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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Noticias: Antonelli vai ser penalizado em Itália


A pouco menos de duas semanas do seu GP caseiro, Andrea Kimi Antonelli, o líder do campeonato, poderá ter de partir do fundo da grelha. É que ele terá uma penalização relacionado com a unidade motriz do seu Mercedes.

A marca alemã decidiu que Antonelli irá ter uma nova unidade motriz em Monza, e como já atingiu o seu limite permitido, e por isso, terá uma penalização de dez posições. 

Toto Wolff disse que a decisão foi tomada de forma consciente, e também foi por estratégia, por causa dos seus problemas em Barcelona e Silverstone, que resultaram em abandonos. 

Em teoria, os nossos cálculos dizem que [Monza] é a melhor pista para a assumir [a penalização]. Obviamente os nossos algoritmos não têm em consideração a nacionalidade.”, começou por explicar. “Mas isto é uma luta pelo campeonato e não para conseguir a melhor imagem pública. Por isso é isso que vamos fazer.” 

A decisão é um golpe para aqueles que gostariam de ver Kimi Antonelli vencer em casa - não há italianos a ganhar em Monza desde... 1966 - mas Wolff disse que a prioridade da equipa está focada no objetivo desportivo, e não na percepção pública da decisão, apesar de ele ser o primeiro a assumir que uma penalização numa corrida em casa não seria a situação ideal para Antonelli.

domingo, 26 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 11, Hungaroring (Corrida)


Passaram quarenta anos desde que a Formula 1 visitou pela primeira vez terras húngaras e não mais saiu dali, e agora, com uma pista cada vez mais entrincheirada no calendário - apesar de ser lenta e algo travada - a pista está cheia para acolher máquinas e pilotos, num país transformado. Afinal de contas, em 1986, a Hungria estava atrás da Cortina de Ferro...  

O tempo está agradável em Budapeste, um tempo de verão, com autódromo cheio de gente, asfalto quente (52ºC) baixas chances de chuva, e os pilotos iriam partir para as 70 voltas seguintes com pneus médios, preparando-se para duas paragens. as excepções eram os Ferrari, que largaram com moles, se calhar, para serem os primeiros a pararem.


Na partida, Norris defendeu-se de Piastri, mas Max subia para terceiro. O australiano foi mais ousado, e algumas curvas depois, ele ficou no comando da corrida. Depois vinha Max, os Ferrari, com Hamilton a defenmder-se dos ataques de Lelcerc, e Antonelli vinha logo a seguir. Russell partiu muito mal e tinha caído para o fundo do pelotão.

Nas voltas seguintes, os McLaren começaram a distanciar-se de Max Verstappen, que por sua vez, estava a aguentar os Ferrari, que o queriam passar para resolver o problema e tentar evitar que fugissem de forma definitiva. Muito atrás, na 13ª posição, George Russell continuava a sua recuperação. Na volta onze, Hamilton chegou a perguntar se não deveria mudar a estratégia para tentar passar dessa maneira o neerlandês da Red Bull. Do qual recebeu uma resposta negativa. No meio disto tudo, Russell continuava a subir posições, até à 11ª, mas algo longe de Nico Hulkenberg, da Audi, e o último piloto na zona dos pontos. 

Mesmo assim, Hamilton foi às boxes na volta 14, e colocou duros, tentando ficar na pista o maior tempo possível. Regressava à pista na nona posição, e esperava ter saído melhor que a concorrência. Durou algumas curvas até passar o Racing Bulls de Arvid Lindblad, para ser oitavo. Na volta seguinte, Max foi às boxes, trocou para duros, também, e na saída para a pista, Hamilton conseguiu ser mais rápido que o piloto da Red Bull, e conseguiu o "undercut". 

Contudo, logo a seguir, Max fez uma excelente manobra para passar Liam Lawson... e Lewis Hamilton, para ser sexto e sobretudo, passar o piloto da Ferrari, o seu rival direto nesta corrida. Bem interessante!

Oscar Piastri e Charles Leclerc pararam ao mesmo tempo, na volta 17, colocando duros, com Piastri a sair melhor, e o comando da corrida ficar nas mãos de Lando Norris. Mas isso durou apenas uma volta, porque o piloto da McLaren foi às boxes trocar de pneus. Durou 3.2 segundos, e na saída Piastri conseguiu passá-lo, com pouco mais de meio segundo de diferença. No comando está agora Kimi Antonelli, na frente de Isack Hadjar. E no meio disto tudo, Russell era agora oitavo, nos pontos.

Antonelli só foi às boxes na volta 23, para colocar duros e regressar à pista na sexta posição, mais de cinco segundos na frente de George Russell, que ainda não tinha parado. Ele só pararia na volta 28, para colocar duros e regressar na nona posição. Três voltas depois, na 31ª passagem pela meta, Hamilton regressava ás boxes para colocar mais um jogo de duros, regressando à pista na sétima posição. 


Na frente, Piastri comandava, mas estava a ser assediado por Norris. Max não estava muito longe, a pouco mais de dois segundos e meio, e logo a seguir, na volta 35, Oscar Piastri trocou também de pneus, para outro jogo de duros, regressando em quinto. Duas voltas depois, na 37, foi a vez de Leclerc parar pela segunda vez. 

Na volta 39, algo insólito: Oscar Piastri estava a passar alguns pilotos atrasados, entre eles o Williams de Carlos Sainz Jr, quando o piloto espanhol manobrou como se o australiano não estivesse ali. O choque foi inevitável, houve alguns danos, mas poderia ter sido muito pior. Quase ao mesmo tempo, Lando Norris ia às boxes, e voltava na frente de Piastri, para fúria do australiano. Max foi na volta 42, com o neerlandês a colocar moles e a regressar em quinto, atrás de Hamilton.

A partir daqui, isto se tornou numa luta entre Lando Norris e Andrea Kimi Antonelli. Primeiro ao longe, mas depois começou a ficar mais perto. Contudo, na volta 56, as atenções viraram para Oscar Piastri, que ficou sem caixa de velocidades, e parou de forma definitiva. Safety Car Virtual, e boa parte do pelotão foi às boxes para a sua terceira e última paragem nas boxes. Norris, Hamilton, Leclerc, Gasly e mais alguns outros, boa parte dos quais com moles, para acelerarem até ao final.

No regresso à pista, ainda em Safety Car Virtual, Hamilton ia rápido demais para ver se não era passado por Antonelli, mas quando regressou à pista, aparentava estar em excesso de velocidade, e teria de fazer uma de duas coisas: cedia a posição, ou teria uma penalização de cinco segundos. Ele escolheu ceder. 

A dez voltas do final, Norris tinha Max sob controlo, a cerca de seis segundos, mas a luta que interessava era entre Antonelli e Hamilton, pela terceira posição. O britânico, com moles, tentava passar o jovem piloto da Mercedes, que tinha duros, mas ele resistia. Pouco depois, Hamilton soube que tinha uma penalização de cinco segundos, logo, mesmo que o passasse, teria sido uma batalha inutil.

Mas até à meta, Lando Norris tinha uma corrida sem problemas, não só se distanciando de Max, como acabaria por triunfar pela primeira vez na temporada, fazendo com que a McLaren fosse a terceira equipa vencedora em 2026. Max tinha novo pódio, o quarto da temporada, enquanto Antonelli tinha tudo sob controlo, na frente dos dois Ferraris, com Leclerc em quarto, por ter puxado pelo carro para ficar a menos de cinco segundos do seu companheiro de equipa. 

E por curiosidade: os Aston Martin, com a sua versão B e sem as novas atualizações do motor Honda, acabaram em 13º e 14º, na frente dos Williams, dos Haas, dos Cadillacs, e com um Alpine atrás dele. Imagine-se como será depois de Zandvoort, quando tiverem a nova evolução do motor japonês... 


Agora, Antonelli tem 50 pontos de vantagem sobre Hamilton, o que implica que ele será campeão no fim de semana de Las Vegas. Não sei se será apropriado ele ganhar ali, num país onde, por exemplo, para beber, precisa de ter 21 anos... a não ser que no Nevada, a idade seja mais baixa. 

Depois de Hungaroring, são quatro semanas de férias até Zandvoort, e ver como será a segunda parte do campeonato.      

sábado, 25 de julho de 2026

Notcias: Hamilton e Antonelli penalizados depois da qualificação


A qualificação não acabou depois da bandeira de xadrez no GP húngaro. Os comissários decidiram ser rigorosos e depois de analisarem as imagens, aplicaram sanções a Lewis Hamilton, da Ferrari, e Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, em três lugares cada um devido a infrações. No caso do britânico, ele impediu o australiano Oscar Piastri na sua volta rápida, e quanto a Antonelli, este foi castigado com uma penalização de três lugares na grelha, depois de se descobrir que desrespeitou as bandeiras amarelas no final da Q3.

