson, dois anos depois.

Claro, haverá sempre detratores. Lewis Hamilton já chamou ao sistema da Red Bull de "escudo de choque" e prosseguiu: "Se eles vão fazer isso, então que fechem o cockpit de uma vez. Não façam as coisas pela metade. Ou faz direito, ou não faz. Essa tela é horrível, parece uma porcaria de escudo de choque. Aí teremos um carro de Formula 1 futurista, elegante, com um escudo de choque por cima".

Depois, mais calmo, justificou: "Quando eu entro no carro, eu sei que há um perigo. É um risco que quero assumir e é assim com todos os pilotos. Quando criança, você vê um carro de Formula 1 e pensa 'essa gente é louca, podem morrer a qualquer momento'. Todos, quando começam a ver Formula 1, vem dizer que é perigoso. É uma grande parte da razão pela qual pessoas gostarem [disto]", defendeu.

Portanto, a ideia de poder proteger os pilotos de objetos voadores é possível. Basta ser prática, e o resto é conversa. 

As corridas no 1º de maio

Pela primeira vez desde 1994, teremos uma corrida no 1º de maio. Parece que há certas datas que eram sagradas mas que o deixaram de ser, pelo menos, para esta geração. Mas vistas as coisas em termos de calendário, é apenas a sexta vez que tal acontece na Formula 1, e em quase todas estas ocasiões, aconteceu em Imola, palco do GP de San Marino.

Contudo, nos anos em que houve corridas nesta data, houve um pouco de tudo: aborrecimento, emoção, "humilhação", corridas no fio da navalha com resultados imprevisíveis. E curiosamente em duas delas, houve vitória brasileira. Conheça então as corridas que aconteceram nesse dia, uma delas não-oficial.


1 - Siracusa 1966


Esta corrida extra-campeonato aconteceu como aquecimento do GP do Mónaco, que iria acontecer dali a duas semanas, e que iria ser o arranque da temporada. Apenas 14 carros alinharam na corrida, com os Brabham e a Ferrari a inscreverem dois carros, com a Rob Walker Racing a colocar um Brabham e um Cooper para Jo Bonnier e Jo Siffert, respectivamente.

Jack Brabham e Dennis Hulme não conseguiram marcar tempos e alinharam no fundo da grelha. E a corrida não lhes correu tão bem, pois ambos desistiram devido a problemas de motor. Quem não teve problemas de espécie alguma foram os Ferrari de John Surtees e Lorenzo Bandini, que ficaram com as duas primeiras posições, e com David Hobbs a ser o terceiro no seu Lotus-BRM da Reg Parnell Racing, a uma volta dos carros vermelhos. 


2 - Espanha 1972


O Grande Prémio de Espanha desse ano era a primeira etapa europeia da temporada de 1972, depois da Formula 1 ter estado na Argentina e na África do Sul, com Jackie Stewart e Dennis Hulme a dividiram no numero de vitórias, mas com o neozelandês a liderar, graças à segunda posição conseguida na corrida argentina. Contudo, a procissão ainda ia no adro, pois outros pilotos eram candidatos à vitória, como o belga Jacky Ickx e o brasileiro Emerson Fittipaldi, que tinha sido segundo classificado em Kyalami.

Ickx foi o poleman, com Hulme em segundo, Fittipaldi em terceiro e Stewart em quarto. Na corrida de 90 voltas, Hulme (caixa de velocidades) e Stewart (acidente) tiveram problemas e desistiram, enquanto que Fittipaldi superou Stewart para vencer pela primeira vez na temporada, e conseguir ali a primeira das suas cinco vitórias, que lhe deram o seu primeiro título mundial. E foi aqui que José Carlos Pace conseguiu o seu primeiro ponto no Mundial, com um sexto posto, a bordo de um March. 

A corrida completa pode ser lida aqui


3 - San Marino 1983


A primeira de três corridas que aconteceram nesse dia em Imola foi marcada pela emoção. Quinta prova do Mundial daquele ano, era a primeira vez em que os Ferrari corriam ali após o desaparecimento de Gilles Villeneuve. Um ano (e uma semana) antes, Didier Pironi tirou a vitória ao canadiano numa manobra que ele próprio classificou como "traidora". Os acontecimentos dessa corrida levaram ao trágico desaparecimento do canadiano, duas semanas depois, nos treinos do GP da Bélgica, em Zolder.

