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domingo, 19 de agosto de 2018

A imagem do dia


No final... acabou por ser treta. Os Toyota comemoram uma vitória nas Seis Horas de Silverstone, com Kazuki Nakajima, Sebastien Buemi e Fernando Alonso no lugar mais alto do pódio, mas no final, acabaram por falhar nas verificações técnicas pós-corrida e foram ambos desclassificados, dando a vitória ao terceiro classificado, o carro da Rebellion.

A razão pelo qual os carros foram desqualificados tem a ver com os patins - ou os assoalhos - de ambos os carros. Algo do qual os comissários confirmaram que no carro numero 7, "a parte dianteira estava 9 milimetros abaixo da carga especificada de 2500 Newton em ambos os lados do bloco de derrapagem", enquanto o carro numero 8, o do vencedor da corrida, "desviava 6 milimetros". lado direito e oito milimetros do lado esquerdo, sob a carga especificada de 200 Newton na frente do bloco de deslizamento".

Assim sendo, ambos os carros foram desclassificados, dando a vitória ao carro da Rebellion numero 3, que acabou a corrida... a quatro voltas do vencedor. O Rebellion numero 1 e o SMP numero 17 acompanham-no ao pódio. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A imagem do dia

O fim de semana de Bruno Senna acabou antes de começar. Nesta sexta-feira, durante os treinos livres para as Seis Horas de Silverstone, o piloto brasileiro perdeu o controlo do seu TVR-Rebellion na curva Copse, bateu forte nos pneus e acabou por fraturar o tornozelo direito, ficando de fora o resto do fim de semana.

Formando trio ao lado do suíço Neel Jani e do alemão André Lotterer, ainda não se sabe como é que a equipa irá reagir a esta contrariedade, se vão buscar outro piloto para o resto do fim de semana britânico ou irão ver tudo das bancadas como toda a gente. 

Uma coisa é certa: o fim de semana para aqueles lados não começa bem para eles. E como sabem, este é o segundo acidente grave envolvendo um piloto brasileiro num fim de semana de Endurance. Em maio, Pietro Fittipaldi, neto de Emerson Fittipaldi, fraturou ambas as pernas quando bateu forte com o seu LMP2 na curva Radillon durante os treinos para as Seis Horas de Spa-Francochamps, ficando de fora durante cerca de dois meses, até voltar ao volante de um IndyCar em meados do mês passado. 

Esta tarde, Bruno sofreu menos, é verdade, mas só mostra que o automobilismo continua a ser perigoso. E por muitos que se reforce, estes incidentes continuarão a acontecer.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A imagem do dia (II)

Já lá vão quinze anos desde este momento bem bizarro na história da Formula 1, e do qual muitos ainda se recordam. E mais do que um episódio, existe também uma história por trás que merece ser contada, antes e depois do momento.

Cornelius "Neil" Horan é um irlandês de Knockeenahone, no County Kerry. O segundo de treze filhos de Katherine e John Horan, foi ordenado padre em 1973 e cedo se tornou conhecido pelas suas excentricidades. Mas não tinha feito nada de especial até aquele dia de julho de 2003, na pista de Silverstone.

Naquele dia, Horan entrou pista dentro com um traje desenhado com as cores da bandeira irlandesa, levando um cartaz onde dizia "para lerem a Bíblia". Meteu-se na trajetória dos carros que vinham na sua frente, em pleno Hangar Straight, a 330 km/hora, provavelmente a querer causar um acidente, mas certamente a chamar a atenção de todos.

O que impediu isto de ser uma reedição do incidente do GP da África do Sul de 1977 foi a intervenção de Stephen Green. Ele era um comissário de pista que entrou no asfalto, simplesmente para o derrubar e impedir de causar males maiores. Conseguiu fazê-lo antes que a policia chegasse e prendê-lo. Horan foi condenado a dois meses de prisão por ter entrado na pista e Green foi condecorado pelo British Racing Drivers Club pela sua bravura.

Contudo, não foi a última vez que o mundo viu Horan. No ano seguinte, interferiu com o andamento da maratona olimpica em Atenas, impedindo o brasileiro Vanderlei de Lima de vencer a competição - acabaria por conseguir a medalha de bronze. E em 2006, durante o Mundial, tentou entrar num dos estádios durante o jogo, mas foi impedido pela policia alemã.

Aos 71 anos de idade, Horan ainda anda por aí, mas ele faz mais "jigs" (uma dança típicamente irlandesa) em programas como "Britain Got Talent" a sua saúde mental é frequentemente criticada, tanto que a igraja católica irlandesa retirou o direito a pregar e a usar as vestes sacerdotais. Mas aquela tarde de julho foi a primeira vez que o mundo viu aquele padre excêntrico. 

GP Memória - Grã-Bretanha 2003

Duas semanas depois de terem corrido em Magny-Cours, a Formula 1 estava em terras britânicas para aquela que iria ser a 11ª prova do ano. Com Michael Schumacher oito pontos na frente de Kimi Raikkonen, ele esperava que esta corrida servisse para alargar um pouco mais essa vantagem para alcançar o sexto título mundial. Mas Kimi Raikkonen não pretendia desistir, apesar das contrariedades, e os Williams-BMW espreitavam uma chance para chegar ao comando, especialmente depois de Ralf Schumacher ter vencido as duas últimas corridas até então. 

No final da qualificação, o melhor foi um Ferrari... mas foi o de Rubens Barrichello. Conseguiu ser mais veloz em 172 centésimos de segundo sobre Jarno Trulli, da Renault, enquanto Kimi Raikkonen foi o terceiro, com Ralf Schumacher a ficar logo a seguir, a 518 centésimos de segundo. Quatro marcas diferentes nos quatro primeiros lugares.

Michael Schumacher era o quinto, na frente de Cristiano da Matta, no seu Toyota, enquanto Juan Pablo Montoya ficava com o sétimo melhor tempo, no segundo Williams, na frente de Fernando Alonso, no segundo Renault. Jacques Villeneuve, no seu BAR-Honda, e Antônio Pizzonia, no Jaguar-Cosworth, fechavam o "top ten".

Jenson Button acabaria por não marcar um tempo e largaria de último na grelha.

