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domingo, 26 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 11, Hungaroring (Corrida)


Passaram quarenta anos desde que a Formula 1 visitou pela primeira vez terras húngaras e não mais saiu dali, e agora, com uma pista cada vez mais entrincheirada no calendário - apesar de ser lenta e algo travada - a pista está cheia para acolher máquinas e pilotos, num país transformado. Afinal de contas, em 1986, a Hungria estava atrás da Cortina de Ferro...  

O tempo está agradável em Budapeste, um tempo de verão, com autódromo cheio de gente, asfalto quente (52ºC) baixas chances de chuva, e os pilotos iriam partir para as 70 voltas seguintes com pneus médios, preparando-se para duas paragens. as excepções eram os Ferrari, que largaram com moles, se calhar, para serem os primeiros a pararem.


Na partida, Norris defendeu-se de Piastri, mas Max subia para terceiro. O australiano foi mais ousado, e algumas curvas depois, ele ficou no comando da corrida. Depois vinha Max, os Ferrari, com Hamilton a defenmder-se dos ataques de Lelcerc, e Antonelli vinha logo a seguir. Russell partiu muito mal e tinha caído para o fundo do pelotão.

Nas voltas seguintes, os McLaren começaram a distanciar-se de Max Verstappen, que por sua vez, estava a aguentar os Ferrari, que o queriam passar para resolver o problema e tentar evitar que fugissem de forma definitiva. Muito atrás, na 13ª posição, George Russell continuava a sua recuperação. Na volta onze, Hamilton chegou a perguntar se não deveria mudar a estratégia para tentar passar dessa maneira o neerlandês da Red Bull. Do qual recebeu uma resposta negativa. No meio disto tudo, Russell continuava a subir posições, até à 11ª, mas algo longe de Nico Hulkenberg, da Audi, e o último piloto na zona dos pontos. 

Mesmo assim, Hamilton foi às boxes na volta 14, e colocou duros, tentando ficar na pista o maior tempo possível. Regressava à pista na nona posição, e esperava ter saído melhor que a concorrência. Durou algumas curvas até passar o Racing Bulls de Arvid Lindblad, para ser oitavo. Na volta seguinte, Max foi às boxes, trocou para duros, também, e na saída para a pista, Hamilton conseguiu ser mais rápido que o piloto da Red Bull, e conseguiu o "undercut". 

Contudo, logo a seguir, Max fez uma excelente manobra para passar Liam Lawson... e Lewis Hamilton, para ser sexto e sobretudo, passar o piloto da Ferrari, o seu rival direto nesta corrida. Bem interessante!

Oscar Piastri e Charles Leclerc pararam ao mesmo tempo, na volta 17, colocando duros, com Piastri a sair melhor, e o comando da corrida ficar nas mãos de Lando Norris. Mas isso durou apenas uma volta, porque o piloto da McLaren foi às boxes trocar de pneus. Durou 3.2 segundos, e na saída Piastri conseguiu passá-lo, com pouco mais de meio segundo de diferença. No comando está agora Kimi Antonelli, na frente de Isack Hadjar. E no meio disto tudo, Russell era agora oitavo, nos pontos.

Antonelli só foi às boxes na volta 23, para colocar duros e regressar à pista na sexta posição, mais de cinco segundos na frente de George Russell, que ainda não tinha parado. Ele só pararia na volta 28, para colocar duros e regressar na nona posição. Três voltas depois, na 31ª passagem pela meta, Hamilton regressava ás boxes para colocar mais um jogo de duros, regressando à pista na sétima posição. 


Na frente, Piastri comandava, mas estava a ser assediado por Norris. Max não estava muito longe, a pouco mais de dois segundos e meio, e logo a seguir, na volta 35, Oscar Piastri trocou também de pneus, para outro jogo de duros, regressando em quinto. Duas voltas depois, na 37, foi a vez de Leclerc parar pela segunda vez. 

Na volta 39, algo insólito: Oscar Piastri estava a passar alguns pilotos atrasados, entre eles o Williams de Carlos Sainz Jr, quando o piloto espanhol manobrou como se o australiano não estivesse ali. O choque foi inevitável, houve alguns danos, mas poderia ter sido muito pior. Quase ao mesmo tempo, Lando Norris ia às boxes, e voltava na frente de Piastri, para fúria do australiano. Max foi na volta 42, com o neerlandês a colocar moles e a regressar em quinto, atrás de Hamilton.

A partir daqui, isto se tornou numa luta entre Lando Norris e Andrea Kimi Antonelli. Primeiro ao longe, mas depois começou a ficar mais perto. Contudo, na volta 56, as atenções viraram para Oscar Piastri, que ficou sem caixa de velocidades, e parou de forma definitiva. Safety Car Virtual, e boa parte do pelotão foi às boxes para a sua terceira e última paragem nas boxes. Norris, Hamilton, Leclerc, Gasly e mais alguns outros, boa parte dos quais com moles, para acelerarem até ao final.

No regresso à pista, ainda em Safety Car Virtual, Hamilton ia rápido demais para ver se não era passado por Antonelli, mas quando regressou à pista, aparentava estar em excesso de velocidade, e teria de fazer uma de duas coisas: cedia a posição, ou teria uma penalização de cinco segundos. Ele escolheu ceder. 

A dez voltas do final, Norris tinha Max sob controlo, a cerca de seis segundos, mas a luta que interessava era entre Antonelli e Hamilton, pela terceira posição. O britânico, com moles, tentava passar o jovem piloto da Mercedes, que tinha duros, mas ele resistia. Pouco depois, Hamilton soube que tinha uma penalização de cinco segundos, logo, mesmo que o passasse, teria sido uma batalha inutil.

Mas até à meta, Lando Norris tinha uma corrida sem problemas, não só se distanciando de Max, como acabaria por triunfar pela primeira vez na temporada, fazendo com que a McLaren fosse a terceira equipa vencedora em 2026. Max tinha novo pódio, o quarto da temporada, enquanto Antonelli tinha tudo sob controlo, na frente dos dois Ferraris, com Leclerc em quarto, por ter puxado pelo carro para ficar a menos de cinco segundos do seu companheiro de equipa. 

E por curiosidade: os Aston Martin, com a sua versão B e sem as novas atualizações do motor Honda, acabaram em 13º e 14º, na frente dos Williams, dos Haas, dos Cadillacs, e com um Alpine atrás dele. Imagine-se como será depois de Zandvoort, quando tiverem a nova evolução do motor japonês... 


Agora, Antonelli tem 50 pontos de vantagem sobre Hamilton, o que implica que ele será campeão no fim de semana de Las Vegas. Não sei se será apropriado ele ganhar ali, num país onde, por exemplo, para beber, precisa de ter 21 anos... a não ser que no Nevada, a idade seja mais baixa. 

Depois de Hungaroring, são quatro semanas de férias até Zandvoort, e ver como será a segunda parte do campeonato.      

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A imagem do dia


Charles Leclerc, piloto da Ferrari, vai ser o mais novo pai do pelotão da Formula 1, e no paddock, a esposa, que já mostra a sua barriga, trouxe o Leo Leclerc, que por sua vez, decidiu dar nas vistas ao "marcar território" na Red Bull. Só espero que ninguém escorregue na poça...  

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Youtube Formula 1 Video: As primeiras voltas no Madring

A mais nova pista automobilística de Espanha, o Madring, só acontecerá em setembro, mas a Ferrari aproveitou uma oportunidade para gastar alguns dos 300 quilómetros que tem disponíveis para publicidade no sentido de levar Lewis Hamilton e Charles Leclerc para uma pista em acabamentos e dar as primeiras voltas.

Pelos vistos, parece ser interessante, especialmente aquela curva em "relevé", que faz lembrar a que foi construída em Zandvoort. Este video é essencialmente, "onborads" tiradas quer nos carros de Charles Leclerc e de Lewis Hamilton.  

domingo, 5 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 9, Silverstone (Corrida)


Ainda não chegamos à metade da temporada, mas é bom ver a Formula 1 chegar a mas um clássico do automobilismo, mais de 75 anos depois do seu começo, mesta pista, e no ano do centenário do primeiro GP da Grã-Bretanha, que aconteceu em Brooklands, o primeiro circuito permanente do mundo, que sendo construído por aristocratas que tinham horror pelo odor popular, tinham o seguinte lema: "a gente certa, sem enchentes". Um pouco classista, não acham?