Com isto, Hamilton, que tinha sido segundo, cai para quinto, enquanto Antonelli, que tinha conseguido o quarto melhor tempo, irá agora largar de sétimo.

A penalização de Lewis Hamilton acontece quando o piloto da Ferrari reduziu significativamente a velocidade na trajetória ideal na aproximação à curva 1, enquanto Piastri vinha em volta lançada. A Ferrari não terá avisado Hamilton a tempo da aproximação do australiano, e o piloto da Ferrari explicou que só recebeu a mensagem quando Piastri já estava demasiado perto e que não o conseguiu ver nos espelhos. O australiano foi forçado a sair largo e a abortar a volta, o que levou os comissários a concluírem que Hamilton o tinha impedido de forma desnecessária. 

No comunicado oficial, os comissários descreveram o incidente e aplicaram a penalização devida:

Os comissários ouviram o piloto do carro número 44 [Lewis Hamilton], o piloto do carro número 81 [Oscar Piastri], os representantes das equipas, e analisaram as imagens de vídeo, a telemetria, as comunicações de rádio da equipa e as imagens de vídeo do interior do carro.", começaram por referir.

"Na aproximação à Curva 1, o carro 44 circulava a uma velocidade significativamente reduzida na trajetória de corrida, enquanto o carro 81 se aproximava numa volta rápida. O piloto do carro 44 explicou que tinha acabado de completar uma volta rápida e que não recebeu a mensagem de rádio da equipa relativa à aproximação do carro 81 até que este já se encontrasse muito próximo. Afirmou ainda que, devido ao posicionamento do seu carro na pista, o carro 81 não era visível nos seus espelhos retrovisores. O carro 81, que se encontrava numa volta lançada, foi forçado a tomar medidas evasivas, saindo da pista e sendo obrigado a abortar a volta."

"Após examinarem as provas disponíveis, os Comissários determinaram que o carro 44 impediu desnecessariamente o carro 81 durante a qualificação. De acordo com o Regulamento da FIA de Fórmula 1 e as diretrizes de penalização estabelecidas para este tipo de infração na qualificação, os Comissários impõem uma penalização de três lugares na grelha de partida ao piloto do carro 44″, concluiu.


No caso de Antonelli, o incidente ocorreu na última curva, onde Max Verstappen tinha feito um pião, ficando parado na escapatória. Os comissários concluíram que Antonelli não abrandou o suficiente ao passar pelo carro imobilizado do neerlandês, razão pela qual lhe foi aplicada a sanção. E isso agravou a situação, pois ele irá cair de quarto para sétimo, ao mesmo tempo que George Russell, que foi sétimo, acabou por parar na pista quando fazia a volta de regresso às boxes, por causa de um problema na unidade motriz que vai levar à troca do motor de combustão interna.

No comunicado oficial, os comissários justificaram a penalização desta forma, reconhecendo, porém, que Antonelli abrandou - não o suficiente - logo, apenas aplicaram uma penalização de três lugares, em vez das cinco que acreditavam que deveria receber:

"Os comissários ouviram o piloto do carro numero 12 [Kimi Antonelli], o representante da equipa, o Diretor de Corrida da FIA de F1 e o Diretor Desportivo do Departamento de Monolugares da FIA, e analisaram os dados do sistema de posicionamento e orientação, imagens de vídeo, cronometragem, telemetria e imagens de vídeo do interior do carro.", começaram por afirmar.

"O piloto do carro 12 afirmou que, ao avistar a bandeira amarela e o painel luminoso, tirou o pé do acelerador mais cedo do que na sua volta de ataque anterior. Isto foi confirmado pela telemetria. No entanto, a redução da velocidade ocorreu durante um período muito curto e, na verdade, a velocidade do carro ao passar pelo local do incidente envolvendo o carro 3 [Max Verstappen] era ligeiramente superior à da volta de ataque anterior."

"O tempo no minissetor foi apenas 0,03 segundos mais lento do que o seu melhor tempo para esse minissetor, e, embora, por ter tirado o pé do acelerador 16 metros mais cedo, estivesse 14 km/h mais lento ao entrar no setor da bandeira amarela, estava 3 km/h mais rápido ao passar pelo local do incidente, devido a uma menor utilização dos travões ao entrar na curva. Os representantes da FIA observaram que a redução de velocidade no minissetor foi inferior a um por cento."

"Os Comissários consideraram que este incidente era diferente de outros incidentes que não deram origem a quaisquer medidas adicionais, porque, ao contrário desses casos, não houve uma diferença significativa de velocidade ao longo do mini-setor em comparação com o tempo mais rápido anterior do piloto em circunstâncias semelhantes."

"A sanção recomendada, de acordo com as diretrizes de sanções, para esta infração, é uma queda de cinco posições na grelha de partida. No entanto, como circunstância atenuante, considerámos que o piloto reduziu a velocidade, embora, na nossa avaliação, essa redução tenha sido insuficiente e não sustentada. Além disso, o piloto dispunha de tempo e distância limitados para reagir. Por conseguinte, é aplicada uma sanção mais leve”, concluiu.

domingo, 19 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 10, Spa-Francochamps (Corrida)


A visão de Spa-Francochamps, uma das clássicas da Formula 1 - participou na edição inaugural  da competição, em 1950 - faz contentar os fás da modalidade. Uma pista grande, cheia de altos e baixos, num lugar florestado e com tempo instável, parece ser um paraíso da imprevisibilidade automobilística. Contudo, isso parece estar em vias de extinção. Com a obsessão da FIA e da FOM pela segurança, os pneus da Pirelli a não serem grande coisa - e a proibição da guerra de pneus - e a própria atmosfera daquela região das Ardenas, muito húmida, sempre que haverá aqueles momentos chuvosos, irão adiar para as calendas gregas. 

Sorte deles, este final de semana, apesar de alguns avisos, tal não acontecerá. Apesar do céu nublado, as chances de chuva eram pequenas.  

E pela frente temos uma corrida de 44 voltas, com os pilotos a poderem parar uma vez, pelo menos. E um tempo de verão faz com que as chances de chuva são quase mínimas. E os da frente decidem ir de médios, porque à partida, farão uma paragem durante a corrida. E também é a escolha dos que foram penalizados, porque querem beneficiar da sua durabilidade... e quem sabe, alguma situação de Safety Car durante a corrida...


Na partida, Antonelli larga bem e começa a ser atacado por Max Verstappen e passou-o na chegada a Eau Rouge. Mas pouco depois, na Radillon, a confusão: Hamilton e Russell tentaram lutar por posição e em Les Combes, acabou na relva, acabando por saior de pista. Com isto tudo, Leclerc era segundo, Antonelli tinha ganho velocidade suficiente para passar o neerlandês da Red Bull, e Max tinha caído para terceiro.

No final da primeira volta, tínhamos o Safety Car na pista, alguns pilotos, como Valtteri Bottas e Esteban Ocon, tiveram de ir às boxes para trocar de pneus, enquanto os que podiam, viam nos seus dispositivos móveis como é que Russell acabou a sua corrida na primeira volta e se Hamilton tinha alguma culpa nisso.

A corrida regressou à ação na volta cinco, com Hamilton e Piastri a lutarem pela quarta posição, enquanto Antonelli mantinha a liderança. O britânico da Ferrari chegou a ficar com o lugar, mas o australiano da McLaren respondeu e recuperou a posição. um pouco atrás, Lando Norris começava a subir posições, entrando nos pontos, na nona posição. Pouco depois, um pouco mais à frente, Max queria apanhar Leclerc e começou a usar energia para apanhar o monegasco da Ferrari, e lá conseguiu, no inicio da sexta volta.

Max queria apanhar Antonelli, e a volta mais rápida mostrava isso, mas Antonelli mantinha a energia e o sangue-frio para o manter à distância. Atrás, Leclerc tinha Piastri e Hamilton atrás dele, o australiano tentou passá-lo na volta oito, mas houve contacto entre ambos, suficiente para haver destroços. Na volta seguinte, Hamilton conseguiu passar o piloto da McLaren e ficou com a quarta posição.

Na décima volta, os comissários decidiram atribuir uma penalização de cinco segundos a Hamilton por causa da colisão com Russell na primeira volta, e que seria cumprido quando ele fosse às boxes. Atrás, Lando Norris subia posição atrás de posição, para evitar que ele deixasse que os da frente escapassem. Passava Arivd Lindblad na volta 12, e era sexto, a menos de 13 segundos da liderança, e com pneus duros, ou seja, tentaria ficar na pista o maior tempo possível.

