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domingo, 17 de novembro de 2019

A imagem do dia


Algures em 1992. Contam-me que foi no fim de semana do GP de Portugal. E de uma certa maneira, a fina-flor da Formula 1. Bernie Ecclestone rodeado de dez dos melhores pilotos do pelotão de então.

Na fila de baixo: Gerhard Berger, Jean Alesi e o seu companheiro de equipa, Ivan Capelli. Na fila de cima, Martin Brundle, Michele Alboreto, Nigel Mansell, Riccardo Patrese, Michael Schumacher, Ayrton Senna e Thierry Boutsen, então piloto da Ligier.

A razão de falar desta foto nem é por causa dos seus interveninentes, mas sim pela pessoa que está por trás da câmara, sem que nós o vejamos. Esta foto é de Terry O'Neil, que morreu este sábado, aos 81 anos, depois de uma batalha contra um cancro na próstata.


A carreira de O'Neil foi recheada de fotografias com celebridades, principalmente com cantores e personalidades carismáticas como David Bowie, Frank Sinatra e Elton John, para além dos atores de Hollywood. Mas também fotografou muito dos "swing sixties", como os Beatles, Roling Stones, The Who ou Led Zeppelin. E em todos eles, mais do que o formalismo, apanhá-los em situações pouco ortodoxas foi a que o tornou famoso. Aliás, uma das suas primeiras fotos foi onde apanhou o então ministro do Interior adormecido num sofá no aeroporto de Heathrow.

Uma das mais icónicas fotos de O'Neil foi tirada a Faye Dunway na manhã seguinte ao Óscar que ela venceu pelo filme "Escândalo na Televisão", em 1977, na piscina do Beverly Hills Hotel. Ali, via-se os jornais que anunciavam o prémio, que rodeava a estatueta em cima da mesa, em destaque. Tudo isto deu não só dezenas de exposições, como também livros e o reconhecimento dos seus pares e do governo, que lhe deu um CBE - Comandante do Império Britânico - no inicio deste ano.

Em suma, O'Neil captou o espírito dos tempos, embora, ao ver esta foto, parece ser diferente daquilo que fez ao longo da sua carreira. Mas também vale a pena. Ars lunga, vita brevis, Terry.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A imagem do dia

Faz hoje 30 anos que este "boneco" foi tirado pelo fotógrafo Francisco Romeiras, então a trabalhar na Turbo. Um dos momentos marcantes da história da Formula 1, e aconteceu em Portugal. E tudo por causa de uma comédia de enganos que acabou por enterrar ainda mais as ambições de título - que já eram diminutas - para Ayrton Senna.

A sequência de eventos começou quando Nigel Mansell, o "brutânico", cometeu a sua primeira proeza, que foi de errar a sua entrada nas boxes. E a seguir, de fazer marcha atrás para entrar no seu canto. O que pelas regras, era ilegal, e passível de desclassificação. E foi o que aconteceu, quando mostraram a bandeira preta com o número 27 ao lado, quando ele passava pela reta da meta.

Só que não parava. E as voltas passavam, e ele, o terceiro, aproximava-se de Ayrton Senna, que julgava que estava na corrida, a lutar por posição. Claro, havia sinais e comunicações pela rádio, mas em 1989, eles não eram fiáveis, e não havia nada do que vemos hoje.

E na volta 48, no final da reta da meta, o toque. Certamente que ambos são culpados, o primeiro por omissão, por não ter sido avisado que Mansell estava fora de jogo e para o deixar passar, porque não contava, e o segundo porque... acho que não sabia o que estava a fazer. E foi por causa desse jogo de equívocos que tivemos isto. Esta imagem icónica da história daquela temporada, e da Formula 1.

E no final, não falamos de outra coisa senão disso. Lembro-me bem do dia seguinte, quando, do alto dos meus (então) 13 anos, e com o dinheiro da minha semanada, gastava para comprar um exemplar da Autosport. E esquecia que tínhamos visto uma Minardi a liderar a corrida - na realidade, tinha acontecido durante um intervalo da RTP! -  e ver a estratégia brilhante da Onyx de não trocar de pneus, que resultou no pódio de Stefan Johansson, que depois de cortar a meta... o seu carro parou na berma, sem gasolina, e a falhar a cerimónia do pódio, de uma corrida ganha pelo Gerhard Berger, sem ser incomodado, e de um Alain Prost que sorria, porque o seu título estava cada vez mais próximo.

Mas ainda faltava mais, naquela temporada.

domingo, 22 de setembro de 2019

Duas vitórias seguidas, uma tendência rara


Há duas semanas, quando Charles Leclerc comemorava uma vitória suada em Monza, aguentando os ataques do Mercedes de Lewis Hamilton, estava a alcançar algo raro: de vencer pela segunda vez seguida, uma a seguir à sua vitória de estreia. Ao fazer isso, estava a entrar num clube estrito, do qual cabem apenas nove pilotos, nos quase 70 anos de Formula 1. Três na primeira década da Formula 1, dois na última década do século XX, um na década passada. Quatro foram campeões do mundo, e os três últimos eram todos ingleses.

Aqui falarei de cinco exemplos, e deixarei de fora os dois que têm a melhor sequência, de três vitórias seguidas. Esses merecem um post à parte, que aparecerá dentro em breve. Assim sendo, vamos ao que interessa.


1 - Alberto Ascari (Alemanha e Itália 1951)


O primeiro desses pilotos foi o italiano Alberto Ascari. Lenda do automobilismo italiano, filho de lenda, em 1951, Ascari era o piloto que queria bater os Alfa Romeo, dominantes no primeiro campeonato, com Nino Farina e Juan Manuel Fangio. Em 1951, era o argentino que levava a melhor sobre os carros de Maranello, mas em Silverstone, o enguiço foi quebrado... com outro argentino, Froilan Gonzalez. Uma vitória tão marcante que Enzo Ferrari disse comparar "a ter matado a minha mãe".

Mas se Ascari merecia essa vitória, ele não fraquejou. Nas duas corridas seguintes, na Alemanha e em Itália, acabou por sair vencedor, ainda por cima em duas pistas míticas, Nurburgring e Monza. E com essa dupla vitória, quando encarou a última corrida do ano, em Barcelona, o italiano estava a dois pontos de Fangio: 25 contra os 27 do argentino. E a sua máquina estava na mó de cima.

Mas na pista espanhola - um circuito desenhado nas ruas da cidade catalã - Fangio e a Alfa Romeo decidiram por uma tática de resistência, onde os Ferrari tiveram problemas de pneus. O argentino venceu e conseguiu o primeiro dos seus cinco títulos. Quando a Ascari, iria vencer os dois campeonatos seguintes, os primeiros pela Ferrari, antes de morrer num acidente a 26 de maio de 1955, quatro dias de outro acidente espectacular no Mónaco, onde mergulhou com o seu carro nas águas do porto. 


2 - Peter Collins (Belgica e França 1956)


Outro piloto da Ferrari nesta sequência. Nascido em 1931, começou cedo a sua carreira, aos 17 anos, na Formula 3 britânica, depois de impressionar em algumas corridas em 1955, pela Maserati, Enzo Ferrari contratou-o em 1956, recomendado pelo seu grande amigo Mike Hawthorn.

Começou bem, com um segundo posto no Mónaco, mas foi em Spa-Francochamps que alcançou a sua primeira vitória, no Lancia-Ferrari D50, depois de partir atrás dos Maserati de Stirling Moss e do Ferari do seu companheiro de equipa, Juan Manuel Fangio. O argentino desistiu com problrmas de transmissão na volta 21, e Collins herdou a liderança, levando-a até ao fim, numa dobradinha com o belga Paul Frére.

Na corrida seguinte, em Reims, numa grelha onde a primeira fila era toda da Ferrari, com Fangio na pole-position e o italiano Eugenio Castelloti entre eles, Collins conseguiu ser mais veloz que eles, voltando a vencer e colocando-se na liderança do campeonato, que a manteve na corrida seguinte, em Silverstone, apesar de ter sido segundo, superado por Juan Manuel Fangio.

