sábado, 17 de janeiro de 2026

Youtube Motorsport Video: O convívio de inverno da Formula 1

Isto é um tesouro raro: como os pilotos descontraíram na neve. Agora, é raro, mas em 1970, ver pilotos, esposas, fotógrafos e outros membros na Suíça, na neve, algumas semanas antes do começo da temporada, no verão sul-africano.

Entre os que estão neste video, está Bruce McLaren, Bette Hill (esposa de Graham Hill) e o fotógrafo Bernard Cahier, Jackie Oliver, e Henry Taylor, entre outros. A matéria é do programa "Wheelhouse", da BBC britânica.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As imagens do dia




Quase um dia depois da Red Bull e Racing Bulls terem mostrado os seus chassis, no outro lado do Atlântico, em Silverstone, a Cadillac dava os seus primeiros passos na Fórmula 1, ao realizar o shakedown do seu monolugar de 2026 em Silverstone. Numa sessão marcada pela pista molhada, a marca norte-americana prepara-se para a sua estreia oficial na categoria, tornando-se a primeira nova equipa a entrar no campeonato desde a Haas, em 2016.

Com a sua base europeia localizada junto ao circuito britânico, a Cadillac optou por realizar um primeiro teste discreto antes da apresentação oficial da decoração do carro, prevista para 8 de fevereiro, durante o intervalo do Super Bowl. A equipa irá também participar no primeiro teste de pré-época em Barcelona, a partir de 26 de janeiro. 

O shakedown contou com o piloto de reserva Guanyu Zhou ao volante, tendo a equipa divulgado nas redes sociais um breve vídeo das primeiras voltas do monolugar em pista. Sendo cliente da Ferrari no fornecimento de unidades motrizes, este teste marcou igualmente a primeira saída para pista do motor Ferrari de 2026.

Zhou comentou a importância do shakedown para o desenvolvimento inicial do projeto:

É um momento entusiasmante. O shakedown serve para garantir que o carro está a funcionar e que todos os engenheiros estão a validar os principais sistemas, como a caixa de velocidades, o motor e os primeiros acertos de afinação.", começou por afirmar.

Para o piloto, trata-se de perceber se nos sentimos confortáveis no novo cockpit, com o volante, com as sensações e com a comunicação com a equipa. Estou ansioso por esta fase e ainda mais pelo início da época, quando tudo começar a sério.

Mas um passo na nova aventura, outras serão dadas até Melbourne, a primeira corrida do ano. E ali, veremos como se comportará em relação aos outros, com os carros dos novos regulamentos. 

Youtube Automotive Video: A revolução do Robotaxi

As "Big Techs" estão agora numa corrida para ver quem consegue fazer o veículo mais eficaz para substituir os taxis. Waymo, Zoox e Tesla são algumas das marcas que andam a construir este tipo de veículos sem condutor - uns com volante, outros... nem isso, como a Waymo.

Isto pode ser revolucionário, mas tem os seus riscos. Nem tanto o lugar a ser eliminado, ou a tecnologia que está sempre a ser melhorada, mas é o facto dela estar sempre a funcionar a tempo inteiro, mesmo quando as coisas poem não estar a correr bem. 

E esta matéria da Bloomberg Television fala com os principais responsáveis das firmas em questão sobre as grandes perguntas de uma parte da mobilidade que arrisca a entrar numa revolução na próxima década.  


WRC: Paddon pronto para o regreesso


A temporada de 2026 assistirá ao regresso de Hayden Paddon a um carro de Rally1, quatro anos depois do seu último rali no WRC. De regresso, e a partilhar o carro com Dani Sordo e Esapekka Lappi, o piloto irá correr o rali de Monte Carlo ao lado de Thierry Neuville e Adrien Formaux. E o seu objetivo nesta sua temporada de regresso à estrutura coreana, onde participou entre 2014 e 2018, especialmente neste rali de Monte Carlo, é simples: acabar a prova, de preferência nos pontos, para fazer a sua contribuição para a equipa coreana. 

Sinto-me mais nervoso do que aliviado. Tudo aconteceu muito depressa desde dezembro e quase não houve tempo para assimilar. Quero corresponder à confiança que a equipa deposita em mim e ajudar a Hyundai a lutar pelos títulos”, começou por falar, em relação à sua temporada de regresso.

Foi bom ter o primeiro contacto, embora as condições fossem muito traiçoeiras. O carro é completamente diferente dos que temos conduzido nos últimos anos — há muito para aprender, desde a aerodinâmica ao funcionamento do chassis e da transmissão”, continuou Paddon, acrescentando que espera ganhar confiança “com alguns dias de testes adicionais”.

O objetivo é simples: chegar ao fim. Neuville e Fourmaux estarão a lutar pelas posições da frente e o nosso papel é dar apoio, assegurando que a Hyundai soma pontos. É um papel diferente, mas igualmente importante.


O WRC começa a sua temporada na próxima semana nas estradas alpinas à volta de Monte Carlo.


Apresentações 2026 - 2 - O Racing Bulls


Ao mesmo tempo que era apresentado o Red Bull RB22, o Racing Bulls - ou o Visa Cash App Racing Bulls, por motivos de patrocínio - também se mostrava ao mundo, de Detroit, sede da Ford, pois tal como a Red Bull, a Racing Bulls tem uma unidade motriz própria desenvolvida em parceria com a Ford. Esta estreia do Red Bull Ford Powertrains representa um marco histórico para o grupo, que pela primeira vez assume total independência técnica face a fornecedores externos.

