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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

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Dos pilotos que correram na Formula 1 nos anos 80 do século passado, principalmente dos quatro maiores desse tempo, só Alain Prost montou a sua equipa, com sucesso limitado. Nelson Piquet acabou por fazer, mas na GP2 e para o seu filho Nelsinho. Ayrton Senna não teve tempo, e do pelotão de então, um que montou equipa depois de pendurar o capacete foi Keke Rosberg, quando montou o seu Team Rosberg para ao DTM alemão. 

Mas um que montou uma equipa e do qual pouco se fala foi Nigel Mansell. Que há 35 anos, em 1990, por incrível que pareça, decidiu aliar-se uma parceria e participar na Formula 3000. Com excelentes resultados, mas também, um desfecho trágico. E é essa história que conto hoje. 

Em meados de 1989, Nigel Mansell era piloto da Ferrari, e ia a caminho dos 36 anos, já tinha quase uma década de temporadas em cima, divididas entre Lotus e Williams. Tinha negócios no Algarve - o clube de golfe Pine Cliffs, em Albufeira - e já pensava no pós-carreira quando Jeremy Payne, o seu sócio no clube de golfe e respectivo empreendimento hoteleiro, lhe falou de Robert Synge. Ele era o dono da equipa Madgwick Motorsport, que corria na Formula 3000 International com o sueco Tomas Danielsson, mas tinha "pedigree" anterior, quando tinha ganho a Formula Ford britânica em 1986, com Andy Wallace

Apresentados, ambos começaram a delinear uma parceria que daria em casamento, no final de 1989, nascia a Mansell Madgwick Motorspot, que correria com chassis Reynard. Eles teriam carros inscritos em ambas as categorias da Formula 3000, na britânica e na Internacional. Na mais importante, estaria o italiano Andrea Montermini e o francês Jean-Marc Gounon, enquanto na britânica, teriam um carro pilotado pelo português Pedro Matos Chaves, que tinha estado na temporada anterior pela Cobra Motorsport, sem resultados.

Os resultados em 1990 foram interessantes: Chaves ganhou cinco das 10 corridas e foi campeão - ainda participou em quatro corridas da Internacional e conseguiu um quarto lugar na corrida de Birmingham - enquanto na internacional, conseguiram três pódios - o melhor foi um segundo lugar em Nogaro, através de Montermini - e 27 pontos.

Dentro da equipa, cedo surgiram duas visões. Synge, que construíra a sua equipa a pulso, pensava na ideia da Formula 1 com calma, e com os pés assentes na terra. Falava com a Reynard no sentido de construir um projeto nesse sentido - e ele aconteceu, acabando por ser o Benetton B193 - mas Mansell queria ir o mais depressa possível, e se o piloto tiver muito dinheiro, melhor. Por exemplo, ele exigia que os pilotos pagantes tivessem, no minimo, 750 mil libras, algo que Synge via como irrealista.

Cedo ou tarde, ambos iriam colidir em termos de direção da equipa. Em 1991, porém, apostaram mais na Formula 3000 britânica, porque tinham um piloto prometedor: Paul Warwick.

Ele era o irmão mais novo de Derek Warwick - tinham 15 anos de diferença - e em 1991, ele serias acompanhado pelo brasileiro Marco Greco e pelo norueguês Harald Huysman, num carro que iria servir para atrair pilotos pagantes - e foi o que aconteceu.

Warwick arrasou. Nas primeiras quatro corridas, ganhou-as, deixando a concorrência a mais de 20 pontos. Era o franco favorito à vitória quando a competição chegou á ronda cinco, em Oulton Park. Fez a pole, e liderava com folga quando um braço da suspensão se quebrou a mais de 220 km/hora quando abordava a veloz curva Kickerbrook. Embateu com força na barreira de pneus, ele foi cuspido para fora do carro, devido à violência do embate. Socorrido de imediato, foi levado para o hospital em estado critico, acabando por morrer horas depois, aos 22 anos.  

Todos ficaram arrasados com o acontecido, mas Mansell... nem por isso. Em 1991, tinha ido para a Williams, estava a lutar pelo título contra Ayrton Senna e ser co-proprietário de uma equipa tinha ficado para trás. Nunca colocou dinheiro nela, e como afirmou Synge, anos depois, numa entrevista à Autosport britânica: “O Mansell, de fato, nos trouxe bastante atenção num primeiro momento. O problema é que, normalmente, a atenção se resumia ao CEO da empresa querer jantar com ele e depois não dar mais noticias”.

No final de 1991, apesar de Warwick ter sido consagrado como campeão a título póstumo, Synge e Mansell desfizeram a sociedade. Robert Synge venceu todos os títulos da Fórmula 3000 Britânica até 1994, para depois ser consultor na Reynard e ir trabalhar para a BAR na primeira década do século, quando estavam na Formula 1. Quanto a Mansell, o resto é conhecido: campeão na Formula 1, depois na CART, e o regresso na Williams para o final melancólico na McLaren, em 1995.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A imagem do dia

Graças ao livro do David Tremayne, os ingleses que gostam de automobilismo passaram a falar de uma "Geração Perdida", piloitos com potencial para serem campeões do mundo, mas cujas carreiras foram precocemente terminadas devido a acidentes mortais. Roger Williamson, Tony Brise e Tom Pryce são os três pilotos que ele referiu. Há quem coloque outros nessa lista, como por exemplo, o escocês Gerry Birrell.