Mas agora, em 2026, a Formula 1 deseja as bancadas cheias de espectadores, porque é o sinal do sucesso, e não quer saber a sua origem social, porque o que importa é terem o dinheiro para pagar o bilhete e gastá-lo nas bancas ao lado das bancadas, não se importando que partes do corpo vendeste para ver ao vivo e a cores Lewis Hamilton, George Russell, Lando Norris ou Kimi Antonelli, Max Verstappen e Charles Leclerc. Aliás, havia uma bancada só para ver Norris, com o padrão do seu capacete e o amarelo vivo nos seus bonés! 

Antes de partir, sabia-se os pneus que iriam usar: todos começariam com médios, e uma só paragem até ao final. 


Na partida, Kimi Antonelli não largou bem, e foi o suficiente para ser engolido pelos Ferrari. Primeiro Leclerc, depois Hamilton, e em três curvas, o líder do campeonato era terceiro. Russell era quarto, mas tinha de aguentar a investida de Isack Hadjar, quinto e com vontade de passar o piloto da Mercedes. No fundo da tabela, Alex Albon tocou na traseira de Ollie Bearman e tinha o bico danificado, indo às boxes e regressando no fim do pelotão.

Nas voltas seguintes, os Mercedes tentaram recuperar o tempo perdido, especialmente Kimi Antonelli, o melhor dos Flechas de Prata naquele momento. Na volta 11, o piloto italiano conseguiu passar Hamilton para ser segundo classificado. 

O primeiro a parar para trocar de pneus foi Piastri, que colocou duros e regressou no fundo do pelotão, ao mesmo tempo que Alex Albon. Na frente, os Ferrari pareciam controlar os Mercedes, com Lecelrc a estar na frente de Antonelli, numa distância que há roçava os cinco segundos, com Hamilton e Russell a não estarem muito longe. O segundo piloto da Mercedes nesta altura, estava a ser pressionado fortemente por Max Verstappen, colado à sua traseira, mas não estava perto o suficiente para o atacar. Max conseguiu passá-lo na volta 18, antes de ir para as boxes, trocar para duros, mostrando que iria ir até ao fim.

Na volta 22, o Safety Car Virtual foi acionado por causa de... um guarda-chuva (tipicamente britânico...), mas demorou apenas uma volta, enquanto Russell e Hamilton foram ás boxes na volta 24, com o britãnico da Ferrari a queixar-se porque ele achava que os seus pneus ainda estavam bons. Duas voltas depois, e a meio da corrida, Leclerc foi às boxes colocar duros, deixando Antonelli na liderança, com 17 segundos de vantagem sobre o monegasco, com Lando Norris em terceiro, quatro segundos mais abaixo.


Nesta altura, Hamilton estava na traseira de Russell e determinado em passá-lo, apesar de ambos estarem a lutar pela quinta posição. E enquanto faziam isso, aproximavam-se da traseira de Max Verstappen, o quarto classificado. Os três iriam ganhar um lugar na volta 29 quando Lando Norris ia às boxes para colocar duros, caindo para sexto. Instantes depois, Hamilton apanhou Russell para o passar na curva Copse, mas o piloto da Mercedes resistiu na curva Maggots, conseguindo ficar com o quarto posto. Mas na curva 32, Hamilton ia voltar a atacá-lo, mas Russell resistia. Tudo isto nas traseiras de Max Verstappen.  

De repente, Russell foi avisado que sofria de um furo lento quando começava a esboçar ultrapassagens a Max Verstappen, e na volta 35, ia às boxes para trocar o pneu danificado, abandonando a luta, especialmente pelo lugar do pódio entre Max e Hamilton. Mais recordações de 2021 estão a aparecer na memória... 

Na volta seguinte, por fim, Kimi Antonelli foi às boxes para colocar os seus pneus, perdendo a liderança para Leclerc. Ele regressava à pista com sete segundos para recuperar e 17 voltas para o apanhar. Um pouco mais atrás, Hamilton começou a pressionar Max porque queria o seu lugar no pódio, e sabendo que os pneus traseiros daquele Red Bull já não estavam tão bons. O piloto da Ferrari conseguiu o que queria na volta 39... e foi bem a tempo, porque entretanto, o Audi de Nico Hulkenberg ficava parado na pista, e o Safety Car Virtual era novamente acionado. 

Norris e Hadjar foram à boxes trocar de pneus, bem como Max, e todos metiam médios. Hamilton estava agora mais tranquilo no terceiro lugar, enquanto Antonelli estava na disposição de apanhar Leclerc, e a 12 voltas do final, o italiano já estava a quarto segundos do monegasco.

Mas na volta 42... um golpe de teatro. Antonelli queixava-se de problemas no carro - parecia um problema de direção - e depois de uma paragem nas boxes, ele regressava na sexta posição. No regresso, tentava manter o carro na pista, mas depois de ter saído, e com dificuldades em manter o ritmo, ia novamente nas boxes para tentar resolver o problema. Regressou à pista na décima posição, com o objetivo de terminar nos pontos, mas Antonelli continuava a queixar-se de que o problema era mais fundo.

Na frente, a Ferrari estava a ter uma tarde gloriosa: Leclerc na frente de Hamilton e mais de vinte segundos de diferença entre os dois, e ambos a controlarem Max Verstappen. 


Mas a quatro voltas do fim, novo golpe de teatro na corrida: Max sai de pista a alta de velocidade na curva Stowe, e o Safety Car não era virtual, era real. A Red Bull disse depois que tinha sido por causa de um problema na asa traseira, e pediu desculpas a Max. Todos iriam se juntar para as quatro voltas finais. Alguns pilotos iam às boxes para trocar os seus pneus uma segunda ou terceira vez, colocando... moles, e na saída das boxes, Russell, que tinha ficado na pista, era segundo, na frente de Lewis Hamilton, que tia colocado novo jogo de pneus. 

A ideia era que o Safety Car saísse na volta final, mas... isso não aconteceu. Depois de tantos problemas em alguns dos carros da frente, e das brigas por posição, o final é anti-climático. Charles Leclerc ganhou a sua primeira corrida desde 2024, e Kimi Antonelli acabou por ser penalizado em cinco segundos por causa dos seus "corta-matos" - ignorando os comissários que ele tinha problemas, não ganhava nada com isso - e caia para fora dos pontos por causa do ajuntamento. 

Russell ganhava pontos com este final - ironicamente, ele tinha tido problemas antes disto tudo acontecer - e no final da corrida, a FIA explicou toda esta confusão: o regulamento fala que é preciso dar uma volta inteira depois que deixarem passar os retardatários, e a mensagem de que a corrida seria reiniciada foi um erro de sistema. Enfim... se calhar não seria má ideia ou colocar a bandeira vermelha, por ter acontecido a menos de cinco voltas da corrida, ou então, ir à Formula E e copiar os seus regulamentos neste capitulo, que acrescentam algumas voltas extra. Enfim...


Agora, são duas semanas até Spa-Francochamps, e mais duas corridas até à paragem de verão. E tudo isto com os cinco primeiros separados por 83 pontos. Nada mau, para uma temporada que se temia aborrecida!

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Norris avisa: A Ferrari tornou-se na referência do pelotão


Lando Norris deixou um aviso após o GP de Espanha e a vitória de Lewis Hamilton: a Ferrari tem tudo para ser a referência absoluta do atual pelotão da Formula 1. Segundo o campeão do mundo de 2025, os carros de Hamilton e de Charles Leclerc já possui o carro mais competitivo nas curvas e apenas uma limitação de potência impede um domínio mais evidente, apesar da Mercedes ter ganho todas as corridas até à prova de Barcelona.

 “Temos sorte que a Ferrari não tenha um motor melhor neste momento. Se tivesse um motor melhor, estaria a dominar. Eles são a referência do pelotão em termos de desempenho em curva neste momento”, começou por afirmar Norris após a corrida catalã.

O piloto da McLaren, e atual campeão do mundo, foi ainda mais longe na avaliação da ameaça representada pela Ferrari, admitindo que a diferença actual ao nível do chassis é significativa para a sua equipa.

Nós nem sequer estamos perto deles. Essa é a realidade. Estamos muito, muito longe de onde precisamos de estar. Se eles conseguirem melhorias no lado do motor, vão envergonhar toda a gente. Precisamos realmente de nos concentrar e perceber que melhorias podemos fazer.”, concluiu.


Tudo isto acontece depois da Scuderia ter estreado a evolução do seu chassis neste final de semana. Com oito atualizações, o carro tornou-se melhor em termos de comportamento do monolugar, sobretudo em curva, colocando a equipa de Maranello numa posição que impressionou os adversários, mesmo com as ajudas de Hamilton em termos de Virtual Safety Car, durante a corrida.