Com uma nova dupla de pilotos, composta pelo neozelandês Liam Lawson e o britânico Arvid Lindblad, a equipa espera que os resultados sejam consistentes em relação a 2025, altura em que, por exemplo, assinou cinco posições nos dez primeiros na segunda metade de 2025, e Isack Hadjar, agora na Red Bull, conseguiu um pódio no GP dos Países Baixos.

Alan Permane, diretor de equipa, destacou a relevância estratégica da colaboração com a Ford:

“[A temporada de ] 2026 representa uma das maiores mudanças técnicas da Fórmula 1, e a parceria com a Ford no início desta viagem é muito significativa para nós. O projecto Red Bull Ford Powertrains reúne engenharia de classe mundial, inovação e ADN de corridas, colocando-nos numa posição forte à entrada desta nova era do desporto”, afirmou.

Já o seu CEO, Peter Bayer, enfatizou a evolução da identidade da Racing Bulls:

Este lançamento reflete a nossa evolução como marca e equipa de corridas. Desde Detroit como pano de fundo da parceria com a Ford, até aos criadores, fãs e comunidades envolvidos, tudo espelha a nossa ambição de sermos uma equipa orientada pela cultura”, comentou.


Quanto aos pilotos, Liam Lawson, de 23 anos, afirmou: “Adoro o branco. Temos mais azul e, obviamente, a Ford na traseira, o que fica mesmo muito bem. Estou ansioso. Será uma época muito diferente, com novas oportunidades. Primeiro precisamos de ver quão rápido está o carro. Parece rápido, por isso espero que o seja na pista”.

Já Arvid Lindblad, que com 18 anos, será o piloto mais jovem e único estreante da grelha de Fórmula 1 em 2026, afirma estar entusiasmado com a sua estreia na categoria máxima do automobilismo. “Estou mesmo entusiasmado. Chegar à Fórmula 1 foi sempre o meu objectivo e ver esse sonho realizado é algo pelo qual tenho trabalhado toda a vida. Mal posso esperar para começar”, declarou o jovem piloto.

Agora o carro seguirá para os primeiros testes da pré-temporada, que acontecerão atrás de portas, no circuito da Catalunha, nos próximos dias.   

WRC: Sesks correrá em sete ralis em 2026


O letão Martins Sesks irá correr em sete provas do WRC para a nova temporada, que começará na próxima semana em Monte Carlo. Ele irá correr ao lado dos irlandeses Jon Armstrong e Josh McErlean, que farão a temporada a tempo inteiro. Será o mesmo número de provas que fez em 2025, e andará só em provas de terra, o que significa que poderá estar em provas como o rali de Portugal e o rali da Arábia Saudita, entre outros, ralis onde participou.

Paralelamente, Sesks irá disputar algumas rondas do Campeonato Europeu de Ralis (ERC), com presenças confirmadas na Suécia e em Portugal, além de provas nacionais selecionadas aos comandos de um carro da categoria Rally2.

Tudo isto serve como preparação para a temporada de 2027, altura em que o WRC entrará numa nova fase regulamentar com a introdução dos carros WRC27 e a possibilidade de os Rally2 competirem na categoria principal.

Sesks, de 26 anos, teve uma temporada algo modesta, em comparação com 2024. O seu melhor resultado foi um sexto lugar no rali da Suécia, alcançando 16 pontos no final da temporada. 

Apresentações 2026 - 1: o Red Bull RB22


Esta madrugada, em Detroit, nos estados Unidos, arrancou a temporada de apresentações, com o lançamento simultâneo dos Red Bull e dos Racing Bulls. Começamos com o Red Bull, que não sendo o RB22, o carro para 2026, apresentou as cores desta temporada que começará. 

A apresentação em Detroit não foi inocente: simboliza o reforço da ligação entre a Red Bull e a Ford, que começa nesta temporada. Para a estrutura de Milton Keynes, com a nova temporada, o grande objetivo passa por consolidar uma nova fase competitiva após a última vitória no Campeonato do Mundo de Construtores em 2023 e o terceiro lugar alcançado no Mundial de Equipas na época passada.

Com Max Verstappen como ponta de lança, que terá o francês Isack Hadjar como seu companheiro de equipa, a dupla de pilotos terá como missão recolocar a Red Bull na luta direta pelos títulos de pilotos e construtores, depois de a estrutura de Milton Keynes ter visto interrompida a sua série de triunfos no Mundial de Equipas após 2023.


Em termos estruturais, esta temporada de 2026 será a primeira completa do diretor de equipa Laurent Mekies, após ter substituído Christian Horner a meio de 2025. Do lado técnico, Pierre Waché continuará a liderar o departamento responsável pelo desenvolvimento do RB22 e pela adaptação da equipa ao novo pacote técnico associado à unidade motriz produzida em parceria com a Ford, num contexto em que a Red Bull pretende reafirmar-se como referência competitiva na Fórmula 1.