Em 1983, no lugar de Villeneuve estava um dos seus melhores amigos, o francês Patrick Tambay. Este se qualificara na terceira posição, exatamente o lugar onde Villeneuve partira um ano antes. Os "tiffosi", no dia da corrida, pressionaram o francês para que honrasse o seu amigo, escrevendo no seu lugar no asfalto coisas como "corre per Gilles" ou "vince per Gilles". 

Na corrida, Riccardo Patrese liderou na maior parte da corrida, mas a seis voltas do fim, o italiano escorregou na curva Acquae Minerale, dando a liderança ao francês. O autódromo foi abaixo quando isso aconteceu, demonstrando que prefeririam um piloto na Ferrari do que um italiano na frente da corrida. Tambay chegou ao fim, conseguindo a sua segunda vitória na carreira, numa vitória emocional.

A corrida completa pode ser lida aqui.


4 - San Marino 1988


Em 1988, Imola era a primeira corrida em solo europeu depois da prova de abertura, no GP do Brasil, em Jacarépaguá. Na McLaren, Ayrton Senna queria mostrar que os problemas que tinha sofrido na corrida brasileira - ficou parado no arranque e depois foi desclassificado - não representavam aquilo que era. 

Senna conseguiu bater Prost na luta pela pole-position, mas ambos pareciam ser de outro mundo, pois tinham dado mais de três segundos à concorrência, espantando toda a gente acerca do McLaren MP4/4. A "humilhação" continuou na corrida, com ambos a darem uma volta à concorrência, com Senna a ganhar e a conseguir a sua primeira vitória ao serviço da McLaren. 

Nelson Piquet, no seu Lotus, ficou com o lugar mais baixo do pódio, na frente do Benetton de Thierry Boutsen. A corrida completa pode ser lida por aqui

O assalto chinês à Formula E

A Formula E vai apenas na sua segunda temporada, e apesar dos seus altos e baixos, parece atrair muita gente ligada à industria automóvel, especialmente da China. Apesar de ser o maior poluidor do mundo (ou se calhar por causa de ser o maior poluidor do mundo) está a apostar fortemente nas energias limpas, nomeadamente na eólica, na solar e na hidroelétrica. As suas várias marcas de automóveis estão a construir carros elétricos - ou a investir fortemente nessa área, em protótipos funcionais - e a Tesla já tem ali o seu segundo maior marcado para os seus carros. E parece que pode haver concorrência nesse campo.

Na Formula E já há uma equipa chinesa no meio, a NEXTEV, que tem Nelson Piquet Jr ao volante. Apesar dos seus resultados modestos, o pessoal por trás da NEXTEV sabe que é uma aposta de futuro e a firma que está por trás disto, a TCR, afirma ter cerca de mil milhões de euros só para investir na área. Não vai investir tudo no carro ou na equipa, mas quer construir carros de estrada, provavelmente numa parceria com alguma marca chinesa. Mas desde a semana passada, poderá haver outra marca chinesa na Formula E. Segundo conta o Joe Saward, a Aguri foi comprada por fundo de investimento chinês, a Chinese Media Capital (CMC), no sentido de investir na equipa. E é por isso que se justifica a chegada de Ma Qinghua à equipa na etapa de Paris, que vai ficar até ao final da temporada.

Os primeiros planos para os novos donos da Aguri são interessantes: comprar o sistema elétrico que o pessoal da e.dams tem nos seus carros - leia-se, a Renault - e instalar nos carros deles, para além de mudar o nome para Venucia, a marca elétrica criada pela Dongfeng. Que tem um acordo de parceria com... a Renault.

E com a possibilidade de ter uma corrida em Hong Kong no final deste ano, para acrescentar à jornada de abertura em Pequim, parece que os chineses pretendem dominar a Formula E, ou então, para aproveitar toda a tecnologia dos carros elétricos para fazer as suas próprias marcas e quebrar a ideia de que estes são para endinheirados. É certo que Elon Musk deseja concorrência, e que muita gente no mundo automóvel ainda está relutante sobre a eficácia do carro elétrico, mas parece que o Império do Meio não quer saber disso para nada e poderá fazer disto um meio de massa.

