terça-feira, 21 de maio de 2019

Youtube Motorsport Racing: O ePrémio do Mónaco, na íntegra

Dez dias depois da corrida, vencida por Jean-Eric Vergne, mostro aqui na íntegra o que foi o ePrémio do Mónaco, que é disputado numa versão do circuito de Monte Carlo. A vitória do francês da Techeetah quebrou uma sequências de oito corridas com oito vencedores diferentes e poderá ter lançado para a conquista do bicampeonato, embora ainda faltem quatro corridas para o término da competição.

The End: Niki Lauda (1949-2019)

O austríaco Niki Lauda, tricampeão do mundo de Formula 1 e atual diretor desportivo da Mercedes, morreu na noite desta segunda feira, aos 70 anos de idade. Estava de novo internado numa clinica na Suíça devido a problemas nos rins, que tinham deixado de funcionar devido aos medicamentos que estava a tomar por causa do seu transplante de pulmão, no verão passado. Ele já tinha sido submetido a dois transplantes renais, o primeiro há mais de vinte anos, e o segundo há cerca de doze anos, com o doador a ser a sua atual mulher e mãe das suas filhas mais novas. 

A vida de Lauda merece mais do que um filme, porque Hollywood já fez um. Nascido a 22 de fevereiro de 1949 em Viena, Andreas Nikolaus Lauda nasceu em berço de ouro, já que o seu avô era banqueiro. Contudo, a familia não aprovava a sua carreira automobilística e chegou a cortar laços com eles. No final da década de 60, começou a correr, primeiro na Formula Super Vê, enquanto fazia provas de Endurance, a bordo do 906 Carrera 4 e do 908 com compatriotas seus como Helmut Marko. Pediu dinheiro emprestado para comprar um lugar na March para correr o seu primeiro Grande Prémio, em 1971, em Zeltweg. Não terminou a prova.

Em 1972, seguiu para a March, onde ao lado de Ronnie Peterson, o chassis não foi o esperado, acabando por não conseguir pontuar. Pediu novo empréstimo bancário para correr na BRM, ao lado de Jean-Pierre Beltoise e Clay Regazzoni, e com um chassis algo defasado, conseguiu os seus primeiros pontos, um quinto lugar no GP da Bélgica. Mas na segunda metade de 1973, boas corridas em lugares como o Mónaco, Grã-Bretanha e Canadá fizeram com que caisse na atenção de Enzo Ferrari, e também graças à recomendação de Clay Regazzoni, que também ia para a Scuderia, decide contratá-lo para a temporada de 1974.

Ele ajuda a melhorar o modelo 312 e logo na primeira corrida do ano, na Argentina, consegue o seu primeiro pódio da sua carreira, e em Espanha, na quarta corrida do ano, a sua primeira vitória. Ainda consegue mais uma vitória na Holanda e luta pelo campeonato, mas perde a favor de Emerson Fittipaldi, acabando no quarto lugar, com 38 pontos.

Contudo, em 1975, o carro está melhor e vence cinco provas, conseguindo o seu primeiro título mundial, com 64 pontos. Mas para além de ser o primeiro título mundial, dava também o primeiro título de pilotos desde John Surtees, em 1964, e tornava-se num digno sucessor de Jochen Rindt, morto cinco anos antes.

E começa o campeonato de 1976 como acabou: a vencer. Triunfa em quatro dos primeiros seis Grandes Prémios desse ano, ao ponto em que, no final do GP do Mónaco, tinha 36 pontos (!) de avanço para o seu companheiro Regazzoni, o segundo classificado. Somente uma catástrofe iria tirar o título das suas mãos... mas a 1 de agosto desse ano, isso iria acontecer.

Era o dia do GP da Alemanha. Já ele tinha visto a distância a encurtar a favor do britânico, mas não estava em perigo. A corrida, no perigoso Nordschleife, tinha nesse dia levado com uma chuvada antes da corrida, mas os céus estavam desanuviados quando se deu a partida. Mas parte da pista de 22 quilómetros ainda estava molhada, e muitos, como Lauda e Hunt, não queriam arriscar e andavam com pneus molhados. Contudo, no final da primeira volta, estavam a trocar de pneus, para seco, depois de virem Jochen Mass a chegar ao comando, com pneus secos. Lauda voltou à pista para tentar recuperar o tempo perdido, mas na zona de Bergwerk, a suspensão traseira esquerda quebrou e o fez bater no muro de terra. Em ricochete, ele voltou à pista, e ainda sofreu com o embate do Surtees de Brett Lunger, antes de parar, em chamas. 