Na partida, Barrichello largou mal e caiu para terceiro, superado por Trulli e Raikkonen, com os irmãos Schumacher a seguir, no quarto e quinto postos no final da primeira volta. As coisas ficariam assim até que na sexta volta, David Coulthard viu um pedaço do seu encosto de cabeça a voar quando fazia a curva Copse, obrigando-o a ir às boxes para o substituir e causa a primeira situação de Safety Car.

No regresso da corrida, Barrichello aproximou-se de Raikkonen até o passar na volta onze para ser segundo. Mas na volta seguinte, o insólito aconteceu quando o padre irlandês Neil Horan invadiu a pista com cartazes bizarros sobre a Bíblia. Um comissário de pista decidiu tirá-lo do asfalto antes que algo de grave se pudesse passar, e o Safety Car entrou de novo em cena.

Boa parte do pelotão decidiu ir às boxes para reabastecer, e os Toyota, que decidiram ficar na pista nesse momento, lideravam a corrida quando este retomou a sua marcha. Raikkonen passou Trulli quando saíram das boxes e pouco depois, também passava Coulthard para ser terceiro, indo atrás dos Toyotas. A mesma coisa fazia Barrichello, especialmente depois de ter passado Ralf Schumacher, que tinha atuado como tampão para o tentar fazer perder tempo na sua busca pela liderança.

Barrichello apanhou Panis na volta 27, e duas voltas depois, Da Matta foi às boxes para o seu reabastecimento, deixando Raikkonen no comando. Este ficou por lá até que na volta 35, foi reabastecer pela segunda vez, cedendo o comando ao brasileiro da Ferrari. Barrichello parou na volta 39, na sua vez de reabastecer e cedendo o comando ao finlandês da McLaren, mas quando voltou à pista, estava em cima do finlandês e o pressionou até este cometer um erro e ceder o comando a ele.

A partir dali, Barrichello afastou-se de Raikkonen e da concorrência, até acabar a prova no lugar mais alto do pódio, enquanto atrás, o finlandês foi apanhado pelo Williams de Montoya para ser segundo, com Raikkonen a ficar no lugar mais baixo do pódio. Michael Schumacher foi quarto, na frente de David Coulthard e de Jarno Trulli, e nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Toyota de Cristiano da Matta e o BAR de Jenson Button.

GP Memória - Grã-Bretanha 1963

Duas semanas depois de terem corrido em Rouen, a Formula 1 atravessava o Canal da Mancha para participar no GP da Grã-Bretanha, que fazia o seu regresso a Silverstone, depois de dois anos de ausência do calendário. 

Havia alguns debutantes na lista de inscritos para a corrida britânica, que largaram a lista de inscritos para 23. Dois deles eram pilotos de motociclismo: Mike Hailwood, que tentava a sua sorte num Lotus-Climax da Reg Parnell Racing, e Bob Anderson, que iria correr a bordo de um Lola da DW Racing Enterprises.

Na Scirocco, finalmente havia um segundo carros para Ian Burgess, e iria correr ao lado de Tony Settember. Em contraste, quem deveria ter aparecido em Silvertone era a ATS, mas os carros de Phil Hill e Giancarlo Baghetti não ficaram prontos a tempo.

No final da qualificação, Clark fez a pole-position, com Dan Gurney, no seu Brabham, e Graham Hill, no seu BRM, logo a seguir. Jack Brabham era quarto, na frente de John Surtees, na sua Ferrari. Bruce McLaren era o sexto, no seu Cooper-Climax, seguido do seu companheiro de equipa, Tony Maggs, do BRM de Lorenzo Bandini - o melhor dos privados - e a fechar o "top ten" estavam o BRM oficial de Richie Ginther e o segundo Lotus de Trevor Taylor.

Na partida, Clark largou mal e viu Brabham e Gurney ficar com os primeiros lugares. O escocÊs era quinto, atrás de McLaren e Hill, mas ao fim de quarto voltas, o escocês já os tinha passado e estava no comando da corrida. McLaren iria desistir pouco depois, com o motor Climax avariado, e na volta 27, era a vez de Jack Brabham encostar de vez, também devido a um motor rebentado. Hill era terceiro, mas cedo o seu lugar foi ameaçado pelo Ferrari de Surtees.

Gurney tentava acompanhar Clark no segundo posto, mas na volta 59, o seu motor também explodiu e viu o resto da corrida das boxes. Com isso, o escocês estava confortável a caminho da vitória, o que acabou por acontecer. Mas na última volta, houve drama, quando Hill ficou sem combustível no seu BRM e perdeu o segundo posto para Surtees. trocando de lugares com a bandeira de xadrez.

Com os três primeiros definidos e Clark a ser celebrado pela multidão, com Colin Chapman a seu lado, nos restantes lugares pontuáveis ficaram os BRM de Richie Ginther e de Lorenzo Bandini - este sendo da Scuderia Centro Sud, e a fechar, o Lotus-BRM do americano Jim Hall.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

GP Memória: Grã-Bretanha 1958

Ainda a lamber as feridas da morte de Luigi Musso, e depois de se despedirem de Juan Manuel Fangio, que pendurava o capacete em Reims, em forma de agradecimento pela sua carreira na Europa, máquinas e pilotos atravessavam o Canal da Mancha para competirem em Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha. Vinte carros estavam inscritos na corrida britânica. 

Na Ferrari, havia tensões. Enzo Ferrari pressionava Peter Collins para ser melhor e ameaçava despromovê-lo, mas a intervenção do seu amigo Mike Hawthorn o salvou. Para além disso, a morte de Luigi Musso também significava que não iriam aparecer concorrência para o seu lugar, apesar de terem inscrito um terceiro carro para o alemão Volfgang Von Trips.

A concorrência era totalmente inglesa e pretendia dominar. Cooper, Vanwall e BRM pretendiam dominar, cada um à sua maneira. Se a Vanvall tinha Stirling Moss, Tony Brooks e Stuart Lewis-Evans, na BRM estavam o americano Harry Schell e o francês Jean Behra e na Cooper, Roy Salvadori, Ian Burgess e o australiano Jack Brabham.  

A Lotus tinha três carros inscritos para Cliff Allison, Graham Hill e Alan Stacey, enquanto na Connaught, Bernie Ecclestone tinha inscrito dois carros para Ivor Bueb e Jack Fairman, com ele mesmo como piloto de reserva em caso de necessidade.