As primeiras paragens nas boxes foram com o Alpine de Pierre Gasly, seguido pelo Williams de Carlos Sainz Jr, ambos na volta 14, com Franco Colapinto e Liam Lawson a fazerem o mesmo duas voltas depois, todos a colocarem duros, e a mesma coisa aconteceu com Arvid Lindblad na volta 17, para fazer a mesma coisa. 

Max foi o primeiro da frente a parar, na volta 18, para colocar duros, quando pouco depois, o Safety Car Virtual saiu à pista, para que os comissários pudessem limpar destroços. Kimi Antonelli foi às boxes, quase batia no muro, colocava duros, e saía em quinto, atrás dos Ferrari e dos McLaren. Que iria trocar de posições na volta 20, quando Lando Norris passou Oscar Piastri para ser terceiro. O australiano reagiu e voltou ao lugar e foi bem a tempo, pois o Safety Car Virtual saiu de novo, para que os comissários pudessem limpar os destroços perto nas boxes.

Leclerc, Hamilton e Piastri aproveitaram a ocasião para irem às boxes, bem como Hadjar e os Audi também foram. Nesta confusão, o McLaren de Norris era o primeiro, na frente de Leclerc e Antonelli, e na paragem de Hamilton, um dos seus mecânicos tropeçou e ficou magoado, mas sem grandes consequências. 


No meio da corrida, Norris, agora na frente, aguentava as investidas de Leclerc, com Antonelli perto deles e Max a seguir. Hamilton, no meio disto tudo, era sexto, depois de cumprir a sua penalização. Na frente, Leclerc estava a apanhar o piloto da McLaren e conseguiu passá-lo, para ficar com a liderança. Antonelli apanhou-o logo a seguir, na volta 26, e o piloto da Mercedes ficou com o segundo lugar. Norris era terceiro, mas logo a seguir Max aproximou-se, e na volta 29, era passado. Aqueles pneus duros já perdiam a sua eficácia... na volta 31, ele foi às boxes, trocando para médios. A troca foi lenta, e ele caiu para oitavo. 

Nessa altura, Antonelli tentava apanhar Leclerc e nesta altura já estava a menos de dois segundos do piloto da Ferrari. O italiano passou as voltas seguintes a aproximar-se, usando a energia do seu carro para o apanhar, enquanto o monegasco preparava-se para defender, de forma agressiva, se fosse preciso. Contudo, quando Antonelli ficou com o comando, na volta 34, não houve grande reação de Leclerc... naquele momento, porque pouco depois, o monegasco tentou reagir, apanhando-o.

E tudo isto com ambos a mais de sete segundos de Max, que era terceiro. 

Na parte final, Antonelli aguentou a investida de Leclerc, afastando-se ligeiramente, mas decisivamente, do piloto da Ferrari, enquanto no quarto posto, Piastri aguentava Hamilton o mais que podia, até que na volta 40, o veterano passou o piloto da McLaren na reta Kemmel para ser quarto. 

Na bandeira de xadrez, Antonelli conseguia a sua sexta vitória na temporada, e melhor ainda, com o seu companheiro e rival Russell de fora, serão mais 25 pontos que consegue, nesta luta pelo campeonato. Mais um pódio para Leclerc, e sobretudo, para Max, que bem precisa numa temporada onde o seu Red Bull não é o melhor carro do pelotão. Nem o segundo ou o terceiro melhor...


Agora, a tenda irá se desmontar rapidamente, porque no próximo fim de semana, estarão em Budapeste para um último espectáculo antes das férias do verão. 

domingo, 5 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 9, Silverstone (Corrida)


Ainda não chegamos à metade da temporada, mas é bom ver a Formula 1 chegar a mas um clássico do automobilismo, mais de 75 anos depois do seu começo, mesta pista, e no ano do centenário do primeiro GP da Grã-Bretanha, que aconteceu em Brooklands, o primeiro circuito permanente do mundo, que sendo construído por aristocratas que tinham horror pelo odor popular, tinham o seguinte lema: "a gente certa, sem enchentes". Um pouco classista, não acham?

Mas agora, em 2026, a Formula 1 deseja as bancadas cheias de espectadores, porque é o sinal do sucesso, e não quer saber a sua origem social, porque o que importa é terem o dinheiro para pagar o bilhete e gastá-lo nas bancas ao lado das bancadas, não se importando que partes do corpo vendeste para ver ao vivo e a cores Lewis Hamilton, George Russell, Lando Norris ou Kimi Antonelli, Max Verstappen e Charles Leclerc. Aliás, havia uma bancada só para ver Norris, com o padrão do seu capacete e o amarelo vivo nos seus bonés! 

Antes de partir, sabia-se os pneus que iriam usar: todos começariam com médios, e uma só paragem até ao final. 


Na partida, Kimi Antonelli não largou bem, e foi o suficiente para ser engolido pelos Ferrari. Primeiro Leclerc, depois Hamilton, e em três curvas, o líder do campeonato era terceiro. Russell era quarto, mas tinha de aguentar a investida de Isack Hadjar, quinto e com vontade de passar o piloto da Mercedes. No fundo da tabela, Alex Albon tocou na traseira de Ollie Bearman e tinha o bico danificado, indo às boxes e regressando no fim do pelotão.

Nas voltas seguintes, os Mercedes tentaram recuperar o tempo perdido, especialmente Kimi Antonelli, o melhor dos Flechas de Prata naquele momento. Na volta 11, o piloto italiano conseguiu passar Hamilton para ser segundo classificado. 

O primeiro a parar para trocar de pneus foi Piastri, que colocou duros e regressou no fundo do pelotão, ao mesmo tempo que Alex Albon. Na frente, os Ferrari pareciam controlar os Mercedes, com Lecelrc a estar na frente de Antonelli, numa distância que há roçava os cinco segundos, com Hamilton e Russell a não estarem muito longe. O segundo piloto da Mercedes nesta altura, estava a ser pressionado fortemente por Max Verstappen, colado à sua traseira, mas não estava perto o suficiente para o atacar. Max conseguiu passá-lo na volta 18, antes de ir para as boxes, trocar para duros, mostrando que iria ir até ao fim.

Na volta 22, o Safety Car Virtual foi acionado por causa de... um guarda-chuva (tipicamente britânico...), mas demorou apenas uma volta, enquanto Russell e Hamilton foram ás boxes na volta 24, com o britãnico da Ferrari a queixar-se porque ele achava que os seus pneus ainda estavam bons. Duas voltas depois, e a meio da corrida, Leclerc foi às boxes colocar duros, deixando Antonelli na liderança, com 17 segundos de vantagem sobre o monegasco, com Lando Norris em terceiro, quatro segundos mais abaixo.


Nesta altura, Hamilton estava na traseira de Russell e determinado em passá-lo, apesar de ambos estarem a lutar pela quinta posição. E enquanto faziam isso, aproximavam-se da traseira de Max Verstappen, o quarto classificado. Os três iriam ganhar um lugar na volta 29 quando Lando Norris ia às boxes para colocar duros, caindo para sexto. Instantes depois, Hamilton apanhou Russell para o passar na curva Copse, mas o piloto da Mercedes resistiu na curva Maggots, conseguindo ficar com o quarto posto. Mas na curva 32, Hamilton ia voltar a atacá-lo, mas Russell resistia. Tudo isto nas traseiras de Max Verstappen.  

De repente, Russell foi avisado que sofria de um furo lento quando começava a esboçar ultrapassagens a Max Verstappen, e na volta 35, ia às boxes para trocar o pneu danificado, abandonando a luta, especialmente pelo lugar do pódio entre Max e Hamilton. Mais recordações de 2021 estão a aparecer na memória... 

Na volta seguinte, por fim, Kimi Antonelli foi às boxes para colocar os seus pneus, perdendo a liderança para Leclerc. Ele regressava à pista com sete segundos para recuperar e 17 voltas para o apanhar. Um pouco mais atrás, Hamilton começou a pressionar Max porque queria o seu lugar no pódio, e sabendo que os pneus traseiros daquele Red Bull já não estavam tão bons. O piloto da Ferrari conseguiu o que queria na volta 39... e foi bem a tempo, porque entretanto, o Audi de Nico Hulkenberg ficava parado na pista, e o Safety Car Virtual era novamente acionado. 