Logo a seguir, Lunger, o britânico Guy Edwards, o italiano Arturo Merzário e o alemão Harald Ertl conseguiram retirá-lo do carro em chamas, e depois outros pilotos como John Watson, Emerson Fittipaldi e Hans-Joachim Stuck ajudam-o a colocar no chão e velam-o até chegar a ambulância. Lauda tinha ficado sem capacete no embate e a gasolina tinha vertido para a sua cara. Os fumos tóxicos também tinham entrado nos seus pulmões, e foi rapidamente socorrido pela assistência do circuito, que o levou para o hospital de Mannheim. Ali, diagnosticaram as queimaduras na cara - terá a orelha direita permanentemente mutilada - e nos pulmões, e os médicos não acreditavam que poderia sobreviver. 

Contudo, não só sobreviveu, com 42 dias depois, a 12 de setembro, volta ao cockpit do seu carro para ser quarto classificado no GP de Itália, em Monza. A imprensa não diz outra coisa senão que está a assistir a nada menos que um milagre.

Contudo, tenta defender o título até à última prova, no Japão. Nessa corrida, e debaixo de chuva intensa, o austríaco decide retirar-se voltuntáriamente na volta 2, afirmando que as condições não estavam boas para uma corrida. Hunt, o seu rival no campeonato desse ano, acabou por ser terceiro classificado e conseguiu os pontos suficientes para ser campeão do mundo, 69 contra 68. Em Itália, é acusado de ser um cobarde, e o piloto, que já não tinha gostado muito da atitude de Enzo Ferrari quando contratou Carlos Reutemann enquanto estava no hospital, acreditando que ele não recuperava, decidiu continuar para 1977, para revalidar o título. Consegue, a quatro provas do fim, depois de vencer o GP da Holanda. Até então, tinha conseguido vencer três provas, mas tinha tido nove pódios ao todo.

No dia a seguir, anunciava ao mundo que iria abandonar a Ferrari, para choque do mundo inteiro. Durante essa temporada, estava a negociar com o seu amigo Bernie Ecclestone um contrato milionário para correr na Brabham e ajudar a desenvolver o motor Alfa Romeo. No final, por um milhão de dólares por temporada, Lauda iria levar o numero um para 1978. E na Ferrari, o seu substituto acabaria por ser um pequeno canadiano chamado Gilles Villeneuve.

Em 1978, Lauda é quarto no campeonato, com duas vitórias e sete pódios, mas no ano seguinte, apenas consegue quatro pontos. Tem 30 anos e sente-se cansado. E os seus interesses tinham-se desviado desde há um tempo para a aviação. No fim de semana do GP do Canadá, na mesma altura em que estreia o BT49, com motor Cosworth, Lauda decide abandonar a Formula 1, afirmando "estar cansado de andar aos círculos". Mais uma vez, espantava o mundo. 

Estabelece a Lauda Air, uma companhia "charter", mas descobre que colocar aviões no ar não é tarefa fácil e no final de 1981, depois de uma série de testes em Donington Park com o McLaren MP4/1, decide voltar a correr, mediante um bom salário de três milhões de dólares por temporada. Vencendo as desconfianças, é quarto na primeira corrida, na África do Sul, e vence em Long Beach, a terceira corrida do ano. No final, é quinto, com mais uma vitória e um pódio. Em 1983, consegue dois pódios, mas de resto, foi uma temporada modesta.

Mas em 1984, o MP4/2, desenhado por John Barnard e com motor TAG-Porsche Turbo, torna-se num carro imbatível. Ron Dennis, seu patrão na McLaren, contratou um valoroso companheiro de equipa, o francês Alain Prost, e juntos, lutam pelo título mundial. O francês consegue oito vitórias, contra os cinco do austríaco, mas ele conseguia conservar o carro para a parte final das corridas - não fez qualquer pole-position nessa temporada - e a 21 de outubro, no circuito do Estoril, Lauda foi o segundo e tornou-se tricampeão do mundo, batendo Prost por... meio ponto. Aos 35 anos de idade, tinha conseguido o que queria.

No ano seguinte, apenas conseguiu uma vitória, em Zandvoort, antes de abandonar a Formula 1 pela segunda vez, e agora, era definitivo.