De súbito, Collins era candidato ao título. Perdeu a liderança em Nurburgring, quando desistiu, mas poderia vencer o campeonato se triunfasse em Monza. E tinha tudo na mão quando Fangio desistiu com a coluna de direção partida. Incialmente, em caso de desistência, era Luigi Musso que deveria entregar o seu carro, mas ele simplesmente recusou. Fangio esteve à espera nas boxes quando Collins parou e decidiu entregar o carro ao argentino para poder obter os pontos necessários para o título, que caso contrário, poderia cair nas mãos de Stirling Moss, que conduzia um Maserati.

No final, Fangio foi segundo, os pontos foram partilhados entre eles, mas foi mais do que suficiente para ser campeão do mundo. Collins foi terceiro, com 25 pontos.

No final, quando lhe perguntaram, respondeu: "Sou muito novo para ser campeão do mundo. Terei tempo para isso." Infelizmente, não teve: a 3 de agosto de 1958, durante o GP da Alemanha, sofreu um acidente mortal quando capotou o seu Ferrari quando perseguia o Vanwall de Tony Brooks.


3 - Bruce McLaren (Sebring 1959, Argentina 1960)


Até ao inicio deste século, Bruce McLaren foi o mais jovem vencedor na Formula 1. Menino prodígio em termos mecânicos - tinha construido o seu primeiro carro, um Austin Seven, aos 14 anos, na garagem do seu pai nos arredores de Auckland, na Nova Zelândia - no final de 1958 embarcou para a Europa no sentido de correr em provas da Formula 2. Mas cedo foi para a Formula 1, onde ao serviço da Cooper, conseguiu o seu primeiro pódio na Grã-Bretanha. No final da temporada, no circuito americano de Sebring, numa luta entre Jack Brabham e Stirling Moss, e aproveitando os problemas que teve o piloto britânico, Brabham rumou ao título mundial. Mas na última volta, o seu carro começou a não funcionar e o australiano caiu lugar após lugar. Quando John Cooper deu uma cambalhota no meio a pista para celebrar, pensava que era Brabham que cruzava a meta, mas na realidade, era McLaren que recebia uma vitória inesperada, a primeira de um neozelandês na Formula 1. Brabham cruzou a meta em quarto, a empurrar o seu carro, mas a comemorar o título.

No ano seguinte, a Formula 1 foi para a Argentina, em pleno janeiro, no verão austral, e nesse fim de semana, as temperaturas roçaram os 40 graus. McLaren, no seu Cooper, correu... de calções (!) e aguentou o calor para ser novo vencedor, num campeonato onde acabará como vice-campeão, a sua melhor classificação de sempre.

McLaren iria ganhar mais duas vezes, uma das quais no seu próprio carro. Morreu a 2 de junho de 1970, aos 32 anos, durante um teste em Goodwood num carro de Can-Am.


4 - René Arnoux (Brasil e África do Sul 1980)


René Arnoux contou que quando Jean Sage lhe ofereceu um lugar na Formula 1 no final de 1978, ele chorou profusamente, porque sabia que aquilo iria ser o seu passaporte para uma carreira ilustre na categoria máxima do automobilismo. Tinha 30 anos, vencera o Europeu de Formula 2 no ano anterior e naquele ano de 1978, tinha tido passagens pela Martini, equipa criada pelo preparador francês Tico Martini, e pela Surtees, em substituição de Vittorio Brambilla.

Os seus primeiros tempos na Renault não foram lá muito bons, mas quando a máquina estreou o RS10, no Mónaco, os seus resultados melhoraram bastante, a começar pelo duelo com Gilles Villeneuve pelo segundo lugar, e que lhe deu o seu primeiro pódio na Formula 1. Acabou o ano no oitavo lugar, com 17 pontos, mais à frente que o seu companheiro de equipa, Jean-Pierre Jabouille. E para além disso, o carro começava a mostrar ter potencial, com o motor Turbo, mas quebrava frequentemente.

Em 1980, a temporada do piloto francês não começou bem na Argentina, quando o seu carro teve problemas de suspensão na segunda volta, mas em Interlagos, os Renault dominaram. Jabouille foi o poleman, com Arnoux a ser sexto na grelha. Tudo indicava que os carros franceses iriam ficar com o primeiro e segundo lugar, mas Jabouille acabou por desistir devido a problemas no Turbo. Arnoux herdou o primeiro posto, e comemorou o seu triunfo.

A mesma coisa aconteceu em Kyalami, e as circunstâncias foram quase idênticas: Jabouille ia a caminho do triunfo quando um furo, na volta 61, o impede de continuar. Arnoux herdou a liderança e manteve o comando até à meta, na frente dos Liger de Jacques Laffite e Didier Pironi. E o francês saiu dali com o comando do campeonato. Contudo, foi sol de pouca dura, pois o carro era frágil e as diversas quebras fizeram com que o piloto francês acabasse o campeonato no sexto lugar, com 29 pontos.


5 - Nigel Mansell (Brands Hatch e Kyalami 1985)


Quando o piloto britânico foi para a Williams, vindo da Lotus, não era a primeira escolha. Esta tinha sido a de Derek Warwick, que estava na Renault, mas não aceitou devido à fragilidade do motor Honda. Sendo piloto da Renault, julgava que estava melhor com a marca francesa. Mansell chegava à Williams depois de ter sido "corrido" da Lotus, porque Peter Warr não se dava bem com ele, e queria receber Ayrton Senna de braços abertos.

E as coisas não correram bem no inicio da temporada. Tanto que no final do GP da Holanda, 11ª corrida do ano, ele tinha apenas nove pontos, contra os 18 de Keke Rosberg. Contudo, uma nova evolução do motor Honda, mais potente e mais fiável, colocou o carro nos primeiros lugares, e a chance de Mansell aconteceu em Brands Hatch palco do GP da Europa, onde as confusões na frente entre Rosberg, Senna e Piquet deram uma chance a Mansell de ficar com a liderança e acabar por vencer, cinco anos depois da sua estreia na Formula 1.

A seguir, num GP da África do Sul contestado por motivos politicos, em Kyalami, dominaram a corrida, com Mansell a ser o melhor, numa dobradinha para a equipa de Frank Williams. E isto deu maior impulso à carreira do piloto britânico, que no ano seguinte se tornou num sério candidato ao título mundial e lançou também a sua carreira na categoria máxima do automobilismo.   


6 - Lewis Hamilton (Canadá e Estados Unidos 2007)


Só os mais entendidos é que sabem que Lewis Hamilton tem a sua melhor temporada de estreia de sempre. Para terem uma ideia, o último piloto que venceu na sua temporada inaugural foi Jackie Stewart, em 1965, com o seu BRM. Um piloto ajudado pela McLaren desde os karts, por causa do seu talento, que mostrou nas categorias de ascensão, até 2006. A meio desse ano, houve a chance de ir para a Formula 1 no lugar de Juan Pablo Montoya, mas Ron Dennis decidiu dar uma chance a um dos seus piloto de testes, o espanhol Pedro de la Rosa.

Aos 22 anos de idade em 2007 - nasceu a 5 de janeiro de 1985 - havia altas expectativas sobre ele. Logo em Melbourne, mostrou ao que vinha, ao ser terceiro classificado, atrás de Kimi Raikkonen e Fernando Alonso. Quatro segundos lugares nas mesmas corridas seguintes mostravam que o piloto britânico tinha estofo de campeão e embebecia os fãs, que o comparavam a Michael Schumacher. 

Logo na sétima corrida do ano, em Montreal, Hamilton teve um fim de semana de sonho, ao fazer a pole-position e acabar por triunfar numa corrida marcada pelo espectacular acidente de Robert Kubica, no seu Sauber-BMW. E na prova seguinte, nos Estados Unidos, foi atrás de Fernando Alonso para o passar e ficar com a liderança até à bandeira de xadrez, mostrando que tinha estofo de campeão.