Para além disso, a Ferrari foi beneficiada no sistema ADUO, criado pela FIA, onde na avaliação mais recente, o seu motor era quatro por cento inferior à referência estabelecida pela Red Bull Powertrains, e com isso, poderá colocar duas evoluções do motor nesta temporada e outras duas em 2027, logo, aumentando as chances de competividade dos carros vermelhos.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Sobre a polémica Leclerc/Brembo


O GP do Mónaco não acabou bem para Charles Leclerc, e no final da corrida, procurou-se pela causas do acidente que ele teve na curva Antony Noghés, antes da reta da meta. E se o asfalto começou a descozer-se por ali, causando uma paragem na corrida, para remover o asfalto que estava a descolar-se, no final da prova, Charles Leclerc também disse que teve problemas com os travões (ou freios, se está a ler isto no Brasil). 

No final da corrida, extremamente frustrado, o piloto monegasco afirmou que só conseguiu travar com os da frente, em vez de também travar com as rodas traseiras. “Toco nos travões e… os dianteiros travaram muito mais do que pensava, enquanto os traseiros não tiveram qualquer desaceleração”, afirmou o piloto, acrescentando que parecia não ter travões atrás.  “Fiz figura de parvo. Quando a culpa é nossa, tudo bem, mas isto é no limiar do perigoso”, continuou, afirmando que em Barcelona iria usar a configuração adotada por Lewis Hamilton.

Mais tarde, Leclerc continuou a afirmar a falha nesses travões, afirmando que, com base na telemetria, três desses quatro não reagiram, com o quarto a reagir parcialmente, explicando que o problema se agravou drasticamente com a quebra de temperatura durante o período de Safety Car e que os dados recolhidos pela equipa técnica não deixam margem para dúvidas.


A Brembo, marca que fornece os seus travões à Ferrari... desde 1975, veio logo a público afirmar que as acusações eram prematuras e que ainda não poderia dar uma explicação para o acidente, defendendo que qualquer avaliação técnica definitiva exige um exame minucioso da telemetria em conjunto com os engenheiros da Scuderia.

O Grupo Brembo expressa grande surpresa relativamente ao que aconteceu a Charles Leclerc durante o Grande Prémio do Mónaco e está muito surpreendido com as declarações feitas pelo piloto após a corrida.", começou por afirmar no comunicado oficial. "A parceria entre a Brembo e a Scuderia Ferrari prolonga-se há mais de 50 anos e estende-se também a outras marcas do Grupo, como as embraiagens da AP Racing e os amortecedores da Öhlins, confirmando a força e a amplitude desta colaboração.”, continuou.

A empresa, que atualmente fornece tecnologia de travagem a todos os monolugares da grelha de Fórmula 1, reforçou em discurso indireto que ainda desconhece as causas exatas das anomalias relatadas por Leclerc, vincando ser prematuro avançar com pareceres antes de sentar os seus especialistas à mesa com a estrutura técnica da Ferrari.

Em situações como esta, é necessário examinar os dados da telemetria juntamente com os engenheiros da equipa, a fim de identificar com precisão a origem do incidente”, concluiu.

Para adensar o mistério, soube-se, pela imprensa italiana, que Hamilton tem uma solução diferente da de Leclerc. Desde março, alturas do GP do Japão, que o britânico usa discos da Carbon Industries, mantendo as pinças da Brembo. E ele tinha andado toda a pré-temporada a pressionar a Ferrari a usar esses discos no sentido de melhorar a sensibilidade na travagem, porque eram esses os travões que usava nos tempos da Mercedes. Provavelmente, aquilo que o que Leclerc fará será isso mesmo: deixar os discos da Brembo de lado. E se em Barcelona, neste final de semana, resolver o problema, então a relação fica muito mais tremida.


Tudo isto acontece numa altura em que Leclerc e a Ferrari acabaram de renovar o seu contrato por mais algumas temporadas, e o piloto de 28 anos ainda acredita que poderá ser ali que conseguirá o título mundial que anda à procura. É esperar para ver: se ele sair satisfeito, é uma coisa. Contudo, se as dificuldades persistirem, a Ferrari será obrigada a procurar explicações mais profundas para um comportamento que continua a afastar o seu principal piloto da luta pelos primeiros lugares.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Noticias: Charles Leclerc renova com a Ferrari


A Ferrari e Charles Leclerc chegaram a acordo para a renovação do contrato, nas vésperas do GP do Mónaco, a corrida caseira de Leclerc. O piloto de 28 anos ingressou na academia da equipa em 2016 e se estreou na Fórmula 1 pela Sauber em 2018, antes de assumir o volante principal da Scuderia em 2019. Em 2026, Leclerc é o segundo piloto com mais Grandes Prémios disputados pela marca italiana, superado apenas pelo alemão Michael Schumacher.

Não poderia estar mais feliz por continuar este percurso com a Ferrari. Para mim, é muito mais do que uma equipa. É a equipa que sempre amei e da qual sonhei fazer parte desde criança, e que, depois de todos estes anos, se tornou uma segunda família”, começou por afirmar Leclerc, no anuncio deste acordo.

O piloto recordou igualmente os momentos difíceis e os sucessos partilhados com a estrutura italiana, reafirmando o objectivo que continua a mover toda a organização.

Juntos partilhámos momentos incríveis e outros mais difíceis, mas acredito mais do que nunca na Ferrari. Estou profundamente grato por poder continuar a lutar pelo nosso objectivo comum, que é devolver o título mundial a Maranello. Ser piloto da Ferrari é um sonho, mas também uma responsabilidade enorme. Continuarei a dar tudo de mim para levar a equipa de volta ao lugar onde merece estar”, acrescentou.

Para Frédéric Vasseur, a renovação era um passo natural numa relação construída ao longo de vários anos.

Charles faz parte da família Ferrari há muito tempo e esta renovação é algo muito natural para nós. Nestes anos vimos crescer não apenas um dos pilotos mais fortes da Fórmula 1, mas também uma pessoa que vive profundamente a ligação a esta equipa e a tudo aquilo que a Ferrari representa”, explicou o director da Scuderia.

O responsável francês destacou ainda o compromisso demonstrado pelo piloto dentro e fora das pistas.

Valorizamos o seu talento, apreciamos a sua determinação e a forma como trabalha diariamente com todos os elementos da equipa. Sabemos o quanto este projecto significa para ele e estamos felizes por continuar a trabalhar juntos para alcançar os objectivos que partilhamos”, acrescentou.

A confirmação do acordo entre Leclerc e a Ferrari coincide com uma expectativa elevada para a prova deste fim de semana. Apesar do domínio da Mercedes na temporada, o traçado citadino de Monte Carlo favorece as características técnicas do monolugar italiano. O líder do campeonato, Kimi Antonelli, já apontou a Ferrari como a “equipa a bater” no Mónaco.

domingo, 3 de maio de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 4, Miami (Corrida)


Quatro semanas sem Formula 1, graças a fatores externos à competição - ironicamente, o recomeço iria ser na América - e o pessoal dentro tinha os seus próprios problemas. Eles tinham saído de Suzuka a discutir o que aconteceu entre Ollie Bearman e Franco Colapinto, e cacharam que era a altura de mexer nos carros, para evitar tanto o "lift and coast", soluções provisórias para aquilo que muitos consideram como um erro sério nos novos regulamentos.

Contudo, com o resto do mundo preocupado com outras coisas, o regresso da Formula 1 ao calendário parecia que iria ser algo para dar uma ideia de normalidade. Mas... nos dias anteriores à corrida, começaram a se preocupar com o tempo. É que estava uma tempestade prevista na hora da partida... e as chances de cancelamento eram bem grandes, porque se havia trovoada, segundo os regulamentos locais, todas as atividades desportivas teriam de ser paradas. E mais uma corrida não realizada seria muito má para a Formula 1. 

Ao longo do fim de semana, os organizadores e a FOM falaram uns com os outros para tentarem encontrar uma solução, numa competição onde a agenda era bem carregada - tinha corrida sprint no sábado - até que na noite de sábado para domingo, na Europa, decidem adiantar a partida em três: das 16 para as 13 horas, ou 18 horas, no fuso horário de Londres e Lisboa. 

Assim sendo, no dia da corrida, o tempo estava encoberto, mas as ameaças de chuva eram bem menores que os previstos, e todos esperavam que, depois da qualificação, onde Andrea Kimi Antonelli conseguiu mais uma pole-position, a corrida fosse suficientemente bom para esquecer as polémicas mais antigas e mais recentes.  


Quando as luzes se apagaram, Antonelli, o poleman, manteve a liderança nos primeiros metros, antes de Max ter sido mais rápido e ficado na frente... por alguns metros. Porque perdeu o controlo do carro e fez um pião, felizmente, sem que ninguém tocasse, para manter o controlo. Com isso, caiu para oitavo e o beneficiado era Charles Leclerc, com Antonelli atrás e os McLaren. Lewis Hamilton perdeu também algumas posições, para sexto, na frente do Alpine de Franco Colapinto.