Norris e Hadjar foram à boxes trocar de pneus, bem como Max, e todos metiam médios. Hamilton estava agora mais tranquilo no terceiro lugar, enquanto Antonelli estava na disposição de apanhar Leclerc, e a 12 voltas do final, o italiano já estava a quarto segundos do monegasco.

Mas na volta 42... um golpe de teatro. Antonelli queixava-se de problemas no carro - parecia um problema de direção - e depois de uma paragem nas boxes, ele regressava na sexta posição. No regresso, tentava manter o carro na pista, mas depois de ter saído, e com dificuldades em manter o ritmo, ia novamente nas boxes para tentar resolver o problema. Regressou à pista na décima posição, com o objetivo de terminar nos pontos, mas Antonelli continuava a queixar-se de que o problema era mais fundo.

Na frente, a Ferrari estava a ter uma tarde gloriosa: Leclerc na frente de Hamilton e mais de vinte segundos de diferença entre os dois, e ambos a controlarem Max Verstappen. 


Mas a quatro voltas do fim, novo golpe de teatro na corrida: Max sai de pista a alta de velocidade na curva Stowe, e o Safety Car não era virtual, era real. A Red Bull disse depois que tinha sido por causa de um problema na asa traseira, e pediu desculpas a Max. Todos iriam se juntar para as quatro voltas finais. Alguns pilotos iam às boxes para trocar os seus pneus uma segunda ou terceira vez, colocando... moles, e na saída das boxes, Russell, que tinha ficado na pista, era segundo, na frente de Lewis Hamilton, que tia colocado novo jogo de pneus. 

A ideia era que o Safety Car saísse na volta final, mas... isso não aconteceu. Depois de tantos problemas em alguns dos carros da frente, e das brigas por posição, o final é anti-climático. Charles Leclerc ganhou a sua primeira corrida desde 2024, e Kimi Antonelli acabou por ser penalizado em cinco segundos por causa dos seus "corta-matos" - ignorando os comissários que ele tinha problemas, não ganhava nada com isso - e caia para fora dos pontos por causa do ajuntamento. 

Russell ganhava pontos com este final - ironicamente, ele tinha tido problemas antes disto tudo acontecer - e no final da corrida, a FIA explicou toda esta confusão: o regulamento fala que é preciso dar uma volta inteira depois que deixarem passar os retardatários, e a mensagem de que a corrida seria reiniciada foi um erro de sistema. Enfim... se calhar não seria má ideia ou colocar a bandeira vermelha, por ter acontecido a menos de cinco voltas da corrida, ou então, ir à Formula E e copiar os seus regulamentos neste capitulo, que acrescentam algumas voltas extra. Enfim...


Agora, são duas semanas até Spa-Francochamps, e mais duas corridas até à paragem de verão. E tudo isto com os cinco primeiros separados por 83 pontos. Nada mau, para uma temporada que se temia aborrecida!

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Youtube Formula One Video: George Russell estará acabado?

O Josh Revell acha que sim. Eu, sinceramente, acho que há muito campeonato, e ainda nem chegamos à metade. Mas depois dos resultados das primeiras sete corridas do campeonato, onde Kimi Antonelli ganhou cinco corridas, contra uma de Russell, ele afirma que a sua grande chance de ganhar um título está a ir pelo cano abaixo porque a precocidade do piloto italiano - tem apenas 19 anos, recorde-se - o colocará na pole-position para 2026. 

Mas enfim, se quiserem ver a sua tomada de posição, é simples: vejam o seu mais recente video, que saiu hoje.  

domingo, 14 de junho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 7, Catalunha (Corrida)


A pista da Catalunha, construída em 1991, a tempo do GP de Espanha, em outubro, ganhou a reputação de ser uma corrida aborrecida, porque máquinas e pilotos habituaram-se tanto a testar ali que se tornou numa pista sem segredos. Contudo, em 2026, ela perdeu o estatuto de ser a corrida espanhola - irá para o Madring - e a partir de 2027, ele só aparecerá ano sim, ano não, em rotação com Spa-Francochamps.

A corrida acontece uma semana depois da corrida de Monte Carlo, e a grande dúvida era saber se, por exemplo, os Mercedes conseguiriam ser mais dominantes que o costume, contra uns Ferrari que - pelo menos do lado de Lewis Hamilton - parecem estar em forma, contra os McLaren que querem mostrar que os seus problemas são uma coisa temporária. E claro, com a pole de George Russell, ele vai querer diminuir a diferença para um Antonelli que parece ser imparável. 

Como ontem, máquinas e pilotos encaravam a corrida debaixo de calor, e George Russell poderia ter o seu maior rival na segunda fila, logo, a chance de conseguir um bom resultado era grande. Mas ele deverá ter en conta que a seu lado está Lewis Hamilton, e está na sua melhor forma desde que chegou à Ferrari. E claro, Lando Norris também tem de ser considerado nas chances para a vitória. Em suma, quatro candidatos ao título, três deles... britânicos.

Teremos 66 voltas para ver até que ponto tudo isto será verdade... ou haverá algo inesperado. E para começar, Max Verstappen e Lewis Hamilton iráo começar de... moles!


Na partida, Russell partiu muito bem e ficou com o comando, seguido por Hamilton e Antonelli, Norris e Max. Atrás, Isack Hadjar perdia posições, chegando até a sair da pista, mas no inicio da volta 3, estava a recuperar posições, passando o Williams de Carlos Sainz Jr. Ao mesmo tempo, Arvid Lindblad tinha um aviso por ter ganho vantagem numa ultrapassagem.

Na volta 8, Leclerc conseguiu passar Oscar Piastri na curva 4, a mesma onde ele se despistou no dia anterior, para ser sétimo classificado de forma provisória. Quatro voltas depois, Hamilton é o primeiro a ir às boxes, colocar duros e regressar em sétimo. A seguir foi Liam Lawson, também para meter duros no seu Racing Bulls. Max Verstappen e George Russell faziam o mesmo na volta seguinte, para meter duros, e na volta 14, Lando Norris também ia às boxes, também para colocar duros. Antonelli e Piastri foram trocar de pneus na volta 15, dando a Leclerc a liderança da corrida, que manteve por algum tempo, enquanto Russell se aproximava do piloto da Ferrari.

Leclerc acabou por ir às boxes na volta 17, regressando em sexto, na frente de Oscar Piastri, numa altura em que na Cadillac, Valtteri Bottas era a segunda retirada do ano, depois de Lance Stroll, no seu Aston Martin, algumas voltas antes.


A partir daqui, Russell tentava afastar-se de Hamilton, mas a diferença raramente era superior a dois segundos, com Antonelli em terceiro. Com o passar das voltas, lentamente, Russell escapava de Hamilton, enquanto Antonelli aproximava-se do piloto da Ferrari, pelo segundo lugar. Hamilton foi às boxes na volta 28, para a sua segunda troca de pneus, colocando médios e regressando em sétimo, atrás de Piastri. Pouco depois, na volta 29, ele passou o piloto da McLaren para ser sexto.

Verstappen parava pela segunda vez na volta 30, colocou duros e regressou na sétima posição, numa altura em que Antonelli começava a pressionar Russell na liderança da corrida. Na volta 33, começaram as lutas pela liderança, com Russell a manter o comando. Três voltas depois, Russell, que era quarto, ia às boxes pela segunda vez, para trocar para duros. Na volta a seguir, Russell ia às boxes para colocar duros e cedia o comando para Antonelli. Que ia às boxes na volta seguinte, colocando duros e regressando na terceira posição, pois Hamilton ainda não tinha colocado.

Leclerc foi às boxes na volta 41, depois de ser passado por Russell, e na mesma altura em que Fernando Alonso estava parado na berma, sendo a quinta desistência da corrida. O suficiente para o Safety Car Virtual, e alguns pilotos como Lewis Hamilton, aproveitaram para ir às boxes. No caso do britânico, colocou duros e manteve a liderança. Com o regressar da corrida, o piloto da Ferrari já tinha três paragens, mais um que os Mercedes, mas ele estava na frente deles. Parecia ser uma jogada de génio...

Atrás, parecia que Antonelli ia aos limites e para além deles, arriscando a ficar com uma penalização de cinco segundos e ficar sem um lugar no pódio. Mas também com o passar das voltas, viamos outra coisa: Hamilton conseguia distanciar-se de Russell e parecia ter a corrida sob controle. A dez voltas do final, ele tinha uma vantagem de 12,5 segundos, com Antonelli a pressionar o seu companheiro de equipa. 


