A Formula 1 está cheia de estórias estranhas, e reputações que são derrubadas graças a um incidente. E depois deste fim de semana em Zandvoort, Andrea de Cesaris iria carregar um estigma para o resto da sua carreira... e da sua vida.
Ao fim de quase uma temporada completa, o piloto romano, então com 22 anos, tinha corrido duas provas no final de 1980, pela Alfa Romeo, em substituição do veterano Vittorio Brambilla. Mas ao longo desse ano, tinha estado na Formula 2, ao serviço da equipa Project Four, de Ron Dennis, conseguira ser rápido, acabando com quatro pódios e uma vitória, em Misano, e sendo quinto classificado no campeonato. Foi o suficiente para se estrear na Formula 1 ainda antes do final dessa temporada.
Para 1981, Dennis precisava de um dos seus pilotos da Project Four na nova equipa, e De Cesaris era o mais óbvio. Mas apesar de ser veloz, em quase todos os fins de semana de Grande Prémio, ele puxava pelos limites e ia além deles, danificando um chassis, ora nos treinos, ora na corrida. Até poderia ser um bom teste para o modelo MP4/1, o primeiro chassis de fibra de carbono, mas este era sempre usado pelo outro piloto da marca, o britânico John Watson. - só começou a usar no Mónaco.
Até que em Zandvoort, palco do GP dos Países Baixos, as coisas chegaram a um ponto grave. Nesse final de semana - que fez agora 45 anos - a McLaren tinha quatro chassis, dois deles velhos M30. Por essa altura, ele já tinha danificado… 16 chassis, e os seus mecânicos tinham passado noites sem dormir a recuperar os carros para que ele pudesse andar… e destruir o carro. De Cesaris tinha batido na sexta e no sábado, uma delas na Curva Tarzan, com o carro habitual e depois com um dos “muletos”, e quando isso aconteceu, a equipa entrou em pânico quando viram que só tinha um carro para Watson. No final, apesar de ter conseguido o 13º melhor tempo, eles impediram-no de alinhar na corrida. Então, já a fama de “De Crasheris” tinha sido estabelecida, e iria acompanhá-lo para o resto da sua carreira.
No final da temporada, ele foi despedido e regressou à Alfa Romeo e Ron Dennis jurou que nunca mais iria contratar um piloto italiano enquanto fosse o dono de uma equipa de Formula 1.
No final da temporada, ele foi despedido e regressou à Alfa Romeo e Ron Dennis jurou que nunca mais iria contratar um piloto italiano enquanto fosse o dono de uma equipa de Formula 1.
Anos depois, em 2010, numa rara entrevista concedida a Rob Widdows, da Motorsport britânica, de Cesaris refutou veementemente a acusação desse alegado impedimento em Zandvoort: “Houve estórias de que os mecânicos recusaram a reparar o meu carro. Isso é treta. Na realidade, o carro de reserva foi para o John [John Watson] e era esse o combinado, então, fiquei sem carro.”, comentou.
Com o tempo, lá se acalmou. Mas a fama de destruidor de carros da parte dele se manteve até aos dias de hoje, mesmo que ele já tenha morrido em 2014.


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