Quem também perdeu algum tempo foi o Audi de Nico Hulkenberg, que tinha a asa danificada e ia para as boxes. 

George Russell passou Oscar Piastri para ser quarto na volta dois, e indo atrás de Lando Norris, que fazia volta mais rápida uma atrás da outra, para tentar apanhar Antonelli. Este apanhava Leclerc e na quinta volta, o italiano tentou apanhar o monegasco, sem sucesso. Contudo, algumas curvas mais tarde, o piloto da Mercedes levou a melhor, ficando com o comando. Mas pouco depois, o piloto da Ferrari reagiu e regressou à liderança.


Na sexta volta, enquanto estas coisas aconteciam, Isack Hadjar e Pierre Gasly bateram um com o outro, um francês eliminando outro, com liam Lawson também a ser envolvido no incidente. Hadjar, que tentava recuperar lugares do fundo da grelha, estava furioso com o fim prematuro da corrida, enquanto Gasly arrastava-se até ao final do pelotão. Com isto, o Safety Car entrava na pista pela primeira vez.

Max aproveitava a ocasião para ir às boxes e trocar de pneus, para duros. Gasly e Liam Lawson levaram os seus carros para as boxes, e de lá não mais saíram. Pouco depois, Nico Hulkenberg também parava de vez, aumentando as desistências para quatro. 

A corrida recomeçou na volta 12, com o tempo ainda a aguentar-se, e com Leclerc na frente de Norris, Antonelli, Piastri e Russell. Este tentou passar o australiano da McLaren, e não conseguiu. Na frente. Norris tentava apanhar o piloto da Ferrari, mas este mostrava-se difícil. Contudo, na volta 13, Norris conseguiu passar o monegasco e era o novo líder da corrida. Poucas curvas depois, Antonelli passou também Leclerc e ficou com o segundo posto.

Norris tentava afastar-se de Antonelli, a cerca de 1,5 segundos de diferença entre os dois, com o tempo aparentemente a piorar - previa-se chuva a partir da volta 25 - enquanto Max Verstappen estava a passar carro a carro. No final da volta 18, Max era oitavo, depois de passar o Williams de Carlos Sainz Jr. 

Na volta 21, Russell foi às boxes para trocar de pneus, enquanto Colapinto deixa passar Max para que ele seja sétimo. A seguir, Leclerc foi também às boxes, trocar para duros e a regressar atrás do piloto da Mercedes. 

Na volta 28, Antonelli passou Norris e foi atrás de Max, com pneus mais frescos e não durou muito até ele ficar com o comando do Red Bull do neerlandês. Norris fez a mesma coisa na volta seguinte, para ser segundo. Agora, ambos tinham cerca de um segundo e meio de diferença. Não muito longe deles, e sem ainda ter parado, Franco Colapinto era quarto. O tempo piorava, mas não chovia, o que poderia imaginar que, afinal de contas, esta poderia ser uma corrida seca. O argentino acabvou por mudar de pneus, caindo para oitavo. 

Na frente, era um duelo à distância entre Antonelli e Norris, com uma diferença de segundo e meio entre ambos. Em quinto. lutando um contra o outro, George Russell tinha Oscar Piastri nos seus calcanhares e tentou evitar a ultrapassagem o mais possível, mas na volta 36, o australiano passou-o. Entretanto, Antonelli aguentava as incursões de Norris, que se aproximava e queria ter a sua chance para atacar a liderança, mas estando no ar perturbado da traseira do Mercedes, não era fácil. 

Piastri conseguiu apanhar Max para ser quarto e depois disso, começou a aproximar-se de Leclerc para ver se conseguia ficar no pódio. Contudo, as voltas começavam a acabar para que o australiano pudesse apanhá-lo, e ele não estava suficientemente próximo para tentar alguma ultrapassagem.

Na última volta, enquanto Antonelli ia a caminho da meta para triunfar na frente dos McLarens, havia drama na Ferrari, quando Charles Leclerc sofria um problema no seu carro, causando um pião e perdendo nos metros finais dois lugares para Russell - que tinha danos na asa dianteira! - e Verstappen, para ser sexto, os dois na frente do piloto monegasco, que tinha tentado aguentar os ataques de ambos os carros, pois tinha, aparentemente, danos do seu Ferrari. Hamilton, Colapinto, Sainz e Albon ficaram com os restantes lugares pontuáveis.


E assim acabava a corrida de Miami, com uma corrida que evitou a chuva e em compensação, viram Antonelli, que agora tinha três vitórias seguidas, e cem pontos, parecendo-se mostrar como candidato ao título. Quem diria!

A Formula 1 manter-se-á nas Américas, para a próxima corrida... dentro de duas semanas, em Montreal. 

PS: Os comissários da Formula 1 viram a última volta de Leclerc depois do pião e deram-lhe 20 segundos de penalização, depois dos "corta-matos" que ele fez por causa do carro danificado no toque contra a parede. Por causa disso, Leclerc caiu para oitavo, beneficiando Lewis Hamilton e Franco Colapinto.

domingo, 29 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 3, Suzuka (Corrida)


Três corridas no campeonato com os novos regulamentos, e já se começam a definir algumas coisas sobre esta nova Formula 1. Algumas, de certa forma, eram previstas desde antes do começo desta temporada. Contudo, havia algo que, sinceramente, não previa nesta altura: ver que um garoto de 19 anos estar perto de ser um futuro campeão do mundo. Nisso, Toto Wolff tem uma inteligência aguda e instinto para saber que tem fome de vencer. 

Andrea Kimi Antonelli ganhou na China, mas se calhar pensaram que poderia ter sido um "acaso" perante um piloto mais velho e mais experimentado, na figura de George Russell, que nunca conseguiu lutar pelo título porque não tinha um carro suficientemente decente. Contudo, agora que tem essa chance pela frente, parece que o "menino-prodigio" de Bolonha está prestes a desbrochar, qual "sakura" (afinal, estamos na primavera no hemisfério norte), poderá superar aquele que, se calhar, merece este título. Não que os títulos tenham os nomes dos pilotos desenhados antecipadamente, mas toda a gente sabe que, para ser campeão, tem de o merecer. 

E pela pole que conseguiu ontem, parece que a mensagem está a ser mandada: Kimi Antonelli quer o campeonato, pelo menos o deste ano. Resta saber se terá estofo, não é?

Domingo de primavera, com o tempo algo quebrado - mas sem chances de chuva - e os pilotos preparavam-se para as 53 voltas que tinham diante deles. Antes de partir, e antes de se saber que não havia carros a ficarem sem energia ou sem peças nas boxes, estes iriam começar com médios, esperando livrar-se deles por alturas do meio da corrida. 

Contudo, pouco antes da largada, o anuncio de que a corrida iria começar um pouco mais tarde, cerca de dez minutos. A razão? um acidente bem feio numa das corridas de suporte do campeonato, a Porsche Supercup, e o carro voou... para fora da pista, danificando o muro de proteção. Apesar do aparato, o piloto pouco sofreu. 


Na partida, Antonelli foi surpreendido por Piastri, que arrancando bem, ficou com o comando da corrida, colocava um McLaren no comando. Atrás deles, Leclerc também largava bem e ficava com o segundo posto, seguido por Norris e os Mercedes eram apenas quarto, com Russell, Hamilton e Antonelli, logo a seguir. O poleman teve uma péssima largada - se calhar, não tinha energia suficiente para se lançar e defender a liderança - e fazia a primeira curva em sexto. Gasly era sétimo, na frente de Verstappen.

Quando passaram pela meta no final da primeira volta, os espectadores ficavam surpresos por ver os Mercedes tão mal colocados. Ainda por cima, Antonelli tinha perdido quatro lugares. Mas claro, havia muito pela frente, e eles certamente não perderam a cabeça, pensando na estratégia para regressar aos lugares cimeiros. Mas por agora, Oscar Piastri fazia os seus primeiros metros da temporada - depois de três corridas! - no comando da corrida.

Nas voltas seguintes, Russell esforçou-se e passou, primeiro Norris, depois, Leclerc, para ser segundo, mas enquanto batalhava para se livrar deles, Piastri tinha aberto uma pequena distância, pouco mais de dois segundos e meio, e parecia estar confortável. Claro, o britânico queria o comando e foi atrás do australiano, que, agora com um carro que anda, mostrava todo o seu potencial de liderança. 

