quinta-feira, 24 de setembro de 2026

WRC: Os desabafos de Serderidis


O grego Jourdan Serderidis é um piloto interessante, de um tipo que está em vias de extinção. Aos 62 anos de idade e radicado há algum tempo na Bélgica, onde foi o fundador do Arηs Group, que se dedica à gestão de projetos de tecnologia informática, elegeu como hobby o ralis, e dos ralis já passou para o todo-o-terreno. Começou em 2013, aos 49 anos, e desde então, participou em 40 ralis no WRC, conseguindo 15 pontos, e tendo como melhor resultado um sétimo lugar no rali do Quénia, em 2022, num Puma Rally1.

Para além disso, financiou a carreira do luxemburguês Gregoire Munster, que pilotou para a Ford entre 2023 e 2025, com ele a conseguir 92 pontos e duas vitórias em classificativas, conseguindo como melhor resultado cinco quintos lugares.  

Numa entrevista ao site Le Mag Sport Auto, questionado sobre o WRC e a atualidade dos novos regulamentos para 2027, foi demolidor:

"A minha constatação hoje é desoladora: neste momento não há nenhum novo construtor. Pior ainda, perdemos a Hyundai, a M-Sport ainda não construiu o seu carro com as especificações WRC2027 mas está previsto para meados de 2028. A Lancia e a Škoda continuam nos Rally2," começou por afirmar.

"No máximo temos duas iniciativas privadas, como a da RallyOne belga, que poderá entrar na luta com a Toyota com recursos cem vezes inferiores, mas com uma grande dose de audácia. Isto deixa os adeptos perplexos, com Toyotas — talvez até dois modelos, com versões profissionais e para clientes — com as novas especificações, Rally2 adaptados quando o velho Fiesta, que já não é produzido há seis anos.... e Rally2. Ninguém percebe nada.", continuou.

Serderidis lamenta que não haja orçamento para pagar pilotos profissionais como no passado, e afirma que a única justificação para tudo isto é a atual situação da industria automóvel, que está num período de transição. 

"Pilotos como Thierry Neuville ou Adrien Fourmaux nem sequer têm a certeza de poder disputar todas as provas do campeonato em 2027!", desabafou. "Lamento, mas não posso compactuar com esta situação e esta governação. A única desculpa que consigo encontrar é a mudança fundamental que está a ocorrer atualmente na indústria automóvel. Mas é preciso visão e paixão. E é preciso agir rapidamente. Na minha opinião, fizeram tudo menos isso!", concluiu.

Serderidis competiu este ano no rali da Grécia, a bordo de um Ford Puma Rally1, acabando na 32ª posição da geral.

Sem comentários: