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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A imagem do dia









O dia 10 de agosto de 1986 amanheceu com céu limpo e calor, num dia típico de verão naquela parte da Europa Central: muito calor. A Mogyorod, nos arredores de Budapeste, a capital da Hungría, mais de duzentas mil pessoas, vindas dos quatro cantos da Europa, da Checoslováquia, da Alemanha Oriental, da Jugoslávia, no Leste, da Áustria e da Alemanha Ocidental, no Oeste, da Finlândia e da Polónia, mais a norte, vieram para ver uma coisa que só tinha aparecido naquele ano: a Formula 1.

Muitos juntaram as suas economias, trouxeram os seus Ladas, Skodas, Trabants, que misturaram com os carros ocidentais nos parques de estacionamento à volta do circuito, e foram ver ao vivo algo que só viam, até então, em televisões, jornais e revistas. Os pilotos, os carros, as equipas, os motorhomes. 

Aquela gente tinha fome de automobilismo e não se fazia rogado disso. Tinha também fome de outras coisas, mas especialmente de "capitalismo". E aquilo também era capitalismo, mesmo num comunismo "goulash", mais leve e menos ortodoxo.

Contudo, essa gente estava tão entusiasta por ver aqueles "discos voadores" que não tinham visto o "defeito": a pista era demasiado travada, e em termos de largura, também não era grande. Em suma, ultrapassar iria ser complicado. E isso iria ser visto na corrida. 

Mas antes, na qualificação, os brasileiros davam espectáculo: Ayrton Senna era o melhor, seguido por Nelson Piquet. Alain Prost e Nigel Mansell partilhavam a segunda linha, Keke Rosberg e um surpreendente Patrick Tambay, num Lola-Ford, estavam na terceira.

Na partida, o piloto da Lotus conseguiu segurar o primeiro lugar, perante um Piquet que iria ser surpreendido por Mansell, que largaria bem e ficaria com o segundo posto. Piquet o passaria na segunda volta no final da meta, e com o passar das voltas, o brasileiro da Williams começava a ficar frustrado com o circuito. E a razão era óbvia: ultrapassar alguém que sabia se colocar de forma a que o adversário não o passasse, era uma tarefa bem complicada. E iriam ser 77 voltas de tortura, debaixo daquele calor de canícula. E pior: pelos cálculos, aquela corrida iria ser cumprida no limite das duas horas.

Piquet passou Senna na volta 12, mergulhando para ficar com o comando e lá ficou até á volta 35, altura em que vai às boxes para trocar de pneus, deixando o comando para Senna. E a partir dali, foi a briga pelo comando, do qual o piloto da Lotus resistiu enquanto podia.

Piquet, que tinha um carro mais veloz, aproximou-se e ficou na traseira do Lotus, mas Senna dificultava-lhe a tarefa, e a estreiteza da pista também ajudava. Assim sendo, Piquet foi mais criativo: depois de uma tentativa frustrada na volta 55, na seguinte, decidiu passar no limite: por fora, pisando a parte suja do circuito, cheio de pedaços de borracha dos pneus... e ficou com o comando, para não mais o largar. Anos depois, ele diz que lhe "fiz um gesto bacana" ao Senna, mas sinceramente, num tempo com poucas câmaras nos carros e o "zoom" era limitado, só poderemos acreditar na palavra do piloto da Williams.

No final, Piquet e senna ficaram uma dobradinha brasileira, com Mansell a ser terceiro, e à frente do Ferrari de Stefan Johansson, do Lotus de Johnny Dumfries - os seus primeiros pontos na Formula 1 - e o Tyrrell de Martin Brundle, que superava o Lola de Patrick Tambay. 

Mas para aqueles que foram a Mogyorod para assistir aos carros de Formula 1, aquele dia nas corridas foi de sonho. E eles esperavam que não ficasse por ali. 

domingo, 26 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 11, Hungaroring (Corrida)


Passaram quarenta anos desde que a Formula 1 visitou pela primeira vez terras húngaras e não mais saiu dali, e agora, com uma pista cada vez mais entrincheirada no calendário - apesar de ser lenta e algo travada - a pista está cheia para acolher máquinas e pilotos, num país transformado. Afinal de contas, em 1986, a Hungria estava atrás da Cortina de Ferro...  

O tempo está agradável em Budapeste, um tempo de verão, com autódromo cheio de gente, asfalto quente (52ºC) baixas chances de chuva, e os pilotos iriam partir para as 70 voltas seguintes com pneus médios, preparando-se para duas paragens. as excepções eram os Ferrari, que largaram com moles, se calhar, para serem os primeiros a pararem.


Na partida, Norris defendeu-se de Piastri, mas Max subia para terceiro. O australiano foi mais ousado, e algumas curvas depois, ele ficou no comando da corrida. Depois vinha Max, os Ferrari, com Hamilton a defenmder-se dos ataques de Lelcerc, e Antonelli vinha logo a seguir. Russell partiu muito mal e tinha caído para o fundo do pelotão.

Nas voltas seguintes, os McLaren começaram a distanciar-se de Max Verstappen, que por sua vez, estava a aguentar os Ferrari, que o queriam passar para resolver o problema e tentar evitar que fugissem de forma definitiva. Muito atrás, na 13ª posição, George Russell continuava a sua recuperação. Na volta onze, Hamilton chegou a perguntar se não deveria mudar a estratégia para tentar passar dessa maneira o neerlandês da Red Bull. Do qual recebeu uma resposta negativa. No meio disto tudo, Russell continuava a subir posições, até à 11ª, mas algo longe de Nico Hulkenberg, da Audi, e o último piloto na zona dos pontos. 

Mesmo assim, Hamilton foi às boxes na volta 14, e colocou duros, tentando ficar na pista o maior tempo possível. Regressava à pista na nona posição, e esperava ter saído melhor que a concorrência. Durou algumas curvas até passar o Racing Bulls de Arvid Lindblad, para ser oitavo. Na volta seguinte, Max foi às boxes, trocou para duros, também, e na saída para a pista, Hamilton conseguiu ser mais rápido que o piloto da Red Bull, e conseguiu o "undercut". 

Contudo, logo a seguir, Max fez uma excelente manobra para passar Liam Lawson... e Lewis Hamilton, para ser sexto e sobretudo, passar o piloto da Ferrari, o seu rival direto nesta corrida. Bem interessante!

Oscar Piastri e Charles Leclerc pararam ao mesmo tempo, na volta 17, colocando duros, com Piastri a sair melhor, e o comando da corrida ficar nas mãos de Lando Norris. Mas isso durou apenas uma volta, porque o piloto da McLaren foi às boxes trocar de pneus. Durou 3.2 segundos, e na saída Piastri conseguiu passá-lo, com pouco mais de meio segundo de diferença. No comando está agora Kimi Antonelli, na frente de Isack Hadjar. E no meio disto tudo, Russell era agora oitavo, nos pontos.

Antonelli só foi às boxes na volta 23, para colocar duros e regressar à pista na sexta posição, mais de cinco segundos na frente de George Russell, que ainda não tinha parado. Ele só pararia na volta 28, para colocar duros e regressar na nona posição. Três voltas depois, na 31ª passagem pela meta, Hamilton regressava ás boxes para colocar mais um jogo de duros, regressando à pista na sétima posição. 


Na frente, Piastri comandava, mas estava a ser assediado por Norris. Max não estava muito longe, a pouco mais de dois segundos e meio, e logo a seguir, na volta 35, Oscar Piastri trocou também de pneus, para outro jogo de duros, regressando em quinto. Duas voltas depois, na 37, foi a vez de Leclerc parar pela segunda vez. 

