sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Qual é a importância das mulheres no paddock da Formula 1?

Estava a ver um post enviado para mim quando pensei no seguinte: ao longo dos meus quase quatro anos da existência do blog, nunca falei das "grid girls", nem nunca coloquei uma unica foto delas. Das mulheres e namoradas de pilotos, talvez as meninas da McLaren, a Nicole Scherzinger e a Jessica Michibata, mais por causa do seu mediatismo. Mas só o facto de ter de esperar quase quatro anos para dedicar um post só para elas revela a importância que elas tem no mundo da Formula 1, apesar de estarem por toda a parte: nenhuma.

Eu devo ser tão "petrolhead" que sou daqueles que digo que se elas desparecessem de um momento para o outro, não sentiria falta nenhuma, de tão irrelevantes que são. Aliás, até têm momentos que me causa alguma irritação, quando estão ali a fazer "guarda de honra" aos pilotos a caminho do pódio. Tão visiveis, no entanto tão inuteis... em suma, é um sinal da Formula 1 construida por Bernie Ecclestone: as mulheres são um objecto decorativo. Um pouco machista, hein? Mas também, passa uma mensagem errada sobre as mulheres na categoria máxima do automobilismo. Tão errada que por alturas do GP do Brasil, houve uma polémica afirmando que algumas das "grid girls" poderiam ser "garotas de programa", e isso deu brado...

Sim, mais do que caras bonitas, tem cérebros. E muitas delas são mais do que assessoras de imprensa de algum piloto/equipa/fornecedor. Também há engenheiras e mecânicas. Poucas, mas existem.

E depois há a questão principal: as mulheres piloto. Nos últimos anos elas tem aparecido, e há casos de sucesso como Danica Patrick, que já venceu na Indy. Aliás, neste momento existem quatro mulheres a correr nessa categoria, com o fluxo mediático conhecido. Elas ainda estão longe da Formula 1, mas acho que é uma questão de talento e oportunidade, ou seja, não é um "se" mas sim "quando". Quando virmos, por exemplo, uma Simona de Silvestro, uma piloto suiça de 22 anos que foi terceira classificada na Formula Atlantic de 2009 e que não fez feio na sua temporada de estreia, perguntamo-nos como seria se ela certo dia seguisse para a categoria máxima do automobilismo. Seria tratada como piloto ou só a veriam como "objecto de marketing"?

O automobilismo é machista? É. Noventa e sete por cento dos pilotos são homens? Sim. Muitos estão ali para verem as meninas com vestidos minimos, algumas das quais de gosto duvidoso? É verdade. Mas por mim, passo. Porque acho que esta visão do automobilismo faz mais mal do que bem, por muito belo que seja, tenho de admitir...

2 comentários:

João Carlos Viana disse...

Danica Patrick um sucesso? Não concordo de jeito nenhum, ela é uma versão de saias do pífio Bryan Herta!

Speeder_76 disse...

Apesar de ser "pifia" como dizes, e de só ter ganho uma corrida na sua carreira da Indy, ela lá de vez em quando tem resultados dignos. Tem uma média de dois pódios por ano, por exemplo. É certo que o resto - comportamento fora da pista, mediatismo e tal - suplanta em muito aquilo que ela faz na pista, e dá a sensação de aquilo tudo ser um exagero, mas confesso que essa palavra deveria ser reservada para a Milka Duno.