Nas voltas finais, gente como Isack Hadjar ia às boxes e metia moles, para ver se conseguir ser mais performativo nestas voltas finais, mas na frente, com Hamilton tranquilo, os Mercedes começaram a brigar pela segunda posição, quando Antonelli atacou na volta 61, com Russell a não conseguir defender-se. Mas Antonelli no segundo lugar foi sol de (muito pouca) dura pois, na volta 62, inesperadamente, Kimi Antonelli e Charles Leclerc, separadamente, tinham problemas de motor e de sistemas eletrónicos, parando em lugares diferentes da pista. Safety Car Virtual e parecia que o final iria ser anti-climático...

Acabou por não acontecer, e com Novak Djokovic a agitar a bandeira, Lewis Hamilton dava à Ferrari a sua primeira vitória do ano, e para o veterano britânico, e o seu primeiro triunfo desde a sua chegada à Scuderia. Russell foi segundo, Norris terceiro, e apesar de serem todos em equipas diferentes, o pódio era todo britânico: o primeiro em 57 anos. 


Com isto, a Mercedes já não é invencível, e Antonelli não irá pontuar em todas as corridas da temporada. Mas ele mantêm o comando do campeonato, 41 pontos na frente de Lewis Hamilton. Agora são duas semanas antes do Red Bull Ring, mais uma pista clássica para correr, e ainda nem chegamos a meio do ano. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Noticias: Villeneuve aconselha cabeça fria a Antonelli


Jacques Villeneuve aconselha cabeça fria a Andrea Kimi Antonelli. O campeão do mundo de 1997 aconselha o jovem piloto italiano da Mercedes e atual líder do campeonato, com quatro vitórias seguidas, a não ceder na euforia do momento, porque o campeonato ainda mal começou. Com 131 pontos contra os 88 de George Russell, seu companheiro de equipa e segundo classificado da geral, o canadiano afirma que ele está apenas na sua segunda temporada completa e não pode perder os pés na terra. 

Ele precisa de manter a cabeça fria, de não começar a acreditar demasiado no seu próprio hype. Isso é uma coisa muito perigosa de fazer. Quando pensas que és intocável, é aí que os erros acontecem, e tens um abandono, como o [Russell] hoje, ou tens um acidente, perdes 25 pontos, a diferença muda muito, e de repente começas a duvidar de ti próprio.", começou por afirmar durante a pós-corrida em Montreal.

"Esse é o grande risco. Agora mesmo, está a conduzir no limite em cada volta, e ao ponto em que pensas: ‘Wow, está a manter o carro na pista’, as coisas correm bem. Não será sempre assim. Por isso, como vai reagir quando uma coisa correr mal? Essa será a questão-chave. Mas agora mesmo, é mais rápido do que o George. Tem-no controlado. O que é importante para a equipa é que o George acorde um pouco e comece a acreditar em si próprio novamente.”, concluiu.

A Formula 1 regressa à ação no GP do Mónaco, dentro de semana e meia, a 7 de junho. 

domingo, 24 de maio de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 5, Canadá (Corrida)


Montreal é a maior cidade da província do Quebec, o único de maioria francesa na Confederação Canadiana. A Formula 1 vem ao país desde 1967, com algumas interrupções pelo meio - algumas por causa de desacordos entre cervejas (!) - mas desde 1978 que escolheram um lugar: a ilha de Notre-Dâme, no outro lado da cidade de Montreal, depois de atravessarem o Rio São Lourenço, o segundo mais navegável da América do Norte, apenas batido pelo Mississipi.

Numa corrida a acontecer um pouco mais cedo que o habitual - normalmente é a meio de junho - está a ser interessante saber de duas coisas: a primeira, que as ideias iniciais de domínio não está a ser assim tão forte da parte das Mercedes, e dentro da própria equipa de Brackley, se George Russell esperava um passeio rumo ao título, Andrea Kimi Antonelli não está a deixar que as coisas sejam assim tão fáceis. Há luta, e os fãs gostam, mesmo com todos estes problemas nos carros. 

E para potencialmente baralhar as coisas, neste domingo, chove na maior cidade do Quebec. 


Depois da parada de pilotos, soube-se que Lance Stroll, o herói local, iria largar da corrida das boxes, por causa dos constantes problemas do seu Aston Martin, mas ele até largou. Quem não teve essa sorte foi Arvid Lindblad, que depois da partida falsa - lá iremos, daqui a algumas linhas - o carro não arrancou mais. Nessa altura, os pilotos que estavam na grelha, calçavam... quatro tipos de pneus. Os McLaren, por exemplo, queriam começar com intermédios, porque achavam que a pista estava demasiado húmida para colocarem já os "slicks". A mesma tática seguia os Cadillac e os Audi, especialmente Nico Hulkenberg. O resto, de moles, excepto os Red Bull, que iam partir com médios.

A corrida demorou a começar, porque com o chegar - e o passar - da hora, os carros demoraram mais um bocado por causa do estado do asfalto, no qual os organizadores queriam que secasse mais um pouco. E na primeira tentativa... não se apagaram. Quando, por fim, as luzes se apagaram - com menos uma volta na contabilidade - os pilotos com os intermédios começaram, aparentemente, a ter vantagem, com Lando Norris a deixar os Mercedes para trás, porque esses pneus conseguiam ser eficazes. 


Mas foi sol de pouca dura... ou algumas centenas de metros, se quiserem. Oscar Piastri, que perdeu alguns lugares nas curvas iniciais, foi logo às boxes no final da primeira volta, e Lando Norris foi na volta a seguir, não sem Kimi Antonelli o apanhar e o passar, mostrando que o tempo dos intermédios tinha acabado, ainda antes de começar. Russell estava a seguir, e Hamilton era terceiro, na frente de Max Verstappen.

As coisas andaram relativamente bem nas quatro voltas seguintes, porque a partir desse momento, a luta entre ambos, que tinha começado ontem, na Sprint Race, iria continuar, para júbilo dos fãs... e de Toto Wolff. Russell passou para a frente na volta 6, mas o italiano não queria desistir, chegando até a travar além do limite, para não perder distância sobre o britânico, seu companheiro de equipa. Atrás, na volta 13, Alex Albon tornava-se na segunda desistência da corrida, depois de ser abalroado por Oscar Piastri na travagem para o gancho e torna-se na segunda desistência da corrida. O australiano teve de trocar de asa da frente, e  claro, ia acabar no fundo do pelotão. Tudo isto ao mesmo tempo que ambos os pilotos da Mercedes debatiam entre eles a liderança da prova, metro a metro, enquanto Max tinha passado Hamilton para ser terceiro. 

E na volta 23, era a vez de Antonelli ficar novamente com o comando da corrida, depois de Russell ter travado muito fundo no gancho, com Verstappen, não muito atrás, a observar, não muito longe. Mas na volta seguinte, foi a vez de Antonelli falhar a travagem e Russell aproveitou. Os pilotos andaram a tocar metro a metro, excitando todos os espectadores que assistiam a tudo na pista. E nenhum deles não queria desistir do primeiro lugar! Mesmo!

E no meio disto tudo, Fernando Alonso retirava, depois de uma corrida onde a certa altura, andou em décimo, logo, nos pontos.


Na volta 30, o momento da corrida: Russell desistia, enquanto liderava, por causa de problemas de motor no seu carro - todo aquele stress tinha deixado o material além do seu limite, pelos vistos - deixando o comando da corrida para Antonelli, e a colocação do Safety Car Virtual na pista. Altura de muitos trocarem de pneus pela única vez, e a corrida recomeçou na volta 33, com Kimi Antonelli no comando, e Max não muito longe, seguido pelo Ferrari de Lewis Hamilton.

Mais problemas - parece que hoje não era o dia dos motores Mercedes - na volta 40, quando Lando Norris desistia, acabando por ser o quinto abandono da prova. Nesta altura, apenas Antonelli, que liderava, Piastri, que estava fora dos pontos, e os Alpine, estavam em pista, eram os Mercedes que funcionavam. Pouco depois, nova amostragem do Safety Car Virtual por causa de Sérgio Pérez. que teve o seu Cadillac a desmontar-se, fazendo com que, nessa altura, apenas 16 carros circulassem na pista.

Pouco depois... nova entrada do Safety Car Virtual por causa dos destroços na pista - bem vistas as coisas, é o habitual no Canadá - e no recomeço, com Kimi um pouco distante de Max, no segundo posto, este, no recomeço, começou a ser assediado pelos Ferrari, especialmente Hamilton, que estava atrás do piloto da Red Bull.

A luta pelos dois continuou até na volta 62, quando o britânico conseguiu passar o piloto da Red Bull e ficar com o segundo lugar, paras a partir dali, aguentar os ataques do neerlandês, que queria o lugar de volta. Pouco depois, uma penalização para o companheiro de Max na Red Bull, Isack Hadjar: stop & go para o francês, mas o francês mantinha o quinto lugar, com uma volta de atraso.

