quarta-feira, 3 de junho de 2026

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A Brabham andou boa parte de maio de 1986 com a horrível tarefa de substituir um piloto morto: quem correria no lugar de Elio de Angelis. Muitos telefonaram a Bernie Ecclestone para oferecer os seus serviços, mas até chegar ao escolhido, este decidiu... não telefonar. 

Aos 32 anos, Derek Warwick, depois de cinco temporadas na Formula 1, estava fora. Passagens pela Toleman e Renault, quatro pódios duas voltas mais rápidas, a temporada de 1985 pela Renault foi um desastre, com o RE60: cinco pontos, apenas. E poderia ter sido melhor, caso decidisse aceitar o convite para correr na Williams, que recusou, porque não acreditava na fiabilidade do motor Honda. Esse convite foi para Nigel Mansell, que aproveitou muito bem. 

Assim sendo, a meio de 1986, depois da Renault se ter retirado da Formula 1, e de ter sido vetado por Ayrton Senna para correr na Lotus, Warwick ficou sem um lugar competitivo na Formula 1. Pouco depois, Tom Walkinshaw decidiu oferecer um lugar para correr na sua equipa, que competia com Jaguares no Mundial de Endurance. A bordo de um XJR-6, tinha competido nos 1000 km de Silverstone ao lado de Eddie Cheever - que também tinha ficado sem lugar na Formula 1 quando a Alfa Romeo fechou as suas portas - e acabado por ganhar. 

Foi nessa altura que aconteceu o acidente mortal de De Angelis, e enquanto se preparava para as 24 Horas de Le Mans - que iria fazer com Cheever e o francês Jean-Louis Schlesser - Ecclestone o ligou, afirmando que gostaria de o ter no seu carro. Em 2011, numa entrevista, disse, sobre esses dias sombrios de maio:

Quando o Elio morreu em Ricard, eu estava a acompanhar os eventos, como toda a gente. Fiquei tentado a ligar ao Bernie [Ecclestone], mas logo pensei que seria errado. O tipo não estava morto há muito tempo. Deixei o assunto durante uns nove ou dez dias, para depois receber uma chamada do Bernie, que disse ter apreciado muito o facto de eu não lhe ter ligado cinco minutos depois da morte do Elio e perguntou-me se eu gostaria de conduzir para ele."

Quando lá cheguei [à sede da Brabham], o que realmente aconteceu foi que, uma hora depois da morte de Elio, [Ecclestone] recebeu vários telefonemas de pilotos a dizer que estavam disponíveis para ocupar a vaga. Acho que isso deixou o Bernie indignado. Ele tem muitos princípios. E o facto de não lhe ter ligado na hora, certamente me ajudou. Então, ofereceu-me a vaga.

Aceite o convite - ainda por cima, nenhuma corrida da Formula 1 nessa temporada coincidia com o Mundial de Endurance - Warwick tratou-se de adaptar ao radical Brabham BT55, e quando chegou a Montreal, conseguiu um digno décimo posto na grelha, um lugar atrás de Riccardo Patrese, seu companheiro de equipa. Entrado no carro, tinha ficado impressionado com duas coisas: até que ponto o carro tinha um centro de gravidade baixo, e a potência do motor BMW de 4 cilindros em linha. 

Infelizmente, o motor não aguentou na volta 20, e a sua corrida terminou ali. Mas para o resto da temporada, voltaria a ter um lugar no pelotão. Com a agenda carregada, era verdade, mas estava de volta à Formula 1.

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