Na volta 39, algo insólito: Oscar Piastri estava a passar alguns pilotos atrasados, entre eles o Williams de Carlos Sainz Jr, quando o piloto espanhol manobrou como se o australiano não estivesse ali. O choque foi inevitável, houve alguns danos, mas poderia ter sido muito pior. Quase ao mesmo tempo, Lando Norris ia às boxes, e voltava na frente de Piastri, para fúria do australiano. Max foi na volta 42, com o neerlandês a colocar moles e a regressar em quinto, atrás de Hamilton.

A partir daqui, isto se tornou numa luta entre Lando Norris e Andrea Kimi Antonelli. Primeiro ao longe, mas depois começou a ficar mais perto. Contudo, na volta 56, as atenções viraram para Oscar Piastri, que ficou sem caixa de velocidades, e parou de forma definitiva. Safety Car Virtual, e boa parte do pelotão foi às boxes para a sua terceira e última paragem nas boxes. Norris, Hamilton, Leclerc, Gasly e mais alguns outros, boa parte dos quais com moles, para acelerarem até ao final.

No regresso à pista, ainda em Safety Car Virtual, Hamilton ia rápido demais para ver se não era passado por Antonelli, mas quando regressou à pista, aparentava estar em excesso de velocidade, e teria de fazer uma de duas coisas: cedia a posição, ou teria uma penalização de cinco segundos. Ele escolheu ceder. 

A dez voltas do final, Norris tinha Max sob controlo, a cerca de seis segundos, mas a luta que interessava era entre Antonelli e Hamilton, pela terceira posição. O britânico, com moles, tentava passar o jovem piloto da Mercedes, que tinha duros, mas ele resistia. Pouco depois, Hamilton soube que tinha uma penalização de cinco segundos, logo, mesmo que o passasse, teria sido uma batalha inutil.

Mas até à meta, Lando Norris tinha uma corrida sem problemas, não só se distanciando de Max, como acabaria por triunfar pela primeira vez na temporada, fazendo com que a McLaren fosse a terceira equipa vencedora em 2026. Max tinha novo pódio, o quarto da temporada, enquanto Antonelli tinha tudo sob controlo, na frente dos dois Ferraris, com Leclerc em quarto, por ter puxado pelo carro para ficar a menos de cinco segundos do seu companheiro de equipa. 

E por curiosidade: os Aston Martin, com a sua versão B e sem as novas atualizações do motor Honda, acabaram em 13º e 14º, na frente dos Williams, dos Haas, dos Cadillacs, e com um Alpine atrás dele. Imagine-se como será depois de Zandvoort, quando tiverem a nova evolução do motor japonês... 


Agora, Antonelli tem 50 pontos de vantagem sobre Hamilton, o que implica que ele será campeão no fim de semana de Las Vegas. Não sei se será apropriado ele ganhar ali, num país onde, por exemplo, para beber, precisa de ter 21 anos... a não ser que no Nevada, a idade seja mais baixa. 

Depois de Hungaroring, são quatro semanas de férias até Zandvoort, e ver como será a segunda parte do campeonato.      

sábado, 25 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 11, Hungaroring (Qualificação)


Não houve muito tempo para descansar, neste enorme circo que atravessa a Europa neste verão. De Spa-Francochamps, alguns dias até Budapeste, para a última corrida antes das férias de Agosto, quatro semanas sem corridas para ver ao vivo.

Mas num ano importante para a própria Hungria, porque faz 40 anos que a Formula 1 lá chegou, o próprio autódromo passou por obras de remodelação profundas na pista - por fim, tem uma tribuna principal digna de registo - e também deu o nome a algumas das curvas do seu circuito. A primeira, por exemplo, agora chama-se "Piquet", porque foi ali que Nelson Piquet passou o seu compatriota Ayrton Senna na edição inaugural - e mais tarde, o australiano Clive James disse um muito português "Viva o Capitalismo!" para celebrar a manobra no filme que a Formula 1 montou nesse mesmo ano...

Há outras curvas como a cinco, que foi batizada como "Mansell", em honra da ultrapassagem que o britânico fez em 1989 a... Senna (coitado do Ayrton...), mas em compensação, a anterior às boxes tem o nome de Senna. Portanto, nem tudo é mau.


Mas passado o batismo das curvas de uma pista que continua a ser lenta e algo aborrecida, chega o fim de semana automobilístico, com as expectativas vindas da Aston Martin que o carro reformulado poderá dar um salto para o meio do pelotão, depois de perder peso e conseguir afinamento em termos aerodinâmicos - o motor fica para mais tarde - Charles Leclerc conseguiu algo mais pessoal: vai ser pai. E o seu membro da família de quatro patas, Leo Leclerc, decidiu comemorar nas boxes da Red Bull com uma poça de cor amarela...

Pouco depois do almoço, sem prespectivas de chuva e com quase 50 °C de temperatura do asfalto e 27 °C de temperatura do ar, iniciou-se a sessão de qualificação para o GP da Hungria. No lote de favoritos, os habituais Mercedes e Ferrari, com a McLaren a mostrar potencial para se intrometer na luta pelo melhor lugar da grelha para a corrida de amanhã.

O arranque da sessão viu as duplas da Aston Martin, da Williams e o Cadillac de Valtteri Bottas a serem ps primeiros a entrarem em pista, com Stroll a ser o primeiro a marcar tempo, entrando no segundo 20, superado imediatamente pelo seu companheiro de equipa, Fernando Alonso. Lewis Hamilton, no seu Ferrari, entrou pouco depois e fez as primeiras voltas com pneus médios, tal como Charles Leclerc, para poupar os moles. O britânico entrou no segundo 18, à frente de Leclerc, que ficou a 150 centésimos do seu colega de equipa. No entanto, a volta de Leclerc acabou por ser apagada por excesso de limites de pista. 

Max Verstappen aproveitou a diferença de performance entre pneus médios e macios para marcar um tempo de 1.18,646, suficiente para subir ao primeiro posto da tabela. A primeira tentativa de Antonelli não foi suficiente para superar o tempo de Verstappen, com George Russell a ficar-se pelo quinto posto. Lando Norris tirou mais de três décimos ao tempo de Verstappen e subiu ao primeiro posto a meio da sessão, com 1.18,277.

A três minutos do fim, a maioria dos pilotos regressou à pista, especialmente os que estavam na luta pela passagem à Q3. As últimas tentativas não trouxeram mudanças no topo da tabela, mas na zona de eliminação ficaram o Haas de Ollie Bearman, a dupla da Williams, Carlos Sainz Jr. e Alexander Albon, o Aston Martin de Lance Stroll e a dupla da Cadillac, Sérgio Perez e Valtteri Bottas. E claro, para a Q2, ia Fernando Alonso, a primeira vez que um Aston Marin avançava. Afinal, as melhorias produziram resultados.

Chegados à Q2, começou com algumas atribulações por parte de Isack Hadjar, que com um meio pião, estragou a sua volta lançada. Max verstappen, seu colega de equipa, calçado com pneus novos, tinha feito um tempo suficiente para subir ao primeiro posto, à frente de Lando Norris, que tinha calçado pneus usados, e de um surpreendente Arvid Lindblad, que subiu ao terceiro posto, à frente do Ferrari de Charles Leclerc e do McLaren de Oscar Piastri.

Mas na parte final da primeira parte desta Q2, Andrea Kimi Antonelli, com pneus novos, conseguiu um tempo que o colocou no topo da tabela de tempos, tirando 71 centésimos a Max Verstappen em termos de tempo. Contudo, pouco depois, Lewis Hamilton conseguiu um tempo ainda melhor, 1.17,699. 

Nos minutos finais, Antonelli voltou a marcar um tempo, mas foi anulado por ter saído dos limites da pista, Verstappen tentou a sua sorte, mas não melhorou a sua marca, mas Oscar Piastri sim, ficando com o segundo lugar provisório, antes do seu companheiro de equipa fazer 1.17,456 e ficar com o primeiro lugar. 