E incomodando Fernando Alonso. Se a relação era de respeito, mas com o espanhol a esperar uma hierarquia - leia-se, o terceiro título mundial para o asturiano - as vitórias e a consistência do britânico fizeram com que as relações de deteriorassem dentro da equipa, do qual o "Spygate" não ajudou em nada.

quarta-feira, 27 de março de 2019

A imagem do dia

Ontem passou 30 anos desde a última vez que a Formula 1 esteve em Jacarépaguá. E para "despedida" da pista, até foi um dos melhores Grandes Prémios que já assisti, confesso. E foi também uma ideia do que iria ser a temporada de 1989. Não tanto na luta pelo título, mas na variedade do pelotão. E também um sinal dos tempos que aí viriam.

Aquele foi a primeira corrida de uma nova era. 40 carros, de dezoito equipas, compunham o pelotão, tanto que tiveram de fazer uma pré-qualificação volumétrica, tão grande quanto a qualificação do Grande Prémio, onde trinta carros entravam para um pelotão onde caberiam 26. E havia novidades, como a primeira corrida do motor V10 da Renault, a bordo dos Williams de Riccardo Patrese e Thierry Boutsen, e que iria marcar uma era.

E também era a primeira corrida de um carro com uma caixa semi-automática. Uma ousadia da Ferrari - eles que nem eram conhecidos nesse campo... - e que tinham no seu cockpit Nigel Mansell, vindo da Williams. Que tinha sido a última contratação do Commendatore, falecido mais de meio ano antes.

Foi uma corrida de surpresas. Apesar de Senna ter sido o poleman, nos primeiros metros, colide com o Ferrari de Gerhard Berger e atrasa-se, com o austríaco da Ferrari a acabar a corrida por ali. Patrese beneficia disso tudo, ao ser o líder, seguido por Prost e Mansell. Todos correrão tão juntos que os seis primeiros acabarão com menos de vinte segundos de diferença. Num tempo onde ainda não havia Safety Car...

E no meio disso tudo, houve milagres. Seis meses antes, Johnny Herbert tinha partido ambas as pernas numa carambola em Brands Hatch, numa corrida de Formula 3000. Quase perdeu-as, mas estava no Rio, a bordo de um carro da Benetton, ajudado a entrar e sair do carro por outros. E acabou na quarta posição. E Derek Warwick perdeu 25 segundos quando um dos pneus demorou a apertar durante a sua paragem nas boxes. Quando chegou à meta, no quinto posto, tinha chegado 17 segundos arás de Mansell. Imaginem o que teria acontecido se não tivesse tido esse problema?

No final, Mansell entrou na história da Scuderia por ser o segundo piloto a vencer com um dos seus carros na sua primeira corrida. O primeiro tinha sido Mário Andretti, no GP da África do Sul de 1971. Dezoito anos depois, era a vez do "brutânico" triunfar. Ele, que estava tão cético que o seu carro iria aguentar que tinha comprado uma passagem mais cedo para o Reino Unido. Afinal... 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Vende-se: Williams FW14B de 1992

Eis um carro mítico de Formula 1 à venda. Claro que não é todos os dias que se vê uma coisa destas, mas aquando se fala do Williams FW14B de 1992, o carro dominante que deu o título mundial desse ano a Nigel Mansell, não se pode deixar de lado.

O chassis, super bem preservado, esteve nas mãos de Mansell em sete Grandes Prémios, tendo vencido cinco e chegado em segundo uma vez, tendo desistido no GP do Canadá, vitima de despiste. Depois, passou para as mãos de Riccardo Patrese, companheiro de equipa de Mansell, que o usou noutras seis corridas, ajudando-o a alcançar o segundo lugar final no campeonato desse ano.  

O carro, que está desde há um tempo em mãos privadas, vai estar à venda a 5 de julho, durante o fim de semana histórico de Goodwood, e espera-se que o carro poderá ser vendido por três milhões de libras.


terça-feira, 25 de setembro de 2018

GP Memória - Europa 1983

Com o Mundial a ser disputado... a quatro, entre Alain Prost, Nelson Piquet, René Arnoux e Patrick Tambay, faltavam duas provas para o final da temporada, e a primeira delas iria acontecer num lugar que não estava inicialmente no calendário. Quando este foi mostrado, estava inscrito um "GP de Nova Iorque", dando aos Estados Unidos a oportunidade de acolher três Grandes Prémios, porque era o substituto de Las Vegas, cujo circuito era aborrecido e economicamente, não tinha sido um sucesso. 

Contudo, as autoridades locais acharam que a ideia de uma corrida de Formula 1 na Quinta Avenida ou na Times Square não tinha grande validade - e iria fazer um barulho horrivel - e logo, decidiram cancelar a prova. Assim sendo, a solução foi colocar um segundo Grande Prémio em Brands Hatch, chamando-o de "Grande Prémio da Europa". A coisa funcionou e a pista encheu-se de espectadores.

A Ferrari tinha anunciado que iria ter Michele Alboreto como seu piloto para a temporada seguinte, deixando Tambay sem lugar, o que o levou às lágrimas... literalmente. Mas não iria ficar sem lugar, pois haveriam pretendentes. A Williams já tinha feito um acordo com a Honda para ter motor Turbo, mas decidiu adiar a estreia para a última corrida do ano, na África do Sul, e decidiu colocar um terceiro carro, para Jonathan Palmer.

A Theodore estava "nas últimas". Mo Nunn tinha partido, e a equipa largou um dos seus pilotos, o venezuelano Johnny Cecotto, e deixou apenas um carro, para Roberto Guerrero.

A qualificação deu uma pequena surpresa: Elio de Angelis conseguia a pole-position para a Lotus, a primeira desde 1978. A seu lado estava Riccardo Patrese, no seu Brabham-BMW. Nigel Mansell era terceiro, na frente de Nelson Piquet, no segundo Brabham-BMW. A terceira fila era da Ferrari, com René Arnoux na frente de Tambay, e a quarta era da Renault, com Eddie Cheever na frente de Alain Prost. E a fechar o "top ten" estavam o ATS-BMW de Manfred Winkelhock e o McLaren-TAG Porsche de John Watson.

Três pilotos não se qualificaram para a prova: o RAM de Kenny Acheson, o Osella de Corrado Fabi e o Williams-Cosworth de Jacques Laffite.

A corrida começou com Patrese a ser melhor que De Angelis e ficar com a liderança. Piquet era quarto, mas no inicio da segunda volta, passou Mansell e foi atrás de De Angelis. As coisas ficaram assim até à 12ª volta, quando o piloto da Brabham tentou passar o da Lotus... e ambos tocaram-se. Piquet aproveitou a ocasião para ficar com a liderança, com Mansell a seguir. Patrese e De Angelis voltaram à pista, mas pouco depois, o piloto da Lotus retirou-se.

Prost, entretanto, subia posições atrás de posições, acabando na segunda posição, mas ele estava demasiado longe de Piquet para o desafiar. Tambay era o terceiro, mas perto do fim perdeu fluido nos seus travões e despistou-se, entregando o lugar a Mansell, que ainda fez a volta mais rápida, dando um vislumbre dos melhores dias da equipa fundada por Colin Chapman, morto há menos de um ano.

Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Alfa Romeo de Andrea de Cesaris e os Toleman de Derek Warwick e Bruno Giacomelli.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A imagem do dia

Nigel Mansell no GP da Grã-Bretanha de 1983, onde acabou no quarto posto com o Lotus 94T com motor Renault, desenhado por Gerard Ducarouge.

Sobre "Our Nige" ou o "brutânico", que faz hoje 65 anos, se calhar, já se disse muita coisa sobre a sua carreira. Do seu inicio, de como chegou à Lotus, depois à Williams, Ferrari - a última escolha de Enzo Ferrari - e o seu final na McLaren, ou os títulos mundiais que perdeu e aquele que ganhou, bem como a sua aventura na IndyCar e de como a sua versatilidade de fome de vencer seduziu Paul Newman, por exemplo. 

O que poucos sabem foi como ele chegou ali e como ele se manteve ao longo dos seus primeiros tempos, muito difíceis. Muito antes da Williams e do seu "Red Five". Não foi o filho de pai rico - os pais não eram fãs de automobilismo - e ele começou na Formula Ford em 1976. Mas ganhou logo na sue primeira corrida, e no final de 1977, tinha vencido 33 das 42 corridas que tinha participado, mesmo com um acidente que lhe fraturou o pescoço e o fez passar dores ao longo da sua vida. Dois anos depois, na Formula 3, a sua carreira poderia ter acabado ainda antes de começar, quando um acidente cm Andrea de Cesaris causou-lhe fraturas numa vértebra. 