Mas no meio disto tudo, Antonelli triunfa no GP canadiano, conseguindo a sua quarta corrida em cinco nesta temporada, distanciando-se ainda mais da concorrência mais direta, que, melhor para ele... não pontua. Hamilton consegue o seu segundo pódio do ano e o seu melhor resultado da temporada, batendo Max Verstappen, que é terceiro e consegue o seu primeiro pódio de 2026, na frente de Charles Leclerc e Isack Hadjar. 


E foi assim que aconteceu o GP canadiano, uma corrida que, como acontece quase sempre, não desilude.   

sábado, 23 de maio de 2026

Noticias: Wolff gostou do duelo entre os seus pilotos


A corrida sprint desta tarde no Canadá resultou num duelo entre George Russell e Kimi Antonelli, com o piloto italiano a querer ficar com o primeiro lugar, com o piloto britânico a defender dos ataque mais audazes do piloto de Bolonha, que lhe custaram o segundo lugar para Lando Norris

Toto Wolff, no final da corrida, apesar de ter admoestado os pilotos, não escondeu que gostou do espetáculo: “Foi grande cinema! Luta dura, não só entre os nossos dois, mas também com o Lando [Norris]. Adorei ver aquilo. Se lutas um pouco, podes perder uma corrida. Se isso se prolongar numa corrida, o Norris pode muito bem ganhar.", começou por afirmar. 

"Gosto muito destes momentos porque permitem-nos aprender e perguntar: como é que vamos gerir estas situações no futuro? Não queremos perder uma corrida, não queremos chocar uns contra os outros e às vezes é preciso um pequeno momento para nos lembrar dos nossos objetivos. Isto não é particularmente contra um ou outro, mas há uma estrutura que queremos estabelecer e prefiro que isso aconteça numa corrida sprint.“, continuou. 

Em relação ao momento de maior descontrolo de Kimi Antonelli, Wolff desdramatizou:


Não queremos começar a corrida cinco com títulos como ‘Guerra das Estrelas’ ou ‘isto está a escalar’, porque não está. É emoção e ele é um piloto jovem. O George [Russell] provavelmente teria feito o mesmo, por isso vamos ver como lidamos com isso.”, concluiu.

A qualificação para a corrida canadiana acontecerá mais logo. 

domingo, 3 de maio de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 4, Miami (Corrida)


Quatro semanas sem Formula 1, graças a fatores externos à competição - ironicamente, o recomeço iria ser na América - e o pessoal dentro tinha os seus próprios problemas. Eles tinham saído de Suzuka a discutir o que aconteceu entre Ollie Bearman e Franco Colapinto, e cacharam que era a altura de mexer nos carros, para evitar tanto o "lift and coast", soluções provisórias para aquilo que muitos consideram como um erro sério nos novos regulamentos.

Contudo, com o resto do mundo preocupado com outras coisas, o regresso da Formula 1 ao calendário parecia que iria ser algo para dar uma ideia de normalidade. Mas... nos dias anteriores à corrida, começaram a se preocupar com o tempo. É que estava uma tempestade prevista na hora da partida... e as chances de cancelamento eram bem grandes, porque se havia trovoada, segundo os regulamentos locais, todas as atividades desportivas teriam de ser paradas. E mais uma corrida não realizada seria muito má para a Formula 1. 

Ao longo do fim de semana, os organizadores e a FOM falaram uns com os outros para tentarem encontrar uma solução, numa competição onde a agenda era bem carregada - tinha corrida sprint no sábado - até que na noite de sábado para domingo, na Europa, decidem adiantar a partida em três: das 16 para as 13 horas, ou 18 horas, no fuso horário de Londres e Lisboa. 

Assim sendo, no dia da corrida, o tempo estava encoberto, mas as ameaças de chuva eram bem menores que os previstos, e todos esperavam que, depois da qualificação, onde Andrea Kimi Antonelli conseguiu mais uma pole-position, a corrida fosse suficientemente bom para esquecer as polémicas mais antigas e mais recentes.  


Quando as luzes se apagaram, Antonelli, o poleman, manteve a liderança nos primeiros metros, antes de Max ter sido mais rápido e ficado na frente... por alguns metros. Porque perdeu o controlo do carro e fez um pião, felizmente, sem que ninguém tocasse, para manter o controlo. Com isso, caiu para oitavo e o beneficiado era Charles Leclerc, com Antonelli atrás e os McLaren. Lewis Hamilton perdeu também algumas posições, para sexto, na frente do Alpine de Franco Colapinto.

Quem também perdeu algum tempo foi o Audi de Nico Hulkenberg, que tinha a asa danificada e ia para as boxes. 

George Russell passou Oscar Piastri para ser quarto na volta dois, e indo atrás de Lando Norris, que fazia volta mais rápida uma atrás da outra, para tentar apanhar Antonelli. Este apanhava Leclerc e na quinta volta, o italiano tentou apanhar o monegasco, sem sucesso. Contudo, algumas curvas mais tarde, o piloto da Mercedes levou a melhor, ficando com o comando. Mas pouco depois, o piloto da Ferrari reagiu e regressou à liderança.


Na sexta volta, enquanto estas coisas aconteciam, Isack Hadjar e Pierre Gasly bateram um com o outro, um francês eliminando outro, com liam Lawson também a ser envolvido no incidente. Hadjar, que tentava recuperar lugares do fundo da grelha, estava furioso com o fim prematuro da corrida, enquanto Gasly arrastava-se até ao final do pelotão. Com isto, o Safety Car entrava na pista pela primeira vez.

Max aproveitava a ocasião para ir às boxes e trocar de pneus, para duros. Gasly e Liam Lawson levaram os seus carros para as boxes, e de lá não mais saíram. Pouco depois, Nico Hulkenberg também parava de vez, aumentando as desistências para quatro. 

A corrida recomeçou na volta 12, com o tempo ainda a aguentar-se, e com Leclerc na frente de Norris, Antonelli, Piastri e Russell. Este tentou passar o australiano da McLaren, e não conseguiu. Na frente. Norris tentava apanhar o piloto da Ferrari, mas este mostrava-se difícil. Contudo, na volta 13, Norris conseguiu passar o monegasco e era o novo líder da corrida. Poucas curvas depois, Antonelli passou também Leclerc e ficou com o segundo posto.

Norris tentava afastar-se de Antonelli, a cerca de 1,5 segundos de diferença entre os dois, com o tempo aparentemente a piorar - previa-se chuva a partir da volta 25 - enquanto Max Verstappen estava a passar carro a carro. No final da volta 18, Max era oitavo, depois de passar o Williams de Carlos Sainz Jr. 

Na volta 21, Russell foi às boxes para trocar de pneus, enquanto Colapinto deixa passar Max para que ele seja sétimo. A seguir, Leclerc foi também às boxes, trocar para duros e a regressar atrás do piloto da Mercedes. 

Na volta 28, Antonelli passou Norris e foi atrás de Max, com pneus mais frescos e não durou muito até ele ficar com o comando do Red Bull do neerlandês. Norris fez a mesma coisa na volta seguinte, para ser segundo. Agora, ambos tinham cerca de um segundo e meio de diferença. Não muito longe deles, e sem ainda ter parado, Franco Colapinto era quarto. O tempo piorava, mas não chovia, o que poderia imaginar que, afinal de contas, esta poderia ser uma corrida seca. O argentino acabvou por mudar de pneus, caindo para oitavo. 

Na frente, era um duelo à distância entre Antonelli e Norris, com uma diferença de segundo e meio entre ambos. Em quinto. lutando um contra o outro, George Russell tinha Oscar Piastri nos seus calcanhares e tentou evitar a ultrapassagem o mais possível, mas na volta 36, o australiano passou-o. Entretanto, Antonelli aguentava as incursões de Norris, que se aproximava e queria ter a sua chance para atacar a liderança, mas estando no ar perturbado da traseira do Mercedes, não era fácil. 

Piastri conseguiu apanhar Max para ser quarto e depois disso, começou a aproximar-se de Leclerc para ver se conseguia ficar no pódio. Contudo, as voltas começavam a acabar para que o australiano pudesse apanhá-lo, e ele não estava suficientemente próximo para tentar alguma ultrapassagem.