Depois disto, dedicou-se à sua companhia aérea, a Lauda Air, onde ficou até ao ano 2000, altura em que a sua empresa fora alvo de uma operação hostil, e em consequência, despedido. Não desistiu e decidiu fazer uma companhia aérea de baixo custo, a Fly Niki, que fundiu em 2011 com a Air Berlin. Pouco depois, em 2016, adquiriu uma terceira companhia, a Amra Air, e rebatizou-a de Laudamotion, com o mesmo objetivo de ser uma companhia aérea de baixo custo. No inicio deste ano, foi adquirida pela Ryanair para fazer dela uma frota só de Airbus A320.

Apesar da aviação, nunca esteve muito longe das pistas. Primeiro conselheiro da Ferrari, em 1993-94, tornou-se depois diretor desportivo da Jaguar em 2002, saindo pouco depois. Dez anos mais tarde, em 2013, tornou-se diretor desportivo da Mercedes, ao lado de Christian "Toto" Wolff, cargo esse que ocupava atualmente, até adoecer, no verão passado. 

Escreveu cinco livros sobre a sua vida, carreira e sobre a arte de condução. Apelidado de "Rato", por causa dos seus dentes da frente, tinha sido comentador desportivo nos últimos 30 anos, na sua Áustria natal, e não tinha papas na língua sobre a Formula 1 e sobre os pilotos que via passar pelo pelotão. Em 2011, Hollywood decidira fazer um filme sobre a rivalidade entre ele e James Hunt, bem como a temporada de 1976. O resultado foi "Rush", realizado por Ron Howard, com a personagem a ser interpretado pelo alemão Daniel Bruhl. No final, o filme foi um sucesso de público, aclamado pela crítica e pelos fãs. 

Casou-se duas vezes, a primeira com Marlene Knaus, que lhe deu dois filhos, o mais velho dos quais Matthias Lauda, que seguiu a sua carreira de piloto, sem grande sucesso. Hoje em dia, corre na Endurance, pela Aston Martin ao lado do português Pedro Lamy e pelo canadiano Paul della Lana. Voltou-se a casar em 2008, com Birgit Wetzinger, uma hospedeira da Lauda Air, que lhe tinha doado um rim, e mais tarde lhe deu dois gémeas. Para além disso, teve mais um rapaz, Christoph, devido a uma relação extra-conjugal.

Desde o verão passado que Lauda encontrava-se doente. Uma pneumonia contraída quando passava férias em Ibiza, no verão passado, causou-lhe um colapso num dos pulmões e consequente transplante, em Viena. Contudo, não era o seu primeiro transplante: tinha tido duas operações, a primeira em 1997 e a segunda em 2008, para remover um dos rins, com o primeiro a ser doado pelo irmão, e o segundo por aquela que viria a ser sua mulher. E desde há algum tempo se dizia que a quantidade de imunossupressores que estava a tomar pelos transplantes poderia atrapalhar a sua recuperação. E ontem tinha aparecido a noticia do seu internamento numa clínica na Suíça, devido a uma falha renal, que agora se viu ser fatal. 

Um piloto que já era uma lenda, não só por aquilo que fez nas pistas. Alguém que foi ao Inferno e voltou, mais forte e determinado em vencer, torando-se no piloto mais marcante da sua geração. "Unvergessen", como diriam os seus compatriotas. Agora faz parte da História. Ars lunga, vita brevis, Niki.

A comédia de erros da McLaren na Indy 2019

Já se passaram dois dias sobre o que muitos consideram um vexame: a não qualificação de Fernando Alonso para as 500 Milhas de Indianápolis de 2019 através da McLaren. Já houve consequêcias: Rob Fernley foi demitido do seu lugar e todos admitem que confiar na Carlin para fazer a preparação foi um erro grave, pois esta equipa tinha pouca preparação em ovais, em vez de confiar, por exemplo, na Ed Carpenter Racing. 

Contudo, esta segunda-feira, surgiu um artigo da agência de noticias Associated Press, assinado por Jenna Fryer, onde se fala naquilo que muitos já indicam como uma "comédia de erros", admitidos por Zak Brown. E se confiar na Carlin é uma coisa, outra é, por exemplo, procurar por um volante adequado no dia do teste no Texas, que só foi conseguido depois de o próprio Brown ter pedido um à Cosworth.