Na volta 10, Russell, por fim, encostava a frente do seu Mercedes na traseira do McLaren do australiano, e depois da chicane, assaltava e conseguia a liderança. Mas Piastri não desistiu e respondeu, ficando novamente com o comando, porque Russell ficara sem energia para se defender. Atrás, Antonelli conseguia apanhar Norris e ficava com o quarto posto. Cinco voltas depois, Antonelli apanhava Leclerc e era terceiro, mas o monegasco reagia e recuperava a posição.

Quase a seguir, as primeiras paragens: Norris trocava para duros na volta 17, e logo a seguir, era Leclerc que fazia o mesmo, e com isso, Antonelli ia para segundo. Parecia a hierarquia ideal: Mercedes na frente, fim de história. Mas não.


Porque na volta 23, um susto: enquanto Russell ia às boxes para fazer a sua paragem, e dando a liderança a Antonelli, entre o gancho e a Spoon, o Haas de Oliver Bearman viu o Alpine de Franco Colapinto a andar lentamente, saiu de pista e despistou-se, batendo de lado no muro - soube-se depois que o impacto no muro foi a 50G's. Ele saiu a coxear, e os comissários não tiveram outra opção senão chamar o Safety Car.

Nas cinco voltas seguintes, os comissários andaram a limpar a pista e tirar o carro daquele lugar, enquanto os pilotos tiveram a aquecer os pneus, e boa parte dos pilotos aproveitaram a ocasião para se livrarem dos pneus médios e calçarem os duros, para ficar na pista até ao final.

No regresso, na volta 28, a corrida iria recomeçar, com Antonelli, que tinha ido às boxes sem perder a liderança, resistia aos ataques de Piastri para manter a liderança 

Pouco mais de metade da corrida, e com Antonelli a controlar a distância sobre Piastri, Hamilton lutava com Russell para um lugar do pódio, e Norris, em sexto, à distância. Mas na volta 38, Russell era passado por Leclerc e tinha descido para quinto. O monegasco queria passar Hamilton, mas ele não queria nada disto, e esta luta fratricida era excelente para Russell, que ficava ao pé deles, para tentar passar para, quem sabe, terceiro lugar. 

Eles duelaram, mas Leclerc conseguiu o terceiro posto na volta 42, a onze do fim. Hamilton lutou, mas o seu companheiro de equipa conseguiu aguentar. Russell aproveitou a oportunidade e também passou Hamilton e o britânico da Mercedes ficou com o quarto posto. E para piorar as coisas, o risco de ser passado por Norris era real. Norris passou Hamilton na volta 48, mas o britânico da Ferrari ficou com o lugar de volta.

Um pouco mais atrás, Verstappen pressionava Gasly para ver se ficava no sétimo posto, mas não iria ser fácil. E mesmo que passasse, para os buscar, tinha quase oito segundos de desvantagem.

Na frente, com os carros a aproximarem-se da bandeira de xadrez, Antonelli tinha tudo controlado, principalmente sobre Piastri, que parecia estar a caminho da primeira corrida terminada, e ainda por cima, no pódio porque, apesar de Charles Leclerc estar perto, não parecia ser ameaçador. Aliás, o monegasco tinha outras prioridades: Russell queria o seu lugar no pódio.

Na volta 51, ele usou a sua energia para passar o piloto da Ferrari, mas ele guardou energia para reagir, e conseguiu recuperar o lugar na primeira curva. Atrás, Lando Norris fez a mesma manobra, para passar Hamilton e ficar com o quinto posto. 

E enquanto havia estas lutas, na frente, Antonelli, tranquilo, ia a caminho da segunda vitória consecutiva, e parecia que estava a distanciar-se do pelotão. Aos 19 anos, ele liderava o campeonato, na frente de Piastri e Leclerc, que conseguia aguentar Russell e mantinha o seu lugar no pódio. Norris foi quinto, com uma manobra nos últimos metros, e no sétimo posto, Gasly aguentava Max, com Lawson e Ocon a fechar nos pontos.


Pode existir criticas com os carros, os fãs e alguns pilotos poderão queixar-se de que com esses carros, não podem acelerar totalmente, mas ninguém anda a queixar-se de que estas corridas são aborrecidas, pelo menos estas primeiras da nova temporada...

E agora, teremos um mês sem corridas, até ao regresso dos carros e dos pilotos à Europa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Apresentações 2026: 6, o Ferrari SF-26


E nesta sexta-feira, 23 de janeiro, foi apresentado o Ferrari SF-26, o carro que será guiado por Lewis Hamilton e Charles Leclerc para a temporada de 2026. Com a pintura a lembrar os carros de 1975 a 1977, altura em que conquistou três títulos mundiais de Construtores e dois de pilotos, com Niki Lauda ao volante, o carro é o primeiro a correr com os novos regulamentos.  A Scuderia espera que o projeto marque uma inversão de tendência e permita regressar às vitórias e à luta pelos títulos, apesar de recentemente, alguns rumores apontarem para problemas no desenvolvimento deste monolugar.

Na apresentação, Lewis Hamilton classificou a temporada de 2026 da Fórmula 1 como um enorme desafio, por causa das alterações regulamentares. Com uma Scuderia sob forte pressão para regressar à competitividade, depois de não ter vencido qualquer corrida em 2025, o piloto sete vezes campeão do mundo sublinhou o carácter exigente do projeto desenvolvido para as novas regras técnicas que abrangem motores e chassis.

Será um ano extremamente importante do ponto de vista técnico, com o piloto a desempenhar um papel central na gestão de energia, na compreensão dos novos sistemas e no contributo para o desenvolvimento do carro.”, começou por afirmar.

O campeonato de 2026 representa um enorme desafio para todos, provavelmente a maior mudança regulamentar que vivi na minha carreira. Quando começa uma nova era, tudo gira em torno do desenvolvimento, do crescimento enquanto equipa e de avançarmos na mesma direção.”, concluiu.

Já no caso de Charles Leclerc, o piloto monegasco destacou o nível acrescido de preparação exigido aos pilotos, frisando a importância do envolvimento desde as fases iniciais do desenvolvimento e a necessidade de rápida adaptação aos novos sistemas.

 “As regras de 2026 exigem um nível ainda mais elevado de preparação, sobretudo para nós, pilotos. Há muitos sistemas novos para compreender e otimizar, razão pela qual estivemos fortemente envolvidos desde as fases iniciais do projeto.", afirmou.

A gestão de energia e a unidade motriz estarão entre os aspetos mais significativos — um desafio fascinante que nos obrigará a adaptar rapidamente, recorrendo primeiro mais ao instinto e depois, cada vez mais, a dados precisos.”, concluiu.


No campo técnico, o seu director, Loïc Serra, explicou que a Ferrari investiu muito tempo na fase conceptual do SF-26, procurando criar uma base flexível para evoluções ao longo da época e integrar de forma eficiente soluções como a aerodinâmica ativa.

"Dedicámos muito tempo à fase conceptual para captar o máximo possível do novo enquadramento regulamentar e técnico. Tivemos também de garantir que a arquitetura do carro nos desse flexibilidade suficiente para desenvolver ao longo da época. Neste contexto, a eficiência e a integração de soluções como a aerodinâmica ativa são cruciais.”, afirmou.

Depois da apresentação, o carro rodou de forma privada em Fiorano, com Lewis Hamilton ao volante. Apesar do mau tempo, o entusiasmo dos "tiffosi" marcou a primeira aparição pública do projeto com que a equipa pretende encarar o novo ciclo regulamentar da Fórmula 1.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Noticias: Leclerc revela que falou com Elkann


Nas vésperas do GP de Las Vegas, Charles Leclerc revelou que teve uma conversa telefónica com o líder da Ferrari, John Elkann, depois das suas criticas após o desempenho dos pilotos da Ferrari no GP do Brasil. Em declarações exclusivas à Sky Sports F1, Leclerc revelou que recebeu uma chamada do dirigente antes de se pronunciar na imprensa.

“[John Elkann] queria ser construtivo e pôr a equipa a trabalhar melhor. O melhor que posso fazer é focar-me na pista e dar o meu melhor. Isso é o que sempre fiz e farei”, afirmou Leclerc, acrescentando que encaram a crítica como motivação para melhorar e esperançosamente obter melhores resultados em breve.

As críticas de Elkann seguiram-se à segunda desistência dupla da Ferrari na temporada, em Interlagos. Isso levou a que a Ferrari perdesse pontos na luta pelo segundo lugar no campeonato de Construtores - que já foi ganho pela McLaren em 2025 - mas a sua descida para o quarto posto, passado pela Red Bull, onde todos, menos 19 pontos, foram ganhos por Max Verstappen, é considerado como uma humilhação. Para piorar as coisas, Lewis Hamilton, a grande contratação da temporada, ainda não conseguiu um pódio nesta temporada, e isso é algo inédito, porque caso não consiga, seria inédito na sua carreira.