Contudo, na apresentação, Mekies admitiu que os próximos meses serão um desafio que lhe deixará pouco espaço para dormir. “É um desafio louco — talvez apenas uma empresa como a Red Bull e a Ford se atreva a assumir, mas é exatamente para isso que existimos”, começou por afirmar o responsável francês, rejeitando o sucesso imediato, reconhecendo a experiência acumulada dos fornecedores tradicionais.

Pensar que chegaremos à primeira corrida ao nível da concorrência, que faz isto há anos, seria ingénuo. Não somos ingénuos. Aguentem connosco nos primeiros meses”, declarou, pedindo paciência aos adeptos. 


Do lado dos pilotos, Max Verstappen mostrou-se “muito entusiasmado” com a nova era, mas reconheceu os desafios inerentes à mudança. “Tudo é ainda um pouco desconhecido. É uma grande alteração com o motor, o carro — as dimensões mudaram um pouco. Para nós, os pilotos, vai levar algum tempo a adaptar-nos”, começou por afirmar o piloto neerlandês.

É crucial fazermos muitas voltas e ajustarmos tudo da melhor forma possível”, continuou, ao referir os testes de pré-temporada, que arrancarão daqui a alguns dias, em Barcelona. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

CPR: Vidreiro terá novidades


O rali Vidreiro em 2026 passará a ser a primeira prova do Campeonato de Portugal de Ralis, e quando acontecer, no fim de semana de 6 e 7 de março, o evento terá novas zonas de passagem e um novo centro nevrálgico, que passará de Pombal, na Expocentro, para o Estádio Magalhães Pessoa. 

A informação foi confirmada ao jornal Região de Leiria por Carlos Palheira, o vereador de Desporto da Câmara Municipal de Leiria, que recordou ser uma prova "de enorme visibilidade e notoriedade, com um enorme impacto". 

Além de Leiria, onde será realizada a tal super-especial, a Marinha Grande também terá especiais, em São Pedro de Moel e Pombal, onde haverá passagem pela especial de Mata Mourisca. Em contraste, Alcobaça deixa de receber a prova, Eles, que tinham acolhido nos anos anteriores a super-especial.

"A prova já passou pelo nosso território, na zona do Casal dos Claros, na freguesia de Amor [Leiria] em edições anteriores, mas com uma arena montada será a primeira vez. O campeonato nacional de Ralis é uma prova com enorme visibilidade, com um grande impacto, quer seja económico direto e indireto, com grande visibilidade e notoriedade em termos mediáticos", afirma Palheira, justificando a parceria dos três municípios com a liderança do Clube automóvel da Marinha Grande. 

"É um evento muito importante para nós, ficamos muito satisfeitos por podermos acolher a prova", concluiu o vereador. 

Youtube Motorsport Video: Red Bull anda em cem anos de Ford

Daqui a umas horas, a Red Bull e a Racing Bulls mostrarão em Detroit os primeiros carros de 2026, sob novos regulamentos, e claro, ver o que poderemos esperar nesta nova temporada. Mas antes disso, a Red Bull foi buscar o Jeremiah Burton, um dos ex-Donut, para que Max Verstappen e Arvid Lidblad pudessem andar em um século de carros da Ford, desde o Modelo T até aos dias de hoje.

E mais um convidado especial. Vocês nem reconhecerão.

A razão para que estes pilotos andem em carros desta marca? Ora, é o começo da parceria entre Red Bull e a Ford Performance. 

O resultado é este video.  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A imagem do dia






A 14 de janeiro de 1986, o Rali Dakar estava na sua 12ª etapa, entre Niamey, no Niger, e Gourma-Rhaous, no Mali. Era o dia a seguir ao dia de descanso do rali, e rumavam para Dakar, faltando toda uma semana, já que acabaria no dia 22, em Dakar, depois de passagens por Guiné-Conakri, Mauritânia e Senegal. 

Estava a ser um Dakar complicado. logo na primeira etapa, a caminha de Séte, o porto francês onde iriam embarcar para África, um motociclista japonês, Yazuko Keneko, de 41 anos, é atropelado mortalmente por um condutor alcoolizado. Nos dias seguintes, alguns acidentes, uns mais sérios, como o de Hubert Auriol (que parte a clavícula) e de Jean-Michel Baron, que sofre um traumatismo cranio-encefálico, e outro cervical, que o deixa quadriplégico e em coma até 2010, quando morre. 

A tudo isto assiste Thierry Sabine, o fundador e organizador do Dakar. Acompanha os pilotos a bordo do seu helicóptero branco, um Ecreuil AS-350, e ele organiza a evacuação de Baron para um hospital de campanha, antes de ser evacuado para Paris, a 14 de janeiro.

Nesse dia, Sabine acompanha os concorrentes no seu helicóptero. A pilotar está Francois-Xavier Bagnoud, que apesar de jovem, era um piloto experimentado neste tipo de aparelho, e ele transporta quer Sabine, quer o seu convidado VIP: o cantor Daniel Balavoine, um dos mais populares do seu tempo em França. Com eles está o jornalista Patrick Chéne e o fotógrafo Yann-Arthus Bertrand, um dos mais famosos de França - está a fazer o álbum fotográfico do Dakar - que acompanha Sabine e Balavoine nesta aventura. 

Eles estão a ajudar a abrir poços de água naquela região do Sahel, importantes para abastecer as famílias e regar as culturas perante o avanço do deserto. No final do dia, no lado da Guiné, irão participar num jogo de futebol com aldeões locais, para comemorar a abertura de mais um poço. Tudo isto enquanto o rali decorre. 