E os problemas da Carlin não foram só esses. Quando assinaram o contrato, iriam cuidar de três carros: os deles, de Max Chilton e de Charlie Kimball, e o McLaren. Contudo, quando a Harding faliu, ficaram com o carro do mexicano Pato O'Ward, fazendo com que a operação inchasse e ainda sobraria tempo para o carro da McLaren. A Carlin é pequena demais para tanto carro e cedo ficou sem tempo para cuidar do carro laranja. Zak Brown lamenta agora que deveria ter seguido com mais atenção.

"Estava claro que a Carlin não era capaz de cuidar de três carros e ainda mais o nosso", começou por admitir. "Eu deveria ter ficado mais próximo da IndyCar, mas não poderia nunca comprometer a Formula 1. No primeiro teste, quando chegamos um pouco atrasados para acompanhar, foi ali que perdemos a qualificação. Não despertamos na hora certa, poderíamos ter nos recuperado depois daquele primeiro teste. Fico zangado comigo mesmo por não ter seguido meu instinto e acompanhado isso de mais perto", prosseguiu.

Mas outro erro, um pouco ridículo, teve a ver com a cor do carro reserva. Veio em laranja, mas não... no "papaya orange", o que fez com que fosse pintado de novo. E pior: ficou na pintura por um mês, e ainda lá estava, em fila de espera, quando Alonso bateu no muro na quinta-feira. E com os condicionantes relacionados com o tempo fizeram com que perdessem dois dias, que teriam sido preciosos. 

E na pista, os outros defeitos vieram à superfície: falta de velocidade de ponta, alguns problemas mecânicos e a batida na quinta-feira que fez perder dois dias preciosos. E durante esses dois dias que cometeram novo erro, esse... um pouco mais compreensível, pois são de fora. Na quinta-feira, depois da batida, Zak Brown e Gil de Ferran correram pelas boxes de Indianápolis procurando por peças novas para meter no carro de Alonso, e iriam também colocar acertos novos no carro para ver se tinham uma melhor velocidade para evitar o "Bump Day". Mas depois descobriram que o acerto era errado... porque eles fizeram nas medidas métricas, em vez as imperiais. 

"Nós tínhamos um carro para 229 milhas por hora (368,5 km/hora), mas estávamos a 227.5 milhas por hora (366,1 quilómetros por hora), quase conseguimos mesmo assim. A gente estava muito ansioso, existia um quê de heroísmo na tentativa que fizemos. Não quero que as pessoas achem que nós somos um bando de idiotas na McLaren, temos estrelas por aqui. Sinto na obrigação [de explicar o que sucedeu] aos fãs e patrocinadores. Não cumprimos o prometido e precisamos mais do que pedidos de desculpas. Isto vai ter repercussão negativa e queremos aprender com isso. Espero que as pessoas gostem do nosso esforço, somos corredores, Fernando é uma estrela e não vamos fugir. Queremos voltar.", prometeu Brown no final da entrevista.

Assim sendo, esta comédia de erros teve consequências: McLaren e Alonso verão as 500 Milhas do próximo domingo na televisão ou na pista, como toda a gente. Não poderemos dizer que foi só a arrogância, mas também a imensa negligência que esta aventura foi encarada, e ficaram com ideias erradas depois de terem corrido em 2017 com uma equipa bem apetrechada como é a Andretti Racing. A IndyCar não é a Formula 1, este é um mundo à parte e não é qualquer ovni que aterre aqui, ainda por cima numa prova como são as 500 Milhas e vai logo para a pole-position ou para o Fast Nine. Aliás, a diferença entre o topo e o fundo deveria dizer muito: um erro e acabas de fora. E foi o que aconteceu.

Esperemos que aprendam a lição. A Juncos, pequenissima equipa que há dois anos estava na Indy Lights, esforçou-se bastante para colocar Kyla Kaiser na 33ª e última posição, fazendo uma média quase meio quilómetro mais veloz que o piloto espanhol. E falamos de uma equipa que, poucas semanas antes desta prova, tinha ficado sem os seus patrocinadores principais. O que fizeram ofi um feito e tanto.

A McLaren voltará, não se sabe se em 2020 ou mais tarde, mas de certeza que voltará, disposta a dar o seu melhor, e Alonso quererá alcançar a "Tripla Coroa" do automobilismo. Tem uma reputação a defender.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A imagem do dia


Um século separam estas duas imagens. E o que têm em comum? A nacionalidade dos pilotos. Demorou cem anos entre René Thomas e Simon Pagenaud, mas a França tem de novo um "poleman" no Brickyard americano.