Em contraste, Leclerc já soma sete esta época, e apesar de ainda acreditar no projeto da Ferrari, ele já começa a mostrar alguma frustração, e quer saber se em 2026, eles conseguirão entregar uma máquina vencedora.

Agora, a Ferrari espera que consiga bons resultados na corrida americana para poder recuperar posições na tabela de construtores, eles que agora estão 36 pontos atrás da Mercedes e quatro atrás da Red Bull.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A tempestade da Ferrari


A Ferrari não está a ter uma grande temporada em 2025, e no fim de semana do GP do Brasil, ambos os pilotos, Lewis Hamilton e Charles Leclerc, não pontuaram na Feature Race. Para piorar as coisas, a Scuderia ainda não ganhou qualquer corrida nesta temporada e foi passada pela Red Bull, que, de todos os pontos conquistados em 2025, só 19 não pertencem a Max Verstappen. 

A direção tem andado silenciosa ao longo desta temporada - afinal de contas, tinham investido bastante em Lewis Hamilton, de 40 anos - mas numa temporada onde ele ainda não conseguiu um pódio, John Elkann resolveu quebrar o silêncio, comparando a situação com a Endurance, onde eles ganharam tudo: o Mundial de Construtores e corridas como as 24 Horas de Le Mans. 

Em declarações à Sky Sports Itália, Elkann afirmou:

Vencemos o campeonato do mundo de Endurance, o que foi uma emoção tremenda. Vencermos os títulos de construtores e de pilotos. Uma bela demonstração de quando a Ferrari está unida é possível fazer coisas grandiosas. O Brasil foi uma enorme desilusão. Olhando para o campeonato de Fórmula 1, podemos dizer que os nossos mecânicos estão a ganhar o campeonato com o seu desempenho e tudo o que fizeram nas paragens nas boxes.

Se olharmos para os nossos engenheiros, não há dúvida de que o carro melhorou. Se olharmos para o resto, não está à altura. E temos certamente pilotos que precisam de se concentrar em pilotar e falar menos, porque ainda temos corridas importantes pela frente e não é impossível conquistar o segundo lugar. No Bahrein, ganhámos o título do WEC. Quando a Ferrari está unida, os resultados aparecem.”, concluiu.

Os pilotos não ficaram muito tempo calados, e usaram as redes sociais para responder. Lewis Hamilton foi enfático na sua conta do Twitter, com ele a segurar a bandeira brasileira: “Apoio a minha equipa. Não desisto de mim. Não vou desistir — não agora, não antes, nunca. Obrigado, Brasil, sempre.

Já Leclerc, na sua conta no Twitter, foi mais pragmático, apelando à união dentro da equipa. “Foi um fim de semana muito difícil em São Paulo. É dececionante regressar com quase nenhum ponto num momento crucial da temporada. Só a união nos pode ajudar a inverter esta situação nas últimas três corridas. Vamos dar tudo, como sempre.


Nos dias que se seguiram às declarações de Elkann, as reações foram mais de tempestade do que de tranquilidade, afirmando que ele fez mais mal que bem, ao atiçar as divisões dentro da equipa, e passar a imagem de que eles são incapazes de dar uma máquina vencedora, e a comparação com a Endurance é injusta porque, por exemplo, o WEC tem o BoP, Balance of Performance, que equilibra "artificialmente" os carros na classe Hypercar, algo que a Formula 1 não tem.

E quem foi mais critico das palavras de Elkann foi... outro campeão do mundo, Jenson Button. Agora na equipa da Porsche da Hypercar, o britânico de 45 anos, respondeu com uma frase na conta da Sky Sports no Instagram: “Talvez o John devesse dar o exemplo.” A crítica de Button recebeu grande apoio por parte dos fãs, que elogiaram a sua franqueza e questionaram a postura pública do presidente da Ferrari. Um dos comentários mais destacados resume o sentimento geral: “Exatamente isto… que falta de profissionalismo. Diz muito sobre a cultura daquela equipa.

O grande problema da Ferrari é este: não ganha um título de pilotos desde 2007, e um de Construtores desde 2008, está a ter uma daquelas temporadas onde não conquistou qualquer vitória, semelhante a 2020 ou 2021. Com Frederic Vasseur ao leme desde 2023, o carro de 2025 não é ideal, e os pilotos, muito provavelmente, estão a levá-lo além do limite. E para piorar as coisas, nada indica que em 2026, com os novos regulamentos, especialmente na parte dos lubrificantes, nada indica que o carro da Scuderia seja um "foguete" e supere a Red Bull, McLaren e sobretudo, a Mercedes. Com a equipa na Endurance a conseguir resultados com uma parcela do orçamento que é gasto na Formula 1 - embora tenham muito mais receitas - isto é uma pressão extra. 

Interferências externas nunca forma a melhor politica. O melhor exemplo foi nos tempos de Michael Schumacher, quando em situações de crise, existia um escudo técnico e executivo, liderado por Luca di Montezemolo, que permitiu a Jean Todt e a Ross Brawn trabalhar sem ruído de gabinete. Mas isso era em 1999. Hoje, mais de um quarto de século depois, enviar recados públicos aos pilotos tem o efeito inverso, cria ruído e desconfiança. 


No final, é simples: um bom carro é meio caminho andado para lutar por vitórias e títulos. Não é fácil, especialmente quando temos Mercedes, Red Bull e McLaren como concorrência, e os pilotos são capazes disso. Mas temo que o mal esteja feito, ainda por cima, na equipa mais antiga no pelotão da Formula 1, e paradoxalmente, a mais escrutinada do planeta. 2026 responderá a muitas perguntas, certamente. E se boa parte delas são negativas, então poderemos estar à beira da tempestade.

domingo, 26 de outubro de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 20, Cidade do México (Corrida)


Depois de uma qualificação bem disputada, havia expectativas em relação à corrida mais alta da temporada - alta, no sentido de esta acontecer a mais de dois mil metros de altitude - na Cidade do México. A cinco corridas do final (mais duas corridas sprint), Oscar Piastri parecia estar aflito, depois de um mau final de semana em Austin, beneficiando Max Verstappen, que começa a aproximar-se perigosamente dos carros da McLaren.

Era verdade que Lando Norris tinha conseguido uma excelente pole-position. que lhe fava uma vantagem em relação ao resto, mas se Max Verstappen era apenas quinto, protegido pelos Ferrari, por exemplo, isso não queria dizer absolutamente nada porque a pista tem uma longa reta antes da primeira curva e se um dos pilotos largasse bem, poderia ser o suficiente para ganhar vantagem na travagem.

Antes da partida, boa parte dos pilotos escolheram os seus pneus. Boa parte partia de moles, com excepções: os Red Bull partiam com médios, tentando ficar o mais possível na pista.  Alex Albon, que estava nas últimas filas por causa de uma má qualificação, partia de duros, para ficar o mais possível na pista. Franco Colapinto também saída de duros.


Norris conseguiu ficar melhor na partida, mantendo a liderança perante os Ferraris, mas Max conseguiu também uma boa partida, ficando ao lado dos três primeiros, discutindo a travagem para a primeira curva e a acabar na relva. Parecia que tinha perdido tempo, mas depois acabou por regressar à pista e acabou em quarto lugar no final da primeira volta. Atrás, Oscar Piastri perdeu tempo, caindo para nono, enquanto Liam Lawson sofrera um toque e acabou por substituir o nariz do seu Racing Bulls.

Na volta seis, mais confusão. Hmamilton começou a ser assediado por Max, antes de ele ter travado demasiado fundo, ir para a relva, ele acelerou o suficiente para ficar com o lugar por alguns metros, antes de ser passado por Oliver Bearman, para ser quarto. Hamilyon manteve na terceira posição, Max caiu para quinto. Atrás, Yuki Tsunoda defendia-se dos ataques de Oscar Piastri, paera o oitavo posto. Tudo isto sob os holofotes dos comissários, enquanto na volta 9, Liam Lawson acabava a sua corrida, depois de ter sido batido na partida.

Agora, na volta 10, Mas era assediado por Antonelli, enquanto Bearman ia-se embora. Afinal, o piloto da Red Bull calçava médios, mais resistentes, mas menos velozes. Atrás, Piastri livrava-se de Tsunoda, para ser oitavo, mas já estava relativamente longe dos primeiros. Mas para além disso, os comissários estavam atentos por todas as saídas de pista, e na volta 15, os comissários decidiram penalizar Hamilton por ter saído da pista. E foi forte: 10 segundos. Por esta altura, Norris estava na frente, com uma vantagem de 6,5 segundos sobre Leclerc. Já Piastri estava na traseira de Russell, a pouco mais de meio segundo.