Atrás, entre os que ficaram à porta da Q3, e a fazer companhia a Fernando Alonso, estavam os Alpine de Pierre Gasly e Franco Colapinto, o Haas de Esteban Ocon, o Audi de Gabriel Bortoleto, e o Racing Bulls de Liam Lawson, que ficou com o ingrato 11º posto, em troca com o Audi de Nico Hulkenberg. Em contraste, Arvid Lindblad conseguiu o sétimo melhor tempo e claro, entrou no Q3.

E agora, a Q3, a parte final desta qualificação.

As coisas começaram com Max Verstappen a ser o primeiro a assinar uma volta de 1.17,725, mas pouco depois, Oscar Piastri conseguiu fazer melhor com 1.17,684; porém, Norris tratou de fazer ainda melhor e conseguiu 1.17,320, e apesar de ter tido de corrigir o seu carro na curva final, tinha dado um sinal claro de que tinham de contar com ele na luta pela pole-position.


Mas pouco depois, Hamilton tirou 101 centésimos ao tempo de Norris com o seu Ferrari (1.17,209) e subiu ao primeiro posto, enquanto Leclerc ficava em terceiro e Antonelli em quarto. Russell era apenas sétimo, à frente de Hadjar, Lindblad e Hülkenberg.

As segundas tentativas ficaram para a parte final da qualificação, como sempre, e começaram com Hamilton e Leclerc a tentarem, mas a não conseguiram melhorar os seus tempos. Pouco depois, Max Verstappen fazia a sua tentativa e... fez um pião na curva final, afetando a volta de Kimi Antonelli, que foi obrigado a levantar o pé. 

Contudo, ainda faltava a volta de Lando Norris, que na sua segunda tentativa, conseguiu 1,17,207, logo, tirar 12 centésimos ao tempo de Hamilton e, em consequência, iria largar da pole pela primeira vez na temporada. Ao mesmo tempo, George Russell ficava parado na curva 1, após a sua volta, com problemas no seu monolugar. Uma qualificação bem interessante... que, aparentemente, iria ter consequências na grelha depois dela acabar.


Querem apostar que amanhã, as posições na grelha serão diferentes?

domingo, 3 de agosto de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 13, Hungaroring (Corrida)


A Formula 1 está agora à beira da sua paragem de verão, numa altura em que cada vez mais se parece como uma luta a dois, numa equipa generosa em relação aos seus pilotos, porque eles sabem perfeitamente que, no mundo em que vivemos, queremos autenticidade e não um diretor de equipa que corte as asas de um em favor do outro. Então, imagine-se isso numa equipa como a McLaren, com um diretor americano, um piloto australiano e outro inglês. Se o americano favorecesse o australiano, num meio onde quase todas as equipas são inglesas e o meio de comunicação por excelência tem dois narradores britânicos, imaginem a agitação...

Depois de um GP da Bélgica chuvoso, mas maios aborrecido que se pensava, a Formula 1 chega à Hungria, num palco fortemente modificado em favor da confortabilidade dos espectadores. Aquela bancada central já era merecida desde há algum tempo, especialmente na parte do teto, e ainda por cima, dá um ar modernizador, nestes tempos em que tudo com mais de 20 anos já é velho... e ainda por cima, esta é a 40ª edição do GP húngaro. 

As expectativas da corrida? Sem chuva prevista, com calor e com Leclerc na frente dos McLaren e do resto da concorrência (Max chutado para baixo, por exemplo, Aston Martins na terceira fila da grelha. Um vislumbre do futuro?) as chances de ter uma boa corrida pareciam ser boas. Mas o contrário também poderia acontecer. 


Antes da partida, boa parte do pelotão tinha os médios calçados, excepto os pilotos da Williams e o Sauber de Hulkenberg, e quando as luzes foram apagadas, Leclerc manteve o primeiro posto, com Piastri em segundo e Norris a perder lugares, primeiro para Russell, e depois, para Alonso, nas duas primeiras curvas da corrida. Leclerc tentou afastar-se do piloto da McLaren, enquanto Norris pesoerou pela terceira volta e o ligar do DRS para ficar com a quarta posição. 

Depois disso, o passar das primeiras voltas mostrou uma certa previsibilidade: Leclerc liderava, com Piastri a observar, Russell e Norris a seguir, e Alonso a ficar atrás desta gente, com 12 segundos de diferença no final da 15ª volta. Bortoleto, agora sexto, aguentava Max e Stroll. 

A grande novidade foi a penalização de cinco segundos a Hulkenberg por ter saltado a partida. 

A partir da volta 13, primeiro com gente como Hulkenberg - que cumpriu a sua penalização - e depois, o Alpine de Colapinto, na volta 14, mostravam os limites dos pneus médios e a estratégia que tinham adotado. Ocon e Albon vieram a seguir, na volta 15. Sainz Jr na 16. Max fez a sua paragem na volta 18, tentando saber se conseguiria passar Bortoleto com essa tática Meteu duros. 


Na volta seguinte, foi a vez de Piastri fez a mesma coisa, para tentar passar Leclerc, e na 20, o piloto da Ferrari foi às boxes, para tentar a sua sorte, seguido por Russell. Ambos meteram duros, e no final, não houve alterações. Piastri ficou uma volta inteira atrás de Alonso, porque... estavam a lutar por posição - era terceiro. Quando o passou, tinha quase dois segundos de desvantagem sobre o monegasco. Aparentemente, o ritmo de Leclerc, nesta pista, parecia ser bem alta em relação aos McLaren, enquanto atrás, Max recuperava lugares, tentando chegar ao "top ten".

Por esta altura, algumas cabeças pensavam: uma paragem seria benéfica?

Norris só foi às boxes na volta 32, numa paragem que era esperada há muito. Leclerc voltou à liderança, mas 13 voltas depois dos pilotos na sua frente, mostrava que ele apostava numa única paragem. Piastri e Leclerc estavam com uma diferença relativamente estabilizada, a rodar o segundo e meio. Russell era o terceiro, mas a uns "distantes" oito segundos, na frente de Norris, Alonso e Bortoleto. Max já estava nos pontos, passando Hamilton, numa ultrapassagem que acabou por ser controverso. Resultado? O neerlandês foi investigado.

Alonso foi às boxes na volta 40, de quinto, colocou duros e regressou em oitavo, na frente de Max. E quase na volta 41, Leclerc foi também ás boxes, mantendo duros, e antes de Bortoleto, que era quinto quando foi trocar de pneus. Por esta altura, Norris e Russell lutaram pela terceira posição, com pessoal que começava a discutir a ideia de ficar mais tempo, porque a degradação dos duros era mais lenta que se pensava. Russell acabou por trocar pela segunda vez, numa altura em que Piastri estava agora na liderança. Ele foi às boxes na volta 45, quatro voltas antes de Max, que regressou à pista na volta 49  na nona posição e a ser ameaçado por Kimi Antonelli.


Na volta 51, Piastri estava na traseira de Leclerc e conseguiu passá-lo para ser segundo, continuando com o ritmo para ver para apanhar Norris. Por causa disso, começou a afastar de Leclerc, ficando com 2,5 segundos de diferença na volta 52. O monegasco, que estava a fazer uma excdelente corrida até então, começou a queixar-se da situação, falando para as boxes dizendo que "seria um milagre se acabaermos no pódio!". E era verdade: Russell aproximava-se, ao ritmo de um segundo por volta. 

E na luta pelo quinto lugar tínhamos Alonso a ser pressionado por... Bortoleto. Interessante! quem estava agora a ver a corrida das boxes era Oliver Bearman, que depois do toque nas primeiras voltas, o carro estava com danos irreversíveis. E tornou-se na primeira desistência da corrida. 