Contudo, pergunta-se porque a Formula E e não a Formula 1? Bom, há uma frase no post do Saward que explica tudo: "Os chineses têm muito dinheiro no momento e, portanto, é interessante perguntar por que eles estão comprando na Fórmula E quando eles podem ser capazes de adquirir equipas de Formula 1? Parece que a resposta a esta pergunta está no estado deste desporto neste momento. A tecnologia é obviamente interessante, mas a política e demografia [atual] não são"

Talvez os chineses poderão pensar na ideia depois da desaparição de certos obstáculos humanos...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Rumor do dia: Formula E em Moscovo pode ser cancelada

Já se falava no fim de semana passado, quando a Formula E estava a correr nas ruas de Paris, e as dificuldades tinham sido confirmadas pelo próprio Alejandro Agag, mas esta quarta-feira parece que a corrida da Formula E em Moscovo irá ser cancelada. Apesar do anuncio ainda não ser oficial, é quase oficiosa, segundo conta o site Motorsport

Aparentemente, a razão pelo cancelamento tem a ver com divergências entre os vários promotores dentro da cidade de Moscovo, e a organização da Formula E está a ver que com a dificuldade que eles têm para saber a quem falar, decidiram que o melhor será não realizar a prova. 

Caso o cancelamento aconteça, o calendário será reduzido para dez corridas (uma delas dupla), como também faltará apenas três rondas para acabar o campeonato: a corrida de Berlim e a ronda dupla de Londres, que vai acontecer entre os dias e 2 e 3 de julho.

O mal-entendido de Julien Ingrassia

Poucos dias depois do Rali da Argentina, parece que rebentou uma polémica dentro do mundo dos Ralis. Julien Ingrassia, navegador de Sebastien Ogier, decidiu "desancar" nos pilotos locais, defendendo que eles não deveriam participar, pois prejudicam o andamento dos pilotos de fábrica, como o de Ogier. 

É antidesportivo e não muito engraçado, que estejamos à espera de terminar em terceiro ou quarto nas segundas passagens por que alguns ‘potes de iogurte’ (no caso em particular, um Ford Ka) de duas rodas motrizes, que correm sob as regras nacionais, não criam as mesmas linhas que um WRC. Por isso, ao sermos o primeiro carro nas segundas passagens, temos de fazer novas linhas ao longo das etapas (como nas primeiras passagens)”, contou o piloto francês à cadeia belga RTBF.

Curiosamente, Ogier e Ingrassia começaram a correr (e ganhar o Junior WRC) em 2008 a bordo de um Citroen C2, que basicamente era o "pote de iogurte" do qual ele reclama tanto...

Contudo, poucas horas depois, Ingrassia escreveu na página de Facebook do grupo "Doidos por Rally" e esclareceu o que ele queria dizer na realidade, afirmando que respeita sempre os pedidos da organização de colocarem os pilotos locais nos seus ralis, e que apenas estava a comentar sobre a prioridade dada a esse tipo de carros em relação aos "carros largos e com quatro rodas motrizes como o Polo".

"Não tenho nada contra qualquer tipo de carros no WRC - e seria muito estupido se pensasse assim, pois não há muitos anos andava num "205 GTi" ou num "206 Cup", gastando as minhas energias e divertindo-me muito", comentou. 

"Foi uma situação totalmente fora do contexto numa entrevista - sim, chamei de 'pote de iogurte' a um Ford Ka, lamento se magoei alguém - mas foi apenas para construir uma imagem de comparação com um "Polo de quatro rodas motrizes". Se forem ler a entrevista completa, não tenho nada contra esses carros, apenas sou contra a sua ordem de largada!", concluiu.

Como podem ver, tudo não passou de um mal-entendido, e é sempre bom ver alguém que esteja disposto a esclarecer tudo, como o próprio navegador do piloto tricampeão do mundo de ralis... 

O piloto do dia - Peter "Possum" Bourne

Por estes dias, a Nova Zelândia comemora a primeira vitória de Hayden Paddon, piloto da Hyundai que conseguiu resistir aos ataques de Sebastien Ogier e subir ao lugar mais alto do pódio no Rali da Argentina. Contudo, muito antes de Paddon, a Nova Zelândia teve o seu herói nos ralis que foi um dos maiores na Oceania, e fiel à Subaru. Vencedor por várias vezes de campeonatos nacionais e regionais, era presença frequente no Mundial de Ralis, fazendo performances dignas de registo, sempre num Impreza. 

