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quinta-feira, 21 de maio de 2026

As imagens do dia








Já falei por aqui há uns tempos de Willy T. Ribbs, o primeiro piloto negro que andou num Formula 1 em 1985, ao volante de um Brabham BT54, numa sessão de testes no Estoril. Na altura, Ribbs corria na Trans-Am, onde ganhava corridas a bordo de um Mercury Capri, e tinha acabado em segundo lugar nessa temporada, repetindo o mesmo lugar em 1983.

O que poucos sabiam era que Ribbs tentava, desde 1983, entrar nas 500 Milhas de Indianápolis, sem sucesso. As suas duas primeiras tentativas não aconteceram porque acabou por se retirar antes de fazer a sua tentativa na pista. Apenas em 1990, com 34 anos, é que foi para a CART, num carro da Raynor Motorsports, onde conseguiu três pontos, numa temporada parcial.

Mas em 1991, numa temporada parcial, mas pela Walker Racing, teve a sua chance de experimentar as 500 Milhas de Indianápolis, para tentar fazer história como o primeiro afro-americano a correr por ali. 

Aliás, 1991 foi um ano interessante: A.J. Foyt pensava em retirar-se, mas decidiu continuar a correr, mesmo tendo 56 anos (!), e o Pace Car era um Dodge Viper, guiado pelo veterano Carrol Shelby, que no ano anterior... tinha sofrido um transplante cardíaco!

Mas voltemos a Ribbs. Depois de passar o seu "rookie test", tentou o seu lugar na grelha. Mas os motores quebravam constantemente, e apenas conseguia uma média de 213 milhas por hora (343.160 quilómetros por hora), parecia que as suas chances de conseguir um lugar na grelha eram baixas. Tinha velocidade, mas queria uma chance para marcar um tempo. Só que essas chances eram poucas e espaçadas: nesse mês de maio, chovia dia sim, dia não.

Tentou novamente no dia 18, mas nesse dia, o motor, um Buick V6, ia demasiado ao limite e quebrou uma válvula. O dia seguinte era o "bump Day", ou seja, quem conseguia marcar um tempo entrava, e quem não conseguia, ficava a ver a corrida das bancadas. O primeiro a tentar foi o veteraníssimo Gordon Johncock, que então com 55 anos, conseguiu 213,812 milhas por hora. Ribbs foi logo a seguir, mas... um problema no turbo fez com que o carro deitasse fumo e largasse óleo na pista. Recolhido às boxes, enquanto substituíam o Turbo, descobriram que a bomba de aspiração do motor estava danificada, logo, mais coisas para substituir. E o tempo passava.

Pelas 15:30, o carro estava pronto e ele fez um aquecimento, e conseguiu facilmente as 214 milhas por hora. Logo, foi recolhido às boxes e às 17:05, com o tempo a piorar, foi para a pista para as quatro voltas da praxe. Consistente, conseguiu uma volta de 217,358 milhas por hora (349,803 quilómetros por hora) e entrou facilmente na grelha de partida. E para lá entrar, tirou para fora um vencedor de Indianápolis: Tom Sneva

Nas bancadas, dezenas de milhares de pessoas seguiram as suas voltas em ansiedade para saber se ele conseguia ou não o seu lugar na grelha. E todos ficaram estáticos quando ele conseguiu entrar. Afinal, era História que acontecia perante eles. 

domingo, 8 de março de 2020

Youtube Motorsport Trailer: Uppity, o documentário sobre Willy T. Ribbs

O automobilismo deve ser dos desportos mais masculinos e mais "brancos", porque 90 a 95 por cento dos seus pilotos são assim. Qualquer minoria - asiático, negro, mulher - existe, e exemplos deles encontram-se pelos dedos das mãos ao longo da história. E muitos conhecem os nomes de Michele Mouton, Lella Lombardi ou de Janet Guthrie, porque hoje é do Dia Internacional da Mulher.

Mas hoje trago a história de Willy T. Ribbs, o primeiro afro-americano que correu nas 500 Milhas de Indianápolis, que correu na Trans-Am e NASCAR, nos anos 80 e inicio dos anos 90, e também o primeiro a dar voltas num carro de Formula 1, no Estoril, em 1985. É que o Adam Carrolla decidiu fazer um documentário sobre a sua vida e carreira, mostrando os obstáculos que teve de passar até alcançar os seus objetivos. 

E eis o trailer do documentário, que passou na Netflix.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Historieta da Formula 1 - Willy T. Ribbs na Brabham

O Rianov Albinov, do Formula 1 Nostalgia, sacou uma historieta interessante há umas semanas atrás no seu blog. Muito antes de Lewis Hamilton, a Formula 1 teve um piloto de origem negra a testar um dos seus bólidos. Neste caso em particular, um afro-americano. No final de 1985, Willy T. Ribbs, então com 30 anos, e com alguma experiência em monolugares, foi experimentar um Brabham BT54 no "nosso" Autódromo do Estoril. A ideia fora de Bernie Ecclestone, pois sabia do potêncial que tal coisa poderia suceder, caso fosse bom.


Mas não era. Ribbs foi o 17º dos 19 pilotos que rodaram nessa sessão de testas na pista portuguesa. Pior do que ele, só Wolker Weidler, num Toleman, e Alessandro Nannini, num Minardi - Motori Moderni. E o tempo que fez, 1.25,83, era nove (!) segundos mais lento do que Nelson Piquet, já a bordo do seu Williams-Honda. Em comparação com os pilotos da marca para 1986, foi seis segundos mais lento do que Riccardo Patrese, e quatro segundos mais lento do que Elio de Angelis. A ideia logo caiu em terra, e Ribbs voltou aos Estados Unidos, onde correu quatro temporadas na CART, sendo o primeiro afro-americano a correr nas míticas 500 Milhas de Indianápolis, em 1991.


O seu momento mais marcante é trágico. Em 1990, em Vancouver, Ribbs atropela três comissários de pista, um deles mortalmente. Os comissários, que empurravam o carro de Ross Bentley, parado numa chicane, não viram a aproximação de Ribbs, e foram atropelados por ele, que pouco ou nada podia fazer para os evitar. Um deles, Jean Patrick Hein, morreu nessa mesma tarde num hospital da cidade. Agora retirado, dedica-se... ao tiro com pratos.