 A dez voltas do final, Russell estava na traseira de Leclerc, tentando a sua sorte, e no inicio da volta 62, tentou pela primeira vez, com o monegasco a defender-se agressivamente. E na volta seguinte, tentou de novo, com Leclerc a lutar pela posição no limite. O britânico passou-o, ficando com o terceiro lugar, mas estava zangado com as manobras do piloto da Ferrari, que achava serem dignas de penalização. 


Mas logo a seguir, Piastri já estava na traseira de Norris, e ao australiano convinha passá-lo, porque assim poderia alargar a sua liderança. A cinco voltas do final, houve um esboço, outro na volta 68, mas Norris fazia o seu melhor para aguentar o australiano. Na volta 69, Piastri tentou, queimou os pneus, mas não conseguiu passar. 

E foi assim que acabou a corrida: Dobradinha para a McLaren, a sua duocentésima vitória, numa corrida que Norris ganhou mais forna na sua luta pelo campeonato. Atrás, com Russell a ficar com o lugar mais baizxo do pódio, Leclerc ficou com uma penalização de cinco segundos, seguido por Fernando Alonso, a conseguir a sua melhor posição da temporada, na frente de Gabriel Bofrtoleto e Lance Stroll. E Max acaba em nono, provavelmente um vislumbre das coisas que estão para chegar...


E assim chegamos ao verão europeu. Serão quatro semanas até Zandvoort, até lá, apanhemos sol e apreciemos a paisagem.      

domingo, 21 de julho de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 13, Budapeste (Corrida)


A meio do verão, e com as férias de agosto mesmo a chegar - ainda por cima, é ano olímpico, logo, não aparecerão muitas distrações - a Formula 1 chega à terra húngara numa altura de calor, sol e com Max Verstappen a não ganhar uma corrida pela segunda prova consecutiva, e também numa altura em que o seu companheiro de equipa, Sérgio Pérez, está em grandes apuros, e a própria Red Bull já disse que iriam reavaliar tudo depois das férias, em agosto.  

Perto da partida, soube-se como eles arrancariam: quase todos a partirem com médios, alguns com duros, mas mais atrás da grelha - Pérez era um deles - todos encarariam uma corrida longa, dura e cheia de calor. Iria ser pouco menos de duas horas assim, e parecia que poderia ser um passeio com briga da parte de Max, por causa dos McLaren. Contudo, as chances de não serem assim, eram grandes.  


Na partida, Norris não arrancou muito bem, porque Piastri e Max ficam lado a lado dele. Apertado, tenta fazer a curva, mas é batido por Piastri, que ficou com o comando. Atrás, Max vai para a escapatória, e perde a chance de comandar a corrida para cair na terceira posição, ameaçado por Hamilton e os Ferrari. 

O que não sabíamos na altura é que ali, de uma certa forma, decidiu-se quem seria o vencedor da corrida. Mas não acreditávamos muito nisso porque ainda acharíamos que muita coisa passaria na linha de meta até à sua conclusão. 

Em poucas voltas, os pilotos irão às boxes para trocar para duros, e com isto, Piastri ficou a cerca de três segundos de Norris, com Max não muito atrás, assediado por Hamilton. Isso aconteceu ao longo das 12 voltas seguintes, onde trocaram os médios para duros. Como Hamilton, que trocou para duros na volta 17. Nessa altura, Piastri tinha oito segundos de diferença sobre Max, antes do australiano ir às boxes na volta seguinte. Regressou à pista no quarto posto, na frente de Norris. O piloto da Red Bull foi trocar na volta 21, ao mesmo tempo que foi Carlos Sainz Jr, deixando Leclerc no comando.

Na volta 23, o piloto monegasco foi às boxes, trocar para duros, e nesta altura, Hamilton era terceiro, na frente de Max, com os pilotos da McLaren a estarem separados por pouco mais de três segundos. Leclerc era quinto, a mais de oito segundos, e não parecia apanhar os dois pilotos à sua frente, apesar dos pneus mais novos. 

Quando Sérgio Pérez parou, na volta 29, ele era nono e mostrava que esses duros, que tinha colocado antes da corrida, até poderia ser eficaz, mas não daria para parar uma ocasião. Só provou que se calhar, duas paragens seriam o ideal. Colocados os médios, aproveitava as paragens dos outros para subir na classificação, mas todos sabiam que não iria durar muito. 

Por alturas da volta 35, Max já estava na traseira de Hamilton, e começou a atacar o piloto da Mercedes. Max atacou forte, a conseguiu passar momentaneamente, antes de sair da pista e deixar Hamilton em paz por alguns tempos. Na frente, Norris apanhava Piastri e a diferença tinha caído para um segundo e meio. E nesta altura já tínhamos chegado a meio da corrida.

Max voltou a atacar Hamilton na volta 38, e os ataques eram tais que Leclerc aproximava-se destes dois pilotos. Contudo, ele não o passou: na volta 41, o britânico decidiu trocar para duros, aproveitando a janela e deixando-o na terceira posição. Leclerc aproveitou e também trocou de pneus, para médios, ficando atrás do piloto da Mercedes, mas não estawa muito longe: cerca de 1,3 segundos na volta 45.

Norris foi às boxes na volta 45, numa paragem normal, colocando médios, regressando na quarta posição. Duas voltas depois, foi a altura de Piastri e Sainz Jr, e no regresso, Norris estava na frente com 3,3 segundos de vantagem sobre Piastri. O australiano tentou apanhá-lo nas voltas seguintes, mas em certas condições, ele saía da pista, desgastando mais prematuramente os seus pneus. 


Max ia para as boxes na volta 50, e saía na quinta posição. O piloto da Red Bull estava insatisfeito com a estratégia, mas das boxes, eles afirmavam que poderia apanhar pilotos suficientes para subir ao pódio. Contudo, com 20 voltas para a meta, parece que a sua tarefa seria complicada. Demorou para apanhar Leclerc, que conseguiu passar na volta 57, para ser quarto, e no inicio da volta 63, estava na traseira de Hamilton, que o defendeu da primeira ocasião. Mas na segunda, no final da reta da meta, Max travou para além do limite, e tocou no Mercedes, voando pelo ar. Ele continuou, aparentemente, sem estragos de maior, mas os estragos estavam feitos. Max estava entre os Ferrari, mas uma penalização estava nos planos. Todos sabiam. 

E na frente, Norris cedia para dar lugar a Piastri, e abdicava da vitória. O britânico abrandou para ceder o posto ao australiano, que assim caminhou para a meta, rumo à sua primeira vitória na Formula 1. E claro, em dobradinha! Lewis Hamilton acabou por ser terceiro, na frente de Charles Leclerc. 


Com isto, Piastri tornou-se no sétimo vencedor diferente em 2024. Mas independentemente deste destino, e acabou uma corrida que tinha tudo para ser aborrecida, também, a uma semana do GP belga e das férias do verão, aquilo que estava a ser uma temporada a cair no colo de Max Verstappen tornou-se num "baralha e volta a dar". 

E isso, sejamos honestos... previam uma coisa dessas no inicio do ano? Eu não creio! 

sábado, 20 de julho de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 13, Budapeste (Qualificação)


Depois de uma semana de pausa, a Formula 1 estava de volta à ação, e na Hungria. Não creio que saibam disto, porque muitos de vocês são novos, mas quando a Formula 1 chegou ao - então - Bloco do Leste (ou Cortina de Ferro), em 1986, a pista foi tão mal amada nos primeiros anos, por ser lenta e algo apertada que esteve ameaçada de sair do calendário. Mas, quase 40 anos depois, continua firme e forte, aguentando-se no calendário e tornando-se numa peça do mobiliário automobilístico. Não muito amado, mas uma peça importante. No meio disto tudo já houve pistas que estavam na altura, saíram e regressaram, depois de muito tempo de ausência.

