quarta-feira, 8 de julho de 2026

Quanto custará um carro de ralis em 2027?


O WRC terá um novo tipo de carros em 2027, e a ideia principal é o de corte de custos em relação aos carros da categoria principal, que é o Rally1. Se hoje em dia, um desses carros custa, em média, cerca de 1,1 milhões de euros por temporada, e não pontua em todos os ralis do campeonato - normalmente, cinco a sete ralis, numa temporada de 14 - agora, a ideia da FIA é de ter um carro pronto por 345 mil euros, enquanto um da classe 2, será mais baixo, pois hoje em dia anda pelos 400 mil euros. 

A FIA decidiu que esses carros poderiam participar na próxima temporada com um kit que custará cerca de vinte mil euros, mas há quem resmungue que isto tudo está a ser mal feito. 

E para além dos carros de fábrica - até agora, apenas a Toyota confirmou que estará presente em 2027, a Hyundai parece estar na porta de saída, mas a Lancia já disse que investirá num carro nesta categoria, a Ford poderá também investir e há mais uma marca a caminho - haverá também preparadores que participarão. A belga Rally One fará um carro, que estará pronto no final do ano, e a MSI, do espanhol Teo Martin, em colaboração com a Federação Espanhola de Automobilismo, que terá dois Toyotas na próxima temporada, mais um para treinos e testes. Ele referiu que os contactos começaram ainda em 2025, mas só no Rali do Japão, que aconteceu no final de maio deste ano, é que a marca japonesa deu o seu aval para que a MSI Racing Team pudesse aceder aos Rally1.

E foi o próprio Martin, preparador e antigo piloto nos anos 80, em Espanha, que deu algumas luzes da atual situação desses novos WRC27. E tem imensas dúvidas, não sobre a viabilidade do projeto, mas como é que a FIA irá cumprir o objetivo proposto. Na entrevista que deu ao podcast Rallycast, ele afirma que ainda não sabe que custos esse projeto poderá efetivamente ter, porque não acredita que os objetivos orçamentais não deverão ser cumpridos.

"Eu falo com os engenheiros e com o pessoal que está a fazer os testes. Dizem-me, em primeiro lugar, que o carro é muito mais caro e, em segundo, que a manutenção também é muito mais cara. Portanto, ainda não se sabe.", começou por dizer. "[É] curioso, porque esta categoria foi criada precisamente para reduzir os custos. Se bem me lembro, foi fixado um preço de 400 mil euros. Nós alertávamos que isso era praticamente o que custa um Rally2 com algumas peças sobressalentes.", continuou.

Apesar de tudo, ele falará que a FIA irá conseguir baixar esses custos, mas é no básico, porque caso o piloto ou o preparador querer coisas mais específicas, os custos irão disparar. 

"O novo Rally1 vai ser mais económico do que o atual [sendo] evidente que os custos vão baixar. Mas, ao passar de um Rally2 para o novo Rally1, os custos vão aumentar, porque, por exemplo, vai ser um chassis diferente e haverá outros componentes específicos que terão de ser desenvolvidos. Vendem-te o carro e dizem-te: 'Os bancos que traz são estes, mas se quiseres os bancos MP em carbono para reduzir o peso, custam 20 mil euros. O sistema de aquisição de dados também é um extra...'. No fim, é o que está a acontecer agora. O chamado Performance Package, se não me falha a memória, custa cerca de 40 mil euros."

Não é por caso que ele tenha dúvidas sobre se isto irá dinamizar o WRC.

"Eu penso que este processo nasceu mal desde o início. Nas Canárias uma pessoa da FIA disse-me que os privados teriam de fazer quatorze ralis e pontuar em sete, e eu respondi-lhes que os privados não conseguem fazer quatorze ralis com os custos atuais, seria uma loucura", começou por afirmar. "Eu não faria as coisas dessa maneira, mas já que decidiram criar a nova categoria, agora têm de seguir em frente. Já não podem voltar atrás, porque a Toyota já gastou muito dinheiro."

E ainda tem mais dúvidas, especialmente sobre a participação nos Rally1 e Rally2:

"Se eu quiser estar apenas no Rally1, tenho de continuar também no Rally2? Quero perceber o que vai acontecer. E se, de repente, o Rally2 acabar por ser mais competitivo e os pilotos chegarem ao pé de mim e disserem: 'Não, eu quero correr com o Rally2'? Depois há outra questão: vamos ter a assistência conjunta, como por exemplo, a M-Sport/Ford tem tido nos últimos ralis?", concluiu.


Apesar de todas as dúvidas, do aparente recuo de Skoda e Hyundai - apesar desta ultima nada ter dito de forma oficial - por outro lado, ver novos projetos e o "upgrade" da Lancia, e outras possibilidades num futuro próximo, numa altura em que ainda não se sabe quem será o promotor oficial, que fará a cobertura televisiva dos ralis para os meios de comunicação, no lugar da Red Bull Media, é outro aspecto que a FIA tem de resolver. Ainda por cima, quando quer expandir o WRC para os Estados Unidos, por exemplo.  

Veremos como começará esta nova era no WRC, dentro de seis meses. 

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