terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A imagem do dia



Biografias de pilotos variam conforme aqueles que as escrevem, mas ao longo da minha existência, já li alguns que valem a pena. Um deles consegui há uns dois anos no Leiria Sobre Rodas, e o preço era tão irresistível - cinco euros - que nem hesitei. 

Era uma biografia do Gilles Villeneuve, em inglês, escrita por um escritor local, Gerald Donaldson

Para mim, que sempre admirei Gilles, mas tinha cinco anos de idade quando ele morreu, ler sobre um piloto cujo inicio era dos mais anormais da Formula 1 dos últimos 60 anos, quando começou a correr e a ganhar... em corridas de "snowmobille", ler sobre os seus começos em Berthierville, no Quebec canadiano, as suas ligações, as pessoas com quem cresceu, o seu relacionamento com Joanne Barthes, que viria a ser sua mulher, e porque é que mexeu com a sua idade, fazendo-se passar por mais novo em dois anos, bem como as suas manias - como sabia que iria perder cabelo, considerou seriamente fazer um implante capilar. A sério!

O final trágico era sabido, mas desconhecia que o governo canadiano o transportou de avião para o aeroporto mais próximo de Berthierville para um funeral que deveria ter tido cerca de cinco mil pessoas, e com a presença de Pierre Trudeau, o então primeiro-ministro do Canadá. O impacto, de facto, foi bem grande, ainda por cima, mercas seis semanas antes do GP do Canadá, que iria ser pela primeira vez, em junho - e é onde está agora. 

Gerald Donaldson nasceu a 18 de julho de 1938 em Almonte, no Ontário, e licenciou-se no Ontario College of Art. Trabalhou na industria publicitária antes de se virar para o jornalismo, escrevendo para jornais como o Toronto Star e o The Globe and Mail, e pelo meio, ainda correu algumas provas de Turismo. Se a obra sobre Gilles, que saiu em 1988, foi das mais famosas, ele também escreveu livros sobre James Hunt, Juan Manuel Fangio e uma autobiografia da Formula 1. E em 2018, foi incorporado no F1 Paddock Hall of Fame, em Monza, ao lado de gente como Bernard Asset, Paul-Henri Cahier, Roger Benoit, David Coulthard, Damon Hill, Joe Saward, Nigel Roebuck e Ercole Colombo, entre outros. 

No mesmo ano, foi também incluído no Canadian Motorsport Hall of Fame, ao lado daquele que escreveu, trinta anos antes. 

Soube esta terça-feira, pelo Twitter de outro excelente jornalista e escritor, Richard Hamilton - autor do livro "Ayrton Senna do Brasil" - que Donaldson morreu no sábado, dia 14, aos 87 anos de idade. Que todos tenhamos de ir um dia, isso sabemos nós, mas tenho de reconhecer que ele era dos melhores a contar a história de um desporto que amamos e daqueles que brilharam e a colocaram no lugar onde pertence. Fica a obra. Ars longa, vita brevis. 

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