Se o tempo era de calor ao longo da semana - estavam em plena canícula - a partir de quinta-feira, apareceu algo inesperado: chuvas intensas, mas curtas. Tinha caído uma bem forte nesse dia, e no sábado, a previsão de chuva na hora da qualificação era grande, mas com calor a se sentir na região. Do género tropical: 30ºC e uma bátega de água. Algo assim. 

Com essas ameaças meteorológicas, a qualificação começava com boa parte do pelotão na rua, excepto Mercedes, Red Bull e Ferrari. Da McLaren para baixo, foram para a pista marcar os seus primeiros tempos, calçando moles. Els entraram logo na pista, e foram a tempo, porque a chuva, que tinha começado a cair de forma esporádica, começou a cair com maior intensidade. 


A pista ainda estava seca, com Hamilton a marcar 1.17,087, o melhor da tabela de tempos até então, mas todos começaram a marcar tempos para ver se passavam para a Q2, numa altura em que Logan Sargent bateu no muro, danificando o seu nariz. Pouco depois, Sérgio Pérez bateu forte no muro de pneus na curva oito e a sessão ficou interrompida. O Red Bull do mexicano foi o primeiro a sair na Q1, apesar de na altura ter o nono tempo.

Sessão parada, a chuva caiu com mais força, desligando-se o DRS. Pouco depois, retirado o Red Bull, os pilotos saíram da pista para tentar fazer mais umas voltas. Por causa do calor, a pista não estava totalmente molhada, e se sim, a água evaporava-se o mais rapidamente possível. Contudo, os pilotos saiam cautelosamente, para evitar mais sarilhos e comprometer a qualificação.

Na parte final, Max conseguiu... o mesmo tempo que Hamilton, antes de Ricciardo conseguir 1.17,050, melhorando o seu tempo e indo para o topo da tabela de tempos. Em contraste, a acompanhar Pérez, ficaram para trás os Alpine de Pierre Gasly e Esteban Ocon, o Mercedes de George Russell e o Sauber de Zhou Guanyou.  

A segunda parte da qualificação começa com mais do mesmo: pilotos concentrados, tempo incerto e pneus moles. Depois das primeiras voltas, Sainz foi o primeiro a marca tempo, antes de Hamilton melhorar, e depois Max marcar 1.15,770. Piastri foi o segundo, seguido por Alonso e Stroll, nos seus Aston Martin. Pouco depois, Sainz regressou à pista para fazer o terceiro melhor tempo, antes do pelotão ir às boxes colocar um jogo de moles novos. 

Na parte final, Norris melhorou com 1.15,540, e apesar de alguns melhoraram as suas voltas, aqueles que ficaram de fora foram os Williams de Alex Albon e Logan Sargent, os Haas de Nico Hulkenberg e Kevin Magnussen e o Sauber de Valtteri Bottas. Em contraste, os Racing Bulls de Yuki Tsunoda e Daniel Ricciardo passaram para a Q3.


Max foi o primeiro a marcar um tempo, com 1.15,555, esperando que os outros tentem apanhá-lo de foram inútil, pensava ele. Piastri era segundo, a 308 centésimos. Mas Norris melhora com 1.15,227, com previsões de mais chuva dali a minutos. Os carros estavam todos nas boxes, e quando regressaram, alguns pilotos melhoraram o seu tempo. Primeiro, Piastri, depois Sainz Jr e Max, mas sem melhorarem. E a dois minutos e 13 do final da sessão, Yuki Tsunoda bateu nos pneus, causando nova bandeira vermelha. 

Reparados os estragos, havia o tempo para uma volta final. 

O primeiro a conseguir foi Lando Norris, mas no final da volta, foi às boxes, seguido por Piastri. Ou seja, ninguém conseguiu melhorar o seu tempo e assim Lando Norris ficou com a sua segunda pole-position da temporada, depois da Espanha. E melhor ainda: é uma dobradinha da McLaren, ficando na frente de Max Verstappen. Em suma, uma qualificação de sonho para a McLaren.


E como será amanhã? Chuva não haverá, mas calor, sim. Não deverá ser uma corrida fácil.  

terça-feira, 25 de julho de 2023

Youtube Formula 1 Video: As comunicações de Budapeste

O fim de semana húngaro até foi algo complicado, mas proporcionou alguns bons momentos de rádio que valem a pena serem compartilhados. Aqui estão.  

domingo, 23 de julho de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 11, Budapeste (Corrida)


A meio do verão, com meio mundo na praia e outro meio a correr para o cinema para saber se verão um filme sobre uma boneca ou outro sobre o "pai" da bomba atómica - fizeram-se memes sobre estes dois filmes - na Formula 1, todos contam o tempo até que o campeonato se resolva a favor da Red Bull. Aqui não há história, exceto se baterem recordes de domínio. Por exemplo, em caso de vitória de Max Verstappen, ganharia pela oitava vez consecutiva, e no caso da Red Bull, bateria o recorde de 10 vitórias consecutivas, que pertence à McLaren, conquistado em 1988 com o mítico chassis MP4/4. Se Max será Ayrton Senna, creio que a história ainda terá uma palavra a dizer, porque falta muito para o final da sua carreira. Ainda tem 25 anos...

Aliás, sabiam que desde o inicio da temporada de 2021, o Max conseguiu 33 vitórias em corridas? E que, se contássemos apenas a temporada de 2022 e 2023, se triunfasse nesta tarde, igualaria Juan Manuel Fangio no número de vitórias? Acho que é por isso damos o nome de domínio. Os Red Bull são incríveis, como foram antes os Mercedes.    

Antes da partida, os pneus: gente como Sergio Perez e George Russell iam correr de duros. Carlos Sainz Jr, Lance Stroll, Pierre Gasly e Yuki Tsunoda colocaram macios, enquanto os demais decidiram partir de médios.


Quando as luzes se apagaram, Max foi para a frente, batendo Hamilton. Melhor foram os McLaren, que bateram o britânico, que ficaram em segundo e terceiro, com Lando Norris na frente de Oscar Piastri. Atrás, Guanyou Zhou teve problemas na primeira curva a caiu para 16º, passando a partir dali para tentar uma prova de recuperação. Quase a seguir, Pierre Gasly tinha problemas por causa de um furo, e notou-se a razão do atraso do chinês da Sauber-Alfa: uma colisão com... Daniel Ricciardo. E com isso, os Alpine foram arrastados, acabaram por colidir um com o outro. Não é boa propaganda... porque no final, ambos abandonaram.

Na frente, Verstappen começou a afastar-se dos McLarens, e as coisas ficaram assim nas primeiras 15 voltas, até que fizeram a sua primeira paragem. Gente como Piastri e Charles Leclerc foram os primeiros, e no regresso à pista, Norris ficou com o terceiro posto, depois de uma luta... mais limpa com o seu companheiro de equipa. No segundo posto, estava Checo Perez, mas a mais de 22 segundos de Max. 

Checo foi às boxes na volta 23, uma antes de Max, que regressou à pista sem perder a liderança do campeonato. O mexicano caiu para sétimo, mas começou a tentar recuperar posições, primeiro passando Sainz Jr, depois perseguindo Russell, antes de o passar.  

A partir daqui, a corrida caiu para uma modorra, do qual o tempo também ajudava. Apesar dos carros andarem juntos e existirem algumas ultrapassagens, a meio da corrida, Norris já tinha 11 segundos de atraso para Max, com Checo a tentar apanhar Hamilton e Piastri para ver se tinha chances de pódio. 

O mexicano apanhou Hamilton na volta 42, mas ele vendeu cara a ultrapassagem, porque quase a seguir foi às boxes trocar para médios, ao mesmo tempo que Oscar Piastri, e saiu logo atrás dele. Hamilton acabou por parar na volta 51, para colocar médios e regressar em quinto, entre Piastri e Leclerc, que tinha levado uma penalização de cinco segundos por ter excedido o limite de velocidade noas boxes.

