Na sexta-feira, Flávio Briaotre disse "cobras e lagartos" na conferência de imprensa, afirmando que um dos juízes era a favor da McLaren - Oscar Piastri acabou em quarto lugar, depois das penalizações - e a mostrar que estava insatisfeito com o que aconteceu, depois de ter ganho em recurso.
E no sábado... Pierre Gasly consegue a pole-position, batendo George Russell e Oscar Piastri, por 180 centésimos. E torna-se no quarto piloto a conseguir, sem ser dos quatro do costume (Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull)... desde 2014. Não sei se é vingança da penalização, mas hoje, tudo correu bem.
O fim de semana em Monza, circuito centenário do automobilismo, poderia não ter chuva, mas teria calor. E se uma coisa é um carro a funcionar a temperaturas amenas, outra coisa é ter 34ºC no ar e mais de 55ºC no asfalto, ali, os carro irão comportar-se de outra forma.
Os primeiros tempos começavam a surgir, com Max Verstappen a entrar no segundo 22, enquanto Lando Norris se queixava de falta de potência e de uma sensação estranha nos travões. no meio disto tudo, os Mercedes decidiram ajudar-se uns aos outros, especialmente Andrea Kimi Antonelli, que ajudava George Russell a conseguir o melhor tempo possível, mas no final da Q1 era apenas quinto, embora tivesse calçado os médios, para poupar um jogo de moles.
Pierre Gasly conseguiu 1.22,622, com Max Verstappen a 19 centésimos, na frente de Franco Colapinto (Colapinto? Quem diria!) e Charles Leclerc apenas conseguia o oitavo tempo.
A parte final da qualificação começou com Oscar Piastri a falhar a abordagem à curva 1, o que o obrigou a abortar a tentativa e a recomeçar a volta. Lando Norris aplicou-se e subiu ao terceiro lugar, com 1.22,659, enquanto Arvid Lindblad conseguia fazer o quinto tempo, com 1.22,727. No final, os 16 primeiros tinham uma diferença de 1,004 segundos.
E os que preencheram o fundo do pelotão estão os Cadillac de Sérgio Peres e Valtteri Bottas, os aston Martin de Fernando Alonso e Lance Stroll - o canadiano alcançou aqui em Monza a marca de cem corridas sem passar à Q2! - o Racing Bulls de Yukli Tsunoda e o Williams de Alex Albon.
Passando para a Q2, esta começou com os pilotos a puxarem uns pelos outros - towing, é o nome - e as primeiras voltas foram entregues a Max Verstappen, Liam Lawson e Carlos Sainz, com Verstappen a fazer o melhor tempo, ainda no segundo 22, à frente de Lawson e do espanhol da Williams.
Pouco depois, George Russell assumiu brevemente a liderança, que passou ainda por Pierre Gasly e Lando Norris, antes de ficar entregue a Oscar Piastri. Os Ferrari ficavam mais perto da zona de eliminação que do topo da tabela, e isso começava a ser preocupante para a equipa, os pilotos e os "tiffosi".
Na parte final, polémica: enquanto Max Verstappen tentava a sua volta rápida, Oscar Piastri estava no seu caminho na primeira chicane, abrandando-o. Ele já tinha marcado o seu tempo de 1.22,017, mas este impedimento era o suficiente para ser assinalado para uma punição na grelha, mas isso só iria acontecer mais tarde, depois dos treinos.
Com os pilotos a calçar moles novos, Leclerc e Hamilton não conseguiam mais que o nono e o décimo melhores tempos, com o inglês a conseguir 1.22,516. E tinha de rezar para que ninguém abaixo de si melhorasse.
Sorte a dele: enquanto Kimi Antonelli fazia 1.21,882, e ia para o topo da tabela de tempos, ninguém abaixo de Hamilton melhorava o seu tempo, mesmo quando Gabriel Bortoleto fazia... 1.22,517. Um milésimo de segundo mais lento que o inglês da Ferrari. Quem diria!
E se os Ferrari passaram mesmo no limite, entre os eliminados na Q2, ficaram os Audi de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, os Haas de Esteban Ocon e Ollie Bearman, e o Red Bull de Liam Lawson.
E assim, passamos para a Q3, a fase final da qualificação, que começou alguns minutos mais tarde.
Os primeiros esforços começaram com Russell a marcar 1.21,929, melhorando no terceiro setor, com Piastri a ser segundo, com 1.21,966. Max e Gasly andaram logo a seguir, não muito longe uns dos outros, e Hamilton apenas conseguia o sexto melhor tempo provisório.
por mais alguns minutos, a pista ficou algo vazia, e a tentativa final acabou por acontecer a pouco menos de três minutos do fim, quando os pilotos começaram a sair para pista e fazer as suas derradeiras voltas. O primeiro foi Piastri, que falhou a abordagem à curva 1 e ficou logo fora da luta pela pole. O seu companheiro de equipa, Lando Norris, não conseguiu melhorar e parecia ficar com o sétimo tempo. Pouco depois foi George Russell, que ainda fez o melhor tempo, e parecia que a pole já estava entregue.
Mas não. É aqui que surge Pierre Gasly, que consegue sacar o melhor do seu carro e conseguiu fazer 1.21,786, o melhor tempo e consequentemente, a pole position para o GP da Itália. O francês ficou 60 centésimos à frente de George Russell, 180 centésimos à frente de Oscar Piastri, centésimos na frente de Charles Leclerc e centésimos na frente de Lewis Hamilton, todos eles nos cinco primeiros.
Max Verstappen, Kimi Antonelli, Franco Colapinto, Lando Norris e Arvid Lindblad completavam o top 10.
E aí está, o inesperado aconteceu nesta tarde em Monza. Um bom carro, boas afinações e um pouco de espirito de vingança deu a Gasly a sua primeira pole da temporada. Se isto dará algo no domingo? Vai-se ver, será que este chassis dar-se-á bem nesta pista, não é?


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