Pouca gente sabe, mas a França dominou o automobilismo americano nos seus primeiros tempos. Marcas como a Peugeot, a Ballot e a Delage participavam frequentemente nas 500 Milhas de Indianápolis, porque tinham os prémios mais chorudos do automobilismo - mesmo naquela altura - e vencer ali, especialmente vindo de uma nação pioneira no automóvel e no automobilismo, era um feito prestigioso. E ter carros franceses era garantia de competitividade. 

Thomas era mais um dos muitos franceses que competiam nesses dias em paragens americanas. Outros como Georges Boillot, Jules Goux, Jean Chassagne, estavam em paragens americanas para tentarem a sua sorte como pilotos oficiais das equipas francesas. Thomas venceu em 1914, praticamente a penúltima prova onde participou antes de rebentar a I Guerra Mundial, onde esteve presente, mas depois foi dispensado para poder participar no desenvolvimento dos automóveis e na competição. 

Em 1919, com o final da guerra, Thomas voltou com o seu Ballot, para tentar de novo a sua sorte. E começou bem quando conseguiu a pole-position, a uma média de 162 km/hora, um feito numa oval cheia de paralelepípedos como aquela. Acabou por não conseguir mais que o 11º posto final, numa corrida vencida por um americano, Howdy Wilcox, o primeiro a vencer desde 1912.

A vida de Thomas foi cheia. Também foi um pioneiro da aviação, voando pela Antoinette em várias demonstrações um pouco por toda a Europa, e em 1924, com um carro da Delage, ele estabeleceu um recorde de velocidade na localidade de Arpajon, deixando-o a 230 km/hora. Depois, reformou-se e teve uma vida longa. Dois anos antes de morrer, em 1975, aos 89 anos de idade, voltou a Indianápolis, onde foi ovacionado, dando umas voltas no carro que venceu a prova de 1914.

Os franceses esqueceram Indianápolis por duas gerações até aparecerem com Sebastien Bourdais e Simon Pagenaud. E por fim, precisamente um século depois da última vez, o piloto da Penske, e campeão em 2017, conseguiu a pole-positon para a prova mais importante do calendário. E o seu feito calhou em boa altura, porque venceu aqui no Indy GP, e numa altura em que parecia que a sua estrela estava a empalidecer, ao ponto de se questionar a sua presença na Penske. 

Contudo, o mês de maio está a ser um sucesso para Pagenaud. Espera-se que não fique por aqui.

Youtube Motorsport Trailer: A Arte de Guiar na Chuva

Não é só "Ford vs Ferrari" que vêm aí em termos de automobilismo. Um pouco antes de novembro virá "A Arte de Guiar na Chuva", onde se fala da história de um piloto e do seu cão. Parece ser uma espécie de "Marley e Eu" com alguém que entende de carros, mas o trailer, que tem como actores Milo Ventimiglia, Amanda Seyfried e a voz de Kevin Costner como "Enzo", um Golden Retriever.

Eis o trailer que saiu hoje. 

Indy Car Series: McLaren despede Rob Fernley

A eliminação de Fernando Alonso das 500 Milhas de Idianápolis já causou consequências dentro da McLaren. Bob Fernley, antigo diretor técnico da Force India e que tinha sido contratado para abrir caminho da equipa de Woking na competição americana, acabou por ser despedido devido aos eventos de ontem no "Bump Day" da competição deste ano. A noticia veio da Associated Press.

Isto veio na sequência de noticias afirmando que apesar de Zak Brown ter dito que não iria comprar algum lugar para meter Alonso correr na corrida, houve conversações preliminares nesse sentido, que foram interrompidas pela intervenção do próprio piloto espanhol, afirmando que não pretendia correr dessa forma, mas sim pelo seu próprio mérito.

A ideia inicial era que a McLaren entrasse nas 500 Milhas com o seu próprio carro este ano, como ponta de lança para uma participação a tempo inteiro a partir de 2020. Contudo, a McLaren confiou a preparação do carro à britânica Carlin, que não tem muita experiência em ovais, e viu todos os seus carros, menos um, no Bump Day, mostrando o fracasso da opção escolhida. Tanto que ontem, antes de Alonso ter a sua última tentativa, foram vistos elementos da Andretti Racing nas boxes para colocar amortecedores usados pela equipa para tentar ficar a salvo na grelha de partida.