Max entraria na volta seguinte, colocou médios e regressou à pista com 12 segundos de vantagem para Norris. Atrás, Hamilton apanhava Piastri para ser quarto, e Perez ia perseguir Norris para ver se conseguia o segundo lugar, e essa foi a atenção nas voltas finais da corrida. Contudo, viu-se que os seus médios chegaram ao seu limite, e a diferença começou a aumentar ao ponto de se ver que, se o mexicano ia ao pódio, seria no seu lugar mais baixo. E isto... se aguentar o ataque de Hamilton ao seu lugar.

Mas depois, ficou sem tempo: Max ganhou a corrida e Checo aguentou os pneus que se degradaram quando não devia. Logan Sargent ainda teve tempo para se mostrar... despistando-se e acabando por abandonar a corrida. A terceira, quase no final, um extremo dos Alpine, que abandonaram na primeira volta. Acontece.


E claro, numa era de domínios, a Red Bull bateu um recorde, que foi de 12 vitórias seguidas na Formula 1, um recorde que já tinha 35 anos e pertencia á McLaren, quando colocou na pista o dominador MP4/4. Claro, poderemos pensar: será que este carro será recordado nos livros de história? Eu não tenho a resposta. O que posso afirmar é que semana que vêm, o pelotão estará na Bélgica. E depois... férias. 

E com os 110 pontos de diferença entre Max e Checo, tudo indica que Austin será o palco do seu tricampeonato. A não ser que o mexicano escorregue e tudo seja decidido antes, no Qatar. 

sábado, 22 de julho de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 11, Budapeste (Qualificação)


Depois de duas semanas, a Formula 1 regressa a Budapeste com um regresso ao pelotão e uma noticia para o resto do paddock. A primeira é o Daniel Ricciardo, agora na Alpha Tauri, para substituir Nyck de Vries, que nem meia temporada teve para provar num carro que não é o melhor do pelotão - bem pelo contrário... 

Mas as pessoas que estão em Budapeste estavam a almoçar quando se soube que a corrida húngara iria ficar até 2032 no calendário, uma renovação de quase uma década. Até é algo interessante, no mar de corridas em circuitos do Médio Oriente e Américas, mas essa pista é uma mistura de Barcelona e Zandvoort, e bem calculado, quando este novo contrato acabar, ficará no calendário por quase meio século. Paga quem pode? 

Coia interessante nesta qualificação é o teste que a FIA e a F1 decidiram fazer: obrigar todas as equipas a usarem todos os componentes que a Pirelli lhes dá. Ou seja, na Q1, usam os duros, na Q2 os médios e na Q3, os moles. Nesta qualificação, por exemplo, os pilotos terão três duros, quatro médios e quatro moles, ou seja, onze jogos de pneus. Os pilotos torcem o nariz com tal coisa, porque eles ficam sem ideia do tipo de condições no asfalto - por exemplo, hoje, a temperatura é bem alta - e não tem maneira de aproveitar o que quer que seja. Pelo menos em relação às corridas anteriores. Mas por agora, alinham na experiência. 

Outra coisa interessante: a Apex GP também anda por ali em filmagens, apesar de quase no outro lado do mundo, em Hollywood, decorrer uma greve...


A Q1 aconteceu em pleno calor, e um dos primeiros a marcar um tempo foi Valtteri Bottas, que conseguiu 1.18,818, com Max Verstappen a meros 74 milésimos de segundo. Os pilotos continuavam a marcar tempos, e apesar de Sérgio Perez ter melhorado, e ficado na frente de Max, Bottas ainda era o primeiro na tabela de tempos. E ainda por cima.. melhorava! 1.18,775. Claro, ainda faltava muito tempo: 10 minutos.

Max acabou por melhorar, conseguindo 1.18,658 e subindo para o primeiro posto, enquanto os Alpha Tauri começaram a meter os seus carros dentro dos 10 primeiros, tentando escapar da zona de eliminação. Perto do fim, os tempos começaram a baixar, com Guanyou Zhou a conseguir 1.18,143, mostrando que com duros, os Alfas-Sauber até são mesmo bons.

E no final da Q1, algumas surpresas: George Russell era 18º e ficava de fora, e fazia companhia a Kevin Magnussen, Yuki Tsunoda e os Williams de Alex Albon e Logan Sargent. 

Pouco depois, começava a Q2, agora com todos calçados com pneus médios. Os Red Bull eram os primeiros a alinhar na saída das boxes, querendo aproveitar a chance de serem os primeiros a marcar tempos. Curiosamente, os únicos que os acompanhavam nestes primeiros minutos eram Lance Stroll e Esteban Ocon. 


Perez foi o primeiro a marcar tempo, com 1.17,675, mas pouco depois, Max baixou para 1.17,296, antes do tempo ser apagado por ter excedido os limites na curva 5. Sem tempo, era último, e ia para as boesm tentar de novo com outro novo jogo de médios. Assim sendo, neste momento eram os McLaren na frente, com Lando Norris a ter 1.17,328, na frente de Oscar Pistri.

No final, Max regressou à pista e marcou um tempo que o colocou na Q3, tal como o seu companheiro de equipa. Mas nenhum dos dois conseguiu bater Norris, que se mantinha na primeira posição, apesar de Hamilton ter ficado por perto, a 99 milésimos. Mas o mais surpreendente é que os Alfa-Sauber estavam na Q3, quando em contraste, Carlos Sainz Jr, Esteban Ocon, Daniel Ricciardo, Lance Stroll e Pierre Gasly iriam ver o resto da qualificação nas boxes. 

E assim chegamos à Q3, com os pilotos a calçarem os moles.

Nos primeiros minutos, os pilotos foram para a pista para marcar tempos, e ali, Max mostrou ao que ia, marcando 1.16,612, com Hamilton a surgir a seguir, e Norris em terceiro, a 292 centésimos. Feita a primeira parte, as atenções concentraram-se na última onde, surpreendentemente, Lewis Hamilton tira um coelho da cartola e bate Max por três milésimos de segundo! Norris e Piastri ficam com a segunda fila da grelha, mostrando que os McLaren estão em ascensão, com Zhou e Bottas a serem quinto e sétimo com os seus Sauber-Alfa, com Leclerc entre eles. 


E assim foi esta qualificação diferente em paragens húngaras. Será que poderão repetir isto nas próximas?

domingo, 31 de julho de 2022

A imagem do dia


"Spin and win". Fazer um pião e triunfar. Já aconteceu no automobilismo. E hoje aconteceu mais uma dessas, graças a Max Verstappen, nesta tarde, na Hungria. Partindo de décimo na grelha, aproveitou bem a estratégia delineada por Hannah Schmitz, a engenheira da Red Bull, para aproveitar da melhor maneira a desvantagem que tinha à partida desta corrida.

Provavelmente, Max poderia pensar na vitória como algo difícil. Mas se calhar, um pódio poderia ser uma possibilidade. Mas depois desta corrida, a sua vantagem no campeonato alargou-se para 80 pontos, antes de ir para férias. Isto quer dizer que, se mantiver esta distância - ou até alargá-la - poderá ser bicampeão em Austin, no GP dos Estados Unidos, independentemente do que conseguir na corrida de sprint do GP de Itália.

Verdade: a Ferrari andou esta tarde a dar tiros nos pés, para desespero dos "tiffosi", porque não foi a primeira vez. E se calhar, nem será a última. E muitos que torcem pelos "vermelhos" queriam que isto fosse como no futebol: trocar tudo e todos de quatro em quatro corridas. Não é assim que funciona, estão na modalidade errada. Bem sei que eles estão a desesperar porque lhes disseram que tinham, por fim, um excelente carro e uma dupla de pilotos capaz. Mas depois querem que haja uma hierarquia, dar tudo ao Charles Leclrc e ao Carlos Sainz Jr, os restos, como acontecia nos tempos do Schumacher. 