Havia também três Maseratis privados inscritos. Dois inscritos pela Scuderia Centro Sud, para o americano Carrol Shelby e para o italiano Gerino Gerini, e um terceiro pelo sueco Jo Bonnier. 

Na qualificação, Moss foi o melhor, acompanhado na primeira fila pelo BRM de Harry Schell e pelo Cooper-Climax de Roy Salvadori. Mike Hawthorn era o quarto, no seu Ferrari, seguido pelo Lotus de Cliff Allison e pelo segundo Ferrari de Peter Collins. Stuart Lewis-Evans era o sétimo no segundo Vanwall, seguido pelo BRM de Jean Behra, e a fechar o "top ten" estavam o Vanwall de Tony Brooks e o Cooper-Climax de Jack Brabham.

Na partida, Collins largou bem e ficou com a liderança, com Moss e Hawthorn atrás. Com o passar das voltas, ele começou a afastar-se da concorrência e quando na volta 26, o motor de Moss explode, fica ainda mais confortável, já que o segundo classificado era o seu companheiro Hawthorn. Lewis-Evans ficou com o terceiro posto, mas pouco depois, Salvadori o passou para ser terceiro no seu Cooper. 

Apesar de na parte final, Hawthorn ter de ir às boxes para reparar uma fuga de óleo, conseguiu manter o segundo posto na frente de Salvadori e Lewis-Evans. O último lugar pontuável ficou para o BRM de Schell. 

A vitória de Collins o colocou no terceiro lugar do campeonato, e poderia potencialmente interferir na luta pelo título com Moss e Hawthorn, mas ele não sabia que este seria a sua última corrida. Dali a menos de duas semanas, a 3 de agosto, no Nurburgring Nordschleife, estaria morto.

sábado, 14 de julho de 2018

Youtube Formula One Classic: GP da Grã-Bretanha de 1973


Há precisamente 45 anos acontecia uma das corridas mais tumultuosas da história da Formula 1. A ideia de ver catorze carros eliminados no inicio da segunda volta de um Grande Prémio, numa enorme carambola onde apenas um piloto ficou ferido - um tornozelo partido - é quase um milagre, naqueles tempos perigosos. Os excessos de um novato, Jody Scheckter, levaram a que boa parte do pelotão fosse eliminado, e a sua condução nos limites foi considerada como perigosa.

Aqui coloco um video da corrida, um resumo a cores mostrado pelo canal de televisão ESPN Classic em 2006, onde tem o acidente e depois a segunda partida, que aconteceu quase hora e meia mais tarde. A corrida foi vencida por Peter Revson, que ao volante do seu McLaren, conseguiu aqui a sua primeira vitória na Formula 1.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

GP Memória - Grã-Bretanha 1998

Duas semanas depois do GP de França, máquinas e pilotos atravessavam o Canal da Mancha, para o GP da Grã-Bretanha. Com Mika Hakkinen seis pontos à frente de Michael Schumacher, a tarefa de ambos os pilotos estava bem definida: a um, afastar-se o mais possivel. Para o alemão da Ferrari, voltar a vencer e aproximar-se do finlandês era a sua tarefa, que tinha sido parcialmente sucedida quando venceu em Magny-Cours.  

No final da qualificação, Mika Hakkinen faz a pole-position, batendo por quase meio segundo Michael Schumacher, na continuação do duelo que tinham tido ao longo da temporada. Jacques Villeneuve era o terceiro, no seu Williams-Mechacrome, seguido pelo segundo McLaren-Mercedes de David Coulthard, enquanto Eddie Irvine era o quinto. Heinz-Harald Frentezen era o sexto, seguido pelo Jordan de Damon Hill, os Sauber de Jran Alesi e Johnny Herbert e a fechar os dez primeiros, o Benetton-Playlife de Giancarlo Fisichella.

Com o resto do mundo a contar as horas até ao começo do jogo da final do campeonato do mundo, que iria acontecer no outro lado do Canal da Mancha, em Paris, os pilotos iam para a corrida encarando um asfalto que estava parcialmente molhado em algumas partes, pois tinha chovido hora e meia antes. A maior parte começaram a corrida com pneus intermédios, excepto pelos Stewart, que começaram com pneus secos.

Hakkinen largou na frente, com Schumacher atrás, tentando não deixar escapar o finlandês. Contudo, na volta 12, voltou a chover e boa parte dos pilotos trocaram para pneus para chuva, poucas voltas depois de terem trocado para os de piso seco. Isso manteve o finlandês na frente, ao mesmo tempo que Damon Hill tocava em Jacques Villeneuve, despistava-se e desistia.

Na volta 38, Coulthard, por causa da água fora da trajetória dos carros, perdeu o controle do seu McLaren quando passava alguns carros atrasados e acabou na gravilha, não saindo mais dali. Por esta altura, Hakkinen há tinha um avanço de 40 segundos sobre Schumacher e parecia ter a vitória na mão.

Mas as condições se degradavam lentamente e na volta 42, Hakkinen perdeu o controlo do seu carro, fazendo um pião e viu reduzida a sua ventagem em dez segundos. Para piorar as coisas, poucas voltas depois, o Safety Car teve de entrar na pista, colocando todos juntos. Na relargada, Hakkinen manteve o comando, mas na volta 50, o finlandês sofreu novo despiste e Schumacher aproveitou para subir à liderança.

O alemão manteve-se no comando, mas a duas voltas do fim, os comissários de pista assinalaram um "stop and go" por ter passado Giancarlo Fisichella debaixo de banderias amarelas na volta 43. Os comissários queriam que cumprisse o mais depressa possivel, e assim o fez... na última volta, e depois de ele ter cruzado a meta nas boxes, pois era legal.

Como seria de esperar, houve controvérsia, pois segundo os regulamentos, eles deveriam ter sido avisados até 25 minutos depois do incidente acontecer, e só receberam a notificação meia hora mais tarde. No final, a penalização, apesar de ter sido cumprida, foi-lhes retirada e Schumacher foi declarado vencedor com 22 segundos de vantagem sobre Mika Hakkinen e 29 sobre Eddie Irvine. E com isto, o alemão saia de Silverstone a meros dois pontos do finlandês.

