sábado, 21 de março de 2026

Formula E: Felix da Costa triunfa em Jarama


O piloto português António Félix da Costa foi o vencedor da corrida de Jarama da Formula E, que aconteceu esta tarde no circuito dos arredores de Madrid. Ao fazê-lo, tornou-se no primeiro piloto da competição a ganhar mais de uma corrida, após ele ter sido o vencedor na segunda corrida de Jeddah. O piloto de Cascais aguentou o assédio do seu companheiro de equipa, Mitch Evans, e o do Porsche de Pascal Wehrlein, que com ele lutaram pela vitória, depois do piloto português da Jaguar ter largado de terceiro da grelha.

No final, ele comemorava não só o seu 14º triunfo da carreira, como também o seu 150º ePrix na competição, ouvindo o hino nacional no lugar mais alto do pódio da competição elétrica. E naturalmente, estava muito feliz, depois de um inicio difícil, onde não pontuou nas duas primeiras corridas do ano:  

Eu sabia que era possível. A ideia desta mudança de equipa, para a Jaguar, e de tudo isto é para alcançar dias e resultados como este. É um campeonato tão competitivo que ganhar uma corrida não é fácil e ganhar duas de seguida é um feito. Eu nunca dou resultados destes por garantidos, fico emocionado, estou muito contente”, afirmou o piloto português no final da corrida.

Vamos continuar a trabalhar e posso quase garantir que vamos ter dias maus, ainda, até ao final do ano, dias em que vamos duvidar de tudo, mas isto são as corridas, isto é o desporto, e são nos dias maus onde o crescimento acontece”, concluiu.

Partindo de terceiro na grelha, com Nick Cassidy como o "poleman" pela Citroen, o inicio da corrida foi o ideal para ele: controlou o ritmo e foi marcando o tom nas primeiras voltas, com o Porsche de Pascal Wehrlein e o Cupra de Dan Ticktum a ameaçarem por perto. António Félix da Costa manteve-se inicialmente em terceiro, solidamente integrado no grupo da frente, enquanto Felipe Drugovich, no seu Andretti, começou a ganhar posições de forma agressiva, para chegar o mais possível aos lugares da frente.   

Contudo, o piloto português não conseguiu fazer uma paragem estratégica na altura do Pit Boost, caido para fora do "top ten", mas como os pilotos andavam perto um do outro, começou a aproveitar o "Attack Mode" para subir na classificação, enquanto uma quantidade de pilotos ficava com o comando, como Drugovich, Cassidy, o Penske de Max Gunther e o carro de Josep Marti.


Mas à medida que se aproximavam as voltas finais, os Jaguar estavam em melhores condições de energia para chegar ao comando. Felix da Costa passou Gunther, resistiu ao contra-ataque de Wehrlein, enquanto Evans, que tinha começado a corrida de um longínquo 16º lugar na grelha, apareceu como um míssil nas voltas finais e chegou à frente, com os dois carros da Jaguar em posição de dobradinha.

Na última volta, Felix da Costa era assediado pelo pelotão, especialmente Wehrlein e Evans, mas o piloto neozelandês conseguiu defender-se na última chicane, em plena reta da meta, e o piloto português conseguiu resistir e afastar o suficiente para ficar com o comando e Evans garantiu a dobradinha da Jaguar, com Wehrlein em terceiro e Ticktum em quarto. 


No campeonato, Wehrlein continua a liderar o campeonato, agora com 83 pontos, contra os 72 de Mortara, os 65 de Mitch Evans e os 64 de Felix da Costa. O campeonato continua no fim de semana de 2 e 3 de maio, em Berlim. 

Noticias: Rovanpera, doente, não compete na SuperFormula japonesa


O finlandês Kalle Rovanpera decidiu retirar-se da SuperFormula nesta temporada devido a razões médicas. O anuncio foi feito na manhã deste sábado no Japão, e o seu lugar foi ocupado pelo local Seita Nonaka. Isto acontece a algumas semanas da corrida inicial, em Motegi, e vem realçar os problemas de saúde que o piloto finlandês de 25 anos tem tido desde o final do ano passado, altura em que decidiu trocar os ralis pelos circuitos.

Nas redes sociais, explicou a sua decisão:

"Há algum tempo que lido com problemas de saúde, que pioraram este ano. A minha saúde não me permite continuar em segurança no momento. Agora, a minha prioridade é resolver isto. O feedback e o progresso deste ano mostram que existe um bom potencial neste projeto.", começou por afirmar.

"O meu capítulo nas corridas de circuito ainda não terminou. Lamento muito por aqueles que esperavam ver-me na pista. Espero reencontrá-los o mais breve possível!", concluiiu.

A decisão foi acolhida com lamentos da parte da Toyota, que tinha ajudado muito nesta sua transição para o asfalto.   

"[Rovanpera] dedicou-se de corpo e alma a desafiar-se em carros de fórmula, impulsionado por um desejo profundo e inabalável de evoluir. A cada teste particular na pista, a sua velocidade era evidente. Vi-o esforçar-se cada vez mais, descobrir algo novo dentro de si e melhorar os seus tempos por volta vezes sem conta.", começou por afirmar Toyoda, no comunicado oficial da marca. "No entanto, apesar de toda esta paixão e progresso, o seu corpo não estava a aguentar. Após uma avaliação médica, chegámos à dolorosa conclusão de que continuar a competir não seria a escolha certa para ele.", continuou.

"Esta decisão pesou muito sobre mim. Questionei-me sobre o que significa realmente deixá-lo procurar a velocidade e o que significa proteger alguém em quem se acredita. No final, equilibrar estas responsabilidades levou-me a interromper a sua participação na temporada da Super Fórmula deste ano. A todos os envolvidos e a todos os fãs que o apoiaram com tanto carinho, lamento profundamente não termos conseguido corresponder às suas expectativas.". concluiu. 

O piloto, campeão do mundo do WRC em 2022 e 2023, antes de ter feito um ano a tempo parcial em 2024, tem enfrentado problemas de saúde desde meados de 2025 que andavam a afetar o seu equilíbrio e a sua visão, e isso incluiu episódios de vertigem que já o condicionaram em testes e que se agravaram nos últimos meses, enquanto andava a fazer a transição para as pistas.

No inicio do ano, Rovanpera participou no Formula Regional Oceania Trophy, onde conseguiu alguns resultados de relevo, com um terceiro lugar na primeira corrida de Tereronga, na Nova Zelândia, e mostrou que consegue andar bem em situações de chuva.

sexta-feira, 20 de março de 2026

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Em 1986, a Ligier tinha acabado de deixar para trás a sua melhor temporada desde 1981, com quatro pódios e uma volta mais rápida. Tudo graças aos motores Renault Turbo, do qual eram clientes desde 1984, e aos bons resultados do seu veterano piloto, Jacques Laffite, que aos 41 anos ainda conseguia ser competitivo, e subindo de vez em quando ao pódio. E até na Austrália, as coisas tiveram um final feliz, com os seus pilotos a serem, respectivamente, segundo e terceiro, com Laffite a ser acompanhado pelo seu compatriota Philippe Streiff.