Quem lhe salvou foi Colin Chapman. Primeiro, convidou-o a fazer um teste com o modelo 79 em Le Castelet, para saber se poderia ficar com o segundo lugar da equipa, que tinha vagado quando Carlos Reutemann foi para a Williams. Fazendo boa figura - mas não o suficiente para ficar com o segundo lugar da marca para 1980, que ficou para Elio de Angelis - acabou como piloto de testes. Mas a sua velocidade foi o suficiente para que a meio do ano, se estreasse como terceiro piloto, em três provas: Austria, Holanda e Itália.

No final da temporada, tinha todos contra ele, especialmente David Thiemme, o homem por trás da Essex, Mas Chapman acreditava nele, apesar de ele ser sempre mais lento que De Angelis. E muito mal pago: apenas ganhava 50 mil libras por temporada. Tanto que ia aceitar uma oferta para correr nas 24 Horas de Le Mans em 1982, de dez mil libras. Chapman ofereceu-lhe dez mil libras... para não correr, e ele aceitou. Mais tarde, fez-lhe um contrato milionário até 1984, e ganhou dele toda a amizade e respeito.

Os seus tempos na Lotus foram difíceis, especialmente quando Chapman morreu, no final de 1982. Peter Warr detestava-o e quando no final de 1984, contratou Ayrton Senna, Mansell foi o elo mais fraco. Quando se foi, Warr sentenciou: "ele nunca vencerá uma corrida enquanto eu tiver um buraco no meu rabo".

Já sabem o resto da história. Bom saber que Warr viveu para ver Mansell ser um dos melhores da sua geração. E espero que tenha tido tempo para reconhecer que estava errado.

domingo, 22 de abril de 2018

Youtube Motorsport Documentary: O ano de Mansell na CART

Há precisamente 25 anos, Nigel Mansell causava impacto quer na Formula 1, quer na CART. O seu campeonato no ano anterior, ganho com facilidade graças ai FW14 desenhado por Adrian Newey, não teve tanto impacto como a sua saída-surpresa da Williams, para correr na CART americana, ao serviço da Newman-Haas. 

Na realidade, Mansell não queria correr com Alain Prost, que já tinha sido contratado no inicio de 1992 para correr com eles. Ele já tinha tido a experiência em 1990 pela Ferrari e ele não queria virar novamente segundo piloto ao francês. Assim, aceitou o desafio de correr pela equipa de Paul Newman e Carl Haas, ao lado de Mário Andretti, que tinha sido o seu primeiro companheiro de equipa na Lotus, em 1980.

Ao longo de 45 minutos, este documentário mostra o que foi o primeiro ano do "brutânico" na competição, acabando por vencê-la e deter por alguns dias os títulos de campeão do mundo de Formula 1 e de campeão da CART.

Já agora, esta também é uma maneira de assinalar o post numero catorze mil neste blog (14.000), um feito em pouco mais de onze anos e dois meses de existência. É muito tempo a escrever sobre aquilo que se gosta. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A imagem do dia

"Se Mansell é mágico, Cicciolina é virgem", diz o cartaz, algures em 1987.

Quem tem entre 35 e 40 anos - mínimo - deveria saber não só quem é Nigel Mansell, mas também quem é a Cicciolina. Muitos dessa idade têm de agradecer a ela por descobrir... a anatomia corporal e a sua capacidade de aguentar tudo. Vão ver "Ciccliona no Mundial de 1990" para perceberem o que digo.

Ah! E ela também foi deputada no Parlamento italiano. Não estou a brincar, ela também se meteu na politica a sério.

Mas não é da senhora que quero falar. Nem do "brutânico". Quero mais falar das opiniões dos italianos que mudam conforme a estadia de determinado piloto na sua amada Scuderia. Se este cartaz é de 1986-87, altura em que a sua velocidade era inversamente proporcional à capacidade de vencer corridas e títulos (para além de levar o carro até ao fim), quando ele chegou à Scuderia (foi a derradeira contratação de Enzo Ferrari antes de ele morrer), as opiniões mudaram fortemente, com a vitória em Jacarépaguá e as suas corridas ao volante do carro vermelho, com o mítico número 27. 

E de detratores, começaram a chamá-lo de "Il Leone", e o adoravam por ser o "anti-Prost".

Enfim, é para ver que as opiniões mudam rapidamente ao longo dos tempos. E claro, dependendo sempre da passagem pela "macchina rossa". Só que estas coisas não se esquecem.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Abandonar no Auge: 7 - Nigel Mansell (1992)

A história de Nigel Mansell na Formula 1 foi de persistência e muito azar na sua carreira. Nelson Piquet disse certo dia que ele "perdeu três campeonatos", o que é verdade. E pior, perdeu todos esses campeonatos de forma dramática, entre furos a alta velocidade e acidentes graves, que o atiraram para o hospital pelo menos uma vez, em 1987.

Contudo, o "brutânico" tornou-se num favorito para os fãs britânicos (e não só). Nascido a 8 de agosto de 1953, chegou à Formula 1 em 1980, como terceiro piloto da Lotus, onde ficou até 1984. Contudo, por ali, não venceu corridas, apesar da velocidade demonstrada e do arrojo.

Em 1985, transferiu-se para a Williams, onde foi mais feliz. Venceu a sua primeira corrida em Brands Hatch, terminando a temporada no sexto lugar, com 31 pontos, e no ano seguinte, lutou pelo campeonato mundial até ao fim, quando o seu pneu explodiu em plena reta, durante o GP da Austrália, em Adelaide, perdendo o Mundial para Alain Prost. No ano seguinte, continuou a estar na luta pelo título mundial, mas um acidente nos treinos do GP do Japão causou-lhe lesões nas costas e assim, o campeão acabou por ser o brasileiro Nelson Piquet, seu companheiro de equipa.

Em 1989, passou para a Ferrari, onde ficou duas temporadas, e ganhou na sua primeira corrida ao serviço da Scuderia, no Brasil, mas andava sempre atrás de Alain Prost, mesmo com um carro pouco fiável, muitas das vezes por causa da radical caixa de velocidades semi-automática.

Mansell voltou à Williams em 1991, e lutou mais uma vez pelo título mundial, desta vez contra a McLaren de Ayrton Senna. As coisas resolveram-se em Suzuka, a favor do brasileiro, quando ele perdeu o controle do seu carro na volta 14 do GP do Japão.     

Mas por fim, em 1992, alcançou o que tanto almejava: o título mundial. O Williams FW14 era o melhor carro do pelotão, tanto que ele alcançou o título no GP da Hungria, sete corridas antes do final da temporada. Nunca se tinha visto tamanho domínio na Formula 1 até então.

Contudo, Frank Williams negociava por trás dos bastidores a chegada de Alain Prost à equipa em 1993. Furioso, Mansell decidiu chocar o mundo da Formula 1 dizendo em Monza que iria abandonar a Formula 1 no final dessa temporada, rumando para a IndyCar, com um contrato chorudo, para a Newman-Haas. O britânico, apesar de ter 39 anos nessa altura, era ainda suficientemente competitivo para conseguir o título na competição americana em 1993, o primeiro "rookie", o segundo estrangeiro e o terceiro antigo campeão de Formula 1 a alcançá-lo, depois de Mário Andretti e Emerson Fittipaldi.

Mansell continuava competitivo em 1994, mas a meio do ano, Frank Williams pedia para perdoar e regressar à sua equipa. Perdera Ayrton Senna e Alain Prost não queria voltar. Mansell voltou e correu em três Grandes Prémios, vencendo em Adelaide, a última prova do campeonato. Tinha então 42 anos de idade, mas puxou demasiado da sua sorte em 1995, quando foi correr pela McLaren-Mercedes, ao lado de Mika Hakkinen. Duas corridas mal conseguidas acabaram com o seu abandono pela porta pequena...