Nos restantes lugares pontuáveis ficaram os Benetton de Alexander Wurz e Giancarlo Fisichella e o Jordan de Ralf Schumacher.

domingo, 8 de julho de 2018

Formula 1 2018 - Ronda 10, Grã-Bretanha (Corrida)

Apesar das mutilações dos últimos anos, a Formula 1 em Silverstone ainda é um lugar aprazível de se ver, especialmente quando o tempo colabora para isso. Num atípico domingo de verão, com uns agradáveis 27 graus no ar e mais de 50 na pista, os ingleses queriam ver "business as usual", e isso significaria, nas mentes deles, que Lewis Hamilton venceria com sobras e voltaria ao comando do campeonato, depois da contrariedade da semana passada, no Red Bull Ring. Contudo, os Ferrari estão muito melhores nesta temporada, especialmente na parte da conservação de pneus, com estes a ficarem com menos bolhas que a concorrência.

Mas isso não impedia que Vettel e Hamilton tivessem neste momento três vitórias cada um. Um campeonato equilibrado, sem dúvida.

O dia da corrida começa com o Toro Rosso de Brendon Hartley e os Williams de Serguei Sirotkin e Lance Stroll a partirem das boxes e com noticias de que o pescoço de Sebastian Vettel não poderia estar totalmente em forma, o que poderia afetar a sua performance. Mas tirando três ou quatro carros - entre eles os Williams - a maior parte do pessoal estava de pneus moles. Os outros andavam de médios, tentando talvez fazer uma paragem, ou fazer funcionar o mais que podia os pneus que tinham calçados.

As ideias dos espectadores ingleses de que isto seria um passeio para Hamilton desmoronaram-se mal apagaram as luzes vermelhas. A partida foi fantastica... e catastrófica, pois Vettel largou muito bem e venceu Hamilton pela pura velocidade de ponta. Para piorar as coisas, Raikkonen tocou em Hamilton na curva 3, quando lutava pela terceira posição, acabando no fundo do pelotão. Bottas era segundo, mas Raikkonen estava a recuperar, depois de ter passado um dos Red Bull, o de Ricciardo. E na confusão, Charles Leclerc era sétimo, no final da primeira volta.

Hamilton começava a recuperar posições atrás de posições, para tentar recuperar o tempo perdido, tendo quase quatro segundos de vantagem sobre o piloto da Mercedes. O inglês demorou até à sexta volta para voltar aos pontos, depois de passar o Haas de Kevin Magnussen quanto na frente... tudo na mesma, com o carro de Vettel a afastar-se cada vez mais de Bottas. E por esta altura, Kimi Raikkonen era avisado pelos comissários que, por causa do seu incidente na primeira volta, iria ser penalizado em dez segundos.

No final da volta onze, Hamilton já era sexto, tendo apenas os Ferrari, Red Bull e o seu companheiro de equipa, Valtteri Bottas, e esperava ser beneficiado com a penalização de Kimi para subir um pouco mais. O finlandês da Ferrari foi às boxes na volta 13, para trocar de pneus e cumprir a penalização, voltando à pista na décima posição. Na volta 18, Verstappen fez a sua primeira paragem, com pneus duros, provavelmente para ficar o mais possível na pista, e a mesma coisa fez Ricciardo, na volta seguinte.

Na volta 20, Leclerc fez a sua paragem nas boxes, mas um pneu mal colocado fez com que a sua corrida acabasse por ali, estragando as suas chances de pontuar de novo. 

Vettel também parou, na volta 21, e Hamilton era o único que não tinha parado, depois de Bottas o fazer na volta seguinte.

Nesta altura - quase metade da corrida - Vettel liderava com quase 3,5 segundos de vantagem sobre Bottas, e mais dois segundos sobre Hamilton, o terceiro classificado, e o piloto alemão parecia estar confortável com a distância. O inglês passou pelas boxes na volta 26, para voltar à pista atrás de Raikkonen, no sexto posto.

Ricciardo parava nas boxes na volta 31, muito cedo para uma eventual segunda paragem, colocando pneus moles para ver no que daria. 

Na volta 34, Marcus Ericsson perdeu o controlo do seu Sauber na primeira curva depois da meta, em Abbey, a batia forte na barreira de pneus, sem consequências. Contudo, foi mais do que suficiente para colocar o Safety Car na pista e colocar tudo de volta à estaca zero. Vettel foi às boxes, com os Mercedes na pista para ver se conseguiam alguma vantagem. Max Verstappen fez a mesma ocisa logo depois, com Kimi Raikkonen a fazer a mesma coisa, e claro, Ricciardo também ficava, pois tinha ido antes às boxes. 

A corrida regressou na volta 39, mas durou pouco. Enquanto Kimi Raikkonen e Max Versatappen batiam-se pela quarta posição, na curva Copse, Carlos Sainz Jr e Romain Grosjean batiam um no outro e acabavam na barreira de pneus, fazendo com que o Safety Car entrasse de novo na pista.

Demorou mais uns minutos - e algumas voltas - para tirar o Haas e o Renault do sitio onde estavam e depois voltar à uma corrida de sprint até ao final. Bottas estava na frente, com Vettel em cima dele. O alemão tentou passá-lo uma vez, mas o finlandês defendeu-se. Atrás, Kimi Raikkonen voltou a atacar Max Verstappen e conseguiu ficar com o quarto posto. 

A partir daqui, foi uma corrida épica, com quatro potenciais vencedores. Vettel atacava Bottas, mas tinha de estar atento a Hamilton e Raikkonen. Na volta 47, o alemão tinha passado por fim o finlandês, ao mesmo tempo que Verstappen tinha sido tocado por Ricciardo e despistado-se, acabando a arrastar-se e acabar a sua corrida no final dessa volta. Excitação e drama ao mesmo tempo...

Hamilton subiu para segundo, e Bottas tinha agora o assédio de Raikkonen para ficar com o lugar mais baixo do pódio. Os Mercedes lutavam porque os seus pneus estavam cada vez mais velhos, e Bottas pagava o preço, ao ser passado por Raikkonen e perdendo o seu lugar no pódio.

No final, não foi o vencedor que os ingleses queriam, e os Ferrari tinham pneus mais frescos para a parte final da corrida. Com isto, o alemão abriu um pouco mais de vantagem no campeonato, mas nada estava decidido, bem longe disso: ainda estamos a meio. Daqui a duas semanas, em paragens alemãs, haveria mais corrida.

sábado, 7 de julho de 2018

Formula 1 2018 - Ronda 10, Grã-Bretanha (Qualificação)

Isto é tudo um fim de semana atrás do outro. Mas como é na Europa e é com pistas tradicionais, até estamos todos bem. Depois de Paul Ricard, passamos para o Osterreichring, e numa corrida bem divertida - especialmente na parte dos motores partidos - e agora estamos em Silverstone, terceiro fim de semana seguido de Formula 1. E tudo isto em pleno Mundial de futebol, em paragens russas, como concorrência... e com jogo da seleção inglesa logo a seguir a esta qualificação.

