Se formos ver bem as coisas, a Formula 1 não precisa, competitivamente, dos circuitos citadinos. Mas estes são tempos onde o Senhor Dinheiro é o imperador e a aparência conta mais que o conteúdo.
O dia estava agradável, primaveril até. O glamour estava em alta, mas o que as pessoas queriam saber era até que ponto Kimi Antonelli iria aumentar a sua vantagem, ou se iria ser vitima dos guard-rails, nesta corrida de desgaste. E claro, até que ponto a concorrência não iria atacá-lo, para tentar impedir que ele se afastasse e desse uma chance a todos eles, mesmo sabendo que esta é uma temporada bem comprida, com chances de volte-faces.
Na frente, tudo na mesma: depois de Antonelli, Hamilton e Leclerc, terão o Red Bull de Isack Hadjar, o segundo Mercedes de George Russell, o primeiro McLaren, o de Oscar Piastri, e o Alpine de Pierre Gasly, que conseguiu passar Lando Norris. O piloto italiano começou a afastar dos Cavalinos, e ao fim de seis voltas, já tinha uma vantagem de quase quatro segundos sobre Hamilton.
As coisas ficaram estabilizadas nas voltas seguintes, e por alturas da 20ª volta, o único motivo de interesse era a luta pelo quarto lugar, entre Hadjar, que era pressionado por Russell, mas sem chances de ultrapassagem da parte do britânico. Contudo, o piloto francês queixava-se de algo no motor do seu carro, do qual o pessoal em Milton Keynes tentava resolver à distância, e Russell esperava a oportunidade para o passar, porque ele já estava na sua traseira.
Por alturas da volta 33, Hamilton e Russell foram às boxes para trocar de pneus, acabando ambos a calçar duros. Na volta seguinte, foi a vez de Hadjar a trocar, e isso foi suficiente para Russell conseguir passar o francês. Na mesma altura, Hamilton começava a ser investigado por causa da sua paragem nas boxes, e no final, descobriu-se que tinha tido andado nas boxes em excesso de velocidade, e acabou com uma penalização de cinco segundos. Contudo, isso não alterou o terceiro lugar para o britânico da Ferrari.
Leclerc parou na volta 36, voltando à pista na terceira posição, atrás de Hamilton, mas sabendo agora da penalização do seu companheiro de equipa, ele só esperava ficar na sua traseira, para ficar com o segundo posto. Na volta a seguir, Antonelli foi às boxes, mas ele estava tranquilo, com mais de 34 segundos de vantagem sobre Hamilton quando foi colocar duros no seu carro. Mas se Antonelli estava tranquilo, já Russell descobriu-se que tinha passado pelas boxes em excesso de velocidade e fora penalizado em cinco segundos. Nada que se alterasse na classificação.
Contudo, na volta 62, Stroll bateu em La Rascasse e por causa disso, o Safety Car teve de entrar na pista, e isso foi suficiente para que o pelotão fosse às boxes. Os Ferrari foram às boxes, para colocar pneus moles novos, e Hamilton a manter-se no segundo posto, ainda por cima, com uma diferença maior que tinha sobre Leclerc. Antonelli foi também às boxes, colocou moles, mas manteve o comando.
Pouco depois, os organizadores decidiram mostrar a bandeira vermelha por causa de problemas na pista, mais concretamente na curva Antony Noghés. E aparentemente, isso poderá ter sido as causas dos acidentes de Stroll e Leclerc. Demorou alguns minutos para que se fizesse uma limpeza no local afetado, e quando os organizadores acharam que era seguro prosseguir, os carros regressaram à pista atrás do Safety Car. Eles pararam na pista, para nova largada parada, e oito voltas até à meta, com Antonelli a afirmar que o asfalto não estava ainda em condições. Atrás, Russell fora avisado que iria cumprir uma penalização.
Na segunda largada, Antonelli manteve o comando, e Russell e Hadjar partiam lentos, enquanto atrás, Sainz Jr batia na parede e tinha danos no seu carro, caindo para o fundo do pelotão e acabando por abandonar. Russell acabaria por ir às boxes para cumprir a penalização, caindo para o fundo do pelotão, enquanto Gasly era agora terceiro... mas tinha uma penalização de dez segundos! Bom, um final imprevisível, tenho a certeza. Porque no meio disto, Isack Hadjar poderá ter violado os procedimentos de bandeira vermelha!
No final, as coisas correram bem para Antonelli, que ganhou pela primeira vez no Mónaco, e dando à Itália a primeira vitória em 22 anos, depois de Jarno Trulli, na frente de Hamilton e Hadjar, que conseguia o seu segundo pódio da sua carreira. Gasly, sem cumprir nas boxes a sua penalização, caía para sétimo, entre Arvid Lindblad e Alex Albon. E em décimo, inacreditavelmente, chegou Sério Pérez, o piloto mais improvável de pontuar... mas aconteceu. E deu à Cadillac o seu primeiro ponto na Formula 1! Algum dia iria acontecer, mas mesmo assim, é espantoso.
E da maneira como estou a ver, o rapaz é campeão em São Paulo ou coisa assim... mas para a semana, é na Catalunha.




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