Comecemos pela temporada de 1984. Depois de um 1983 atribulado, onde conseguiu apenas dois pontos e uma pole-position, a primeira da sua carreira, essa temporada começa com ele sendo pole em Jacarépaguá, acabando na terceira posição. Iria ser o primeiro de quatro pódios e de uma regularidade impressionante na era turbo - onze chegadas nos pontos - que lhe dão 34 pontos e o terceiro lugar da classificação, apenas atrás dos invencíveis McLarens de Alain Prost e Niki Lauda.
Se De Angelis cumpria e agradava à Lotus, especialmente Peter Warr, por outro lado, ele detestava crescentemente Nigel Mansell. Essa hostilidade vinha desde os tempos da morte de Colin Chapman, mas não podia fazer muito porque este tinha renovado o contrato do piloto britânico até ao final da temporada de 1984, e a equipa tinha patrocinadores britânicos. No verão desse ano, Warr descobriu o seu sucessor: o brasileiro Ayrton Senna, que deslumbrava na Toleman. O contrato foi feito e o anuncio aconteceu no fim de semana do GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
Havia expectativas sobre esta dupla, e de certa forma, foram cumpridas. Senna ganhou no Estoril, à chuva, e liderava o GP de San Marino, em Imola, quando ficou sem gasolina. No meio do caos das últimas três voltas, em que ninguém parecia liderar, porque todos ficavam sem combustível, Alain Prost acabaria por cruzar a meta na primeira posição, apenas para ser desclassificado por ter o carro dois quilos demasiado leve em termos regulamentares. O vencedor fora... De Angelis. Que não tinha liderado qualquer volta naquela corrida!
Contudo, apesar de uma pole-position em Montreal, o seu terceiro na sua carreira, e liderar o campeonato depois do GP do Mónaco, quando conseguiu um terceiro lugar, e tinha 20 pontos, contra os 18 de Alain Prost, aos poucos o seu lugar e o seu estatuto de primeiro piloto estava a ser conquistado por Senna. Crescentemente insatisfeito pelos esforços da equipa, apesar de acabar em quinto lugar no campeonato, e ter conseguido menos um ponto do que em 1984, De Angelis sentiu que mais uma temporada na Lotus, e ao lado de Senna, seria demais. Ainda por cima, Peter Warr não escondia a preferência pelo brasileiro e isso o incomodava. Não queria ser segundo piloto. E depois de cinco anos em Hethel, despediu-se.
A Brabham foi o destino seguinte. Em 1986, eles iriam ter uma dupla totalmente nova, com patrocinadores italianos e motor BMW de 4 cilindros em linha. Contudo, Gordon Murray decidiu-se por um projeto radical, o BT55, um carro totalmente plano, do qual ambos os pilotos tiveram dificuldades em se adaptar. E para piorar as coisas, o carro não era equilibrado. Por exemplo, nas curvas à direita, os pilotos tinham dificuldades em manter o motor a funcionar, por causa da diminuição do fluxo de gasolina, devido à gravidade.
E isso deu cabo da confiança na equipa. Anos depois, em 2023, numa entrevista à motorsport.com, Herbie Blash, membro da equipa, recordou desses tempos:
"Lembro-me de estar sentado no pub com o Bernie [Ecclestone], o Gordon [Murray], o Elio e o Riccardo. Íamos atirar uma moeda ao ar para decidir quem ganharia a primeira corrida, tal era a nossa confiança. Íamos simplesmente ganhar com facilidade..."
De Angelis chegou ao fim na primeira corrida do ano, em Jacarépaguá com um oitavo lugar, depois de partir de 14º, mas ficou a três voltas do vencedor. Mas nas três corridas seguintes, nunca chegou ao fim, e pior, no Mónaco, onde apenas havia 20 lugares na grelha com 26 carros presentes, ficou a menos de um centésimo de não se qualificar, largando de último e não chegando ao fim, com problemas no seu Turbo. Frustrado com a situação - em contraste, Riccardo Patrese não conseguiu um pódio porque ficou sem gasolina na última volta do GP de San Marino - De Angelis pede para estar presente na sessão de testes que a equipa irá fazer em Paul Ricard, no dia 14 de maio, em preparação para a corrida seguinte, o GP da Bélgica. Bernie Ecclestone e Gordon Murray concordam.




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