A qualificação de Silverstone, perante um tempo absolutamente de verão neste sábado, iria começar sem Brendon Hartley, pois os danos do seu carro foram de tal maneira extensivos que o carro não ficaria pronto a tempo desta sessão. O incidente tinha acontecido na terceira sessão de treinos livres, quando a sua suspensão se quebrou e o carro bateu fortemente contra as barreiras de proteção. Quanto ao piloto, depois de ter ido ao centro médico para ver se estava bem, foi dada a luz verde para participar... mas iria ver das boxes.

Quem também tinha a qualificação em dúvida era Sebastian Vettel, que tinha sofrido um mau jeito no pescoço no final do terceiro treino livre, e tinha ficado de fora, colocando a sua participação em dúvida. Afinal de contas, recuperou a tempo de participar.

A qualificação começou debaixo de um agradável sol de verão e ia sem grandes problemas até que Lance Stroll se despistou numa das suas voltas lançadas, acabando na gravilha. Isso acabaria com a sua parte na Q1, deixando a vaga para mais três infelizes. E com isso, a qualificação ficavam interrompida para poderem tirar o Williams daquele lugar algo perigoso.

Tirado o carro do lugar, a sessão continuou por mais alguns minutos, com os Ferrari a portarem-se bem diante do asfalto mais quente... até que Serguei Sirotkin voltou a sair na curva Stowe, voltando a serem mostradas as bandeiras amarelas até saber se o carro estava seguro. Pouco depois prosseguiu, com Sebastian Vettel a fazer baixar o tempo, batendo o novo recorde da pista.

Terminado a primeira fase da qualificação, a grande surpresa foi a não qualificação de Carlos Sainz Jr, fazendo companhia a Stoffel Vandoorne e os Williams. E claro, Brendon Hartley. E em contraste, quem andava bem em Silverstone era Charles Leclerc, com o sexto melhor tempo nesta Q1.

Na Q2, os Ferrari continuavam a dominar a tabela de tempos, com Vettel a fazer 1.26,372. Lewis Hamilton tenou a sua sorte, mas abortou a sua primeira tentativa, com Bottas a ser segundo, 41 centésimos mais lento. Hamilton lá fez a sua volta e melhorou para 1.26,256, uns 120 centésimos mais veloz que o piloto da Ferrari.

Na parte final, não houve grandes alterações, e os que ficaram de fora foram Nico Hulkenberg, Fernando Alonso, Sergio Perez, Pierre Gasly e Marcus Ericsson. Para além dos Mercedes, Ferrari, Red Bull e Haas, ficaram o Sauber de Charles Leclerc e o Force India de Esteban Ocon.

Na Q3, Hamilton começou com um 1.25,993, antes de Vettel responder com um 1.25,936, estragando a festa dos ingleses. E na parte final, o inglês fez 1.25,892, conseguindo desalojar o alemão e fazendo a pole-position diante dos seus fãs. Vettel e Bottas ficam atrás dele, sendo segundo e terceiro na grelha, na frente de Bottas.

Amanhã é dia de corrida, e pouco mais de duas horas depois, os ingleses comemoravam a sua primeira passagem a uma meia final de um campeonato do mundo de futebol em 28 anos. Depois de estas duas boas noticias, os ingleses agora desejam que Hamilton vença amanhã e volta ao comando do campeonato, como se fosse o fecho perfeito de um final de semana perfeito também. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A(s) image(ns) do dia




Ainda não chegamos ao inverno, mas no Hemisfério Norte, boa parte dos circuitos que nós conhecemos já têm - ou tiveram - uma camada de neve razoável sobre o asfalto. E hoje calhou a vez de Silverstone, como se podem ver nas imagens.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Noticias: Kubica já testou em Silverstone


O polaco Robert Kubica andou ontem a testar num chassis de 2014 (o FW36) no circuito de Silverstone. O piloto de 32 anos andou nas várias versões do circuito britânico num teste que correu sem problemas de maior, embora a equipa tenha decidido guardar para si as informações sobre o número de voltas que fez, bem como os tempos marcados.

Com este teste, apesar da escassez de divulgação, foi apenas o preludio de novo teste, desta vez no Hungaroring, numa espécie de "shoot-out" com o escocês Paul di Resta, na próxima terça-feira. A equipa de Grove afirma que não tem pressa para escolher o seu piloto para a próxima temporada, embora diga que no final do ano anunciará quem ficará com o lugar.

Para Kubica, este foi o seu quarto teste com um carro de Formula 1, tendo já feito três com o carro da Renault, uma delas com o chassis de 2017 na Hungria, num lugar que acabou por ficar nas mãos de Carlos Sainz Jr. Em relação a candidatos, para além de Kubica e Di Resta, ainda tem Felipe Massa e Pascal Wehrlein.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Noticias: Kubica vai fazer um teste com a Williams

Robert Kubica vai fazer um teste com um Williams de 2014 para saber qual deles é que estará mais capaz de tentar a sua sorte na categoria máxima do automobilismo. O teste irá acontecer a 11 de outubro, em Silverstone, e vai ser o quarto teste que o piloto polaco de 32 anos irá fazer este ano com um Formula 1, depois de ter efetuado três testes com o Renault. Dois com o chassis de 2012, em Valencia e Paul Ricard, e um com o carro de 2017, no Hungaroring, no dia a seguir ao GP húngaro.

Este ensaio vai acontecer um dia depois de Paul di Resta fazer o mesmo com o carro de 2014. Será uma espécie de "shoot out", mas desse ensaio de ambos os pilotos poderá fazer com que a equipa chegue a uma conclusão para saber se ambos poderão ser capazes de fazer novo ensaio com um carro mais atual, neste caso, com um carro de 2017.