Mas o dia começa com Chéne adoentado e a ficar em Bamako, no seu lugar vai outra jornalista, Nathalie Odent, mais o seu "cameraman", Jean-Paul Le Fur. No final do dia, os cinco vão seguindo a caravana, num tempo não muito fantástico: uma tempestade de areia está a aparecer no horizonte. E entre eles, também a acompanhar o rali, está Patrick Port D'Avort, o mais famoso "pivot" de televisão de França naqueles tempos. Está ali, ao serviço do semanário "Journal de Dimanche", um dos mais lidos do país. 

O jogo de futebol demora tempo demais, e quando tudo acaba, o sol já se está a por e a tempestade está perigosamente perto. Na correria para apanhar uma boleia aérea, Port D'Avort e Yann-Arthus Bertrand decidem apanhar um avião que estava ali perto, e iriam seguir para Gourma, na meta. Com duas vagas, Odent e Le Fur vão nele, acompanhados por Sabine e Balavoine, que não era para seguir inicialmente no helicóptero, mas não encontrou alternativas. Eram 17:15 da tarde.

Chegados a Gourma, decidem seguir para Gao, 250 quilómetros mais abaixo. Com a visibilidade baixa, o piloto decidiu seguir o rio Niger para orientação, e irão pousar por duas vezes. Primeiro em Gossi, pelas 18:10, onde Sabine sai para falar com alguns concorrentes sobre a etapa, e depois, perto de Gourma, onde a noite já se instalou. E tinham de aterrar, custasse o que custasse, porque aquele aparelho não estava equipado para viajar de noite. 

Na segunda aterragem, Sabine pede por um veículo para que leve até à meta, mas nada aparece, a não ser os carros dos concorrentes. Frustrado por nada aparecer, arrisca e entra de novo no helicóptero, e este anda raso ao solo, com a tempestade a levantar-se e a visibilidade nula, quer pela areia levantada, quer pela luminosidade que está a desaparecer. Eles passam por um carro, a alta velocidade, porque estavam a contornar uma duna, mas quando faziam isso, os patins tocam na areia e o piloto perde o controlo. Desiquilibrado, atinge os ramos de uma acácia e estatela-se no chão com estrondo.

Os cinco ocupantes tiveram morte imediata. Sabine tinha 36 anos, Balavoine 33, Le Fur 35, Odent 25 e o piloto, Bagnoud, 24.

Nos tempos seguintes, no inquérito que se seguiu, tentou apurar-se quem ia pilotar o helicóptero naquele instante. Houve quem dissesse que era Sabine, mas ele não era capaz de pilotar durante a noite, e ainda por cima houve outra razão: a descoberta de um penso curativo na perna, aparentemente por causa de uma mordida de animal - picada de escorpião ou mordedura de serpente - que poderia explicar a urgência de levantar o helicóptero na sua descolagem fatal. Mas hoje em dia, a explicação mais racional foi que a tempestade e o facto de voarem no final do dia, quase sem visibilidade, ajudou no desastre que causou um tremendo choque em França, e faz hoje 40 anos. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A imagem do dia







Na série de artigos que escrevo aqui para homenagear Hans Herrmann, que morreu nesta sexta-feira, aos 97 anos, hoje falo sobre as 24 Horas de Le Mans de 1970, e como uma graça dita à sua mulher resultou no final da sua carreira, porque promessa é dívida. 

Depois de ter perdido a corrida em 1969 por 120 metros, batido pelo Ford GT40 de Jacky Ickx, no ano seguinte, a Porsche decidiu investir mais nos seus carros, refinando o modelo 917. No meio dos diversos testes que fizeram ao carro, na pista de Osterreichring (a atual Red Bull Ring) que tinha problemas de distribuição de peso, descobriu-se que encurtando a traseira ganhava a tão necessária estabilidade no bólido, nascendo assim o 917K, de "Kurzheck", ou cauda curta.

Com isto, o 917 começou a ganhar corridas, especialmente em Daytona, a principal equipa acabou por ser a J.W. Automotive, de John Wyer, que tinha ganho em 1969 com o Ford GT40 e em 1970 inscreveria dois 917K, um para o suíço Jo Siffert e outro para o mexicano Pedro Rodriguez, com adjuntos como o finlandês Leo Kinnunen e o britânico Brian Redman. E foram eles que inscreveram carros para as 24 Horas de Le Mans. Mas existia uma segunda e uma terceira equipa que iriam ter 917K: a Porsche Salzburg, que pertencia a uma das filhas de Ferdinand Porsche, e a Martini Racing, com modelo K e modelo LH, o "Langhenck", cauda comprida.

Na Porsche Salzburg, tinham um 917K para Herrmann e Richard Attwood, e um 917L para Vic Elford e Kurt Aherns Jr, e na Martini Racing, era um 908 para dois austríacos: Rudi Lins e Helmut Marko, e um 917L para Gerard Larrousse e Willi Kahusen.