Kimi Antonelli foi para as boxes na volta 23, o primeiro dos dez primeiros a ir trocar de pneumáticos. Ele regressou de médios, enquanto na volta seguinte, foi a vez de Hamilton, que ficará à espera que passem dez segundos para poderem tocar no carro. Ele saiu das boxes na 14ª posição, de médios, e ver se ele terá ritmo para regressar aos pontos. Piastri é quinto mas foi às boxes na volta 25, depois de Oliver Bearman, ambos colocando médios. 

Na volta seguinte, Russell foi às boxes para a sua vez, e quando saiu para a pista, ficou na frente de Oscar Piastri, ou seja, entre eles... tudo na mesma. Na frente, Norris parecia ter tudo controlado, 13 segundos de distância para Charles Leclerc, longe dos Red Bull de Max e Yuki. Nessa altura, Nico Hulkenberg ia às boxes com problemas na sua unidade de potência, sendo a segunda retirada da corrida.

Entretanto, Bearman, com os médios mais novos, aproximava-se de Tsunoda e parecia que o terceiro lugar estava â vista. Na volta 30, Hamilton regressava aos pontos, depois de passar o Sauber de Gabriel Bortoelto. Duas voltas depois, Bearman conseguiu apanhar Tsunoda, sem que o japonês tivesse de trocar de pneus. Nesta altura, Leclerc também parou para trocar de pneus, dando o segundo lugar para Max, que tinha uma desvantagem de... 28 segundos sobre Norris. Que pouco depois, foi às boxes para colocar médios.

Na volta 36, discretamente, Fernando Alonso parava nas boxes para sair de vez da corrida. Terceira desistência deste GP do México. 

Na frente, Norris ia embora de Max, agora com dez segundos de vantagem na volta 37, com Tsunoda a ir às boxes na sua única paragem. Na volta seguinte, era Max, que ia meter moles, e saia para a pista em oitavo. Veremos se terá velocidade suficiente para subir na geral.

Ao mesmo tempo, os Mercedes estavam a lutar entre si, com Antonelli na frente. E Russell estava incomodado por isso por algumas boas razões. A primeira, tinham Piastri atrás deles, e a segunda, tem Max a caminho, com pneus mais favoráveis. Antonelli aguentava-se por alturas da volta 40, porque pela sua frente tinha o Haas de Bearman, e não quer abdicar disso. 

Nessa altura, Norris estava confortável na frente, com... 18 segundos de vantagem sobre Leclerc. Estava a ser uma grande tarde para ele, até então. 

Depois de muitas reclamações, a Mercedes ordenou a Antonelli para que deixasse passar Russell para ver se apanhava Bearman no tal lugar do pódio que estava ao seu alcance. Contudo, Antonelli estava agora a ser pressionado por Piastri para ver se não perdia mais lugares. As coisas continuaram assim até à volta 48 quando Piastri e Antonelli... foram às boxes. O piloto da McLaren saiu melhor que o da Mercedes, numa altura em que Max passou Hamilton para ser sétimo, que depois foi quinto.

Russell e Bearman pararam na volta 49, para a segunda troca de pneus, colocando moles, com o inglês da Haas a sair melhor em quarto. Com isto, Max era terceiro, e tudo indicava que poderia ficar por ali até ao final, porque estes ingleses estavam relativamente longe dele, e Leclerc também decidira ficar, se calhar esperando que mantivesse na pista, por causa dos seus pneus médios. Mas na volta 57, Max estava a oito segundos do piloto da Ferrari, e esta diferença diminuía progressivamente. 

Atrás, Russell tinha mais um problema: Piastri estava a apanhá-lo e a ficar na traseira dele, e o risco de perder o lugar era real. E o australiano tentou a sua sorte a dez voltas do final, no final da reta da meta, passando-o. Russell, sem alcançar o seu objetivo, depois Antonelli ir para o seu lugar, acabando de cair para sétimo.

Na frente, Max apanhava Leclerc para ver se chegava a segundo, e a diferença era de 3,3 segundos na volta 64. E era, de certa forma, aquilo que esperava para a parte final da corrida: Leclerc, com uns médios que degradavam melhor que os moles de Max, com Piastri a tentar apanhar Bearman para ser quarto e não perder muito tempo. Se o neerlandês não tinha problemas em chegar ao pé do Ferrari do monegasco, já Piastri não tinha essa facilidade para apanhar o piloto da Haas. Não com as poucas voltas que faltavam.

Ambos os pilotos estavam prestes a apanhar os seus perseguidos, quando na volta 69... Carlos Sainz Jr. parou na pista, atrás da barreira, e foi o suficiente para que accionassem o Safety Car Virtual, que aparentava ficar assim até à meta... mas ainda deram meia volta. Contudo, o espectáculo já estava estragado, e se Norris ganhava, Max só ficava com o lugar mais baixo do pódio. E com o quinto posto de Piastri... a diferença entre os dois primeiros era de um ponto, com Lando na frente.


A quatro corridas do fim, vai ser um final da temporada de ficar com os cabelos em pé. 

sábado, 6 de setembro de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 15, Monza (Qualificação)


Cá estamos nós, no Templo do Automobilismo. Mais "catedral" porque já passou do seu centenário, de uma certa maneira. Mas mesmo assim, é Monza, estamos em Itália, e a Ferrari, ali, esforça-se mais um bocado para dar nas vistas. Especialmente em 2025, onde ainda não ganhou qualquer corrida e investiu algumas dezenas de milhões em Lewis Hamilton para ver se regressa ao topo, ou a uma era do domínio, como tiveram com Michael Schumacher.

E em Itália, ou é Ferrari ou é nada, ainda por cima, quando o único italiano do pelotão, Andrea Kimi Antonelli, está noutra equipa. Não direi que ele "não existe", mas não anda muito longe... tenho pena do rapaz. 

A qualificação italiana arrancou com o Ferrari de Lewis Hamilton a ser um dos primeiros a sair das boxes, para a euforia dos "tiffosi", e nos minutos seguintes, Charles Leclerc foi para o topo da tabela de tempos, seguido de perto por Hamilton, que beneficiou de um slipstream do seu colega de equipa, ficando a apenas um décimo de segundo.

Entretanto, os pilotos usavam e abusavam dos limites, especialmente nas curvas. Quem saísse da linha branca tinha o seu tempo anulado, e isso não era brincadeira alguma. Que o diga Carlos Sainz Jr, que na sua primeira tentativa, viu o seu tempo anulado. 

Os primeiros tempos dignos de registo aconteceram com as McLaren, primeiro com Oscar Piastri a marcar 1.19,611, com Lando Norris a ficar atrás, a um décimo. Russell marcou depois um tempo melhor, 1.19,414, mas com médios.

Na parte final, com alguns pilotos aflitos, porque estavam todos muito próximos, eles foram para a pista com moles novos, esperando sair do fundo da grelha. Isack Hadjar, ainda com o pódio de Zandvoort na cabeça, só conseguia 1.19,917 e estava aflito. O único que poderia bater era Alex Albon, no seu Williams, e ele consegue 1.19,837 e fica com o último lugar de acesso à Q2, deixando-o de fora, e a fazer companhia ao seu companheiro de equipa, Liam Lawson, aos Alpine de Franco Colapinto e Pierre Gasly, e ao Aston Martin de Lance Stroll.


Poucos minutos depois, passamos para a Q2, onde foi tudo menos... descontraído. Pelo contrário. Tempos muito iguais entre os pilotos, onde um erro poderia significar a eliminação, especialmente quando saiam de pista e viam os seus tempos... anulados. Como aconteceu a Lando Norris, que excedeu os limites da pista na sua primeira tentativa e acabou anulado. Eles sabiam que poderiam conseguir, mas tinha de ser o mais rapidamente possível.   

Nos minutos finais, com menos de um segundo a separar os 14 primeiros classificados, a batalha pela entrada na Q3 intensificou-se. Verstappen manteve-se no topo, seguido por Russell e Piastri. As equipas apostavam tudo, com Alonso a subir para sétimo e Hamilton a escapar da zona de eliminação, alcançando o oitavo melhor tempo. E Norris? Demorava muito para marcar o seu tempo. 

Acabou por acontecer depois da bandeira de xadrez. Graças a uma ajuda de Oscar Piastri.

Na meta, Norris acabou com o quinto melhor tempo, e colocava o Haas de Oliver Bearman no péssimo 11º posto, fazendo companhia ao seu companheiro de equipa, Esteban Ocon, o Sauber de Nico Hulkenberg e os Williams de Alex Albon e Carlos Sainz Jr. Em contraste, Gabriel Bortoleto entrou novamente na Q3, bem como o Aston Martin de Fernando Slondo e o segundo Red Bull de Yuki Tsunoda. 