Para a nova temporada, o JS25 iria para o museu e no seu lugar apareceria o JS27. Projeto de Michel Têtu e Claude Galpoin, com um monocoque feito de fibra de carbono, eles decidiram rever a aerodinâmica e mexer no depósito de combustível - tinha de ser, os regulamentos obrigavam-os a fazer isso - e o carro recebeu uma cura de emagrecimento, para encaixar melhor o motor Renault que, depois da saída da equipa de fábrica, no final de 1985, decidiu fornecer as outras equipas. Contudo, eles não ficavam com as melhores especificações, estas iam para a Lotus, que tinha Ayrton Senna como seu piloto principal.

E por falar em pilotos... a Ligier decidiu apostar na experiência. Depois de ter sido despedido da Ferrari na primavera, e ter decidido não correr no resto de 1985, René Arnoux foi escolhido para ser o segundo piloto da marca, em vez de Philippe Streiff, que decidiu ir para a Tyrrell. Era uma escolha com o seu quê de confiança, porque Arnoux, na altura, já tinha 37 anos - ou seja, cinco anos mais novo que Laffite, o piloto mais velho do pelotão de 1986 - logo, a aposta foi mais no sentido da experiência.

Depois de uma série de testes, a equipa sediada em Nevers tinha confiança de que esta aposta na continuidade iria dar frutos, e que iriam lutar por pontos, pódios e algo mais. Afinal, tinham conseguido ser a melhor equipa do meio do pelotão e respirava-se um ar de confiança...

Youtube Automotive Video: A ousada experiência do Cadillac Allanté

Esta história não conhecia, para ser sincero. Mas algures na década de 80 do século XX, a Cadillac, tentando sair fora da caixa, decidiu construir um carro de alta gama... em Itália, e importá-lo para os Estados Unidos, com toda a tecnologia e o design europeu, nomeadamente o italiano. Assim , em colaboração com a Pininfarina, decidiu construir o Cadillac Allanté.

A experiência foi complicada e... não deu muito certo. E este video explica o que é que isto foi e porque é que não deu muito certo. 

Formula E (II): DS Penske sai, Opel entra


A DS anunciou esta semana, nas vésperas da corrida de Jarama que irá sair da Formula E no final da temporada, e no seu lugar virá a Opel. Marca do Grupo Stellantis, esta temporada viu-se reforçada com a entrada da Citroen Racing, o grupo achou que seria melhor substituir por outra marca do grupo, a Opel, que entrará na competição como Opel GSE Formula E Team, empregando a sigla GSE que define os seus modelos de estrada mais desportivos.

Quanto à DS, no final desta temporada, irá sair para se focar na vela e na sua parceria com a equipa de França da SailGP.

Primeira marca "premium" que participa na Fórmula E desde a sua segunda temporada, a partir de 2015, a DS Automobiles destacou-se ao longo de 142 corridas, conquistando, 18 vitórias, 55 subidas a pódios e 26 pole positions, em circuitos de todo o mundo, culminando com três títulos de pilotos: dois com Jean-Eric Vergne, em 2018 e 2019, um com António Félix da Costa, em 2020, e dois de equipas, em 2018-19 e 2019-20.


No caso da Opel, a equipa de Russelheim está a montar uma equipa a vários níveis – desenvolvimento, engenheiros de estratégia e gestão operacional. Apesar de ter acesso à experiência da Stellantis, o fabricante alemão "está a contribuir com a sua engenharia alemã para o novo projeto". Assim, entrará na categoria cem por cento elétrica da FIA com a chegada do Gen4, sob a direção de Jörg Schrott, o atual diretor de automobilismo da Opel.

E também não ficará com a licença da Dragon Penske, o que significa que a Formula E terá, na temporada 2026-27, uma grelha de 24 carros. 

Estamos muito felizes em receber a Opel como uma nova equipa de fábrica na Formula E”, disse Jeff Dodds, CEO da categoria. “Como uma marca alemã forte, com uma experiência de engenharia diferenciada e uma imagem nova e ousada, a Opel traz uma longa e rica história no automobilismo e uma nova dinâmica para a grelha de partida. O compromisso da Opel também mostra a importância da Formula E para as montadoras globais na transição para a mobilidade elétrica", concluiu.

"A adesão à Fórmula E marca um novo marco para a Opel em nossa jornada rumo a um futuro elétrico”, disse o CEO da Opel, Florian Huettl. “Com a Fórmula E migrando para carros GEN4 a partir da próxima temporada, vemos este como o momento ideal para ingressar nesta emocionante competição de corrida totalmente elétrica", começou por referir.

"A Opel GSE de Fórmula E mostrará o que nossa marca representa: engenharia alemã, design arrojado e desempenho elétrico, atributos que também se aplicam aos modelos GSE totalmente elétricos da Opel, como o Mokka GSE e, em breve, o novo Corsa GSE", concluiu.


A Opel GSE Formula E Team fará sua primeira aparição na FE no lançamento oficial da Gen4 no Circuito Paul Ricard, em abril. 

Formula E: Felix da Costa confiante para Jarama


António Félix da Costa está a encarar a jornada de Jarama, nos arredores de Madrid, com mais confiança depois da sua vitória na segunda corrida de Jeddah, na jornada anterior. Agora no sétimo lugar da geral, e a 29 pontos da liderança, ele quer encarar esta corrida ao ataque e impor o seu ritmo, mas ao mesmo tempo, tentar evitar toques ou problemas na corrida, no sentido de trazer bons pontos para casa.

Uma tarefa que parece fácil, mas num campeonato tão competitivo como a Fórmula E, por vezes com toques e batalhas bastante agressivas em pista, se torna difícil de colocar em prática. 

Nas vésperas da corrida espanhola, ele afirmou:

"Estamos num bom momento, com boa performance, mas também com muita motivação de toda a equipa. Consegui em Jeddah a minha primeira vitória com a Jaguar e quero manter o bom momento. Vamos entrar ao ataque, com vontade de lutar pela vitória este fim-de-semana em Madrid, naquela que é a corrida mais perto de Portugal, pelo que espero bastante apoio dos Portugueses nas bancadas. Olhos sempre na vitória, mas com cabeça para trazer bons pontos para casa, evitando riscos desnecessários. Estamos prontos e confiantes!

A corrida deste Sábado terá uma paragem obrigatória de 30 segundos na box, para carregamento rápido (Pit Boost), para além do tradicional attack mode, com seis minutos de potência extra ativada pelos pilotos, o que abre excelentes perspectivas de gestão de energia e estratégia para a corrida.

A corrida terá lugar no sábado, a partir das 14 horas de Lisboa e com transmissão em direto na DAZN 5.

quinta-feira, 19 de março de 2026

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Em 1986, a Ferrari decidiu encarar a nova temporada com uma revisão completa do seu chassis. Como lutaram pelo título no ano anterior com o chassis 156/85, e perdendo por causa dos problemas de fiabilidade - Michele Alboreto não acabou as últimas cinco corridas do ano, deixando o título para Alain Prost, da McLaren - para 1986, decidiram reparar os estragos e desenhar um carro melhor, em termos aerodinâmicos. Se corrigissem os defeitos e melhorar as partes onde perdiam para McLaren, Williams e até Lotus, a Ferrari poderia realmente lutar pelo título nesta era Turbo. 