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A imagem do dia

Um momento em que fica na história: o pneu Goodyear de Nigel Mansell rebenta com todo o seu aparato em plena reta Brabham, a mais de 280 km/hora, a poucas voltas do fim do GP da Austrália e de um eventual título mundial.

A revista Motorsport classificou recentemente o GP da Austrália de 1986 como o mais emocionante da história da Formula 1, e as razões são mais do que muitas. Falamos de três candidatos ao título, do qual venceu o que menos esperavam. O favorito liderou durante boa parte da corrida, e mesmo quando tal não aconteceu, estava sempre na frente dos seus adversários, até que o tal pneu rebentou na volta 62, em plena reta Brabham, no qual controlou com uma mestria soberba, evitando males maiores.

Nelson Piquet poderia ter ganho, se tivesse passado Alain Prost. Tinha pneus mais novos, e maior andamento que o francês, mas tinha de estar atento à gasolina, tal como ele. Tanto que Prost parou mal cruzou a meta, e algo incrédulo, foi comemorar o mais inesperado dos seus quatro títulos mundiais. Agora imaginem se tivesse parado uma ou duas voltas antes, se aquele motor TAG-Porsche fosse um pouco mais guloso. como aconteceu, por exemplo, na Alemanha...

Mas, de facto, foi um final impressionante, daqueles do qual ainda nos lembramos, após este tempo todo. O símbolo de uma era que ficou nas mentes de toda uma geração que a viveu.

Formula 1 em Cartoons - Austrália 1986 (Pilotoons)

Há precisamente 30 anos, a temporada de Formula 1 desse ano encerrava com estrondo. Não da forma como está no desenho, mas certamente que Alain Prost poderá ter feito o seu "vodoo" sobre os pneus do "brutânico"...

Já agora (ainda não falei sobre isto por aqui) aproveito para dizer que o Bruno Mantovani anda a promover a financiamento do seu livro "Contos Velozes", onde os seus cartoons e as respectivas histórias serão compiladas em livro. Caso queiram ver - e colaborar - podem clicar neste link.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Formula 1 em Cartoons - Suzuka 1991 (Pilotoons)

O Bruno Mantovani desenhou hoje sobre o GP do Japão de 1991, pois há precisamente 25 anos, em Suzuka, Ayrton Senna aproveitava o azar de Nigel Mansell para se sagrar tricampeão do mundo, o último título mundial vencido por um piloto brasileiro.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

A(s) image(ns) do dia






As várias imagens daquela que acabou por ser "a" imagem mais icónica dos anos 80, ou da era turbo da Formula 1, que faz hoje 30 anos. E uma delas, Bernie Ecclestone, o homem por trás da ideis, sempre atento para uma boa oportunidade de colocar a Formula 1 nas bocas do mundo.

Esta imagem marca toda uma geração: os quatro melhores pilotos da década de 80, quase todos no seu auge: os brasileiros Ayrton Senna e Nelson Piquet, o britânico Nigel Mansell e o francês Alain Prost. Todos estão aqui a posar, no muro das boxes do GP de Portugal, então no Autodromo do Estoril, por uma boa razão. É que o campeonato do mundo desse ano estava ao rubro, com quatro candidatos ao título, a três corridas do fim.

Nesse mundial, os Williams pareciam dominar, mas nem sempre chegavam ao fim, e era nessas alturas em que o McLaren de Prost e o Lotus de Senna aproveitavam. O mais jovem deles todos era um rei das "pole-positions" e aproveitava bem o motor Renault turbo para fazer tempos-canhão e ficar com o primeiro lugar da grelha. E ambos - Senna e Prost - tinham as suas equipas aos seus pés, pois os seus companheiros de equipa (Prost tinha... Keke Rosberg) não eram capazes de o acompanhar.

Aquela fotografia era o zenite de um campeonato sem vencedor definido, e capaz de agarrar os espectadores até ao fim. Mas a foto foi também tirada num momento ideal: na corrida, no dia seguinte, a falta de gasolina fez Senna perder um segundo lugar certo na última volta, e as suas chances de título tinham sido definitivamente perdidas. A partir dali, e até Adelaide, seria uma batalha a três. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Vende-se: Audi Quattro de 1984

Esta está hoje no Flatout! Brasil. Como todos sabem, o Audi Quattro foi um dos carros mais icónicos dos anos 80, pois definiiu a ideia de um carro com tração integral para o dia-a-dia, depois de entrar - e ganhar nos Ralis do Mundial, ao ponto de algumas das vitórias foram conseguidas por uma senhora chamada Michele Mouton.

Este Audi Quattro de 1984 não é um carro qualquer: o seu primeiro proprietário foi, nada mais, nada menos do que... Migel Mansell. O "brutânico", que entre 1980 e 1995 - com interrupção em 1993 e 94 - passou por Lotus, Williams, Ferrari, regressou à Williams e acabou na McLaren. E pelo meio, foi para a CART, onde venceu o campeonato de 1993.

O Audi foi comprado em junho de 1984, quando ele vivia na ilha de Man, mas vendeu-o seis meses depois, em janeiro de 1985, ainda antes de ir para a Williams. Depois disto, o carro teve mais cinco donos até que em 1995, foi declarado como "perda total" devido a "roubo de peças do carro". Contudo, rodou até 2003, altura em que ficou encostado por oito anos, até 2011, altura em que foi restaurado à sua gloria original. A restauração ficou-se pelas 15 mil libras, e agora foi vendido pela Silverstone Auctions.

O leilão aconteceu no passado dia 30, e o comprador - que se manteve anónimo, pagou cerca de 25 mil libras para tê-lo na garagem. E é um belissimo carro!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Cinco comemorações à grande... e à britânica

As comemorações dos britâncos em relação à vitória de Lewis Hamilton, no passado domingo, em Silverstone, com a multidão a levá-lo aos ombros, numa espécie de "crowdsurfing", mostram que de fleuma, os britânicos já têm muito pouco. Sempre celebraram "forte e feio" as vitórias dos seus, mostrando que são mesmo a nação com mais campeões do mundo na sua história: dez, desde 1958. E desses, oito são ingleses e dois escoceses (Jim Clark e Jackie Stewart)

Esta não é uma festa nova, como é óbvio, e faz lembrar outras comemorações no passado onde os britânicos expressaram toda a sua alegria pela vitória de um dos seus. Aqui ficam cinco exemplos memoráveis, onde curiosamente, quatro deles aconteceram... com o mesmo piloto. E a quinta acabou por não contar para as estatisticas.


1 - James Hunt, Brands Hatch, 1976


Os livros de história vão dizer que o vencedor desta corrida foi Niki Lauda, após a desclassificação do primeiro vencedor, James Hunt. Mas numa altura em que o GP britânico alternava entre Silverstone (nos anos ímpares) e Brands Hatch (nos anos pares), a ida da Formula 1 a aquele circuito no sul inglês calhava numa altura especial.

Num ano onde Niki Lauda dominava a seu bel-prazer, as vitórias de Hunt na corrida anterior, em França, e poucos dias depois, quando venceu o apelo que a McLaren tinha feito para contestar a desclassificação no GP de Espanha, atiçaram o interesse para que os britânicos fossem assistir e apoiar o seu conterrâneo. Especialmente, depois de se saber que a BBC boicotava as transmissões televisivas devido ao patrocinio "malandro" da Surtees...

Num verão especialmente quente - a Europa atravessava uma vaga de calor - Hunt era o menino querido dos ingleses, que o queriam ver vencer. Mas tudo isso esteve para não acontecer quando ele se viu envolvido na carambola na primeira curva, em Paddock Hill Bend, quando bateu no Ferrari de Clay Regazzoni, danificando o seu carro. Hunt recolheu o seu carro às boxes - sem dar uma volta completa ao circuito - e quando os comissários repararam nisso, excluiram-no. 

Quando os espectadores ouviram o aviso pelos altifalantes... odiaram. Primeiro com sonoros apupos, depois com gritos de "nós queremos o Hunt, nós queremos o Hunt!" e para piorar as coisas, algumas pessoas, mais exaltadas, começaram a atirar garrafas de vidro para o asfalto, colocando os carros em risco de furos a alta velocidade. Com isso em mente, os comissários decidiram reinstaurar o piloto britânico na corrida, e essa demora deu tempo aos mecânicos para reparar o McLaren danificado.