Na última volta, enquanto Antonelli ia a caminho da meta para triunfar na frente dos McLarens, havia drama na Ferrari, quando Charles Leclerc sofria um problema no seu carro, causando um pião e perdendo nos metros finais dois lugares para Russell - que tinha danos na asa dianteira! - e Verstappen, para ser sexto, os dois na frente do piloto monegasco, que tinha tentado aguentar os ataques de ambos os carros, pois tinha, aparentemente, danos do seu Ferrari. Hamilton, Colapinto, Sainz e Albon ficaram com os restantes lugares pontuáveis.


E assim acabava a corrida de Miami, com uma corrida que evitou a chuva e em compensação, viram Antonelli, que agora tinha três vitórias seguidas, e cem pontos, parecendo-se mostrar como candidato ao título. Quem diria!

A Formula 1 manter-se-á nas Américas, para a próxima corrida... dentro de duas semanas, em Montreal. 

PS: Os comissários da Formula 1 viram a última volta de Leclerc depois do pião e deram-lhe 20 segundos de penalização, depois dos "corta-matos" que ele fez por causa do carro danificado no toque contra a parede. Por causa disso, Leclerc caiu para oitavo, beneficiando Lewis Hamilton e Franco Colapinto.

domingo, 29 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 3, Suzuka (Corrida)


Três corridas no campeonato com os novos regulamentos, e já se começam a definir algumas coisas sobre esta nova Formula 1. Algumas, de certa forma, eram previstas desde antes do começo desta temporada. Contudo, havia algo que, sinceramente, não previa nesta altura: ver que um garoto de 19 anos estar perto de ser um futuro campeão do mundo. Nisso, Toto Wolff tem uma inteligência aguda e instinto para saber que tem fome de vencer. 

Andrea Kimi Antonelli ganhou na China, mas se calhar pensaram que poderia ter sido um "acaso" perante um piloto mais velho e mais experimentado, na figura de George Russell, que nunca conseguiu lutar pelo título porque não tinha um carro suficientemente decente. Contudo, agora que tem essa chance pela frente, parece que o "menino-prodigio" de Bolonha está prestes a desbrochar, qual "sakura" (afinal, estamos na primavera no hemisfério norte), poderá superar aquele que, se calhar, merece este título. Não que os títulos tenham os nomes dos pilotos desenhados antecipadamente, mas toda a gente sabe que, para ser campeão, tem de o merecer. 

E pela pole que conseguiu ontem, parece que a mensagem está a ser mandada: Kimi Antonelli quer o campeonato, pelo menos o deste ano. Resta saber se terá estofo, não é?

Domingo de primavera, com o tempo algo quebrado - mas sem chances de chuva - e os pilotos preparavam-se para as 53 voltas que tinham diante deles. Antes de partir, e antes de se saber que não havia carros a ficarem sem energia ou sem peças nas boxes, estes iriam começar com médios, esperando livrar-se deles por alturas do meio da corrida. 

Contudo, pouco antes da largada, o anuncio de que a corrida iria começar um pouco mais tarde, cerca de dez minutos. A razão? um acidente bem feio numa das corridas de suporte do campeonato, a Porsche Supercup, e o carro voou... para fora da pista, danificando o muro de proteção. Apesar do aparato, o piloto pouco sofreu. 


Na partida, Antonelli foi surpreendido por Piastri, que arrancando bem, ficou com o comando da corrida, colocava um McLaren no comando. Atrás deles, Leclerc também largava bem e ficava com o segundo posto, seguido por Norris e os Mercedes eram apenas quarto, com Russell, Hamilton e Antonelli, logo a seguir. O poleman teve uma péssima largada - se calhar, não tinha energia suficiente para se lançar e defender a liderança - e fazia a primeira curva em sexto. Gasly era sétimo, na frente de Verstappen.

Quando passaram pela meta no final da primeira volta, os espectadores ficavam surpresos por ver os Mercedes tão mal colocados. Ainda por cima, Antonelli tinha perdido quatro lugares. Mas claro, havia muito pela frente, e eles certamente não perderam a cabeça, pensando na estratégia para regressar aos lugares cimeiros. Mas por agora, Oscar Piastri fazia os seus primeiros metros da temporada - depois de três corridas! - no comando da corrida.

Nas voltas seguintes, Russell esforçou-se e passou, primeiro Norris, depois, Leclerc, para ser segundo, mas enquanto batalhava para se livrar deles, Piastri tinha aberto uma pequena distância, pouco mais de dois segundos e meio, e parecia estar confortável. Claro, o britânico queria o comando e foi atrás do australiano, que, agora com um carro que anda, mostrava todo o seu potencial de liderança. 

Na volta 10, Russell, por fim, encostava a frente do seu Mercedes na traseira do McLaren do australiano, e depois da chicane, assaltava e conseguia a liderança. Mas Piastri não desistiu e respondeu, ficando novamente com o comando, porque Russell ficara sem energia para se defender. Atrás, Antonelli conseguia apanhar Norris e ficava com o quarto posto. Cinco voltas depois, Antonelli apanhava Leclerc e era terceiro, mas o monegasco reagia e recuperava a posição.

Quase a seguir, as primeiras paragens: Norris trocava para duros na volta 17, e logo a seguir, era Leclerc que fazia o mesmo, e com isso, Antonelli ia para segundo. Parecia a hierarquia ideal: Mercedes na frente, fim de história. Mas não.


Porque na volta 23, um susto: enquanto Russell ia às boxes para fazer a sua paragem, e dando a liderança a Antonelli, entre o gancho e a Spoon, o Haas de Oliver Bearman viu o Alpine de Franco Colapinto a andar lentamente, saiu de pista e despistou-se, batendo de lado no muro - soube-se depois que o impacto no muro foi a 50G's. Ele saiu a coxear, e os comissários não tiveram outra opção senão chamar o Safety Car.

Nas cinco voltas seguintes, os comissários andaram a limpar a pista e tirar o carro daquele lugar, enquanto os pilotos tiveram a aquecer os pneus, e boa parte dos pilotos aproveitaram a ocasião para se livrarem dos pneus médios e calçarem os duros, para ficar na pista até ao final.

No regresso, na volta 28, a corrida iria recomeçar, com Antonelli, que tinha ido às boxes sem perder a liderança, resistia aos ataques de Piastri para manter a liderança 

Pouco mais de metade da corrida, e com Antonelli a controlar a distância sobre Piastri, Hamilton lutava com Russell para um lugar do pódio, e Norris, em sexto, à distância. Mas na volta 38, Russell era passado por Leclerc e tinha descido para quinto. O monegasco queria passar Hamilton, mas ele não queria nada disto, e esta luta fratricida era excelente para Russell, que ficava ao pé deles, para tentar passar para, quem sabe, terceiro lugar. 

Eles duelaram, mas Leclerc conseguiu o terceiro posto na volta 42, a onze do fim. Hamilton lutou, mas o seu companheiro de equipa conseguiu aguentar. Russell aproveitou a oportunidade e também passou Hamilton e o britânico da Mercedes ficou com o quarto posto. E para piorar as coisas, o risco de ser passado por Norris era real. Norris passou Hamilton na volta 48, mas o britânico da Ferrari ficou com o lugar de volta.

Um pouco mais atrás, Verstappen pressionava Gasly para ver se ficava no sétimo posto, mas não iria ser fácil. E mesmo que passasse, para os buscar, tinha quase oito segundos de desvantagem.

Na frente, com os carros a aproximarem-se da bandeira de xadrez, Antonelli tinha tudo controlado, principalmente sobre Piastri, que parecia estar a caminho da primeira corrida terminada, e ainda por cima, no pódio porque, apesar de Charles Leclerc estar perto, não parecia ser ameaçador. Aliás, o monegasco tinha outras prioridades: Russell queria o seu lugar no pódio.

Na volta 51, ele usou a sua energia para passar o piloto da Ferrari, mas ele guardou energia para reagir, e conseguiu recuperar o lugar na primeira curva. Atrás, Lando Norris fez a mesma manobra, para passar Hamilton e ficar com o quinto posto. 

E enquanto havia estas lutas, na frente, Antonelli, tranquilo, ia a caminho da segunda vitória consecutiva, e parecia que estava a distanciar-se do pelotão. Aos 19 anos, ele liderava o campeonato, na frente de Piastri e Leclerc, que conseguia aguentar Russell e mantinha o seu lugar no pódio. Norris foi quinto, com uma manobra nos últimos metros, e no sétimo posto, Gasly aguentava Max, com Lawson e Ocon a fechar nos pontos.


Pode existir criticas com os carros, os fãs e alguns pilotos poderão queixar-se de que com esses carros, não podem acelerar totalmente, mas ninguém anda a queixar-se de que estas corridas são aborrecidas, pelo menos estas primeiras da nova temporada...

