segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A nova vida de Gerard Lopez

Gerard Lopez foi, até finais de 2015, um dos donos da Lotus F1, a equipa de Formula 1 que sobrou da Renault, que vendeu para ele no final de 2010. Lopez conseguiu segurar o barco de Enstone durante algum tempo, e conseguiu alguns feitos, como fazer regressar Kimi Raikkonen e conseguir duas vitórias, para além de ter outros pilotos como Robert Kubica, Nick Heidfeld e Bruno Senna. De uma certa maneira, aqueceu o lugar enquanto que a Renault se dedicava exclusivamente ao desenvolvimento de motores, quer para eles, quer para a Red Bull, que durante esse tempo conseguia quatro títulos seguidos de pilotos e Construtores.

Contudo, gerir a Formula 1 é muito complicado e é um verdadeiro sorvedouro de dinheiro. Lopez e o seu fundo, o Genii Capital, acabaram por ter prejuízo, apesar da injeção de dinheiro proveniente da FOM. Tanto que agora que a Renault já tem de volta o controlo da sua equipa, penou em 2016, sendo os antepenultimos no campeonato de Construtores, com oito pontos, tendo atrás de si apenas a Sauber e a Manor. A própria Renault admitiu que este foi um "ano zero".

Pois bem, depois de vender a sua parte, não se tem ouvido falar de Lopez... pelo menos até este mês. Desde há umas semanas se tem ouvido falar que ele decidiu adquirir participações maioritárias em dois clubes de futebol, um francês e um português. O francês é o Lille OSC, da Ligue 1, e o português é o Gil Vicente, da II Liga. No caso deste último, a Genii Capital comprou 60 por cento da sua SAD por meros seis milhões de euros. 

É verdade que o futebol é um negócio bem mais barato do que ter uma equipa de Formula 1. Por exemplo, o mínimo de sustentabilidade de uma equipa na I Divisão anda na ordem dos três milhões de euros, baixando para metade na II Divisão. Mas quando temos fundos a adquirirem clubes de futebol, não é por causa dos seus belos olhos ou porque são os seus clubes favoritos. Eles estão ali para ganhar algum, ou então até para serem clubes que se alimentam uns dos outros, embora as regras da UEFA impedem que uma pessoa não possa ser dono de dois clubes da mesma liga, por causa de eventuais favoritismos. É por isso que os clubes B, existentes em Espanha e Portugal, não podem subir à I Divisão, por exemplo.

A ideia de ter donos estrangeiros a serem proprietários das SAD's implicaria que investissem dinheiro para melhorar as sortes desses clubes, mas nem sempre funciona assim. Nos últimos dois/três anos, estão a aparecer magnatas chineses que adquirem as SAD's de clubes portugueses na II e III Divisões (Pinhalnovense, Atlético e Torrense são alguns exemplos), mas eles dão nas vistas pelas piores razões, como por exemplo, escândalos de apostas desportivas. Também há outros que aparecem pelas piores razões, como o Belenenses, mas aí a razão são as péssimas relações entre o clube e a SAD, e a interferência em várias áreas futebolisticas, para além de, claro, a questão do dinheiro.

E a chance do Gil Vicente ser um "Belenenses, parte II" é grande. António Fiúza, o seu presidente, tem um mau temperamento, mas todos - apoiantes e detratores - concordam que tem a ver com o clube, do qual defende com unhas e dentes. E vem de familia, pois ele é neto de um dos seus fundadores. 

Vamos a ver o que ele vai trazer de novo para o clube de Barcelos, e se as relações com o... "vulcânico" Fiúza vão - ou não - ser harmoniosas. 2017 vai ser um ano interessante para aqueles lados.

1 comentário:

Leandro Martins disse...

Que eu saiba a questão é mais que os clubes B devem sempre disputar as divisões inferiores. Se ocorresse um desastre de Porto, Benfica ou Sporting serem despromovidos, sua equipe B acabaria por ser despromovida independente do resultado também. Não é isto?