Contudo, tudo isto poderá ser uma inutilidade. Felipe Massa está a fazer "lobby" para que fique por mais uma temporada, tentando colocar os engenheiros da equipa a seu favor, usando um pouco o seu estatuto de veterano. E ainda temos o factor Pascal Wehrlein, que Toto Wolff deseja o colocar por ali, por causa dos motores Mercedes. Contudo, isso entra em colisão com o patrocinador, que quer um piloto mais velho (acima dos 25 anos) na equipa, porque o outro piloto, Lance Stroll, tem apenas 18...

Em suma, numa temporada em que tudo poderá ficar calmo, o segundo lugar da Williams tornou-se num assento muito quente.




domingo, 16 de julho de 2017

Formula 1 2017 - Ronda 10, Grã-Bretanha (Corrida)

O fim de semana perfeito de Lewis Hamilton em Silverstone teve hoje o seu capitulo final numa corrida onde não só dominou em todas as voltas, como também teve uma "benção disfarçada" quando viu os seus adversários terem azar nas últimas duas voltas por causa dos pneus que não aguentaram o ritmo e os pilotos decidiram abusar da sorte. Aqui, sabia-se que as Mercedes poderiam dominar, e não se sabia se acabaria com dobradinha ou os carros da Ferrari poderiam colocar alguém entre ambos os pilotos, já que Valtteri Bottas tinha de cumprir a tal penalização que sofreu por causa da troca da caixa de velocidades.

Debaixo de tempo cinzento, com alguns receios de chuva, a corrida começou com um susto quando se soube que o ex-piloto de Formula 1 e atual comentador televisivo, Martin Brundle, se sentiu mal durante as entrevistas na pista. Levado para o centro médico, ele recuperou e agora estava a repousar, mas este susto lembrou-nos da revelação que teve em 2016 quando sofreu um ataque cardíaco na pista de Monte Carlo e do qual teve de ser operado para corrigir a arritmia cardíaca. 

A partida foi complicada. Primeiro, começou com Joylon Palmer sem poder arrancar das boxes por causa de problemas com o seu carro. Por causa disso, a primeira tentativa foi abortada. Na segunda, houve alguns "chiliques", desde o susto de Vettel, com fumo a sair da sua traseira, por causa dos seus travões, mas sem consequências, até ao pior, quando Carlos Sainz Jr e Daniil Kvyat colidiram, causando a entrada do Safety Car. Com Toros Rossos a eliminarem-se uns aos outros, e numa altura em que se fala que o piloto espanhol poderá ter a porta de saída bem aberta, rumo à Renault, esta colisão foi como que a pensar que ele já não é mais bem-vindo...

O Safety Car ficou na pista até à quarta volta, altura em que recomeçou, com Hamilton a mater a liderança. Aliás, ele nunca a iria perder até à bandeira de xadrez, apesar de um susto pelo meio da corrida, quando Bottas ameaçou momentaneamente a liderança. Atrás, vindo do fundo da grelha, Ricciardo recuperava posições, ao contrário de Alonso, que não fazia muita coisa. Bottas também recuperava o tempo perdido, subindo para o quinto lugar e tendo apenas Verstappen e os Ferrari na sua frente. Por alturas da volta 15, era Hamilton a ter quatro segundos de diferença sobre Raikkonen, com Verstappen em terceiro, a aguentar as investidas de Sebastian Vettel e Valtteri Bottas.

Vettel parou na volta 19, sendo o primeiro dos da frente que pararam nas boxes, sem grandes problemas. Ficou com os moles (os amarelos, que o fariam durar mais tempo, mas que na parte final o iriam deixar na mão...) e logo a seguir, outros pilotos foram às boxes e manter os slicks, como Verstappen, que foi às boxes na volta seguinte, o suficiente para que Vettel o ultrapassasse quando regressou à pista. Por esta altura, houve quem comunicasse que estavam a cair pingos de chuva nas suas viseiras, mas foi algo de pouca dura.

Por esta altura, Hamilton tinha oito segundos de vantagem sobre Raikkonen, mas parecia que o inglês tinha tudo controlado. Bottas era o terceiro, e iria fazer de tudo para atrasar o Vettel o mais que poderia. O inglês acabou por parar na volta 25, para ficar com os moles. Voltou à pista mesmo à frente de Bottas, mas manteve o primeiro lugar. O finlandês só pararia na volta 33, na mesma volta que Ricciardo. 

Depois disto, as coisas andavam calmas, quase um contraste com o agitado inicio de corrida. Alonso foi-se embora na volta 35, graças a mais um motor Honda que "entregou a alma ao seu Criador", enquanto que Vettel começou a aproximar-se de Raikkonen para começar a ameaçar o seu terceiro posto, pois Bottas também estava atrás de si, ameaçando o lugar do alemão.

E isso foi o grande centro das atenções para a parte final. Na volta 43, Bottas tentou passar uma primeira vez, mas o alemão defendeu-se. Duas voltas depois, na travagem para Stowe, o finlandês conseguiu passá-lo e ficou com o terceiro posto. A partir dali, o finlandês aumentou o seu ritmo para apanhar o seu compatriota da Ferrari, chegando até a ganhar um segundo por volta.

Mas a duas voltas do fim, o golpe de teatro para Raikkonen, quando Kimi Raikkonen começou a sofrer um furo lento e teve de ir às boxes para trocar de pneus. A mesma coisa acontecia a Max Verstappen, que teve de trocar de pneus, e depois, Sebastian Vettel, que teve o seu pneu frente-esquerdo explodir na zona das antigas boxes, arrastando-se até às boxes, mas conseguindo salvar o dia, acabando na sétima posição.

Claro que na Mercedes, foi o fim de semana de sonho. Hamilton venceu de forma imperial, Bottas foi o segundo, a dobradinha que deixou os ingleses delirantes, e Kimi Raikkonen foi o terceiro

Para os ingleses que estiveram em Silverstone, o azar de Vettel foi uma benção disfarçada por Baku. Eles desejam que o seu ídolo estivesse numa caminhada clara para este título mundial, e ao ver distância para o campeonato reduzida a um ponto, acham que em Budapeste, a coisa ficará resolvida e quando ele passasse o alemão no campeonato, nem olhe para trás. Contudo, a Formula 1 não é uma ciência exata. Já vimos este ano que o chassis da Ferrari é melhor do que no ano passado e este é um campeonato bem mais equilibrado do que nos anos anteriores. Nada está garantido que vai ser o mesmo final desde 2014...

sábado, 15 de julho de 2017

Formula 1 2017 - Ronda 10, Grã-Bretanha (Qualificação)

Em uma semana, a Formula 1 saltou de uma pista para outra, veio do centro da Europa para o "vale do automobilismo" no centro da Grã-Bretanha. Mas nessa única semana - cinco dias, para ser mais correto - aconteceram muitas coisas. Primeiro, a denuncia do contrato por parte do BRDC (o British Racing Drivers Club) sobre o contrato que fizeram com a FOM para acolher o GP da Grã-Bretanha, que começava a ser caro demais para os seus bolsos. A partir de 2019, se não fizeram nada, a Formula 1 sai de Silverstone.