E parecia que, quando se mostrou o F1-86 em Maranello, Alboreto e o seu companheiro de equipa, o sueco Stefan Johansson, pareciam ter esperanças. Projeto de Harvey Postlethwaithe e de Jean-Claude Migeot, o carro, com um monocoque feito de fibra de carbono, era muito bom em termos aerodinâmicos, enquanto o motor V6 turbo revisto, dava-lhes uma potência invejável: o type 032 tinha uma potência reportada de 1250 cavalos em qualificação, baixando para os 850 cavalos em corrida, às 11.500 rotações por minuto. Havia confiança dentro da equipa, por causa do motor, e esperavam que, se fosse fiável, poderiam disputar seriamente o título com a Williams e a McLaren.

Contudo, o que não se sabia era que, dentro da equipa de Maranello, estava a começar a abrir um abismo entre os engenheiros e os aerodinamistas. Numa equipa tão tradicional como a Ferrari, onde durante anos, o motor era o "deus ex machina", a alma dos carros, aquilo que os faria vencer, seriam os engenheiros que teriam a última palavra, e os aerodinamicistas limitariam a seguir. 

E os engenheiros decidiram que o motor V6 turbo em 1986 tinha de ser aberto em 120º, no sentido de permitir escapes altos e evitar piorar ainda mais o centro de gravidade do carro. Isso não permitia um adelgaçamento adequado da traseira, pelo que a secção traseira do F1-86 acabava por ser menos eficiente do que a de outros motores V6 Turbo mais estreitos, como a Honda, a Porsche e a Renault. 

Como nenhum dos lados chegou a acordo, as duas equipas continuaram o seu trabalho, cada uma seguindo o seu próprio caminho. E quando chegou a altura de encaixar o motor com a aerodinâmica, chegamos aos mesmos problemas de 1985. Não tanto na fiabilidade, que ficou resolvida, mas sim na sua eficácia. Cedo se viu que a exploração adequada da potência daquele motor nunca foi conseguida, por um lado, por causa da aerodinâmica pouco conseguida, especialmente em velocidade de curva, e  por outro porque tiveram problemas com as turbinas - trocaram as alemãs KKK pelas americanas Garrett, mais fiáveis - e com isso, o carro se tornou difícil de controlar, com reações muito instáveis ​​em comparação com os seus concorrentes.

E ainda antes de começar a temporada, este carro estava comprometido. Os pilotos não tinham muta crença no material e temiam que iriam ficar atrás dos da frente: McLaren, Williams e Lotus.

WRC: Ogier vai ao rali das Canárias e de Portugal


Depois de ter participado - e ter acabado fora dos pontos - no Rali Safari, o atual campeão do mundo, Sebastien Ogier, confirmou hoje a sua presença nos ralis das Canárias e de Portugal, que acontecerão, respectivamente, entre os dias 23 e 26 de abril, e entre os dias 7 e 10 de maio. 

O piloto francês de 42 anos afirmou ao jornal "L'Equipe" que fará dez provas em 2026, e que "estarei de férias" no inicio de abril, altura do rali da Croácia, disputado em asfalto, mas depois regressará ao volante para o rali das Canárias, também disputado em asfalto, e tentará em Portugal a sua oitava vitória, para alargar a sua vantagem como o maior vencedor da prova portuguesa, depois de ter triunfado em 2024 e 2025.

Neste momento, Ogier é sexto no campeonato, com 26 pontos, num campeonato liderado pelo seu companheiro de equipa Elfyn Evans, depois de um terceiro lugar em Monte Carlo e da sua ausência no rali da Suécia. 

Noticias: Newey substituído por Wheatley na Aston Martin


Adrian Newey irá sair do cargo de diretor da Aston Martin e será substituído por Jonathan Wheatley, que tinha esse cargo na Audi. Segundo conta o artigo da Autosport inglesa, "Newey irá se afastar para se concentrar exclusivamente em questões técnicas, uma vez que a Aston Martin teve um início de temporada de F1 de 2026 bastante decepcionante. Os problemas com a unidade de potência do novo parceiro Honda impedem o AMR26, concebido por Newey, de completar uma corrida inteira."

Wheatley, que estava na Audi há cerca de dez meses, ao lado de Mattia Binotto, irá regressar ao Reino Unido, mas não será de imediato, porque depende das negociações que ambas as partes estão a ter para combinar a sua transferência. Fala-se que, apesar dele ter autonomia dentro da Audi, os seus métodos de trabalho causaram alguma fricção com Binotto, que foi eleito como o diretor desportivo da marca alemã.

Wheatley, que trabalhou durante duas décadas na Red Bull, foi o escolhido, em detrimento de outros como Gampiero Lambiase, Martin Withmarsh ou Andreas Seidl, todos com historial na liderança em estruturas de Fórmula 1. 

Esta decisão, sugerida pelo próprio Newey, é uma reação rápida para inverter o rumo de uma temporada que começou de forma preocupante, com problemas sérios com a unidade de potência da Honda, especialmente nas vibrações causadas pelo motor, que ajudaram a que ambos os carros, de Lance Stroll e Fernando Alonso, a não chegarem ao fim nas duas corridas que já disputaram nesta temporada. 

E também era esperada, porque Newey sempre disse que a sua permanência no cargo era temporário, porque a sua função principal era de projetar os carros da Aston Martin para esta e as temporadas seguintes, no sentido de os colocar entre os melhores do pelotão.

A FOM ainda não desistiu do Bahrein e da Arábia Saudita


Comecemos por afirmar isto: é tudo especulação. Escrevo isto a 19 de março e a guerra no Golfo Pérsico ainda não tem fim à vista. Aliás, de manhã, aconteceram ataques a instalações petrolíferas no Qatar, Arábia Saudita e Emirados. E por muitas proteções que esses países possam dar, o risco de se tornarem alvos, se as corridas forem para a frente, torna-se muito alto. Lembro o que aconteceu em 2022, no fim de semana do GP saudita, em Jeddah. Nessa altura, foi numa refinaria. Que me garante que o Irão não mande drones suicidas aos circuitos?

Dito isto, vamos à noticia:

A FOM "adiou" (e coloco entre aspas) os GP's do Bahrein e da Arábia Saudita, corridas marcadas originalmente para os dias 12 e 19 de abril. Este adiamento resultou em prejuízos iniciais de 130 milhões de dólares. O adiamento foi recebido com enorme cepticismo, porque todos estão convencidos que as corridas foram canceladas, e até colocam em dúvida a realização das outras duas corridas na peninsula arábica, como o GP do Qatar, que acontecerá a 29 de novembro, e o GP de Abu Dhabi, que será a 6 de dezembro. 

A razão é simples: o conflito entre os Estados Unidos - e Israel - com o Irão não tem aparente final à vista. E se estão a ser eficazes em eliminar a elite dominante do regime dos "ayatollahs", por outro lado, o Estreito de Ormuz está bloqueado ao tráfego internacional e o preço do petróleo está a subir nos mercados internacionais, bem como o gás, do qual o Qatar é um dos maiores exportadores. E ainda por cima, as instalações do maior campo de gás natural do mundo, estão a ser bombardeadas pelo Irão, e claro, os preços do gás estão a subir.


A FOM aposta que este conflito pode ter curta duração, mas estamos a chegar ao 20º dia de conflito, e não há sinais de abrandar. Aliás, há risco, até, dos países do outro lado do Golfo, como os Emirados, a Arábia Saudita, o Qatar, o Kuwait e o Bahrein, poderão reagir e atacar instalações militares iranianas, para ajudar os americanos, logo, entrando na guerra, alegando reação aos ataques do qual estão a ser vitimas, poderá alargar este conflito a toda a região. 