Uma geração mais tarde, há quem diga que existe outro piloto "perdido", com um apelido famoso: Warwick. Se todos conhecem Derek Warwick, vencedor em Le Mans e que teve passagens por Toleman, Renault, Lotus e Arrows, há quem conheça a história do seu irmão mais novo, Paul Warwick. E há precisamente 25 anos, acontecia o seu acidente mortal.

Paul Warwick era bem mais novo do que Derek. Com uma diferença de idades de 15 anos - nascera a 29 de janeiro de 1969 - metera-se no automobilismo desde tenra idade, numa altura em que o seu irmão já andava na Formula 1, primeiro na Toleman e depois na Renault. Campeão da Formula Ford 1600 em 1986, vice-campeão europeu de Formula Ford 2000 no ano seguinte - batido apenas pelo finlandês J.J. Letho - passou em 1988 para a Formula 3 britânica, sem resultados de relevo, apesar de uma passagem pela Eddie Jordan Racing.

Em 1990, fez algumas corridas na Formula 3000 europeia, também sem resultados de relevo. Por esta altura, a Grã-Bretanha estava "louca" com Nigel Mansell, pensando que com ele, acabaria o jejum de títulos que vivia desde 1976, com James Hunt. Mansell também experimentava a ideia de ter uma equipa, e na nascente Formula 3000 britânica, associou-se à Madgwick Motorsport, que foi buscar Paul Warwick para ser um dos seus pilotos. aos 21 anos de idade, parecia que iria ter a sua chance de superar as frustrações e voltar ao caminho que o levaria à Formula 1.

Ainda por cima, era uma combinação vencedora: em 1990, levara o português Pedro Matos Chaves ao título britânico.

Paul confirmou as suas credenciais logo de cara: pole, volta mais rápida e vitória nas quatro primeiras corridas do campeonato. com 40 pontos conquistados, era o campeão antecipado, e a ideia era de ir para a Formula 3000 internacional em 1992, e depois tentar a sua sorte na Formula 1. Robert Synge, o seu diretor, recorda-o numa entrevista ao site Motorsport: "Ele era uma pessoa com os pés assentes no chão e com uma grande familia à sua volta. "Derek sabia que ele tinha o necessário para chegar à Fórmula 1, e realmente ele era bom o suficiente para fazer esse trabalho bem feito, nos seus próprios termos. Tinha a ética de trabalho típica dos Warwick".

A 19 de julho de 1991, a Formula 3000 estava em Oulton Park para mais uma roda do campeonato, e Warwick tinha feito a pole-position. Phil Andrews, o seu rival nesse ano, ficou siderado quando o viu bater para o primeiro posto por meros... seis milésimos de segundo: "Lembro-me de pensar 'com mil diabos, que treta tenho mais que fazer para o bater?'". Na corrida, Warwick afastou-se da concorrência sem problemas, com Richard Dean em segundo e Phil Andrews em terceiro.

Na sétima volta, porém, acontece o desastre. Chegado à curva Knickerbocker, um braço da suspensão quebra-se e o carro, um Reynard, segue em frente e desintegra-se, num acidente bem semelhante ao que teve meses antes Martin Donnelly, nos treinos para o GP de Espanha do ano anterior. A grande ironia era que o seu conpanheiro de equipa era... Derek Warwick. O acidente aconteceu a 230 km/hora, e Warwick teve morte imediata, aos 22 anos de idade.

A corrida foi interrompida de vez, e Warwick foi declarado como o vencedor, e ainda por cima, tinha feito a volta mais rápida. O campeonato tinha virtualmente acabado, e ele foi declarado como o campeão póstumo, à semelhança de Jochen Rindt, quase 21 anos antes.

Hoje em dia, Derek Warwick fala dele da seguinte maneira: "Paul era o meu herói, ele foi o herói para a minha mãe, herói para a minha irmã, herói dos meus filhos. Ele tinha essa atitude sobre ele que as pessoas só iriam amá-lo e segui-lo, como se fosse um flautista. As pessoas queriam apenas ficar ao pé dele, porque achavam que era uma pessoa especial, que estava à beira de algo grande na sua carreira e na sua vida".

Contudo, Warwick não acha que Paul era predestinado: "Eu honestamente não me vejo num falso mundo quando digo que Paul poderia ter vencido corridas e ser um potencial campeão do mundo de Formula 1. Vejo-o mais como um Damon [Hill] porque ele floresceu quando ele entrou na Formula 1 depois de uma carreira modesta nas formulas de acesso". Teria lógica, se Warwick tivesse sido piloto de testes da Williams em 1993, por exemplo, um lugar que acabou por ser ocupado por David Coulthard...