Em 1970, Hollywood tinha chegado a Le Mans. Isso merece um assunto à parte, mas pode-se afirmar que Steve McQueen, um dos atores mais bem pagos de então, decidira produzir e interpretar um filme sobre Le Mans. A sua produtora tinha arranjado um 908 e modificou-o para ser um "camera car", para fazer filmagens "onboard" - uma novidade nesse tempo - e iria ser guiado pelo britânico Jonathan Williams. Mas a produtora foi ainda mais ousada e tentou inscrever McQueen... como piloto, ao lado do escocês Jackie Stewart. Mas o estúdio proibiu essa tentativa, colocando entraves através da seguradora, logo, ele teria de ver a corrida das boxes. Mas no inicio do ano, em Sebring, McQueen estava aleijado de um pé e quase ganhou a corrida das 12 Horas, ao lado do seu compatriota Pete Revson!

Durante os ensaios, Herrmann sentia-se bem a guiar o carro e disse à mulher que, em caso de vitória, penduraria de imediato o capacete. De facto, o 917K era o carro que corrigira os defeitos iniciais, e era a máquina a ter em conta, com o seu motor flat-12 de cinco litros. E eles iriam lidar contra Ferrari, Alfa Romeo e na classe de 3 litros, Matra.

No dia da partida, havia diferenças em relação a 1969, por causa dos incidentes do ano anterior, agora os pilotos ficavam dentro dos carros antes de cair a bandeira francesa, que assinalava a partida. Mas os carros continuariam a largar na diagonal. Ali, o "poleman", Vic Elford, que tinha batido o recorde de Le Mans com um 3.19,8, mantinha a liderança depois do momento da largada no seu 917LH, seguido dos 917K de Jo Siffert e Pedro Rodriguez, ambos inscritos pela J.W., e dos Ferrari oficiais de Arturo Merzário e Nino Vacarella. 

O tempo estava encoberto, ameaçando chuva, mas apenas às 5:30 da tarde que esta apareceu, causando confusão na zona de Mulsanne, quando quatro carros colidiram, todos Ferrari. Os carros, guiados respectivamente pelo suíço Clay Regazzoni, pelo americano Sam Posey, o sueco Reine Wissel e o britânico Mike Parkes, todos ficaram de fora. Um quinto Ferrari, o de Derek Bell, escapou dos carros acidentados, mas acabou por danificar irremediavelmente a sua caixa de velocidades, acabando a corrida algumas centenas de metros mais adiante.

Por incrível que pareça, só houve um ferimento ligeiro num dos pilotos: Mike Parkes, que sofreu um corte numa perna. 

Pouco depois, Carlo Facetti, no seu Alfa Romeo, despistou-se e embateu contra as barreiras, furando dois pneus. Ele parou o carro e tentava regressar às boxes a pé quando o Porsche de Mike Hailwood se despistou e embateu contra o carro parado, colocando mais dois bólidos fora de prova. 

Pelas oito da noite, a chuva piorou e todos "bailavam", mesmo com pneus de chuva. Elford liderava, mas um furo lento o levou para as boxes, perdendo tempo e fazendo-o cair para quinto. Na frente ficou Jacky Ickx, no seu Ferrari que, dando-se bem na chuva, fazia uma corrida de recuperação até ao segundo lugar. Contudo, pelas 1.45 da manhã, o piloto belga perdeu o controlo do seu Ferrari, acabou  num banco de areia em Mulsanne, acabando por atingir dois comissários de pista. Um deles, Jacques Argoud, acabaria por morrer, enquanto outro ficou ferido. Ickx saiu do carro sem ferimentos de maior.

Na frente, Hans Herrmann e Richard Attwood mantinham o 917K na pista e evitavam as armadilhas. Era a situação a meio da noite, debaixo de chuva. Jo Siffert e Brian Redman eram segundos, noutro 917K, e de manhã, o tempo... tinha piorado. Os Porsches continuavam na frente, sem concorrência digna desse nome, com os quatro primeiros, e o melhor não-Porsche era o Alfa Romeo de Rolf Stommelen e Nanni Galli. No meio dos Porsches, estava um 908 guiado por Lins e Marko, que eram terceiros pelas oito da manhã.

Contudo, a essa hora, o 917LH de Vic Elford parava nas boxes por causa de problemas de motor, e não mais saiu dali. A chuva só parou por volta das nove horas, mas por essa altura, Hans Herrmann e Richard Attwood já tinha um avanço de cinco voltas sobre a concorrência, que tinha o 917LH da Martini Racing em segundo, com o carro de Larrousse e Kahusen a ter uma decoração... psicadélica. E foi assim que acabaram na meta, pelas 16 horas, celebrando, por fim, a primeira vitória da marca de Estugarda em Le Mans. E perante Ferry Porsche, que 24 horas antes, tinha dado a partida. 

Herrmann, com a vitória, cumpriu o prometido e arranjou um substituto para o seu lugar - estava obrigado por motivos contratuais. Attwood, curiosamente, retirou-se também no final de 1970, e ficou com o 917 vencedor por mais de 30 anos, afirmando que era "a sua reforma", acabando por o vender no ano 2000 por mais de um milhão de libras.

Acabada a corrida de verdade, nas 12 semanas seguintes, Hollywood instalou-se de armas e bagagens em Le Mans para filmar aquela que iria ser um dos filmes mais autênticos sobre automobilismo, com pilotos de verdade sendo contratados e tudo. Mas isso fica para outro dia.  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A imagem do dia








Em tributo a Hans Hermann, que morreu na passada sexta-feira aos 97 anos, e que teve juma longa carreira no automobilismo, entre Mercedes, Abarth e por fim, Porsche, vou para o final da sua carreira, quando ele começou a andar na Endurance, especialmente na equipa oficial de (uma das) marcas de Estugarda.