Então, que planos tem eles? Hoje, o jornalista Peter Hardenacke no podcast Backstage Boxengasse, explicou que chegou a ser equacionado, de inicio, um duplo fim de semana seguido no Japão, com uma segunda corrida imediatamente após o atual GP nipónico, mas a ideia caiu por terra por questões comerciais e de organização. “Os organizadores não conseguiram concretizar isso. É demasiado em cima da hora para tratar de patrocinadores, espectadores, bilhetes e por aí fora”, descreveu o jornalista da Sky Sports.

Agora, pensa-se em setembro, onde há um espaço de duas semanas entre Monza e Singapura, que pode acolher, pelo menos, uma das corridas. “Há uma ou duas pessoas que já dizem que poderá muito bem acontecer termos quatro corridas seguidas, com tudo a ser comprimido”, ele avançou. 

Mas coloca reservas: “Sinceramente, não acredito muito nisso. Numa fase destas da época causaria bastante incómodo às equipas, sobretudo se pensarmos na carga sobre os mecânicos”, advertiu.


Entretanto, surgem detalhes sobre os diálogos entre a FOM e a organização do GP saudita. Caso não se lembrem, a certa altura, falou-se nas redes sociais de que o GP saudita iria acontecer na data planeada, com fontes vindas até da organização. Até deu uma resposta "bem torta" do Joe Saward, que perguntou a essa fonte como iria responder quando confirmassem o adiamento, como acabou por acontecer. Hoje, o SportBild.de disse que os sauditas deram garantias de defesa, colocando um sistema antimíssil à volta do circuito para responder às dúvidas em termos de segurança.

E são os sauditas que mais pressionaram para que a corrida acontecesse ainda este ano, porque, só eles, pagam cerca de 65 milhões de dólares para ter o Grande Prémio, e estão a investir pesado na construção de um circuito na cidade de Qiddya, que poderá estar pronto para acolher em 2028.

Em conclusão, tudo isto é muito fluido. Este assunto não está acabado, não sabemos quando e como irá acabar a guerra, se estes países não se envolverão no conflito, e se isto não se aprofundará ainda mais. Afinal de contas, os russos julgavam que iriam derrotar os ucranianos em três dias, e estamos no quarto ano de guerra, com frentes a lembrarem os da I Guerra Mundial...

quarta-feira, 18 de março de 2026

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Em 1986, a Lotus continuava no caminho para chegar à linha da frente da Formula 1. E tinha ganho reforços a nível de motores, quando a Renault decidiu que, depois de retirar a sua equipa de fábrica, eles iriam ser o fornecedor principal dos seus motores Turbo de 1.5 litros. Ainda por cima, a equipa tinha, por fim, um piloto com mentalidade vencedora: o brasileiro Ayrton Senna, que em 1985 tinha ganho duas corridas. 

Mas no defeso, tinha de resolver alguns problemas para poder seguir adiante, em condições para fazer uma temporada sem problemas: Elio de Angelis tinha ido embora, e a Imperial Tobacco queria um britânico no lugar vago. Tentou-se Derek Warwick, mas Senna vetou, afirmando que ele iria prejudicar as chances de título da equipa. Chegou a propor o vencedor do campeonato britânico de Formula 3 desse ano, um tal de... Mauricio Gugelmin, mas decidiu-se por uma solução de compromisso: o campeão britânico de Formula 3 de 1984, o escocês Johnny Dumfries - que era, na realidade, o herdeiro do ducado de Bute, na Escócia. E conseguiam resolver dois problemas para a Lotus e para Senna: um britânico e um piloto que não seria uma ameaça a ele.

Assim sendo, a equipa concentrou-se para a nova temporada que aí vinha, e com o motor garantido, ia-se desenhar o 98T. Obra de Gerard Ducarouge, que tinha sido contratado de emergência em abril de 1983, quatro meses depois da morte de Colin Chapman, com excelentes resultados, o 98T era uma evolução do 97T, de 1985, e a primeira grande alteração era regulamentar: os depósitos de combustível foram reduzidos de 220 para 195 litros. Tudo isto com apenas 540 quilos de peso. 

Depois, o motor Renault Turbo era o EF15B, a melhor versão do motor francês, capaz de dar cerca de 900 cavalos em corrida a 4 bar de pressão, e pouco mais de 1200 em modo de qualificação. A caixa de velocidades era o Hewland de seis velocidades, o chassis era monocoque, de fibra de carbono, intercoolers de injeção de água e um computador de bordo, para poder regular o consumo de combustível. Coisas que hoje em dia parecem corriqueiras, mas em 1986... não eram.

Como evoluir era melhor que tentar algo radical e perder, parecia que o carro poderia acompanhar os Williams e os McLaren, que como eles, tinham feito a mesma aposta. Porque, tendo bons pilotos, e estando constantemente a ganhar, para que mudar? Mas a Williams, como já foi visto, quando soube que o motor estava no ponto, apostou num carro mais eficaz, e sabiam que estavam no melhor dos caminhos. 

Youtube Formula 1 Video: O que está a passar com a Aston Martin?

Todos sabemos desde o inicio do ano que a Aston Martin está em grandes sarilhos. Começaram a trabalhar tarde no chassis, a Honda estava com problemas no desenvolvimento do seu motor, e de repente, eles estavam alinhados com a Cadillac... no quesito "pior equipa do pelotão". E os americanos estão a estrear-se na Formula 1!

Então, o que se passou? Como chegaram a este ponto, logo na altura em que tinham acabado de contratar Adrian Newey como seu projetista? Bem, é isso que o Josh Revell fala no seu mais recente video. 

WRC (II): Ex-pilotos elogiam Takamoto pela sua vitória


A vitória de Takamoto Katsuta - que ontem fez 33 anos - continua a ser celebrada, dada a simpatia que o piloto japonês tem no meio dos ralis. Mesmo ex-pilotos como Kalle Rovanpera, que este ano deixou os ralis e está a tentar as pistas, e Ott Tanak, que foi embora em 2025 para se dedicar à família.

O finlandês, campeão em 2022 e 2023, afirmou ter assistido à prova a partir de casa e confessou maior nervosismo do que quando compete: "Estou mesmo feliz por o Taka ter ganho. Foi super emocionante ver o último dia e estava muito mais nervoso do que quando eu próprio lutava por vitórias", começou por dizer.

O finlandês destacou o percurso partilhado de altos e baixos com Katsuta, considerando a vitória "totalmente merecida, especialmente nestas condições".

No caso de Tanak, que foi campeão em 2019, ele o seguiu nas redes sociais e não deixou de o apoiar, especialmente depois de ele ter cortado a meta na primeira posição. "Estou mesmo orgulhoso de ti, meu amigo! Sei o quanto isto significa e o trabalho por trás. Primeira de muitas", escreveu o estónio no momento em que ele foi ao lugar mais alto do pódio.

O piloto japonês agradeceu as mensagens nas redes sociais e destacou ambos nesses agradecimentos: "Aprecio que até pilotos de outras equipas me aplaudissem. Com o Kalle falamos todos os dias e o Ott respondia logo às minhas mensagens. Queria estar no topo do pódio como eles. Finalmente lá cheguei". 