Pelo meio, sofreu um desgosto pessoal que fez repensar tudo, mas regressou aos ralis para poder sair condignamente. Mas o seu fim, numa subida de montanha em 2003, comoveu o país. Hoje falo de Peter “Possum” Bourne, o homem que colocou o seu país no mapa muito antes de Hayden Paddon. 

Peter Raymond George Bourne nasceu a 13 de abril de 1956 em Pukekohe, nos arredores de Auckland. Amante da velocidade, um certo dia à noite, quando ia para casa num Humber 80 da sua mãe, sofreu um acidente ao desviar-se de um animal, evitando o seu atropelamento. O animal era um “possum”, uma espécie de roedor, e a lenda desse seu acidente fez com que ficasse com o apelido do animal para a sua carreira.

Começou a correr no final dos anos 70 com um Ford Cortina, acabando no terceiro posto num rali local. O gosto ficou. “Foi nesse momento que decidi tentar a minha sorte e ser um dos melhores neozelandeses nos ralis”, contou anos depois ao site rally.com.au.

Contudo, o seu grande momento foi em 1983, quando conseguiu o apoio da Subaru New Zealand, que lhe providenciou um modelo RX para correr no campeonato nacional. No Rali da Nova Zelândia desse ano, a contar para o Mundial, terminou na sexta posição. No ano seguinte, foi oitavo no mesmo rali, e em 1986, participou em três ralis do Mundial, sendo oitavo no Olympus Rally. Em 1987, Bourne participou em mais três ralis e conseguiu o seu melhor resultado de sempre, um terceiro lugar no Rali da Nova Zelândia.

Com o passar dos anos, e o maior envolvimento da Subaru no mundo dos ralis, Bourne passou a fazer parte da equipa, especialmente na zona da Asia-Pacifico. Em 1990, com o novo modelo Legacy, Bourne foi quarto na Austrália e quinto no seu rali natal, conseguindo assim a sua melhor classificação de sempre, no 14º posto da geral. E no ano seguinte, conseguiu o seu primeiro grande título, o de campeão neozelandês de ralis, num Legacy.

Por esta altura, Bourne tinha como navegador Roger Freeth. Doutorado em Fisica, Freeth já tinha navegado pilotos como Pentti Airikkala ou Neil Allport, antes de em 1987 começar a navegar com Bourne, no Rally RAC britânico. Cedo se tornaram bons amigos, e foi com ele que conseguiu alguns bons resultados no Mundial de Ralis, nomeadamente o quarto posto no Rali da Austrália de 1990. Freeth também era um piloto experimentado, especialmente nos Turismos neozelandeses.

Em 1993, Freeth e Bourne iriam andar juntos nos ralis da Nova Zelândia e Austrália. Na sua terra natal, andaram bem e acabaram na sexta posição, mas a 18 de setembro, no primeiro dia do Rali da Austrália, aconteceu o desastre. O Impreza perdeu o controlo e acabou contra uma árvore, matando Freeth e ferindo Bourne. A recuperação física foi rápida, mas a mental durou algum tempo, pois sentia-se algo culpado pelo acidente que matou o seu navegador e amigo. Talvez por isso ele não tenha saboreado muito bem o seu título no campeonato Ásia-Pacifico desse ano, repetindo a proeza no ano seguinte.

Em 1996, recuperado dos ferimentos e encorajado pela família de Freeth em continuar (a matricula do seu carro de ralis tinha as letras “ROJ” em sua honra), correu no campeonato australiano e vencendo-o. Seria o primeiro de sete títulos seguidos, que continuaria até 2002. Pelo meio, no ano 2000, voltaria a ser campeão no troféu Ásia-Pacifico. E ainda iria haver participações na equipa oficial da Subaru, nos ralis da Australia e Nova Zelândia, sendo quinto classificado na edição de 1999 do rali neozelandês e sexto na edição de 2000 do mesmo rali.

Bourne, por esta altura, já tinha uma legião de seguidores no seu país, e o seu nome ficou indissociado à Subaru. Tanto que a marca lhe deu um carro personalizado para ele, e a sua garagem fazia parte da rede de preparadores da marca asiática.

Em 2003, Bourne iria competir no Grupo N do Mundial de Ralis, e iria participar em sete ralis dessa competição a bordo de um Subaru Impreza WRX. Tinha sido quarto na sua categoria no rali da Suécia, ao lado do seu navegador Mark Stacey.