Assim sendo, em tempo de rescaldo, a McLaren irá tentar refazer muita coisa para que na próxima temporada, continue com os planos para se implementar na competição americana, caso estes não sejam adiados, o que é uma possibilidade. E resta saber quem escolherão para o lugar de Fernley.


W Series: Chadwick vira piloto de desenvolvimento da Williams

A britânica Jamie Chadwick tornou-se esta segunda-feira piloto de desenvolvimento da Williams. A piloto - que faz hoje 22 anos - e atual líder da W Series, a série feminina criada para criar e desenvolver talento entre mulheres-piloto, estará em Grove para ajudar no simulador e estará presente em três fins de semana de Grande Prémio como piloto de reserva.

Tive o prazer de ver em primeira mão Jamie correr em Hockenheim, onde ela venceu a corrida de abertura da temporada da W Series”, começou por dizer Claire Williams, que esteve na prova inaugural da categoria. “Promover mulheres no automobilismo é extremamente importante e ter uma mulher como parte da nossa Academia de Pilotos vai inspirar jovens meninas a começarem cedo a correr”, continuou.

Nós esperamos mostrar que o automobilismo é inclusivo e empolgante, seja como piloto ou do lado da engenharia. Jamie é um grande talento e estou ansiosa para trabalhar ao lado dela”, completou a diretora-adjunta da Williams.

Já Chadwick, que é líder da W Series com seis pontos de vantagem sobre a holandesa Beitske Visser, e para além disso, é campeã da MRF Challenge na temporada 2018/19, afirmou estar honrada com a chance na Williams.

O tempo no simulador é uma oportunidade fantástica para ajudar no meu desenvolvimento. Estou ansiosa para passar algum tempo na fábrica em Grove, mergulhando na equipe e ajudando no que puder”, afirmou. “Ser parte da Academia de Pilotos é uma plataforma incrível e estou ansiosa para começar”, completou.

Nascida a 20 de maio de 1998, a piloto começou a correr em 2013 na Ginetta Junior Championship, antes de ir para a Brtish GT Championship, onde foi campeã em 2015, passando em 2017 para a Formula 3 britânica, onde venceu uma corrida em 2018. No final do ano passado, foi para o MRF Challenge, onde acabou por ser campeã.

domingo, 19 de maio de 2019

A imagem do dia

Já passou mais de uma hora desde aquilo que posso classificar como um dos maiores incómodos da história recente das 500 Milhas de Indianápolis: a não-qualificação de Fernando Alonso. O que muitos pensavam como uma possibilidade remota até ao final da semana, passou a ser real no momento em que ficou de fora dos 30 primeiros e relegado para o "Bump Day". E foi aí que se viu onde é que a McLaren errou na construção do seu carro para esta corrida, e logo no dia decisivo, pediu amortecedores à Andretti para tentar a sua sorte. O resultado é aquele que sabem: Alonso esteve qualificado até que Kyle Kaiser, no carro da Juncos, tirou-lhe o lugar na sua última chance.

Agora, o piloto espanhol vai ver a corrida da bancada, e pelo menos este ano, a chance de igualar Graham Hill na Tripla Coroa sdo automobilismo não vai acontecer. Não este ano. Claro, nada os impede de irem para a grelha, basta comprarem um dos lugares da "Bump Day", mas o Zak Brown já disse que tal ideia não vai acontecer.

"Nós voltaremos lutando. Nós não queremos comprar. Queremos ganhar. Qualquer um pode comprar [o lugar]. Queremos entrar [baseado] no mérito." Uma elegante admissão de derrota. 

E também deve servir de reflexão sobre aquilo que erraram ao longo desta semana nas 500 Milhas. Quem deveriam ter escolhido, quem deveriam ter melhor aconselhado, porque um nome destes, com um piloto destes, não pode ser desperdiçado. E o espanhol, bem como a McLaren, fazem parte de um conjunto de grandes nomes do automobilismo que não se qualificaram, como a Penske, em 1995, que não colocaram os seus pilotos na grelha, Al Unser Jr e Emerson Fittipaldi.