A vitória reforça a popularidade de Katsuta no paddock pela dedicação e simpatia. Agora, o WRC ruma à Europa, onde correrão no segundo fim de semana de abril, em terras croatas.

WRC: Continuidade do Rali Safari em dúvida


Apesar do Rally Safari deste ano ter sido bem difícil, por causa da imensa lama em algumas das principais classificativas, isso não danificou a reputação do rali africano, que regressou ao WRC em 2021. Contudo, a continuidade do rali depois deste ano está em dúvida, depois do governo queniano ter anunciado que não iria mais patrocinar a prova. O presidente William Ruto anunciou no fim de semana o fim do financiamento público direto ao evento, que deveria ter acabado em 2025, mais foi prolongado por mais um ano.

Este é o último Safari Rally em que vamos gastar dinheiro público para promover o evento. A partir do próximo ano, será totalmente financiado e apoiado pelo setor privado. Os recursos do governo serão direcionados para o desporto nas escolas e noutras áreas”, afirmou o chefe de Estado.

A decisão do governo de Nairobi levanta dúvidas sobre a continuidade da prova, que tem sido um dos grandes sucessos recentes do WRC - e claro, o único rali africano no calendário. O regresso do Safari Rally ao calendário foi amplamente elogiado, conseguindo manter a identidade histórica da prova africana ao mesmo tempo que se adaptou às exigências modernas da competição.

Simon Larkin, responsável pelo WRC Promoter, reconhece a necessidade de mudança e mostra-se alinhado com a nova visão para o evento.

O Presidente foi claro ao afirmar que quer retirar a organização do evento da esfera governamental. Os governos devem apoiar com meios como segurança, infraestruturas e logística, mas não devem ser os organizadores diretos”, começou por explicar. “Estamos a trabalhar há dois anos neste novo modelo. Não regressaríamos se o evento continuasse a ser gerido da mesma forma. Agora há parceiros privados dispostos a assumir um papel mais ativo, com o governo a apoiar financeiramente e ao nível logístico.

Apesar das negociações em curso, ainda não existe um acordo fechado para o futuro, numa altura em que o WRC, atualmente com 14 provas, irá receber em 2027 um rali na Escócia, e estão a acontecer preparativos para uma prova nos Estados Unidos, provavelmente a partir desse ano ou em 2028.

terça-feira, 17 de março de 2026

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Na parte final de 1985, Gordon Murray sentia que o BT54 tinha chegado ao final da sua vida útil. Esse chassis tinha sido uma evolução do BT53, carro de 1984, que dera duas vitórias para Nelson Piquet e nove pole-positions nessa temporada. Com apenas uma vitória, uma pole e dois pódios para Piquet em 1985, ele achou que era a melhor altura de ir para melhores lugares, e escolheu a Williams, que parecia ir no rumo certo, pelo menos em termos de resultados no final da temporada anterior. 

Para 1986, Murray foi radical: decidiu desenhar um carro a partir de uma folha em branco. Tinha motor, o resto era imaginação. Qual era a sua ideia? Baixar ainda mais o centro de gravidade. Queria ganhar downforce, mas o único sitio onde poderia conseguir isso era na asa traseira, mas o centro do carro, lugar onde estava o motor, não ajudava muito nisso, e claro, o efeito-solo tinha sido banido. E para piorar um pouco as coisas, o motor BMW era relativamente pesado. 

Murray - e depois a Weismann, fabricadora da caixa de velocidades para a BMW - queriam baixar o centro de gravidade no sentido de que permitisse que um grande fluxo de ar chegasse à asa traseira sem obstruções, gerando mais força descendente sem prejudicar o desempenho em linha reta com elevada resistência aerodinâmica. Mas havia um problema: o motor BMW, por exemplo, tinha de ser... reposicionado.

Com isso tudo em mente, Murray andou o inverno a desenhar o carro mais radical do pelotão de 1986: o BT55. Cedo foi dado o nome de "skate", porque lembrava isso, e para além disso, os pilotos tinham de se sentar de maneira diferente, quase deitados - Murray queria-os sentados num ângulo de 30 graus. Parecia ser uma esquisitice, mas não era novidade alguma: duas décadas antes, conduzir quase deitado era prática comum no pelotão da Formula 1... 

Interessantemente, Murray tinha resistido a construir um chassis totalmente em fibra de carbono, por não saber como é que se comportaria em caso de choque. Anos antes, tinha até colocado um BT50 num "crash test" para saber como é que se comportaria. Ao ver os resultados, não ficara totalmente convencido... mas o BT55 iria ser totalmente feito em carbono, cinco anos depois da McLaren.   

Ele também tinha pedido à BMW para que inclinasse o seu motor 4 cilindros em linha, para que pudesse caber no seu carro estranhamente baixo - em 72º, porque assim não perturbaria o fluxo de ar até à asa traseira, ganhando "downforce" - e também pedira à Wiesemann para que ajudasse a construir uma caixa de velocidades especialmente para este projeto. E cumpriu: foi a primeira caixa de sete velocidades da história da Formula 1. Para pilotos, a dupla iria ser totalmente nova, e seriam ambos italianos: Riccardo Patrese, que voltava à equipa depois de duas temporadas na Alfa Romeo, e Elio de Angelis, que desde 1980 era piloto da Lotus, mas saíra porque tinha sido ofuscado por Ayrton Senna

Era um projeto ambicioso e radical. E todos corriam como trapezistas sem rede. Se desse certo, seriam heróis, e Murray seria laudado como genial. Se não... 

E antes de chegar a Jacarépagua, tinham motivos de preocupação. O chassis não tinha problemas, mas descobriu-se cedo que a posição excessivamente avançada dos radiadores comprometia a tração traseira, que já apresentava um desempenho inferior devido à longa distância entre eixos - era o maior entre o pelotão de 1986 - aliada ao formato estreito e baixo do chassis, particularmente alongado na zona do depósito de combustível. Podia ter velocidade de ponta, mas quando curvava para a direita, para a direita, o óleo tinha tendência a não voltar ao cárter devido à força centrífuga. Quanto à nova caixa de velocidades transversal de 7 velocidades, produzida pela empresa americana Weissmann, revelou-se frágil e difícil de ajustar.

E o carro, que era tão radical, tinha mais problemas que resolver quando chegaram ao Rio de Janeiro. E já murmuravam que, talvez, tenham ido longe demais...

Youtube Motorsport Video: Programando o Caos, parte um

As pessoas na Formula 1 andam a falar recentemente que os novos regulamentos os impedem de acelerar o tempo todo e agora, com a hibridização da competição - 50 por cento elétrico, 50 por cento com motor Turbo - os pilotos comecem a programar a aceleração para poder levar o carro até ao final. Contudo, quem segue a Formula E, isso é... o pão nosso de cada dia, porque as corridas são isso: gerir a energia, para que os carros cheguem ao final, mesmo com coisas como o Attack Mode - onde tem uma energia extra por um período que vai dos quatro aos seis minutos - e o Pit Boost, que é um recarregamento.

E com a Formula E de volta à ação neste fim de semana em Jarama, o Jeremiah Burton, do Big Time, decidiu aliar-se com o canal oficial da Formula E do Youtube e explicar a engenharia por trás desta maneira de gerir as corridas.   