Problema é que isto não funciona dessa maneira.

E chegados às "férias de verão", o mais interessante é que Max tem toda esta distância depois de ter conseguido... 25 pontos após as três primeiras provas do ano. Ainda se lembram disso? E Leclerc tinha 71? Chegamos à conclusão de que ele conseguiu transformar estes 36 pontos de desvantagem em 80 de avanço. Agora imaginem se tivesse ficado na frente do monegasco, ou pontuado nas corridas do Bahrein e da Austrália...

Recuperar de um início destes não é para qualquer um. É para quem tem estofo de campeão. E Max, por muito que os seus "antis" não queiram ver, tem esse estofo.

Agora, o que o regresso das férias acabará por nos trazer? O neerlandês tem uma almofada valiosa do qual irá trazer multidões de gente aos circuitos de Spa e de Zandvoort. Se conseguir triunfar nesses dois, alarga a sua vantagem e se calhar, esperará sentado pelos erros dos outros, se fizerem. E quando acabar as corridas europeias e desembarcarem em Singapura, no início de outubro, é provável que andaremos a contar as corridas até ao "match point" de 2022. E da maneira como as coisas andam, o neerlandês e a Red Bull podem alugar o COTA (Circuit of the Americas), em Austin, para os festejos de campeão. 

sábado, 30 de julho de 2022

Formula 1 2022 - Ronda 13, Hungaroring (Qualificação)


É verdade que a Formula 1 está em corrida, de circuito para circuito, aproveitando as curtas distâncias que estão a percorrer na Europa, mas os poucos dias entre Paul Ricard (ou Le Castelet, o lugar onde situa o circuito) e Budapeste serviram perfeitamente para que Sebastian Vettel fizesse o que foi o anúncio do ano até então: de que se iria reformar no final da temporada. Causou ondas de choque tal declaração, apesar de uma cera maneira, era algo que começava a ser especulado. As declarações do resto do pelotão, homenageando o ser humano que é demonstram que, rivalidades à parte, era alguém tremendamente apreciado por todos. 

Contudo, neste sábado, apesar de continuar o duelo entre Ferrari e Red Bull, com os energéticos cada vez mais confortáveis, graças aos enganos dos cavalos rampantes de Maranello, iria haver mais um elemento que poderia entrar e baralhar tudo: a chuva. 


Pelo menos, no terceiro treino livre, os que se safaram melhor foram os Williams de Nicholas Latifi e o de Alex Albon. Depois do que li, pensei: mas regressamos aos anos 90?

Mas não. Antes da qualificação, as garotas tiveram a sua corrida na W Series, e a pista estava mais que seca, e as nuvens estavam afastadas. Menos de dez por cento de chances de chuva perto da hora da qualificação, logo... foi bom enquanto durou, Williams.

A qualificação começou com os Ferrari a serem os primeiros na pista, e com a Mercedes e a Red Bull a irem mais tarde. Mas foi logo na sua primeira tentativa que Max Verstappen marcou um tempo respeitável de 1.19,020. Mas pouco depois, os Ferrari entraram em cena e marcaram 1.18,561 para Carlos Sainz Jr. Charles Leclerc tentou marcar melhor, mas apenas conseguiu 1.18,806. E logo a seguir, Max Verstappen conseguiu 1.18,509.

Na segunda parte da Q1, Lewis Hamilton conseguiu 1.18,374, indo para cima da tabela de tempos. George Russell era o segundo, 33 centésimos mais lento. Mais abaixo, era a luta para fugir aos úlyimos lugares. Nicholas Latifi quase conseguiu um tempo que permitia passar para a Q2, mas um erro na última curva o impediu de seguir.  

E quando o tempo chegou ao zero, eis o que aconteceu: entre os eliminados na Q1 foram os Alpha Tauri, os Williams de Lattifi e Alex Albon - foi bom enquanto a ilusão durou, rapazes! - e o Aston Martin de Sebastian Vettel.

E passamos para a Q2, poucos minutos mais tarde.

Os Mercedes voltaram a ser os primeiros a ir para a pista. Depois vieram os Ferrari, mas o primeiro tempo de relevância veio da McLaren, quando Lando Norris conseguiu 1.18,121. Durou pouco, porque Max Verstappen obteve 1.17,703. Sérgio Perez veio atrás dele e conseguiu o terceiro melhor tempo. Mas... os comissários decidiram anular esse tempo, por afirmar que ele tinha ido fora dos limites. Só que... não foi. E o tempo foi restituído. Mas quando foi, era já nono, porque por essa altura, gente como Fernando Alonso tinha melhorado. 

 E a parte final, ficou ainda pior para o mexicano da Red Bull. Estava de fora do "top ten" e precisava do tempo para lá entrar. Na sua volta rápida, Magnussen ficou no seu caminho e prejudicou-o. Nas boxes, viu, desolado, viu o Alfa Romeo de Valtteri Bottas e o Alpine de Estaben Ocon melhorarem seus tempos e o tirarem da Q3.

E a acompanhá-lo, ficaram o outro Alfa de Gunangyou Zhou, os Haas de Mick Schumacher e Kevin Magnussen e o Aston Martin de Lance Stroll.

A Q3 tinha os dez felizes contemplados a andarem com os moles da Pirelli, e o primeiro a marcar um tempo era Esteban Ocon, com 1.17,985, antes de Sainz Jr melhorar com 1.17,505. Mas Max Verstappen, que estava na pista para tentar marcar um tempo... começou a ter problemas. Não tinha potência. E encostado às boxes, iria ver o resto da Q3 dessa forma, garantindo... o décimo tempo.

A Ferrari estava mais à vontade para a primeira fila, e parecia que iria monopolizar. Lá tentarem melhorar os seus tempos, mas não foram suficientes porque George Russell ficou com o primeiro posto, com 1.17,377. Surpreendente? Parecia que sim. E pior: por muito que os carros vermelhos tentassem, não conseguiram desalojar o britânico da Mercedes. 


No final, a qualificação revelou algo inesperado, com o resultado de George Rusell. Num circuito tão travado como a da Hungria, resta saber se a Mercedes fará das sus fraquezas forças e decida baralhar um pouco mais este campeonato.

W Series: Powell bate Chadwick e vence em Budapeste


Pela primeira vez no campeonato, Jamie Chadwick não ganhou uma corrida. Esta tarde, no Hungaroring, a britânica Alice Powell levou a melhor sobre a líder do campeonato, com a neerlandesa Beitske Visser no lugar mais baixo do pódio. 

Depois de na véspera ter sido a "polewomen", e Chadwick não ter conseguido mais do que o quinto lugar na grelha, no dia de hoje, com a pista a secar depois de uma chuvada de manhã, durante o treino livre da Formula 1, Alice Powell largou na frente da corrida, que tinha começado atrás do Safety Car. Chadwick passou para quarta, aproveitando alguma confusão no pelotão, no qual Nerea Marti tinha sido a mais prejudicada, caindo para o fundo do pelotão. 

Dez minutos na corrida, Chadwick estava na traseira de Marta Garcia, tentando-a passar, o que aconteceu pouco depois. Agora tinha na frente Beitske Visser, a terceira, enquanto atrás, Abbie Eaton tinha saltado de sétima para quarta. Mas quando a filipina Bianca Bustamante bateu no muro, e pouco depois, ficara parada na entrada das boxes, o Safety Car foi acionado e as pilotos ficaram próximas umas das outras. Por esta altura, Chadwick tinha passado Visser e era segunda, na traseira de Powell. 

Na parte final, foi mostrada a bandeira verde e ali, Chadwick pressionou Powell pela liderança, numa luta entre britânicas, mas no final ela aguentou as investidas da líder. E pela primeira vez nesta temporada, uma piloto que não Chadwick subia ao lugar mais alto do pódio. Marta Garcia é quarta classificada, enquanto a japonesa Juju Noda conseguiu os seus primeiros pontos, ao ser nona classificada, na frente da brasileira Bruna Tomaselli.

