O desastre das 24 Horas de Le Mans foi há 70 anos, e na altura desse acidente, que matou mais de 80 pessoas, quase todos eles espectadores, muitos países europeus decidiram cancelar as corridas nos seus países - França, Alemanha, Espanha - para que as pistas fossem modificadas para proteger melhor as pessoas que assistiam. Contudo, um país foi mais longe: a Suíça, que baniu as corridas de forma indeterminada.
Um banimento que durou mais de 60 anos, até que levantaram parcialmente para um tipo de corrida: os carros elétricos. Um ePrix de Formula E aconteceu em Berna, em 2018 e 2019, mas para outros tipos de competição, manteve-se. Tanto que não há pistas construídas em território suíço, e sempre que a Formula 1 fez um GP da Suíça... foi em território francês, nomeadamente, em Dijon, em 1975 (extra-campeonato) e em 1982.
Mas isso acabou. O mais longo banimento da história do automobilismo será levantado no próximo dia 1 de julho. O Conselho Federal Suíço - a Suíça é uma confederação - emendou a Lei do Transito, onde aboliu a proibição de corridas automobilísticas nas estradas da nação, com a tal excepção das corridas de carros elétricos.
É preciso afirmar outra coisa: quando proibiram as corridas, eram apenas as provas em circuito. Os ralis prosseguiram, sem serem incomodados. Tanto que um dos ralis mais conhecidos da Europa, o Rally Valais, acontece... na Suíça, no cantão com o mesmo nome, não muito longe de Genebra.
Uma razão porque é que a proibição deste tipo de provas durou mais tempo, apesar da segurança nos circuitos ter aumentado bastante, é por outro motivo, mais ambiental: ruído. Os suíços são muito ciosos do barulho, e a partir das 10 da noite, em muitas cidades, exigem silêncio absoluto. E, por exemplo, o limite de barulho é de 110 decibéis, o que, por exemplo, faz com que certos aeroportos importantes, como Zurique ou Genebra, estejam encerrados a partir dessa hora, porque as pessoas querem dormir e ouvir um avião a pairar sobre as suas cabeças a partir de certa hora não é adequado.
Agora, por causa disso, toca a construir uma pista de automóveis e colocar de lado 50 milhões de dólares por ano, pagos pelo governo federal, para receber a Formula 1 em Genebra, Lausana, Basileia, Berna ou Zurique? Honestamente, não creio. Mas que a porta está aberta, lá isto está.
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