Mostrar mensagens com a etiqueta Iraque. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Iraque. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Como um BMW blindado salvou um bando de pessoas do Daesh

Por estes dias, há uma grande batalha em Mossul, no norte do Iraque, entre os regulares iraquianos, acompanhados pelos Pschesmerga curdos, contra o Daesh (ou Isis), para o controlo da cidade, que está nas mãos deles há dois anos. Mas no meio dos combates, surgiu hoje uma história que merece ser contada por estas bandas, porque aqui, falamos de automóveis e automobilismo.

Um combatente curdo, Ako Duzi de seu nome, conseguiu salvar cerca de 70 combatentes graças ao seu... BMW Série 5 blindado. Tudo isto aconteceu há umas duas semanas, quando o Daesh atacou em Kirkuk, para distarir os curdos da pressão que estavam a fazer sobre Mossul. Ele não estava na zona quando os combates aconteceram, mas ele chegou com o seu carro blindado (por ele mesmo, diz ele) e conseguiu socorrê-los, mesmo com os vidros estilhaçados pelas balas que o atingiam por snipers do Daesh, sem contudo o ferir. E claro, o seu temperamento à prova de bala também ajudou.


No final, o carro não aguentou muito - atingido por mais de 60 vezes, o seu motor quebrou devido aos estragos feitos pelas balas. Mas ele estava satisfeito por ter cumprido a sua missão. "As balas do Daesh vinham na minha direção. Vi a morte com os meus próprios olhos. Mas não podia deixar os feridos naquele limbo. A única coisa que importava era metê-los no meu carro e levá-los para o hospital", disse a um sitio local.

A BMW soube da história e quis ficar com o carro, dando-lhe em troca um Série 5 novinho em folha, mas ele preferiu doar o carro a um museu local. Coisas como estas não aparecem todos os dias, é um facto.

Já agora, vi isto no Jalopnik

terça-feira, 31 de julho de 2007

Extra-Campeonato: A vitória iraquiana na Taça da Àsia


Confesso que depois da asneirada sobre o título nacional do Porto, jurei para mim próprio que só escrevia sobre a Selecção Nacional. Mas hoje posso abrir uma excepção: é sobre a vitória da selecção iraquiana de futebol na Taça das Nações Asiáticas, que aconteceu no passado Domingo na cidade de Jakarta, na Indonésia.


Os iraquianos não eram favoritos. Mais facilmente poderia colocar-se nesse cesto a Arábia Saudita, o Irão, a Coreia do Sul, o Japão ou a Australia. Mas não o Iraque. Mas contra todas as expectativas, eles conseguiram ganhar o grupo, com dois empates e uma vitória sobre a Australia por 3-1. Nos quartos de final bateram o Vietname, nas meias superaram a Coreia do Sul nos "penalties", e na final marcaram o golo da vitória através de um pontapé de canto. Pareciam a Grécia, no Euro 2004, que contra tudo e todos, bateram-nos na final da competição.


Abstraindo-nos da performance desportiva, este resultado deu-nos uma lição de humanidade, e uma fuga à banalidade daquele país: atentados suicidas, dezenas de mortes diárias, violência sectária, sunitas contra xiitas, milhões de refugiados nos países vizinhos... tudo isto é a consequência da Caixa de Pandora que os americanos, e em especial George W. Bush, abriu numa Primavera de há quatro anos.


Para terminar, coloco aqui o comentário de Luis Carvalho, do blog State 83:


"Uma vez mais um fenómeno desportivo suplanta estratégias políticas e militares. O que não se conseguiu com parlamentos, constituições, exércitos, tribunais e até enforcamentos, foi agora alcançado por umas meras 11 pessoas. Pela primeira vez desde o fim da guerra o Iraque ficou unido. Não no plano político, mas sim no plano sentimental e de orgulho na sua nação.


A insegurança continua, os atentados também, mas uma nova esperança renasce. A esperança e a certeza de que o povo Iraquiano é capaz, a certeza de que os movimentos "underground" tentam minar o solo de um povo que quer avançar. Como vem sendo normal, 4 pessoas morreram acidentalmente durante os festejos. Festejos de um povo que até à bem pouco tempo não sabia o que era ganhar, festejos de uma democracia primordial que dá agora os primeiros passos.


A verdade é que no fundo no fundo os festejos dos Iraquianos não são assim tão diferentes dos festejos nas restantes nações futebolísticas. Nós vamos sonhando com vitórias agarrados à bandeira, a uma cerveja e a um amigo, o Iraquianos sonham agarrados a uma AK-47. Condenável? Penso que não... Afinal de contas, esta é a única realidade que eles conhecem desde o dia em que nasceram...Seriamos nós tão diferentes se lá tivéssemos nascido?"