Na corrida própriamente dita, Hunt superou Lauda e venceu. No final, uma multidão em delírio celebrava o vencedor, que dizia que isto tudo lhe tinha dado "nove pontos, vinte mil dólares e muita felicidade". Só que a Ferrari apelou para a FIA e dois meses depois, deu razão à equipa de Maranello.


2 - Nigel Mansell, Brands Hatch, 1986


A primeira vitória de Nigel Mansell, "the British Lion" foi em Brands Hatch, mas no ano anterior, numa corrida que foi batizada de "Grande Prémio da Europa", uma maneira de preencher o lugar devido a uma corrida cancelada, e também de ter a Formula 1 naquele lugar nos anos ímpares. Mas no ano seguinte, a vitória de Mansell naquele mesmo local fora em circunstâncias diferentes.

Primeiro que tudo, foi a primeira aparição de Frank Williams após o seu acidente no inicio do ano, que o atirou para uma cadeira de rodas. A sua aparição, depois de ter estado em risco de vida, foi devidamente aplaudida pela multidão presente. Mansell tinha sido superado nos treinos por Nelson Piquet, seu companheiro de equipa, mas ele achava que seria mais veloz na corrida. 

Só que, tal como dez anos antes, houve confusão na partida: uma carambola na traseira do pelotão na Paddock Hill Bend colocou meia dúzia de carros fora de prova, o mais grave deles todos tinha sido o Ligier de Jacques Laffite, que igualava Graham Hill como o piloto com mais corridas na Formula 1, com 176 Grandes Prémios. O veterano piloto, então com 42 anos, tinha fraturado ambos os tornozelos e não voltaria mais à categoria máxima do automobilismo.

Na segunda partida, Mansell conseguiu superar Piquet e fez uma corrida de sonho até alcançar a meta no primeiro lugar, para delírio dos britânicos, que se viam orfãos de um piloto capaz de vencer títulos, desde Hunt. Nas traseiras de um Range Rover da organização, e a caminho do pódio, Mansell sentia o carinho dos adeptos pela segunda vez em poucos meses. Ele ainda teria mais disto nos anos seguintes...


3 - Nigel Mansell (II), Silverstone, 1987


O ataque ao título no ano anterior tinha acabado com estrondo na reta Brabham, em Adelaide, vendo o campeonato cair ao colo de Alain Prost, no seu McLaren. E Mansell continuava com fome de vitórias, tanta fome que os seus excessos o fizeram ser apelidado de "Brutânico". Em 1987, a Formula 1 ia para Silvestone, para cumprir a rotatividade, mas isso seria a última vez que iria acontecer, pois a partir do ano seguinte, a corrida britânica ficaria em Silverstone.

A rivalidade entre Mansell e Piquet estava no auge, e o brasileiro, numa equipa em que todos trabalhavam para o britânico, tinha de ser mais esperto. Era mais regular, mas o líder era Mansell, à custa das suas três vitórias até então (Piquet não tinha ganho nenhuma).

Numa Silverstone a abarrotar pelas costuras, uma das pistas mais velozes do campeonato vira Mansell ser o "poleman" numa das médias mais velozes de sempre. Mas Piquet, esperto, partiu para a liderança, mantendo-se numa estratégia de não parar para trocar de pneus. Mansell ia seguir a mesma coisa, mas um furo lento a meio da corrida o fez ir às boxes, perdendo tempo e a liderança para o brasileiro. Furioso, o "brutânico" encolheu a distância enquanto via as voltas diminuirem até à bandeira de xadrez, pensando que não tinha tempo.

Mas tinha: a três voltas do fim, Mansell colou-se à traseira de Piquet, e no final da Hangar Straight, enganou o brasileiro quando este tentou bolqueá-lo, indo para o outro lado. A manobra levou os britânicos ao delírio, passando a ser o seu novo herói nacional e comemorando devidamente, invadindo a pista.


4 - Nigel Mansell (III), Silverstone, 1991


Depois da Williams (um acidente em Suzuka o impediu de alcançar o título), Mansell foi para a Ferrari por duas temporadas. A derradeira escolha do "Commendatore" antes da sua morte, em agosto de 1988, ele não deixou de ser quem era, com vitórias épicas (Brasil 1989) e falhanços imcompreensiveis (Japão 1990). E os italianos ficaram rendidos, chamando-o de "Il Leone".

Em 1991, Mansell regressara à Williams, a pedido de Frank Williams, que o tentara dissuadir de abandonar a Formula 1, após o anuncio feito por ele mesmo no GP britânico, onde desistiu depois de uma corrida brilhante, lutando pela vitória com os McLaren e o seu companheiro de equipa, Alain Prost. Frank tinha prometido a Nigel que iria ter um carro decente, e cumpriu, com o FW14. 

Mas a temporada para a Williams tinha começado de forma complicada quando Ayrton Senna venceu os quatro primeiros grandes prémios, e Mansell teve mais um dos seus momentos embaraçosos quando deixou escapar a vitória do GP do Canadá... a meio da última volta, a favor do seu rival Nelson Piquet. Quando finalmente a Williams ganhou, no México, foi com... Ricciardo Patrese, seu companheiro de equipa.

Mansell venceu em Magny Cours, palco do GP de França, o que lhe deu esperança de fazer um bom resultado em paragens britânicas, uma semana mais tarde. E assim foi: Mansell dominou completamente a corrida, com a pole-position e a liderança do principio até ao fim. E para melhorar as coisas, viu o seu arqui-rival Senna desistir na última volta, perdendo uma certa ida ao pódio, no segundo lugar.

Mansell, magnânimo, quando viu o brasileiro na berma, deu-lhe boleia até às boxes no flanco do seu carro, enquanto que a multidão mais uma vez invadia a pista, num dos momentos inesquéciveis da Formula 1. 


5 - Nigel Mansell (IV), Silverstone, 1992


Com 39 anos em 1992, Mansell teve finalmente o título que desejava. Num ano dominante, numa máquina dominante desenhada por Adrian Newey - o FW14B - Mansell vencera quase todas as corridas nessa temporada. Nada mau para quem dois anos antes tinha anunciado a sua retirada frustrado por não alcançar o seu sonho.

E o GP britânico não seria diferente. Como no ano anterior, Mansell dominou nos treinos e na corrida, de fio a pavio. E depois de cotara a meta, teve um banho de multidão como nunca tinha acontecido no circuito, fazendo com que o seu regresso ao pódio se complicasse e acabasse - tal com em 1986 e 87 - a ser rebocado pela organização, que o colocou no local o mais rapidamente possivel. E poucas semanas depois, na Hungria, tornou-se no campeão mais antecipado até então, em termos de calendário, quando faltavam cinco corridas para o final dessa temporada. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Cinco historietas marcantes do circuito de Montreal

Há muito tempo que estou convencido que quando a Formula 1 chega a Montreal, o espírito de Gilles Villeneuve instala-se sobre o paddock e o pelotão, fazendo coisas que são absolutamente invulgares, especialmente nos tempos em que a categoria se tornou em algo aborrecido. Em muitos aspectos, esta corrida bem popular entre os fãs, pilotos e equipas é um local que todos esperam durante todo o ano, e desde 1978, é o lugar onde se disputa o GP do Canadá, depois de nove anos no circuito de Mosport, no Ontário, e outros dois no circuito de Mont-Tremblant, também no Quebec.

Desenhado no mesmo sitio onde em 1967 acolheu a Exposição Universal que comemorou o centenário da criação da Confederação Canadiana, o circuito da Ile de Notre-Dâme entrou no calendário em 1978 e em 1982 recebeu o nome atual, em homenagem ao mitico piloto canadiano, morto nesse mesmo ano. Com interrupções em 1987 e 2009, foram poucas as corridas ditas... aborrecidas. Eis cinco exemplos, dos anos 70 até à década atual, onde a reputação do circuito se solidificou nas mentes dos fãs.