Claro, Alonso e McLaren vão tentar de novo. O piloto, porque ainda tem essa ambição no sangue, e a equipa, porque também pretende voltar a triunfar onde foram felizes. Quanto ao piloto espanhol, ainda tem as 24 Horas de Le Mans para voltar a ser feliz, porque mais do que um triunfo, ter dois triunfos em La Sarthe também ajudam no palmarés.

Para finalizar: o poleman é Simon Pagenaud, que corre no seu Penske. 

Antes da última chance

Hoje em Indianápolis é - entre outras coisas - o "Bump Day", ou seja, os carros que poderão ficar de fora dos 33 lugares existentes para disputar as 500 Milhas de Indianápolis. E dois dos que lá estão, surpreendem pela negativa: o espanhol Fernando Alonso e o canadiano James Hintchcliffe. Do primeiro, depois do que tinha feito em 2017, ao ser oitavo na grelha e ter andado bem boa parte da prova até o motor rebentar, este ano tinha andado atrás na grelha, cerca de seis milhas mais lento que os da frente, e ontem, as suas voltas não deram mais que o 31º tempo na grelha, dois lugares acima do último qualificável, e ficando de fora de uma qualificação segura. Aliás, até foi superado pela britânica Pippa Mann!

Para entender melhor a razão porque a McLaren teve um desempenho tão modesto, temos de ver com quem eles aliaram este ano para conseguir bons resultados no "Brickyard": a britânica Carlin. A equipa de Trevor Carlin pode ser muito boa nas formulas de promoção na Europa e dar nas vistas nas pistas americanas, mas as ovais não são o seu terreno, definitivamente. E o melhor exemplo é ver que os seus pilotos, o mexicano Pato O'Ward e o britânico Max Chilton, também andaram muito mal nesta qualificação, estando muito perto da eliminação. Tanto que hoje, a McLaren pediu a ajuda de pessoal da Andretti Racing e da Ed Carpenter Racing, que colocou os seus pilotos na "Fast Nine" - o melhor foi Spencer Pigot, conseguindo 230,083 milhas por hora (370,283 km/hora) - para fazer com que o carro ande bem nesta oval. E ele terá apenas uma hipótese.

De uma certa maneira, neste domingo, antes da sua tentativa final, poderemos dizer que a McLaren teve uma escolha errada na sua preparadora. A Carlin pode ser boa, mas em termos de IndyCar é uma "rookie". Poderá até tentar algo melhor quando aparecer a tempo inteiro, lá para 2020 ou posterior, mas para uma corrida totalmente americana, até à medula, deveriam ter ido ter com parceiros americanos, como fizeram em 2017 com a Andretti, e deu os resultados conhecidos. Agora fizeram isso, mas ainda irá a tempo de evitar o escândalo? Veremos. 

No final do dia falarei sobre isto. Agora, vai começar mais um dia em Indianápolis, e todos aguardam que a pista seque, pois choveu esta manhã.

sábado, 18 de maio de 2019

Youtube Motorsport Documentary: Drive Like Andretti (III)

Na quarta parte do documentário sobre Mário Andretti, feito pela NBC americana pra comemorar os 50 anos da sua vitória nas 500 Milhas de Indianápolis - e os 25 anos em que pendurou o capacete em termos competitivos - vê-se o seu tempo que passou como refugiado interno na cidade de Lucca, antes de emigrar para os Estados Unidos.

W Series: Visser vence em Zolder

Segunda corrida, segunda vencedora diferente. A holandesa Beitske Visser venceu esta tarde a prova da W Series que aconteceu no circuito belga de Zolder, batendo as britânicas Jamie Chadwick e Alce Powell. Apesar do resultado, Chadwick manteve a liderança do campeonato, graças à vitória em Hockenheim.

Partindo da pole-position, Chadwick foi superada por Visser logo na partida, mas atrás, o carro da belga Sarah Bovy deitava fumo e ficou parada na grelha de partida, suficiente para fazer entrar o Safety Car a meio da primeira volta.

Volta e meia depois, o Safety Car voltou às boxes e a corrida recomeçou com Visser na frente, mas pouco depois, nova entrada do carro de segurança depois de uma colisão entre a húngara Vivien Keszthelyi e a britânica Esmee Hawkey. Ele ficou até perto dos 17 minutos para o final da corrida, quando esta recomeçou, com a holandesa na liderança.

