domingo, 7 de junho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 6, Mónaco (Corrida)


O GP do Mónaco, neste primeiro quarto do século XXI, e um século depois da sua primeira edição, para muita gente, já não é mais aquilo que julgavam ser, se é que pensaram alguma coisa diferente de agora. As curvas apertadas, do qual exigiam concentração total dos pilotos ao longo de 78 voltas, ainda existem, nunca fugiram, mas os carros evoluiram, tornando-se em tanques de batalha, do qual não deixam muito espaço para ultrapassagens, mesmo num sitio tão apertado quanto aquele. E sem ultrapassagens, a Formula 1 tem uma alternativa, ao querer mais embelezar as páginas sociais que as de desporto, mas para os que estão aqui pela competição, é mais um motivo para afirmarem que a Formula 1 passa bem sem Mónaco. 

Se formos ver bem as coisas, a Formula 1 não precisa, competitivamente, dos circuitos citadinos. Mas estes são tempos onde o Senhor Dinheiro é o imperador e a aparência conta mais que o conteúdo.  

O dia estava agradável, primaveril até. O glamour estava em alta, mas o que as pessoas queriam saber era até que ponto Kimi Antonelli iria aumentar a sua vantagem, ou se iria ser vitima dos guard-rails, nesta corrida de desgaste. E claro, até que ponto a concorrência não iria atacá-lo, para tentar impedir que ele se afastasse e desse uma chance a todos eles, mesmo sabendo que esta é uma temporada bem comprida, com chances de volte-faces.     


Mas logo na partida, as coisas começaram a desenhar favorávelmente a Antonelli. Principalmente quando Max Verstappen ficou pregado no chão nos primeiros centímetros, com Antonelli a aproveitar muito bem, seguido dos Ferrari. O neeerlandês ficou no fundo do pelotão e a partir de agora, tinha uma montanha bem grande para escalar, e agora tinha os carros de Maranello - não muito longe da sua Bolonha natal - atrás de si. Mas pouco depois, os problemas do seu carro pareciam ser irresoluveis e acabaria por ser a primeira desistência desta corrida. 

Na frente, tudo na mesma: depois de Antonelli, Hamilton e Leclerc, terão o Red Bull de Isack Hadjar, o segundo Mercedes de George Russell, o primeiro McLaren, o de Oscar Piastri, e o Alpine de Pierre Gasly, que conseguiu passar Lando Norris. O piloto italiano começou a afastar dos Cavalinos, e ao fim de seis voltas, já tinha uma vantagem de quase quatro segundos sobre Hamilton.

As coisas ficaram estabilizadas nas voltas seguintes, e por alturas da 20ª volta, o único motivo de interesse era a luta pelo quarto lugar, entre Hadjar, que era pressionado por Russell, mas sem chances de ultrapassagem da parte do britânico. Contudo, o piloto francês queixava-se de algo no motor do seu carro, do qual o pessoal em Milton Keynes tentava resolver à distância, e Russell esperava a oportunidade para o passar, porque ele já estava na sua traseira.

Por alturas da volta 33, Hamilton e Russell foram às boxes para trocar de pneus, acabando ambos a calçar duros. Na volta seguinte, foi a vez de Hadjar a trocar, e isso foi suficiente para Russell conseguir passar o francês. Na mesma altura, Hamilton começava a ser investigado por causa da sua paragem nas boxes, e no final, descobriu-se que tinha tido andado nas boxes em excesso de velocidade, e acabou com uma penalização de cinco segundos. Contudo, isso não alterou o terceiro lugar para o britânico da Ferrari.

Leclerc parou na volta 36, voltando à pista na terceira posição, atrás de Hamilton, mas sabendo agora da penalização do seu companheiro de equipa, ele só esperava ficar na sua traseira, para ficar com o segundo posto. Na volta a seguir, Antonelli foi às boxes, mas ele estava tranquilo, com mais de 34 segundos de vantagem sobre Hamilton quando foi colocar duros no seu carro. Mas se Antonelli estava tranquilo, já Russell descobriu-se que tinha passado pelas boxes em excesso de velocidade e fora penalizado em cinco segundos. Nada que se alterasse na classificação.