1 - A primeira vez do piloto local (1978)


Em 1978, a Formula 1 saiu de Mosport para Montreal, embora a corrida continuasse a ser no outono. Naquele ano, era a corrida de encerramento do campeonato, numa altura em que os Lotus tinham dominado a temporada, também marcada pelo acidente mortal de Ronnie Peterson. no seu lugar, foi chamado o francês Jean-Pierre Jarier, com reputação de ser veloz, mas pouco consistente.

No novo circuito, ainda com as marcas da construção (havia lama nas bermas, uma armadilha para pilotos e carros) e debaixo de uma temperatura próxima dos zero graus, Jarier pegou no modelo 79 e voou para a pole-position, a terceira (e última) da sua carreira. No arranque, fez uma corrida consistente, no sentido de vencer, seguido por Alan Jones, Jody Scheckter e Gilles Villeneuve. Para Jarier, foi o momento em que esteve mais próximo de subir ao lugar mais alto do pódio, mas na volta 51, uma falha na pressão do óleo fez com que abandonasse a corrida. Nunca mais teria outra chance na sua longa carreira.

O grande beneficiado disto tudo foi Gilles Villeneuve, que estava atrás do francês, e levou o carro até ao fim, conseguindo uma emocionante vitória, a primeira da sua carreira, e um ano depois da sua estreia na Ferrari, em Mosport. Joduy Scheckter foi o segundo, na frente de Carlos Reutemann, no segundo Ferrari.


2 - Nariz, que nariz? (1981)


Três anos depois, o GP do Canadá era a penúltima corrida de um campeonato cujo titulo estava a ser disputado a quatro: o Renault de Alain Prost, o Ligier de Jacques Laffite, o Brabham de Nelson Piquet e o Williams de Carlos Reutemann. Alan Jones, o campeão do ano anterior, estava de fora da luta pelo título, e já pensava na retirada da competição, enquanto que Gilles Villeneuve esperava conseguir um brilharete na sua corrida "de casa".

Piquet fez a pole-position, seguido por Reutemann, Jones e Prost. Jacques Laffite era décimo na grelha, um lugar na frente de Villeneuve.

A corrida aconteceu debaixo de frio e chuva, com confusão nas primeiras voltas. Jones foi para a frente, aproveitando um incidente que tinha deixado o seu companheiro de equipa no fundo do pelotão, mas na sétima volta despistou-se, e o brasileiro saiu da pista para evitar a colisão. Na volta dez, Prost era o líder, com Laffite em segundo, mas na volta treze, o francês da Ligier ficou com o comando da corrida.

Atrás, Villeneuve sofreu um pequeno incidente que danificou a sua asa frontal. Este começou a desfazer à frente de toda a gente, que observava, entre o espantado e o aterrado, o que o canadiano fazia para equilibrar o carro na pista. Por fim, a asa cedeu e ele prosseguiu.

No final, Jacques Laffite foi o grande vencedor, com o McLaren de John Watson no segundo posto. Gilles Villeneuve foi o terceiro, e Nelson Piquet foi o quinto, conseguindo dois pontos essenciais na sua luta pelo titulo, que iria alcançar na corrida final, em Las Vegas.   

A edição de 1981 viria a ser a última realizada em setembro/outubro. As baixas temperaturas naquele período do ano fazem com que partir do ano seguinte, o GP do Canadá ocorreria a meio de junho. E infelizmente, seria a última vez que Gilles correria ali. Morreria um mês antes da edição seguinte do GP canadiano. 


3 - Para acabar primeiro, primeiro tem de acabar (1991)


Dez anos depois, a Formula 1 estava em paragens canadianas numa altura em que Ayrton Senna e a McLaren dominavam o pelotão da Formula 1, mas por essa altura, a Williams já reagia, com Nigel Mansell e o modelo FW14. A quinta prova do campeonato de 1991 tinha dado algumas novidades, como por exemplo, o despedimento do diretor da Ferrari, Cesare Fiorio, a pedido de Alain Prost.

Na qualificação, Riccardo Patrese foi o melhor, na frente de Nigel Mansell, Ayrton Senna e Alain Prost. Nelson Piquet era o oitavo na grelha, na frente do Tyrrell de Stefano Modena.

A corrida foi interessante. Os Williams dominaram, enquanto que Senna desistiu na volta 25 devido a um problema com o alternador. Patrese cedeu a liderança a Mansell devido a problemas de motor, e depois perdeu para Piquet e Modena. No inicio da última volta, o "brutânico" tinha um avanço de quase um minuto e já comemorava a vitória quando... deixou ir o seu motor abaixo. Piquet, que vinha atrás, nem queria acreditar, e venceu a sua 23ª (e depois, última) vitória da sua carreira. E ele foi sempre a sorrir ao pódio, contando depois que "teve um orgasmo" ao saber o que tinha acontecido ao seu rival. 

A corrida canadiana teve também mais alguns resultados invulgares: não só aconteceu o melhor resultado de sempre de Stefano Modena, com o segundo lugar no seu Tyrrell-Honda, como também foi o local onde a Jordan conseguiu os seus primeiros pontos da sua história, com o quarto lugar alcançado por Andrea de Cesaris, e o quinto posto de Bertrand Gachot. Mansell, mesmo com o seu problema, foi sexto.

Curiosamente, a vitória de Piquet era a sétima consecutiva de um piloto brasileiro. Desde o GP do Japão de 1990, o equilíbrio era patente: Senna tinha quatro, Piquet três. 


4 - ... e tudo aquele chassis desintegrou (2007)

Em 2007, a corrida de Montreal era a sexta corrida do campeonato, numa luta entre a McLaren e a Ferrari, com Lewis Hamilton a estar no centro das atenções, não só porque era um estreante, como conseguia bater o pé a Fernando Alonso, o então campeão do mundo.

Na qualificação, a McLaren monopolizou a primeira fila, com Lewis Hamilton a fazer a sua primeira pole da sua carreira, com Fernando Alonso atrás. A corrida começou com Hamilton a ser melhor do que Alonso, que saiu de pista e danificou uma parte do seu carro, sofrendo até ao fim. Na volta 22, Adrian Sutil bateu forte e fez com que o Safety Car saísse da pista pela primeira vez. Ele ficou por quatro voltas, e logo a seguir, a corrida foi retomada... por uma volta. O polaco Robert Kubica estava colado atrás do Toyota de Jarno Trulli quando perdeu o controlo na travagem para o gancho, desfazendo o seu Sauber-BMW, num dos acidentes mais espectaculares da década. 

Apesar de todos os incidentes, a corrida acabou com Lewis Hamilton a vencer pela primeira vez na sua carreira, na frente de Nick Heidfeld e o Williams de Alexander Wurz. O mais surpreendente foi no sétimo posto, quando Takuma Sato, no seu Super Aguri, que ficou na frente de... Fernando Alonso.

O polaco teve contusões nos pés e queria correr na prova seguinte, em Indianápolis, mas a FIA vetou a sua participação, por motivos médicos. A BMW Sauber convoca assim um jovem alemão de 20 anos para o seu lugar, fazendo assim a sua estreia na Formula 1. Seu nome? Sebastian Vettel

Para Kubica, Montreal é palco de extremos: no ano seguinte, vai ser em Montreal que irá conseguir a sua única vitória na Formula 1.


5 - Quatro horas para definir um vencedor (2011)


De vez em quando a Formula 1 corre em Montreal debaixo de chuva intensa. Foi o que aconteceu em 2011, quando durante todo o fim de semana, o mau tempo e as baixas temperaturas afetaram todo o fim de semana da corrida canadiana.

Sebastian Vettel foi o poleman, na frente do Ferrari de Fernando Alonso e do seu companheiro, Felipe Massa. No dia da corrida, caía uma chuva persistente, que fez com que a corrida começasse atrás do Safety Car. As coisas continuaram assim nas cinco voltas seguintes, até que a corrida prosseguiu, com alguns incidentes mais ou menos graves. Na oitava volta, ambos os McLaren colidiram, com Hamilton a desistir, e o Safety Car voltou a entrar na pista nas cinco voltas seguintes.

