sexta-feira, 3 de julho de 2026

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A Ferrari andava em tempos agitados no verão de 1966. Com a recente derrota contra a Ford em Le Mans, ainda lidava com a abrupta saída de John Surtees da equipa, depois da briga que teve com Eugenio Dragoni, o diretor desportivo da equipa, tudo isto menos de três semanas depois de terem ganho em Spa-Francochamps, numa corrida debaixo de chuva no qual tiveram a sorte de escapar ao pior do mau tempo. E para além disso, Ferrari negociava com a Fiat o financiamento e a compra de parte da sua equipa, com ele a não ceder na sua única condição: ter financiamento para as suas operações automobilisticas, quer na Formula 1, quer na Endurance.  

Para substituir, a Scuderia decidiu-se por uma solução interna. Não por Ludovico Scarfiotti, que era sobrinho de Gianni Agnelli, o presidente da Fiat, mas sim... por outro inglês. Um que sabia tão bem como se construíam os carros de competição, bem como pilotá-los.

Nascido a 24 de setembro de 1931 em Richmond, no Surrey britânico, Michael Johnson Parkes era filho de John Parkes, que era o diretor da Alvis, uma das muitas marcas de automóveis que tinham surgido no inicio do século no Reino Unido. Estudante no Haileybury College, em Hertford Heath, no Hertfordshire, começou a guiar MG's e Frazer Nash antes de, em 1957, atrair a atenção de Colin Chapman, que o convidou a correr nos seus carros no projeto de Le Mans. Depois foi para a Fry, que estava a montar um projeto para a Formula 1, em 1959, que lhe deu a sua primeira oportunidade, quando correu o GP da Grã-Bretanha de 1959, onde não se qualificou. Pelo meio, ao lado de Tim Fry, ajudaram a desenhar e a desenvolver o Hillman Imp, que viria a ser um dos rivais da Mimi, mas desenhado na Rootes Group, e que na década seguinte, seria absorvida pela Chrysler Europe.

A partir de 1961, Parkes começou a guiar carros da Ferrari pela Maranello Concessionaries, a representante da marca italiana no Reino Unido. Nesse ano, ao lado do belga Willy Mairesse, e num Ferrari oficial, acabou as 24 Horas de Le Mans no segundo lugar. Em 1962, já era piloto, mas da Endurance, largando o seu emprego na Rootes. Depois de uma série de resultado honrosos em corridas como os 1000 km de Nurburgring e os 1000 km de Monza, em 1964, ao lado de Umberto Magioli, acabou como vencedor das 12 horas de Sebring, onde os quatro primeiros lugares ficaram nas mãos da Scuderia.

Tendo também ajudado a desenvolver os carros da Ferrari, na Endurance, e em abril de 1966, correu ao lado do seu compatriota John Surtees, que estava na sua fase final da sua recuperação de um acidente em setembro de 1965, nos 1000 km de Monza, acabando por triunfar, numa espécie de final feliz depois de um acidente que o tinha colocado no limite da sua vida. Contudo, havia problemas: Parkes era maior que ele - tinha 1.90 metros - e não era prático correr com ele nas 24 horas de Le Mans. Mesmo assim, relutantemente, alinhou a seu lado. Mas quendo trocaram Parkes por Ludovico Scarfiotti, outro piloto, italiano, talentoso e sobrinho de Gianni Agnelli, o presidente da Fiat, Surtees decidiu que iria embora da Ferrari ali mesmo, em Le Mans, e nas vésperas da corrida. 

Sem Surtees, pensava-se que o lugar seria preenchido por um italiano, mas na realidade, o escolhido era ele, que aos 34 anos, era engenheiro e não tinha experiência em monolugares, só na Endurance. No veloz circuito de Reims, no norte de França, acomodou-se sem problemas ao carro, foi mais lento que Lorenzo Bandini, que fez a pole-position, mas foi terceiro. Entre eles... John Surtees, agora piloto da Cooper, que tinha motores da Maserati.

Na corrida, Bandini teve problemas e perdeu 11 voltas, enquanto Parkes foi o único que conseguiu acompanhar o ritmo de Jack Brabham, que ia a caminho da história, por muitos motivos: iria ser o primeiro quarentão a ganhar uma corrida de Formula 1 com o seu próprio carro. O piloto da Ferrari iria ficar a menos de dez segundos do australiano, e iria conseguir um pódio na sua estreia em carros de Formula 1 da Ferrari, o que era um feito e tanto. E quer Brabham, quer Parkes, iriam dar... duas voltas a Dennis Hulme, que ficou com o lugar mais baixo do pódio. 

Contudo, se Parkes tinha sido um bom substituto, o estrago tinha sido feito. A Ferrari não iria ser campeã do mundo em 1966. 

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