Contudo, pelo meio, fizeram um espectáculo no centro de Londres para aproximar a modalidade aos fãs, e calhou na mesma altura em que falavam do fim anunciado desse contrato. E claro, as pessoas somaram "dois mais dois" e começaram a pensar que, se calhar, a solução seria uma corrida no centro da cidade. Afinal de contas, até a lei que não permitia isso tinha sido removida, logo, uma corrida citadina naquelas partes poderia fazer maravilhas. Mas das intenções, o inferno está cheio... e até 2018, nada garante que não haja uma renegociação do contrato entre ambas as partes e as condições serem mais... generosas.

Com o fim de semana a começar com a estreia do "aeroscreen", e de Sebastian Vettel a recolher às boxes após... uma volta, queixando-se que o dispositivo lhe tinha causado "tonturas e enjoos", a coisa continuou com a noticia de que Valtteri Bottas tinha de trocar a sua caixa de velocidades, mais do que suficiente para cair cinco posições, e talvez dar a pole-position antecipada a Lewis Hamilton.

Com um tempo tipicamente britânico, máquinas e pilotos prepararam-se para a qualificação. Contudo, à hora do começo, choveu no circuito, deixando a pista molhada e fazendo com que os pilotos entrassem na pista usando pneus intermédios (os verdes). Claro, esta Q1 iria ser uma lotaria, porque a pista iria secar com o tempo. Os primeiros tempos foram marcados por Daniel Ricciardo, que fez 1.42,966, muito abaixo dos 1.28 que Lewis Hamilton tinha feito nos treinos livres de ontem, mas pouco tempo depois, o australiano encostou à berma, com problemas com o seu Red Bull. A sua qualificação ficaria por ali e os comissários agitaram a bandeira vermelha.

Na parte final, alguns pilotos arriscaram, colocando pneus "slicks" e claro, vimos algumas surpresas. Primeiro Hamilton, depois Vettel e no final foi... Fernando Alonso, que marcou 1.38.912 e deixou toda a gente de boca aberta. Ver um McLaren-Honda a fazer o melhor tempo em muito tempo pode deixar todos entre o espantado e o risível... se não soubesse que o piloto espanhol terá uma penalização de 30 lugares (largará na fronteira escocesa...) e será o último classificado na grelha para amanhã.

No final, a fazer companhia a Ricciardo, ficaram os Sauber de Marcus Ericsson e Pascal Wehrlein, bem como o Haas de Kevin Magnussen e o Williams de Lance Stroll, de uma forma algo surpreendente.

A Q2 começou com todos os pilotos a andarem com slicks, e claro, os tempos começaram a baixar. Primeiro, Kimi Raikkonen, com 1.32,171, depois Nico Hulkenberg, com 1.31,085. Mas depois, os Mercedes (primeiro Bottas, depois Hamilton), baixaram para tempos dignos de registo, com o inglês a fazer 1.29,097. Na segunda parte dessa Q2, os tempos caíram cada vez mais, com Hamilton a melhorar para 1.27,893, que era o tempo que ficou no final da segunda parte da qualificação.

Com os Mercedes, passaram os Ferrari, os Force India, o Red Bull de Max Verstappen, o Renault de Nico Hulkenberg, o Haas de Romain Grosjean e o McLaren de Stoffel Vandoorne, ao mesmo tempo que Fernando Alonso não foi mais longe do que o 13º tempo.

Na fase final, só não se sabia quando é que Hamilton iria marcar o tempo que lhe daria a pole-positon. Primeiro, marcou 1.27,231, e depois com Bottas e Vettel a tentarem aproximar-se, com o alemão da Ferrari a fazer 1.27,430, na parte final, tirou o suficiente para fazer o recorde da pista, com 1.26,600, tirando mais de meio segundo a Kimi Raikkonen, o segundo classificado, e a Sebastian Vettel, o terceiro. Valtteri Bottas só fez o quarto tempo, mas caindo cinco lugares, será nono, atrás até de Stoffel Vandoorne.

Como seria de esperar, a multidão entrou em delirio com a 67ª pole de Hamilton da sua carreira, e celebrou na pista o feito. E parece que, a não ser que aconteça algo a ele, parece que o lugar mais alto do pódio estará destinado a ele e os seus rivais terão de fazer o melhor para menorizar os estragos. Mas o automobilismo, e a Formula 1 em particular, não é uma ciência exata...

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Noticias: Valtteri Bottas penalizado em cinco lugares

A Mercedes decidiu mudar a caixa de velocidades do Mercedes de Valtteri Bottas, e essa mudança não planeada levou a que os comissários de pista tivessem de penalizar o piloto finlandês em cinco lugares na qualificação de amanhã no GP da Grã-Bretanha.

Isso irá prejudicar as prestações do piloto finlandês, que esta sexta-feira foi o piloto mais veloz nas duas sessões de treinos livres do circuito de Silverstone, e provavelmente o seu companheiro de equipa, Lewis Hamilton, terá caminho aberto para a pole-position, já que os Flechas de Prata tem sido os mais velozes neste fim de semana...

A qualificação acontecerá amanhã.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Silverstone fora do calendário a partir de 2019?

A BRDC (British Racing Drivers Club), proprietária de Silverstone, accionou esta terça-feira a cláusula que permite a sua retirada de cena do calendário da Formula 1 após a temporada de 2019. A decisão foi tomada devido à escalação de custos do qual a proprietária estaria obrigada a pagar e que no final faria com que os custos suboissem para as 25 milhões de libras por temporada.

Quando o contrato foi assinado, em 2010, entre a BRDC e a FOM, de Bernie Ecclestone, os proprietários pagavam em média 11,5 milhões de libras por temporada. Só que agora, em 2017, eles pagarão 16,2 milhões, quase cinco milhões do que pagavam antes, algo do qual os organizadores dizem que é demais para as suas finanças.