Contudo, as condições pioraram e na volta 20, a bandeira vermelha foi acionada, e os carros pararam na grelha. As coisas ficaram assim durante duas horas, esperando que as condições melhorassem. Pelas quatro da tarde, hora local, a corrida recomeçou atrás do Safety Car, com Vettel na liderança, e o japonês Kamui Kobayashi atrás. 

No final, quase às cinco da tarde, tudo se definiu na última volta: Sebastian Vettel estava na frente, mas a ser acossado pelo McLaren de Jenson Button, que estava a aproximar-se numa superfície que secava rapidamente. A algumas curvas do fim, o Red Bull do piloto alemão escapou de traseira e o britânico aproveitou, acabando por alcançar a vitória. Tudo isto durou quatro horas, quatro minutos e 39 segundos: a corrida mais longa da história da Formula 1.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A imagem do dia

Há precisamente 25 anos, em Montreal, Nelson Piquet teve um ataque incontrolável de riso. A parte engraçada é que ele o teve no lugar mais alto do pódio de um Grande Prémio, numa altura em que nem pensava ganhar aquela corrida, pois o atraso que tinha com o líder anterior era superior a um minuto. Então, o que aconteceu? Bom, o seu adversário - aparentemente - deixou o seu motor ir abaixo a pouco mais de um quilómetro da meta. O seu adversário era Nigel Mansell, piloto da Williams, que naquela altura procurava a sua primeira vitória com o FW14, na temporada de 1991.

O GP do Canadá era a quinta corrida daquela temporada, e Ayrton Senna tinha ganho as quatro primeiras corridas, quase parecendo ir de forma imparável para um terceiro título mundial. A Williams tinha um carro que parecia ser prometedor, mas diversos problemas impediam quer Mansell, quer Ricciardo Patrese, de alcançar o lugar mais alto do pódio. A Ferrari estava em convulsão interna, sem vencer, e tinha acabado de despedir Cesare Fiorio, depois de uma luta interna com Alain Prost pelo controlo da Scuderia. Na Lotus, Johnny Herbert estava lá como piloto, depois de despedirem Julian Bailey.

A Williams teve, por fim, a oportunidade que queria para mostrar o potencial do seu carro. Riccardo Patrese faz a pole-position, e Nigel Mansell, seu companheiro de equipa, dominou boa parte da corrida. Tudo indicava que, por fim, a equipa iria conseguir a sua primeira vitória do ano, já que Ayrton Senna teve um problema no seu alternador na volta 25 e encostou o carro na berma de vez. Contudo, Patrese tinha problemas na sua caixa de velocidades e tinha sido apanhado por Piquet, que ficara com o segundo posto. Algum tempo depois, o italiano Stefano Modena, no seu Tyrrell-Honda, também passava o seu compatriota para ficar com o lugar mais baixo do pódio.

Contudo, como se costuma dizer... para acabar em primeiro, primeiro tem de acabar. E na última volta, quando Mansell pensava que já ia cruzar a meta para comemorar a sua primeira vitória em pouco mais de meio ano - tinha sido no GP de Portugal de 1990 - deixou o motor Renault V10 ir abaixo. E quem vinha atrás era... Nelson Piquet. O piloto que infernizou a sua vida quando estiveram juntos na Williams, em 1986 e 1987, na primeira passagem do "brutânico" pela equipa.

Piquet contou depois que "tinha tido um orgasmo" quando soube o que tinha acontecido ao Mansell. A sua cara sorridente, que mostrou no pódio, não era tanto por ter ganho a sua 23ª - e depois viria ser a última - vitoria da sua carreira. Era também saber das circunstâncias dela, e saber que um dos seus rivais tinha cometido um erro básico. E pela sétima vez seguida, um brasileiro estava no lugar mais alto do pódio, algo que não mais se repetiu até aos dias de hoje.

E aquela corrida - do qual faz hoje 25 anos - viu a primeira vez de muitas coisas. Os primeiros pontos da Jordan, o melhor resultado de sempre de Modena, e a última vez que a Pirelli venceu uma corrida de Formula 1 até 2011, quando regressou à competição como fornecedor único, onde permanece até ao momento em que se escrevem estas linhas.

Mas aquela tarde não se esquece mais, adicionando mais lenda a aquele circuito canadiano.

domingo, 29 de maio de 2016

Oito campeões que nunca ganharam no Mónaco (parte 2)

(continuação do capitulo anterior)


Na segunda parte da matéria sobre os campeões que nunca venceram no Mónaco, falo dos piltoos que nos anos 80 e 90 foram dos melhores, mas que nunca conseguiram aparecer no lugar mais alto do pódio. E dois deles são filhos de campeões do mundo cujos pais, juntos, conseguiram seis vitórias nas ruas do Principado, mas os filhos não conseguiram... nada.

Mas também falarei de dois pilotos que preencheram boa parte do imaginário da década de 80 na categoria máxima do automobilismo, mas que em termos de glória suprema em termos de Principado, nunca a alcançaram.



5 - Nelson Piquet


Ao contrário do seu compatriota - e arqui-rival - Ayrton Senna, Nelson Piquet, tal como o seu compatriota Emerson Fittipaldi, nunca subiu ao lugar mais alto do pódio nas doze temporadas em que participou no GP do Mónaco, entre 1979 e 1991. 

Se a partir de 1984, apanhou Senna no seu melhor, antes até teve algumas participações honrosas, como um terceiro posto em 1980, um segundo posto três anos depois - depois de conseguir a pole-position - e oitro em 1987, atrás de... Ayrton Senna, que vencia ali pela primeira vez, no seu Lotus-Honda. 

E pelo meio, Piquet teve alguns sustos, como em 1985, quando bateu com o Alfa Romeo de Ricciardo Patrese.   


6 - Nigel Mansell


O "brutânico", com uma extensa carreira nas ruas monegascas entre 1981 e 1992, pela Lotus, Ferrari e Williams, nunca foi feliz por ali, acabando muitas vezes por bater, vitima dos seus excessos. Em 1984, liderou a corrida à chuva, mas bateu na subida para a curva Massenet, acabando por desistir e de uma certa forma, cavar a sua porta de saída da equipa de Colin Chapman.

Na Williams, as coisas até foram um pouco melhores, mas a vitória sempre lhe escapou. A mais famosa delas todas foi em 1992, quando Mansell liderava com mais de 40 segundos de avanço quando sofreu um furo a poucas voltas do fim, tendo de ir às boxes e ficado trancado atrás de Ayrton Senna. As suas tentativas desesperadas de o passar ficaram na história, mas teve de se contentar com o segundo posto, o mesmo lugar que tinha conseguido no ano anterior, outra vez atrás de Senna.  


7 - Damon Hill


Filho de Graham Hill, o "principe do Mónaco", vencedor de cinco corridas nas ruas do Principado, Damon Hill nunca alcançou o sucesso do pai no "quintal" onde o seu pai dominou nos anos 60. Entre 1993 e 1999, Hill nunca venceu e a sua melhor participação aconteceu nas edições de 1993 e 1995, ambas ao serviço da Williams, onde foi segundo classificado.

Na sua primeira participação, em 1993, acabou atrás de Ayrton Senna, que vencia ali pela sexta vez e via-o bater o recorde do seu pai, igualado no ano anterior. Dois anos depois, Hill repetiu o segundo posto, batido por Michael Schumacher, e depois de fazer a pole-position.

A partir dali, e tirando um oitavo lugar na edição de 1998, onde já corrida pela Jordan, nunca mais terminou qualquer corrida nas ruas do Principado, embora tenha tido uma grande chance de vitória em 1996, mas o seu motor Renault V10 não o deixou.   


8 - Jacques Villeneuve


Gilles Villeneuve, o seu pai, venceu ali em 1981, numa vitória celebrada pelos seus fãs, mas o seu filho nunca conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio ao longo do tempo em que esteve na Formula 1, entre 1996 e 2006, com interrupção em 2004. 

O seu melhor lugar de sempre nas ruas do Principado foi em 2001, com um quarto lugar, ao serviço da BAR-Honda, superando o quinto lugar que alcançou em 1998, quando guiava o seu Williams. Mas de resto, todas as suas participações acabaram ora fora dos pontos, ora nos rails de proteção, ora vitima de algum problema mecânico no seu carro.