As consequências dos problemas no Bahrein e Arábia Saudita


Há quem fale em "cancelamento", eles, a F1 e a FOM, referem no seu comunicado oficial deste domingo que as corridas "não se realização em Abril". Eu acredito mais na primeira palavra, mas para efeitos deste post, coloquemos "problemas", porque os eventos que começaram há 18 dias na zona do Golfo Pérsico são isso mesmo: problemas, uma alteração da rotina, porque estas corridas estavam previstas em abril - 12 de abril no Bahrein, 19 de abril na Arábia Saudita.

O anuncio desta "perturbação" - outro bom substituto - foi feito no fim de semana do GP da China, mas já se falava desde o dia um desta guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão, desde que os drones iranianos começaram a cair no Dubai, no Bahrein, no Qatar, e sobretudo, em Abu Dhabi, alguns deles em alguns dos mais movimentados aeroportos do mundo, sabia-se que não havia condições para correr nas próximas semanas. Até caíram drones no Oman, vejam lá!

Então, com o facto do calendário ser reduzido para 22 corridas - falaram-se de substitutos na Europa, mas isso foi logo descartado, por motivos logísticos - surgiram problemas. E são bem sérios. Esta manhã, o comentador da Formula 1 em Portugal, João Carlos Costa - a Formula 1 este ano está no DAZN - referiu aquilo que eles estão a encarar:


- As equipas querem compensações dos cancelamentos. Afinal de contas, é um buraco financeiro de 130 milhões de dólares, e a partir deste ano, o dinheiro que a FOM dá às equipas é dividido por onze, não por dez, mesmo que a Cadillac não receba nesta temporada - aliás, ele fala que terão prejuízos na ordem dos 12 milhões de dólares em 2026.

- As equipas querem uma compensação. McLaren e Williams querem que a situação seja considerado como "força maior", e querem "um ajuste temporário ao Teto Orçamental" e um "subsídio direto para cobrir custos fixos durante a pausa forçada de 32 dias.". Não, não estou a brincar, é real! Eles querem uma compensação, lembro-vos.

- Terceiro problema: patrocínios. Nem todas as equipas recebem um cheque dos patrocinadores de uma só vez. Há quem faça e não há problemas, mas há outros que dão dinheiro às equipas corria a corrida. Imaginem patrocinador X dar 25 milhões de dólares (ou euros, ou libras, que vai dar mais ou menos ao mesmo). Dá pouco mais de um milhão por corrida. Mas sem duas provas, é menos dinheiro a entrar, e os orçamentos não estão adaptáveis para estas "force majeurs" (e ainda não sabemos se Qatar e Abu Dhabi acontecem, porque não sabemos se esta guerra é curta ou não), e segundo ele conta, os prejuízos em algumas equipas poderão ser perto de 20 milhões de dólares. É um rombo, dê por onde der, mesmo que as equipas tenham, em tempos mais recentes, estando a respirar um pouco melhor em termos de orçamento.


O que a FOM responde, segundo ele conta?

Para já, Stefano Domenicalli rejeita um resgate direto - se calhar, tem a esperança das corridas agora adiadas/canceladas/perturbadas (escolham a palavra que vos interessar) possam acontecer mais tarde no ano - mas poderá pensar na ideia de antecipar pagamentos para segurar o barco, digamos assim, apostando que esta guerra dure pouco e esteja resolvida durante a primavera. Porque, se arrastar, como sabem, poderá ser pior. E para dar uma ideia, a Arábia Saudita dá todos os anos 65 milhões de dólares à FOM e o Bahrein, 52 milhões. E se calhar, Qatar e Abu Dhabi devem dar mais ou menos o mesmo preço, com a cidade-estado dos emirados Árabes Unidos a dar mais um bocado por ser o palco da corrida final da temporada.

E ainda nem falei dos "malabarismos" da logística, feita por alguns Boeings 747 da UPS, que levam todo o material da Formula 1 para poder estar no sitio A para o sítio B em dois ou três dias, e por vezes em operações a roçar o milagre ou a perfeição. E basta um pequeno desvio no roteiro - nem precisa ser uma guerra, pode ser uma tempestade ou uma avaria num dos aviões e o material retido num sitio oito a dez mil quilómetros longe - e podemos ver como são as coisas. 

E é por causa desses malabarismos que, por exemplo, não temos corridas nem testes na Europa, porque a próxima corrida é Miami, nos Estados Unidos, e as equipas, para evitar viagens a mais, ficaram forçosamente paradas por 32 dias, ou seja, desde o GP do Japão, a 28 de março, até o GP de Miami, a 3 de maio, a construir peças sobressalentes e a usar o simulador. E numa altura onde as equipas estão a adaptar-se a um regulamento novo... toda esta perturbação não é boa. 


Aliás, como estão as coisas neste momento, a tendência é para piorar.

segunda-feira, 16 de março de 2026

As imagens do dia





A temporada de 1986 irá ter algumas equipas novas. Uma é a Lola-Haas, cujo assunto falarei um pouco mais tarde - a história vale a pena ser falada, garanto-vos - e outra é a AGS, mas essa só aparecerá mais tarde, em setembro, para duas corridas. 

O que quero falar hoje é uma velha equipa que foi comprada e rebatizada. Nas estatísticas, é uma equipa nova, mas na realidade, eles já estavam na Formula 1 desde 1981. Mas mesmo assim, vale a pena falar das suas expectativas para a temporada que aí vinha. 

Primeiro que tudo, Rory Bryne esperava fazer um chassis eficaz, mas o acordo de aquisição aconteceu a 24 de outubro de 1985, logo, sem muito tempo para fazer um projeto radical. O B186 acaba por ser uma evolução do TG185, mas tinham uma coisa nova: motor. Desde o inicio que a Toleman fez uma aposta para o futuro: Turbo. Mas em vez de um construtor - andaram perto de ter motores Turbo da... Lancia - acabaram por pedir a Brian Hart para que fizesse um motor de quatro cilindros em linha. Sofreram nas duas primeiras temporadas, mas no final de 1983, com Derek Warwick, e no ano seguinte, com Ayrton Senna e Stefan Johansson, tinham acertado o jeito, sendo uma das equipas a ter em conta do meio do pelotão.

Com o acordo feito, o carro iria ter agora os quatro em linha da BMW. Logo, a traseira tinha de ser redesenhada para poder acolher da melhor maneira o motor alemão. E tinha de ser: afinal de contas, em qualificação, o motor poderia render mais de 1400 cavalos! Mas apesar dos motores parecidos, o chassis tinha de ser reforçado por causa dessa força - a diferença entre o Hart e o BMW era de 600 cavalos! - e ele pretendia redesenhar os "sidepods" para ganhar "downfornce" e ser mais eficaz. 

Para a equipa, havia mudanças. Da Arrows, chegava o austríaco Gehrard Berger, que vindo da Arrows, tinha feito uma temporada razoável, especialmente na parte final. E ainda por cima, tinha tido um ano inteiro para se adaptar aos motores BMW. Mas quando soube dele, Bryne tinha ganho mais um problema: o chassis tinha de ser suficiente grande para caber ambos os pilotos. Porque, se Berger tinha 1.83 metros, alto para os padrões da Formula 1, já Fabi tinha menos 15 centímetros, 1.68 metros...

