Todos sabem o que aconteceu: um duelo para a história, entre a Peugeot e a Lancia.
A Peugeot tinha o 205 Ti16, campeã do mundo com Timo Salonen, e queria ir para Monte Carlo para revalidar a vitória que tinha conseguido com Ari Vatanen, alcançada depois de um acidente no inicio, que o fez atrasar quase quatro minutos, antes de fazer uma corrida de recuperação, que o levou ao lugar mais alto do pódio. Uma das vitórias mais épicas da carreira do piloto finlandês, que em 1986 era a maior ausência deste rali, pois recuperava do seu arrepiante acidente na Argentina, quase meio ano antes.
No seu lugar, havia outro finlandês, Juha Kankkunen, que estava ao lado de Salonen e dos franceses Bruno Saby e Michele Mouton, que faziam parte da armada da marca do Leão. Em contraste, com a Audi algo enfraquecida, com o seu modelo Quattro S2, e pilotos como Walter Rohrl e Hannu Mikkola outras marcas que ainda estavam no seu inicio, como a Rover e a Citroen, com o BX - e a Ford só apareceria na Suécia com o RS200 - outra marca estava em ascensão: a Lancia, com o seu Delta S4. Quinhentos cavalos de potência, com um turbo compressor e um supercompressor, potencias brutais do qual poucos eram capazes de domar.
Ao contrário da Peugeot, apenas dois Delta S4 estavam presentes, inscritos para Markku Alen e Henri Toivonen, outros dois finlandeses. E nesse ano, um deles era o favorito: Toivonen. Vencedor do Rali RAC de 1985, onde o carro se estreou, o piloto, então com 29 anos, dava-se tão bem com o carro como Alen, que tinha a fama do "Maximum Attack". Mas Toivonen ainda tinha mais uma razão para ganhar em Monte Carlo, e esse era familiar, que em 1986 fazia vinte anos.
Em 1966, a edição do rali de Monte Carlo ficara marcada pela desclassificação dos Mini Cooper oficiais, que ficaram com os três primeiros lugares, por causa de uma irregularidade... nos faróis dianteiros, que emitiam mais luz que o indicado pela direção de corrida. Carros desclassificados, o quinto classificado (o Ford Cortina de Roger Clark foi também desclassificado pela mesma razão) foi declarado vencedor. Que era um Citroen DS21, um carro francês, guiado pelo finlandês Pauli Toivonen, o pai de Henri, que em 1966 tinha nove anos de idade.
Toivonen pai acabou por ser campeão europeu de ralis em 1968, mas sempre lhe falaram que a sua vitória em Monte Carlo, que deveria ser um dos corolários da sua carreira - ele ganhou o Rali dos Mil Lagos em 1962, antepassado do atual Rali da Finlândia, num Citroen DS19 - eles recordavam daquele "asterisco", algo do qual o seu filho sempre esteve disposto a defender a honra da família. E ganhar Monte Carlo, numa altura importante, teria sido fantástico.
Em 1986, o rali durou quase uma semana - começou a 18 de janeiro, acabou a 24 - e era bem longo: 3991 quilómetros, divididos pelos percursos de concentração, classificação, comum e final. 36 provas especiais de classificação, no total de 880 quilómetros. O tempo por esses dias esteve na maioria seco, mas com alguns nevões em determinadas zonas. Os pilotos lidavam com pisos dos mais variados tipos, desde seco a coberto por neve, passando por húmido, placas de gelo e neve derretida.
O rali começou com os Lancia ao ataque perante Salonen (número 1) e o seu Peugeot, e Rohrl (número 2) e o seu Audi. Primeiro, com Alen (número 9) a liderar, mas a partir da segunda especial, Toivonen (número 7) ficou com o comando e começou a distanciar-se da concorrência, tentando ir mais rápido num asfalto que como já foi dito, por vezes gelava, noutras nevava. E em certos sítios, os espectadores não ajudavam muito...
Contudo, o rali, que estava a ser bem interessante, com Toivonen a liderar no final do primeiro dia, iria ter um momento critico no inicio da manhã do dia 21 de janeiro, no final da 12ª especial, mais concretamente, num troço de ligação...




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