domingo, 7 de junho de 2026

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O GP do Mónaco de 2026 teve o seu momento - para o bem e para o mal - quando a oito voltas do fim, a corrida foi interrompida, primeiro, por causa dos acidentes que aconteceram com Lance Stroll, e depois, com Charles Leclerc, numa mesma curva do circuito de Monte Carlo, a última antes da meta. Também se descobriu que o asfalto estava a descolar-se ali, levando a aque a corrida começasse mais tarde que o esperado. E ao ver o local, fiquei curioso sobre o nome: Antony Noghés. Decerto que era alguém importante, então, quem era ele?

Afinal de contas, descobri que muitas das coisas que vemos hoje em dia nas corridas deve-se a ele. Não foi só o organizador do primeiro GP do Mónaco, como também ajudou a desenvolver o Rali de Monte Carlo, e também foi ele a popularizar a bandeira de xadrez como aquele que assinala o final da corrida. 

Nascido a 13 de setembro de 1890, em Monte Carlo, entrou no ambiente automobilistico graças ao seu pai, Alexandre Noghés, que em 1909 funda a Association Sport Velocipedique et Automobile de Monaco. Ele entra na organização e em 1911, aos 21 anos, ajuda organizar a primeira corrida sob os auspícios da nova organização: o rali de Monte Carlo, primeiro, uma prova onde os concorrentes, partindo de diversos lugares, chegariam à capital do Principado, cumpridas diversas etapas. O rali torna-se um sucesso, e aos poucos torna-se numa prova do qual muitos começam a se inscrever e participar.

Por esta altura, Noghés envolve-se na organização, ajudando o pai, e em 1925, a associação muda de nome, transformando-se no Automobile Club de Monaco (ACM), com o seu pai ainda como presidente. Ele tinha como profissão principal ser o encarregado da administração e distribuição de tabaco, de fósforos e isqueiros no Principado. 

Mudado o nome, Noghés tenta inscrevê-lo na AIACR, "Association Internationale des Automobiles Clubs Reconnus", a organização que é agora a FIA, mas a sua inscrição é recusada em 1928, justificando essa recusa com o facto de não organizarem uma prova debaixo da sua alçada. O rali de Monte Carlo não poderia ser usado, pois usava as estradas de muitos outros países, a começar por França. 

Assim sendo, Noghès começou a imaginar uma corrida dentro dos limites da cidade, usando a topografia. Subindo a colina até ao Casino, despois descia até ao Porto, passando pela estação de caminhos de ferro, que por baixo, tinha um túnel que penetrava nas rochas, dando a volta num lugar onde havia uma estação de combustível para carros e barcos, chamado "Gasómetro", antes de chegarem à meta. Com a ajuda de Louis Chiron, um dos melhores pilotos da Europa e um filho da terra, e do Príncipe Louis II, a corrida foi organizada em 1929, a 14 de abril, os pilotos alinharam por convite (Alfa Romeo e Maserati recusaram, Bugatti aceitou), e o primeiro vencedor foi o britânico William Grover "Williams".

Chiron... não compareceu. Estava na América, a participar nas 500 Milhas de Indianápolis. Mas iria ganhar dois anos depois, em 1931, na primeira de duas vitórias de pilotos monegascos. A segunda aconteceria 93 anos depois, em 2024. 

Por fim reconhecido, e em poucos anos, o prestígio do GP do Mónaco a subir, Noghés propôs algumas alterações nos procedimentos de corrida. Duas das suas propostas ficou até aos dias de hoje: uma bandeira de xadrez para sinalizar o final da corrida, e a decisão das posições na grelha de partida a serem decididas através da tomada de tempos, em fez de um sorteio. Esse último acabou por entrar em vigor a partir de 1933, altura em que o GP do Mónaco se tornou uma das "Grandes Epréuves", a par do GP de França, da Bélgica, de Itália e da Espanha.

Em 1940, Noghés tornou-se no presidente do ACM, sucedendo-se ao seu pai, e lá ficou até 1953, altura em que a corrida entrou no calendário da Formula 1 e tinha Chiron como diretor de corrida, empunhando a bandeira de xadrez nas suas mãos, ideia do seu compatriota. Membro do Conselho Nacional e condecorado com a Legião de Honra francês, ele morrerá a 2 de agosto de 1978, aos 87 anos. No ano seguinte, a Curva do Gasómetro, a última antes da meta, começará a ter o seu nome, acompanhada de uma estátua sua. Onze anos depois, em 1990, para comemorar o seu centenário, oc Correios do Mónaco emitem um selo com a sua efigie.

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