E em particular, falarei sobre as 24 Horas de Le Mans de 1969, onde entre boicotes, acidentes mortais e outros incidentes, o primeiro e o segundo ficaram separados por 120 metros... ao fim de 24 horas. Um pouco como a atualidade no WEC onde mesmo as corridas de um dia se tornaram num "sprint", devido à resistência dos materiais.

Em 1969, a Porsche apostava forte na Endurance. Era o ano da estreia do modelo 917, mas o carro, que tinha sido mostrado no Salão de Genebra, em março, e que tinha o flat-6 de cinco litros, com 520 cavalos, era instável na traseira, devido à colocação do peso no carro. Apesar de tudo, já tinham construído os 25 exemplares necessários para a homologação, e vendidos a 35 mil dólares cada um, uma fortuna para os números da época. Um dos carros tinha sido vendido privadamente para o britânico John Woolfe, que corria as 24 Horas como amador. 

Oficialmente, a Porsche tinha dois 917, para Vic Elford e Richard Attwood, e para a dupla alemã Rolf Stommelen e Kurt Aherns Jr, e corriam contra os Ford GT40, que já tinham quase cinco anos. Corriam oficial pela J.W. Automotive, de John Wyer, e tinham dois carros, um para a dupla Jacky Ickx e Jackie Oliver, e o segundo para a dupla David Hobbs e Mike Hailwood

Mas para além dos 917, havia os 908 LH Coupé, de três litros, e a marca inscrevera oficialmente dois carros. Um, para Rudi Lins e Willy Kahusen, e o segundo para Hans Herrmann e Gerard Larrousse. Enquanto muitos viam com expectativa os Porsche e davam o favoritismo aos Ford, havia outras equipas de marca como a Matra, que corria na classe de 3 litros, e eram os rivais dos 908, ou a Alfa Romeo, que sofrera um golpe nos testes de março quando um dos seus pilotos, o belga Lucien Bianchi, vencedor em 1968, sofrera um acidente fatal quando embateu contra um poste. A Ferrari estava lá, mas não oficialmente, logo, o seu favoritismo era baixo. 

Na qualificação, Stommelen foi o melhor, fazendo uma volta de 3.22,9, e conseguiu a pole-position com folga. Elford foi o segundo, mas era dois segundos (!) mais lento que o seu companheiro de equipa, mostrando que em termos de velocidade, tinham tudo. 

Nos primeiros momentos da corrida, que ainda era feito com os pilotos de um lado da pista, correndo para os carros, que estavam dispostos em diagonal, Jacky Ickx decidiu ir a passo até ao seu Ford, em boicote contra o procedimento de largada, que considerava perigoso. Sendo o último a largar, mostrou um simbolismo que aquela corrida iria demonstrar, alguns minutos depois. 

No final da primeira volta, na parte da Maison Blanche, antes da chegada à chicane Ford, Woolfe tinha dificuldades em controlar o seu Porsche 917, e acabou por embater na casa existente naquele local, partindo-se em dois e acabando por morrer de imediato. O deposito de gasolina do 917, cheio, em chamas, descontrolado e separado do chassis, embateu fortemente contra o Ferrari de Chris Amon, acabando por pegar fogo, mas o piloto neozelandês, conhecido por ter muito azar em termos de vitórias, teve sorte em sair do seu carro apenas com escoriações menores. Logo na primeira volta, o automobilismo mostrava a sua pior cara, e o 917 mostrava também o seu grande defeito. 

Depois soube-se que, na pressa para entrar no carro, Woolfe não tinha apertado o seu cinto de segurança. Sem isso, fora projetado no seu acidente e contribuiu para a sua morte prematura. Ickx, por seu lado, ao caminhar a passo e largar de último, tivera tempo para apertar o cinto e largar em segurança. Isso iria ser marcante para o futuro.

Stommelen liderou a corrida até à troca de pilotos, o primeiro de cinco Porsches, com Hans Herrmann em quinto, mas subiu um lugar quando o carro de Stommmelen sofreu uma fuga de óleo da sua transmissão. Jo Siffert ficou com a liderança, mas na quarta hora, teve um problema com a sua fuga de óleo, mas da caixa de velocidades. Assim sendo, o comando pertencia a Vic Elford, noutro 917, com Gerhard Mitter em segundo, num 908.

Chegada a noite, era um duelo Porsche-Ford, com os alemães a levarem a melhor. Elford liderava, tendo feito 192 voltas, uma das mais rápidas até então, cinco voltas adiante de Gehard Mitter. Contudo, às 2.45 da manhã, dois 908 colidiram, entre o carro guiado por Schutz e o guiado por Larrousse, com o primeiro a ficar cortado ao meio e em chamas. Larrousse conseguiu levar o carro às boxes, onde viu os danos e prosseguiu. Ambos os pilotos saíram ilesos.

Elford ainda liderava quando a manhã apareceu, com outro Porsche em segundo, e os Ford em terceiro e quarto, enquanto a dupla Herrmann e Larrousse era quinto e Jean-Pierre Beltoise, no melhor dos Matra, era sexto. Um nevoeiro cerrado tinha caído sobre Le Mans e estava a ser difícil ver a pista e os carros. 