E agora, teremos um mês sem corridas, até ao regresso dos carros e dos pilotos à Europa.

domingo, 15 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 2, Xangai (Corrida)


A Formula 1 vai de um lado para outro num instante. Abençoada logística, que permite milagres deste tipo. Afinal de contas, Xangai não é ali "na esquina", digamos assim. Ainda por cima, falamos da cidade mais populosa da China, e se calhar, no pódio das cidades populosas na Ásia, a par de Pequim, Tóquio, Bangkok, Deli e sabe-se lá que cidades desconhecidas dentro do Império do Meio...   

E porque falo da logística? É porque se falou imenso ao longo destes dias. Algumas horas antes da prova, soube-se, oficialmente, que os GP's do Bahrein, a 12 de abril, e o da Arábia Saudita, a 19, foram... como direi? "não se realizarão na data prevista". A razão está em todas as páginas dos jornais, televisões e dispositivos móveis: os americanos e israelitas atacaram o Irão, este fechou o Estreito de Ormuz e bombardeou os países do Golfo Pérsico. Não que eles não se importem de correr com refinarias a arder no horizonte - já aconteceu isso em 2022 em Jeddah - mas o grande problema é que eles bombardeiam aeroportos - Dubai já levou com alguns drones iranianos - logo, a logística torna-se um problema. Já imaginaram um 747 da UPS a pegar fogo com centenas de milhões de dólares em material caro, chassis, motores, equipamentos eletrónicos e tal? Ainda por cima, tão longe de casa? E ainda mais por cima, em maio farão a primeira de quatro visitas aos Estados Unidos? 

Portanto... é melhor "adiar". Para mim é mais "cancelar", mas parece que a Formula 1 implora por milagres. Quero ver como encaixarão estas corridas. Será no Natal? Nem sabemos se a guerra estará acabada nessa altura, por muito que bombardeiem o exército e a Guarda Revolucionária iraniana! Afinal de contas, os russos julgavam, em 2022, que Kiev iria ser deles em três dias...

Enfim, deixemos as divagações politicas. Porque o pelotão parece que tem outro problema. De adaptação aos novos regulamentos, e de carros que não podem ser puxados até ao limite. 

O dia acordou com algumas expectativas, é verdade, mas nas horas anteriores ao Grande Prémio, começaram a haver sarilhos. Das grandes. Ainda por cima... na McLaren! Na hora final, o carro de Lando Norris estava parado nas boxes e os mecânicos estavam a tentar colocá-lo a funcionar. Mas depois viu-se que o problema era elétrico, e não seria reparado a tempo. Logo, o campeão do mundo iria ver a corrida das boxes. 

Mas se um mal nunca vinha só, este aconteceu quando Oscar Piastri também viu o seu carro parado, e desta vez não foi por acidente: outra falha elétrica, de natureza diferente, o impediu de alinhar na corrida. Ao contrário de Norris, que nem saiu das boxes, já Piastri colocou o carro na grelha, onde detectaram o problema. Retiraram-no e ele fez companhia a Norris, e ele partilha um recorde com o fundador, Bruce McLaren: duas corridas seguidas seguidas sem largar.

Duas provas e zero voltas: estes novos regulamentos estão a dar dores de cabeça inesperados em lugares inesperados...

Mas não foram os únicos azarados: Gabriel Bortoleto, da Audi, e Alex Albon, da Williams, também falharam a partida.   


Quando as luzes se apagaram, os Mercedes andaram à luta, que foi bem aproveitado por Lewis Hamilton para ficar com a liderança na primeira curva. Charles Leclerc tentou segui-lo, mas Andrea Kimi Antonelli conseguiu aguentar a pressão do segundo Ferrari e ficou com a segunda posição.

Atrás, os Red Bull não andavam bem. Max Verstappen partiu lento - o Turbo não funcionou na altura - e perdeu seis lugares, enquanto Isack Hadjar lutava por posições com Oliver Bearman quando no inicio da grande reta, fez um pião e quase levava o britânico da Haas consigo. Ele regressou à pista, no final do pelotão, com um inesperado Franco Colapinto, da Alpine, a ser... sexto, no final da primeira volta!

Nas voltas seguintes, Antonelli passou Hamilton para o jovem italiano ser o primeiro, acelerando na reta maior, por causa da sua velocidade de ponta. Russell, que era quarto, passou Leclerc e ficou com o lugar mais baixo do pódio, perseguindo Hamilton para ver se conseguia dar dobradinha à Mercedes e, quem sabe, apanhar Antonelli. Atrás, os Alpine eram quinto e sexto, com Pierre Gasly a ser melhor que Franco Colapinto.

Na volta 10, o Aston Martin de Lance Stroll fica parado na pista, e é sinal dos pilotos irem às boxes trocarem os seus médios por duros, apostando, se calhar, numa prova só com esta paragem. Mercedes, Ferrari e o Alpine de Pierre Gasly faziam essa jogada. como Colapinto ficou na pista, pois tinha começado com pneus duros, ele era, inesperadamente... segundo! Russell, Hamilton e Leclerc começaram a fazer a sua corrida de recuperação, passando os carros à sua frente, já que Antonelli tinha mantido a liderança e tentava distanciar-se.


Pela metade da corrida, os Ferrari lutavam entre eles pela segunda posição, com Leclerc e Hamilton a brigarem entre si - já não se via coisas dessas há algum tempo! - e no meio disto tudo, Russell observava e Antonelli ia-se embora, a caminho da primeira vitória italiana em quase 20 anos. Claro, no meio das lutas, Russell queria aproveitar e passava Hamilton na volta 26 e era terceiro. Longe, bem longe, Oliver Bearman aguentava Max Verstappen à distância, enquanto Esteban Ocon era sétimo, depois de passar os Alpine.

Na volta 30, Russell conseguia passar Charles Leclerc e já era segundo, achando que era suficiente andar atrás dos Ferrari, e ia buscar Antonelli para continuar a sua caminhada para o título, porque nesta altura, a diferença entre ambos era quase de oito segundos.

Ocon e Colapinto tinham ido às boxes, para meter duros e no regresso... trocaram-se, sem grandes consequências, depois do francês da Alpine ter tentado uma ultrapassagem "do fundo da rua", digamos assim.

Na volta 35, Fernando Alonso parava nas boxes, e agora era de vez, mostrando até que ponto ele era capaz de levar o carro. Nessa altura, ele já tinha uma volta de atraso. Logo depois, os Ferrari voltavam a trocar posições entre si, agora pela terceira posição, por causa do erro de Charles Leclerc, do qual Hamilton aproveitou. Nesta altura, Russell estava na frente deles, com uma vantagem de seis segundos. Leclerc tinha uma vantagem de 18 segundos sobre Ollie Bearman, e era quinto... se calhar, à espera de ver os Ferrari implodirem.

Na realidade, acabou por ver o Red Bull de Max a desaparecer de vista. Na volta 46, Max Verstappen tinha problemas com o seu carro, e acabou para ir às boxes, para ser o sexto piloto a abandonar a corrida. Sem poder no motor, depois de sair da curva, e a arrastar no pelotão, sabia que não podia fazer mais. Com isto, todos atrás de si subiram na geral, e Pierre Gasly era sexto na geral. 

A parte final da corrida não teve grande história nas dez voltas finais. Russell tentava apanhar Antonelli para ver se conseguia a sua segunda vitória consecutiva, mas as distâncias eram estáveis. Ele tentou fazer o melhor, mas no final, os pneus duros já tinham dado o que tinha a dar e se calhar, o melhor era levar o carro à meta. Um pouco atrás, Hamilton começava, por fim, a afastar-se de Leclerc para ver se conseguia o seu primeiro pódio desde que chegou à Ferrari, e o Haas de Bearman conseguia ser o melhor do resto e conseguia mais alguns pontos para a sua equipa. 

Na meta, com 15 "sobreviventes", fazia-se história: pela primeira vez em 20 anos, Kimi Antonelli conseguia a sua primeira vitória e aos 19 anos e 200 dias, e depois de 26 Grandes Prémios na sua carreira, ser o segundo piloto mais jovem de sempre, batendo Sebastian Vettel. Curiosamente, a última vitória de Giancarlo Fisichella, em 2006, tinha sido na Malásia, a segunda corrida dessa temporada... parece que haverá competividade na Mercedes. Hamilton conseguiu o seu pódio - o 203º da sua carreira - feliz da vida, na frente de Charles Leclerc.


Daqui a duas semanas, teremos corrida em Suzuka. Poderá ser mais do mesmo, numa Formula 1 que se adapta aos novos regulamentos.