Apesar de todos estes obstáculos, quando a "nova-velha" equipa chegou ao Rio de Janeiro, a equipa tinha feito três chassis, um para Fabi, outro para Berger e um de reserva. E até tinham ideias de pintar os pneus de modo multicolor, para mostrar ao mundo que eram irreverentes... mas os pilotos tinham de não exagerar, porque as partes sobressalentes não eram muitas.

CPR: Armindo Araújo apresenta o seu carro para a temporada


A um mês do arranque o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), Armindo Araújo apresenta o seu carro para a nova temporada, e a ambição é a mesma: ganhar. Sete vezes campeão nacional, e com o seu navegador de sempre, Luis Ramalho, e a disputar com um Skoda Fabia Rally2, num campeonato modificado e competitivo, a motivação está em alta. 

Estamos muito satisfeitos por podermos confirmar a presença em mais um campeonato e, sobretudo, muito motivados para lutarmos, uma vez mais, pela conquista do título”, sintetizou o heptacampeão nacional. "Ao contrário dos anos anteriores, não teremos duas fases distintas no campeonato e penso que esse fator poderá trazer mais emoção", continuou o piloto de Santo Tirso.

Nós queremos lutar pelas vitórias em todos os ralis e vamos trabalhar nesse sentido. Ser a melhor dupla portuguesa no Rali de Portugal é, também, um dos nossos grandes objetivos do ano”, acrescentou.


A continuidade da grande maioria dos patrocinadores, à qual se junta a entrada de um novo parceiro, é interpretada pela equipa como sinal de solidez do projeto. Para 2026, destaca-se a integração da Silogia, reforçando o leque de apoios ao Team Armindo Araújo.

É sempre de salutar o facto de conseguirmos manter ao longo de anos os nossos principais parceiros e é com grande satisfação que vemos a entrada de novos. Este ano teremos a Silogia connosco e a eles, assim como a todos, naturalmente, queremos dar muitas alegrias, e isso é poder vencer o maior número de provas e conquistar o título”, vincou.

A temporada de 2026 do Campeonato de Portugal de Ralis irá arrancar com o Rali Terras D’Aboboreira, que se disputará entre os dias 16 e 18 de abril, em Amarante. A prova, disputada em pisos de terra, volta a ser pontuável não só para o CPR, mas também para o European Rally Trophy, aumentando o interesse competitivo e internacional do evento.

WRC: Kankkunen e Toyoda felizes pela vitória de Takamoto


A Toyota continua exultante pela vitória inédita de Takamoto Katsuta, no Safari Rally Kenya, e apesar da "debacle" de sábado, onde três dos seus cinco carros tiveram de abandonar, derrotados pelas horríveis condições de estrada, não deixaram de celebrar aquilo que foi a segunda vitória de um piloto japonês num rali oficial, quase 34 anos depois de Kenjiro Shinozuka, que ganhou em 1992 o rali da Costa do Marfim, num Mitsubishi Galant VR-4. E os dirigentes da Toyota Gazoo Racing, Juha Kankkunen, o diretor-adjunto, e Akio Toyoda, o presidente, mostraram essa felicidade.  

No comunicado oficial da marca, Kankkunen mostrava-se feliz por este inédito triunfo, fazendo recordar velhos triunfos - foi no Safari que obteve a sua primeira vitória no WRC, em 1985 - e admitindo que ver três dos seus carros desistirem no sábado foi quase um sintoma de desastre.

Toda a equipa está muito feliz por ver Takamoto e Aaron vencerem este rali. Eles estiveram perto tantas vezes e realmente merecem esta vitória. Taka é um grande piloto e ver um piloto japonês vencer novamente um rali do WRC é muito bom para nós.", começou por afirmar. 

"O Rali Safari foi também a minha primeira vitória no WRC, há 41 anos, e é algo muito especial conquistá-la numa prova tão difícil. Este foi o Safari mais difícil que vimos desde que voltou ao calendário, e foi um fim de semana de altos e baixos para nós. Ter três carros a abandonar ontem foi um desastre, mas o Oliver [Solberg], o Seb [Ogier] e o Elfyn [Evans] esforçaram-se bastante e saíram-se bem hoje para garantir o máximo de pontos para a equipa no domingo."

Do lado da direção. Akio Toyoda era também uma pessoa feliz por ver o segundo piloto japonês a ganhar uma prova do WRC, e espera que isto seja um bom augúrio para o rali do Japão, que acontecerá no final de maio.

Sempre tive a esperança de que um ‘piloto de ralis japonês capaz de vencer no palco mundial’ se tornasse um dia uma inspiração para as crianças no Japão.", começou por dizer. "Quando há alguém para admirar, as crianças e os jovens esforçam-se por superá-lo. Crianças e jovens que se dedicam a superar Takamoto elevam o nível do desporto automóvel no Japão. Esta vitória tornou-se um presente verdadeiramente grandioso para estes jovens japoneses. Obrigado, Takamoto!" continuou.

"Desejo que Takamoto se torne uma fonte ainda maior de admiração, e podemos esperar mais um espetáculo no Rali do Japão! Por outro lado, submetemos as nossas outras equipas a um rali difícil. Podemos aprender com esta experiência no Safari e usá-la para levar todos juntos de volta ao pódio da próxima vez. Estou confiante de que a equipa conseguirá.”, concluiu.

O WRC continuará a sua marcha a meio de abril, nas estradas da Croácia, na primeira de três ralis em asfalto que existem no calendário. 

Noticias: WRC de regresso às ilhas britânicas em 2027


O WRC regressará às ilhas britânicas em 2027, com uma prova na Escócia. O anuncio foi feito nesta segunda-feira, e este regresso está sujeito à aprovação por parte da FIA. Feito em parceria com a Motorsport UK, o acordo será por três temporadas, e o seu quartel-general será em Aberdeen, no leste do país. Este regresso acontece depois de oito anos de ausência, desde a última edição do Rally Wales, em 2019.

Simon Larkin, Diretor Sénior de Eventos da WRC Promoter, afirmou, na apresentação, a felicidade de poder ver de novo um rali em terras britânicas:Desde a última vez que o WRC visitou o Reino Unido em 2019, a Motorsport UK e a WRC Promoter trabalharam em estreita colaboração para encontrar o caminho certo para o seu regresso. Só temos elogios para a determinação e o trabalho árduo demonstrados pela Motorsport UK para dar vida a este projeto.", começou por afirmar.

Estamos muito satisfeitos por trabalhar em conjunto com o Governo Escocês e as autoridades locais parceiras para ver esta iniciativa entusiasmante concretizada – algo que beneficiará muitos, especialmente os apaixonados fãs de ralis em todo o Reino Unido.”, concluiu.

Para Malcom Wilson, agora o Vice-Presidente Desportivo da FIA, este é um regresso saudado: “Este é um anúncio importantíssimo para o Campeonato Mundial de Ralis da FIA, que demonstra claramente a direção positiva que estamos a tomar. O Reino Unido tem uma herança e uma paixão incríveis pelo nosso desporto, e o regresso de um evento emblemático do campeonato mundial à Escócia é o início do próximo capítulo desta longa história”, começou por declarar.