Parecia que a Porsche ia a caminho da vitória, a sua primeira à geral, mas por volta das dez da manhã, de forma inesperada, os dois primeiros foram às boxes com problemas. Primeiro, Kahusen, que tinha a embraiagem quebrada, sem chances de reparação, e tinha parado o seu 917 em Mulsanne. Elford parou meia hora depois, com uma solda na caixa de velocidades totalmente quebrada.

Com isto, Ickx ia para a frente, e a dupla Herrmann-Larrousse era segundo, e a recuperar o tempo perdido. Na hora final, com a última paragem nas boxes, tinham uma diferença de... 10 segundos. Ambos estavam na mesma volta, e agora iria ser uma corrida "sprint" até à meta. Mas os carros não estavam incólumes: o Porsche tinha problemas nos travões, e menos 400 rpm no seu motor, enquanto o Ford no escape. 

Os carros estavam tão perto um do outro que passavam na reta das Hunaudiéres. O Ford era mais lento que o Porsche, mas passava na zona mais sinuosa. Hermann foi para a frente no inicio da última volta, mas Ickx, que poupava combustível, aproveitou o cone de ar para passá-lo em Mulsanne. Depois, foi aguentar os ataques do Porsche até à meta, onde 120 metros os separaram, numa das mais curtas diferenças na história da clássica prova de Endurance. 

Para a Ford, foi a sua quarta vitória seguida, e para Ickx, a primeira das suas cinco vitórias naquela pista. Para a Porsche, a enorme frustração de estar tão perto de ganhar e não conseguir. Mas o potencial estava lá, e para o ano haveria mais. Até para Hans Herrmann, então com 41 anos, iria ter a sua chance. 

 

O desabafo de Dan Ticktum


A corrida de Dan Ticktum no México não correu bem, e ele não deixou nada por dizer no final. O britânico, que corre nesta temporada pela Cupra Kiro, não acabou a sua corrida no passado fim de semana à custa de uma colisão durante a prova, causada como consequência de um toque entre Nick Cassidy e o Jaguar de António Félix da Costa. Para evitar ambos os carros, o Penske e Max Gunther desviou-se e ficou na trajetória de Ticktum, que não teve chance de evitar o embate.

Gunther sofreu danos significativos, mas acabou por continuar, ao contrário de Ticktum e Felix da Costa, que acabaram por abandonar. Ticktum, que não tinha pontuado na corrida de São Paulo, estava realmente fulo com o que tinha acontecido e disse de sua justiça, sem filtros.   

Eles correm como um grupo de crianças, crianças petulantes. Patético! Já chega.", começou por desabafar o jovem piloto britânico, nas suas redes sociais. "Isto não é uma categoria de talento. O nível de arbitragem neste campeonato neste momento é simplesmente terrível, por isso toda a gente conduz como uns idiotas. Há imensas meias manobras, muitas tentativas tardias. Nem sempre é culpa dos pilotos, mas isto não está a ser devidamente controlado. Parece uma corrida de carros de aluguer. Não sei em que outro campeonato do mundo é que se pode bater por trás noutro piloto, fazê-lo perder várias posições, e não acontecer nada. É uma anedota. Não é aceitável que os comissários digam ‘desculpa, mas falhámos isso’. Isto é um campeonato do mundo. Algo tem de mudar.”, concluiu.

Do lado da Cupra Kiro, o seu diretor de equipa, Russell O’Hagan, reconheceu publicamente a frustração do piloto, embora com um tom mais moderado. Para o responsável, o problema não se resume apenas à condução dos pilotos, mas também à forma como os regulamentos são aplicados e interpretados, defendendo a necessidade de maior clareza para evitar excessos.

Partilhamos algumas das frustrações do Dan. É normal que esteja chateado depois do que aconteceu em São Paulo e agora no México. Não se trata apenas dos padrões de condução, mas também dos regulamentos e das decisões dos comissários. É preciso perceber onde estão os limites para evitar que isto se transforme num vale-tudo.”, afirmou.

A Formula E continua no final do mês, em Miami e claro, Ticktum espera pontuar nesta prova.  

Youtube Rally Video: Os testes de Jon Armstrong para Monte Carlo

O irlandês Jon Armstrong é o mais novo recruta da M-Sport para a temporada de 2026. Ao lado de Josh McErlean, ele irá guiar o Ford Puma Rally1 ao longo desta temporada, a começar pelo rali de Monte Carlo, e já se prepara nas estradas dos Alpes para o primeiro embate entre os carros de Rally1.

O video dos testes é do Passats de Canto. 

domingo, 11 de janeiro de 2026

A imagem do dia




No passado dia 9 de janeiro, quando se soube da morte de Hans Hermann, coloquei imagens dele a sair ileso de um acidente com o seu carro. E dei uma pequena indicação de quando e onde foi: em 1959, na Alemanha. Mas não dei os pormenores. Agora creio que é a altura de contar a história desta cambalhota, digamos assim, porque, claro, merece ser contada. 

Em 1959, o GP da Alemanha aconteceu no (muito) veloz circuito de AVUS, em Berlim, a única vez onde correram ali. A pista era basicamente correr na "autobahn", com uma curva em relevo, com um ângulo a rondar os 43 graus. Os espectadores tinham um nome para aquilo: o muro da Morte. Encorajador, hein?