No campeonato, Chadwick continuava a liderar, com 143 pontos, contra os 68 de Powell, que subiu ao segundo posto, empatado com Visser. Abbi Pulling era a quarta, com 65 pontos.

Agora, a W Series voltaria à ação a 2 de outubro, em Singapura.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Noticias: Budapeste pode ser chuvosa


Faltam cinco dias para o Grande Prémio, mas o final de semana e Budapeste promete ser chuvosa. Segundo as previsões meteorológicas do momento, estão previstos aguaceiros no sábado à tarde, hora da qualificação, para além de ameaças no domingo, mas mais dispersas. Para ficar com ideia, no sábado fala-se de 70 por cento, contra os 35 por cento no domingo, tudo isto com temperaturas máximas a rondarem os 29 graus. 

Isso quererá dizer que, provavelmente, poderemos ter uma qualificação agitada, com gente a tentar surpreender na grelha. Ou então, que poderá chover tanto que a sessão poderá ser interrompida por algum tempo e regressar quando a pista começar a secar. 

Mas até sábado, termos de saber se haverá modificações.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Noticias: Aston Martin desiste do recurso de Budapeste


Semana e meia depois da desclassificação de Sebastian Vettel devido aos problemas da retirada de combustível do seu carro, após o segundo lugar alcançado em Budapeste, a Aston Martin decidiu abandonar o recurso que tinha lançado contra a FIA pela sua decisão. A equipa de Silverstone afirmava que os restantes 700 mililitros poderiam ser retirados de outras partes do carro, para além daqueles que foram retirados para análise e eram inferiores à obrigada pelos regulamentos.

Contudo, na segunda-feira, o seu requerimento foi deferido, tendo sido ainda lhe negado a possibilidade de apelar. Depois disso, era inevitável que a  Aston Martin se conformasse com o que aconteceu, e foi o sucedido nesta quinta-feira, quando lançou um comunicado a revelar que não iria prosseguir com processo. 

”Considerando a nossa posição e notando que o veredicto dos comissários da FIA assumia haver evidência claras de uma falha no sistema de alimentação, decidimos ainda assim desistir do nosso apelo tendo por base que acreditamos que ao fazê-lo o benefícios suplantam os de uma audiência”, podia-se ler.

Assim sendo, fica homologada a desclassificação de Vettel, com Lewis Hamilton a subir para segundo e Carlos Sainz a terceiro. Max Verstappen sobe a nono, mas acaba por perder mais dois pontos para o inglês na luta pelo Campeonato de Pilotos, num campeonato que prossegue no final do mês com o GP da Bélgica, em Spa-Francochamps.

domingo, 1 de agosto de 2021

Formula 1 2021 - Ronda 11, Budapeste (Corrida)


Depois da qualificação, vem como sempre, o dia da corrida. O fim de semana de Budapeste estava com calor na atmosfera... e nas boxes, porque afinal de contas,  os Mercedes tinham conseguido reagir ao ataque dos Red Bull nas últimas corridas, e tambem à polémica de Silverstone, com o que aconteceu entre Max Verstappen e Lewis Hamilton. Com todos a cheirarem o sangue, quais tubarões na água, todos queriam falar da mesma coisa depois do que aconteceu, por muito que Max Verstappen diga que já estava enjoado e todos tinham de seguir em frente.  

Mas neste domingo, a corrida começou antes do tempo. Primeiro, quando se soube que a Red Bull teve de trocar de motor quando se descobriu uma fissura na unidade de potência. Lá teve de ser penalizado para poder correr. E a pouco menos de uma hora da corrida... começou a chover! E por causa disso, todos decidiram correr de intermédios.


E na partida... confusão! Bottas e Verstappen bateram ambos na primeira curva, com os McLaren também a irem na carambola. O neerlandês regressou no fundo da grelha, e nas imagens se viu que a grande parte da culpa recaiu em Bottas, pelo erro cometido - bateu na traseira de Lando Norris - e a má partida. Pouco depois, os comissários da pista decidiram mostrar a bandeira vermelha, por causa dos destroços, com Hamilton na frente de... Esteban Ocon e Sebastian Vettel! E quatro pilotos fora: Stroll, Bottas, Leclerc e Perez. Norris levou o carro até às boxes, mas também abandonou. 

Na meia hora seguinte, os pilotos fizeram as reparações nos carros danificados e esperavam que a chuva parasse, e quando aconteceu, todos... menos Hamilton, pararam na volta de apresentação, para colocar médios. E apenas com ele por ali... é mais uma imagem surreal para a história da Formula 1. Quando o britânico percebeu o erro, foi às boxes e caiu para o fundo do pelotão!

Na corrida, Esteban Ocon estava na frente de Sebastian Vettel, enquanto toda a ação estava concentrada no fundo do pelotão, com Hamilton e Verstappen a tentarem recuperar o tempo perdido. Mas poucas voltas depois, nova desistência, quando Nikita Mazepin... bateu nas boxes por causa do carro de Kimi Raikkonen, que regressou à pista na pior altura possível.

Nicholas Lattifi era terceiro, a aguentar todos atrás dele, a começar por Yuki Tsunoda, que era melhor que Pierre Gasly, apenas décimo. George Russel, seu companheiro de equipa, era sétimo. Hamilton andava de mal a pior, e na volta 19, resolveu parar para colocar duros, tentando ver se iriam até ao final da corrida com o mesmo jogo de pneus. A Red Bull respondeu com Verstappen, colocando novo jogo de médios. O neerlandês saiu para a pista... atrás de Hamilton, e parece ser mais um tiro no seu próprio pé. 

Com o passar das voltas, Hamilton começava a ultrapassar alguns pilotos para chegar o mais alto possivel. Na frente, Vettel andava sempre atrás de Ocon, mas com o tempo ficava um pouco para trás. Na volta 37, quando o alemão da Aston Martin foi para as boxes trocar de pneus, a Alpine, por uma volta, tinha os seus carros nos dois primeiros lugares, com Ocon e Alonso nessa ordem. Depois dessas paragens, à entrada da volta 40, Hamilton era quarto, a menos de oito segundos da liderança. 

Mas havia novas nuvens no horizonte. Ou seja, a respiração teria de ser contida até ao final da prova.

Na frente, Ocon sustinha o veterano Vettel enquanto Sainz, Hamilton e Alonso seguiam-o. Na volta 47, Hamilton parou de novo, colocando médios e depois de ter voltado à pista... começou a rodar três segundos abaixo da média. O britânico pergoutou às boxes para saber o ponto da situação, com Toto Wolff a responder "Lewis, tu podes vencer isto!" Ao mesmo tempo que acontecia, Vettel estava mesmo na traseira de Ocon, espreitando por um erro do francês. E Alonso está colado no Sainz, numa batalha espanhola. Mas com isso, Hamilton aproximou-se.

Na volta 55, Alonso começou a aguentar Hamilton, fazendo a sua parte para segurá-lo e ajudar a equipa. E o veterano usava a estreiteza da pista a seu favor, pois com o passar das voltas, sem que o britânico conseguisse passar, parece que as suas chances de vencer diminuiam. Mas na volta 64, Hamilton conseguiu por fim passar, depois de um erro do piloto da Alpine. Duas voltas depois, passou Sainz Jr para ser terceiro. 


A parte final era para saber se Hamilton tinha tempo para os apanhar. Sete segundos poderiam ser muito numa corrida normal, mas numa equipa e num piloto anormais, tudo era possivel. Mas na Alpine, já havia certezas: Ocon iria vencer, dar à equipa a sua primeira vitória de um francês desde Pierre Gasly, em Monza 2020, e a de um carro francês em mais de uma década.