Na volta 45, Norris tinha problemas no seu carro, por causa da velocidade que perdia para Russell, e depois, para outros pilotos. Foi para as boxes, e encostou de vez. Norris acabava por ser a quarta desistência da corrida, para o piloto, a terceira desistência na temporada, e claro, para ele, era mais um episódio de uma temporada dos infernos para a McLaren. Ainda por cima, no seu milésimo Grande Prémio. Ao mesmo tempo, Gasly ia para as boxes, fazer a sua troca de pneus, caindo para sétimo.  Alex Albon também ia para as boxes, mas o mais curioso era que trocava... para moles.

Piastri foi às boxes na volta 50, acabando por regressar em sexto, atrás de Hadjar, para pouco depois, ser penalizado em cinco segundos por causa de... mais um excesso de velocidade nas boxes. Entretanto, na Ferrari, Leclerc estava perto da traseira do carro de Hamilton, suficiente para que, virtualmente, o monegasco já era segundo. Curiosamente, nesta altura, eles eram os únicos que estavam na mesma volta que Antonelli...

Contudo, na volta 62, Stroll bateu em La Rascasse e por causa disso, o Safety Car teve de entrar na pista, e isso foi suficiente para que o pelotão fosse às boxes. Os Ferrari foram às boxes, para colocar pneus moles novos, e Hamilton a manter-se no segundo posto, ainda por cima, com uma diferença maior que tinha sobre Leclerc. Antonelli foi também às boxes, colocou moles, mas manteve o comando. 


A corrida recomeçou na volta 66, com Antonelli na frente, seguido por Hamilton e Leclerc, que... bateu na parede e acaba de imediato a sua corrida! Segundo Safety Car na corrida, e a desilusão era enorme entre os espectadores, porque afinal de contas, era o piloto da casa. Os pilotos assaltaram as boxes para trocar os pneus novamente, com Antonelli a manter o primeiro lugar, seguido por Hamilton e agora, Isack Hadjar.

Pouco depois, os organizadores decidiram mostrar a bandeira vermelha por causa de problemas na pista, mais concretamente na curva Antony Noghés. E aparentemente, isso poderá ter sido as causas dos acidentes de Stroll e Leclerc. Demorou alguns minutos para que se fizesse uma limpeza no local afetado, e quando os organizadores acharam que era seguro prosseguir, os carros regressaram à pista atrás do Safety Car. Eles pararam na pista, para nova largada parada, e oito voltas até à meta, com Antonelli a afirmar que o asfalto não estava ainda em condições. Atrás, Russell fora avisado que iria cumprir uma penalização.

Na segunda largada, Antonelli manteve o comando, e Russell e Hadjar partiam lentos, enquanto atrás, Sainz Jr batia na parede e tinha danos no seu carro, caindo para o fundo do pelotão e acabando por abandonar. Russell acabaria por ir às boxes para cumprir a penalização, caindo para o fundo do pelotão, enquanto Gasly era agora terceiro... mas tinha uma penalização de dez segundos! Bom, um final imprevisível, tenho a certeza. Porque no meio disto, Isack Hadjar poderá ter violado os procedimentos de bandeira vermelha!

No final, as coisas correram bem para Antonelli, que ganhou pela primeira vez no Mónaco, e dando à Itália a primeira vitória em 22 anos, depois de Jarno Trulli, na frente de Hamilton e Hadjar, que conseguia o seu segundo pódio da sua carreira. Gasly, sem cumprir nas boxes a sua penalização, caía para sétimo, entre Arvid Lindblad e Alex Albon. E em décimo, inacreditavelmente, chegou Sério Pérez, o piloto mais improvável de pontuar... mas aconteceu. E deu à Cadillac o seu primeiro ponto na Formula 1! Algum dia iria acontecer, mas mesmo assim, é espantoso.


No pódio, outro detalhe: a combinação de idades entre Antonelli e Hadjar dá 40 anos, menos um que... Lewis Hamilton. Estas estatísticas bem estranhas, mas reais, de uma tarde que tinha tudo para ser aborrecida, mas acabou por não ser. E agora, saindo do Principado, Antonelli tem agora 66 pontos de vantagem sobre Hamilton, e parece que pode ser o primeiro pós-adolescente campeão do mundo. 

E da maneira como estou a ver, o rapaz é campeão em São Paulo ou coisa assim... mas para a semana, é na Catalunha.