Não foi um grande fim de semana. Apenas 16 carros foram inscritos -uma das corridas menos participadas de sempre - e no fim de semana, o carro de Jean Behra despistou-se numa corrida de apoio, resultando na morte do piloto francês, então com 38 anos.

Hans Hermann não era o único alemão inscrito. Wolfgang von Trips também lá estava, num Porsche, mas a marca retirou o seu carro depois do acidente mortal de Behra. Hermann estava num BRM, mas não era oficial - os carros oficiais estavam a ser pilotados pelo sueco Jo Bonnier e o americano Harry Schell. Ele estava inscrito pela BRP, British Racing Partnership, uma equipa privada, fundada por Alfred Moss, pai de Stirling Moss, e por Ken Gregory, o seu empresário, com o objetivo de arranjar carros britânicos para Moss Jr. E nesse ano, tinham um BRM P25, e Moss guiou em duas corridas. Em Reims, foi desqualificado, mas em Aintree, palco do GP britânico, Moss foi segundo. Em ambas as corridas, ficou com a volta mais rápida. 

Em Avus, Moss foi guiar num Cooper da Rob Walker Racing, enquanto o BRM da BRP ficou nas mãos de Hermann, que tinha corrido em Aintree num Cooper-Maserati da Scuderia Centro Sud. Adaptou-se o melhor que pode, conseguindo o 11º tempo. 

A corrida aconteceu em duas mangas, de 30 voltas cada - a única vez que uma corrida de Formula 1 teve duas mangas. A razão tinha a ver com o desgaste dos pneus numa corrida veloz e apenas com curvas à esquerda. Os Ferrari eram os grandes favoritos e confirmaram-se: Tony Brooks ganhou as duas mangas, e foi declarado vencedor, com Dan Gurney a ser segundo - o seu primeiro pódio na Formula 1 - e Phil Hill a ser terceiro, numa das poucas triplas da história da Ferrari.

Nove carros chegaram ao final na primeira manga, com Brooks a ser melhor que Gurney e Phil Hill, com o quarto a ser Bruce McLaren, na frente do BRM de Harry Schell. Hermann foi oitavo, a uma volta do vencedor. 

Mais do mesmo estava a acontecer na segunda manga, quando na quinta volta, Hermann perde o controlo do seu BRM. Ele atinge os fardos de palha que costumavam estar nas bermas das pistas, e o carro começou a capotar. Ele, sem cinto de segurança, foi cuspido do carro, mas não sofreu ferimentos de maior, enquanto assistia ao seu carro a ser desfeito, à medida que tocava no chão para tentar abrandar.

Os espectadores ficaram espantados com o que viam, especialmente quando o piloto tinha se safado com um enorme susto. E quando souberam depois que era um dos seus compatriotas, começaram a chamá-lo de "Hans Im Gluck", o nome de um conto do século XIV sobre um homem que troca coisas que lhe parecia darem sorte e riqueza, mas tem sempre azar, do qual não liga alguma, afirmando que prefere estar vivo e feliz, mas pobre, que rico, mas morto.

E de uma certa maneira, Hermann viveu mais 66 anos depois daquela tarde onde assistiu ao seu próprio acidente e viveu para contar a história.

Youtube Automotive Video: Melkus, o superdesportivo... da RDA

Sabia desde há algum tempo da história que falarei a seguir.

O Melkus foi uma marca de "superdesportivos" que foi construído na Alemanha do Leste entre 1969 e 1980, com um chassis de fibra de vidro e um motor de 1000 cc, cuja potência era baixa - cerca de 80 cavalos - mas o baixo peso fazia com que tivesse uma velocidade máxima de 175 km/hora. 

A história da Melkus e do seu carro - foram feitos 101 unidades - é o mais recente video do canal do Youtube "The Transport Chronicles".  

Formula E: Felix da Costa frustrado com o resultado da Cidade do México


A corrida de António Félix da Costa na Cidade do México não acabou bem para o piloto português da Jaguar. Numa corrida onde largou de décimo da grelha e demonstrou um ritmo forte, andando sempre nos pontos, Felix da Costa acabou por ser vítima de um acidente que danificou irremediavelmente a suspensão dianteira do seu monoposto, acabando por ir às boxes, para abandonar.

Isto, aliado com a corrida de São Paulo, onde ficou à beira dos pontos, faz com que ao fim de duas corridas, ele ainda não tenha quaisquer pontos.  

"Há dias em que tudo corre mal, hoje foi claramente um desses. Começando pelos treinos livres, onde não dei uma única volta, o que me penalizou muito para a qualificação. Na corrida, até vinha a recuperar algumas posições, mas aquele acidente matou a minha prova e pôs um ponto final num dia bem complicado para mim e para a equipa. Hoje não foi um bom dia, mas é nestes momentos que, enquanto equipa, temos de responder. E a resposta é com trabalho, para regressarmos mais fortes nas próximas corridas!", afirmou, nas suas redes sociais.


A Formula E regressa no final do mês, com a ronda de Miami, nos Estados Unidos. Quanto a Felix da Costa, ainda terá uma participação automobilística, no fim de semana anterior, em Daytona, onde participará na corrida das 24 Horas, ao volante de um protótipo LMP2.