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sábado, 31 de dezembro de 2011

O meu ultimo post de 2011

Este é o meu último post de 2011. Foi um ano comprido, mas memorável em todos os aspectos. Acho que para o mal e para o bem, vai ser um ano que ficará para a Historia pelos eventos que aconteceram no Norte de Africa, pela quantidade de "estátuas", de ditadores que foram derrubados, e até executados. Khaddafi morto, Mubarak derrubado... quem poderia imaginar isso em dezembro de 2010? Ninguém, nem mesmo os escritores de ficção cientifica.

Mas o ano de 2011 ficou marcado pelo tsunami no Japão e a morte do Querido Líder, o Kim Jong-il. Confesso que no primeiro caso, fiquei impressionado pelo fato dos helicópteros japoneses terem filmado uma catástrofe em andamento, do qual todos nós vimos acontecer nas nossas televisões em todo o mundo. E da destruição subsequente, aprendemos a ouvir falar de um lugar desconhecido até ao dia 11 de março daquele ano: Fukushima. Local de uma central nuclear que não aguentou o forte terramoto e a subsequente devastação causada pelo tsunami. Aprendemos a comparar aquilo com Chernobyl, e pensamos que como seria possível ver outra vasta destruição, sete anos depois de outro tsunami, no Sudeste Asiático. 

No segundo caso, as multidões chorosas pela passagem do féretro do Querido Líder, sob neve, em Pyongyang. Em muitos aspectos, era genuíno, o que me faz pensar se tudo aquilo não será o exemplo bem sucedido de uma lavagem cerebral. E o jovem e gordo líder, Kim Jong-un, continua o mistério do pais mais misterioso do mundo, e que tem armas nucleares. O que vai acontecer a seguir? Mais do mesmo ou alguma abertura, como acontece agora em Cuba?

Contiudo, o ano de 2011 ficou também marcado a ferro e fogo no automobilismo. Tivemos o domínio dos Sebastiões, na Formula 1 e nos ralis, e nunca um nome foi tão dominador como este. A concorrência bem lá tentou, mas foi quase uma inutilidade, onde andaram a recoilher as migalhas. Uma vitória aqui e ali, e pouco mais. Talvez em 2012 as coisas mudem, mas por agora, não creio. Temos de esperar pelo... inesperado. Mas este ano de 2011 vimos acidentes mortais no desporto que mais amamos. Vimos, por exemplo, um Dan Wheldon no seu melhor e dpeois no seu pior. Mal sabiamos que a sua inesperada vitória significou também a seu último grande feito em vida. Meses depois, iriamos ver em direto o seu acidente mortal, na veloz oval de Las Vegas, perseguindo um prémio de cinco milhões de dólares.

Mas também o ano de 2011 foi o último de muita gente. Elizabeth Taylor, Amy Winehouse, Steve Jobs... todos que foram importantes num tempo que agora ficou para trás. Fazem agora parte dos livros de história, estão gravados em filme, voz e outros meios para serem vistos nas gerações que vêm a seguir. De uma certa forma, garantiram a sua imortalidade, pois a cada geração que virá, serão vistos e ouvidos. E muitos ficarão admirados e fascinados por aquilo que fizeram. Tal como eu, um "petrolhead" fico admirado por certas pessoas que morreram antes de eu ter nascido. E assim, a imortalidade.

O que quero desejar para 2012? Melhor do que 2011. Que não seja tão marcante como 2011. Que não aconteça um terramoto tão devastador como no Japão. Que mais ditadores sejam derrubados. Que a crise se alivie. Que o Euro seja salvo, e que os nossos lideres estejam mais inspirados. Queria que fossemos bem sucedidos no campeonato europeu de futebol e batessemos o nosso recorde de medalhas nos Jogos Olimpicos. Que o campeonato de Formula 1 e de ralis sejam mais equilibrados e quem sabe, com outros vencedores. Que haja mais "fair-play" e que saibam que há mais vida para além do clube de futebol que apoiam ou o piloto de vence. Que consciencializem que há mais vida para além disto tudo. E que pensem que 2012 NÃO SERÁ o ano que acabará o mundo. Se querem acreditar numa coisa, agarrem mas é na vossa companheira - ou companheiro - e pratiquem o que vai no Kama Sutra. É muito mais credível do que o horóscopo da vossa revista ou jornal.

Enfim, que tenham um grande 2012, é o que desejo a todos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Para comunistas...