A Q3 começava com os Ferrari a mostrar-se, antes de Max Verstappen marcar um registo abaixo do segundo 19, melhor que Leclerc em 84 centésimos, com Piastri em terceiro, 133 centésimos mais lento e Hamilton em quarto, a 201 centésimos. 

A parte final é que se viu as voltas marcantes: Max faz 1.18,792, e mantinha-se no topo da tabela de tempos, enquanto Lecerc não só não melhorou como foi passado pelos McLaren, com Norris a marcar melhor tempo que Piastri: 1.18,869 para o britânico, 1.18.982 para o australiano. Hamilton foi o quinto melhor, com 1.19,124. mas com a penalização, começará de décimo. Bortoleto era o sétimo melhor, com 1.19,390, mostrando que ali, estava à vontade. mesmo com um pelotão equilibrado como este, em Monza. 


E no final, neste equilíbrio, Max consegue uma média impressionante: 264,682 km/hora. Um novo recorde de volta rápida, algo do qual apenas Monza é capaz de alcançar. É por isso que muitos adoram esta pista e o poder que dá aos amantes do automobilismo: faz-nos excitar.  

No final, é Monza, este templo do automobilismo, que nos deu isto. E é por isto que, de uma certa forma, gostamos da Formula 1. Amanhã haverá mais, numa corrida neste templo do automobilismo que sabemos não durará mais que uma hora e 20 minutos. Talvez seja isso que o Domenicalli procura: uma Monza em cada esquina. 

domingo, 3 de agosto de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 13, Hungaroring (Corrida)


A Formula 1 está agora à beira da sua paragem de verão, numa altura em que cada vez mais se parece como uma luta a dois, numa equipa generosa em relação aos seus pilotos, porque eles sabem perfeitamente que, no mundo em que vivemos, queremos autenticidade e não um diretor de equipa que corte as asas de um em favor do outro. Então, imagine-se isso numa equipa como a McLaren, com um diretor americano, um piloto australiano e outro inglês. Se o americano favorecesse o australiano, num meio onde quase todas as equipas são inglesas e o meio de comunicação por excelência tem dois narradores britânicos, imaginem a agitação...

Depois de um GP da Bélgica chuvoso, mas maios aborrecido que se pensava, a Formula 1 chega à Hungria, num palco fortemente modificado em favor da confortabilidade dos espectadores. Aquela bancada central já era merecida desde há algum tempo, especialmente na parte do teto, e ainda por cima, dá um ar modernizador, nestes tempos em que tudo com mais de 20 anos já é velho... e ainda por cima, esta é a 40ª edição do GP húngaro. 

As expectativas da corrida? Sem chuva prevista, com calor e com Leclerc na frente dos McLaren e do resto da concorrência (Max chutado para baixo, por exemplo, Aston Martins na terceira fila da grelha. Um vislumbre do futuro?) as chances de ter uma boa corrida pareciam ser boas. Mas o contrário também poderia acontecer. 


Antes da partida, boa parte do pelotão tinha os médios calçados, excepto os pilotos da Williams e o Sauber de Hulkenberg, e quando as luzes foram apagadas, Leclerc manteve o primeiro posto, com Piastri em segundo e Norris a perder lugares, primeiro para Russell, e depois, para Alonso, nas duas primeiras curvas da corrida. Leclerc tentou afastar-se do piloto da McLaren, enquanto Norris pesoerou pela terceira volta e o ligar do DRS para ficar com a quarta posição. 

Depois disso, o passar das primeiras voltas mostrou uma certa previsibilidade: Leclerc liderava, com Piastri a observar, Russell e Norris a seguir, e Alonso a ficar atrás desta gente, com 12 segundos de diferença no final da 15ª volta. Bortoleto, agora sexto, aguentava Max e Stroll. 

A grande novidade foi a penalização de cinco segundos a Hulkenberg por ter saltado a partida. 

A partir da volta 13, primeiro com gente como Hulkenberg - que cumpriu a sua penalização - e depois, o Alpine de Colapinto, na volta 14, mostravam os limites dos pneus médios e a estratégia que tinham adotado. Ocon e Albon vieram a seguir, na volta 15. Sainz Jr na 16. Max fez a sua paragem na volta 18, tentando saber se conseguiria passar Bortoleto com essa tática Meteu duros. 


Na volta seguinte, foi a vez de Piastri fez a mesma coisa, para tentar passar Leclerc, e na 20, o piloto da Ferrari foi às boxes, para tentar a sua sorte, seguido por Russell. Ambos meteram duros, e no final, não houve alterações. Piastri ficou uma volta inteira atrás de Alonso, porque... estavam a lutar por posição - era terceiro. Quando o passou, tinha quase dois segundos de desvantagem sobre o monegasco. Aparentemente, o ritmo de Leclerc, nesta pista, parecia ser bem alta em relação aos McLaren, enquanto atrás, Max recuperava lugares, tentando chegar ao "top ten".

Por esta altura, algumas cabeças pensavam: uma paragem seria benéfica?

Norris só foi às boxes na volta 32, numa paragem que era esperada há muito. Leclerc voltou à liderança, mas 13 voltas depois dos pilotos na sua frente, mostrava que ele apostava numa única paragem. Piastri e Leclerc estavam com uma diferença relativamente estabilizada, a rodar o segundo e meio. Russell era o terceiro, mas a uns "distantes" oito segundos, na frente de Norris, Alonso e Bortoleto. Max já estava nos pontos, passando Hamilton, numa ultrapassagem que acabou por ser controverso. Resultado? O neerlandês foi investigado.

Alonso foi às boxes na volta 40, de quinto, colocou duros e regressou em oitavo, na frente de Max. E quase na volta 41, Leclerc foi também ás boxes, mantendo duros, e antes de Bortoleto, que era quinto quando foi trocar de pneus. Por esta altura, Norris e Russell lutaram pela terceira posição, com pessoal que começava a discutir a ideia de ficar mais tempo, porque a degradação dos duros era mais lenta que se pensava. Russell acabou por trocar pela segunda vez, numa altura em que Piastri estava agora na liderança. Ele foi às boxes na volta 45, quatro voltas antes de Max, que regressou à pista na volta 49  na nona posição e a ser ameaçado por Kimi Antonelli.


Na volta 51, Piastri estava na traseira de Leclerc e conseguiu passá-lo para ser segundo, continuando com o ritmo para ver para apanhar Norris. Por causa disso, começou a afastar de Leclerc, ficando com 2,5 segundos de diferença na volta 52. O monegasco, que estava a fazer uma excdelente corrida até então, começou a queixar-se da situação, falando para as boxes dizendo que "seria um milagre se acabaermos no pódio!". E era verdade: Russell aproximava-se, ao ritmo de um segundo por volta. 

E na luta pelo quinto lugar tínhamos Alonso a ser pressionado por... Bortoleto. Interessante! quem estava agora a ver a corrida das boxes era Oliver Bearman, que depois do toque nas primeiras voltas, o carro estava com danos irreversíveis. E tornou-se na primeira desistência da corrida. 

 A dez voltas do final, Russell estava na traseira de Leclerc, tentando a sua sorte, e no inicio da volta 62, tentou pela primeira vez, com o monegasco a defender-se agressivamente. E na volta seguinte, tentou de novo, com Leclerc a lutar pela posição no limite. O britânico passou-o, ficando com o terceiro lugar, mas estava zangado com as manobras do piloto da Ferrari, que achava serem dignas de penalização. 


Mas logo a seguir, Piastri já estava na traseira de Norris, e ao australiano convinha passá-lo, porque assim poderia alargar a sua liderança. A cinco voltas do final, houve um esboço, outro na volta 68, mas Norris fazia o seu melhor para aguentar o australiano. Na volta 69, Piastri tentou, queimou os pneus, mas não conseguiu passar. 

E foi assim que acabou a corrida: Dobradinha para a McLaren, a sua duocentésima vitória, numa corrida que Norris ganhou mais forna na sua luta pelo campeonato. Atrás, com Russell a ficar com o lugar mais baizxo do pódio, Leclerc ficou com uma penalização de cinco segundos, seguido por Fernando Alonso, a conseguir a sua melhor posição da temporada, na frente de Gabriel Bofrtoleto e Lance Stroll. E Max acaba em nono, provavelmente um vislumbre das coisas que estão para chegar...


E assim chegamos ao verão europeu. Serão quatro semanas até Zandvoort, até lá, apanhemos sol e apreciemos a paisagem.