John Grant, o presidente do BRDC, afirmou sobre esta decisão:

"Tomamos esta decisão porque não é financeiramente viável para nós organizar o Grande Prêmio da Grã-Bretanha nos termos deste contrato. Nós tivemos perdas de 2,8 milhões de libras em 2015 e 4,8 milhões em 2016, e esperamos perder um montante similar neste ano." começou por afirmar.

"Chegamos a um ponto onde já não podemos deixar nossa paixão pelo automobilismo dominar nossas cabeças. Não arriscaria apenas o futuro da Silverstone e do BRDC, mas também da comunidade britânica de automobilismo que depende de nós.

"No entanto, quero deixar claro que, embora tenhamos ativado a cláusula de quebra [do contrato], apoiamos plenamente as mudanças que a equipa da Liberty Media está a fazer para melhorar a experiência da Formula 1.

"Nossa esperança é que um acordo ainda possa ser alcançado, para que possamos garantir um futuro sustentável e financeiramente viável para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha em Silverstone por muitos anos", concluiu.

Grant afirmou que Silverstone poderá ter "um futuro brilhante" sem a Formula 1, mas avisou acerca das consequências da perda de um GP britânico para a industria automobilística:

"Embora odiemos perder o Grande Prémio da Grã-Bretanha, Silverstone terá um futuro brilhante sem ela - tanto em termos comerciais, como em termos de continuar a servir como o coração da comunidade automobilística britânica. Mas perder o Grande Prémio teria um impacto negativo que se sentiria muito para além da Fórmula 1 e da Silverstone."

"Sete das 10 equipas da Formula 1 estão baseadas no Reino Unido - muitas delas perto de Silverstone. Isso traz empregos vitais para o país, além de ter um impacto positivo nas comunidades e na economia local. Há uma boa razão pela qual a área em torno de Silverstone é conhecida como 'o Silicon Valley do automobilismo'. Tirem o Grande Prémio e tudo isso estará em risco", concluiu.

sábado, 15 de abril de 2017

A imagem do dia

Filipe Albquerque comemora de punho erguido a sua vitória nas 4 Horas de Silverstone, a primeira prova do Europeu de Endurance. E comemora com vigor: é que quem viu os minutos finais da corrida, reparou no esforço que fez a bordo do seu Ligier da United Autosports, para ir buscar o carro que estava à sua frente, o Oreca G-Drive então guiado por Ryo Hirakawa, este já sem pneus, enquanto que o cronómetro se aproximava do zero.

Foi emocionante, e de uma verta maneira, justo. Partiu de segundo e esteve estável. Na parte final, quando ele pegou no carro e fez a recuperação que todos viram, apenas mostrou que ele é um piloto veloz, um dos melhores dos dois lados do Atlântico. Bem servido na IMSA, ao lado de João Barbosa e Christian Fittipaldi, aqui na ELMS, este ano ao lado do suíço Hugo de Sadeleer e o americano William Owen, entrou com o pé direito, numa vitória que já merecia este ano, depois do que lhe aconteceu em Daytona.

Sem ter uma grande chance de correr na LMP1, no Mundial - um lugar que já merecia - ser candidato ao título (ou mesmo vencer) o Europeu de Resistência, provavelmente consagrado em Portimão, em outubro, seria ouro sobre azul de uma tempora que poderá ser de sonho para o piloto de Coimbra. Esperemos que sim.   

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A imagem do dia


Nelson Piquet, no canto superior direito na fotografia, parece que está a receber toda uma nova geração de pilotos que andam por ali, filhos de nomes famosos, no fim de semana em que começa o Mundial de Endurance em Silverstone.

E da esquerda para a direita (na primeira foto), eis os pilotos: Bruno Senna, Matthias Lauda, Nico Prost, Nelson Piquet Jr, Pietro Fittipaldi, Pedro Piquet, Harrison Newey e Mick Schumacher.

Sobre os pilotos da Valliant-Rebellion, eis algo do qual Michel Vaillant ficaria invejoso, caso existisse. Vai ser interessante vê-los correr em Le Mans, em junho, no carro da LMP2. Lauda corre na Aston Martin, na categoria GTE-Am, e no ano passado, corria ao lado de Paul Della Lana e Pedro Lamy, enquanto que Pietro Fittipaldi, um dos netos de Emerson, está na Formula V8 3.5. Para finalizar, Pedro Piquet, Harrison Newey e Mick Schumacher estão na Formula 3 europeia.

Os herdeiros têm uma tarefa espinhosa: sair da sombra dos feitos dos pais. Como podem ver pelos pilotos da Rebellion, essa gente teve uma passagem modesta pela Formula 1 - Prost não chegou lá, Senna só tem uma volta mais rápida e Piquet, um pódio e polémica - e são felizes na Formula E. E isso poderia ser uma espécie de aviso a todos os que estão na ladeira para lá chegar, como Pietro, Pedro ou Mick. Apesar de já terem mostrado talento, não são alguém que "encha o olho" aos que esperam ver a perpetuação desses nomes no automobilismo.

Contudo, momentos destes merecem, de facto, fotografias como estas.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A(s) image(ns) do dia








Os Mercedes deram um ontem "aperitivo" do que vinha aí, e não desiludiram. O chassis W08 pode ser até agora o carro mais elegante do pelotão, e provavelmente, o carro mais veloz do campeonato. Isto porque se ouvem alguns rumores de que eles trabalharam bem nos motores, e a ser verdadeiro, poderão ter dado um pulo tão grande que as outras equipas que têm os seus motores - Williams e Force India - os poderão acompanhar. Mas até agora, e sem os testes, é tudo especulação.

O mais interessante foi aquilo que tinham na sua traseira, ainda antes das rodas traseiras. Pelo que me explicaram, é uma espécie de instrumento para evitar a turbulência de ar na traseira, que acontece sempre que o carro anda, e poderá ser uma alternativa interessante à barbatana. Caso funcione - e eles andaram também com uma barbatana no carro - podem ter feito um dois em um: ganha-se na estética e consegue-se vantagem na aerodinâmica.

Vamos a ver. Amanhã é dia de lançamento duplo: Ferrari e McLaren. Vai ser um dia bem longo...