A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo. Se não o é, é dos mais fechados, mas não acredito que haja um país ainda mais fechado do que esse. E como sabem por estes dias, Kim Jong-il foi-se no passado dia 17, vítima de ataque cardíaco e o seu funeral foi ontem, debaixo de neve, na capital, Pyongyang.

O mais interessante neste país que cultivou os valores estalinistas até à exaustão - o culto da personalidade e os "gulags", para não falar das grandes fomes que assolaram o país nos últimos quinze anos - e de orgulhosamente falar do "juche", ou seja, a autodeterminação em tudo, incluindo em termos de produção - ver carros ocidentais no cortejo fúnebre é no mínimo, surreal. Ou então, podemos dizer que a elite norte-coreana tem bom gosto...

Explico: o carro que levou o caixão do Querido Líder é um bem americano Cadillac de 1976, com o caixão no tejadilho, para que a população, que apanhava um frio glacial, pudesse chorar à vontade à passagem do féretro do "Querido Líder". Depois, veijo o cortejo de Mercedes Classe S e uns modestos Volkswagen Passat, estes certamente fabricados na China. E dos veículos militares, para além dos tanques russos, tinham Mercedes Classe G a fazer guarda de honra.

Assim sendo, com tantas manifestações da cultura ocidental, fica-se a perguntar: então e os ZIL russos? Onde andam os Ladas, os Volgas, os GAZ construidos na gloriosa era soviética? Nas sucateiras de Pyongyang? Ou será que ali já se nota a influência do pragmatismo chinês, mesmo no regime mais fechado do mundo, onde só se passa, quase até ao enjoo, as marchas militares e as enormes bandas? De uma certa forma, é um mistério... mas que é uma ditadura como qualquer outra, é. E todos os ditadores tem gostos excêntricos. Basta pensarmos no Muhammar Khadaffi, no Mobutu Sesse Seko, no Saddam Hussein...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

The End: Kim Jong-Il (1942-2011)


Já me ia deitar para o meu sono de beleza quando li, pelas três da manhã, no Twitter da Al Jazeera, que tinham acabado de morrer o Kim Jong-il. Num fim de semana onde ficamos tristes com as mortes da Cesária Évora, no sábado, e do Vaclav Havel, no domingo, a noticia da morte do "Querido Lider", aos 69 anos, parece que nos deu uma espécie de macabro equilibrio entre os "bons" e os "maus da fita".

Contudo, parecia que ele tinha andado morto durante todo este final de semana. As autoridades norte-coranas disseram que ele bateu as botas no sábado de manhã, dentro de um comboio. Resta saber se estava a caminho de Pequim, para tratamento, ou então estava a viajar para outro canto do pais. O funeral vai ser no próximo dia 28 de dezembro, em Pyongyang, provavelmente sobre neve e muito frio, e as pessoas, genuinamente, chorarão baba e ranho, como vi no funeral do seu pai, em 1994.

A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo. E o seu povo foi tão bem sucessivamente moldado que tenho aquele receio de que no dia em que eles começarem a ver que há um mundo fora de Pyongyang e os programas de TV com paradas militares eternas e bandas militares enormes, tenham uma espécie de colapso mental. E também tenho outro receio, esse partilhado com o resto do mundo: que o seu filho, descrito por alguns como "Brilhante Camarada", Kim Jong-un, seja ainda mais radical do que o pai e o avô. Daí que neste momento, o exército sul-coreano esteja em alerta, e a Bolsa de Seoul tenha caído quase cinco por cento após o anuncio da morte do Kim Jong-il.

Quanto ao resto, não me perguntem quando é que aquele pesadelo acabará. Nem como, porque suspeito que alguns dos malucos que andam por ali queiram acabar com um estoiro. Afinal, eles têm armas nucleares...

Para finalizar, como já faltam cerca de doze dias para o final do ano, estou a ver que vai ser marcante. Muhammar Khadaffi, Osama Bin Laden e agora Kim Jong-il, terminaram as suas vidas este ano. São três ditadores - ou personagens sanguinárias, o que perferirem - que de uma certa forma marcaram as nossas vidas. E estes três, de um conjunto de algumas dezenas que abandonaram a vida para entrar nos livros de História - dois deles, Cesária Évora e Vaclav Havel, encantaram-se ao mesmo tempo que o Kim - nos assombrarão por muito, mas muito tempo.