No final, ela aguentou os ataques das britânicas, especialmente Chadwick, para vencer na categoria. A espanhola Marta Garcia foi quarta, à frente da britãnica Sarah Moore e da sul-africana Tasmin Pepper

Na geral, Chadwick ainda lidera, com 43 pontos, contra os 37 de Visser. A próxima prova será em Misano, a 8 de junho.

Youtube Motorsport Documentary: "And We Go Green", o documentário sobre a Formula E

Cinco temporadas depois do inicio da Formula E, e já com carros da segunda geração a circular numa das temporadas mais disputadas da história, surgiu um documentário produzido por Leonardo de Caprio sobre a temporada de 2017-18, com entrevistas ao criador da competição, Alejandro Agag e alguns dos pilotos que faziam parte na altura, como Nelson Piquet Jr, Lucas di Grassi ou Jean-Eric Vergne, que acabou por vencer a competição.

O documentário vai-se estrear na próxima semana no Festival de Cinema de Cannes, e é realizado por Fisher Stevens e Malcom Venville. E aqui deixo o trailer. 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A imagem do dia

Fernando Alonso parece que voa em Indianápolis nesta sexta-feira. Contudo, a realidade é outra: ele têm dificuldade em conseguir ir para a frente. E a hipótese de ele não se qualificar pode ser real, porque neste momento está seis lugares acima do primeiro não-qualificado. 

Estranho, não é? Mas vamos a ver no que dará amanhã, pois é o dia da definição das primeiras filas da grelha. Pode ser que tenha um dia de sorte. Mas isto parece que não anda lá muito bem...

WRC: Tanak está aliviado pela vitória no Chile

A vitória no Rali do Chile foi um alivio para Ott Tanak. O piloto estónio conseguiu esta vitória para a Toyota, depois de dois ralis onde também esteve na liderança, mas acabou por sofrer acidentes e atrasar-se na classificação geral. Agora com 112 pontos, Tanak é segundo na geral e está a meros dez pontos do líder, Sebastien Ogier, e está disposto a apanhá-lo.

Tivemos alguns contratempos dececionantes nas últimas provas, por isso lutar assim e ter um fim de semana perfeito é muito positivo. Foi muito importante, especialmente para a equipa, manter a motivação elevada e continuar a melhorar e este tipo de resultados ajudam muito nisso. Estamos de volta à luta", começou por dizer ao wrc.com.

"Era importante terminar o rali desta forma. Nas últimas duas provas tivemos contratempos e perdemos muitos pontos, por isso foi importante alcançar este resultado, pois se não conseguirmos nada, as nossas emoções vão-se abaixo. Mas agora estamos novamente no caminho certo e vamos continuar a pressionar…

A dez dias do Rali de Portugal, Tanak quer mostrar-se como o ponta de lança da Toyota, disposto a quebrar o domínio de Sebastien Ogier, que é campeão desde 2013, sem interrupções.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Indy Car Series: Protagonistas de filme darão bandeira verde

É frequente a organização das 500 Milhas de Indianápolis tenha convidados VIP par mostrar as bandeiras aos pilotos. E 2019 não será excepção, especialmente quando está no horizonte um filme sobre automobilismo. Matt Damon e Christian Bale, protagonistas do filme "Ford vs Ferrari", de James Mangold, irão dar a bandeira verde no final do mês, na 103ª edição das 500 Milhas.

"O Indianapolis 500 é o maior evento desportivo de um só dia no planeta, então é apropriado que ícones globais como Matt Damon e Christian Bale estejam na posição de mostrar as bandeiras a 26 de maio para enviar 33 carros para a grelha, onde se lançarão para a curva 1", comentou J. Douglas Boles, o presidente do autódromo de Indianápolis.

"Matt e Christian estão acostumados a atuar sob os holofotes mais brilhantes, então sabemos que eles vão aproveitar esse papel especial na maior corrida do mundo.", concluiu.

O filme, baseado no livro "Go Like Hell", de A.J. Baime, trata-se do duelo entre a Ford e a Ferrari pela supremacia nas 24 Horas de Le Mans entre 1963 e 1966, e que criou o modelo GT40. Damon será Carrol Shelby, o diretor de equipa, enquanto Bale será Ken Miles, o piloto de testes que desenvolveu o carro ao longo dos anos até à vitória dos bólidos americanos, em 1966. 

Em principio, o filme irá se estrear nas dalas de cinema americanas a 15 de novembro, no sentido de concorrer para os Oscares.