A 12 de abril daquele ano, véspera do seu 47º aniversário, Bourne estava na sua Nova Zelândia natal para ensaiar no Race to the Sky, um percurso de montanha situado na zona de Dundein no sul do país. Bourne não era estranho ao percurso de 14,5 quilómetros, todo feito em gravilha e com 145 curvas, pois tinha ganho ali em 2001, num Subaru Impreza. 

Nesse dia, Bourne guiava um Subaru Forrester para memorizar o percurso quando, numa curva, surgiu um Jeep Cherokee guiado por outro piloto, Mike Barltrop. O choque foi frontal, com Bourne a sofrer graves ferimentos na cabeça. Após dezoito dias nos cuidados intensivos, a família decidiu desligar os aparelhos de suporte de vida, acabando por morrer aos 47 anos de idade.    

Dois anos depois da sua morte, o tribunal de Dundein declarou Barltrop como culpado de "condução perigosa" e o multou em dez mil dólares neozelandeses, suspendeu a sua carta de condução por 18 meses e o condenou a cumprir 300 horas em trabalho comunitário.

O legado de Bourne continua forte na Nova Zelândia. Quando morreu, tinha acabado de lançar a sua autobiografia, e depois disto, a familia e amigos decidiram fazer um fundo para cuidar da educação dosa seus três filhos ainda crianças, e existe um Possum Bourne Memoral Rally, que se realiza todos os anos na sua Pukekohe natal. A partida é feita na praça principal da cidade, onde está instalada uma estátua do piloto.

terça-feira, 26 de abril de 2016

A imagem do dia

Daniil Kyvat faz hoje 22 anos, na semana em que irá disputar o GP da Rússia pela segunda vez na sua carreira, e numa altura em que está em "estado de graça" por ter subido ao pódio pela primeira vez nesta temporada, com o terceiro lugar no GP da China. 

O franzinho piloto russo, da cidade de Ufa, na Rússia central, procura ainda o seu lugar ao sol na Red Bull, após uma primeira época onde esteve mais a aprender do que a tentar bater o seu companheiro de equipa, Daniel Ricciardo. Até agora, não deslumbrou, mas o pódio de Xangai pode ser considerado como um incentivo, apesar do australiano ser mais consistente - só tem quartos lugares até agora.

Potencial para ser campeão? Até pode ter, afinal de contas, foi ele que ficou com o lugar que muitos julgavam que seria de António Félix da Costa, no final de 2013. E não se pode dizer que daquilo que fez, ainda não deslumbrou, nem desiludiu. Afinal de contas, vivemos um dominio da Mercedes, embora parece que alguns dizem que as coisas em 2016 poderão ser um pouco mais equilibrados.

O grande problema para Kvyat é que nestas coisas da Red Bull, eles têm de meter em 2017 o rapaz da Toro Rosso. E parece que o novo rapaz da equipa é melhor do que temos visto até agora. Max Verstappen é o tal rapaz que a Red Bull queria desde os tempos de Sebastian Vettel, e um deles vai ter de ir. É verdade que o pódio em Xangai é um bom principio, mas Ricciardo é mais consistente até agora, e ele precisa de mais pódios para ficar no lugar.

E esse é o seu grande desafio. Veremos como será em Sochi. Até lá, parabéns, Danill!

Dakar: Apresentada a edição de 2017

Foi hoje apresentado em Paris o Dakar de 2017, e a grande novidade é que o Paraguai será inserido no rali. Este vai arrancar a 2 de janeiro de Assuncion, a capital paraguaia, para depois percorrer a Argentina e a Bolivia, para depois regressar e terminar no dia 14 de janeiro em Buenos Aires, tal como aconteceu este ano.

A inclusão do Paraguai vai fazer com que este seja o quinto país sul-americano a ser incluido no lote, depois de Argentina, Chile, Bolivia e Peru. A prova sairá de Assuncion - ainda não se sabe se haverá alguma etapa em solo paraguaio - para depois se dirigir para o norte da Argentina e passar pelo Salar de Uyuni, no sul da Bolivia, e pelo Lago Titicaca, antes de um dia de descanso na capital, La Paz. Depois, voltarão para a Argentina, descendo dos Andes e rumando para Buenos Aires, num percurso que os organizadores dizem que será próximo daquele que tiveram em 2016.

O percurso completo será apresentado em maio, em Barcelona.