"Ao entrarmos numa nova era para o WRC em 2027, com novos regulamentos, carros mais acessíveis e mais equipas a competir na ponta, é fantástico ver o interesse dos organizadores, dos governos e, claro, dos fãs em realizar novos eventos do WRC. Juntamente com a Motorsport UK, a WRC Promoter e os organizadores locais, estamos muito ansiosos por tornar estes planos realidade.

David Richards, presidente da Motorsport UK e fundador da Prodrive, afirmou: “O rali sempre teve um lugar especial na história do desporto automóvel britânico e, para mim, pessoalmente, tem sido uma parte enorme da minha vida. Tive o privilégio de viver o Campeonato do Mundo de Ralis a partir de dentro de um carro de ralis e sei o quão única pode ser a atmosfera de um rali no Reino Unido — as florestas, os fãs e a extraordinária comunidade de voluntários e clubes de automobilismo que tornam estes eventos possíveis."

É por isso que ver o campeonato regressar ao Reino Unido é tão significativo. O WRC Rally Scotland trará os melhores pilotos do mundo de volta aos troços britânicos, mas será mais do que um rali. É uma oportunidade para mostrar a paixão da nossa comunidade de ralis e demonstrar como o desporto automóvel pode contribuir para a inovação, a sustentabilidade e inspirar a próxima geração a envolver-se no nosso desporto.”, concluiu.


Apesar de ainda não se saber se isto representa um alargamento do calendário - neste momento tem 14 ralis e há planos para um rali nos Estados Unidos - os organizadores esperam que o rali aconteça no inicio do outono. 

domingo, 15 de março de 2026

As imagens do dia








Há 45 anos, a Formula 1 começava - de verdade - nas ruas de Long Beach. Por causa do calendário desenhado por Bernie Ecclestone, iria ser a primeira vez que começaria e terminaria em pistas americanas. Irá ser a única vez que começaria em Long Beach - dali a uma década, iria abrir as hostilidades em Phoenix, outra pista de rua.

Contudo, numa corrida ganha com dobradinha pelas Williams, com Alan Jones a levar a melhor sobre Carlos Reutemann, com Nelson Piquet a ser terceiro, há três estórias de três pilotos que merecem ser faladas. A primeira é a do "poleman", Riccardo Patrese.

O italiano da Arrows tinha conseguido tirar um pequeno milagre quando conseguiu tirar um tempo nove milésimos de segundo mais veloz que Alan Jones. E claro, deu à equipa a sua primeira pole-position da sua carreira e claro, da do piloto. E foi algo tão incrível que ele mesmo nem queria acreditar, no final da qualificação.  “Foi uma surpresa para mim anotar a pole e começar à frente de Jones. Aliás, acho que foi uma surpresa para todos”, disse um espantado Patrese, no texto publicado em 15 de março de 1981, no jornal Reading Eagle, do estado da Pensilvânia. “Nós estamos mais lentos do que no ano passado, porque não temos mais o efeito-solo. Mas o tempo anotado hoje (sábado) foi inesperado. Nós ficamos cerca de 1,5 segundos atrás das marcas de 1980 – o que não é tão lento assim”, analisou o italiano. 

Em contraste, o seu novo companheiro de equipa, o seu compatriota Siegfried Stohr, foi quatro segundos mais lento, e não se qualificou.

Na partida, Patrese conseguiu ditar o ritmo do primeiro pelotão, mesmo com a tentativa de Gilles Villeneuve de passar para a liderança, com uma travagem bem além do limite. Nas voltas seguintes, teve Carlos Reutemann nos seus calcanhares, mas o italiano tinha tudo controlado. Mas na volta 24, ele subitamente perdeu rendimento, e foi passado pelos dois Williams. Primeiro Jones - que aproveitou um erro de Reutemann para ficar com o segundo posto, algumas voltas antes - depois "Lole", que não teve dificuldades em ficar com o segundo lugar. 

Duas voltas depois, foi às boxes, perdeu uma volta, para tentar identificar que problema tinha. Tiraram a cobertura do motor, não viram nada de especial, regressou à pista, mas na volta 31, Patrese recolheu seu Arrows de forma definitiva, pois tinha problemas no sistema de combustível. Era fim do sonho para o piloto padovano.

Por essa altura, quem subia na classificação era o Alfa Romeo de Mário Andretti, que, conhecedor e vencedor na pista californiana, estava a adaptar-se ao seu novo carro. É que isto era a sua corrida de estreia pela equipa italiana, depois de cinco temporadas na Lotus, a última das quais ele conseguiu apenas um ponto. Aos 41 anos, e ele a querer também correr nas 500 Milhas de Indianápolis, ele decidiu correr com o coração, porque a alternativa era correr pela... McLaren.

Mas nesta corrida, as coisas estavam a correr bem. Andretti partia de sexto na grelha, e andava na batalha por pontos com o Ferrari de Didier Pironi - na sua primeira corrida pela Scuderia - e o Tyrrell de Eddie Cheever - também na sua primeira corrida, mas pela Tyrrell. Andretti passou o seu compatriota na volta 43, e nas voltas seguintes, partiu para a luta pelo quarto posto com o francês, trocando de posições por algumas vezes, até que na volta 54, Pironi começa a ter problemas com o seu sistema de combustível e desiste da luta pelo quarto posto. E depois, ainda perde pontos, quando é passado por Cheever. O francês acabaria por desistir na volta 67.

O lugar final foi uma batalha, no qual quem levou a melhor foi Patrick Tambay. E de uma certa forma, foi o celebrar de um regresso, não só dele, como do seu patrão, Teddy Yip, à Formula 1. A mesma pessoa que lhe deu a sua primeira chance na Formula 1, no ano de 1977. 

No final de 1979, depois de uma temporada sem pontos na McLaren, Tambay decidiu ir para os Estados Unidos, onde tinha mais chances. Na ressuscitada Can-Am, que tinha voltado em 1977, com antigos chassis de Formula 5000, com painéis a cobrir as rodas, Tambay acaba sendo campeão em 1980, numa competição inesperadamente... competitiva (passe a redundância), contra gente como Keke Rosberg, Jacky Ickx e a armada americana, como Al Unser e Al Holbert, recebe a noticia do regresso à Formula 1 com esperança de mostrar que ainda não estava acabado. Afinal de contas, fora com Teddy Yip que, ao volante de um chassis Ensign, conseguiu cinco pontos em 1977...

Yip tinha comprado o que restou da Shadow em 1980, e tirou os carros da pista a meio desse ano, para poder concentrar-se na temporada seguinte. Tinha um novo chassis, o TY01, e o piloto conseguiu um decente 17º posto na grelha, na frente de, por exemplo, René Arnoux, no seu Renault Turbo, ou os McLaren de John Watson e Andrea de Cesaris

Tambay fez uma corrida a aproveitar os abandonos na sua frente, e tentava não perder muito tempo para os primeiros classificados, evitando os muros e esperando que o carro chegasse ao fim, sem forçar muito a máquina. No final, mesmo com o Ensign de Marc Surer e o Fittipaldi de Chico Serra não muito longe dele, conseguiu algo que já não obtinha desde o GP de Watkins Glen de 1978: pontos. E também como na outra pista americana, tinha acabado em sexto lugar. De uma certa forma, ambos sairiam de Long Beach felizes porque a aposta tinha compensado.